por
RUY MOURA |Editor do Mundo Botafogo
Aparentemente
o Botafogo começara bem, solto, mas sem causar perigo em dois remates de Álvaro
Montoro, enquanto o Bragantino demonstrava estar de olho na baliza alvinegra.
O
Bragantino cresceu e aos 18’ teve a primeira grande oportunidade com uma
cabeçada de Fernando bem defendida por Gabriel Batista. Um minuto depois novo
remate a rasar o poste alvinegro.
Aos
20’ o Botafogo encontrava-se sem nenhuma tática óbvia, desgarrado, com
posicionamentos incertos que não permitiam acionar automatismos entre os
atletas.
Aos
23’ o Bragantino fez nova cabeçada perigosa ao lado, enquanto o Botafogo recuava,
e sem velocidade para contra-atacar.
Aos
28’ o Bragantino já jogava à vontade, encontrando muitos espaços para penetrar
na nossa defensiva ante um meio-campo alvinegro desorganizado, com Danilo muito
recuado e Danilo Pereira largado sozinho à frente, não recebendo bola e
produzindo nada.
Aos
29’ surgiu o gol esperado do Bragantino, apesar da infelicidade de Lucas Monzón
marcando contra a própria baliza. Bragantino 1x0.
E em
vez de reagir, o Botafogo piorou: baixou ainda mais o seu bloco defensivo,
continuou sem pressionar o adversário, não conseguia saída de bola, Danilo
mantinha-se inexplicavelmente recuado, Júnior Santos permaneceu com dantes, sem
as explosões de 2024.
Aos
40’ o Botafogo mantinha-se sem qualquer tática visível, muito recuado,
desorganizado, apático e triste nas mãos de um ataque paulista vibrante e
veloz, que só não ampliou por manifesta incapacidade de rematar bem.
Aos
43’ Wallace Yan foi expulso por agressão a Ferraresi e o intervalo chegou para
salvar uma exibição alvinegra catastrófica com nível técnico de série B.
No
segundo tempo, aos 47’, o Botafogo roubou uma bola e por pouco não empatou, mas
Tiago Volpi defendeu no reflexo. O Botafogo foi tentando entrar na área
adversária, que era sua obrigação, jogando no Niltão e em vantagem numérica,
mas a ineficiência continuava a imperar e o Bragantino não deixava de estar de
olho na nossa baliza, contra-atacando sempre que podia.
Os
atacantes não funcionavam de maneira nenhuma e – pasme-se! – o lateral-esquerdo
Alex Telles cruzou para o lado contrário da grande área e foi o lateral-direito
Vitinho, que indo por detrás da zaga cabeceou para empatar a partida aos 56’.
A
esperança renascia na arquibancada alvinegra com a jogada dos dois laterais da
equipe, fazendo o que os atacantes não
eram capazes.
Aos 58’,
Telles tornou a cruzar, Danilo Pereira cabeceou e Volpi fez uma grande defesa. O
cruzamento para a área era a jogada principal de quem não tem ideias, mas
finamente parecia que o Botafogo conseguia jogar futebol com a bola no chão,
urdindo uma ou outra jogada de pé em pé.
Foi
sol de pouca dura, porque aos 63’ a equipe já tornara a afrouxar e o Bragantino recomeçou a ir mais ao ataque com perigo, mas incapaz de finalizar bem.
No
entanto, o tempo passava, e não se passava nada. De parte a parte o futebol
decaiu consideravelmente, mais do que a ruindade que já tinha sido antes. O
Bragantino recuara as suas linhas, mas a equipe alvinegra, posicionalmente
desorganizada, e sem técnica individual, sem energia nem alegria, desesperava
os torcedores com o seu não-futebol.
Danilo
e Montoro, que teoricamente são mais técnicos e poderiam resolver o jogo,
atuavam muito recuados e só mesmo para o final da partida apareceram mais à
frente.
No
entanto, embora com três centroavantes após as substituições de Bellão, que não
era o que o jogo pedia, mas sim um reposicionamento das linhas alvinegras, a
equipe estava conformada com o resultado, mas… o Bragantino não!
E aos
89’, se houvesse técnica individual por parte dos paulistas, sairíamos do
Nilton Santos derrotados: com a equipa largada para a frente, embora sem
racionalidade tática, eis que o Bragantino ganhou uma bola, efetuou um
lançamento longo e Herrera surgiu totalmente livre cara a cara com Gabriel
Batista, mas em vez de tocar para um dos lados e ludibriar Gabriel Batista, Herrera
rematou exatamente em cima do goleiro. Ufa!
E
essa foi a história do jogo de uma equipe sem tática, posicionalmente
desorganizada, sem energia nem alegria, apática e triste. Tão triste que passou
o sentimento para a arquibancada e cá para casa.
Se
não for Ziyech a liderar esta equipe em campo e um treinador com autoridade
técnica capaz de criar valor, então…
FICHA
TÉCNICA
Botafogo 1x1
Bragantino
»
Gols: Lucas Monzón (contra), aos 29’ (Bragantino); Vitinho, aos 56’ (Botafogo)
»
Competição: Campeonato Brasileiro
»
Data: 12.09.2026
»
Local: Estádio Olímpico Nilton Santos, no Rio de Janeiro (RJ)
»
Público: 12.294 pagantes;
13.878 espectadores
»Receita:
R$ 428.790,00
»
Árbitro: Fernando Antônio
Mendes de Salles Nascimento Filho (PA); Assistentes: Felipe Alan Costa de
Oliveira (MG) e Rafael Trombeta (PR); VAR: José Ricardo Vasconcellos Laranjeira
(AL)
»
Disciplina: cartão amarelo – Lucas Monzón, Ferraresi e Kadir (Botafogo) e Tiago Volpi e Juninho Capixaba
(Bragantino); cartão vermelho – Wallace Yan (Bragantino)
»
Botafogo: Gabriel Batista;
Vitinho (Mateo Ponte), Ferraresi, Lucas Monzón e Alex Telles (Paulinho);
Huguinho, Danilo e Álvaro Montoro; Lucas Villalba (Kadir), Danilo Pereira
(Tiquinho Soares) e Júnior Santos (Kauan Toledo). Técnico: Rodrigo Bellão.
»
Bragantino: Tiago Volpi; Agustín
Sant’Anna (Andrés Hurtado), Guzmán Rodríguez, Gustavo Marques e Juninho
Capixaba; Fabinho (Gabriel), Eric Ramires (Matheus Fernandes) e Lucas Barbosa
(José Herrera); Wallace Yan, Isidro Pitta e Fernando (Eduardo). Técnico: Vagner
Mancini.






