por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo
Mário
Zagallo foi provavelmente o mais famoso jogador/técnico do futebol brasileiro
cujo fanatismo pelo nº 13 ao longo da sua vida profissional, quiçá pessoal,
alcançou proporções imensuráveis.
E no
Botafogo, o Clube brasileiro mais supersticioso entre todos os demais, o dito
número esteve sempre presente em inúmeros momentos, seja quando há alguns anos
(2020) El Loco Abreu 13 foi apresentado pelo Botafogo aos seus torcedores com a
presença de Mário Zagallo 13 (imagem acima), seja atualmente através do técnico
Rodrigo Bellão (13 letras) que em janeiro deste ano declarou publicamente que
quando tinha 11 anos de idade, ao assistir à disputa de pênaltis entre Brasil e
Holanda na Copa do Mundo de 1998, se inspirou em Zagallo e confidenciou então
ao pai que no futuro seguiria a carreira de técnico de futebol.
Mário
Zagallo adotou o número 13 como amuleto de sorte ao longo de toda a sua vida,
transformando em símbolo de sucesso um número associado ao azar no Ocidente,
inspirado na devoção da sua esposa por Santo Antônio (comemorado no dia 13 de
junho), com a qual contraiu matrimônio no dia 13 de janeiro de 1955.
Zagallo
buscava sempre encontrar o 13 em cada um dos seus passos, acabando por
encontrá-lo ao mais alto nível do futebol mundial desde a 1ª Copa do Mundo que
conquistou como jogador em 1958 (5+8 = 13) até ao tetra-campeonato como
coordenador técnico em 1994 (9+4 = 13) – e consequentemente Zagallo também fez
o ‘Brasil Campeão’ (13 letras).
No
Botafogo estreou-se como técnico campeão carioca em 1967 (6+7 = 13).
Zagallo nunca vestiu a camisa 13 enquanto jogador (usou principalmente a 11), mas quando iniciou a carreira de treinador encontrou uma boa justificação para a usar: alegou que as numerações 1 a 11 correspondem à equipe em campo, a camisa 12 é da torcida e a 13 é do técnico.
A
obsessão de Zagallo pelo número 13 atingiu tal dimensão que exigia hospedar-se
no 13º andar dos hotéis, e preferencialmente na porta nº 1313; em matéria de
automóveis procurava adquiri-los com placas contendo o número mágico.
Quando
Zagallo faleceu abriu-se uma vaga na Academia Brasileira de Letras do Futebol
(pela publicação do livro ‘Lições da Copa’, de sua autoria), obviamente na
cadeira nº 13, que a entidade escolhera para o ‘Velho Lobo’.
Mesmo
após a sua morte, a relação com o número era tão insofismável que várias homenagens
póstumas foram celebradas com referências ao nº 13, como, por exemplo, na
decisão da Supercopa Brasil de 2024 que ocorreu ao 13º minuto de jogo.
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Naturalmente
que muitas simulações podem ser encontradas com números que persistem em
atravessar as nossas vidas, como o nº 12, tão presente desde os primórdios da
civilização como algo recorrente e diversificado, seja no calendário
babilônico, seja na religião, seja na astrologia, seja em outros domínios das
sociedades e da civilização.
No caso
do nº 13 a crença Ocidental qualifica o número como azarado, surgindo sobretudo
relacionado com fontes mitológicas e religiosas.
Na
mitologia nórdica considerava-se que o deus Loki foi causador de uma discórdia
que se saldou pela morte do deus Balder, o qual celebrava a luz, a justiça, a
beleza e a sabedoria, pré-anunciando o Ragnarök, que representava o apocalipse,
significando o crepúsculo dos deuses. O causador da discórdia associado ao
número aziago, o complexo e ambíguo Loki, deus da trapaça, travessura e
metamorfose, foi o 13º personagem a chegar a um banquete de 12 deuses para o
qual não fora convidado…
Na
religião cristã o sinistro número foi associado a Judas, o traidor (embora haja
outras versões que contradizem esta), porque na última ceia antes da crucificação
de Jesus Cristo havia 13 personagens à mesa – e Judas teria sido quem traiu o
mestre e apressou o trágico desfecho.
Fazendo
valer a própria experiência do autor deste artigo sobre a superstição de
Zagallo, direi que os números 13 e 31 andaram muitas vezes associados tanto às
minhas grandes alegrias como às minhas maiores tristezas, mas também a meras situações
quotidianas.
Darei
apenas um exemplo muito curioso sobre uma situação quotidiana extrema quanto
aos dois números citados. Em dada ocasião eu desenvolvia um projeto no
continente africano e combinei uma saída de fim-de-semana ao Kruger Park, na
África do Sul, com um colega.
No
regresso fizemos a nossa refeição no mais conceituado restaurante da África
Austral, na Suazilândia. Quando nos sentámos a conversa girava em torno do 13,
explicando eu ao meu colega que curiosamente comigo sucedia ser ‘perseguido’
pelo 13 e pelo seu contrário, o 31, que tanto se associavam a momentos de
alegria como de tristeza – e eis senão quando subitamente, ainda mal nos havíamos
sentado, vejo o nº 31 na placa de numeração da mesa. Abri os braços para o meu
colega e exclamei: “Como se vê, aí está a prova da ‘perseguição’.”
No dia
seguinte, já em Maputo, um colega moçambicano convidou-nos para jantar em sua
casa. Foi buscar-nos ao hotel e para nosso verdadeiro espanto, quando ele parou
em frente ao portão da garagem de sua casa em uma avenida enorme, o número
absolutamente revelador da ‘perseguição’ alcançou o auge de todas as improbabilidades
– nº 1331 !!!
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Em suma, uns
quantos 13 e 31 me ‘perseguiram’ sem intervenção minha; no caso de Zagallo
talvez tenha sido mais ele o perseguidor do 13. Fora essas coincidências – digo
‘coincidências’ porque devo ser dos poucos botafoguenses não supersticiosos – é
praticamente certo que não concorrem nem para a sorte nem para o azar.
Em boa
verdade, o indiscutível sucesso de Zagallo não está atrelado ao 13. Jamais me
esquecerei que quando Zagallo, já campeão do mundo pelo Brasil, regressou de
uma grave lesão em 1959, fez questão de integrar a equipe de Aspirantes do
Botafogo para ganhar ritmo e encontrar a forma ideal sem comprometer um regresso
tecnicamente incompleto à equipe profissional. E não foi por acaso que na Copa
do Mundo de 1962 Zagallo ganhou o apelido de ‘Formiguinha’, trabalhando
incansavelmente para a equipe.
O sucesso
de Zagallo está atrelado, além do talento, à sua enorme persistência e
resiliência nos atos da vida sempre em busca de fazer melhor.
Porém, se
Zagallo não fosse supersticioso o Mundo Botafogo não teria ganho a prazerosa oportunidade
de se alongar no divertido tema das superstições à sombra do mais supersticioso
jogador/técnico do futebol brasileiro – perseguindo sem descanso o seu
idolatrado 13.
Não li em
lado algum a tentativa de manipulação das datas de nascimento e morte de
Zagallo, mas pensei subitamente nisso e, à boa maneira do ‘Velho Lobo’, fui
perseguir a possibilidade de encontrar os famosos 13 – e encontrei o número de
Zagallo no início e no fim da sua vida plena:
– nasceu
em 9/8/1931 e a manipulação destes seis números deu exatamente 9-8-19+31 = 13;
– morreu
em 5/1/2024, ou seja, ao 5º dia de 2024 e a manipulação destes cinco números
deu exatamente 5+2+0+2+4 = 13.
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Zagallo
nasceu (13 letras), Zagallo venceu (13 letras) e Zagallo morreu (13 letras),
cumprindo-se inteiramente como jogador e técnico em toda a sua longa carreira.
Zagallo
eterno (13 letras) !!!



