quarta-feira, 1 de julho de 2026

132 anos da Estrela Solitária à frente dos clubes de remo

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

Parabéns ao Clube da Estrela Solitária à frente dos clubes de remo centenários, em atividade no estado do Rio de Janeiro, seguido por Gragoatá, Flamengo, Boqueirão do Passeio e Vasco da Gama, por ordem decrescente de antiguidade. Eis a lista:

CLUBES

Club de Regatas Guanabarense [extinto]

Fundado em 1874

Club de Regatas Paquetaense [extinto]

Fundado em 1884

Grupo de Botafogo [extinto]

Fundado em 1891

CLUB DE REGATAS BOTAFOGO / BOTAFOGO DE FUTEBOL E REGATAS (*)

Fundado em 1 de julho de 1894 (132 anos)

Grupo de Regatas Gragoatá

Fundado em 5 de fevereiro de 1895 (131 anos)

Club de Regatas Icarahy [extinto]

Fundado em 11 de julho de 1895

Club de Regatas Flamengo

Fundado em 15 de novembro de 1895 (131)

Club de Regatas Boqueirão do Passeio

Fundado em 21 de abril de 1897 (129 anos)

Club de Regatas Vasco da Gama

Fundado em 21 de agosto de 1898 (128 anos)

Grupo de Regatas Cajuense / Club de Regatas São Christovão / São Cristóvão de Futebol e Regatas (**)

Fundado em 12 de outubro de 1898 (128 anos)

Club de Regatas Guanabara

Fundado em 5 de julho de 1899 (127 anos)

Club Internacional de Regatas

Fundado em 16 de setembro de 1900 (126 anos)

Club de Regatas Piraquê

Fundado em 1906 (120 anos)

Sport Clube Saldanha da Gama

Fundado em 21 de outubro de 1906 (120 anos)

Club de Regatas Lage [extinto]

Fundado em 1908 (118 anos)

Sport Club Fluminense / Clube Fluminense de Natação e Regatas (***)

Fundado em 27 de julho de 1916 (110 anos)

OUTROS CLUBES CRIADOS RECENTEMENTE

Associação Norte e Noroeste Fluminense de Remo – Rema Campos

Fundado em 18 de abril de 2004 (22 anos)

Clube de Regatas Loureiro

Fundado em 23 de fevereiro de 2007 (19 anos)

Clube de Remo Rio de Janeiro

Fundado em 11 de agosto de 2016 (10 anos)

(*) Luiz Caldas e um grupo de remadores do Club do Regatas Guanabarense abandonaram o clube por discordarem das apostas que falseavam os resultados das regatas e fundaram informalmente o Grupo de Botafogo (1891) que teve como consequência a posterior fundação formal do Club de Regatas Botafogo (1º de julho de 1894) após Luiz Caldas falecer na prisão acusado de se envolver na Revolta da Armada, na qual o seu pai era um destacado dirigente. Em 12 de agosto de 1904 nasceu o Botafogo Football Club, dedicado inicialmente ao futebol e posteriormente enveredando por diversas modalidades desportivas como o basquetebol, a esgrima, o polo aquático, a velocipedia, etc. Em 1942, durante uma partida de basquete entre o Botafogo FC e o CR Botafogo, o atleta Armando Albano caiu fulminado na quadra, faleceu e os presidentes dos dois clubes decidiram-se pela fusão tendo em conta que os clubes eram do mesmo bairro, tinham sócios comuns e assim geraram um só clube – o Botafogo de Futebol e Regatas, em 8 de dezembro de 1942.

(**) O Grupo de Regatas Cajuense foi fundado em 12 de outubro de 189,ligado ao remo e à zona litoral entre o Caju e São Cristóvão. Em 1902, já filiado e ativo n remo, adotou o nome do bairro, passando a designar-se Club de Regatas São Christovam. Em 15 de julho de 1909, mediante a ascensão do futebol, foi fundado o São Christóvão Athletic Club. Como o Regatas já tinha sido campeão carioca de remo em 1918 e o Athletic campeão carioca de futebol em 1926, que constituíam os maiores desportos à época, e tendo em conta que representavam o mesmo bairro, os dois clubes fundiram-se em 13 de fevereiro de 1943 – certamente seguindo o exemplo do Botafogo de Futebol e Regatas cuja fusão ocorrera dois meses antes – e fundaram o São Cristóvão de Futebol e Regatas.

(***) O Sport Club Fluminense, ligado ao remo, iatismo e natação em Niterói, decidiu mudar de nome no início da década de 1940, aportuguesando a designação para Esporte Clube Fluminense e, em 27 de janeiro de 1916, passou oficialmente a chamar-se Clube Fluminense de Natação e Regatas.

terça-feira, 30 de junho de 2026

Copa do Mundo de 1998: consagração de Zidane, destaques de Šuker e Bergkamp, desditas de Beckham e Ronaldo – e a França “black-blanc-beur”

Cartaz da Copa do Mundo de 1998. Crédito: Reprodução.

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

A Copa do Mundo de 1998 ocorreu em França, entre 10 de junho e 12 de julho, e constituiu uma das mais simbólicas da história recente: marcou o primeiro título mundial da seleção francesa, a afirmação de Zinedine Zidane como figura nacional e mundial e uma forte dimensão política, social e identitária em torno da ideia de uma França multicultural, segundo o lema simbólico da seleção francesa: black-blanc-beur (preto-branco-árabe).

Essa leitura ganhou enorme força com Zidane, filho de família argelina, a marcar dois gols na final e a tornar-se ‘herói’ nacional.

A Copa foi a primeira com 32 seleções, alargando o formato competitivo e permitindo uma grande diversidade e estreias de seleções como as da Croácia, Jamaica, Japão e África do Sul. A Jamaica acresceu uma dimensão festiva e mediática muito própria, com os “Reggae Boyz” a tornarem-se uma das equipas mais carismáticas, e o Japão assinalou uma etapa importante na afirmação do futebol asiático.

O favorito Brasil entrou na Copa de 1998 como campeão mundial de 1994 e com uma seleção fortíssima. Tinha nomes como Ronaldo, Rivaldo, Bebeto, Cafu, Carlos Roberto, Dunga, Taffarel, Leonardo, Denílson e César Sampaio.

A expectativa era enorme porque Ronaldo Nazário estava em grande forma: tinha velocidade, potência, técnica e uma capacidade invulgar de desequilibrar. Porém, o grande acontecimento foi o episódio envolvendo Ronaldo antes da final, o qual terá tido um problema de saúde, descrito como convulsão ou episódio neurológico. Não apareceu na primeira ficha de jogo, mas logo depois tornou a constar como titular.

Houve muitas versões sobre o assunto, suspeitas, explicações médicas incompletas, especulações sobre pressão comercial e dúvidas sobre a condição real do jogador.

Na final, Ronaldo esteve claramente abaixo do normal: pouco explosivo, pouco interventivo, sem a energia habitual. Essa imagem tornou-se marcante: a figura que devia liderar o Brasil acabou por simbolizar a vulnerabilidade humana em um momento de maior pressão.

Ronaldo. Fonte: Instagram @abrindooplacaryt.

A final foi disputada no Stade de France, em Saint-Denis. A França venceu o Brasil por um robusto 3x0. Foi surpresa o resultado e sobretudo o modo como aconteceu: a equipe parecia emocionalmente abalada, desconcentrada e incapaz de travar a intensidade, a organização e a superioridade francesa.

Zinedine Zidane marcou dois gol de cabeça, ambos após escanteios, ainda na primeira parte. No final, Emmanuel Petit marcou o terceiro gol, fechando uma vitória histórica.

A imagem simbólica da final é dupla: de um lado, Zidane elevado a herói nacional; do outro, Ronaldo apagado, quase ausente, no jogo mais importante da sua carreira até então.

Zidane já era um grande jogador, mas 1998 transformou-o numa figura quase mítica em França, embora o seu desempenho não tenha sido linear: foi expulso contra a Arábia Saudita na fase de grupos por pisar um adversário, foi suspenso, mas no derradeiro jogo logrou consagrar-se a marcar dois gols inesperados de cabeça, deixando de ser apenas um grande meio-campista ofensivo para assumir o rosto da França campeã do mundo. A sua projeção na fachada do Arco do Triunfo, com a frase “Merci Zizou”, tornou-se uma das imagens simbólicas da vitória.

O título francês feito com jogadores de grande diversidade multicultural, que incluía atletas como Zidane, Thuram, Desailly, Vieira, Henry, Djorkaeff, Karembeu, Lizarazu e outros, representaram a diversidade de origens familiares, regionais e culturais.

Zidane e Roberto Carlos. Fonte: www.reddit.com.

A França celebrou por algum tempo essa ideia claramente política de um país de diversidade, unido e bem-sucedido, mas poucos anos após contatou-se que o sucesso desportivo não havia resolvido tensões sociais profundas.

A França beneficiou, ainda, de outro acontecimento inesperado antes da final: na semifinal contra a Croácia Davor Šuker colocou os croatas na frente do placar, mas então aconteceu o improvável com Lilian Thuram, defesa direito conhecido pela sua solidez defensiva, que marcou dois gols para virar o placar, tendo sido os dois únicos gols assinalados pelo atleta na seleção francesa – tornando lendário o episódio de um defensor discreto que no momento decisivo disse ‘presente’.

A Croácia, na sua primeira participação como estado independente, terminou no pódio, em 3º lugar, dispondo de grandes jogadores como Davor Šuker, Zvonimir Boban, Robert Prodinečki, Robert Jarni e Slaven Bilić. Šuker foi o artilheiro da Copa e a vitória soberba sobre a Alemanha por 3x0 nas quartas de final foi um dos resultados mais marcantes da competição.

Os Países Baixos também realizaram uma boa Copa, tendo jogadores como Dennis Bergkamp, Patrick Kluivert, Edgar Davids, Frank de Boer, Ronald de Boer, Seedorf, Overmars e Cocu. O momento mais memorável foi o gol de Dennis Bergkamp contra a Argentina, nas quartas de final, recebendo um passe longo de Frank de Boer, dominando a bola com enorme classe e marcando depois de se livrar de um defensor. Todavia, nas semifinais perdeu para o Brasil nos pênaltis e o seu brilhantismo ficou uma vez mais associado à ideia de talento sem conquista.

O gol de Bergkamp. Crédito: AFP | Getty Images.

A semifinal entre Brasil e Países Baixos foi um dos grandes jogos da Copa: Ronaldo marcou para os brasileiros, Kluivert empatou para o neerlandeses e a decisão foi para os penáltis, na qual Taffarel defendeu pênaltis decisivos e colocou o Brasil na final – Taffarel mostrou-se um goleiro para os grandes momentos!

Essa vitória reforçou a imagem de Taffarel como grande goleiro, que já tinha sido importante em 1994 e voltou a ser decisivo em 1998.

Outro jogo carregado de simbologia foi o Inglaterra x Argentina, nas oitavas de final. A rivalidade entre os dois países já vinha de longe, tanto pelo contexto político da Guerra das Malvinas/Falklands como pelos episódios futebolísticos de 1986, sobretudo a “Mão de Deus” de Maradona.

Nesse jogo o jovem Michael Owen marcou um gol extraordinário, arrancando em velocidade e finalizando com classe, apresentando-se ao mundo. Em contrapartida David Beckham foi expulso depois de uma reação sobre Diego Simeone e os ingleses acabaram eliminados nos pênaltis; Beckham tornou-se alvo de enorme crítica em Inglaterra, quase como bode expiatório nacional, fruto da sua juventude, imaturidade, pressão mediática e consequente punição pública pelo ato.

A Argentina tinha uma equipa forte: Gabriel Batistuta, Ariel Ortega, Juan Sebastián Verón, Diego Simeone, Claudio López e Zanetti. Batistuta marcou vários gols e confirmou-se como um dos grandes avançados da década, mas, em contrapartida, Ortega teve um momento negativo nas quartas de final ao ser expulso após cabecear Edwin van der Sar, contribuindo para a eliminação argentina e repetindo, de certo modo, o clássico debate sobre grandes talentos condicionados por episódios emocionais.

A expulsão de Beckham. Fonte: Instagram @abrindooplacaryt.

Também vale lembrar, ainda na fase de grupos, que a Noruega venceu o Brasil por 2x1, num jogo que teve impacto simbólico, embora o Brasil já estivesse praticamente apurado. A Noruega mostrou uma equipa disciplinada, física e eficaz, fazendo recordar que o Brasil, apesar de favorito, tinha fragilidades.

Por seu lado, a Dinamarca teve uma campanha muito interessante, com Michael Laudrup e Brian Laudrup como figuras técnicas. Nas oitavas de final venceu a Nigéria por 4x1, surpreendendo uma seleção nigeriana que tinha impressionado na fase de grupos e nas quartas de final, mas a Dinamarca ainda fez um grande jogo contra o Brasil, perdendo por 3x2.

A Nigéria começou muito bem, vencendo a Espanha por 3x2 num dos jogos mais emocionantes da fase de grupos, mas a derrota pesada contra a Dinamarca nas oitavas de final quebrou essa expectativa. A Nigéria simbolizou, em 1998, a diferença entre potencial versus consistência competitiva.

Davor Šuker, ‘Chuteira de Ouro’. Fonte: X / El Heraldo Deportes MX.

A Espanha foi uma das grandes desilusões. Apesar de ter bons jogadores, foi eliminada ainda na fase de grupos. O jogo contra a Nigéria foi decisivo para a Espanha, que perdeu por 3x2 de virada, reforçando a imagem de uma Espanha frequentemente forte em nomes, mas incapaz de corresponder nas grandes competições – algo que só mudaria mais tarde, com a geração campeã de 2008-2012.

Um dos jogos mais simbólicos foi Irã x América, na fase de grupos, porque o contexto político entre os dois países dava ao jogo uma carga diplomática evidente. Antes do encontro, houve gestos de cordialidade entre os jogadores, incluindo troca de flores e fotografias conjuntas. O Irã venceu por 2x1, naquela que foi a sua primeira vitória em Copa do Mundo, mas a imagem que ficou, embora meramente limitada e simbólica, como se comprova pelo atual conflito entre ambos os países, é que o futebol – quiçá o desporto em geral – pode contribuir para abrir caminhos de paz.

Nas oitavas de final, a França teve muitas dificuldades para superar o Paraguai. O jogo foi para prorrogação em 0x0 e Laurent Blanc marcou o primeiro ‘gol de ouro’ da história dos Mundiais, segundo a regra que determinava que quem marcasse o gol de desempate ganhava automaticamente a partida e o jogo terminava. O gol de Blanc tornou-se um momento-chave do percurso até ao título, mas, curiosamente, Blanc foi expulso na semifinal contra a Croácia e falhou a final, acrescentou outra peripécia à narrativa francesa.

Em resumo, a Copa de 1998 caracterizou-se pela vitória da França multicultural “black-blanc-beur”, pelos dois gols de Zidane na final, pelo episódio neurológico de Ronaldo, pela força francesa e fragilidade emocional brasileira; pela afirmação da Croácia recém-independente e desilusão espanhola; pelo brilho de Bergkamp e Owen; pela queda de Beckham e a conquista da ‘Chuteira de Ouro’ por Davor Šuker; pela Copa onde o futebol se misturou intensamente com memória, integração, diplomacia, drama e mito.

FICHA TÉCNICA

França 3x0 Brasil

» Gols: Zidane, aos 27’ e 45+1’, e Emmanuel Petit, aos 90’

» Data: 12 de julho de 1998

» Local: Stade de France, Saint-Denis (França)

» Público: ~75.000 espectadores

» Árbitro: Said Belqola (Marrocos)

» Disciplina: cartão amarelo – Didier Deschamps, Christian Karembeu e Marcel Desailly (França) e Júnior Baiano (Brasil); cartão vermelho – Marcel Desailly (França)

» França: Fabien Barthez; Lilian Thuram, Marcel Desailly, Frank Lebeuf e Bixente Lizarazu; Didier Deschamps, Emmanuel Petit, Christian Karembeu (Alain Boghossian) e Zinédine Zidane; Youri Djorkaeff (Patrick Vieira) e Stéphane Guivarch (Christophe Dugarry). Técnico: Aimé Jacquet.

» Brasil: Taffarel; Cafu, Aldair, Júnior Baiano e Roberto Carlos; César Sampaio (Edmundo), Dunga, Leonardo (Denílson) e Rivaldo; Bebeto e Ronaldo. Técnico: Mário Zagallo.

Fonte principais: en.wikipedia.org; maisfutebol.iol.pt; www.britannica.com; www.espn.com.br; www.fifa.com; www.lemonde.fr; www.rsssf.org; www.theguardian.com; X / El Heraldo Deportes MX.

segunda-feira, 29 de junho de 2026

Copa Libertadores da América – todos os jogos do Botafogo

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

TODOS OS JOGOS

1963: Botafogo 1x0 Alianza (Peru), em Lima, Peru

1963: Botafogo 2x0 Millonarios (Colômbia), em Bogotá, Colômbia

1963: Botafogo WOx0 Millonarios (Colômbia), no Rio de Janeiro, Brasil

1963: Botafogo 2x1 Alianza (Peru), no Rio de Janeiro, Brasil

1963: Botafogo 1x1 Santos (Brasil), em São Paulo, Brasil

1963: Botafogo 0x4 Santos (Brasil), no Rio de Janeiro, Brasil

1973: Botafogo 2x3 Palmeiras (Brasil), em São Paulo, Brasil

1973: Botafogo 3x2 Nacional (Uruguai), no Rio de Janeiro, Brasil

1973: Botafogo 4x1 Peñarol (Uruguai), no Rio de Janeiro, Brasil

1973: Botafogo 2x0 Palmeiras (Brasil), no Rio de Janeiro, Brasil

1973: Botafogo 2x2 Peñarol (Uruguai), em Montevidéu, Uruguai

1973: Botafogo 2x1 Nacional (Uruguai), em Montevidéu, Uruguai

1973: Botafogo 1x2 Colo-Colo (Chile), no Rio de Janeiro

1973: Botafogo 2x3 Cerro Porteño (Paraguai), no Rio de Janeiro

1973: Botafogo 3x3 Colo-Colo (Chile), em Santiago, Chile

1973: Botafogo 2x0 Cerro Porteño (Paraguai), no Rio de Janeiro, Brasil

1996: Botafogo 0x3 Corinthians (Brasil), em São Paulo, Brasil

1996: Botafogo 4x1 Universidad Católica (Chile), no Rio de Janeiro, Brasil

1996: Botafogo 1x1 Corinthians (Brasil), no Rio de Janeiro, Brasil

1996: Botafogo 1x2 Universidad Católica (Chile), em Santiago, Chile

1996: Botafogo 1x2 Universidad de Chile (Chile), em Santiago, Chile

1996: Botafogo 3x1 Universidad de Chile (Chile), no Rio de Janeiro, Brasil

1996: Botafogo 1x1 Grêmio (Brasil), no Rio de Janeiro, Brasil

1996: Botafogo 0x2 Grêmio (Brasil), em Porto Alegre, Brasil

2014: Botafogo 1x0 Deportivo Quito (Equador), em Quito, Equador

2014: Botafogo 4x0 Deportivo Quito (Equador), no Rio de Janeiro, Brasil

2014: Botafogo 2x0 San Lorenzo (Argentina), no Rio de Janeiro, Brasil

2014: Botafogo 1x1 Unión Española (Chile), em Santiago, Chile

2014: Botafogo 1x2 Independiente José Terán (Equador), em Sangolquí, Equador

2014: Botafogo 1x0 Independiente José Terán (Equador), no Rio de Janeiro, Brasil

2014: Botafogo 0x1 Unión Española (Chile), no Rio de Janeiro, Brasil

2014: Botafogo 0x3 San Lorenzo (Argentina), em Buenos Aires, Argentina

2017: Botafogo 2x1 Colo-Colo (Chile), no Rio de Janeiro, Brasil

2017: Botafogo 1x1 Colo-Colo (Chile), em Santiago, Chile

2017: Botafogo 1x0 Olimpia (Paraguai), no Rio de Janeiro, Brasil

2017: Botafogo 0(3)x1(1) Olimpia (Paraguai), em Assunção, Paraguai

2017: Botafogo 2x1 Estudiantes (Argentina), no Rio de Janeiro, Brasil

2017: Botafogo 2x0 Nacional (Colômbia), em Medellín, Colômbia

2017: Botafogo 1x1 Barcelona (Equador), em Guaiaquil, Equador

2017: Botafogo 0x2 Barcelona (Equador), no Rio de Janeiro, Brasil

2017: Botafogo 1x0 Nacional (Colômbia), no Rio de Janeiro, Brasil

2017: Botafogo 0x1 Estudiantes (Argentina), em La Plata, Argentina

2017: Botafogo 1x0 Nacional (Uruguai), em Montevidéu, Uruguai

2017: Botafogo 2x0 Nacional (Uruguai), no Rio de Janeiro, Brasil

2017: Botafogo 0x0 Grêmio (Brasil), no Rio de Janeiro, Brasil

2017: Botafogo 0x1 Grêmio (Brasil), em Porto Alegre, Brasil

2024: Botafogo 1x1 Aurora (Bolívia), em Cochabamba, Bolívia

2024: Botafogo 6x0 Aurora (Bolívia), no Rio de Janeiro, Brasil

2024: Botafogo 2x1 Bragantino (Brasil), no Rio de Janeiro, Brasil

2024: Botafogo 1x1 Bragantino (Brasil), em Bragança Paulista, Brasil

2024: Botafogo 1x3 Atlético Júnior (Colômbia), no Rio de Janeiro, Brasil

2024: Botafogo 0x1 LDU de Quito (Equador), em Quito, Equador

2024: Botafogo 3x1 Universitario (Peru), no Rio de Janeiro, Brasil

2024: Botafogo 2x1 LDU de Quito (Equador), no Rio de Janeiro, Brasil

2024: Botafogo 1x0 Universitario (Peru), em Lima, Peru

2024: Botafogo 0x0 Atlético Júnior (Colômbia), em Barranquilla, Colômbia

2024: Botafogo 2x1 Palmeiras (Brasil), no Rio de Janeiro, Brasil

2024: Botafogo 2x2 Palmeiras (Brasil), em São Paulo, Brasil

2024: Botafogo 0x0 São Paulo (Brasil), no Rio de Janeiro, Brasil

2024: Botafogo 1(5)x1(4) São Paulo (Brasil), em São Paulo, Brasil

2024: Botafogo 5x0 Peñarol (Uruguai), no Rio de Janeiro, Brasil

2024: Botafogo 1x3 Peñarol (Uruguai), em Montevidéu, Uruguai

2024: Botafogo 3x1 Atlético Mineiro (Brasil), em Buenos Aires, Argentina

2025: Botafogo 0x1 Universidad de Chile (Chile), em Santiago, Chile

2025: Botafogo 2x0 Carabobo (Venezuela), no Rio de Janeiro, Brasil

2025: Botafogo 0x1 Estudiantes (Argentina), em La Plata, Argentina

2025: Botafogo 2x1 Carabobo (Venezuela), em Valencia, Venezuela

2025: Botafogo 3x2 Estudiantes (Argentina), no Rio de Janeiro, Brasil

2025: Botafogo 1x0 Universidad de Chile (Chile), no Rio de Janeiro, Brasil

2025: Botafogo 1x0 LDU de Quito (Equador), no Rio de Janeiro, Brasil

2025: Botafogo 0x2 LDU de Quito (Equador), em Quito, Equador

2026: Botafogo 0x1 Nacional de Potosí (Bolívia), em Potosí, Bolívia

2026: Botafogo 2x0 Nacional de Potosí (Bolívia), no Rio de Janeiro, Brasil

2026: Botafogo 1x1 Barcelona (Equador), em Guayaquil, Equador

2026: Botafogo 0x1 Barcelona (Equador), no Rio de Janeiro, Brasil

» Nota: Botafogo campeão da Copa Libertadores da América 2024.

SÍNTESE: 75 jogos, 36 vitórias, 16 empates, 23 derrotas; saldo de gols favorável por 106-79.

CONFRONTOS POR PAÍSES

Argentinos: 3 vitórias e 3 derrotas

Bolivianos: 2 vitórias, 1 empate e 1 derrota

Brasileiros: 4 vitórias, 8 empates e 5 derrotas

Chilenos: 4 vitórias, 3 empates e 5 derrotas

Colombianos: 4 vitórias, 1 empate e 1 derrota

Equatorianos: 5 vitórias 2 empates e 5 derrotas

Paraguaios: 2 vitórias e 2 derrotas

Peruanos: 4 vitórias

Uruguaios: 6 vitórias, 1 empate e 1 derrota

Venezuelanos: 2 vitórias

domingo, 28 de junho de 2026

Copa do Mundo de 1994: consagração de Romário, doping de Maradona, infortúnio de Baggio e tragédia de Escobar

Cartaz da Copa do Mundo de 1994. Crédito: Reprodução.

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

A Copa do Mundo de 1994, que decorreu na América (Estados Unidos da), teve uma carga simbólica enorme, sobretudo para o Brasil. Foi o torneio do tetracampeonato, da consagração de Romário, da liderança de Dunga, da memória de Ayrton Senna e também de uma final historicamente tensa, decidida pela primeira vez nos pênaltis.

A escolha da América como país organizador foi, por si só, simbólica. O Mundial foi levado para um país onde o futebol não era o principal desporto, numa tentativa clara de internacionalizar ainda mais a modalidade e abrir mercado. Os estádios eram enormes, muitos deles de futebol americano, e as assistências foram muito elevadas.

A imagem da competição misturava espetáculo, marketing, grandes multidões e calor intenso. Muitos jogos foram disputados sob temperaturas difíceis, precisamente para acomodar horários televisivos internacionais, promovendo assim um futebol mais físico, pausado, com muito desgaste.

Entretanto a FIFA introduziu a regra de 3 pontos por vitória para incrementar o futebol de ataque, os árbitros passaram a envergar uniformes coloridos em vez da cor preta obrigatória e as camisas dos jogadores passaram a dispor os seus nomes nas costas.

O Brasil chegava ao Mundial com uma pressão enorme, porque 24 anos após Jairzinho, Pelé, Tostão, Rivelino e companhia não tornara a ser campeão do mundo. O estilo clássico brasileiro ficara para trás e esta nova equipe era mais pragmática, organizada, defensiva e competitiva, gerando muitas críticas.

A grande figura era Romário, porque provavelmente o Brasil não teria chegado à Copa do Mundo sem o seu desempenho decisivo na fase de qualificação, especialmente no jogo contra o Uruguai, no Maracanã, formando uma dupla muito eficaz com Bebeto.

Romário. Crédito: Neal Simpson | Getty Images.

A Seleção vivia um momento emocional muito forte, porque Ayrton Senna tinha falecido em maio desse ano, pouco antes do Mundial, e todo o país estava em comoção.

Senna era uma figura nacional, quase mítica, e a Seleção Brasileira entrou na Copa com essa memória muito presente. Após a conquista, os jogadores exibiram uma faixa com a dedicatória: “Senna… aceleramos juntos. O tetra é nosso.” E o tetra passou a representar, mais do que a vitória futebolística, um momento de catarse coletiva para o Brasil.

Romário, a grande figura brasileira, não era atacante para grande profundidade, mas dispunha de uma capacidade invulgar de decidir jogos em espaços mínimos, sendo determinante contra Rússia, Camarões, Suécia e Países Baixos. Genial e irreverente, criticado por vezes pela sua postura, foi contudo indispensável e terminou eleito o Craque da Copa do Mundo.

Como curiosidade deve-se realçar a famosa imagem de celebração de Bebeto contra os Países Baixos, nas quartas de final, quando fez o gesto de embalar um bebê, em homenagem ao filho que tinha nascido pouco antes. Romário e Mazinho juntaram-se ao gesto e a imagem tornou-se icônica, simbolizando família, alegria, afeto e espontaneidade, contrastando com a dura disputa competitiva.

Acontecimento também relevante ocorreu com Mário Zagallo, Coordenador Técnico da Seleção e consequentemente o único tetracampeão brasileiro com jogador (1958 e 1962), como técnico (1970) e como coordenador técnico (1994).

Mário Zagallo, coordenador técnico. Fonte: www.lance.com.br.

Num dos melhores jogos da Copa, o Brasil venceu os Países Baixos por 3x2 nas quartas de final; Romário e Bebeto fizeram 2x0, o oponente empatou por Dennis Bergkamp e Aron Winter, e depois Branco converteu uma falta com poderoso remate que estabeleceu a vantagem final de 3x2 para o Brasil, num jogo de muita emoção, coragem neerlandesa, tensão e um gol decisivo de um atleta muito criticado.

Dunga também tinha sido muito criticado após a Copa de 1990, quando se falou da ‘Era Dunga’ como sinônimo de um futebol menos criativo e mais físico, mas em 1994 foi o capitão do tetracampeonato e tornou-se símbolo de liderança, disciplina e superação.

Quando levantou a taça, havia uma carga simbólica muito forte: o Brasil ganhou não com o futebol fantasia do passado, mas com organização, equilíbrio e resistência emocional.

A final entre Brasil e Itália foi disputada no Rose Bowl, em jogo muito truncado, fastidioso e tático, terminando 0x0 após prolongamento, sendo a primeira final de um Mundial decidida no pênaltis.

A imagem mais famosa é de Roberto Baggio, estrela italiana, a falhar o último pênalti ao rematar por cima da baliza. Baggio tinha carregado a Itália até à final, embora menorizado fisicamente, marcando gols fundamentais como contra Nigéria, Espanha e Bulgária e o seu falhanço tornou-se um dos momentos mais dramáticos da história do futebol italiano, simbolizando a beleza e a crueldade do futebol – o gênio que carregou a equipe às costas tornou a imagem da derrota.

Do lado brasileiro a decisão nos penáltis teve uma forte carga emocional, e o título chegou não com goleada ou uma exibição brilhante, mas pela resistência psicológica.

Roberto Baggio desalentado. Fonte: trivela.com.br.

Porém, outros momentos se destacaram pela positiva, designadamente o desempenho da Nigéria, que se apresentou com qualidade física e técnica, dispondo de jogadores como Rashidi Yekini, Jay-Jay Okocha, Finidi George, Daniel Amokachi e Emmanuel Amunike, que desenvolveram um futebol vibrante, estiveram à beira de eliminar a Itália nas oitavas de final e consolidaram o futebol africano no mais importante palco internacional.

A Bulgária, liderada por Hristo Stoichkov, constituiu uma grande surpresa, porque nas suas seis anteriores participações nunca vencera e nesta Copa ficou em 2º lugar à frente da Argentina (vitória por 2x0) na fase de grupos e colocou a Alemanha em estado de choque quando nas quartas de final os búlgaros passaram às semifinais. Stoichkov foi o astro decisivo: competitivo, explosivo, tecnicamente brilhante, e a Bulgária terminou em quarto lugar, o melhor resultado histórico do país em Copas do Mundo.

A Romênia também fez boa campanha jogando futebol ofesivo e espetacular, sob a batuta do talentoo Gheorghe Hagi. A Equipe classificou-se para as oitavas de final  surpreendeu eliminando a Argentina por 3x2. Nas quartas de final perdeu para a Suécia nos pênaltis, após empate por 2x2, e concluiu a Copa em sexto lugar.

A Suécia fez ainda melhor, batendo a Bulgária nas semifinais e terminando num notável terceiro lugar, dispondo de uma equipe muito bem organizada, forte fisicamente e com jogadores como Tomas Brolin, Kennet Andersson e Martin Dahlin.

Esta Copa viu nascer o ‘Maradona do Deserto’, Saeed Al-Owairan, que marcou contra a Bélgica no jogo que levou a Arábia Saudita às oitavas de final na sua estreia em Mundiais: aos 5’ de jogo ganhou a bola a uma distância de 70 metros da baliza adversária, foi por ali afora, driblou três adversários, beneficiou da péssima abordagem do defensor Rudi Smidts, isolou-se frente a Michel Preud’Homme e finalizou com classe para o fundo das redes. Infelizmente para o mundo do futebol cumpriu toda a carreira no seu país, porque a Arábia audita impedia que sauditas representassem clubes estrangeiros.

O camaronês Roger Milla, com 42 anos de idade, teve a sua última participação em Mundiais e foi coroado com recorde histórico. O jogo Rússia 6x1 Camarões ficou na história por duas razões: por um lado, o russo Oleg Salenk marcou 5 gols, sendo até hoje o único atleta a marcar 5 gols numa só partida em Copas do Mundo – o que lhe valeu a artilharia da competição com 6 gols, tantos quantos os que marcou Stoichkov; por outro lado, o solitário gol de Camarões foi marcado por Roger Milla, valendo mais do que um simples gol: permitiu ao atleta estabelecer o recorde mundial de jogador mais velho a marcar em Copas do Mundo.

A enfermeira Sue Carpenter leva Maradona ao controlo antidoping. Montagem | Reprodução.

Porém, outras peripécias foram menos felizes. A Argentina começou bem a competição e Maradona ainda era influente na equipe, mas testou positivo para efedrina, substância estimulante e proibida, sendo suspenso da competição. A imagem de Maradona levado para o controlo antidoping após o jogo contra a Nigéria teve um grande impacto simbólico, marcando o declínio derradeiro de uma das mais icônicas figuras da história do futebol e das Copas do mundo. Todavia, mais tarde, verificou-se que Maradona foi vítima de um gigantesco embuste numa época em que ninguém usava efedrina porque havia estimulantes muito mais eficazes e ‘invisíveis’.

Sobre o assunto ver a matéria https://esportes.r7.com/prisma/silvio-lancellotti/memorias-da-copa-14-nao-diego-maradona-nao-se-dopou-em-1994-09072022/

Se antes da Copa do Mundo ocorrera a tragédia de Ayrton Senna, depois da Copa do Mundo outra tragédia se tornou a página mais sombria da Copa de 1994: a morte do jogador colombiano Andrés Escobar, assassinado depois do Mundial. A Colômbia tinha conseguido grandes resultados na qualificação (p.ex., bateu a Argentina por 5x0) e havia grandes expectativas, pelo que os barões da droga apostaram fortunas numa boa campanha da Colômbia. Porém, a Copa foi um desastre e ficaram furiosos pelas grandes perdas financeiras.

Contra a equipe americana Escobar foi autor de um gol contra e contribuiu para a eliminação da Colômbia, sendo assassinado dias depois em Medellín com ei balas e cada uma levando gravada a palavra ‘gol’. Humberto Muñoz, do cartel Gallón, autor do crime, foi condenado a 43 anos de prisão, cumprindo apenas 11 anos. O caso que chocou o mundo e tornou-se símbolo da violência, da pressão extrema sobre os jogadores e da ligação perigosa entre futebol, crime e expectativas nacionais.

Em resumo, a Copa foi marcada, sobretudo, pelo inédito tetracampeonato brasileiro, não propriamente artístico, mas competitivo e eficiente, mostrando que o Brasil podia vencer tanto pela sua capacidade de improviso e beleza, como pela organização, preparação física, disciplina tática e controlo emocional.

Andrés Escobar. Crédito: AFP.

Porém, também se destacaram a homenagem a Ayrton Senna, a consagração de Romário, a liderança de Dunga, a celebração de Bebeto a embalar o bebê, a final decidida ineditamente nos pênaltis, a surpresa da Bulgária, a afirmação da Nigéria, o drama de Roberto Baggio, o doping de Maradona e a tragédia de Escobar.

FICHA TÉCNICA DA FINAL

Brasil 0x0 Itália [pênaltis: 3x2]

» Gols: –

» Pênaltis: Brasil – Márcio Santos, perdeu; Romário, gol; Branco, gol; e Dunga (gol); Itália – Franco Baresi, perdeu; Albertini, gol; Evani, gol; Daniele Massaro, perdeu; e Roberto Baggio, perdeu.

» Data: 17 de julho de 1994

» Local: Rose Bowl, em Pasadena, Los Angeles (América)

» Público: 94.194 espectadores

» Árbitro: Sándor Puhl (Hungria)

» Disciplina: cartão amarelo – Mazinho e Cafu (Brasil) e Luigi Apolloni e Dmetrio Albertini (Itália)

» Brasil: Taffarel; Jorginho (Cafu), Aldair, Márcio Santos e Branco; Mauro Silva, Dunga, Mazinho e Zinho (Viola); Bebeto e Romário. Técnico: Carlos Alberto Parreira.

» Itália: Pagliuca; Mussi (Luigi Apolloni), Franco Baresi, Maldini e Benarrivo; Dino Baggio (Evani), Demetrio Albertini, Berti e Donadoni; Roberto Baggio e Daniele Massaro. Técnico: Arrigo Sacchi.

Fontes principais: en.wikipedia.org; maisfutebol.iol.pt; www.britannica.com; www.espn.com.br; www.fifa.com; www.rsssf.org; www.sofascore.com; www.theguardian.com.

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