Imediatamente antes do início do jogo Oswaldo Oliveira foi alvo de duas
perguntas de um repórter, e ambas falavam dos problemas salariais do Botafogo.
E foi então que, súbitamente, me veio à memoria uma frase célebre dada por um
determinado atleta às palermices de um repórter que insistia em perguntar sobre
coisas alheias ao campo de futebol: “Yo hablo de fútbol. ¿Quieres hablar de fútbol?”
Não tenho saudades do atleta em campo – porque julgo que
já dera o que tinha a dar – mas tenho saudades da clareza de raciocínio e da resposta
certeira, sem rodeios. Porém, é claro que Oswaldo Oliveira não é tão dotado como
o referido jogador, que não tinha papas na língua quando se exigiam posturas
assertivas, e respondeu com as inocuidades costumeiras.
Pero vamos a hablar de fútbol.
Um joguinho ruim até à 1ª metade do 1º tempo, com o
Botafogo a exibir uma forte marcação que obrigava os corintianos ao chutão
inócuo para a baliza de Jeferson. E, curiosamente, foi Rafael Marques, o homem ‘condenado’
– por mim e provavelmente por todos os botafoguenses – que animou o jogo aos 25
minutos, inaugurando muito oportunamente o marcador a passe milimétrico de
Seedorf. Eu estava quase adormecendo e Rafa fez-me acordar. Confesso que se o
nosso ‘atacante’ continuar assim, a marcar um gol por jogo, venha quem vier, e
a trabalhar pelo coletivo sem nenhum excesso individualista, ao contrário do jovem
Vitinho, terei que reavaliar a minha opinião e a minha posição sobre o atleta.
A 2ª metade foi mais animada e Jeferson fez duas boas
defesas, enquanto o Botafogo levava perigo com jogadas simples, rápidas e
eficientes. O Corinthians enrolava-se em si próprio, exagerando nas ‘perfeições’
e acabando por não ter realmente uma oportunidade flagrante de gol, enquanto o
Botafogo poderia ter ampliado a passe de Rafael Marques para Lucas, que rematou
a bola para a arquibancada.
A 1ª parte terminou com um resultado que se pode considerar
justo face à maior eficiência do Botafogo, que não deu espaços ao Corinthians
para jogar.
No início da 2ª parte o Botafogo entrou bem e assim
continuou até aos 15 minutos, mantendo as suas linhas altas e fazendo pressão
sobre o Corinthians, que continuou sem soluções. Porém, a partir daí, o
Corinthians começou a presionar mais à passagem da metade do 2º tempo, mas a
defesa botafoguense manteve-se compacta, sobressaindo a extraordinária eficiência
de Bolívar.
O Corinthians continuou a pressionar até que numa
cobrança de falta, Marcelo Mattos intercepta a bola com a cabeça e envia-a, com
muita infelicidade, ao ângulo superior de Jeferson, que nada pode fazer para
evitar o empate.
Os paulistas pararam aí. Efetivamente, o Botafogo
manteve-se compacto na defesa e depois do gol o Corinthians já não tinha fôlego
para mais.
O Botafogo soube segurar a bola, coisa que até ao ano passado
não sabia fazer, e saiu do sufoco, acabando por conquistar um ponto que até
podiam ter sido três.
Mas, enfim, aceita-se o empate pelo esforço do
Corinthians em pressionar a defesa do Botafogo.
Quatro notas finais telegráficas: (a) o Botafogo é
péssimo a cobrar faltas, não obtendo um único gol dessa forma há dezenas de
jogos; (b) a arbitragem utilizou critérios semelhantes e não falhou em nenhum
lance capital, o que quer dizer que se assim fossem todas as arbitragens – com critério
iguais para ambos os lados –, certamente que o campeão brasileiro seria justo,
coisa que não acontece pelo menos desde 2009; (c) os atletas comportaram-se
como se a semana de crise não tivesse existido, cumprindo o prometido de não
levar para o jogo problemas não futebolísticos; (d) temos dois jogos em casa,
com mais duas equipas fortes, mas a possibilidade de começar bem o campeonato
continua em perspectiva.
FICHA TÉCNICA
Botafogo 1x1 Corinthians
» Gols: Rafael Marques, aos 25’ (Botafogo); Paulinho, aos 73’ (Corinthians)
» Competição: Campeonato Brasileiro
» Local: Estádio do Pacaembu, em São Paulo (SP)
» Data: 25.05.2013
» Árbitro: Leandro Pedro Vuaden (RS); Assistentes: Fabricio Vilarinho da
Silva (GO) e Dibert Pedrosa Moises (RJ)
» Público: 29.295 pagantes (total de 31.155)
» Renda: R$ 940.359,00
» Disciplina: cartão amarelo – Antônio Carlos (Botafogo); Paulo André e
Paulinho (Corinthians)
» Botafogo: Jefferson; Lucas, Antônio Carlos, Bolívar e
Julio Cesar (Lima); Marcelo Mattos, Gabriel, Fellype Gabriel (Vitinho), Lodeiro
(Andrezinho) e Seedorf; Rafael Marques. Técnico:
Oswaldo de Oliveira.
» Corinthians: Cássio; Edenílson, Gil, Paulo André (Chicão) e Fábio Santos; Ralf, Paulinho, Romarinho, Danilo (Douglas) e Emerson; Guerrero (Alexandre Pato). Técnico: Tite.
» Corinthians: Cássio; Edenílson, Gil, Paulo André (Chicão) e Fábio Santos; Ralf, Paulinho, Romarinho, Danilo (Douglas) e Emerson; Guerrero (Alexandre Pato). Técnico: Tite.




