por RUY MOURA |
Editor do Mundo Botafogo
O embate contra a equipe argentina do Racing foi muito
positivo em termos de resultado final, mas menos positivo em termos de
desempenho e, sobretudo, evidenciou que, ao contrário do que se começara a
pensar anteriormente face aos progressos verificados com a equipe, não conseguimos
ainda apresentar uma identidade consistente e duradoura.
É certo que o Botafogo dominou de modo geral a 1ª
parte do encontro, mas fê-lo muito à custa de uma peleja muito nervosa,
sobretudo do Racing, com a bola pingando para um lado e para o outro em
sucessivas divididas.
Só por volta do quarto de hora, em jogada típica do
Botafogo, é que surgiu uma oportunidade após escanteio de Alex Telles, mas as
tentativas de conclusão de Newton e Barboza mostraram-se fracassadas, com o zagueiro
cabeceando para fora à boca da baliza.
Porém, três minutos volvidos, e depois de má saída de
bola do Racing, Cristian Medina lançou espetacularmente Júnior Santos, que
entre dois zagueiros forçou a arrancada, e Di Césare, na afobação de desviar a
bola da sua baliza desviou-a do goleiro que se fizera ao lance e a pelota foi
morrer lentamente no fundo das redes. Botafogo 1x0.
Foi uma vantagem conseguida pela insistência de Júnior
Santos, mas, sobretudo, pelo desentendimento do setor defensivo do Racing, que
é frágil como, aliás, toda a equipe.
O Racing quis ripostar e aos 21’ Solari concretizou o
único lance perigoso dos argentinos na 1ª parte, mas Neto desviou. A propósito
de Neto, em toda a partida, como noutras anteriores, nunca soca a bola para
fora da área, mas espalma sempre para a frente com a sua mãozinha de alface – e
em vários lances poderiam ter saído gols do Racing se o seu ataque fosse
eficiente.
Daí em diante o Botafogo desacelerou a partida, o que
fez bem, apostando em surtidas rápidas no ataque, mas o perigo foi escasso.
Numa falta descaída pelo lado direito, em boa posição de remate, Matheus
Martins cobrou com força, mas à figura do goleiro. Em rigor, só posteriormente
houve a melhor oportunidade, também após bola parada em cobrança longa de lateral
para a área argentina, tendo Barboza servido Kadir de cabeça e este novamente
de cabeça obrigou o goleiro a uma boa defesa no canto inferior do poste
esquerda da sua baliza.
Atacando quase sempre pelo lado esquerdo, e com
Matheus Martins a descair para o interior, quando na verdade funciona melhor
como ponta, não se verificava variedade de jogadas nem criação suficiente –
excepto alguns bons lançamentos de Cristian Medina, o único que verdadeiramente
criou alguma coisa – para aproveitar os muitos espaços deixados pelo sistema
tático do Racing.
As melhores tentativas do Botafogo foram de bola
parada. É certo que devemos aproveitar – e treinar – bem essas oportunidades,
mas tecnicamente a equipe tem imensa dificuldade em elaborar jogadas coletivas
de pé em pé, ao nível do gramado.
E assim se chegou ao intervalo sem grande qualidade
técnica, com o Botafogo ‘cozinhando’ o jogo.
Após o intervalo o Racing entrou melhor e logo aos 49’,
como vem sendo costume, o Botafogo entrou mole no jogo, o Racing contra-atacou e
obrigou Neto a efetuar mais uma defesa, que espalmando para a frente com a sua
mão de alface fez a bola bater no peito de Barboza e quase foi gol contra.
Com os jogadores claramente distraídos, sem capacidade
de foco durante os 90 minutos de jogo, aos 50’ o Racing realizou um
contra-ataque rápido a partir de uma bola lançada na ala esquerda, Rojas
recebeu e efetuou um centro primoroso para o miolo da área, Adrián Martínez cabeceou
e colocou a bola (aparentemente) fora do alcance de Neto (estaria mal
posicionado, ou não?), empatando a partida.
Claro que a torcida alvinegra pensou novamente no
pior, especialmente porque o Racing mostrava-se mais afoito após o gol, em
busca da virada, e aos 56’ nem sequer Danilo foi capaz de concluir vitoriosamente
um ótimo lançamento, novamente da autoria de Medina, rematando dentro da área,
frente a frente com Cambeses, chutando à figura.
O Racing insistiu e aos 70’ Adrián Fernández rematou a
meia distância e Neto espalmou de novo com muito perigo para a frente, mas a zaga
aliviou.
A partida tornou-se truncada, pouco agradável, mas aos
74’, após mais uma insistência de Júnior Santos, a bola sobrou para Danilo que
rematou fraco e à figura do goleiro – que deixou a bola passar calmamente
debaixo do seu corpo. Botafogo novamente na frente: 2x1.
Daí em diante o Racing tentou remendar o ‘frangaço’ de
Cambeses e aos 82’, dentro da pequena área, a zaga permitiu que Zaracho rematasse
de bicicleta e, mais uma vez, por pura sorte, a bola foi fraca e direitinha aos
braços de Neto.
Entretanto, como o trio de ataque estava desgastado,
saíram Júnior Santos e Matheus Martins, enquanto Arthur Cabral entrara já antes
no lugar de Kadir, sem que houvesse novidades em matéria de agressividade
atacante. E a única oportunidade realmente flagrante foi de Cabral aos 85’, que
uma vez mais, frente a frente com Cambeses, não conseguiu concluir.
Aparentemente o atacante não vai evoluir mais.
E um minuto depois o Racing perdeu a última oportunidade
de empatar com Zaracho rematando por cima do travessão.
Aos 90+3’ Cambeses foi expulso por falta in extremis sobre Villalba que procurava
dominar a bola. E acabou o jogo.
O Botafogo não tem identidade definida, Franclim
Carvalho ainda não definiu um Onze mais fixo após uma dezena de jogos, e a
vitória só foi alcançada em dois lances de pura felicidade, e por força da insistência
de Júnior Santos, que tiveram como causa um gol contra e ‘frango’ monumental de
Cambeses. É muito pouco para o mata-mata da Copa Sul-americana e para os jogos
do Brasileirão até ao final de maio.
FICHA TÉCNICA
Botafogo 2x1 Racing
» Gols: Di Césare, aos 18’ (contra), e Danilo, aos 74’
(Botafogo); Adrián Martínez, aos 49’ (Racing)
» Competição: Copa Sul-americana
» Data: 06.05.2026
» Local: Estádio Olímpico Nilton Santos, no Rio de
Janeiro (RJ)
» Público: 11.252 pagantes; 12.644 espectadores
» Renda: R$ 294.867,00
» Árbitro: Wilmar Roldán (Colômbia); Assistentes: Alexander
Guzmán (Colômbia) e Sebastián Vela (Colômbia): VAR: Leodán González (Uruguai)
» Disciplina: cartão amarelo – Kadir, Lucas Villalba e
Edenílson (Botafogo) e Adrián Fernández,
Baltasar Rodríguez e Di Césare (Racing); cartão vermelho – Cambeses (Racing)
» Botafogo: Neto; Vitinho, Ferraresi, Alexander
Barboza e Alex Telles (Marçal); Newton, Cristian Medina e Danilo; Júnior Santos
(Lucas Villalba), Kadir (Arthur Cabral) e Matheus Martins (Edenílson). Técnico:
Franclim Carvalho.
» Racing: Cambeses; Di Césare, Santiago Sosa e Basso
(Tomas Pérez); Martirena, Baltasar Rodríguez (Zaracho), Forneris (Zuculini) e
Gabriel Rojas; Solari (Conechny), Adrián Martínez e Adrián Fernández (Miljevic).
Técnico: Gustavo Costas.





