quarta-feira, 17 de junho de 2026

Copa do Mundo de 1966: o cachorro Pickles, o ‘Diamante Negro’ Eusébio e a nova final polêmica

Cartaz da Copa do Mundo de 1966. Crédito: Reprodução.

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

A Copa do Mundo de 1966, disputada em Inglaterra, ficou marcada pela primeira vitória inglesa na competição mundial, pela afirmação de Eusébio como artilheiro da Copa, pela campanha histórica de Portugal, pela surpresa da Coreia do Norte e por uma das finais mais discutidas da história do futebol. A Copa decorreu entre 11 e 30 de julho de 1966, com 16 seleções, 32 jogos e 89 golos.

O grande acontecimento foi indiscutivelmente a vitória da Inglaterra, orientada por Alf Ramsey, que derrotou a Alemanha Ocidental por 4x2 após prolongamento, no Estádio de Wembley. Foi o primeiro título mundial inglês e continua a ser o único da sua história.

A final teve enorme carga simbólica porque se jogava em Wembley, perante cerca de 97 mil espectadores, com a entrega da Taça Jules Rimet pela Rainha Isabel II. A Inglaterra transformou esse jogo num momento fundador da sua memória futebolística.

A final começou com golo alemão de Helmut Haller, mas Geoff Hurst empatou ainda na primeira parte. Já perto do fim, Martin Peters colocou a Inglaterra em vantagem, mas Wolfgang Weber fez o 2x2 no último minuto, levando o jogo para prorrogação.

Na prorrogação surgiu a grande controvérsia: um remate de Geoff Hurst bateu no travessão, ressaltou em cima da linha da meta, não a ultrapassando totalmente, e o árbitro apitou para escanteio. Todavia, perante os festejos de gol dos ingleses, o árbitro suíço Gottfried Dienst foi consultar o assistente soviético Tofiq Bahramov e o gol foi validado. A fortíssima dúvida sobre se a bola ultrapassou totalmente a linha tornou-se uma das discussões mais persistentes da história dos Mundiais, mas… a final disputava-se em Inglaterra...

Hurst ainda marcou o quarto gol inglês, completando um feito raríssimo: tornou-se o primeiro jogador a marcar um hat-trick numa final da Copa do Mundo.

Para Portugal, 1966 foi uma edição absolutamente histórica. Na sua primeira participação num Mundial, a Seleção Portuguesa terminou em 3º lugar, a melhor classificação de sempre do país na competição. O grande protagonista foi Eusébio, apelidado de ‘Diamante Negro’, que terminou como artilheiro do torneio, com 9 gols.

Eusébio marcou golos decisivos, liderou a equipa nos momentos mais difíceis e tornou-se uma das figuras centrais do futebol mundial. A prestação em Inglaterra consolidou a sua dimensão internacional e fez da seleção portuguesa uma das equipas mais marcantes da competição.

Gol de Eusébio contra a Coreia do Norte (colorizado). Fonte: https://maisfutebol.iol.pt

Uma das grandes peripécias do Mundial aconteceu nos quartas-de-final, em Goodison Park, na cidade de Liverpool: Portugal venceu a Coreia do Norte por 5x3, depois de estar perdendo por 3x0.

A Coreia do Norte surpreendeu tudo e todos ao marcar três golos a Portugal com apenas 25’ de jogo. Depois, Eusébio assumiu o jogo e marcou quatro gols, conduzindo Portugal a uma reviravolta extraordinária; José Augusto marcou o quinto. Este jogo ficou como uma das recuperações mais célebres da história de Copas do Mundo.

Antes desse jogo com Portugal, a Coreia do Norte já tinha protagonizado uma das maiores surpresas da competição ao vencer a Itália por 1x0 na fase de grupos, resultado que eliminou os italianos e colocou os norte-coreanos nos quartas de final.

Foi um choque para o futebol europeu. A Itália, uma potência histórica, caiu perante uma seleção quase desconhecida no cenário internacional. Esse resultado continua a ser recordado como uma das maiores surpresas da história dos Mundiais.

Portugal encontrou a Inglaterra nas semifinais, em Wembley. A equipa portuguesa perdeu por 2x1, com dois golos de Bobby Charlton para os ingleses e um golo de Eusébio, de grande penalidade, para Portugal. Apesar da derrota, Portugal ainda venceu a União Soviética por 2x1 no jogo do terceiro lugar e terminou no pódio.

Essa campanha teve enorme importância histórica: Portugal passou de estreante a uma das seleções mais admiradas da competição, com um futebol tecnicamente forte e com Eusébio como referência maior.

A Copa não foi isenta de peripécias curiosas. O argentino Antonio Rattín foi o primeiro atleta a ser expulso num jogo de seleções em Wembley porque o árbitro alemão Rudolf Kreitlein não gostou da forma como ele o olhou nos olhos. Rattín sentou-se junto à linha lateral e levou 10 minutos a sair de campo, escoltado pela polícia. Este incidente levou a FIFA a instaurar os cartões amarelo e vermelho, que começariam em 1970, para facilitar a comunicação entre árbitros e jogadores que falassem idiomas diferentes.

A Copa de 1966 também teve a primeira mascote da competição, o leão Willie, mas a peripécia mais curiosa ocorreu antes do início da competição. A Taça Jules Rimet foi roubada em Londres, em março de 1966, durante uma exposição filatélica. Dias depois foi encontrada embrulhada em jornal, por um cão chamado Pickles, durante um passeio com o seu dono, em South London.

Pickles, o cachorro que achou a Taça Jules Rimet. Fonte: Facebook Sports Directory.

O episódio tornou-se lendário: antes de a bola começar a rolar, o Mundial já tinha uma história de mistério, polícia, imprensa e um cão transformado em herói nacional.

Pickles virou celebridade, ganhou prêmios monetários, programas de televisão e comida gratuita por um ano. Morreu tragicamente no ano seguinte estrangulado acidentalmente pela coleira quando perseguia um gato. A coleira que usava quando encontrou o troféu está em exposição no National Football Museum, em Manchester.

Tal como em 1962, a Copa do Mundo de 1966 teve 89 gols em 32 jogos, o que revela uma competição relativamente equilibrada e menos aberta do que outras edições mais ofensivas. A Inglaterra de Alf Ramsey ficou associada a uma organização tática forte, com uma equipa compacta, disciplinada e muito eficaz,além de arbitragens 'amigas'.

Foi também um Mundial de afirmação do futebol moderno: maior atenção à preparação física, ao controlo tático do jogo e à gestão estratégica das diferentes fases da competição.

Em resumo, a Copa do Mundo de 1966 ficou na história pela vitória da Inglaterra em Wembley, pelo golo polémico de Geoff Hurst na final, pela extraordinária campanha de Portugal, pelos 9 golos de Eusébio, pela surpresa da Coreia do Norte contra a Itália, pela reviravolta portuguesa de 0x3 aos 25’ para 5x3 no final da partida e pelo episódio quase cinematográfico do roubo e recuperação da Taça Jules Rimet pelo cão Pickles. Foi um Mundial de forte carga simbólica, polémica e desportivamente decisivo para a memória do futebol europeu.

FICHA TÉCNICA DA FINAL

Inglaterra 4x2 Alemanha Ocidental

» Gols: Geoff Hurst, aos 18’, 101’ e 120’, e Martin Peters, aos 78’ (Inglaterra); Helmut Haller, aos 12’, e Wolfgang Weber, aos 90’ (Alemanha Ocidental)

» Data: 30.07.1966

» Local: Estádio de Wembley, em Londres (Inglaterra)

» Público: 96.924 espectadores

» Árbitro: Gottfried Dienst (Suíça); Assistentes: Tofiq Bahramov (União Soviética) e  Karol Galba (Tchecoslováquia)

» Inglaterra: Gordon Banks; George Cohen, Jack Charlton, Bobby Moore, Ray Wilson; Nobby Stiles, Alan Ball, Bobby Charlton, Martin Peters; Geoff Hurst, Roger Hunt. Técnico: Alf Ramsey.

» Alemanha Ocidental: Hans Tilkowski; Horst-Dieter Höttges, Willi Schulz, Wolfgang Weber, Karl-Heinz Schnellinger; Franz Beckenbauer, Wolfgang Overath; Helmut Haller, Uwe Seeler, Sigfried Held, Lothar Emmerich. Técnico: Helmut Schön.

Fontes principais: en.wikipedia.org; Facebook Sports Directory; maisfutebol.iol.pt; www.britannica.com; www.fifa.com.

Garrincha no topo das preferências

Camisa 7 – consagrada por Garrincha e Jairzinho em Copas do Mundo como campeões.

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

Certa mídia brasileira esforça-se, ano após ano, por omitir ou denegrir Garrincha mesmo quando se refere à Seleção Brasileira. Pretendem, por exemplo, comparar Garrincha a Zico ou a Ronaldo ‘Fenômeno’ ou a qualquer outro grande futebolista que, como Zico ou Ronaldo, não poder ser comparado por duas razões: porque foi indiscutivelmente superior tecnicamente e porque em matéria de habilidade é incomparável seja a quem for, inclusive Pelé, o qual sendo um atleta completo não tinha, porém, a talentosa habilidade de Garrincha – o que significa que Pelé e Garrincha, as duas maiores estrelas do futebol brasileiro de todo os tempos, não são comparáveis entre si devido às características diferentes do seu futebol, e por isso mesmo conseguiram, provavelmente, constituir a maior dupla atacante do mundo.

Dito isso, vale a pena referenciar o jornal Extra, que coloca a seguinte questão: “Qual é o melhor jogador da Seleção além de Pelé? Garrincha, Zico ou Neymar?

A pergunta é capciosa, mas os leitores do Extra não se deixaram enganar quanto a Zico, a Ronaldo ou a outros mais que a mídia pretende erguer acima de Garrincha, não os colocando no pódio dos cinco melhores onde quem pontifica mesmo são os atletas botafoguenses.

Eis o resultado da sondagem:

1º Garrincha (mais de 50% das respostas)

2º Jairzinho (9,52%)

3º Nilton Santos (9,48%)

4º Ronaldo ‘Fenômeno’ (8,61%)

5º Zico (8,15%)

E o Top-3 é do Glorioso com Garrincha disparado à frente!

terça-feira, 16 de junho de 2026

Copa do Mundo de 1962: “¿De que planeta viene Garrincha?”

Cartaz da Copa do Mundo de 1962. Crédito: Reprodução.

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

A Copa do Mundo de 1962, realizada no Chile, ficou marcada sobretudo por uma figura: Manoel Francisco dos Santos, o ‘Garrincha’, com exibições extraterrestres.

A competição decorreu entre 30 de maio e 17 de junho de 1962, com 16 seleções, e terminou com a vitória do Brasil sobre a Tchecoslováquia por 3x1, em Santiago, tendo registrado, além das atuações de Garrincha, três grandes dimensões: a confirmação do Brasil como potência mundial, Pelé lesionado substituído por Amarildo, o ‘Possesso’, e uma competição fisicamente dura, com episódios muito polémicos.

A edição de 1962 foi a última vez em que estiveram apenas seleções do continente europeu e do continente americano: 10 europeias, 5 sul-americanas e 1 centro-americana.

O Chile organizou a Copa do Mundo em contexto difícil, apenas dois anos após o grande terramoto de Valdivia, de 1960, um dos mais devastadores do século XX. A organização da competição teve, por isso, um valor simbólico muito forte porque significava uma demonstração de capacidade nacional e de reconstrução. A Copa realizou-se em apenas quatro cidades, o que também reflete as limitações logísticas da época.

Três dias antes de se iniciar a competição a FIFA reuniu-se em Santiago, capital chilena, e alterou as regras das naturalizações, definindo que um futebolista só poderia jogar por uma Seleção se nunca tivesse representado outro país em jogos oficiais (a regra seria mais tarde alterada, dizendo respeito apenas às seleções nacionais). O objetivo –  a concretizar na Copa de 1966 –  foi evitar o que aconteceu nesta Copa de 1962 em que dois ídolos dos seus países, Di Stéfano pela Argentina e Puskás pela Hungria, faziam parte da Seleção de Espanha.

O Brasil chegou ao Chile como campeão mundial em título, depois da vitória em 1958. Pelé começou jogando de início, marcou contra o México, mas lesionou-se no segundo jogo, frente à Tchecoslováquia, e não voltou a jogar. Este foi um dos acontecimentos centrais que poderia implicar a dificuldade de se alcançar o bicampeonato, mas a equipe superou essa perda através do genial Garrincha e da entrada fulgurante de Amarildo, ambos jogadores do Botafogo de Futebol e Regatas.

Amarildo teve papel decisivo na conquista da Copa do Mundo pela segunda vez consecutiva. O craque marcou dois golos contra a Espanha, num jogo fundamental para a passagem do Brasil à fase seguinte, e marcou também no jogo da final quando a Tchecoslováquia se adiantara no placar dois minutos antes. O Brasil teve profundidade coletiva, sob o comando de Didi, mas foram Garrincha e Amarildo, todos botafoguenses, que no contexto coletivo fizeram valer a sua genialidade, acompanhados por Vavá, autor de 4 gols.

Esquadrão Imortal do Botafogo (1962) com metade dos jogadores de linha e 80% do ataque sagrando-se campeões mundiais titulares da Seleção Brasileira. Da esquerda para a direita, em cima, Cacá, Zé Maria, Manga, Nilton Santos, Pampolini e Rildo; em baixo, Garrincha, Didi, Amarildo, Quarentinha e Zagallo. Foto colorizada| Reprodução.

Efetivamente, com Pelé lesionado, foi Garrincha que assumiu o protagonismo, sendo absolutamente decisivo nos jogos eliminatórios,  sobretudo contra a Inglaterra e contra o Chile. No seu portal a FIFA recorda, por exemplo, o gol de Garrincha contra o Chile nas semifinais como um dos grandes momentos da Copa, aos 9' de jogo.

Garrincha terminou como um dos melhores artilheiro da competição, com 4 gols, juntamente com Vavá, Leonel Sánchez, Flórián Albert, Valentin Ivanov e Dražan Jerković. O mais interessante é que não foi sequer a estatística que o tornou memorável, mas sim o modo brilhante como conseguiu desequilibrar os jogos, com drible inacreditáveis, imprevisibilidade total e uma capacidade rara de decidir em momentos de pressão.

Na verdade, Garrincha nunca sentia pressão e jogava com a alma em campo. Foi tão brilhante que o jornal chileno El Mercurio titulou: "¿De que planeta viene Garrincha?"

Mas a maior peripécia da Copa – e talvez o episódio mais infame – foi o jogo Chile x Itália, conhecido como a “Batalha de Santiago”. A partida foi disputada no dia 2 de junho de 1962 e terminou com a vitória chilena por 2x0, mas ficou na história pela violência, designadamente agressões, expulsões, entradas muito duras e até mesmo intervenção policial em campo.

O árbitro foi Ken Aston, que mais tarde ficaria ligado à criação dos cartões amarelo e vermelho. A transmissão britânica também tornou o jogo célebre quando o comentador David Coleman apresentou-o como uma das exibições mais “estúpidas, chocantes, repugnantes e vergonhosas” da história do futebol (*).

A seleção chilena, jogando em casa, chegou às semifinais e terminou em 3º lugar, após vencer a Jugoslávia no jogo de atribuição do terceiro lugar. Para o Chile foi uma campanha de enorme significado nacional. A equipa beneficiou do ambiente emocional da competição, mas também mostrou competitividade real, eliminando a União Soviética nas quartas-de-final.

A semifinal contra o Brasil foi intensa e terminou 4x2 para os brasileiros. Garrincha marcou dois golos, Vavá também marcou dois e o Chile resistiu como pôde perante uma seleção brasileira avassaladora.

Garrincha, 1962 (foto colorizada). Crédito: https://www.gov.br/arquivonacional/pt-br

O genial Garrincha foi expulso e desse modo não poderia disputar a final, desfalcando a seleção campeã do mundo do seu grande motor atacante. Porém, Garrincha acabou por disputar a final porque o árbitro Arturo Yamasaki, convocado pela FIFA para depor, afirmou que não viu a agressão e a expulsão ocorreu por indicação do árbitro assistente.

A FIFA convocou-o, mas o árbitro assistente não apareceu e noticiou-se que teria regressado ao Uruguai, mas no seu país também não sabiam dele e a agressão não ficou provada, permitindo que Garrincha jogasse. Alvitrou-se que teria recebido uma grande quantia para desaparecer e, coincidência, ou não, alguns meses depois foi convidado a apitar jogos no Brasil pela Federação Paulista de Futebol.

Na verdade, seria um grande desperdício futebolístico Garrincha não ter disputado a final…

Veja porquê: https://www.youtube.com/watch?v=mWlpba4i5Mw

Por seu turno, a Tchecoslováquia, segunda Seleção finalista, realizou um percurso muito sólido. A sua equipa estava bem organizada, com destaque para Josef Masopust, meio-campista de grande qualidade, que marcaria o primeiro gol da final. O jogo afigurava-se bastante difícil, quiçá competitivamente equilibrado, porque brasileiros e tchecoslovacos já se haviam defrontado na fase de grupos e empatado em 0x0 – e a final teria sabor a tira-teimas de quem era melhor.

No jogo derradeiro da Copa, Masopust colocou a Tchecoslováquia em vantagem logo aos 15 minutos de jogo, mas dois minutos depois, Amarildo, o ‘Possesso’, empatou. Na segunda parte Zito e Vavá completaram a reviravolta brasileira e o resultado final favoreceu com justiça o Brasil pela vitória de 3x1.

A Copa de 1962 também foi lembrada como uma competição mais física e menos aberta do que a de 1958. Houve 89 gols em 32 jogos, uma média inferior à de algumas edições anteriores, e vários relatos destacam a dureza do jogo.

Esse contexto ajuda a perceber por que razão o talento de Garrincha se tornou tão marcante: numa competição fechada, agressiva e taticamente mais cautelosa, Garrincha manteve a capacidade de desequilibrar individualmente e conduzir o Brasil ao bicampeonato.

Em resumo, a Copa do Mundo de 1962 foi muito importante para o Brasil consolidar o seu futebol como bicampeão mundial, transformou Garrincha na grande figura da competição, revelou a enorme capacidade de Amarildo para substituir Pelé, proporcionou ao Chile a sua melhor campanha de sempre e deixou para a história um dos jogos mais violentos dos Mundiais, a “Batalha de Santiago”.

Amarildo, o ‘Possesso’, em dupla perfeita com Garrincha, comemorando um gol na Copa. Crédito: Agência O Globo (foto colorizada).

Foi uma competição menos romântica do que em 1958, mas decisiva para a afirmação do Brasil como referência máxima do futebol internacional.

FICHA TÉCNICA DA FINAL

Brasil 3x1 Tchecoslováquia

» Gols: Amarildo, aos 17’, Zito, aos 69’, e Vavá, ao 78’ (Brasil); Josef Masopust, aos 15’ (Tchecoslováquia)

» Data: 17.06.1962

» Local: Estádio Nacional, em Santiago (Chile)

» Público: 68.679 espectadores

» Árbitro: Nikolay Latyshev (União Soviética)

» Brasil: Gilmar; Djalma Santos, Mauro Ramos, Zózimo, Nílton Santos; Zito, Didi; Garrincha, Vavá, Amarildo, Zagallo. Técnico: Aymoré Moreira.

» Tchecoslováquia: Viliam Schrojf; Jiří Tichý, Svatopluk Pluskal, Ján Popluhár, Ladislav Novák; Andrej Kvašňák, Josef Masopust; Tomáš Pospíchal, Adolf Scherer, Josef Kadraba, Josef Jelínek. Técnico: Rudolf Vytlačil.

(*) Não sabia David Coleman que 12 anos depois, em 29 de maio de 1958, numa final da Liga do Campeões Europeus, os torcedores do Liverpool iniciaram uma violentíssima briga na arquibancada, as grades que separavam os torcedores ingleses dos italianos cederam e dezenas de espectadores italianos foram espezinhados por hooligans, que usaram barras de ferro para bater nos rivais. Com a pressão humana o muro caiu e arrastou na queda mais algumas dezenas de pessoas, saldando-se o acontecimento por 39 mortos e um número indefinido de feridos, no episódio que ficou conhecido pela “Tragédia do Estádio Heysel”, o qual levou a que a própria rainha Isabel II condenasse publicamente o comportamento do hooligans e apoiasse a suspensão das equipes inglesas nas competições europeias por cinco anos. O acontecimento bárbaro mudou o futebol mundial.

Fontes principais: Arquivo Nacional; en.wikipedia.org; www.britannica.com; www.fifa.com; www.reddit.com

segunda-feira, 15 de junho de 2026

A Copa não vai mudar sua vida, sua próxima decisão vai

por TIAGO LEITE | PhD Saúde, Master Coach | Colaborador do Mundo Botafogo

Milhões de brasileiros já começam a sonhar com a Copa do Mundo de 2026. Milhões de botafoguenses também sonham com novas conquistas. E não há nada de errado nisso. O problema surge quando passamos mais tempo esperando uma mudança acontecer em campo do que promovendo as mudanças que a nossa própria vida exige.

Garrincha, o maior ídolo da história do Botafogo e uma das maiores lendas da Seleção Brasileira, nos deixou uma lição que vai muito além do futebol. Ele não ficou conhecido por esperar. Ficou conhecido por agir. Quando recebia a bola, partia para cima. Driblava. Arriscava. Decidia. Enquanto muitos estudavam o jogo, ele mudava o jogo.

Aos 40+, a vida costuma apresentar um desafio parecido. Você já acumulou experiência, enfrentou dificuldades, construiu coisas importantes e superou obstáculos que muita gente nem conhece. Mas existe uma pergunta desconfortável: se você tem tanta experiência, por que ainda existe uma área da sua vida que continua travada?

A resposta, muitas vezes, está naquilo que chamo de ‘Trava Oculta’. Não é falta de inteligência. Não é falta de capacidade. É aquele mecanismo silencioso que faz você adiar decisões importantes. Você sabe que precisa cuidar melhor da saúde, mas deixa para depois. Sabe que precisa organizar a vida financeira, mas empurra o assunto. Sabe que existe uma conversa necessária, um projeto parado ou um ciclo que já terminou, mas continua adiando o inevitável.

A ‘Trava Oculta’ não impede você de sonhar. Ela impede você de agir. E enquanto você espera o momento ideal, os anos passam. O corpo muda. As oportunidades mudam. E a vida continua cobrando a conta das decisões não tomadas.

No futebol, chega um momento em que o treinador precisa fazer uma escolha. Ou muda a estratégia ou aceita o resultado. Na vida acontece exatamente a mesma coisa. Existe um momento em que você precisa decidir se continuará repetindo os mesmos comportamentos ou se terá coragem de iniciar um novo ciclo. Porque não existe transformação sem ruptura. Não existe resultado diferente fazendo as mesmas coisas.

Por isso, deixo uma pergunta simples: qual decisão você está adiando há mais tempo? Não a que veio à sua mente agora. A primeira. Aquela que você tenta evitar. Aquela que sabe que precisa tomar. Escreva essa decisão em um papel e, nas próximas 24 horas, execute uma ação concreta em direção a ela. Uma ligação. Um exame. Uma matrícula. Uma conversa. Um primeiro passo.

Garrincha não entrou para a história porque ficou observando a partida. Entrou porque teve coragem de partir para cima. A Copa de 2026 será decidida por quem tiver coragem de agir quando a oportunidade aparecer. A sua vida também.

A pergunta é: você vai continuar assistindo o jogo da arquibancada ou vai voltar a ser protagonista da própria história?

Mude ou Aceite: não tem outra maneira.

tiagoleite40.oficial

Copa do Mundo de 1966: o cachorro Pickles, o ‘Diamante Negro’ Eusébio e a nova final polêmica

Cartaz da Copa do Mundo de 1966. Crédito: Reprodução. por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo A Copa do Mundo de 1966, disputada em Ing...