sexta-feira, 14 de agosto de 2026

A estreia de Didi 'Mr. Football' e a chegada do herdeiro Gérson ‘Canhotinha de Ouro’

Quinteto de ataque em raro cruzamento de duas gerações de craques botafoguenses que foram campeões mundiais: Garrincha, Gérson, Didi, Jairzinho e Roberto Miranda. Blog do Roberto Porto.

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

Didi, de seu nome completo Waldir Pereira, nasceu no dia 8 de outubro de 1928, em Campos do Goytacazes, e faleceu no dia 12 de maio de 2011, no Rio de Janeiro.

Disputou 313 jogos pelo Botafogo, marcou 114 gols, foi tricampeão carioca (1957, 1961, 1962), campeão do Torneio Rio-São Paulo (1962) e bicampeão mundial pelo Brasil (1958, 1962).

Desfilando classe e elegância, o “Mr. Football” estreou pelo Botafogo no dia 11 de março de 1956, no Estádio Godofredo Cruz, em Campos de Goytacazes (RJ), no amistoso estadual vencido pelo Botafogo por 2x1 defrontando o Americano F.C.

João Carlos inaugurou o marcador aos 33’, e Didi, aos 52’, fez o gol da vitória do Botafogo, enquanto Fubá descontou para o Americano aos 80’, sob a arbitragem de Reinaldo Senra.

O Botafogo alinhou com Pereyra Natero; Orlando Mais, Domício e Nilton Santos; Bob e Pampolini; Garrincha, Didi, Alarcon, João Carlos e Rodrigues, sob o comando de Zezé Moreira.

O Americano alinhou com Luís Fernando; Jorge Ramos e Naime; Marreca, Cicinho e Nilton; Fubá, Chiquinho, China, Zuza e Arturzinho.

A soberba contratação de Didi ao Fluminense inscreveu-se nas importantes decisões que o presidente Paulo Azeredo levou a cabo a partir de 1954 para renovar a equipe e gerar o mais longo e brilhante período do futebol Botafoguense.

O segundo momento que gerou a continuidade da época gloriosa foi a contratação de Gérson, o canhotinha de ouro, em 1963, decisão que aliada ao excelente trabalho de base dos juniores (á época designados por juvenis), o qual revelou novos craques, culminou na conquista do Torneio Rio-São Paulo em 1962 e 1964, do Bi-Bi de 1967-68 e da Taça Brasil em 1969, além do contributo essencial dos atletas botafoguenses para a conquista da Copa do Mundo de 1970.

Gérson de Oliveira Nunes, nascido no dia 11 de janeiro de 1941, em Niterói, foi o herdeiro de Didi, tendo sido contratado numa situação meio extravagante na qual Gérson se desentendeu com Flávio Costa e o presidente do Flamengo, recusando-se a continuar envergando a camisa rubro-negra, ocorrência aproveitada por Quarentinha e Renato Estelita para que o Botafogo contratasse o craque por 150 milhões de cruzeiros.

Ler o episódio rocambolesco da chegada de Gérson ao Botafogo em https://mundobotafogo.blogspot.com/2008/05/contratao-de-grson-o-canhotinha-de-ouro.html

Didi e Gérson foram os estrategistas cruciais dos esquadrões gloriosos de 1957-1969.

Botafogo 1x6 Cienciano: tenebroso e inaceitável!

FICHA TÉCNICA

Botafogo 1x6 Cienciano

» Gols: Matheus Martins, aos 48’ (Botafogo); Succar, aos 17’, 29’ e 78’, Bandiera, aos 19’e 61’, e Martinich, aos 34’ (Cienciano)

» Data: 13.08.2026

» Local: Inca Garcilaso de la Veja

» Árbitro: Augusto Aragón (Equador); Assistentes: Christian Lescano (Equador) e Mauricio Lozada (Equador); VAR: Franklin Congo (Equador)

» Disciplina: cartão amarelo – Justino (Botafogo) e Robles (Cienciano)

» Botafogo: Warleson; Mateo Ponte, Ferraresi, Justino e Marçal (Alex Telles); Huguinho, Cristian Medina (Edenílson), Danilo (Santi Rodríguez) e Álvaro Montoro (Kauan Toledo); Matheus Martins e Kadir (Arthur Cabral). Técnico: Franclim Carvalho.

» Cienciano: Espinoza; Cabello, Amondarain, Becerra e Martinich; Barreto (Aguirre), Juan Romagnoli (Robles) e Hohberg; Succar, Bandiera (Caparó) e Cristian Souza (Sandoval). Técnico: Horácio Melgarejo.

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Mundo Botafogo: 10 mihões de visitas

O Mundo Botafogo alcançou 10 000 000 de visitas (contagem efetuada a partir de 01.07.2010 até à atualidade, embora tenha sido criado no dia 08.12.2007) e o editor lembrou-se de recorrer a uma ‘entidade independente’, com a seguinte questão:

– Como caracterizas o blog Mundo Botafogo?

Eis a resposta da Inteligência Artificial:

O blogue Mundo Botafogo caracteriza-se como um blogue independente, enciclopédico e assumidamente afetivo, dos mais antigos, completos e consistentes espaços independentes dedicados não apenas à atualidade futebolística, mas à preservação da memória e da identidade do Botafogo de Futebol e Regatas.

O seu principal traço distintivo é a amplitude da cobertura. Ao contrário de muitos espaços dedicados quase exclusivamente à equipa principal de futebol, acompanha modalidades como basquetebol, remo, futsal, futebol de formação, futebol feminino, futebol de praia, futevôlei, canoagem, artes marciais e vôlei de praia. Registra títulos, classificações, resultados, datas, locais e atletas, funcionando frequentemente como um arquivo informal da dimensão multidesportiva do clube.

É também um blogue de memória histórica. Publica biografias de jogadores, recordações de torneios antigos, retrospectos entre equipas, campanhas completas, documentos, fotografias, excertos de obras ainda não publicadas e textos sobre figuras menos conhecidas da história botafoguense. O arquivo remonta a 2007, tendo o blogue assinalado 18 anos de existência em dezembro de 2025 e publicado muitos milhares de postagens, tornando-se uma verdadeira base de dados sobre o clube.

O editor afirma repetidamente que o blogue nunca aceitou publicidade nem patrocínios, privilegiando uma missão de divulgação da história do Botafogo em vez de interesses comerciais.

O tom editorial é claramente botafoguense e interventivo, não procurando uma neutralidade jornalística convencional. Ruy Moura apresenta-se como editor e declara uma “paixão incomensurável” pelo clube. Nos textos de análise, combina resultados e estatísticas com apreciações pessoais sobre jogadores, treinadores, gestão e decisões do clube. Uma resenha da época de 2025, por exemplo, sistematiza jogos, golos e aproveitamento dos treinadores, mas termina com juízos críticos e manifestações explícitas de esperança e preocupação de adepto.

Há ainda uma componente cultural e literária que ultrapassa o desporto: crônicas, textos sobre língua portuguesa, tatuagens, quotidiano, humor, literatura e reflexões sociais, alguns assinados por colaboradores como Lúcia Senna. Por isso, o nome Mundo Botafogo é adequado: o clube aparece como centro de uma comunidade afetiva e cultural, e não apenas como objeto de informação desportiva.

Em termos críticos, considero que os seus pontos fortes são a extraordinária riqueza e continuidade do arquivo; a atenção às modalidades e aos escalões pouco acompanhados pela imprensa; o registro minucioso de resultados e conquistas; a preservação da memória e da cultura botafoguenses; uma voz autoral reconhecível e genuína.

Em termos de estilo, o Mundo Botafogo aproxima-se mais de um arquivo histórico comentado do que de um portal de notícias. Quem procura acompanhar rumores de mercado ou notícias em tempo real encontrará opções mais adequadas; quem pretende conhecer a identidade, os grandes jogadores, os momentos marcantes e a evolução institucional do Botafogo encontrará ali um acervo de referência.

Em suma, o Mundo Botafogo é mais uma hemeroteca digital, enciclopédia afetiva e espaço de intervenção botafoguense. A sua identidade resulta da combinação entre rigor de colecionador, memória histórica, militância clubística e produção cultural, podendo ser caracterizado como um blogue de referência sobre a história e a memória do Botafogo, com uma linha editorial independente, documental e de preservação do patrimônio do clube.

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

122 anos de futebol botafoguense: o nascimento, os sublimes detalhes e o baú do tataravô

Flávio Ramos sentado à frente e segundo a partir da esquerda. Fonte: Foto melhorada por IA com base na obra de CASTRO, Alceu Mendes de Oliveira (1951), O Futebol no Botafogo (1904-1950), Rio de Janeiro: Gráfica Milone.

[Nota preliminar: as citações refletem rigorosamente a ortografia utilizada na época, não a ortografia atual.]

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

Em 1904, uma década após a fundação do Club de Regatas, nasce o Botafogo Football Club a partir de uma simples ideia de rapazes do Largo dos Leões, no qual ficava o Colégio Alfredo Gomes. Durante a aula de matemática do 4º ano do professor General Júlio Noronha, Flávio Ramos, então com 15 anos, escreveu e, conforme relatado por Alceu Castro (1951: 13), entregou um bilhete a Emmanuel Sodré, entretanto interceptado pelo General, dizendo:

O Itamar tem um clube de futebol que joga na rua Martins Ferreira. Vamos fundar outro no Largo dos Leões? Podemos falar aos Werneck, ao Arthur César, ao Vicente, ao Jacques.”

Emmanuel não respondeu logo, mas entusiasmou-se e fora dado o primeiro passo para o nascimento do Glorioso. Flávio Ramos movimenta vários rapazes e na tarde de sexta-feira de 12 de Agosto de 1904, o clube foi fundado para a prática do futebol por um grupo de rapazes entre os 14 e os 15 anos, reunidos no “chalet do velho casarão em ruínas do Conselheiro Gonzaga, que fazia a esquina da rua Humaitá com o Largo dos Leões, bem em frente à estação de bondes, (…) cedido aos jovens desportistas por D. Chiquitota, avó de Flávio, grande amiga e verdadeiramente mãe do clube nascente” (Castro, 1951: 15).

A mensalidade foi de 2$000 e os recibos correspondiam a talões de um extinto clube de pedrestianismo, o Electro Club, que por essa razão foi o primeiro nome dado ao clube. Porém, o nome foi logo alterado para Botafogo Football Club, em 18 de Setembro de 1904, devido ao nome do bairro. A avó de Flávio, Francisca Teixeira Leite, conhecida por D. Chiquitota, sabendo do nome do clube espantou-se e disse:

Morando onde moram, o clube de vocês só pode se chamar Botafogo!”.

Decidido o nome, foi escolhido e aclamado por unanimidade o uniforme, que recaiu sobre as listas verticais pretas e brancas, após sugestão de Itamar Tavares, que estudara em Itália e torcia pela Juventus, cujas cores eram precisamente o preto e o branco – e que coincidiam com as cores do Club de Regatas Botafogo.

Francisca Teixeira de Oliveira, Dona Chiquitota. Crédito: Acervo de seu tetraneto, feita entre 1894 e 1909.

As primeiras camisas oficiais foram feitas pela firma inglesa Benetfink & Co. Ltd.; o escudo de 1904 do Botafogo Football Club foi desenhado a nanquim por um de seus fundadores, Basílio Viana Júnior; a primeira bandeira do Botafogo Football Club foi bordada por Ruth, Hilda, May, Leah e Miriam, irmãs de Edwin Hime, que em 1908 seria Presidente do Botafogo.

Os fundadores do clube foram Álvaro Cordeiro da Rocha Werneck, Arthur César de Andrade “Tutú”, Augusto Paranhos Fontenelle “Zingo”, Basílio Vianna Júnior, Carlos Bastos Neto, Emmanuel de Almeida Sodré, Eurico Parga Viveiros de Castro, Flávio da Silva Ramos, Jacques Raymundo Ferreira da Silva, Lourival Camargo da Costa, Octávio Cordeiro da Rocha Werneck e Vicente Licínio Cardoso.

Alceu Castro relata novamente os primeiros tempos daquele clube de rapazes:

O primeiro campo do BOTAFOGO foi a via pública, aquele mesmo Largo dos Leões, com suas magestosas palmeiras imperiais servindo de balisas. E foi-se o socego dos seus pobres moradores, com as janelas partidas pelas porfiadas pelejas” (Castro, 1951: 14).

A 2 de Outubro o Botafogo estreou-se perdendo por 3x0 para o Football and Athletic Club, mas as vitórias não tardariam a surgir. O Botafogo alinhou com Flávio Ramos, Victor Faria e João Leal; Basílio Vianna, Octávio Werneck e Adhemaro Delamare; Norman Hime, Itamar Tavares, Álvaro Soares, Ricardo Rêgo e Carlos Bittencourt. Segundo relato de Castro (1951:15), as recordações mais pitorescas desse desafio foram as meias cor de abóbora de Flávio e a atitude do Barão de Werneck – pai de Octávio e Álvaro – que assistiu ao jogo de guarda-sol aberto.

O jogo seguinte com o Internacional F. C. terminou com um empate de 0x0, tendo sido realizado na Rua Conde de Irajá, sob a arbitragem de Athos Duque Estrada. O Botafogo alinhou com Álvaro Werneck, Waldemar Bandeira e Júlio Werneck; Júlio Roltgren, Flávio Vieira e Oswaldo Jacintho; Ricardo Rego, Augusto Fontenelle “Zingo”, Arthur César, Mendes Campos e Mário Costa. O Internacional alinhou com Paulo Mattos, Adhemaro de Lamare e Waldemar Pereira da Cunha; Mário Figueiredo, José Figueiredo e Alfredo Guedes de Mello; Carlos Bittencourt, Leite Ribeiro, Eurico Parga Viveiros de Castro, Emmanuel de Almeida Sodré e Rolando de Lamare.

Escudo desenhado a nanquim por Basílio Viana Júnior, um dos fundadores do Clube, em fundo branco, contorno preto e monograma BFC ao centro, inspirado em um escudo suíço. Reprodução Internet.

Logo a seguir, a 21 de Maio de 1905, registou-se a primeira vitória por 1x0 sobre o Petropolitano Football Club, com gol de Flávio Ramos. Na primeira vitória do Botafogo participaram Álvaro Werneck, João Leal e Raul Barreto Maranhão; Waldemar Pereira da Cunha, Octávio Werneck e Adhemaro de Lamare; Carlos Bittencourt, Alexandre Mayo, Octávio Pereira da Silva Tupin’, Flávio Ramos e Itamar Tavares.

Entretanto, a desforra contra o Athletic aconteceu em 4 de Junho do ano seguinte e o Botafogo venceu por 2x1, com gols de Flávio Ramos e Luiz Pederneira. O jogo decorreu na Rua Conde de Irajá e o Botafogo alinhou com Álvaro Werneck, João Leal e Octávio Werneck; Adhemaro de Lamare, Pereira da Cunha e Luiz Pederneiras; Normann Hime, Eduardo Pederneiras, Flávio Ramos, Arthur César e Emmanuel Sodré. Gols: Flávio Ramos e Luiz Pederneiras. Logo após, o Botafogo esteve presente no primeiro campeonato carioca de 1906 e travou com o Fluminense o primeiro clássico do futebol brasileiro que viria a ser designado por ‘clássico vovô’, sendo goleado por 8x0 em circunstâncias absolutamente desfavoráveis.

Em partidas para o campeonato carioca, a primeira vitória do Botafogo foi contra o Bangu no encontro seguinte, vencendo por 1x0 quer no jogo de 1ºs quadros quer no de 2ºs quadros. No jogo principal, o gol do Botafogo foi assinalado por Gilbert Hime no 1º tempo e a equipa actuou assim: Álvaro, Octávio e João Leal; António Rodrigues, Raul e Bernaud; Norman, Flávio, Ataliba, Gilbert e Rolando de Lamare. No jogo de 2ºs quadros, o gol do Botafogo foi assinalado por Viveiros de Castro de penalty no 1º tempo e a equipa actuou assim: Gastão, Adhemaro e António Teixeira; Waldemar, Viveiros e Faro; Júlio, Henrique, Ricardo, A. César e Emanuel.

Entretanto, o Botafogo conquista títulos logo em 1906.

O primeiro título carioca de futebol pertenceu ao Botafogo e foi obtido nos 2ºs quadros, cujo campeonato terminou antes do campeonato dos 1ºs quadros e, por isso, o Botafogo sagrou-se o primeiro campeão carioca de futebol através da seguinte campanha: 2x5 Fluminense, 1x0 Bangu, 6x1 Rio Cricket, 1x0 Football & Athletic, 2x1 Bangu; _x_ Football & Athletic (vitória por não comparência), 3x1 Fluminense, 3x0 Rio Cricket. O Botafogo actuou com a seguinte equipa base: Fairbairn; Adhemaro e Antônio; Paulino, Ricardo e Zingo; Júlio, Henrique, Rolando de Lamare, Arthur Cesar e Emmanuel Sodré.

Exemplar da bandeira do Botafogo Football Club à direita, bordada por Ruth, Hilda, May, Leah e Miriam, irmãs de Edwin Hime, no dia da fusão do CR Botafogo e do Botafogo FC em Botafogo de Futebol e Regatas. Foto melhorada por IA com base na obra de CASTRO, Alceu Mendes de Oliveira (1951), O Futebol no Botafogo (1904-1950), Rio de Janeiro: Gráfica Milone.

Em 1906, o Botafogo também obteve o seu primeiro troféu nos 1ºs quadros. O clube foi convidado a disputar o Troféu Elihu Root, em São Paulo, cuja designação pretendia homenagear o Secretário de Estado americano de passagem pelo Brasil. Em jogo único, o Botafogo venceu a Selecção de São Paulo por 2x1, com gols de Flávio Ramos e Gilbert Hime. A equipa actuou com: Álvaro Werneck, João Leal e Barreto Maranhão; Pereira da Cunha, Octávio Werneck e Adhemaro Delamare; Carlos Bitencourt, Alexandre Mayo, Tupin, Flávio Ramos e Ithamar Tavares.

Entretanto, o primeiro título não demoraria, apesar de o Fluminense ser considerado ‘imbatível’. O título chega em 1907, mas devido a um enorme quiproquó, Botafogo e Fluminense terminaram empatados e não houve jogo decisivo por recusa do Fluminense, tendo o assunto sido resolvido na década de 1990 com a atribuição do título a ambos os clubes.

O primeiro título absolutamente inquestionável surgiu com a grande conquista do Campeonato de 1910 sobre o Fluminense, tendo o Botafogo sido designado por ‘Glorioso’ devido às sucessivas goleadas que impôs durante toda a campanha.

Até ao ano da fusão dos dois Botafogos do bairro, o Botafogo Football Club percorreria uma trajectória de glórias e conquistou oito campeonatos cariocas. Além dos campeonatos de 1907 e 1910, venceu em 1912, 1930, 1932, 1933, 1934 e 1935 (tetracampeão do Rio), e ainda conquistou o Torneio Interestadual de 1931 e o Torneio Início em 1934 e 1938.

Em 2003, um rapaz de 17 anos encontrou um baú do tataravô que continha jornais, revistas, fotos, flâmulas e mesmo uma gravata em preto e branco. Aquilo pertencera a John Moore, que com 92 anos de idade assistira pela última vez a um título do Botafogo, precisamente em 1968 quando o clube venceu o Vasco da Gama por 4x0 na decisão do campeonato carioca. Esse “velhinho” era, nem mais nem menos, ‘Mister John’, um inglês que dava aulas no Colégio onde Flávio passara o bilhete a Emmanuel e que naquela tarde de Agosto de 1904 ouvira o General Noronha contar o episódio do ‘bilhetinho’ [Casé, em Casé e Falcão, 2006: 22].

A paixão súbita de ‘Mister John’, que durou 64 longos anos, foi o prenúncio de que o clube dos rapazes atingiria a celebridade num ápice e tornar-se-ia uma potência do futebol brasileiro.

Fontes principais: AUGUSTO, Sérgio (204), Botafogo – Entre o Céu e o Inferno, Rio de Janeiro: Editora Ediouro; CASÉ, Rafael; FALCÃO, Roberto (2004), 100 Anos Gloriosos – Almanaque Centenário do Glorioso, Rio de Janeiro: Areté Editorial; CASTRO, Alceu Mendes de Oliveira (1951), O Futebol no Botafogo (1904-1950), Rio de Janeiro: Gráfica Milone; MESQUITA, Alexandre; ALMEIDA, Jefferson (2006), Clássico Vovô, Rio de Janeiro: Barra Print.

A estreia de Didi 'Mr. Football' e a chegada do herdeiro Gérson ‘Canhotinha de Ouro’

Quinteto de ataque em raro cruzamento de duas gerações de craques botafoguenses que foram campeões mundiais: Garrincha, Gérson, Didi, Jairzi...