por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo
O jogo começou com sinal mais do Botafogo em matéria de
domínio de bola, mas sem execução de jogadas perigosas, o que somente aconteceu
aos 19’ em jogada bem urdida, mas que acabou nas mãos de Fábio.
O Fluminense respondeu os 22’ com um remate muito perigoso
que rasou o ângulo da baliza de Warleson.
Nos dez minutos seguintes o Botafogo urdiu boas jogadas,
mas foram invariavelmente anuladas devido a passes excessivos pelo meio ou
dribles em demasia de um só jogador, os quais o adversário acabava por desarmar.
No entanto, o Fluminense não conseguia sair em construção
de jogo ofensivo e as poucas vezes que chegou ao ataque fê-lo demasiado lento.
O Botafogo reanimou-se aos 33’ com uma jogada perigosa,
mas à boca da meta Cristian Medina rematou com o pé errado e acabou ‘chutando’
a bola com a canela.
Aos 36’ surgiu nova oportunidade de remate dentro da área
tricolor, mas Danilo bem marcado não teve o brilhantismo do seu 1º turno e
chutou mal para fora.
Aos 44’ aconteceu finalmente o gol do Botafogo, mas desta
vez, ao contrário de jogos anteriores, por meio de cobrança de falta espetacular
de Alex Telles que encaixou a bola no ângulo superior da baliza de Fábio,
inaugurando o marcador. Botafogo 1x0.
Aos 45+3’ esteve à vista o 2º gol após um cruzamento
rasteiro de Álvaro Montoro para o local exato, apenas à espera de um matador
que tocasse para as redes, mas… os homens de área do Botafogo são totalmente nulos
na maior parte das vezes e a bola percorreu toda a grande área – muito perto da
pequena área – sem conhecer o toque de uma chuteira alvinegra.
Tendo o Fluminense sido amarrado na sua defesa,
esperava-se que o Botafogo entrasse a segunda parte com energia capaz de
ampliar o marcador, mas sucedeu o contrário. O Fluminense dominou totalmente os
primeiros minutos e o gol esteve à vista várias vezes e já se adivinhava – com o
Botafogo remetido à defesa e em chutão para a frente.
Quando se podia substituir apenas 3 jogadores em toda a
partida, compreendia-se que os treinadores adiassem o mais possível as
substituições, mas desde que o número de substituições foi ampliado, creio que
após um início de dez minutos alucinante do Fluminense tornava-se urgente que o
Botafogo reforçasse a ligação entre a defesa e o meio campo.
Porém, esperou-se… Esperou-se… e aos 58’, após treze
minutos de impressionante pressão do Fluminense o empate premiou o esforço
tricolor e a inércia alvinegra.
Um minuto depois do empate, aos 59’, Franclim Carvalho lembrou-se,
então, de proceder a duas substituições à pressa… “depois da casa arrombada, trancas à porta”…
E daí em diante o clássico caiu de ritmo, com o Fluminense aparentemente satisfeito por levar um ponto para casa. O Botafogo
retomou algum protagonismo, mas os problemas de ataque permaneceram e
ampliaram-se: insistência de jogadas pelo meio, passe excessivos que acabaram
perdidos, lançamentos em profundidade que Arthur Cabral não conseguia
recepcionar, falta de rapidez sobre a bola, enfim, nenhum gol do Botafogo em
jogo corrido, apesar de muitos lances bonitos, mas ineficazes porque raramente
havia futebol vertical e atacantes rápidos e hábeis para estilhaçar a defesa
tricolor.
O Fluminense ainda teve uma boa oportunidade de Nonato
aos 66’, que Warleson defendeu espetacularmente de cabeça, valendo-lhe atordoamento
momentâneo – e conseguindo mais uma partida sem erros.
O Botafogo ainda efetuou alguma pressão a partir dos 70-75’,
mas o Fluminense suportou bem essa pressão, que se traduziu sobretudo por um
remate forte de Jordan Barrera que Fábio defendeu e, no último lance do jogo, em
uma cabeçada talhada para gol, Arthur Cabral falhou uma vez mais. É um jogador
que trabalha muito, mas lento e às vezes desajeitado, não faz o essencial para
a sua posição: gols!
Pode-se afirmar que o Botafogo apresenta um futebol muitas
vezes bonito, mas relativamente fácil de anular devido à insistência de jogo
pelo meio, poucas chegadas à linha de fundo com cruzamentos para trás,
posicionamento atrasado dos seus atacantes, enfim, futebol difícil de rasgar as
defesas contrárias se não for acompanhado de lances em profundidade pelas alas,
inversões rápidas de jogo, e protagonistas velozes que ganhem a frente do/s
seu/s marcador/es.
O plantel parece ser razoavelmente positivo face ao
contexto atual de reestruturação do futebol botafoguense, mas Franclim Carvalho
tem que ser mais criativo na afinação de uma equipe que precisa de muitos
arranjos funcionais para sonhar, talvez, com a classificação à Copa
Libertadores 2027 e a conquista da Copa Sul-americana.
Por enquanto, mais dois pontos desperdiçado pelo Botafogo
por culpa própria.
Em tempo: Geralmente não assisto a coletivas do treinador. Ontem também não, mas li há pouco o que Franclim Carvalho disse sobre Álvaro Montoro e considerei um absurdo, uma irracionalidade e inverdade do treinador. Irracionalidade, falta de pedagogia e de certo modo demagogia, porque Montoro foi o melhor atleta em campo, apesar dos seus 19 anos, e pelo menos dois dos seus passes seriam para gol e vitória no jogo, não fossem as conclusões desastrosas de - se não me engano - Villalba e Cabral. Nota zero para as declarações que li sobre Franclim Carvalho nos últimos jogos. Tem potencial para treinador (embora com grandes falhas ainda), mas quanto a comunicação em público deve frequentar um curso sobre o tema.
FICHA TÉCNICA
Botafogo 1x1 Fluminense
» Gols: Alex Telles, aos 43’ (Botafogo); Ignacio, ao
58’ (Fluminense)
» Competição: Campeonato Brasileiro
» Data: 08.08.2026
» Local: Estádio Olímpico Nilton Santos, no Rio de Janeiro
(RJ)
» Público: 21.744 pagantes; 23.994 espectadores
» Renda: R$ 840.195,00
» Árbitro: Bruno Arleu de Araújo (RJ); Assistentes: Rodrigo
Figueiredo Henrique Correa (RJ) e Luiz Claudio Regazone (RJ); VAR: Rodolpho
Toski Marques (PR)
» Disciplina: cartão amarelo – Ferraresi, Marçal e
Justino (Botafogo) Ignacio, Nonato, Samuel Xavier e Luis Zubeldía – técnico (Fluminense);
cartão vermelho – Marçal (Botafogo)
» Botafogo: Warleson; Vitinho, Ferraresi, Justino e
Alex Telles (Paulinho); Cristian Medina, Danilo e Álvaro Montoro (Danilo
Pereira); Lucas Villalba (Jordan Barrera, depois Lucas Emanuel), Arthur Cabral
e Kauan Toledo (Matheus Martins). Técnico: Franclim Carvalho.
» Fluminense: Fábio; Samuel Xavier, Ignacio, Jemmes e
Renê; Otávio, Nonato (Savarino) e Paulo Henrique Ganso (Hércules); Serna
(Canobbio), Castillo (Hulk) e Soteldo (Lucho Acosta). Técnico: Luis Zubeldía.




