por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo
O Botafogo iniciou a partida com muita energia e vontade,
mas jogando em correria excessiva, prejudicando os passes certos e perdendo a
bola sucessiva vezes no ataque. Todavia, a equipe fazia imediatamente pressão
sobre os jogadores santistas e recuperava a bola rapidamente, retornando ao
ataque em velocidade e repetindo as perdas de bola, em boa parte porque a
equipe integrava atletas muitos jovens, cuja energia e vontade é muito grande,
mas ainda sem a capacidade de envolver o adversário numa teia tática.
Ainda assim, a energia e o voluntarismo foram dando
alguns frutos: aos 15’ Huguinho rematou para Brazão espalmar e aos 18’ Kauan
Toledo perdeu um gol cara a cara com Brazão após um lançamento longo.
No entanto, aos 23’, Matheus Martins, que não esteve bem,
perdeu a bola e permitiu que Miguelito rematasse com selo de gol, mas Léo Linck
realizou a primeira grande defesa da noite e o poste direito da baliza completou
devolvendo a bola. Aos 26’ Kauan Toledo deu a resposta, mas o remate saiu
prensado.
O Botafogo perdera a iniciativa inicial e o Santos equilibrou
a partida por alguns minutos, mas a partir dos 30’ a nossa equipe tornou a pressionar
mais alto e recuperou o domínio de jogo. Então, o Santos começou errando mais e
aos 40’ Kauan Toledo recuperou uma bola bem perto da grande área, tocou para
Lucas Emanuel penetrar e num toque de muita classe a joia inaugurou o marcador
em sua estreia na equipe principal, aos 17 anos. Botafogo 1x0.
A fechar a primeira parte o Santos teve uma grande oportunidade
de empatar aos 45’, num grande remate que Léo Linck respondeu com uma grande
defesa e segurou o placar.
Na segunda parte as duas equipes entraram com muita vontade
no ataque. Aos 50’ Léo Linck fez uma boa defesa, embora dando rebote que
Thaciano desperdiçou, e aos 52’ foi a vez de Cristian Medina efetuar um grande
remate para uma grande defesa de Brazão.
Ambas as equipe estavam bem no ataque, mas o Santos era
mais presente e tornou a levar perigo aos 55’, e um minuto depois, na sequência
de um escanteio, Léo Linck afastou a bola, mas caiu na pequena área em resultado
de um choque com Gabriel Justino, tendo então Barreal rematado em direção à baliza
desguarnecida e empatado a partida.
Ao 62’, em falha da defesa santista, Cristian Medina
ficou cara a cara com o goleiro e absurdamente rematou para fora. Jogando com
menos cérebro e na base de acelerações a estilo das peladas – muita correria e
pouca eficiência – tanto o Botafogo com o Santos esmoreceram no ataque e o
Botafogo tornou-se mais lento.
Aos 77’ entraram Edenilson e Kadir no lugar de Lucas
Emanuel e Kauan Toledo, já cansados, e a equipe reanimou-se. Apesar de uma bola
na trave de Léo Linck aos 78’, em desvio infeliz de Justino, um minuto depois
Lucas Villalba fez uma recuperação de bola e cara a cara com Brazão permitiu ao
goleiro uma grande defesa.
A noite parecia ser dos dois goleiros. Parecia… porque
afinal foi apenas de Léo Linck, o melhor jogador em campo.
O Botafogo tornou a atacar com determinação de ganhar, fez
o Santos recuar, mas não o suficiente, porque ao 87’, na cobrança de escanteio,
Léo Linck fez duas defesas absolutamente magistrais de reflexo em remates cara
a cara na pequena área, evitando a derrota.
Aos 90+4’, quando tudo parecia caminhar para um empate
sensaborão para o Botafogo em casa, Kadir recebeu uma bola longa, após Ferrarei na pressão ganhar a bola na sua defesa, disputou-a com o
zagueiro, Brazão saiu até à intermediária da sua equipe para defender, a bola
ricocheteou no zagueiro, sobrou para Kadir que avançou disparado para a baliza acossado
pelo zagueiro, suportou o ombro a ombro e rematou para a vitória. Botafogo 2x1.
Foi uma vitória muito importante para animar o dia a dia dos
atletas e da comissão técnica, no meio de uma crise dirigente profunda e de lutas
‘fratricidas’ pelo poder.
Léo Linck foi o grande nome da noite com defesas
extraordinárias, mostrando claramente que dos goleiros do Botafogo ele ainda
deveria ter sido o escolhido, em vez de barrado por Neto, o goleiro-reserva em quase
toda a sua carreira que não dava garantia nenhuma a ninguém – a não ser à
abstrusa mente de quem o indicou.
Outras notas especiais vão para as 4 joias do Botafogo
que completaram uma equipe profundamente desfalcada, evidenciando que temos
gente de base capaz no Sub-17 e no Sub-20 ainda para esta temporada, e uma
saudação especial para o estreante Lucas Emanuel que carimbou um gol à craque.
Franclim Carvalho e Kadir também merecem notas relevantes:
o técnico porque soube mesclar uma equipe semidestruída por fatores que lhe são
alheios e efetuar boas substituições; Kadir porque foi o símbolo de uma equipe
que mesmo na reta final da partida nunca desistiu de ganhar e mostrou porque é
que estava ali.
Porém, deve-se registrar que foi um jogo em que a sorte
nos bateu à porta, com duas ou três bolas santistas na trave e outros tantos
desperdícios em situação de gol, assim como dois gols marcados por falhas do
sistema defensivo santista, embora neles se deva também realçar que as falhas
do adversário foram virtude da pressão dos atletas do Botafogo que, em todo o
jogo, mostraram foco, energia, vontade e competitividade.
FICHA
TÉCNICA
Botafogo 2x1 Santos
» Gols: Lucas Emanuel, aos 40’, e Kadir, aos 90+4’ (Botafogo);
Barreal, aos 56’ (Santos)
» Competição: Campeonato Brasileiro
» Data: 16.07.2026
» Local: Estádio
Olímpico Nilton Santos, no Rio de Janeiro
» Público: 13.632 pagantes; 15.585 espectadores
» Renda: R$ 457.870,00
» Árbitro: Rodrigo José Pereira de Lima (PE); Assistentes: Renan Aguiar da
Costa (CE) e Karla Renata Cavalcanti de Santana (PE); VAR: Gilberto Rodrigues Castro Junior (PE)
» Disciplina: cartão amarelo
– Huguinho, Matheus Martins,
Ferraresi e Kadir (Botafogo) e Thaciano e Barreal (Santos)
Botafogo: Léo Linck; Vitinho (Mateo Ponte), Ferraresi,
Justino e Alex Telles (Marçal); Huguinho, Cristian Medina e Kauan Toledo (Kadir);
Lucas Villalba, Lucas Emanuel (Edenílson) e Matheus Martins (Santi Rodríguez). Técnico:
Franclim Carvalho.
Santos: Gabriel Brazão; Igor Vinicius (Gabriel Menino),
Lucas Veríssimo, Luan Peres e Escobar; Willian Arão, Gustavo Henrique
(Christian Oliva) e Rollheiser (Gabriel Bontempo); Miguelito (Nadson), Thaciano
(Rony) e Barreal. Técnico: Cuca.





