sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Quem você tem sido?...

O imaginário literato de Don Carlito, o único escritor do mundo cujo livro ainda está sendo escrito.

Crédito: Elaborado por IA.

[Nota preliminar do Mundo Botafogo: a 93ª crônica de Lúcia Senna no Mundo Botafogo cria mais uma sátira do inusitado Don Carlito Bandoneon.]

por LÚCIA SENNA | Escritora e Cantora | Colunista do Mundo Botafogo

Há momentos na vida de uma mãe em que não existe dignidade capaz de resistir ao orgulho.

Meu filho Tiago havia escrito seu primeiro livro. Não era qualquer coisa. Professor universitário na área de Bioquímica, acostumado a laboratórios, aulas, pesquisas e todas aquelas coisas sérias que fazem uma mãe fingir que entende perfeitamente o que o filho explica, enquanto, por dentro, pensa apenas:

– Meu Deus, como esse menino ficou inteligente!

Há algum tempo, Tiago estava buscando novos caminhos. Fez cursos de mentoria, desenvolvimento pessoal e de tantas outras áreas que apontavam para horizontes além da sala de aula. Dessa nova caminhada nasceu o livro QUEM VOCÊ TEM SIDO?

E não bastasse a emoção do primeiro livro, ele ainda fora convidado para lançá-lo na Bienal de São Paulo. E mãe, numa situação dessas, não pergunta se deve ir. Arruma a mala e vai.

Só que, em algum momento – e até hoje não sei como –, Don Carlito soube de tudo. Provavelmente a culpada fui eu, que devo ter deixado escapar, no maior orgulho de mãe, que Tiago estaria lançando seu livro na Bienal.

Para qualquer pessoa normal, essa informação significaria apenas que ele estaria participando de um importante evento literário. Don Carlito, porém, entendeu tudo à sua maneira.

Quando dei por mim, ele já havia chegado à Bienal: magro, elegante, bigodinho impecável, sapatos de verniz brilhando e uma quantidade de perfume argentino suficiente para deixar um rastro inconfundível pelos corredores do estande.

Examinou as pilhas de livros, alinhou as cadeiras e olhou para tudo com a seriedade de quem tinha acabado de ser nomeado diretor-geral da organização. Só havia um problema imperdoável para alguém daquela magnitude: faltava ali um trono, onde ele pudesse se sentar, pois Don Carlito não era homem de dar ordens em pé.

A partir daí começou a organizar item por item. Os livros, que estavam perfeitamente arrumados, passaram a ser inclinados, afastados, aproximados e reposicionados segundo critérios que somente Don Carlito conhecia. Pegou, então, um exemplar e leu o título: “QUEM VOCÊ TEM SIDO?

Ficou em silêncio. Ajeitou o bigode. Refletiu. Considerou o título muito bom. Profundo. Mas achou que faltava alguma coisa. Na sua opinião, a pergunta ficaria mais completa se viesse acompanhada de outra, ainda mais importante, questionando, por exemplo, quem a pessoa pretendia amar daqui pra frente.

Ao saber que a sessão de autógrafos começaria, o homem tratou de buscar mesa e caneta. Foi quando alguém, imprudentemente, o lembrou de que ele jamais publicara uma obra.

Don Carlito apenas lançou um certo olhar de quem lamenta a limitação intelectual dos outros. Olhou para o infinito, com aquela expressão de homem que já amou demais – ou, pelo menos, garante que sim – e respondeu:

– Meu livro ainda está sendo escrito, querida.”

– E qual é o título?

Don Carlito, suspirou e disse:

– Cem anos de solidão... acompanhada.

E começou a procurar uma plaquinha para colocar sobre a mesa:

DON CARLITO BANDONEON

Autógrafos e outras consequências amorosas

Logo adiante, notou uma fila se formando. Aproximou-se com a naturalidade de quem estava acostumado a ser o centro das atenções. Permaneceu ali distribuindo sorrisos misteriosos, cumprimentando a todos, até descobrir que ninguém estava nem aí pra ele: o pessoal queria apenas comprar livros. O choque deixou-o visivelmente decepcionado.

Ao ver alguém autografando livros, não resistiu. Aproximou-se, sentou-se, pegou uma caneta e, antes que fosse impedido, tascou uma dedicatória para uma tal de Luciana, transbordando paixão, saudade e um leve arrependimento.

O detalhe é que a obra tratava de inteligência artificial, mas Don Carlito não viu qualquer problema nisso: bastava esclarecer que a dele era absolutamente natural.

Foi na breve ausência de Tiago que o desastre aconteceu: Don Carlito assumiu as vendas.  Cada pessoa que se aproximava corria o risco de sair dali sem saber se havido garantido um exemplar ou se tinha acabado de iniciar uma sessão de terapia.

Ele investigava quem a pessoa havia sido, quem pretendia ser e por quem se apaixonara. O resultado? Clientes confusos em plena crise existencial.  Alguns desistiram da compra mergulhados na dúvida cruel de quem, afinal, tinham se tornado nas últimas quatro décadas.

Ao regressar, meu filho viu uma pequena fila ao redor do quiosque e sorriu, achando que o movimento estava bombando.

Ledo engano. O homem foi logo esclarecendo que não havia vendido nenhum livro. Em compensação, três pessoas choraram, duas terminaram o namoro pelo celular e um rapaz decidiu largar o emprego ali mesmo.

Tiago sussurrou, entre dentes:

– Don Carlito, pelo amor de Deus, o livro é sobre desenvolvimento pessoal!

Ao que ele respondeu categórico:

– Exatamente o que estou fazendo. Estou desenvolvendo as pessoas.

Foi naquele instante que Tiago começou a entender que nenhuma formação acadêmica prepara um ser humano para lidar com Don Carlito.

Quanto a mim, voltei pra casa carregando muito mais do que lembranças, fotografias e o orgulho de ter visto meu filho na sua primeira bienal.

Voltei com a certeza de que sonhos, quando encontram coragem, às vezes ganham capa, título, páginas...

E outras vezes aparecem de bigode, sapato de verniz e perfume argentino, querendo comandar o estande de vendas.

E talvez essa seja a verdadeira pergunta que ficou daquela viagem: QUEM VOCÊ TEM SIDO?

No caso de Don Carlito – o argentino mais sem noção que jamais conheci – ninguém sabe ao certo. Mas uma coisa é garantida: onde houver um livro, uma cadeira vazia e a menor possibilidade de dar um pitaco... ele estará lá.

quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Vic e Thâmela conquistam Prata no torneio de vôlei de praia mais antigo do mundo

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

A dupla Victoria Lopes e Thâmela Coradello, atletas do Sesc/BotafogoPraia, conquistaram a Medalha de Prata na 71ª edição do AVP Laguna Open, considerado o torneio de vôlei de praia mais antigo do mundo, competição organizada conjuntamente pela Association of Volleyball Professionals, a City of Laguna Beach e a organização local do Laguna Open, que se realizou em Main Beach, Laguna Beach, E.U. América, entre os dias 18 e 20 de setembro de 2026.

Eis a campanha da dupla Vic e Thâmela:

RONDA 1

Vic & Thâmela 2x1 Piper Ferch & Michelle Shaffer

» Parciais: 22-20 ; 16-21 ; 15-11

RONDA 2

Vic & Thâmela 1x2 Kylie Deberg & Hailey Zacca

» Parciais: 21-14; 19-21; 07-15

ELIMINATÓRIAS

Vic & Thâmela 2x0 Toni Rodríguez & Geena Urango

» Parciais: 21-13; 21-17

Vic & Thâmela 2x0 Xolani Hodel & Teegan Van Gunst

» Parciais: 21-13; 21-19

Vic & Thâmela 2x0 Chloe Loreen & Corinne Quiggle

» Parciais: 24-22; 25-23

SEMIFINAIS

Vic & Thâmela 2x0 Savannah Cory & Devon Newberry

» Parciais: 25-23; 14-21; 15-08

FINAL
Vic & Thâmela 0x2 Madelyne Anderson & Alaina Chacon

» Parciais: 19-21; 15-21

Fonte: https://avp.com.

quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Josimar: modéstia, seriedade e dedicação – dos treinos para o mundo

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

Josimar Higino Pereira foi cria do Botafogo, jogando na equipe de infantis como lateral-esquerdo, mas apenas sabia chutar com o pé direito, passando então a jogar no meio-campo na equipe de juvenis.

Em 1982, aos 20 anos de idade, Josimar subiu à categoria principal do Botafogo. Sério e dedicado, Josimar teve oportunidades na equipe disputando posição no meio-campo com Alemão e Osvaldo. Porém, por necessidade do técnico, Josimar teve a possibilidade de jogar na lateral-esquerda em substituição de Washington que estava lesionado.

Contudo, Josimar transformou tal improviso em atuações surpreendentemente boas, começando então uma intensa fase de adaptação com o preparador Carlos Alberto Lancetta.

Josimar precisava aprender a chutar, dominar e driblar com o pé esquerdo, cumprindo então um conjunto de exercícios diários de passe curto, passe longo, lançamentos, chutes, trivela, etc.

Sendo sempre o último a sair do campo de treino, acabou compensado por ser eleito o melhor em campo numa vitória de 1x0 sobre o Bangu. Sempre modesto e despretensioso revelou:

– “Eu só queria, um dia, chegar à seleção brasileira. Não importa em que posição, se na reserva ou titular. Só gostaria e chegar lá, de ficar junto com eles, os craques.”

Josimar fez mais do que isso. Talvez até tivesse sorte, mas a sorte não se encontra, procura-se. Fixou-se finalmente na lateral-direita e, após cada treino, praticava 50 remates diários.

Revista JOSIMAR, uma das edições de 2012.

Na Copa do Mundo de 1986 o titular da lateral-direita era Leandro, mas na véspera do embarque desistiu da Seleção em solidariedade com Renato Gaúcho, eliminado da convocatória por indisciplina. Josimar foi recrutado à pressa, ciente que seria reserva de Edson Boaro.

Numa mistura de sorte e de reconhecimento, Josimar chegou à Seleção. Já estava “junto com eles, os craques”. Que mais poderia desejar do seu sonho antigo?

Reserva direto de Edson, Josimar via o jogo de estreia do Brasil do banco de reservas. Todavia, eis que no segundo jogo da fase de grupos contra a Argélia, Edson sofreu uma lesão muscular e Telê Santana escalou o jovem Josimar, de 24 anos, para se estrear no jogo decisivo conta a Irlanda do Norte.

Nessa estreia Josimar recebeu uma bola na intermediária, avançou e disparou um verdadeiro míssil de fora da área e a bola entrou direta no ângulo da baliza de Pat Jennings.

Nas oitavas de final contra a Polônia, Josimar criou uma jogada espetacular na ala direita, deixou para trás três defensores adversários e quase sem ângulo disparou um remate fortíssimo e marcou novo golaço enviando a bola rente ao travessão.

Valeu-lhe a confiança de Telê Santana em lhe dar liberdade de ação ao ataque, sustentada nos treinos de remates que foram ao encontro de buscar a sorte.

A repercussão mundial foi tão extraordinária que o sério e dedicado Josimar foi eleito pela FIFA como o melhor lateral-direito da Copa, a BBC considerou o gol contra a Irlanda do Norte o 8º mais bonito de todas as Copas do Mundo e os noruegueses fundaram a revista desportiva ‘Josimar’, que ainda existe impressa e em formato digital.

No final da Copa do Mundo, foram os craques que ficaram junto com ele, o JOSIMAR!

Caro leitor, dê uma olhada ao site norueguês (em inglês): https://josimarfootball.com.

E leia mais pormenores interessantes sobre Josimar em https://mundobotafogo.blogspot.com/2017/11/josimar-craque-do-8-gol-mais-bonito-em.html

terça-feira, 22 de setembro de 2026

Dayane Pacheco, Bernardo Barreto e Pedro Henrique Ferreira medalhados nos Jogos Sul-americanos

Crédito: Olimpíada Todo Dia (@otd_oficial).

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

Dayane Pacheco, Bernardo Barreto e Pedro Henrique Ferreira foram os remadores do Botafogo convocados para disputaram os Jogos Sul-americanos 2026, em representação da Seleção Brasileira, promovidos pela Organização Desportiva Sul-Americana (ODESUL) e cuja modalidade de remo decorreu na Argentina, cidade de Santa Fé, na Laguna de Setubal, Costanera Este, entre os dias 15 e 18 de setembro de 2026.

Dayane conquistou uma Medalha de Prata e uma Medalha de Bronze, Bernardo Barreto uma Medalha de Bronze e Pedro Henrique Ferreira uma Medalha de Bronze. Eis os resultados das finais:

OITO COM TIMONEIRO FEMININO

1º Chile (Antonia Abraham, Melita Abraham, Christina Hostetter, Victoria Hostetter, Antonia Liewald, Isidora Niemeyer, Josefa Yáñez, Emily-Louise Serandour e Josefa Ceballos – timoneira), em 5’53”08

2º BRASIL (Beatriz Tavares, Dayane Pacheco, Isabelle Falck, Jennifer Almeida, Lorrayne Melo, Lara Pizarro, Mariana Macedo, Yanka de Britto e Erick Oliveira – timoneira), em 5’57”26

3º Paraguai (Nicole Martínez, Alejandra Alonso, Clara Correa, Rocío Bordón, Adriana Sanabria, Bianca Wollmeister, Fiorela Rodríguez, Agustina López e Martina Noguera – timoneira), em 6’08”77

OITO COM TIMONEIRO MISTO

1º Uruguai (Ynela Aires, Lucía Arrieta, Tatiana Seijas, Luciano García, Leandro Rodas, Marcos Sarraute, Martín Zócalo, Zoe Acosta e Romina Cetraro – timoneira), em 5’35”01

2º Chile (Antonia Abraham, Melita Abraham, Victoria Hostetter, Ignacio Wilson, Andoni Habash, Macelo Poo, Nahuel Reyes e Josefa Ceballos – timoneira), em 5’36”77

3º BRASIL (Dayane Pacheco, Lorrayne Melo, Beatriz Tavares, Mariana Macedo, Erick Oliveira, Lucas Verthein, Gabriel Campos, Matheus Freitas e Pedro Henrique Ferreira – timoneiro),em 5’41”08

DOUBLE SKIFF MASCULINO

1º Chile (Abraham e Andoni Habash), em 5’58”39

2º Uruguai (Bruno Cetraro e Felipe Klüver), em 6’02”49

3º BRASIL (Breno Ornellas e Bernardo Barreto, em 6’09”92

Os atletas do Botafogo classificaram-se, ainda, nas seguintes provas e respectivos lugares:

» Dayane Pacheco, 4º lugar no Quatro Sem Feminino;

» Bernardo Barreto, 4º lugar no Oito Masculino e no Quatro Sem Masculino;

» Pedro Henrique Ferreira, 4º lugar no Quatro em Masculino e no Oito Masculino e 5º lugar no Dois Sem Masculino.

Fonte: www.olimpiadatododia.com.br

Quem você tem sido?...

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