quinta-feira, 25 de junho de 2026

Copa do Mundo de 1986: a ‘mão de Deus’, o ‘gol do século’ e a desdita de Zico

Cartaz da Copa do Mundo de 1986. Crédito: Reprodução.

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

A Copa do Mundo de 1986, realizada no México, ficou marcada sobretudo por uma figura: Diego Armando Maradona. Foi um Mundial de grande intensidade emocional, com jogos memoráveis, episódios polémicos e uma das campanhas individuais mais influentes da história do futebol.

A Copa decorreu entre 31 de maio e 29 de junho de 1986 e terminou com a vitória da Argentina, que derrotou a Alemanha Ocidental por 3x2 na final, no Estádio Azteca, na Cidade do México.

Inicialmente o Mundial de 1986 estava previsto para ser organizado pela Colômbia, mas o país desistiu por dificuldades económicas e organizativas devido à FIFA alargar a competição de 16 para 24 países. A FIFA convidou então para país organizador a América, depois o Brasil e em seguida o Canadá, mas todos recusaram. Chegou-se, então, a entendimento com o México para assumir a organização, tornando-se o primeiro país a receber duas fases finais da Copa do Mundo, depois de ter organizado a edição de 1970. E nem os terramotos de 1985 que afetaram o país impediram a sua realização.

O torneio ficou muito associado à altitude, ao calor e aos grandes estádios mexicanos, em particular o Estádio Azteca, palco de importantes confrontos futebolísticos.

A Argentina chegou ao México com uma equipa competitiva, mas não era unanimemente vista como a grande favorita, e o que tornou essa Seleção distinta das demais foi a dimensão extraordinária de Maradona, que assumiu um protagonismo quase absoluto através de desempenho estratosféricos.

Maradona foi capitão, organizador de jogo, desequilibrador e líder emocional da equipa, marcou gols decisivos (5), foi o jogador com mais assistências (5), criou o maior número de oportunidades (27) e em matéria de dribles efetuou 53, ficando apenas atrás de Garrincha, que em 1962 efetuou 62 dribles, conduzindo a Argentina ao título. A sua influência foi tão grande que o Mundial de 1986 é frequentemente descrito como “o Mundial de Maradona”, tal como o de 1962 é conhecido como “o Mundial de Garrincha”. Nem antes de Garrincha, nem depois de Maradona, apareceu um craque de tão grande dimensão numa Copa do Mundo.

A ‘mão de Deus’. Crédito: Bob Thomas | Getty Images.

O encontro das quartas de final entre Argentina e Inglaterra, disputado em 22 de junho de 1986, foi um dos jogos mais famosos da história do futebol porque tinha uma carga política e emocional particular devido à Guerra das Malvinas/Falklands (*) ocorrida entre a Argentina e o Reino Unido em 1982. A Argentina venceu por 2x1, com dois gols de Maradona completamente opostos entre si.

O primeiro ficou conhecido como a ‘Mão de Deus’. Maradona disputou a bola com o goleiro inglês Peter Shilton e fez gol com a mão. O árbitro validou o gol, apesar da infração, e o episódio tornou-se uma das maiores polêmicas da história dos Mundiais.

Apenas três minutos depois de ter enganado a equipe de arbitragem, Maradona marcou aquele que muitos consideram ‘o gol do século’: recebeu a bola ainda no meio-campo argentino, correu 68 metros em 10 segundos e após 12 toques na bola, sempre com o pé esquerdo, ultrapassou 6 jogadores ingleses e depois driblou o goleiro Peter Shilton, antes de finalizar. Foi um lance de extraordinária técnica, velocidade, equilíbrio e leitura de jogo.

Maradona reuniu, assim, dois momentos extremos do futebol: a astúcia transgressora e a genialidade pura.

O ‘gol do século’. Crédito: France Press | AFP PHOTO.

Veja aqui o ‘gol do século’: https://www.youtube.com/watch?v=RnAHSO57W_w

Razão teve Diego Maradona quando um dia disse: “Imaginem o que teria ido a minha carreira sem as drogas…”.

A Bélgica realizou uma das melhores campanhas da sua história até então, tendo crescido durante a competição, após uma fase inicial discreta e chegou às semifinais, tendo vencido antes a União Soviética nas oitavas de final num jogo espetacular que venceu por 4x3 após prolongamento e afastado a Espanha nos pênaltis nas quartas de final, afastou a Espanha nos pênaltis. Porém, nas semifinais não foi suficiente para vencer o esquadrão de Maradona, que marcou os dois gols da vitória argentina.

O jogo entre França e Brasil, nas quartas de final, foi outro momento particular da Copa da Mundo de 1986,o qual terminou empatado em 1x1 após prolongamento, e a França venceu nos pênaltis.

O Brasil ainda tinha Sócrates, Zico e Júnior do futebol criativo de 1982,embora sem o fulgor coletivo de outrora, e a França dispunha de uma geração fortíssima, liderada por Michel Platini na companhia de jogadores como Tigana, Giresse e Fernández.

O jogo foi tecnicamente rico, equilibrado e dramático, tendo Zico entrado aos 71’ e pouco depois dispôs de um pênalti a favor do Brasil. Zico teve nos pés a passagem do Brasil às quartas de final, mas o chute saiu fraco, a meia altura, e o goleiro Bats salvou a França. No desempate por pênaltis a França foi melhor e seguiu para as semifinais. Para o Brasil, foi mais uma eliminação dolorosa de uma geração admirada pelo seu futebol técnico, mas que terminou sem conquistar o Mundial.

Por seu lado, a Alemanha Ocidental tornou a evidenciar uma grande capacidade competitiva, mostrando-se muito eficaz nas fases decisivas, tendo eliminado Marrocos nos oitavos de final, México nas quartas de final, nos pênaltis, e a França nas semifinais, por 2x0 – e tal como em 1982 chegou à final cm o seu futebol físico, organizado e competitivo, contrastando com a inspiração de Maradona e a criatividade da Argentina.

A grande surpresa da competição foi Marrocos, que venceu o seu grupo deixando atrás de si Inglaterra, Polónia e Portugal e tornou-se a primeira seleção africana a passar a fase de grupos numa Copa do Mundo. Todavia, soçobrou perante a Alemanha Ocidental nos oitavos de final, por 1x0, com um gol tardio de Lothar Matthäus.

Inversamente, Portugal foi a grande desilusão no regresso a uma Copa do Mundo depois de vinte anos. A equipe qualificara-se ‘milagrosamente’ para a Copa do Mundo ao vencer a Alemanha por 1x0 e começou bem vencendo a Inglaterra por 1x0, mas o chamado ‘caso Saltillo’, designação associada à cidade mexicana onde os portugueses se concentravam, destruiu completamente a campanha em meio a conflitos entre jogadores, dirigentes e equipa técnica, relacionados com prêmios, condições de preparação, organização interna e disciplina – e Portugal terminou em último lugar no grupo após perder para a Polônia e Marrocos.

Futebol de ‘encher o olho’ foi o da Dinamarca, que entusiasmou a arquibancada com jogadores como Michael Laudrup, Preben Elkjær e Jesper Olen, vencendo os três jogos do grupo, incluindo uma expressiva vitória sobre o Uruguai por 6x1. Esperava-se, então, que a Dinamarca fosse uma Seleção seriamente candidata a prosseguir, mas nas oitavas-de-final caiu estrondosamente perante a Espanha por 5x1, com 4 gols de Emilio Butragueño – uma das maiores figuras da competição.

Outra figura importante, apesar da eliminação frente à Argentina, foi o inglês Gary Lineker, artilheiro da competição com 6 gols, tendo feito um hat-trick frente à Polónia, assim como o gol inglês na derrota com a Argentina e quase chegando a empate nos minutos finais.

Gol do artilheiro Gary Lineker contra a Argentina. Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=1lAO0uq6gps

A final foi disputada no dia 29 de junho de 1986, no Estádio Azteca, e a Argentina arrancou com dois gols de José Luis Brown e Jorge Valdano. Porém, a Alemanha Ocidental reagiu e empatou com gols de Karl-Heinz Rummenigge e Rudi Völler, fazendo acreditar os espectadores que a virada estaria chegando.

Ledo engano quando, pouco depois, Maradona encontrou espaço para o passe decisivo dirigido a Jorge Burruchaga que estufou as redes alemãs e decretou o segundo título mundial da Argentina.

Em resumo, foi a Copa do Mundo que consagrou Diego Maradona ao mais alto nível, com a sua ‘Mão de Deus’ e o seu ‘gol do século’; conheceu a afirmação de Marrocos e a queda de Portugal com o ‘caso Saltillo’; viu desfilar o futebol atrativo da Dinamarca e a grande surpresa da Bélgica chegada às semifinais; e ainda a ‘zica’ de Zico frente à França e a resiliente Seleção Alemã disputando a segunda final seguida.

Talento e polémica, beleza e pragmatismo, foram ingredientes de uma das mais históricas Copas do Mundo de futebol.

FICHA TÉCNICA DA FINAL

Argentina 3x2 Alemanha Ocidental

» Gols: José Luis Brown, aos 23’, Jorge Valdano, aos 56’, e Jorge Burruchaga, aos 84’ (Argentina); Karl-Heinz Rummenigge, aos 74’, e Rudi Völler, aos 81’ (Alemanha Ocidental)

» Data: 29 de junho de 1986

» Local: Estádio Azteca, na Cidade do México (México)

» Público: 114.600 espectadores

» Árbitro: Romualdo Arppi Filho (Brasil)

» Disciplina: cartão amarelo – Diego Maradona, Julio Olarticoechea, Héctor Enrique e Nery Pumpido (Argentina) e Lothar Matthäus e Hans-Peter Briegel (Alemanha Ocidental)

» Argentina: Nery Pumpido; José Luis Brown, Oscar Ruggeri e José Cuciuffo; Ricardo Giusti, Sergio Batista, Héctor Henrique, Diego Maradona e Julio Olarticoechea; Jorge Burruchaga (Marcelo Trobianni) e Jorge Valdano. Técnico: Carlos Bilardo.

» Alemanha Ocidental: Harald Schumacher; Thomas Berthold; Norbert Eder, Ditmar Jakobs, Karl-Heinz Förster e Hans-Peter Briegel; Lothar Matthäus, Andreas Brehme e Felix Magath (Dieter Hoeness); Karl-Heinz Rummenigge e Klaus Allofs (Rudi Völler). Técnico: Franz Beckenbauer.

(*) A Guerra das Malvinas/Falklands foi um conflito armado de 74 dias que opôs a Argentina e o Reino Unido, entre 2 de abril e 14 de junho de 1982, tendo começado quando a ditadura militar argentina invadiu as ilhas. O arquipélago é alvo de reivindicações históricas, considerado pela Argentina extensão do seu território herdado da colonização espanhola, enquanto os britânicos possuem a administração efetiva desde 1883. À época a junta militar argentina, liderada por Leopoldo Galtieri, enfrentava uma forte rejeição interna associada a uma grave crise econômica e usou a invasão, respaldada pela disputa histórica, como estratégia nacionalista para desviar a atenção dos problemas do país e unir a população. Porém, Margaret Tatcher enviou uma poderosa força naval, aérea e terrestre ao Atlântico Sul e as tropas britânicas retomaram a capital Port Stanley levando à rendição argentina ao 74º dia do conflito e mantiveram o território sob sua administração.

Fontes principais: businessreport.co.za; en.wikipedia.org; maisfutebol.iol.pt; www.britannica.com; www.fifa.com; www.rsssf.org; www.youtube.com.

quarta-feira, 24 de junho de 2026

Copa do Mundo de 1982: a ‘vergonha de Gijón’, o recorde de Dino Zoff e a superação de Paolo Rossi

Cartaz da Copa do Mundo de 1982. Crédito: Reprodução.

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

A Copa do Mundo de 1982, realizada em Espanha entre 13 de junho e 11 de julho,  foi também a primeira fase final com 24 seleções, em vez de 16, e terminou com a vitória da Itália, que derrotou a Alemanha Ocidental por 3x1 na final, no Estádio Santiago Bernabéu, em Madrid.

A Itália teve um início pouco convincente, empatando os três jogos com Polónia, Peru e Camarões e classificando-se apenas pelo saldo de gols. Porém, a equipe de Enzo Bearzot cresceu ao longo da competição e a partir da segunda fase, eliminou a Argentina de Maradona, depois venceu o Brasil num dos jogos mais célebres da história dos Mundiais, afastou a Polónia nas semifinais e superou a Alemanha Ocidental na final, destacando-se a grande figura de Paolo Rossi, que de discreto passou a artilheiro da Copa, com seis golos, e consagrou-se o melhor atleta da competição.

O Brasil de Telê Santana foi das seleções mais admiradas que nunca ganharam um Mundial, dispondo de jogadores como Zico, Sócrates, Falcão, Éder, Júnior e Cerezo e jogando um futebol ofensivo, técnico e muito fluido.

Botafogo de 1981. Em pé: Gaúcho, Zé Eduardo, Rocha, Serginho, Paulo Sérgio e Perivaldo. Agachados: Édson, Mendonça, Mirandinha, Marcelo e Ziza. Crédito: Ignácio Ferreira | revista Placar – 50 times do Botafogo.

Na primeira fase o Brasil impressionou, derrotando a União Soviética, a Escócia e a Nova Zelândia; na segunda fase venceu a Argentina por 3x1, mas depois baqueou frente à Itália, perdendo por 3x2 com hat-trick de Paolo Rossi.

Paolo Rossi quase não se destacou na fase inicial, mas foi absolutamente decisivo marcando 6 gols nas fases cruciais da competição: fez 3 gols ao Brasil, 2 gols à Polônia nas semifinais e 1 gol à Alemanha Ocidental na final, assumindo-se como figura central da Copa e símbolo da capacidade italiana de resistir, sofrer e vencer.

Em matéria de controvérsia destacou-se  jogo Alemanha Ocidental x Áustria. A Argélia surpreendera a Alemanha Ocidental vencendo por 2x1, mas no último jogo entre alemães e austríacos, ambas as equipes se qualificavam se os alemães vencessem apenas por um ou dois gols.

A Alemanha marcou cedo, o jogo entrou em versão lenta e terminou em 1x0, eliminando a Argélia, ficando o episódio conhecido como a ‘vergonha de Gijón’, onde se disputou a partida, e teve como consequência que as Copas seguintes tivessem os últimos jogos de cada grupo disputados à mesma hora.

Sócrates e Dino Zoff, capitães do Brasil e da Itália trocando galhardetes. Crédito: DR | FIFA.

A Argélia ficou apenas com a honra de ter afirmado mundialmente o futebol africano fora do eixo europeu e sul-americano.

A semifinal entre França e Alemanha Ocidental, em Sevilha, foi um dos grandes jogos da história dos Mundiais. Terminou 3x3 após prolongamento e foi decidido nos pênaltis, com vitória alemã por 5x4.

O momento mais recordado foi o choque violento entre o goleiro alemão Harald Schumacher e o francês Patrick Battiston. Battiston ficou inconsciente e perdeu dentes, mas o árbitro não assinalou falta e o episódio foi dos mais polêmicos da história da competição.

A França, com Michel Platini, Alain Giresse, Jean Tigana e Luis Fernández, chegou a estar vencendo por 3x1 no prolongamento, mas a Alemanha Ocidental recuperou para 3x3 e venceu nos pênaltis.

Nesse ano Diego Maradona já era uma estrela, mas este não foi o seu Mundial de consagração, e a Argentina, campeã em título, não conseguiu repetir o sucesso de 1978.

Paolo Rossi, primeiro gol da final. Crédito: Peter Robinson -  EMPICS | Getty Images.

Na segunda fase os argentinos perderam com a Itália e depois com o Brasil. No jogo contra o Brasil, Maradona foi expulso após uma entrada sobre João Batista e aumentou a sua frustração na prova – mas o México esperava por ele em 1986.

Verificaram-se outros episódios marcantes, entre os quais a Hungria ter estabelecido a maior goleada da história dos Mundiais até hoje, vencendo El Salvador por absurdos 10x1!

Por seu lado, a Irlanda do Norte surpreendeu ao vencer a Espanha por 1x0, sobretudo porque os irlandeses jogaram parte do segundo tempo com dez jogadores.

A Seleção de Camarões foi eliminada sem perder qualquer jogo, registrando três empates na fase de grupos e colocando-se dignamente ao lado da Argélia como Seleção africana competitiva.

Na final, a Itália confirmou a sua transformação ao longo da prova. No 1º tempo Antonio Cabrini falhou um pênalti, mas os italianos dominaram a segunda parte. Paolo Rossi abriu o placar, Marco Tardelli fez o segundo gol e Alessandro Altobelli marcou o terceiro. Paul Breitner reduziu para a Alemanha Ocidental, mas a vitória italiana já estava consolidada.

Dino Zoff, a maior longevidade numa Copa do Mundo à data. Fonte: Facebook.

A imagem mais icônica da final foi o festejo de Marco Tardelli depois de marcar o segundo golo da Itália, lançando-se numa corrida emocionada que se tornou uma das celebrações mais famosas da história do futebol.

Com a conquista do 3º título mundial a Itália igualou o Brasil em número de títulos e o capitão e goleiro Dino Zoff, com 40 anos de idade, tornou-se o jogador mais velho a vencer uma Copa do Mundo.

Em resumo, a Copa do Mundo de 1982 ficou na história por várias razões: a vitória improvável de uma Itália inicialmente discreta; a queda estrondosa do Brasil de Zico, Sócrates e Falcão; a afirmação de Paolo Rossi como figura principal da competição; a injustiça sentida pela Argélia; a polémica de Gijón; a violência não sancionada sobre Battiston; e uma final em que a Itália mostrou eficácia, maturidade competitiva e força emocional.

FICHA TÉCNICA DA FINAL

Itália 3x1 Alemanha Ocidental

» Gols: Paolo Rossi, aos 57’, Marco Tardelli, aos 69’, e Alessandro Altobelli, aos 81’ (Itália); Paul Breitner, aos 83’ (Alemanha Ocidental)

» Data: 11 de julho de 1982

» Local: Estádio Santiago Bernabéu, em Madrid (Espanha)

» Público: ~90.000 espectadores

» Árbitro: Arnaldo Cézar Coleho (Brasil)

» Disciplina: cartão amarelo – Bruno Cnti e Gabriele Oriali (Itália) e Wolfgang Dremmler, Uli Stielike e Pierre Littbarski

» Itália: Dino Zoff; Claudio Gentile, Gaetano Scirea, Giuseppe Bergomi, Fulvio Collovati, Antonio Cabrini, Marco Tardelli, Gabriele Oriali, Bruno Conti, Francesco Graziani Alessandro Altobelli e depois Franco Caui) e Paolo Rossi. Técnico: Enzo Bearzot.

» Alemanha Ocidental: Harald Schumacher, Manfred Kaltz, Karl-Heinz Förster, Uli Stielike, Bernd Förster, Hans-Peter Briegel, Paul Breitner, Wolfgang Dremmler, Horst Hrubesch), Pierre Littbarski, Karl-Heinz Rummenigge Hansi Müller e Klaus Fischer. Técnico: Jupp Derwall.

Fontes: cincinnatisoccertalk.com; en.wikipedia.org; imortaisdofutebol.com, maisfutebol.iol.pt; www.britannica.com; www.fifa.com; www.ogol.com.br.

terça-feira, 23 de junho de 2026

Botafogo campeão da Copa Sul-Sudeste de Remo

Fonte: Facebook Johnny Rowing.

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

O Botafogo sagrou-se campeão da Copa Sul-Sudeste de Remo, competição chancelada pela Confederação Brasileira de Remo, realizada na pista de remo do Parque Náutico Municipal de Curitiba, em Curitiba, no estado do Paraná, e tendo por anfitrião o Clube de Regatas de Curitiba, entre os dias 16 e 21 de junho de 2026.

O Botafogo sagrou-se campeão da competição, tendo conquistado também o título geral masculino e o título geral feminino, obtendo 10 medalhas de Ouro na competição.

Classificação Final dos clubes medalhados a Ouro:

1º Botafogo FR (Ouro, 10; Prata, 1,5; Bronze, 2)

2º SC Corinthians Paulista (Ouro, 2,5; Prata, 3,5; Bronze, 0,5)

3º CNR Álvares Cabral (Ouro, 2; Prata, 5; Bronze, 0)

4º CN Francisco Martinelli (Ouro, 1,5; Prata, 4,0; Bronze, 1,5)

5º CP 1 de Dezembro (Ouro, 1; Prata, 2; Bronze, 2)

Nota: as medalhas fracionadas correspondem a barcos com tripulação mista.

Medalhas de Ouro do Glorioso Botafogo da Estrela Solitária:

2X FEMININO – SUB19 – 2000m

1º Botafogo FR (Sophia Santos de Almeida e Ana Clara Farias da Silva), em 8’04”15

1X MASCULINO SUB-15 – 1000m

1º Botafogo FR (Felipe da Rocha Miranda Fernandes) em 3’56”09

2X MASCULINO PESO LEVE SÊNIOR – 2000m

1° Botafogo FR (Marcelo Barbosa de Almeida e Alexandre Hahn Nóbrega Drumond), em 7’21”28

1X MASCULINO SUB-17 – 1500m

1° Botafogo FR (William Daniel Alves dos Santos), em 6’09”41

4X MASCULINO SÊNIOR – 2000m

1° Botafogo FR (Marcelo Barbosa de Almeida, Renato Cesar Cataldo Felizardo de Azevedo, Tiago Scarpati Franco e Pedro Henrique Alves de Souza Ferreira), em 6’26”49

Fonte: Facebook Johnny Rowing.

4- MASCULINO SUB-19 – 2000m

1° Botafogo FR (Nicolas de Oliveira Ladeira, Felipe da Rocha Miranda Fernandes, João Guilherme Vianna dos Santos Soares e Willian Daniel Alves dos Santos), em 6’46”12

4- MASCULINO SÊNIOR – 2000m

1° Botafogo FR (Marcelo Barbosa de Almeida, Renato Cesar Cataldo Felizardo de Azevedo, Pedro Henrique Alves de Souza Ferreira e Alan Rocha Rodrigues), em 6’45”73

2X MASCULINO SUB-19 – 2000m

1° Botafogo FR (João Guilherme Vianna dos Santos Soares e William Daniel Alves dos Santos), em 7’07”83

2- MASCULINO SUB-17 - 1500m

1° Botafogo FR (Nicolas de Oliveira Ladeira e Felipe da Rocha Miranda Fernandes), em 6’02”83

2X FEMININO PESO LEVE SÊNIOR – 2000m

1° Botafogo FR (Antônia Emanuelle Abreu Motta e Silviane Camargo Slembarski), em 7’58”61

Medalheiro de Ouro dos Atletas:

3 Ouros cada: Felipe da Rocha Miranda Fernandes, Marcelo Barbosa de Almeida e Willian Daniel Alves dos Santos.

2 Ouros cada: João Guilherme Vianna dos Santos Soares, Nicolas de Oliveira Ladeira, Pedro Henrique Alves de Souza Ferreira e Renato Cesar Cataldo Felizardo de Azevedo.

1 Ouro cada: Alan Rocha Rodrigues, Alexandre Hahn Nóbrega Drumond, Ana Clara Farias da Silva, Antônia Emanuelle Abreu Motta, Silviane Camargo Slembarski, Sophia Santos de Almeida e Tiago Scarpati Franco.

Fonte de resultados: www.remobrasil.com

segunda-feira, 22 de junho de 2026

Entre o céu e o inferno (X): de campeões da série B a campeões brasileiros e sul-americanos (2021-2024)

Fonte: Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

Durcesio Mello foi um presidente de sorte durante o seu mandato 2021-2024 na medida em que recebeu um legado dramático e, consequentemente, as expectativas de melhoria eram baixas, pelo que seria provável melhorar a gestão do Clube, ascender novamente à Série A e assim concretizar a iminência de o futebol do Botafogo despertar o interesse de investimento externo e tornar-se uma Sociedade Anônima do Futebol (SAF).

Na sua presidência foram bem cedo extintos definitivamente departamentos de modalidades de tão grandes tradições botafoguenses no Brasil e no exterior como a natação e o polo aquático, ao mesmo que a belíssima piscina do Mourisco, importante patrimônio alvinegro inaugurado na década de 1960, que servia as duas modalidades desportivas mencionadas, vinha encerrada e quebrada de mandatos anteriores, agravando-se as suas severas condições de degradação, sem nenhuma capacidade de injeção financeira para se proceder à sua reparação – até hoje.

Porém, face ao trágico ano de 2020, os holofotes dos alvinegros estavam focados no futebol, o carro-chefe do Botafogo, muito prestigiado outrora no mundo inteiro, e as modalidades ditas ‘olímpicas’ passaram naturalmente a segundo plano, incluindo o remo que, sendo estatutário, tinha a sua permanência garantida – e com um sucesso considerável devido ao esforço dos seus protagonistas, que conseguem, ainda atualmente, lutar remada a remada contra os atletas do clube da Gávea e conseguir títulos, como recentemente no Campeonato Brasileiro Interclubes de Remo Costal.

Ao mesmo tempo que o futebol do Botafogo se concentrava no objeto principal de regresso à Série A, também os seus dignitários buscavam atrair um investidor interessado em tornar-se acionista maioritário da SAF, que iria nascer se a busca fosse bem-sucedida.

Entretanto, Marcelo Chamusca, treinador contratado a 22 de fevereiro, não teve sucesso à frente do Botafogo e não conseguiu apresentações consistentes da equipe no campeonato brasileiro, tendo sido demitido a 13 de julho, apenas 141 dias depois de ser contratado, deixando o Botafogo na 14ª posição no campeonato e dando lugar, a 20 de julho de 2021, à contratação de Enderson Moreira, treinador muito habituado a sucessos com equipes da Série B.

Foi o homem certo no sítio certo.

Treinador cascudo, Enderson Moreira assenhoreou-se da equipe, liderando-a com muita assertividade, e o Botafogo foi subindo na classificação até se tornar candidato ao título de campeão brasileiro da Série B no dia 7 de novembro de 2021, goleando o Vasco da Gama por 4x0 e assumindo, pela 1ª vez, a liderança do campeonato com um ponto à frente do Coritiba.

Fontes: Liga Sudamericana de Baloncesto (LSB) e Confederación Sudamericana de Natación (CONSANAT).

No dia 21 de novembro de 2021 o Botafogo derrotou o Brasil de Pelotas fora de casa, por 1x0, gol de Diego Gonçalves, aos 20’, e tornou-se bicampeão brasileiro da Série B (2015; 2021) por antecipação. Comandado por Enderson Moreira, o Botafogo alinhou com Diego Loureiro; Daniel Borges, Joel Carli, Kanu e Carlinhos; Oyama (Ricardinho), Barreto e Warley (Ronald); Marco Antônio (Romildo) e Diego Gonçalves (Frizzo); Rafael Navarro, (Rafael Moura).

Uma semana depois, a 28 de novembro, 34.000 botafoguenses viveram com exuberância a consagração do Botafogo no Estádio Olímpico Nilton Santos, em empate por 2x2 com o Guarani, gols de Marco Antônio, aos 69’, e Rafael Navarro, aos 89’.

O Botafogo foi campeão com 70 pontos, à frente do Coritiba com 65 pontos, registrando 20V, 10E, 8D e um saldo favorável de 25 gols (56 a favor e 31 contra).

O ano de 2022 estava à porta e John Textor preparava-se para adquirir a SAF do Botafogo, assinando um pré-contrato no dia 24 de dezembro de 2021 – espécie de prenda natalícia –, e assumindo o controle prático da SAF em março, embora em fevereiro já tivesse mandado despedir Enderson Moreira devido à sua extemporânea revindicação por investimentos fortes no plantel.

Em abril John Textor tornou-se acionista maioritário da SAF Botafogo com 90% da ações, ficando o Botafogo de Futebol e Regatas com 10%.

O resto da história permanece na nossa memória ainda com precisão. Em 2022, sob a liderança de Luís Castro, o Botafogo alcançou os resultados que definira para 2022: permanência na Série A e classificação à Copa Sul-americana, terminando o campeonato brasileiro em 11º lugar, registrando 15V, 8E, 15D e saldo de gols desfavorável (41 a favor e 43 contra).

Em 2023, contra todas as expectativas e objetivos definidos, depois de ter vencido a Taça Rio correspondente ao 5º lugar no Campeonato Estadual, Luís Castro levou o Botafogo surpreendentemente à liderança disparada do campeonato brasileiro, apesar de John Textor ter falhado a promessa de reforços muito bons em julho. Porém, Castro cedeu à tentação de uma proposta milionária da Arábia Saudita e a possibilidade de treinar o compatriota Cristiano Ronaldo.

John Textor, no seu clássico autoritarismo, que conheceríamos mais tarde, negou-se a melhorar o contrato de Castro e ele saiu mesmo. Depois disso, o interino Cláudio Caçapa aumentou a liderança disparada para 14 pontos sobre o 2º classificado mantendo exatamente a mesma estratégia e o mesmo esquema tático de Castro. Entretanto Tiquinho Soares, o artilheiro da equipe, lesionou-se, nunca mais recuperou, mas com tantos pontos de avanço o Brasileiro estaria no ‘papo’ mesmo sem o seu contributo.

Porém, não foi assim. Sucederam-se, em decisões precipitadas, os treinadores Bruno Lage, Lúcio Flávio e Tiago Nunes, mas o campeonato foi realmente perdido a partir do dia em que estando o Botafogo a vencer o Palmeiras por 3x0 ao intervalo, Tiquinho Soares, inexplicavelmente tenso, falhou uma grande penalidade e o Palmeiras acabou por virar o resultado a seu favor por 4x3; depois foi a derrota por 1x0 para o Vasco Gama; na semana seguinte repetiu-se a cena ‘palmeirense’ contra o Grêmio, perdendo o Botafogo de virada por 4x3 após estar vencendo por 3x1.

Lúcio Flávio, equivocadamente guindado a treinador, foi o principal responsável pela dupla tragédia de 4x3, e o seu sucessor já não conseguiu repor a moral da equipe, acabando o Botafogo em 5º lugar.

O ciclo Inferno-Céu-Inferno-Céu tornou-se a repetir: do inferno de 2020 ao céu da descida de divisão, novamente ao céu de 2021 e, sobretudo, de 2023 com Castro, ao inferno do mesmo ano com a perda inesperada do título nacional e… bem, depois, em 2024, o Botafogo tornou a conquistar a Taça Rio equivalente apenas ao 5º lugar do Campeonato Estadual, mas… o restante ano foi muito intenso, fantástico e único, e o nosso Clube acabou por conquistar mais do que o céu – alcançou a plenitude Universal sem fim dentro da esplêndida alma de cada botafoguense.

Fonte: Confederación Sudamericana de Fútbol (CONMEBOL).

Textor reconheceu os erros cometidos em 2023, investiu forte na equipe, e sob o comando de Artur Jorge fomos ao clímax no espaço de uma semana, conquistando incrivelmente a Copa Libertadores da América no dia 30 de novembro, após uma goleada por 5x0 sobre o Peñarol na semifinal e vitória na final sobre o Atlético Mineiro, em condições raras de atuarmos na decisão com um jogador a menos desde o início da partida, e conquistando uma semana depois o Campeonato Brasileiro de futebol, a 8 de dezembro, no dia em que se comemora a fusão do Futebol e do Remo que originou o Botafogo de Futebol e Regatas,  

Então, fiquemos fechando esta série com a síntese maravilhosa dos protagonistas nos jogos decisivos em que nos sagramos campeões brasileiros e sul-americanos.

Campeões Brasileiros a 8 de dezembro de 2024, no Estádio Olímpico Nilton Santos, vencendo o São Paulo por 2x1, gols de Savarino, aos 37’, e Gregore, aos 90+1’, sob o comando de Artur Jorge e formando com John; Mateo Ponte, Adryelson, Marçal e Alex Telles; Gregore, Marlon Freitas (Allan) e Savarino (Matheus Martins); Luiz Henrique (Rafael), Igor Jesus (Tiquinho Soares) e Thiago Almada (Tchê Tchê).

Súmulas da campanha em https://mundobotafogo.blogspot.com/2024/12/botafogo-2x1-sao-paulo-finalmente-o.html

Campeões Sul-americanos a 30 de novembro de 2024, no Estádio Mâs Monumental, em Buenos Aires, vencendo o Atlético Mineiro por 3x1, gols de Luiz Henrique, aos 35’, Alex Telles, aos 43’ (pen.), e Júnior Santos, aos 90+6’, sob o comando de Artur Jorge e formando com John; Vitinho, Alexander Barboza, Adryelson e Alex Telles (Marçal); Gregore, Marlon Freitas e Savarino (Danilo Barbosa); Luiz Henrique (Matheus Martins), Igor Jesus (Allan) e Thiago Almada (Júnior Santos).

Súmulas da campanha em https://mundobotafogo.blogspot.com/2024/12/campeoes-da-copa-libertadores-da.html

A diretoria de Durcesio Mello, que encerrou o seu mandato em 31 de dezembro de 2024, terá sido, afinal, presenteada como talismã de ‘La Gloria Eterna’.

Fontes principais: Diversas publicações do Mundo Botafogo.

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