por RUY MOURA |
Editor do Mundo Botafogo
Durcesio Mello foi um presidente de sorte
durante o seu mandato 2021-2024 na medida em que recebeu um legado dramático e,
consequentemente, as expectativas de melhoria eram baixas, pelo que seria
provável melhorar a gestão do Clube, ascender novamente à Série A e assim
concretizar a iminência de o futebol do Botafogo despertar o interesse de
investimento externo e tornar-se uma Sociedade Anônima do Futebol (SAF).
Na sua presidência foram bem cedo extintos
definitivamente departamentos de modalidades de tão grandes tradições
botafoguenses no Brasil e no exterior como a natação e o polo aquático, ao
mesmo que a belíssima piscina do Mourisco, importante patrimônio alvinegro inaugurado
na década de 1960, que servia as duas modalidades desportivas mencionadas,
vinha encerrada e quebrada de mandatos anteriores, agravando-se as suas severas
condições de degradação, sem nenhuma capacidade de injeção financeira para se
proceder à sua reparação – até hoje.
Porém, face ao trágico ano de 2020, os
holofotes dos alvinegros estavam focados no futebol, o carro-chefe do Botafogo,
muito prestigiado outrora no mundo inteiro, e as modalidades ditas ‘olímpicas’
passaram naturalmente a segundo plano, incluindo o remo que, sendo estatutário,
tinha a sua permanência garantida – e com um sucesso considerável devido ao
esforço dos seus protagonistas, que conseguem, ainda atualmente, lutar remada a
remada contra os atletas do clube da Gávea e conseguir títulos, como
recentemente no Campeonato Brasileiro Interclubes de Remo Costal.
Ao mesmo tempo que o futebol do Botafogo se
concentrava no objeto principal de regresso à Série A, também os seus
dignitários buscavam atrair um investidor interessado em tornar-se acionista
maioritário da SAF, que iria nascer se a busca fosse bem-sucedida.
Entretanto, Marcelo Chamusca, treinador
contratado a 22 de fevereiro, não teve sucesso à frente do Botafogo e não
conseguiu apresentações consistentes da equipe no campeonato brasileiro, tendo
sido demitido a 13 de julho, apenas 141 dias depois de ser contratado, deixando
o Botafogo na 14ª posição no campeonato e dando lugar, a 20 de julho de 2021, à
contratação de Enderson Moreira, treinador muito habituado a sucessos com
equipes da Série B.
Foi o homem certo no sítio certo.
Treinador cascudo, Enderson Moreira assenhoreou-se da equipe, liderando-a com muita assertividade, e o Botafogo foi subindo na classificação até se tornar candidato ao título de campeão brasileiro da Série B no dia 7 de novembro de 2021, goleando o Vasco da Gama por 4x0 e assumindo, pela 1ª vez, a liderança do campeonato com um ponto à frente do Coritiba.
No dia 21 de novembro de 2021 o Botafogo
derrotou o Brasil de Pelotas fora de casa, por 1x0, gol de Diego Gonçalves, aos
20’, e tornou-se bicampeão brasileiro da Série B (2015; 2021) por antecipação.
Comandado por Enderson Moreira, o Botafogo alinhou com Diego Loureiro; Daniel
Borges, Joel Carli, Kanu e Carlinhos; Oyama (Ricardinho), Barreto e Warley
(Ronald); Marco Antônio (Romildo) e Diego Gonçalves (Frizzo); Rafael Navarro,
(Rafael Moura).
Uma semana depois, a 28 de novembro, 34.000
botafoguenses viveram com exuberância a consagração do Botafogo no Estádio Olímpico
Nilton Santos, em empate por 2x2 com o Guarani, gols de Marco Antônio, aos 69’,
e Rafael Navarro, aos 89’.
O Botafogo foi campeão com 70 pontos, à
frente do Coritiba com 65 pontos, registrando 20V, 10E, 8D e um saldo favorável
de 25 gols (56 a favor e 31 contra).
O ano de 2022 estava à porta e John Textor
preparava-se para adquirir a SAF do Botafogo, assinando um pré-contrato no dia
24 de dezembro de 2021 – espécie de prenda natalícia –, e assumindo o controle
prático da SAF em março, embora em fevereiro já tivesse mandado despedir
Enderson Moreira devido à sua extemporânea revindicação por investimentos
fortes no plantel.
Em abril John Textor tornou-se acionista
maioritário da SAF Botafogo com 90% da ações, ficando o Botafogo de Futebol e
Regatas com 10%.
O resto da história permanece na nossa
memória ainda com precisão. Em 2022, sob a liderança de Luís Castro, o Botafogo
alcançou os resultados que definira para 2022: permanência na Série A e
classificação à Copa Sul-americana, terminando o campeonato brasileiro em 11º
lugar, registrando 15V, 8E, 15D e saldo de gols desfavorável (41 a favor e 43
contra).
Em 2023, contra todas as expectativas e
objetivos definidos, depois de ter vencido a Taça Rio correspondente ao 5º
lugar no Campeonato Estadual, Luís Castro levou o Botafogo surpreendentemente à
liderança disparada do campeonato brasileiro, apesar de John Textor ter falhado
a promessa de reforços muito bons em julho. Porém, Castro cedeu à tentação de
uma proposta milionária da Arábia Saudita e a possibilidade de treinar o
compatriota Cristiano Ronaldo.
John Textor, no seu clássico autoritarismo,
que conheceríamos mais tarde, negou-se a melhorar o contrato de Castro e ele
saiu mesmo. Depois disso, o interino Cláudio Caçapa aumentou a liderança disparada
para 14 pontos sobre o 2º classificado mantendo exatamente a mesma estratégia e
o mesmo esquema tático de Castro. Entretanto Tiquinho Soares, o artilheiro da
equipe, lesionou-se, nunca mais recuperou, mas com tantos pontos de avanço o
Brasileiro estaria no ‘papo’ mesmo sem o seu contributo.
Porém, não foi assim. Sucederam-se, em
decisões precipitadas, os treinadores Bruno Lage, Lúcio Flávio e Tiago Nunes,
mas o campeonato foi realmente perdido a partir do dia em que estando o
Botafogo a vencer o Palmeiras por 3x0 ao intervalo, Tiquinho Soares,
inexplicavelmente tenso, falhou uma grande penalidade e o Palmeiras acabou por
virar o resultado a seu favor por 4x3; depois foi a derrota por 1x0 para o
Vasco Gama; na semana seguinte repetiu-se a cena ‘palmeirense’ contra o Grêmio,
perdendo o Botafogo de virada por 4x3 após estar vencendo por 3x1.
Lúcio Flávio, equivocadamente guindado a
treinador, foi o principal responsável pela dupla tragédia de 4x3, e o seu
sucessor já não conseguiu repor a moral da equipe, acabando o Botafogo em 5º
lugar.
O ciclo Inferno-Céu-Inferno-Céu tornou-se a repetir: do inferno de 2020 ao céu da descida de divisão, novamente ao céu de 2021 e, sobretudo, de 2023 com Castro, ao inferno do mesmo ano com a perda inesperada do título nacional e… bem, depois, em 2024, o Botafogo tornou a conquistar a Taça Rio equivalente apenas ao 5º lugar do Campeonato Estadual, mas… o restante ano foi muito intenso, fantástico e único, e o nosso Clube acabou por conquistar mais do que o céu – alcançou a plenitude Universal sem fim dentro da esplêndida alma de cada botafoguense.
Textor reconheceu os erros cometidos em 2023,
investiu forte na equipe, e sob o comando de Artur Jorge fomos ao clímax no
espaço de uma semana, conquistando incrivelmente a Copa Libertadores da América
no dia 30 de novembro, após uma goleada por 5x0 sobre o Peñarol na semifinal e vitória
na final sobre o Atlético Mineiro, em condições raras de atuarmos na decisão
com um jogador a menos desde o início da partida, e conquistando uma semana
depois o Campeonato Brasileiro de futebol, a 8 de dezembro, no dia em que se
comemora a fusão do Futebol e do Remo que originou o Botafogo de Futebol e
Regatas,
Então, fiquemos fechando esta série com a
síntese maravilhosa dos protagonistas nos jogos decisivos em que nos sagramos
campeões brasileiros e sul-americanos.
Campeões Brasileiros a 8 de dezembro de 2024,
no Estádio Olímpico Nilton Santos, vencendo o São Paulo por 2x1, gols de
Savarino, aos 37’, e Gregore, aos 90+1’, sob o comando de Artur Jorge e
formando com John; Mateo Ponte, Adryelson, Marçal e Alex Telles; Gregore,
Marlon Freitas (Allan) e Savarino (Matheus Martins); Luiz Henrique (Rafael),
Igor Jesus (Tiquinho Soares) e Thiago Almada (Tchê Tchê).
Súmulas da campanha em https://mundobotafogo.blogspot.com/2024/12/botafogo-2x1-sao-paulo-finalmente-o.html
Campeões Sul-americanos a 30 de novembro de
2024, no Estádio Mâs Monumental, em Buenos Aires, vencendo o Atlético Mineiro
por 3x1, gols de Luiz Henrique, aos 35’, Alex Telles, aos 43’ (pen.), e Júnior
Santos, aos 90+6’, sob o comando de Artur Jorge e formando com John; Vitinho,
Alexander Barboza, Adryelson e Alex Telles (Marçal); Gregore, Marlon Freitas e
Savarino (Danilo Barbosa); Luiz Henrique (Matheus Martins), Igor Jesus (Allan)
e Thiago Almada (Júnior Santos).
Súmulas da campanha em https://mundobotafogo.blogspot.com/2024/12/campeoes-da-copa-libertadores-da.html
A diretoria de Durcesio Mello, que encerrou o
seu mandato em 31 de dezembro de 2024, terá sido, afinal, presenteada como
talismã de ‘La Gloria Eterna’.
Fontes principais: Diversas publicações do Mundo Botafogo.


















