domingo, 10 de maio de 2026

Retrospecto Botafogo x Atlético Mineiro (1923-2025)

Créditos: Elson Souto

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

SÍNTESE DE TODOS OS JOGOS (1923-2025)

» 118 jogos, 53 vitórias, 27 empates, 38 derrotas; saldo de gols favorável em 209-174.

SÍNTESE DOS ÚLTIMOS 20 ANOS (2005-2025)

» 51 jogos, 25 vitórias, 9 empates e 17 derrotas; saldo de gols favorável em 78-57.

1ª JOGO

Botafogo 4x2 Atlético Mineiro

» Gols: Alkindar (2), Neco e Celso (Botafogo); Zica e Alderico (Atlético)

» Competição: Amistoso

» Data: 21.10.1923

» Local: Estádio do Palestra Itália, em Belo Horizonte (MG)

» Botafogo: Clóvis, Couto e Osmar Dutra; Surica, Alfredinho e Lagreca; Jolibel, Alkindar, Celso, Neco e Claudionor.

» Atlético: Álvaro, Quetinho e Amador; Alderico, Ivo e Tavico; Morgan, Tula, Tilita, Zica e Manso.

ÚLTIMO JOGO

Botafogo 1x0 Atlético Mineiro

» Gols: Santi Rodríguez, aos 48’

» Competição: Campeonato Brasileiro

» Data: 20.09.2025

» Local: Estádio Olímpico Nilton Santos, no Rio de Janeiro (RJ)

» Árbitro: Flávio Rodrigues de Souza (SP); Assistentes: Fabrini Bevilaqua Costa (SP) e Luiz Alberto Andrini Nogueira (SP); VAR: Thiago Duarte Peixoto (SP)

» Público: 9.923 pagantes; 11.816 espectadores

» Renda: R$ 395.180,00

» Disciplina: cartão amarelo – Marlon Freitas, Santi Rodríguez, Marçal, Álvaro Montoro e Léo Linck (Botafogo); Lyanco e Hulk (Atlético Mineiro); cartão vermelho – Chris Ramos (Botafogo)

» Botafogo: Léo Linck; Vitinho, Kaio Fernando, Alexander Barboza e Marçal; Newton, Marlon Freitas e Savarino (Joaquín Correa); Santi Rodríguez (Allan), Chris Ramos e Álvaro Montoro (Cuiabano). Técnico: Davide Ancelotti.

» Atlético Mineiro: Everson; Natanael (Bernard), Lyanco (Gustavo Scarpa), Junior Alonso, Vitor Hugo e Caio Paulista (Guilherme Arana); Fausto Vera, Alan Franco e Igor Gomes (Rony); Reinier (Biel) e Hulk. Técnico: Jorge Sampaoli.

DECISÃO DA COPA LIBERTADORES 2024

Botafogo 3x1 Atlético Mineiro

Gols: Luiz Henrique, aos 35’, Alex Telles, aos 43’, e Júnior Santos, aos 96’ (Botafogo); Vargas, aos 46’ (Atlético)

» Competição: Copa Libertadores da América – Final

» Data: 30.11.2024

» Local: Estádio Mâs Monumental, Buenos Aires, Argentina

» Árbitro: Facundo Tello (Argentina); Assistentes: Ezequiel Brailovsky (Argentina) e Gabriel Chade (Argentina); VAR: Mauro Vigliano (Argentina)

» Disciplina: cartão amarelo – Battaglia, Lyanco, Fausto Vera e Hulk (Atlético); Alex Telles, Thiago Almada, Igor Jesus e Vitinho (Botafogo); cartão vermelho – Gregore (Botafogo)

» Botafogo: John; Vitinho, Alexander Barboza, Adryelson e Alex Telles (Marçal); Gregore, Marlon Freitas e Savarino (Danilo Barbosa); Luiz Henrique (Matheus Martins), Igor Jesus (Allan) e Thiago Almada (Júnior Santos). Técnico: Artur Jorge.

» Atlético Mineiro: Everson; Lyanco (Mariano), Battaglia e Junior Alonso; Gustavo Scarpa (Vargas), Fausto Vera (Bernard), Alan Franco e Guilherme Arana; Hulk, Paulinho e Deyverson (Alan Kardec). Técnico: Gabriel Milito.

Nota: No ano dourado de 2024 o Botafogo foi claramente superior ao Atlético Mineiro nos três jogos disputados: 3x0; 0x0; 3x1.

MAIOR GOLEADA DO CLÁSSICO

Botafogo 5x0 Atlético Mineiro

» Gols: Gonçalves, aos 11’, Donizete, aos 15’ e 19’, e Túlio Maravilha, aos 81’ e 89’

» Competição: Campeonato Brasileiro

» Data: 12.11.1995

» Local: Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro (RJ)

» Público: 19.553 pagantes

» Renda: R$ 193.605,00

» Árbitro: Antônio Pereira da Silva (GO)

» Disciplina: Paulo Roberto (Atlético) foi expulso

» Botafogo: Vágner; Wilson Goiano, Wilson Gottardo, Gonçalves e André Silva (Guto); Leandro Ávila (Moisés), Jamir e Beto (Narciso); Túlio Maravilha, Donizete e Sergio Manoel. Técnico: Paulo Autuori.

» Atlético: Adilson; Dinho, Ronaldo Guiaro, Jorge Luís e Paulo Roberto; Carlos, Doriva e Caio (Cleiton); Euller, Ézio (Renaldo) e Leandro Tavares (Ademir). Procópio Cardoso.

MAIOR GOLEADA DO CLÁSSICO NOS ÚLTIMOS 25 ANOS

Botafogo 4x0 Atlético Mineiro

» Gols: Lúcio Flávio, aos 1', Triguinho, aos 68', Carlos Alberto, 83’, e Gil, aos 89’

» Competição: Campeonato Brasileiro

» Local: Estádio Olímpico João Havelange, no Rio de Janeiro (RJ)

» Data: 23.07.2008

» Arbitragem: Leonardo Gaciba da Silva (SP); Assistentes: Marcelo Bertanha Barison (RS) e José Antônio Chaves Franco Filho (RS)

» Disciplina: cartão amarelo – Triguinho, Thiaguinho e Túlio (Botafogo) e César Prates, Gedeon, Francis, Márcio Araújo, Serginho e Calisto (Atlético); cartão vermelho – César Prates e Yuri (Atlético)

» Botafogo: Castillo, Renato Silva, André Luís e Triguinho; Thiaguinho (Jorge Henrique), Túlio, Diguinho, Lúcio Flávio (Leandro Guerreiro) e Zé Carlos (Gil); Carlos Alberto e Wellington Paulista. Técnico: Ney Franco.

» Atlético: Édson, Mariano, Vinícius, Marcos e César Prates; Francis (Yuri), Serginho, Gedeon, Márcio Araújo e Renan Oliveira (Marques); Eduardo (Calisto). Técnico: Alexandre Gallo.

sábado, 9 de maio de 2026

Que associação entre ‘Botafogo’ e corridas de cavalos?

Disputa do Clássico Botafogo no Hipódromo de San Isidro. Crédito: Reprodução.

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

Antes de o Botafogo existir como clube de remo ou futebol, a Praia de Botafogo já realizava corridas de cavalos. Entre 1810 e 1840 realizaram-se as primeiras corridas com a presença de público e de autoridades, constituindo-se o turfe o desporto de maior sucesso no século XIX depois das regatas, as quais decorriam em frente ao Pavilhão de Regatas, em Botafogo.

De modo que o Botafogo como território urbano esteve ligado às corridas de cavalos, e o Club de Regatas Botafogo, fundado oficialmente no 1º de maio de 1894, na Praia de Botafogo, aproxima o Clube ao mesmo ecossistema desportivo aristocrático do Bairro de Botafogo e da cidade do Rio de Janeiro, em cujo ambiente social o turfe prosperou, associando desportos de prestígio, clubes, sociabilidade de elite, apostas, modernização urbana e vida pública carioca.

Mais tarde, a fundação oficial do futebol no Bairro de Botafogo foi feita por ousados rapazes que criaram a instituição Botafogo Football Club, que a par do Fluminense Football Club, juntaram o futebol ao ambiente social e desportivo do Rio de Janeiro, formando a trilogia remo, turfe e futebol, além de outras atividades lúdico-desportivas, como o ciclismo e a tourada, que tiveram dias áureos antes de se eclipsarem do quotidiano da vida dos habitantes cariocas.

Uma outra relação simbólica muito curiosa entre ‘Botafogo’ e corridas de cavalos é que o mais lendário puro-sangue sul-americano, cavalo argentino, nascido em 1914, foi batizado por ‘Botafogo’.

O campeoníssimo alazão Botafogo. Crédito: Reprodução.

O animal disputou 17 corridas e venceu-as todas, segundo registro da American Classic Pedigrees, mas na 18ª corrida foi derrotado no Hipódromo de San Isidro. Disputando o G. P. Carlos Pellegrini, em 3 de novembro de 1918, o tordilho Grey Fox relegou-o para o 2º lugar.

Porém, a pressão do público argentino foi enorme porque não aceitou a derrota do grande campeão e obrigou o proprietário do Botafogo a pedir uma revanche ao proprietário do Grey Fox, restrita apenas aos dois cavalos em duelo.

Às 15 horas do dia 17 de novembro de 1918 o Hipódromo de San Isidro abriu pela única vez as portas para um só páreo de dois cavalos, que se iniciou com os portões encerrados desde as 10 horas por excesso de público e milhares de pessoas no interior do recinto, que viram vibrantemente o Botafogo ganhar a corrida com a enormidade de cem metros de avanço sobre o tordilho Grey Fox!

Não à toa, o alazão Botafogo tinha uma estrela branca na testa, o que sugere uma associação simbólica com o Club de Regatas Botafogo, o Botafogo de Futebol e Regatas e a Estrela Solitária no escudo de ambos os clubes.

Foi a última corrida do grande campeão com o seu proprietário inicial, que decidiu vendê-lo após derrotar o único adversário que o vencera, e ganhou direito a nome de páreo no famoso Hipódromo de San Isidro: ‘Clássico Botafogo’.

Hipódromo da Gávea onde corria Antônio Ricardo. Crédito: Reprodução.

No entanto, além de uma relação histórica, territorial e simbólica com o nosso Clube, há uma relação direta entre o Glorioso, já então denominado Botafogo de Futebol e Regatas, e os desportos equestres, na medida em que a modalidade de hipismo também fez parte do amplo leque de desportos alvinegros, pelo menos na década de 1950.

Em um Boletim Oficial do Botafogo de Futebol e Regatas encontrou-se a notícia de que o Botafogo disputara um campeonato na Sociedade Hípica Brasileira, no dia 31 de maio de 1958, tendo a equipe feminina se sagrado vice-campeã, constituída por Maria Olívia Leuenrouth e Marlena Matheir, que competiram no ‘trote’ e na ‘ginkana’.

Leia: https://mundobotafogo.blogspot.com/2021/03/botafogo-competiu-no-hipismo.html

Finalmente, pode-se também afirmar que há mesmo uma relação direta entre o Botafogo de Futebol e Regatas e o turfe, nome pelo qual são conhecidas as corridas de cavalos.

Efetivamente, o editor do Mundo Botafogo, que vos escreve, ainda hoje é fã de corridas de cavalos e de charretes, e na década de 1960 ganhou uma atração enorme pelo desporto, acompanhando sempre o turfe carioca e torcendo pelas vitórias do jóquei Antônio Ricardo, que, a par do jóquei José Portilho, era um grande vencedor de corridas, tendo ganho o G. P. Brasil montando o cavalo Duraque.

Ricardinho igualando recorde mundial pela 1ª vez na carreira. Crédito: Reprodução.

Muitas décadas depois, o seu filho Jorge Ricardo, o ‘Ricardinho’, botafoguense ‘fanático’, tornou-se recordista mundial de corridas de cavalos pela primeira vez, em fevereiro de 2007, no Hipódromo de Palermo, na Argentina, montando o cavalo Minimal e envergando a indumentária do Botafogo de Futebol e Regatas, crente que lhe daria sorte para finalmente alcançar o seu maior desiderato.

Leia https://mundobotafogo.blogspot.com/2008/07/jorge-ricardo-recordista-mundial-de.html

O jóquei venceu a sua 9.591ª corrida, igualando o recorde mundial de vitórias do canadense Russel Baze e, mais tarde, sempre em disputa com o seu melhor adversário, tornou a bater o recorde várias vezes até alcançar o recorde atual de 13.370 vitórias, mais 520 do que o rival Baze, já retirado, e Ricardinho continua competindo, sendo o seu recorde probabilisticamente difícil de alcançar nas próximas décadas, já que entre os dez maiores vencedores de corridas de cavalos Ricardinho é o único jóquei no ativo.

Aquando do seu primeiro recorde com a Camisa Gloriosa, Ricardinho assumiu publicamente amor ao nosso Clube e declarou:

– “Tinha que ser com a camisa do Botafogo, eu sabia! Não poderia mesmo ser só coincidência. Sempre torci para o Clube e fico feliz que tenha chegado a essa marca vestindo as cores alvinegras.”

Fontes: Boletim Oficial do Botafogo, nº. 140, de 1958; multi.rio; mundobotafogo.blogspot.com; pt.wikipedia.org; riomemorias.com.br; www.americanclassicpedigrees.com; www.botafogo.com.br; www.youtube.com.

sexta-feira, 8 de maio de 2026

Entre o céu e o inferno (I): do caos financeiro e administrativo à despromoção no futebol e queda das atividades desportivas (2000-2002)

Torcedores lançando bombas em Caio Martins revoltados com a despromoção no jogo contra o São Paulo. Crédito: Hipólito Pereira | O Globo.

[Nota preliminar – Após a série de resenhas publicadas sobre a década de 1990, o Mundo Botafogo inicia uma nova série de resenhas desde o início do século XXI, esmiuçando os momentos altos e baixos de um Clube Glorioso em permanente ressurreição e que, como sublinha a sua torcida, é uma fortaleza que jamais se renderá.]

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

A presidência de José Luiz Rolim (1997-1999), que conquistara a Taça Guanabara, a Taça Rio e o Campeonato Estadual, em 1997, e o 4º título do Torneio Rio-São Paulo, em 1998, poderia ter sido coroada com a cereja no cimo do bolo conquistando a Copa do Brasil, em 1999, mas terminou amargamente com a perda do título, com o Botafogo à beira da sua primeira descida de divisão e o prenúncio da quase-tragédia anunciada da gestão e das finanças do Botafogo.

Em 2000 Mauro Ney Machado Monteiro Palmeiro foi eleito presidente do Glorioso (2000-2002) e uma nova e mais profunda crise desabou em cima do Clube, tanto no futebol como em outras modalidades, que se saldou por um desastre financeiro e desportivo estrondoso que nos levou à beira da falência técnica e financeira.

No futebol, 2000 foi o ano de alerta. O Botafogo disputou a Copa João Havelange no módulo principal porque tinha escapado do descenso anterior no contexto do Caso Sandro Hiroshi, em 1999, e o início da década foi marcado por campanhas pífias no campeonato brasileiro e de proximidade à zona de rebaixamento, perdendo-se competitividade no cenário nacional.

Entretanto, na vertente financeira e estrutural, o ano 2000 foi a sequência da deterioração iniciada em fins de 1999, operando com fortes limitações administrativas e sem a solidez de fases anteriores, e determinando a impossibilidade de uma base estável e moderna que pudesse sustentar o futebol e as demais modalidades desportivas.

Não obstante nos abeirarmos de uma profunda crise, o Botafogo disputou o Torneio Rio-São Paulo em 2001 e conseguiu chegar à final, iludindo os torcedores de que poderia reagir desportivamente.

A caminhada iniciou-se com a fase de grupos na qual o Botafogo empatou 3x3 com o Corinthians, perdeu por 3x0 para o Santos, empatou 1x1 com o São Paulo e venceu o Palmeiras por 3x1.

Nas semifinais empatou por 2x2 com o Santos, em casa, e classificou-se para as finais vencendo por 1x0 em Vila Belmiro. Nas finais contra o São Paulo perdeu por 4x1 em casa e por 2x1 fora.

Torcedor em contestação na goleada para o Juventude. Crédito: Cezar Loureiro | O Globo.

No basquete também houve um momento desportivo que indiciava capacidade competitiva, porquanto o Botafogo realizou uma grande campanha no campeonato brasileiro de 2001, eliminando o Fluminense nas quartas-de-final e caindo apenas nas semifinais diante do COC/Ribeirão Preto.

Porém, o Clube não traçou uma estratégia de recuperação e não resolveu nenhum dos grandes problemas de fundo, pelo contrário. A crise financeira e administrativa latente anunciava-se e a gestão era pressionada por soluções que não foi capaz de criar e implementar.

E em 2002 o desastre anunciado concretizou-se. O futebol do Botafogo foi decapitado pela saída de jogadores antes do início do campeonato brasileiro porque financeiramente esse ano representou o colapso do Clube, repleto de dívidas para com jogadores e empresários, salários em atraso, sem patrocinador, sem local adequado para treinar e atletas pedindo para não atuarem mais pelo Clube.

A equipe de futebol do Botafogo foi treinada a maior parte do tempo por Ivo Wortmann, depois teve Carlos Alberto Torres nos jogos finais, mas acabou rebaixada à Série B, após ser derrotada pelo São Paulo por 1x0 no estádio Caio Martins, consumando a primeira queda do Glorioso à divisão secundária do futebol nacional.

No dia 17 de novembro de 2002, no estádio Caio Martins, justamente no dia de aniversário (tristonho nessa data específica) do editor do Mundo Botafogo, Dill marcou aos 54’ o gol que nos enviou para a Série B à 29ª rodada. Comandado por Carlos Alberto Torres, o Botafogo alinhou com Carlos Germano; Márcio Gomes (Rodrigão), Gilmar, Sandro Barbosa e Rodrigo Fernandes; Carlos Alberto, Almir, Lúcio Bala e Esquerdinha (Camacho); Daniel Mendes (Geraldo Madureira), e Ademilson.

Também no basquete as consequências foram devastadoras, porque apesar das campanhas competitivas o departamento profissional de basquete foi encerrado em 2002.

Bebeto e Freitas, recém-eleito presidente para o biênio 2003-2005, assistindo à despromoção do Botafogo em 2002, sob a presidência de Mauro Ney Palmeiro. Crédito: Cezar Loureiro | O Globo.

A gestão de Mauro Ney Palmeiro ficou, pois, marcada pela decadência do futebol relegado para segundo plano, pela extinção do basquete e pela pré-falência financeira e patrimonial.

Em suma…

…desportivamente o Botafogo deixou simplesmente de competir em todas as frentes, alienando o enorme prestígio de mais de uma centena de anos;

…financeiramente o triênio foi marcado por dívidas, salários em atraso, falta de patrocinador e uma gestão de absoluta incompetência;

…estruturalmente o problema central residia na precariedade da estrutura, na medida em que o Clube não dispunha de um estádio e de um centro de operações à altura da sua história, da sua torcida e das exigências competitivas, porquanto o Caio Martins consistia apenas numa solução transitória.

Foi este Clube, que não tinha dinheiro sequer para comprar bolas de futebol ou papel higiênico, que Mauro Ney Palmeiro deixou após três anos de permanente delapidação desportiva, financeira e estrutural.

A dinastia oligárquica do Clube estava esgotada pela falta de profissionalismo e modernidade, e das suas fileiras não havia quem mostrasse capacidades e competências para regenerar o Clube.

Urgia alguém fora dessa oligarquia, com novas ideias, com visão e competência para arrancar o Botafogo de novo das correntes do inferno em que fora lançado.

Esse alguém tinha nome sonante: Paulo Roberto de Freitas, carinhosamente tratado por ‘Bebeto de Freitas’, que venceu as eleições para o triênio 2003-2005 com a incumbência gigantesca de sanar financeiramente e administrativamente o Clube e devolver-lhe competitividade no futebol e nas modalidades desportivas de que tanto nos orgulhámos sempre como secular Clube Multiesportivo.

Fontes principais: https://ge.globo.com; https://extra.globo.com; www.mundobotafogo.blogspot.com; www.transfermarket.com.br

Imagens: https://extra.globo.com/esporte/relembre-fatos-fotos-do-ultimo-rebaixamento-do-botafogo-no-brasileirao-de-2002-14670385.html

quinta-feira, 7 de maio de 2026

Botafogo 2x1 Racing – classificação antecipada na sorte do jogo

Cristian Medina,  melhor em campo. Crédito: Vitor Silva | Botafogo.

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

O embate contra a equipe argentina do Racing foi muito positivo em termos de resultado final, mas menos positivo em termos de desempenho e, sobretudo, evidenciou que, ao contrário do que se começara a pensar anteriormente face aos progressos verificados com a equipe, não conseguimos ainda apresentar uma identidade consistente e duradoura.

É certo que o Botafogo dominou de modo geral a 1ª parte do encontro, mas fê-lo muito à custa de uma peleja muito nervosa, sobretudo do Racing, com a bola pingando para um lado e para o outro em sucessivas divididas.

Só por volta do quarto de hora, em jogada típica do Botafogo, é que surgiu uma oportunidade após escanteio de Alex Telles, mas as tentativas de conclusão de Newton e Barboza mostraram-se fracassadas, com o zagueiro cabeceando para fora à boca da baliza.

Porém, três minutos volvidos, e depois de má saída de bola do Racing, Cristian Medina lançou espetacularmente Júnior Santos, que entre dois zagueiros forçou a arrancada, e Di Césare, na afobação de desviar a bola da sua baliza desviou-a do goleiro que se fizera ao lance e a pelota foi morrer lentamente no fundo das redes. Botafogo 1x0.

Foi uma vantagem conseguida pela insistência de Júnior Santos, mas, sobretudo, pelo desentendimento do setor defensivo do Racing, que é frágil como, aliás, toda a equipe.

O Racing quis ripostar e aos 21’ Solari concretizou o único lance perigoso dos argentinos na 1ª parte, mas Neto desviou. A propósito de Neto, em toda a partida, como noutras anteriores, nunca soca a bola para fora da área, mas espalma sempre para a frente com a sua mãozinha de alface – e em vários lances poderiam ter saído gols do Racing se o seu ataque fosse eficiente.

Daí em diante o Botafogo desacelerou a partida, o que fez bem, apostando em surtidas rápidas no ataque, mas o perigo foi escasso. Numa falta descaída pelo lado direito, em boa posição de remate, Matheus Martins cobrou com força, mas à figura do goleiro. Em rigor, só posteriormente houve a melhor oportunidade, também após bola parada em cobrança longa de lateral para a área argentina, tendo Barboza servido Kadir de cabeça e este novamente de cabeça obrigou o goleiro a uma boa defesa no canto inferior do poste esquerda da sua baliza.

Atacando quase sempre pelo lado esquerdo, e com Matheus Martins a descair para o interior, quando na verdade funciona melhor como ponta, não se verificava variedade de jogadas nem criação suficiente – excepto alguns bons lançamentos de Cristian Medina, o único que verdadeiramente criou alguma coisa – para aproveitar os muitos espaços deixados pelo sistema tático do Racing.

As melhores tentativas do Botafogo foram de bola parada. É certo que devemos aproveitar – e treinar – bem essas oportunidades, mas tecnicamente a equipe tem imensa dificuldade em elaborar jogadas coletivas de pé em pé, ao nível do gramado.  

E assim se chegou ao intervalo sem grande qualidade técnica, com o Botafogo ‘cozinhando’ o jogo.

Após o intervalo o Racing entrou melhor e logo aos 49’, como vem sendo costume, o Botafogo entrou mole no jogo, o Racing contra-atacou e obrigou Neto a efetuar mais uma defesa, que espalmando para a frente com a sua mão de alface fez a bola bater no peito de Barboza e quase foi gol contra.

Com os jogadores claramente distraídos, sem capacidade de foco durante os 90 minutos de jogo, aos 50’ o Racing realizou um contra-ataque rápido a partir de uma bola lançada na ala esquerda, Rojas recebeu e efetuou um centro primoroso para o miolo da área, Adrián Martínez cabeceou e colocou a bola (aparentemente) fora do alcance de Neto (estaria mal posicionado, ou não?), empatando a partida.

Claro que a torcida alvinegra pensou novamente no pior, especialmente porque o Racing mostrava-se mais afoito após o gol, em busca da virada, e aos 56’ nem sequer Danilo foi capaz de concluir vitoriosamente um ótimo lançamento, novamente da autoria de Medina, rematando dentro da área, frente a frente com Cambeses, chutando à figura.

O Racing insistiu e aos 70’ Adrián Fernández rematou a meia distância e Neto espalmou de novo com muito perigo para a frente, mas a zaga aliviou.

A partida tornou-se truncada, pouco agradável, mas aos 74’, após mais uma insistência de Júnior Santos, a bola sobrou para Danilo que rematou fraco e à figura do goleiro – que deixou a bola passar calmamente debaixo do seu corpo. Botafogo novamente na frente: 2x1.

Daí em diante o Racing tentou remendar o ‘frangaço’ de Cambeses e aos 82’, dentro da pequena área, a zaga permitiu que Zaracho rematasse de bicicleta e, mais uma vez, por pura sorte, a bola foi fraca e direitinha aos braços de Neto.

Entretanto, como o trio de ataque estava desgastado, saíram Júnior Santos e Matheus Martins, enquanto Arthur Cabral entrara já antes no lugar de Kadir, sem que houvesse novidades em matéria de agressividade atacante. E a única oportunidade realmente flagrante foi de Cabral aos 85’, que uma vez mais, frente a frente com Cambeses, não conseguiu concluir. Aparentemente o atacante não vai evoluir mais.

E um minuto depois o Racing perdeu a última oportunidade de empatar com Zaracho rematando por cima do travessão.

Aos 90+3’ Cambeses foi expulso por falta in extremis sobre Villalba que procurava dominar a bola. E acabou o jogo.

O Botafogo não tem identidade definida, Franclim Carvalho ainda não definiu um Onze mais fixo após uma dezena de jogos, e a vitória só foi alcançada em dois lances de pura felicidade, e por força da insistência de Júnior Santos, que tiveram como causa um gol contra e ‘frango’ monumental de Cambeses. É muito pouco para o mata-mata da Copa Sul-americana e para os jogos do Brasileirão até ao final de maio.

FICHA TÉCNICA

Botafogo 2x1 Racing

» Gols: Di Césare, aos 18’ (contra), e Danilo, aos 74’ (Botafogo); Adrián Martínez, aos 49’ (Racing)

» Competição: Copa Sul-americana

» Data: 06.05.2026

» Local: Estádio Olímpico Nilton Santos, no Rio de Janeiro (RJ)

» Público: 11.252 pagantes; 12.644 espectadores

» Renda: R$ 294.867,00

» Árbitro: Wilmar Roldán (Colômbia); Assistentes: Alexander Guzmán (Colômbia) e Sebastián Vela (Colômbia): VAR: Leodán González (Uruguai)

» Disciplina: cartão amarelo – Kadir, Lucas Villalba e Edenílson (Botafogo) e  Adrián Fernández, Baltasar Rodríguez e Di Césare (Racing); cartão vermelho – Cambeses (Racing)

» Botafogo: Neto; Vitinho, Ferraresi, Alexander Barboza e Alex Telles (Marçal); Newton, Cristian Medina e Danilo; Júnior Santos (Lucas Villalba), Kadir (Arthur Cabral) e Matheus Martins (Edenílson). Técnico: Franclim Carvalho.

» Racing: Cambeses; Di Césare, Santiago Sosa e Basso (Tomas Pérez); Martirena, Baltasar Rodríguez (Zaracho), Forneris (Zuculini) e Gabriel Rojas; Solari (Conechny), Adrián Martínez e Adrián Fernández (Miljevic). Técnico: Gustavo Costas.

Retrospecto Botafogo x Atlético Mineiro (1923-2025)

Créditos: Elson Souto por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo SÍNTESE DE TODOS OS JOGOS (1923-2025) » 118 jogos, 53 vitórias, 27 empa...