sexta-feira, 10 de julho de 2026

Copa do Mundo de 2018: consagração de Mbappé e Modrić, colapso alemão e espanhol, fair play e tecnologia VAR

Cartaz da Copa do Mundo de 2018. Crédito: Reprodução.

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

A Copa do Mundo de 2018, disputada na Rússia, foi um Mundial de transição e afirmação de novos craques e que teve também uma dimensão política e tecnológica com a inovação do VAR.

A Rússia organizou o torneio num contexto de relações tensas com vários países ocidentais, após a anexação da Crimeia em 2014, acusações de interferência política externa e debates sobre direitos humanos.

Apesar desse contexto, a organização foi, em geral, considerada eficiente. Os estádios, as cidades-sede, a segurança e a logística funcionaram melhor do que muitos antecipavam. Para a Rússia, o torneio foi uma tentativa de projetar uma imagem de modernidade, hospitalidade e capacidade organizativa.

Simbolicamente foi uma Copa em que o futebol serviu também como instrumento de diplomacia, imagem pública e afirmação geopolítica.

A grande surpresa da Copa foi a eliminação da Alemanha, campeã em título, logo na fase de grupos, perdendo com o México, vencendo a Suécia com um gol tardio de Kroos e sendo eliminada com a inesperada derrota contra a Coreia do Sul por 2x0.No final da partida a imagem dos jogadores alemães incrédulos com o resultado tornou-se uma icônica fotografia do colapso dos campeões.

Para a Coreia, foi uma vitória de grande prestígio; para a Alemanha, uma ‘humilhação’ histórica, simbolizando a imprevisibilidade dos Mundiais de futebol.

Foi a primeira vez, desde 1938, que a Alemanha não ultrapassou a primeira fase de um Mundial, tendo representado, simbolicamente, o fim de um ciclo longo de preparação iniciado em 2006 e culminado com o título de 2014.

A Espanha viveu uma situação invulgar quando o técnico Julen Lopetegui foi despedido na véspera do início do Mundial, em virtude de ser anunciado como futuro treinador do Real Madrid.

A equipe ficou sob orientação de Fernando Hierro, num ambiente de instabilidade, apresentando-se lenta previsível e emocionalmente fragilizada. Os espanhóis foram eliminados nas oitavas de final pela Rússia, nos pênaltis, depois de um jogo em que teve muita posse de bola, mas pouca capacidade de criar perigo – evidenciando o esgotamento definitivo do velho modelo espanhol sem a energia de 2008-2012.

Tecnologia do VAR no Mundial de 2018. Fonte: www1.folha.uol.com.br.

A Islândia, país com pequena população, estreou-se em Mundiais e empatou com a Argentina no primeiro jogo. O goleiro Hannes Halldórsson defendeu uma grande penalidade de Messi e o resultado foi celebrado como um feito histórico, mostrando novamente que em matéria de Copas os favoritos também são surpreendidos.

O Peru tornou a disputar um Mundial após longa ausência e apesar de ser eliminado na fase de grupos, a simples presença teve forte carga emocional para os torcedores peruanos, que viajaram em grande número para a Rússia e foram entusiásticos.

Equipes como Marrocos e Irã não foram longe, mas deixaram boa imagem competitiva. O Irão quase eliminou Portugal na fase de grupos e Marrocos criou dificuldades a Espanha e Portugal.

Um dos jogos mais memoráveis da fase de grupos foi Portugal 3x3 Espanha. Cristiano Ronaldo marcou três gols e segurou praticamente sozinho o empate português contra uma das seleções teoricamente mais fortes da Copa. Foi uma das grandes exibições individuais de Cristiano em Mundiais, evidenciando liderança, resistência e capacidade de decidir.

Portugal, apesar de ser campeão europeu em 2016, caiu nas oitavas de final frente ao Uruguai. Cavani marcou duas vezes e Portugal não conseguiu reagir o suficiente.

A Inglaterra eliminou a Colômbia nos pênaltis, nas oitavas de final, ultrapassando finalmente o estigma de derrotas sucessivas na disputa por grandes penalidades através da defesa decisiva de Pickford.

O jogo França 4x3 Argentina, nas oitavas de final, foi um dos melhores da competição. Teve gols, ritmo, alternância emocional e a queda da Argentina de Messi, desgastada e desequilibrada. Os argentinos tinham chegado à competição com problemas internos, indefinições táticas e dependência extrema de Messi.

Antes da eliminação com a França, a Argentina viveu uma fase de grupos dramática: empatou com a Islândia, perdeu pesadamente com a Croácia por 3x0 e chegou ao último jogo, contra a Nigéria, em risco de eliminação, superando o adversário com o gol decisivo de Marcos Rojo perto do fim, garantindo a passagem aos oitavos.

Harry Kane, Chuteira de Ouro, gol contra o Panamá. Fonte: Divulgação | England | Jogada10.

A Rússia chegou às quartas de final, superando expectativas: goleou a Arábia Saudita e eliminou a Espanha nos pênaltis, com grande exibição do goleiro Igor Akinfeev. Mesmo sem chegar às semifinais, a campanha da equipe permitiu ao público russo criar uma narrativa desportiva positiva.

O Uruguai realizou o Mundial com a sua identidade habitual: organização defensiva, intensidade, experiência e ataque perigoso. A dupla Suárez-Cavani contra Portugal, mas a lesão de Cavani condicionou o Uruguai nas quartas de final contra a França, que a equipe perdeu por 2x0.

Nas semifinais, a Croácia venceu a Inglaterra por 2x1, após prorrogação. A Inglaterra marcou cedo, por Kieran Trippier, num livre direto. Mas a Croácia reagiu, empatou por Perišić e decidiu com gol de Mandžukić na prorrogação.

A equipe de Gareth Suthgate era jovem, disciplinada e emocionalmente mais serena do que várias seleções inglesas anteriores. A frase “It’s coming home” tornou-se o lema popular da campanha, misturando ironia, esperança e identidade futebolística.

Apesar da derrota com a Croácia, a Inglaterra voltou a acreditar após tantos anos afastada das semifinais. Harry Kane terminou como artilheiro da competição com 6 gols, embora parte desses gols tenham origem em pênaltis e bolas paradas, o que também refletia a identidade da Inglaterra de 2018: forte em lances estudados, escanteios, livres e organização.

A Bélgica teve um excelente Mundial, terminando em terceiro lugar. Com Hazard, de Bruyne, Lukaku, Courtois, Kompany, Vertonghen, Alderweireld e Witsel, a equipe confirmou o valor da sua geração dourada.

Nas oitavas de final a Bélgica esteve a perder por 2x0 contra o Japão, mas venceu por 3x2. O gol decisivo surgiu no último lance, numa transição rápida concluída por Chadli. Foi uma das jogadas mais dramáticas do Mundial.

Fair Play do Japão dentro e fora de campo. Fonte: Elaboração IA.

Para o Japão, foi uma derrota cruel; para a Bélgica, um sinal de maturidade competitiva. A imagem dos jogadores japoneses devastados contrastou com o reconhecimento internacional pela qualidade e coragem da sua exibição, e mesmo após a eliminação os jogadores deixaram o balneário limpo e uma mensagem de agradecimento – evidenciando civismo, respeito e ética coletiva.

Porém, o ponto alto foi a vitória contra o Brasil nas quartas de final, por 2x1. A Bélgica foi taticamente inteligente, explorou transições rápidas e teve em Courtois um goleiro decisivo.

O Brasil, treinado por Tite, chegou ao Mundial com expectativas elevadas. Tinha uma equipe equilibrada, com Neymar, Coutinho, Gabriel Jesus, Willian, Casemiro, Marcelo, Thiago Silva, Miranda e Alisson.

Neymar, teoricamente o maior trunfo brasileiro, teve momentos de qualidade, mas ficou também marcado pelas quedas, protestos e dramatização de contatos, fixando-se a imagem do craque rolando no gramado teatralmente e sendo alvo de inúmeros memes – e a Seleção Canarinha reforçou a ideia de continuar longe da aura de domínio mundial de outrora.

A França venceu o Mundial pela segunda vez, vinte anos depois do título de 1998.

A equipe de Didier Deschamps não foi uma seleção de futebol permanentemente exuberante, mas foi extremamente equilibrada, física, rápida, madura e eficaz. Tinha talento em todos os setores Lloris, Varane, Umtiti, Pavard, Lucas Hernández, Kanté, Pogba, Matuidi, Griezmann, Mbappé e Giroud.

Sobretudo, foi menos dependente da posse prolongada, mais orientada para a transição, para a velocidade e para a eficácia. A França de Didier Deschamps foi criticada por vezes por não jogar de forma mais estética, mas o percurso mostrou enorme competência competitiva.

A grande revelação foi Kylian Mbappé, que com apenas 19 anos assumiu protagonismo ao mais alto nível. O jogo contra a Argentina, nas oitavas de final, foi o seu momento de consagração: arrancadas em velocidade, capacidade de desequilíbrio e dois gols numa vitória francesa por 4x3.

Kylian Mbappé, o ‘Furacão’ francês. Fonte: ec.world-like-home.com.

Na final, marcou contra a Croácia e tornou-se o primeiro adolescente a marcar numa final de Mundial desde Pelé, em 1958. Mbappé simbolizou juventude, velocidade, mudança geracional e futuro. Em 2018, o futebol mundial percebeu que estava perante uma nova estrela global.

Griezmann foi outro elemento decisivo que participou na organização ofensiva e foi fundamental nas bolas paradas, funcionando como jogador de ligação, interpretando espaços, acelerando quando necessário e dando equilíbrio à equipe.

Na final, esteve envolvido em momentos decisivos: o livre que originou o gol contra de Mandžukić e o pênalti convertido após decisão do VAR.

O meio-campo francês foi uma das chaves do título: N´Gol Kanté fez trabalho invisível, cobertura defensiva e equilíbrio; Pogba, muitas vezes criticado pela irregularidade, fez um grande Mundial e na final marcou o terceiro gol da França que consolidou a vantagem.

A Croácia, país com pouco mais de quatro milhões de habitantes, chegou à final do Mundial pela primeira vez através da sua qualidade técnica, experiência e uma enorme capacidade de sofrimento. Contando com Modrić, Rakitić, Perišić, Mandžukić, Brozović, Lovren, Vida e Subašić, a Croácia superou três prorrogações consecutivas nas fases a eliminar contra Dinamarca, Rússia e Inglaterra.

A final foi disputada em Moscovo, no Estádio Luzhniki, e a França venceu a Croácia por 4x2. Foi uma final invulgar: aconteceu o primeiro gol contra numa final, da autoria de Mandžukić, empate de Ivan Perišić, pênalti assinalado com recurso ao VAR, gols de Griezmann, Pogba e Mbappé, e ainda um erro de Hugo Lloris que permitiu a Mandžukić reduzir.

A Croácia teve mais bola, mas começou a final perdendo através do lance infeliz de Mandžukić, enquanto a França foi mais eficaz e mais forte nos momentos decisivos. Curiosamente, Mandžukić viria depois a marcar também na baliza certa, após erro de Lloris, e como prêmio de consolação Luka Modrić foi eleito o melhor jogador da competição.

Luka Modrić, o craque da Copa. Fonte: Franck Fife – 15.07.2018 – AFP.

A Copa de 2018 foi o primeiro Mundial com utilização do VAR, tecnologia que teve grande impacto, sobretudo em grandes penalidades, revisões de contato e lances dentro da área. Na final, o VAR foi decisivo no pênalti assinalado por mão de Perišić.

Simbolicamente, 2018 marcou uma viragem na arbitragem internacional, porque a partir daí o Mundial deixou de depender apenas da percepção imediata do árbitro em campo. Ainda por aprimorar, o VAR trouxe, contudo, mais correção em certos lances.

Outra curiosidade foi a qualificação do Japão para os oitavos de final através do critério de fair play, por ter recebido menos cartões do que o Senegal.

Foi a primeira vez que esse critério teve impacto tão visível num Mundial, podendo decidir a classificação numa competição tão equilibrada.

Em termos simbólicos, 2018 foi a Copa da transição geracional e tecnológica: marcou o segundo título mundial da França, a consagração de uma geração jovem liderada por Mbappé, Griezmann, Pogba, Kanté e Varane, a chegada da Croácia à primeira final da sua história, a despedida amarga de várias gerações, a eliminação precoce da Alemanha campeã em título e a consolidação do VAR como elemento central do futebol moderno.

FICHA TÉCNICA DA FINAL

França 4x2 Croácia

» Gols: Mandžukić, aos 18’ (contra), Griezmann, aos 38’ (pen.), Pogba, aos 59’, e Mbappé, aos 65’ (França); Perišić, aos 28’, e Mandžukić, aos 69’ (Croácia)

» Data: 15 de julho de 2018

» Local: Estádio Lujniki, em Moscou (Rússia)

» Público: 78.011 espectadores

» Árbitro: Néstor Pitana (Argentina)

» Disciplina: cartão amarelo – Kanté e Lucas Hernández (França)

» França: Lloris; Pavard, Varane, Umtiti e Lucas Hernández; Kanté (N’Zonzi) e Pogba; Mbappé, Griezmann, Matuidi (Tolisso); Giroud (Fekir). Técnico: Didier Deschamps.

» Croácia: Subašić; Vrsaljko, Lovren, Vida, Strinić (Pjaca); Brozović; Rebić (Kramarić), Modrić, Rakitić, Perišić; Mandžukić. Técnico: Zlatko Dalić.

Fontes principais: en.wikipedia.org; maisfutebol.iol.pt; www1.folha.uol.com.br; www.britannica.com; www.espn.com.br; www.fifa.com; www.rsssf.org; www.theguardian.com.

quinta-feira, 9 de julho de 2026

Os maiores artilheiros do Botafogo na Copa Libertadores – sinopses e jogos dos gols

Júnior Santos, campeão sul-americano e brasileiro. Crédito: TNT Sports.

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

1. JÚNIOR SANTOS (10 gols)

O atacante Júnior Santos é o maior artilheiro do Botafogo na Copa Libertadores da América, tendo marcado 10 gols na fabulosa presença do Botafogo, em 2024, quando conquistou o seu segundo título continental, após a conquista da Copa Conmebol em 1993.

Júnior Santos foi absolutamente decisivo na fase preliminar da competição marcando 8 gols em apenas 4 jogos. Entretanto o nosso atleta lesionou-se e somente regressou em fase avançada da competição, atuando novamente com muita oportunidade, força física e entrega total, acrescentando mais 2 gols ao seu pecúlio, sendo o autor do gol que consagrou o título do Botafogo como Campeão da Libertadores em Buenos Aires.

O atleta foi emprestado ao Botafogo pelo clube japonês Sanfrecce Hiroshima em 2022 e em 2023 foi adquirido pelo Botafogo, que o vendeu ao Atlético Mineiro em 2025 e posteriormente o resgatou por empréstimo em 2026, tendo assinado 30 gols em 128 jogos pelo Glorioso.

Gols de Júnior Santos:

21.02.2024: Aurora (Bolívia) 1x1 Botafogo (2ª fase preliminar, ida), 1 gol.

28.02.2024: Botafogo 6x0 Aurora (Bolívia) (2ª fase preliminar, volta), 4 gols.

06.03.2024: Botafogo 2x1 Bragantino (Brasil) (3ª fase preliminar, ida), 2 gols.

13.03.2024: Bragantino (Brasil) 1x1 Botafogo (3ª fase preliminar, volta), 1 gol.

08.05.2024: Botafogo 2x1 LDU Quito (Equador) (fase de grupos), 1 gol.

30.11.2024: Atlético Mineiro (Brasil) 1x3 Botafogo (final), 1 gol.

Jairzinho classifica o Botafogo contra o Palmeiras (3x2 em 29.03.1973). Crédito: O Globo.

2. JAIRZINHO (5 gols)

Jairzinho, o ‘Furacão da Copa’, também está entre os maiores artilheiros do clube na Libertadores, com 5 gols marcados, recorde que perdurou por várias décadas. Na sua 1ª participação na competição, em 1963, o Botafogo alcançou as semifinais com um elenco recheado de craques, como Garrincha, Didi e Nilton Santos, além de Jairzinho, que já se assumia como um craque da nova geração, tendo marcado 2 gols.

Na campanha de 1973 da Copa Libertadores, já mundialmente conhecido como campeão do mundo, Jairzinho marcou mais 3 gols, mostrando ainda velocidade, explosão e capacidade de decisão.

Cria do Botafogo e cotado entre os três maiores ídolos do Botafogo de Futebol e Regatas, Jairzinho esteve nos profissionais do Botafogo entre 1963-1974 e 1981-1982, assinalando 126 gols em 288 jogos.

Gols de Jairzinho:

31.07.1963: Botafogo 2x1 Alianza Lima (Peru) (fase de grupos), 1 gol.

24.02.1973: Botafogo 3x2 Nacional (Uruguai) (fase de grupos), 1 gol.

01.03.1973: Botafogo 4x1 Peñarol (Uruguai) (fase de grupos), 1 gol.

17.03.1963: Nacional (Uruguai) 1x2 Botafogo (fase de grupos), 1 gol.

29.03.1973: Botafogo 2x1 Palmeiras) (Brasil (fase de grupos), 1 gol.

Da esquerda para a direita em pé – Miranda, Wendell, Osmar, Brito, Marinho Chagas e Carlos Roberto; agachados – Zequinha, Marco Aurélio, Fischer, Jairzinho e DIRCEU (1973). Fonte: https://terceirotempo.uol.com.br (foto enviada pelo leitor Walter Roberto Peres).

2. DIRCEU (5 gols)

O ponta-esquerda e meio-campista Dirceu também assinalou 5 gols pela Copa Libertadores, atuando pelo clube na década de 1970 e assumindo-se como um dos principais atletas do Glorioso na edição de 1973, evidenciando visão de jogo na criação e capacidade técnica para a finalização.

Os seus gols foram muito importantes nessa campanha, na qual se destacou para consolidar uma caminhada que o levaria à Copa do Mundo de 1974 pela Seleção Brasileira.

O atleta de Seleção Brasileira esteve no Botafogo no período de 1973-1976 e marcou 9 gols em 52 jogos.

Gols de Dirceu:

17.02.1973: Palmeiras (Brasil) 3x2 Botafogo (fase de grupos), 1 gol.

26.04.1973: Cerro Porteño (Paraguai) 3x2 Botafogo (semifinal /triangular), 1 gol.

08.05.1973: Colo-Colo (Chile) 3x3 Botafogo (semifinal /triangular), 2 gols.

15.05.1973: Botafogo 2x0 Cerro Porteño (Paraguai) (semifinal /triangular), 1 gol.

Rodrigo Pimpão. Crédito: Eduardo Carmim | Photo Premium.

2. RODRIGO PIMPÃO (5 gols)

O ponta-esquerda Rodrigo Pimpão marcou 5 gols e foi um dos nomes mais badalados na campanha de 2017, na qual o Botafogo derrotou 5 ex-campeões da Copa Libertadores, tendo o atleta sido decisivo entre a fase preliminar e as quartas de finais.

Rodrigo Pimpão foi precioso não apenas por marcar gols, mas também pelo seu posicionamento tático e pela entrega total em todos os jogos.

O atleta esteve no Botafogo em 2015, foi vendido ao Emirates e regressou ao Botafogo no período 2016-2019, assinalando 28 gols em 196 jogos pelo Clube com o qual mais se identificou, mais jogou e mais gols assinalou.

Gols de Rodrigo Pimpão:

08.02.2017: Colo-Colo (Chile) 1x1 Botafogo (2ª fase preliminar, volta), 1 gol.

15.02.2017: Botafogo 1x0 Olimpia (Paraguai) (3ª fase preliminar, ida), 1 gol.

14.03.2017: Botafogo 2x1 Estudiantes (Argentina) (fase de grupos), 1 gol.

18.05.2017: Botafogo 1x0 Atlético Nacional (Colômbia) (fase de grupos), 1 gol.

10.08.2017: Botafogo 2x0 Nacional (Uruguai) (oitavas de final, volta), 1 gol.

Wallyson. Crédito: EFE.

5. WALLYSON (4 gols)

O atacante Wallyson destacou-se no pódio dos cinco maiores artilheiros do Botafogo quando disputou a Copa Libertadores da América em 2014, anotando 4 gols e brilhando principalmente na 1ª Fase contra o Deportivo Quito.

Não obstante a eliminação precoce da equipe, Wallyson foi a grande figura botafoguense, rubricando momentos muito intensos durante as partidas.

O atleta esteve no Botafogo em 2014, emprestado pelo Deportivo Maldonado, do Uruguai, atuando em 41 jogos e assinalando 8 gols – metade dos quais ocorreram em jogos da Copa Libertadores.

Gols de Wallison:

05.02.2014: Botafogo 4x0 Deportivo Quito (Equador) (1ª fase preliminar, volta), 3 gols.

11.02.2014 Botafogo 2x0 San Lorenzo (Argentina) (fase de grupos), 1 gol.

Botafogo de Azeiteiro sagra-se campeão Inter Ruas de Travessão

Fonte: Divulgação.

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

A Associação Sport Club Botafogo do Azeiteiro conquistou o 8º Campeonato Inter Ruas Adulto de Futsal de Travessão, título inédito para o clube, superando o Tijuquinha no Ginásio de Esportes Jordão Manuel Santana, em Travessão, município Braço do Norte (SC), no dia 7 de junho de 2026.

Nas semifinais o Botafogo do Azeiteiro venceu o Brasília por 1x0, gol de Jonas no último lance da partida, tendo os goleiros Marlon do Botafogo e Welington do Brasília sido as figuras do jogo.

A final traduziu-se por um duelo equilibrado e intenso no qual o Botafogo venceu o Tijuquinha por 3x2 de virada, com gols de Gui (2) e Dion (que fez o gol da virada), tendo Cauã e Tiago marcado pelo Tijuquinha.

O campeão realizou 6 jogos, ganhou 5 e perdeu 1; marcou 17 gols e sofreu 9; Marlon do Botafogo foi o goleiro menos vazado.

Fontes: Instagram canalbinho; rcnoticia.com.br

quarta-feira, 8 de julho de 2026

Copa do Mundo de 2014: colapso brasileiro e espanhol, maturidade alemã, recorde de Klose, brilho de Navas, dentada de Suárez e tecnologia na linha da meta

Cartaz da Copa do Mundo de 2014. Crédito: Reprodução.

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

A Copa do Mundo de 2014, disputada no Brasil, teve festa, tensão social, grandes jogos, colapsos inesperados, afirmações individuais e uma das derrotas mais traumáticas da história do futebol.

O Brasil é o país mais associado à história dos Mundiais: cinco títulos, Pelé, Garrincha, Didi, Jairzinho, Romário, Ronaldo, Ronaldinho, Maracanã, futebol de rua, identidade nacional. Porém, o país vivia forte tensão social e política na medida que em 2013 grandes manifestações tinham contestado os custos da organização da Copa, os investimentos em estádios, a qualidade dos serviços públicos, a corrupção e as prioridades do Estado.

Assim, a Copa de 2014 teve uma ambivalência clara: por um lado, celebração mundial do futebol num país apaixonado pela modalidade; por outro, desconforto social com o contraste entre espetáculo global e desigualdades internas.

Antes do Mundial havia a sombra histórica do Maracanazo de 1950, quando o Brasil perdeu a final do Mundial para o Uruguai, no Maracanã. Em 2014, muitos brasileiros viam a Copa dentro de portas como oportunidade de reparar simbolicamente essa ferida histórica, vencendo no Brasil, apagando 1950 e reconquistando o mundo.

Porém, o que aconteceu foi ainda mais traumático, porque em vez da reparação simbólica, surgiu uma nova ferida: a derrota por 7x1 contra a Alemanha, a qual ficou conhecida como ‘Mineirazo’.

A seleção de Scolari não era vista como uma das seleções brasileiras mais brilhantes da história, mas jogava em casa e tinha Neymar como grande figura que carregava o peso emocional da equipe e do país. Era o jogador mais criativo, desequilibrador e mediático, e o Brasil dependia muito da sua inspiração.

Neymar marcou gols importantes e assumiu o papel de protagonista, mas essa dependência tornar-se-ia dramática com a sua lesão nas quartas de final contra a Colômbia. O Brasil venceu por 2x1, mas saiu do jogo profundamente ferido.

Contra o Brasil Miroslav Klose bate recorde de gols em Copas. Fonte: Facebook.

Neymar sofreu uma fratura numa vértebra após uma entrada de Juan Camilo Zúñiga. Além disso, Thiago Silva, capitão e líder defensivo, recebeu cartão amarelo e ficou suspenso para a semifinal contra a Alemanha.

O Brasil perdeu, de uma só vez, o seu principal jogador ofensivo e o seu principal líder defensivo, ficando a equipe emocionalmente desprotegida antes do jogo mais difícil.

E, como consequência, o acontecimento central da Copa de 2014 antes da final foi a semifinal em que o Brasil foi estrondosamente goleado por 7x1 pela Alemanha, no Mineirão, em Belo Horizonte, numa derrota sem precedentes pela dimensão, pelo contexto e pelo impacto emocional – em menos de 30 minutos de jogo o Brasil já perdia por 5x0 e a Alemanha deu-se ao luxo de aliviar o pé do acelerador.

O 7x1 tornou-se mais do que um resultado: tornou-se expressão cultural, metáfora nacional e trauma coletivo, passando a significar o colapso de um projeto.

A Inglaterra caiu na fase de grupos, num grupo difícil com Itália, Uruguai e Costa Rica. Apesar de ter alguns jovens promissores, como Sterling, a Seleção inglesa mostrou fragilidades e saiu cedo, evidenciando, uma vez mais, a longa distância entre a Premier League, muito forte comercialmente, e os resultados da Seleção em Mundiais.

A Espanha, que era campeã mundial e bicampeã europeia, dominou o futebol internacional entre 2008 e 2012, mas contra os Países Baixos foi goleada por 5x1, com destaque para o gol de cabeça de Robin van Persie, num mergulho espetacular. Foi o fim do ciclo espanhol, cuja Seleção do ‘tiki-taka’, que parecera quase invencível, surgiu vulnerável, desgastada e previsível, sendo eliminada ainda na fase de grupos.

A Bósnia-Herzegovina estreou-se em Mundiais em 2014 e teve um simbolismo interessante, dada a história recente do país e a sua construção nacional pós-guerra. Embora não tenha passado da fase de grupos, a participação representou afirmação desportiva e identitária.

O Chile, treinado por Jorge Sampaoli, fez uma prova intensa, agressiva e muito competitiva. Nas oitavas de final, esteve muito perto de eliminar o Brasil, pois no último minuto da prorrogação Maurício Pinilla rematou à trave, num lance que poderia ter eliminado o anfitrião – perdendo apenas nos pênaltis.

Van Persie faz gol de peixinho na goleada contra a Espanha. Fonte: Reuters.

O México fez uma boa campanha, mas foi eliminado pelos Países Baixos nas oitavas de final, tendo o jogo sido marcado por uma grande penalidade assinalada sobre Robben nos minutos finais, cuja conversão de Huntelaar classificou os Países Baixos. No México, a frase “No era penal” tornou-se símbolo de frustração nacional e de contestação à decisão arbitral.

A Argélia fez um dos seus melhores Mundiais e deu enorme trabalho à Alemanha nas oitavas de final, que só conseguiu vencer na prorrogação perante um adversário corajoso, veloz e organizado, expondo fragilidades alemãs que foram corrigidas nos jogos seguintes.

Os americanos, treinados por Jürgen Klinsmann, chegaram às oitavas de final e foram eliminados pelos belgas após prorrogação. O goleiro Tim Howard fez uma exibição extraordinária e tornou-se herói mediático e símbolo da crescente popularidade do futebol na América.

A Bélgica chegou ao Mundial com uma geração muito promissora: Hazard, De Bruyne, Lukaku, Courtois, Kompany, Witsel, Fellaini, Vertonghen e Alderweireld. Chegou às quartas de final, onde perdeu com a Argentina, tendo amadurecido na Copa seguinte, em 2014, e confirmado a emergência da chamada ‘geração dourada’ belga.

Os colombianos concretizaram um bom Mundial, que viu em James Rodríguez a grande revelação individual da Copa. Na ausência de Falcão, lesionado antes do torneio, James assumiu o protagonismo, marcou em todos os jogos que disputou e terminou como artilheiro do Mundial, com seis gols. Contra o Uruguai fez um elegante gol: controlou a bola no peito e rematou de primeira, de fora da área, com a bola a bater na trave e a entrar.

James foi o selo de qualidade da Colômbia, uma das seleções mais cativantes do torneio, jogando com intensidade, talento e alegria. Chegou às quartas de final, o melhor resultado de sempre, e aí foi eliminada pelo Brasil, mas revelou-se uma Seleção vibrante técnica e emocionalmente.

Keylor Navas, goleiro sensação da surpreendente Costa Rica. Fonte: Damir Sagolj | Reuters.

A Costa Rica foi a grande surpresa da Copa, terminando invicta com 2 vitórias e 3 empates. Num grupo com Uruguai, Itália e Inglaterra, previa-se a sua eliminação, mas os costa-riquenhos venceram o Uruguai e a Itália e empataram com a Inglaterra, terminando em 1º lugar. Depois eliminaram a Grécia nos pênaltis e só caíram nas quartas de final contra os Países Baixos, também nos pênaltis.

Keylor Navas esteve em grande destaque como uma das grandes figuras da competição. As suas defesas foram decisivas para a campanha histórica da Costa Rica e pouco tempo depois chegaria ao Real Madrid para acumular grandes títulos.

Os Países Baixos fizeram uma campanha muito boa, orientados por Louis van Gaal e contando com Robben, van Persie, Sneijder, Kuyt, de Vrij, Vlaar, Blind e Depay. A Seleção começou com uma goleada histórica sobre a Espanha por 5x1, vingando a final perdida em 2010. Foi uma equipe muito pragmática, alternando sistemas e explorando a velocidade de Robben, chegou às semifinais e terminou em terceiro lugar, após vencer o Brasil por 3x0.

A Argentina conseguiu chegar à final, mas Messi, figura central da equipe, não foi tão brilhante como muitos esperavam. Na fase de grupos foi decisivo, com gols importantes contra Bósnia, Irão e Nigéria. Acabou conquistando injustamente a Bola de Ouro, uma clara ‘oferta’ da FIFA para um craque que decepcionou e cuja imagem que ficou foi a sua passagem junto à Taça do Mundo, sem a levantar.

A Argentina não foi uma equipe exuberante. Ao contrário do que se poderia esperar de uma seleção com Messi, Higuaín, Agüero, Di María e Lavezzi, tornou-se uma equipe de grande contenção, disciplina e sofrimento.

Nas fases a eliminar, venceu a Suíça na prorrogação, a Bélgica por margem mínima e os Países Baixos nos pênaltis. Foi uma Argentina de resistência, mais do que de espetáculo.

Na semifinal contra os Países Baixos, Mascherano tornou-se símbolo da alma argentina. Fez cortes decisivos, liderou emocionalmente a equipe e terá dito ao goleiro Sergio Romero, antes dos pênaltis: “Hoje viras herói.”

Tecnologia de linha da meta. Fonte: Agência RBS.

Romero defendeu pênaltis e a Argentina passou à final. Mascherano representou a dimensão sacrificial da Argentina: menos brilho ofensivo, mais entrega, concentração e resistência.

A Alemanha campeã de 2014 foi o resultado de um processo longo de maturação desde a renovação iniciada após o ano 2000. Tinha jogadores como Neuer, Lahm, Hummels, Boateng, Schweinsteiger, Khedira, Kroos, Özil, Klose, Götze e Schürrle.

Era uma equipe com organização, capacidade técnica, disciplina tática, transições fortes e experiência. A vitória em terras brasileiras teve ainda uma carga simbólica adicional: a Alemanha tornou-se a primeira seleção europeia a vencer um Mundial disputado na América do Sul.

Na semifinal contra o Brasil, Klose marcou e tornou-se o maior artilheiro da história dos Mundiais, ultrapassando Ronaldo Nazário e aumentando a dimensão simbólica por ocorrer em solo brasileiro. Sem ser o jogador mais exuberante da sua geração, Klose representou a persistência, a eficácia e a longevidade competitiva.

A final foi disputada no Maracanã, entre Alemanha e Argentina e terminou com a vitória alemã por 1x0, após prorrogação.

A Argentina teve oportunidades claras, sobretudo por Higuaín, Messi e Palacio, mas não conseguiu marcar. A Alemanha foi mais paciente e acabou por decidir com um gol de Mario Götze, após cruzamento de Schürrle.

A imagem de Götze a dominar a bola no peito e a rematar de pé esquerdo tornou-se a fotografia decisiva do título alemão. Götze entrou durante o jogo e marcou o gol mais importante da sua carreira.

Aquela que foi, talvez, a maior peripécia da Copa ocorreu com a dentada de Luis Suárez em Giorgia Chiellini, no jogo entre Uruguai e Itália. Suárez envolvera-se antes em episódios semelhantes na carreira e essa dentada gerou enorme polêmica mundial. Foi suspenso pela FIFA e afastado do resto da competição, marcando profundamente a imagem do Uruguai e reforçando a ambiguidade de Suárez: jogador competitivo e decisivo, mas também associado a comportamentos inaceitáveis.

Suárez morde o ombro do italiano Chiellini. Fonte: www1.folha.uol.com.br.

Em matéria de regras houve inovações na tecnologia da linha da meta e o uso da espuma na composição das barreiras. A introdução da tecnologia marcou uma nova fase na arbitragem internacional, sobretudo após erros históricos em Mundiais anteriores, e abriu caminho futuro para a introdução do VAR.

O uso da espuma, parecendo um detalhe menor, tornou-se importante para marcar a posição da bola e da barreira na cobrança de faltas, sendo rapidamente incorporada mundialmente.

Em suma, foi a Copa do colapso emocional e competitivo do Brasil e da maturidade plena da Alemanha, do fim do ciclo espanhol e da afirmação de novas narrativas vindas da América Latina, da consagração de James Rodríguez e do sofrimento argentino até à final, da dentada de Luis Suárez e da consolidação do futebol como espetáculo planetário.

FICHA TÉCNICA DA FINAL

Alemanha 1x0 Argentina

» Gols: Mario Götze, aos 112’

» Data: 13 de julho de 2014

» Local: Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro (Brasil)

» Público: 74.738 espectadores

» Árbitro: Nicola Rizzoli (Itália); Assistentes: Renato Faverini (Itália) e Andrea Stefani (Itália)

» Disciplina: cartão amarelo – Schweinsteiger e Howedes (Alemanha) e Mascherano e Aguera (Argentina)

» Alemanha: Manuel Neuer; Lahm, Boateng, Hummels e Howedes; Schweinsteiger e Kramer (Schürrle); Müller, Kroos e Özil (Mertesacker); Klose (Mario Götze). Técnico: Joachim Low.

» Argentina: Romero; Zabaleta, Demichelis, Garay e Rojo; Mascherano, Biglia, Enzo Pérez (Gago) e Messi; Lavezzi (Aguero) e Higuaín (Palacio). Técnico: Alejandro Sabella.

Fontes principais: en.wikipedia.org; maisfutebol.iol.pt; www1.folha.uol.com.br; www.britannica.com; www.espn.com.br; www.fifa.com; www.rsssf.org; www.theguardian.com.

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