segunda-feira, 18 de maio de 2026

Botafogo 3x1 Corinthians - recordando bons tempos 'antigos'

Crédito: Vitor Silva | Botafogo

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

Ir do Inferno ao Céu entre quarta e domingo é algo a que incrivelmente nos habituámos: esperando o melhor, sai o pior; esperando o pior, sai o melhor.

No entanto, até se compreende: de um lado, talvez uma equipe envergonhada pelo péssimo exemplo de postura futebolística face à Chapecoense, querendo redimir-se; de outro lado, que equipe ideal para a nossa redenção se não uma equipe-exemplo do ‘dinizismo’?

É fácil, pois, entender o resultado. Contra diversas equipes o sistema de jogo pretende ser attack, attack, attack – embora nem isso seja – e desconjunta totalmente a equipe, com jogadores remendados em posições inadequadas. Quando se espera a posse de bola pouco objetiva e muitas vezes fútil do ‘dinizismo’, eis que a equipe funciona em futebol vertical, defendendo-se melhor e criando contra-ataques perigosos nos espaços abertos pela defesa adversária ou em lançamentos longos.

Não temos qualidade na saída de bola e, por isso, é muito difícil armar ataques. Não porque não haja jogadores para isso, mas porque o sistema tático é inconsistente, os jogadores, que não são propriamente polivalentes, tanto jogam numa posição como noutra e acabam por não conseguir bons desempenhos em nenhuma delas.

Jogando na vertical, especialmente contra equipes ‘dinizistas’, e em contra-ataque, com sistema tático consolidado e jogadores nas sua posições criando rotinas de jogo e mecânicas bem afinadas, então podemos pensar em vitórias.

Porque jogadores como Alex Telles, Vitinho, Justino, Santi Rodriguez, Montoro, Medina ou Villaba não me parece discutível que não sejam bons jogadores, mas alguns têm desaprendido com certas decisões de Franclim Carvalho que roçam o absurdo.

Dito isso, o Botafogo entrou no jogo com disposição, foi combativo desde o início e manteve o foco durante os noventa minutos – tudo aquilo que é fundamental para que depois funcione o sistema tático (se for bem definido) e a capacidades individuais consigam emergir.

E logo aos 6’ Ferraresi efetuou um lançamento longuíssimo a partir da defesa, Gustavo Henrique e Villalba disputaram a bola no alto, sobrou para Arthur Cabral que ajeitou, avançou e disparou um petardo sem nenhuma possibilidade de defesa. Botafogo 1x0.

Porém, a alegria da arquibancada alvinegra do Rio esmoreceu rapidamente e a alegria passou para a arquibancada alvinegra de São Paulo: aos 10’ o Corinthians criou perigo pela 1ª vez, a nossa defesa aliviou, mas Huguinho foi desarmado na saída de bola, que sobrou para Rodrigo Garro, que chutou cruzado no canto oposto e empatou a partida aos 10’. Não querendo ‘bater’ no mau goleiro que temos, tenho dúvidas sobre o posicionamento adequado de Neto, que me parece deixar aberto o lado oposto da baliza por onde a bola entrou.

O jogo animou-se por parte do Corinthians, que manteve a posse de bola como valia principal, o Botafogo marcava bem à zona e disputava bolas, manteve o foco e mostrou sentido de ataque rápido e inesperado.

Gesto que se percebe como necessário para lavagem da alma. Crédito: Vitor Silva | Botafogo

Foi assim que Ferraresi conseguiu arrancar um pênalti a Gustavo Henrique, aos 23’, mas o Var resolveu que não seria pênalti, chamou o árbitro e, como é da praxe, os árbitros não têm coragem de manter a sua posição e alinham sempre pelos homens do vídeo, anulando a decisão.

E enquanto o tiki-taka improdutivo do Corinthians ia facilitando a defensiva do Botafogo, porque a posse era praticamente na zona do meio campo e para trás, o Botafogo esperava – e explorava – as oportunidades, eis que aos 31’ Montoro ganhou a bola na defesa, tocou para Kadir, este tocou para Arthur Cabral, que ajeitou e disparou de muito longe um potentíssimo remate. Golaço! Botafogo 2x1.

A partida permaneceu disputada, o Botafogo continuou marcando bem, ganhando divididas e controlando o jogo. A única oportunidade do Corinthians até ao intervalo ocorreu as 40’, numa das poucas jogadas realmente objetivas da equipe, quando Raniele respondeu a um belo cruzamento com uma cabeçada perigosíssima ao travessão.

Aos 45+7’, na última jogada do 1º tempo, Alex Telles respondeu em cobrança de falta que saiu rasando o ângulo superior da baliza de Hugo Souza.

No 2º tempo o Botafogo superou bem o ‘dinizismo’ com uma linha defensiva bem colocada, protegida pelos homens do meio, e enquanto o adversário procurava o empate, o Botafogo efetuava lançamento longos perigosos. Villalba pelo lado esquerdo fazia um jogo do grande qualidade e à terceira investida perigosa, aos 69’, Villalba recebeu uma bola longa disparada por Neto, ganhou da marcação, avançou até dentro da grande área, tocou para Kauan Toledo em frente à baliza demorou um milésimo de segundo, a bola sobrou um pouco para trás e Arthur Cabral estava lá para o hat-trick. Botafogo 3x1.

Com o jogo controlado, aos 87’, numa grande jogada de envolvimento da defesa contrária, Cabral tocou para Kauan Toledo à direita, ele passou pela marcação e rematoou para uma boa defesa do goleiro. Na cobrança de escanteio de Alex Telles, Barboza cabeceou, Hugo Souza fez uma defesa espetacular e no rebote Santi Rodriguez acertou o poste esquerdo da baliza de Hugo Souza – e a goleada esteve à vista.

Os dez minutos finais foram de gestão do Botafogo sobre um adversário com bola e sem criatividade.

Empenho, combatividade, contragolpe e criatividade marcaram a exibição realmente muito boa da equipe, com destaque, evidentemente, para o hat-trick de Arthur Cabral – o homem do jogo.

O outro destaque do jogo foi Alexander Barboza, que mostrou que se pode ser profissional dentro de campo e fora de campo, sem demagogias nem auto deslumbramentos.

De certo modo a ausência de Danilo libertou mais a equipe. O que Barboza tem mais, Danilo tem menos, isto é, Danilo parece-me vislumbrado com a sua súbita ascensão, Franclim Carvalho retirou-lhe aparentemente parte da criatividade ao colocá-lo em posição menos confortável em campo e Danilo parece ter ficado à beira de colapso criativo (dois maus jogos anteriores) e mental.

Boa sorte, Alexander Barboza! (menos contra o Botafogo). Crédito: Vitor Silva | Botafogo

A criação foi evidente com Montoro, Villalba e mesmo Santi Rodríguez, substituto de Montoro. Talvez Franclim tenha percebido onde Montoro deve ficar na equipe para retomar as suas qualidades, que Villalba – a quem tem colocado em segundo plano – é um dos melhores homens da frente e que pode jogar com Santi Rodríguez, ao contrário do que havia sentenciado – e finalmente que talvez perceba que Joaquín Corrêa seja, na melhor das hipóteses, reserva de reserva.

Kauan Toledo – uma ‘Jóia do Bairro’ – pode ser melhor solução do que Kadir, que me parece ainda não estar preparado para exibir cm conistência as suas melhores qualidades.

Ferraresi é titular absoluto na zaga, mas precisa de companhia melhor do que a de Bastos, que não tornou a ser o mesmo após cirurgia.

E, finalmente, esta foi uma partida para Franclim perceber que o tal Botafogo attack, attack, attack, não existe, que o equilíbrio é a melhor receita e que o modelo de jogo é outro, explorando futebol vertical, lançamentos longos e velocidade, sem perder de vista, evidentemente, uma melhor saída de bola para também urdir ataques com a bola rolando no gramado – e se não perceber isso arrisca-se a sair pela porta baixa.

FICHA TÉCNICA

Botafogo 3x1 Corinthians

» Gols: Arthur Cabral, aos 6’, 31’ e 69’ (Botafogo); Rodrigo Garro, aos 10’ (Corinthians)

» Competição: Campeonato Brasileiro

» Data: 17.05.2026

» Local: Estádio Olímpico Nilton Santos, no Rio de Janeiro (RJ)

» Público:15.841 pagantes; 17.556 espectadores

» Renda: R$ 656.210,00

» Árbitro: Felipe Fernandes de Lima (MG); Assistentes: Felipe Alan Costa de Oliveira (MG) e Celso Luiz da Silva (MG); VAR: Marco Aurelio Augusto Fazekas Ferreira (MG)

» Disciplina: cartão amarelo – Mateo Ponte, Cristian Medina, Arthur Cabral, Lucas Villalba, Alexander Barboza e Alex Telles (Botafogo) e Lingard (Corinthians)

» Botafogo: Neto; Mateo Ponte (Vitinho), Ferraresi, Alexander Barboza e Alex Telles; Huguinho, Cristian Medina (Justino) e Álvaro Montoro (Santi Rodríguez); Lucas Villalba (Edenílson), Arthur Cabral e Kadir (Kauan Toledo). Técnico: Franclim Carvalho.

» Corinthians: Hugo Souza; Matheuzinho, André Ramalho, Gustavo Henrique e Matheus Bidu; Raniele (André), Carrillo (Pedro Raul), Breno Bidon (Allan) e Rodrigo Garro (Dieguinho); Lingard (Kaio César) e Yuri Alberto. Técnico: Fernando Diniz.

domingo, 17 de maio de 2026

Retrospecto Botafogo x Corinthians (1923-2025)

Créditos: Elson Souto.

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

SÍNTESE DE TODOS OS JOGOS (1923-2025)

» 122 jogos, 51 vitórias, 28 empates e 43 derrotas; saldo de gols favorável em 177-172.

1º JOGO

Botafogo 3x4 Corinthians

» Gols: Luiz de Carvalho (2) e Nilo (Botafogo); De Maria (2), Peres II e Apparício (Corinthians)

» Competição: Amistoso

» Data: 14.04.1929

» Local: Estádio Alfredo Schürig (Fazendinha), em São Paulo (SP)

» Árbitro: João de Deus Candiota

» Botafogo: Pessoa, Otacílio e Rogério; Cotia, Aguiar e Pamplona; Ariza, Benedicto (Almir), Luiz, Nilo e Celso. Técnico: Charles Williams,

» Corinthians: Tuffy, Grané e Del Debbio; Nerino, Amador e Ribeiro; Apparício, Peres II, Rato, Rodrigues e De Maria. Técnico: Ângelo Rocco.

Fonte: www.meutimao.com.br.

ÚLTIMO JOGO

Botafogo 2x2 Corinthians

» Gols: Cuiabano, aos 60’, e Jordan Barrera, 66’ (Botafogo); Raniele, aos 6’, e Gustavo Henrique, aos 81’ (Corinthians)

» Competição: Campeonato Brasileiro

» Data: 30.11.2025

» Local: Neo Química Arena, em São Paulo (SP)

» Público: 37.599 pagantes; 37.959 espectadores

» Renda: R$ 2.694.558,50

» Árbitro: Jonathan Benkenstein Pinheiro (RS); Assistentes: Rafael da Silva Alves (RS) e Michael Stanislau (RS); VAR: Marco Aurélio Augusto Fazekas Ferreira (MG)

» Botafogo: Léo Linck; Mateo Ponte, Marçal, David Ricardo e Cuiabano; Newton (Allan), Marlon Freitas e Savarino (Álvaro Montoro, depois Santi Rodríguez); Artur, Kadir (Arthur Cabral) e Joaquín Correa (Jordan Barrera). Técnico: Davide Ancelotti.

» Corinthians: Hugo Souza; Matheuzinho, João Pedro Tchoca, Gustavo Henrique e Matheus Bidu (Angilieri); Raniele, Breno Bidon (Maycon), Carrillo (André) e Rodrigo Garro (Vitinho); Dieguinho (Gui Negão) e Yuri Alberto. Técnico: Dorival Júnior.

MAIOR GOLEADA DE SEMPRE NO CLÁSSICO

Botafogo 7x1 Corinthians

» Gols: Nilo (4), Carvalho Leite (2) e Paulinho (Botafogo); Bertone (Corinthians)

» Competição: Taça dos Campeões Rio-São Paulo de 1930

» Data: 06.05.1931

» Local: Estádio General Severiano, no Rio de Janeiro (RJ)

» Botafogo: Pedrosa, Benedicto e Otacílio; Pamplona, Martim e Canalli; Ariza, Paulinho, Carvalho Leite, Nilo e Celso.

» Corinthians: Clombo (Tuffy), Grané e Del Debbio; Leone, Guimarães e Munhoz; Filó, Napoli, Bertone, Rato e De Maria.

ÚLTIMOS 20 ANOS (2006-2025)

» 37 jogos, 15 vitórias, 11 empates e 11 derrotas; saldo de gols favorável em 51-46.

MAIOR GOLEADA DO CLÁSSICO NO PERÍODO 2006-2025

Botafogo 3x0 Corinthians

» Gols: Tiquinho Soares, aos 11’ e 64’ (pen.), e Eduardo, aos 80’

» Competição: Campeonato Brasileiro

» Data: 11.05.2023

» Local: Estádio Olímpico Nilton Santos, no Rio de Janeiro (RJ)

» Público: 22.388 espectadores

» Renda: R$ 1.189.130

» Árbitro: Anderson Daronco (RS); Assistentes: Bruno Boschilia (PR) e Jorge Eduardo Bernardi (RS); VAR: Igor Junio Benevenuto (MG)

» Disciplina: cartão amarelo – Victor Cuesta (Botafogo) e Fábio Santos e Gil (Corinthians)

» Botafogo: Lucas Perri; Di Placido, Adryelson, Victor Cuesta e Marçal; Marlon Freitas (Lucas Fernandes), Gabriel Pires (Tchê Tchê) e Eduardo; Júnior Santos (Luís Henrique), Tiquinho Soares (Janderson) e Victor Sá (Matías Segovia). Técnico: Luís Castro.

» Corinthians; Fagner, Gil, Murillo e Fábio Santos (Bruno Mendes); Roni, Maycon (Crystian Barletta) e Matheus Araújo (Giuliano); Adson (Wesley), Róger Guedes e Yuri Alberto. Técnico: Vanderlei Luxemburgo.

sábado, 16 de maio de 2026

Entre o céu e o inferno (III): dos ‘sutiãs’ vitoriosos de Carlos Roberto ao célebre Carrossel Alvinegro (2006-2008)

Arte: Iram Santos.

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

Em 2006 o Botafogo reforçou o seu plantel e trouxe um treinador bem nosso conhecido: Carlos Roberto, grande campeão pelo Glorioso (1967-1975, 442 jogos e 15 gols). O Botafogo iniciou, então, uma trajetória muito interessante no âmbito estadual, sagrando-se campeão da Taça Guanabara e do Campeonato Carioca.

O técnico introduziu o uso de coletes especiais nos treinos do Clube, técnica importada dos Emirados Árabes Unidos, que visava melhorar o rendimento dos atletas, monitorando o esforço físico e o desempenho durante as atividades. Embora os coletes com GPS sejam atualmente padrão no futebol, naquela época era um equipamento inovador, que gerou curiosidade e recolheu críticas – e a imprensa e os torcedores apelidaram os coletes de ‘sutiãs’.

Seja pelos coletes, seja por outras razões técnicas ou comportamentais, o certo é que, após vários anos, o Botafogo sagrou-se campeão da Taça Guanabara no dia 12 de fevereiro de 2006, ao vencer o América por 3x1, de virada, com gols de Scheidt, aos 58’, Dodô, aos 66’, e Zé Roberto, aos 78’. Sob o comando de Carlos Roberto, a equipe formou com Max, Ruy (Neném), Scheidt, Asprilla e Bill (Gláuber); Thiago Xavier, Diguinho, Lúcio Flávio e Zé Roberto; Marcelinho (Reinaldo) e Dodô. Técnico: Carlos Roberto.

Na final do campeonato estadual, disputado em duas mãos, o Botafogo defrontou o Madureira, no jogo de ida, no dia 2 de abril de 2006, vencendo por 2x0, com gols de Reinaldo aos 66’, e Joílson, aos 83’. O campeonato foi conquistado no dia 9 de abril de 2006, com nova vitória no jogo de volta sobre o Madureira por 3x1, gols de Dodô, aos 18’ e 48’, e Reinaldo, aos 80’. A equipe formou com Lopes; Ruy, Rafael Marques, Scheidt e Bill (Júnior César); Thiago Xavier (Ataliba), Dieguinho, Joílson (Gláuber) e Zé Roberto; Reinaldo e Dodô.

Campanha completa em https://mundobotafogo.blogspot.com/2011/05/botafogo-campeao-estadual-de-futebol.html

O homem do ‘sutiã’ / Colete Especial. Crédito: Ricardo Cassiano | Lancepress!

Seja devido ao estigma do ‘sutiã’, seja por outro motivo qualquer, o técnico Cuca sucedeu, ainda em maio de 2006, ao campeão Carlos Roberto.

No campeonato brasileiro a equipe classificou-se em 12º lugar, 12 pontos acima do Z4, 13 pontos abaixo do G4 e a 27 pontos do campeão, portanto, uma classificação sensivelmente a meio da tabela.

Cuca chegou com fama de montar bons elencos e efetivamente o futebol do Botafogo alegrou-se, jogando ofensivamente e encantando os torcedores logo no 1º semestre de 2007. A imprensa passou a designar a equipe botafoguense por ‘Carrossel Alvinegro’, no entanto houve quatro ‘poréns’ que impediram Cuca e o Botafogo de celebrarem títulos como o Campeonato Brasileiro, a Copa do Brasil e o Campeonato Estadual.

Em primeiro lugar, as arbitragens claramente contra o Botafogo e, em seguida, o descalabro psicológico após o doping de Dodô, os pesadelos fatalistas de Cuca (reconhecidos pelo próprio) e uma grande fragilidade em matéria de esquema defensivo. Questionado sobre este último, Cuca respondeu que montar um esquema defensivo era fácil, difícil era montar um ataque criativo – e Cuca entendeu não começar pelo que considerava ser mais fácil e essencial, focando-se no ataque e tomando muitos gols, por exemplo, em empates de 4x4, 3x3 e vários pelo placar de 2x2. O ‘Carrossel Alvinegro’ só contava do meio campo para a frente e esse foi um grande óbice que contribuiu para facilitar a vida a quem não nos queria ver ganhar.

Deve-se ainda referir que Bebeto de Freitas era desafeto, por um lado, da oligarquia que dominava, e ainda domina, o Botafogo FR e, por outro lado, desafeto da Federação de Futebol do Rio de Janeiro porque ‘bateu de frente’ com as bizarrias dos cartolas dentro e fora do Botafogo – o que, no caso dos cartolas externos, teve consequências na postura das arbitragens.

Logo em 2007 sentiu-se esse impacto. O Botafogo conquistou a Taça Rio no dia 22 de abril de 2007, vencendo a Cabofriense por 3x1 no 2º jogo da decisão (após empate por 2x2 no 1º jogo), gols de Túlio, aos 11’, Dodô, aos 13’, e Zé Roberto, aos 19’, tendo a equipe, comandada por Cuca, formado com Júlio César; Joílson, Alex, Juninho e Luciano Almeida; Túlio, Leandro Guerreiro e Lúcio Flávio (Dieguinho) e Zé Roberto (Juca); Jorge Henrique (André Lima) e Dodô.

Campanha completa em https://mundobotafogo.blogspot.com/2011/05/botafogo-campeao-da-taca-rio-2007.html

Vencendo a Taça Rio, o Botafogo qualificou-se para a final do Campeonato Estadual. Estavam decorridos 89’ da final disputada entre Botafogo e Flamengo, empatados por 2x2, quando Dodô arrancou um belíssimo remate em posição legal e balançou as redes adversárias, selando muito provavelmente o resultado final da partida. Eis que o bandeirinha Hilton Moutinho assinalou impedimento e Djalma Beltrami imediatamente confirmou – e ainda expulsou Dodô sob o pretexto que rematara já depois do apito do árbitro, desfalcando a equipe para a disputa de pênaltis. O jogo foi então a pênaltis e o Botafogo perdeu. O árbitro e o bandeirinha pediram desculpa na semana seguinte pelo erro escandaloso, mas não consta que o Troféu tenha sido posteriormente entregue ao Botafogo.

Equipe campeã. Crédito: Reprodução.

Após esse escândalo ‘lavado’ pela imprensa, que comemorou intensamente a vitória vergonhosa do seu protegido, o Botafogo chegou às semifinais da Copa do Brasil e foi eliminado pela bandeirinha Ana Paula Oliveira que invalidou dois gols legítimos do Botafogo, que lhe deram a classificação à final. Posteriormente AP Oliveira disse ‘cobras e lagartos’ sobre o caso e ainda em 2021 negou que tivesse prejudicado o Botafogo.

Finalmente, em 2024, 17 anos depois do ocorrido, reconheceu que se tinha ‘equivocado’ num lance, mas na verdade equivocou-se em dois lances, como reconheceu a imprensa, aproveitando ainda para afirmar que foi o Botafogo que lhe retirou o escudo FIFA – novo ‘equívoco’, porque o que aconteceu foi AP Oliveira ter sonegado ao Botafogo a final da Copa do Brasil de 2007.

Ainda assim, o ‘Carrossel Alvinegro’ continuou a carburar a alta velocidade e a equipe liderou o Brasileirão na 4ª rodada e da 6ª à 16ª rodada (12 rodadas no total), mas, a 9 de julho, o influente atacante e principal estrela do Botafogo, Dodô, foi suspenso por doping, do qual nunca se conseguiu determinar exatamente como ocorreu – sabendo-se apenas que o origem não partiu do Clube.

Como Cuca tinha contra si as suas reconhecidas obsessões fatalistas, não conseguiu controlar a equipe focando-a nos objetivos, o Botafogo perdeu imediatamente o jogo seguinte, descambou na classificação geral e a 5 de agosto perdeu definitivamente a liderança e terminou o campeonato em 9º lugar.

Entretanto, o Botafogo ganhou finalmente direito à concessão do Engenhão por 30 anos, passando a realizar aí os seus jogos até à atualidade, constituindo uma extraordinária conquista, tanto estrutural como de melhoria das condições de trabalho.

A estreia no Engenhão, tendo o Botafogo como ‘dono’, ocorreu no dia 19 de setembro de 2007 pela Copa Sul-americana, tendo o Botafogo vencido o River Plate por 1x0 no jogo de ida. No jogo de volta na Argentina a equipe vencia por 2x1 e parecia classificada. Cuca recuou a equipe para segurar com mais tranquilidade a vitória e nos últimos 15 minutos o River fez 3 gols e classificou-se às quartas-de-final. Os torcedores, emocionalmente atordoados, acusaram os atletas de terem ‘saltos altos’, mas o que ocorreu realmente foi uma opção tática equivocada. Cuca demitiu-se extemporaneamente, Mário Sérgio assumiu o cargo, mas Cuca arrependeu-se, continuou na imprensa a minar a equipe que entretanto era derrotada em campo e Mário Sérgio demitiu-se desgastado 8 dias depois de ser empossado – e Bebeto de Freitas reempossou Cuca como técnico.

No ano seguinte, em 24 de fevereiro de 2008, na final da Taça Guanabara, contra o Flamengo, o árbitro Marcelo de Lima Henrique assinalou um pênalti inexistente de Ferrero em Fábio Luciano, a favor do rubro-negro, quando o Glorioso vencia por 1x0. A confusão estabeleceu-se, Souza e Zé Carlos foram expulsos e Lúcio Flávio seguiu o mesmo caminho, permitindo-se assim ao Flamengo fazer a virada e conquistar a competição. No final, Bebeto de Freitas, Cuca e Túlio apresentaram-se à imprensa condenando mais uma arbitrariedade da equipe do ‘flapito’, e os flamenguistas, sem nenhum pudor e de modo a branquearem a injusta vitória, cunharam essa apresentação como ‘chororô’, sabendo os botafoguenses que os flamenguistas (dirigentes e jogadores) são os verdadeiros chorões, na medida em que por tudo e por nada apelam à proteção dos árbitros e os pressionam.

O arquiteto do Carrossel Alvinegro. Fonte: O Globo

Bebeto de Freitas chorou, sim, mas de tristeza pelo futebol: – “No Rio imperam pessoas que não têm a menor vontade de que o futebol carioca cresça, que saia de campo com um campeão digno.” E autossuspendeu-se desgastado, regressando mais tarde.

No dia 20 de abril de 2008 os atletas do Botafogo foram bicampeões da Taça Rio, vencendo o Fluminense por 1x0, gol de Renato Silva, aos 84’, apesar de novas expulsões de dois botafoguenses (Alessandro e Jorge Henrique), tendo a equipe, comandada por Cuca, formado com Castillo; Alessandro, Renato Silva, André Luís e Triguinho (Túlio Souza); Túlio (Leandro Guerreiro), Diguinho, Lúcio Flávio e Zé Carlos (Fábio); Jorge Henrique e Washington Paulista.

Campanha completa em https://mundobotafogo.blogspot.com/2011/05/botafogo-bicampeao-da-taca-rio-2008_30.html

Se o Botafogo não tivesse sido espoliado da Taça Guanabara, ao vencer a Taça Rio sagrava-se campeão carioca direto sem necessidade de final – e nas finais do campeonato, ainda temerosos das arbitragens favoráveis ao rival da Gávea, quer Cuca, quer os atletas, foram excessivamente cuidadosos e Joel Santana, técnico do Flamengo, não perdoou e fez alterações táticas durante os jogos que se mostraram vitoriosas.

Em maio de 2008, ainda mais degastado pelas peripécias em que se envolvera, Cuca demitiu-se após a derrota do Botafogo por pênaltis nas semifinais da Copa do Brasil contra o Corinthians.

Estava-se a poucos meses do fim do 2º mandato de Bebeto de Freitas, que acabou também por sair desgastado com os ataques políticos internos da oligarquia, acusando-o de centralizador, nepotista e, já depois da sua saída, de se ter apropriado de um broche presidencial – o que simplesmente se desenhava, aos olhos de muitos, como ataque à imagem futura do presidente que resgatou a honra e o prestígio que o Botafogo perdera com diretorias anteriores.

Entre 2006 e 2008 o Botafogo conquistara um Campeonato Carioca (2006), 2 Taças Rio e 1 Taça Guanabara; foi vice-campeão carioca em 2007 e 2008 (na verdade, tricampeão carioca se não fosse o ‘flapito’) e vice-campeão da Taça Guanabara (2008).

A verdade que não consta nas estatísticas do futuro é que nesse período foi o Botafogo, e não o Flamengo, quem tomou as rédeas do futebol carioca com a criatividade atacante do ‘Carrossel Alvinegro’ de Cuca – independentemente das peripécias narradas.

Bebeto de Freitas deixou o Clube desportivamente redimido, as finanças estabilizadas e um estádio olímpico magnífico para os treinos, para os jogos e para faturação de grandes receitas a entidades que no Engenhão realizavam diversos eventos.

Fontes principais: ge.globo.com; maisfutebol.iol.pt; mundobotafogo.blogspot.com; www.correiobraziliense.com.br; www.espn.com.br

sexta-feira, 15 de maio de 2026

Voz de Thiago Pinheiro

Elaborado por Mundo Botafogo.

«No futuro, o Botafogo será o tema de uma disciplina em cada curso de direito no Brasil.» – @othiagopinheiro.

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Crédito: Vitor Silva | Botafogo por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo Ir do Inferno ao Céu entre quarta e domingo é algo a que incriv...