Sábado, 25 de Maio de 2013

Botafogo 1x1 M. Mattos

Imediatamente antes do início do jogo Oswaldo Oliveira foi alvo de duas perguntas de um repórter, e ambas falavam dos problemas salariais do Botafogo. E foi então que, súbitamente, me veio à memoria uma frase célebre dada por um determinado atleta às palermices de um repórter que insistia em perguntar sobre coisas alheias ao campo de futebol: “Yo hablo de fútbol. ¿Quieres hablar de fútbol?

Não tenho saudades do atleta em campo – porque julgo que já dera o que tinha a dar – mas tenho saudades da clareza de raciocínio e da resposta certeira, sem rodeios. Porém, é claro que Oswaldo Oliveira não é tão dotado como o referido jogador, que não tinha papas na língua quando se exigiam posturas assertivas, e respondeu com as inocuidades costumeiras.

Pero vamos a hablar de fútbol.

Um joguinho ruim até à 1ª metade do 1º tempo, com o Botafogo a exibir uma forte marcação que obrigava os corintianos ao chutão inócuo para a baliza de Jeferson. E, curiosamente, foi Rafael Marques, o homem ‘condenado’ – por mim e provavelmente por todos os botafoguenses – que animou o jogo aos 25 minutos, inaugurando muito oportunamente o marcador a passe milimétrico de Seedorf. Eu estava quase adormecendo e Rafa fez-me acordar. Confesso que se o nosso ‘atacante’ continuar assim, a marcar um gol por jogo, venha quem vier, e a trabalhar pelo coletivo sem nenhum excesso individualista, ao contrário do jovem Vitinho, terei que reavaliar a minha opinião e a minha posição sobre o atleta.

A 2ª metade foi mais animada e Jeferson fez duas boas defesas, enquanto o Botafogo levava perigo com jogadas simples, rápidas e eficientes. O Corinthians enrolava-se em si próprio, exagerando nas ‘perfeições’ e acabando por não ter realmente uma oportunidade flagrante de gol, enquanto o Botafogo poderia ter ampliado a passe de Rafael Marques para Lucas, que rematou a bola para a arquibancada.

A 1ª parte terminou com um resultado que se pode considerar justo face à maior eficiência do Botafogo, que não deu espaços ao Corinthians para jogar.

No início da 2ª parte o Botafogo entrou bem e assim continuou até aos 15 minutos, mantendo as suas linhas altas e fazendo pressão sobre o Corinthians, que continuou sem soluções. Porém, a partir daí, o Corinthians começou a presionar mais à passagem da metade do 2º tempo, mas a defesa botafoguense manteve-se compacta, sobressaindo a extraordinária eficiência de Bolívar.

O Corinthians continuou a pressionar até que numa cobrança de falta, Marcelo Mattos intercepta a bola com a cabeça e envia-a, com muita infelicidade, ao ângulo superior de Jeferson, que nada pode fazer para evitar o empate.

Os paulistas pararam aí. Efetivamente, o Botafogo manteve-se compacto na defesa e depois do gol o Corinthians já não tinha fôlego para mais.

O Botafogo soube segurar a bola, coisa que até ao ano passado não sabia fazer, e saiu do sufoco, acabando por conquistar um ponto que até podiam ter sido três.

Mas, enfim, aceita-se o empate pelo esforço do Corinthians em pressionar a defesa do Botafogo.

Quatro notas finais telegráficas: (a) o Botafogo é péssimo a cobrar faltas, não obtendo um único gol dessa forma há dezenas de jogos; (b) a arbitragem utilizou critérios semelhantes e não falhou em nenhum lance capital, o que quer dizer que se assim fossem todas as arbitragens – com critério iguais para ambos os lados –, certamente que o campeão brasileiro seria justo, coisa que não acontece pelo menos desde 2009; (c) os atletas comportaram-se como se a semana de crise não tivesse existido, cumprindo o prometido de não levar para o jogo problemas não futebolísticos; (d) temos dois jogos em casa, com mais duas equipas fortes, mas a possibilidade de começar bem o campeonato continua em perspectiva.

FICHA TÉCNICA
Botafogo 1x1 Corinthians
» Gols: Rafael Marques, aos 25’ (Botafogo); Paulinho, aos 73’ (Corinthians)
» Competição: Campeonato Brasileiro
» Local: Estádio do Pacaembu, em São Paulo (SP)
» Data: 25.05.2013
» Árbitro: Leandro Pedro Vuaden (RS); Assistentes: Fabricio Vilarinho da Silva (GO) e Dibert Pedrosa Moises (RJ)
» Público: 29.295 pagantes (total de 31.155)
» Renda: R$ 940.359,00
» Disciplina: cartão amarelo – Antônio Carlos (Botafogo); Paulo André e Paulinho (Corinthians)
» Botafogo: Jefferson; Lucas, Antônio Carlos, Bolívar e Julio Cesar (Lima); Marcelo Mattos, Gabriel, Fellype Gabriel (Vitinho), Lodeiro (Andrezinho) e Seedorf; Rafael Marques. Técnico: Oswaldo de Oliveira.
» Corinthians: Cássio; Edenílson, Gil, Paulo André (Chicão) e Fábio Santos; Ralf, Paulinho, Romarinho, Danilo (Douglas) e Emerson; Guerrero (Alexandre Pato). Técnico: Tite.

1º resultado da nota pública dos jogadores

“Especula-se que Dória esteja próximo de algum clube europeu e nem retorne ao Botafogo após a excursão com a sub-20. Os indícios de que o atleta seria vendido ganharam força após o protesto feito pelos atletas do Botafogo, indignados com o atraso salarial e que recusam-se a concentrar antes das partidas fora do Rio de Janeiro. Antes indesejada pela diretoria, a venda significaria um alívio nos combalidos cofres alvinegros.”

A concretizar-se a venda, Antônio Carlos titular! E o desmanche inicia-se...

E conforme referi em comentários com os leitores do blogue, Maurício Assumpção deveria optar em regressar ao cargo de presidente ou entregá-lo definitivamente para que o respeito interno seja restabelecido:

“Um dos fatores que contribuiu para a crise do Botafogo ter tomado maiores proporções foi a ausência do presidente Mauricio Assumpção, que pediu licença do cargo. Sem ele, a diretoria alvinegra perdeu um dos nomes mais respeitados em General Severiano.”

A queda vem a caminho se não houver alguém a tomar as rédeas do clube. 

Cada vez que acredito ou no presidente ou no treinador ou no plantel, é isto. Depois de muita desconfiança, confiei em Cuca novamente e foi o desastre que se viu na reta final da sua estada no Botafogo. Uma vez confiei em Ney Franco após uma série grande de invencibilidade, e logo começou a perder. Por duas ou três vezes confiei no presidente, e vemos o que se passa com a equipa que dirige o clube na ausência prolongada de Assumpção. Por sorte nunca confiei em Osvaldo Oliveira, ou o homem começaria a fazer todo o tipo de disparates. Por isso resisto sempre a ser otimista e prefiro manter-me racional. Assim que fui otimista novamente em publicação desta semana, pimba!

Ver o meu recente e último otimismo em http://mundobotafogo.blogspot.pt/2013/05/nos-fomosmuito-superiores-ao-flamengo.html

Citações de notícias Lancenet!

Bolívar e o chororô flamenguista

Bolívar foi eleito, pelos futebolistas brasileiros, o mais violento atleta em atividade [provavelmente devido a ter o azar de uma entrada dura lesionar o adversário, quando jogava pelo Internacional em 2011].

Se Bolívar é violento, que adjetivo serviria para caracterizar Almir Pernambuquinho, atleta dos década de 1960, que, pela boca do próprio, não se eximia a atos violentos como os que provocou na final do campeonato carioca entre Bangu x Flamengo?

Almir iniciou uma confusão que acabou com a expulsão de nove jogadores e o encerramento do jogo, cumprindo o seu objetivo de evitar que o Flamengo tomasse uma goleada do Bangu e que este clube desse a justa volta olímpica ao estádio. Almir foi incitado por um dirigente do Flamengo de fora para dentro do campo e o atleta protagonizou a maior confusão que eu vi na minha juventude, enquanto rapaz de 14 anos, em estádios de futebol.

Ah…. claro, teria que ser ao serviço do Flamengo, evidentemente, o clube que arruma micos atrás micos e que não sabe perder – o verdadeiro clube do chororô do futebol brasileiro desde o Jogo do Senta, ocorrido em 1948, quando o Botafogo goleou o Flamengo por 5x2 e os atletas do beira da Lagoa, incitados por dirigentes do Flamengo, se sentaram em campo recusando jogar. O jogo também terminou ali para evitar um 8x2 ou mais.

O chororô continuou, desde os prantos do goleiro Bruno, condenado criminalmente por mandar assassinar a amante, até à pretensão de se repetir o jogo Flamengo x Duque de Caxias do campeonato carioca que findou devido a um erro de arbitragem.

Assim, o topo é miragem num deserto

O Botafogo começa mal o Campeonato Brasileiro de futebol. Sem estádio, sem dinheiro para pagar salários e com jogadores que decidem emitir uma nota pública dizendo:

Nós jogadores do time de futebol profissional do Botafogo de Futebol e Regatas decidimos não respeitar a viagem programada para a partida contra o Corinthians, no dia 24 de maio. Nós decidimos viajar no dia da partida diretamente (25 de maio) com chegada no hotel em torno de 11h30m.” [negritos da autoria do editor do blogue]

E a nota acrescenta que há um distanciamento da diretoria em relação ao plantel no que respeita ao assunto, quando, em minha opinião, deveria ser o contrário – aproximação – precisamente para controlar a difícil situação dando informação adequada sobre as esforços para solucionar o problema e evitar, entre outras coisas, os estragos públicos que o conteúdo unilateral da referida nota traz à imagem do Botafogo e da sua diretoria.

A discussão do assunto em praça pública faz tão bem ao Botafogo como levar problemas de natureza familiar à mesa do café com vizinhos, colegas ou conhecidos. O rompimento com o plane(j)amento para a estreia do Brasileirão contra o campeão do mundo é tudo o que o Botafogo não precisaria nem quereria ter.

São coisas desta natureza que fazem as delícias da imprensa flamenguista e corintiana, mas que não fazem um campeão.

Esquema tático do Botafogo no Cariocão 2013


Diálogo entre pai e filho: o botafoguense


Blog no Alto da Montanha:

João é botafoguense, apesar do pai rubro-negro. Rubro-negro sadio, não doente, graças a Deus, senão o infarto seria o caminho natural das coisas.

O interessante é que ele possui mesmo a personalidade do botafoguense. Aquele pessimismo característico, quase covarde dos alvinegros.

O jogo pode estar 5x0 para o Botafogo, que com 45 minutos do segundo tempo a torcida ainda está apreensiva, ninguém comemora, com medo de uma (im)possível virada, todos aguardando o apito final desesperadamente para soltar o grito de vitória.

Que quase sempre é sofrida... assim como a torcida.

Assim como aquela frase que define o time: “Tem coisas que só acontecem ao Botafogo.” Acho que foi outro João quem disse isso, o Saldanha.

E assim, como milhares de botafoguenses, João não liga muito para futebol. Não gosta. Não sabe quando o Botafogo joga ou jogou. Não se interessa em saber se ganhou ou perdeu. Não sabe qual o campeonato que está disputando. Mas possui uma atração irresistível por aquela estrela solitária.

O curioso é que isso é inerente a personalidade dele, é algo verdadeiro. Vejamos alguns diálogos:

“- Olha pai, o Botafogo está ganhando, quem diria?!”
“- João, o Botafogo ganhou do Vasco.”
“- Pô, pai, esse Vasco deve ser muito ruim, pra perder do Botafogo!”
“- João, o Botafogo é o líder do campeonato!”
“- Ah, vou comemorar não, deve ser passageiro.”

Parêntesis. E como todo botafoguense, adora quando o Flamengo perde. A derrota do Flamengo acaba sendo mais importante que a vitória do Botafogo, ou até mesmo que a existência do Botafogo. É, acho que o infarto não está descartado. Fecha parêntesis.

Acho que sinto até inveja desse desinteresse futebolístico. Pois o apaixonado pelo futebol, pelo seu time, sofre com as derrotas na mesma intensidade com que vibra com as vitórias. Certamente ele vai ser poupado de muitos dissabores ao longo da vida, em função da bola.

Até porque, têm coisas que só acontecem ao Botafogo.

E coisas que só acontecem comigo.

Parabéns, filho! O Fogão foi campeão!!!

PAPAI TE AMA! FOGOOOOOOO!

[ Nota de Mundo Botafogo: Se achou engraçado o texto, independentemente de eventuais discordâncias sobre algumas considerações acerca do Botafogo, divirta-se lendo outros neste blogue. Por exemplo, as respostas do blogueiro acerca das perguntas do filho sobre os peitos dos homens:

Fonte do texto: http://noaltodamontanhaa.blogspot.pt/2013/03/dialogo-entre-pai-e-filho-iii-peitos.html ]