sábado, 12 de setembro de 2026

Retrospecto Botafogo x Bragantino (1990-2026)

Créditos: Elson Souto (Botafogo) e Reprodução / Internet (Bragantino)

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

SÍNTESE DE TODOS OS JOGOS (1990-2026):

» 32 jogos, 16 vitórias, 8 empates e 8 derrotas; saldo de gols favorável em 50-32.

1º JOGO

Botafogo 1x2 Bragantino

» Gols: Juninho, aos 3’ (Botafogo); Franklin, aos 46’, e João Santos, aos 68’ (Bragantino)

» Competição: Campeonato Brasileiro

» Data: 18.11.1990

» Local: Estádio Caio Martins, em Niterói (RJ)

» Público: 599 pagantes

» Renda: Cr$ 602.000,00

» Árbitro: José Roberto Wright; Assistentes: Luís Alfredo Bianchi e César Felisberto da Silva

Disciplina: cartão amarelo – Jocimar (Botafogo) e Júnior e João Santos (Bragantino)

» Botafogo: Gabriel; Paulo Roberto, Jocimar, Gottardo e Renato (Vanderlei); Carlos Alberto, Luisinho e Carlos Alberto Dias; Juninho, Washington (Berg) e Valdeir. Técnico: Valdir Espinosa.

» Bragantino: Marcelo; Gil Baiano, Júnior, Carlos Augusto e Biro-Biro; Mauro Silva, Ivair, João Santos e Roberto (Franklin, depois Souza); Barbosa e Sílvio. Técnico: Vanderlei Luxemburgo.

ÚLTIMO JOGO

Botafogo 2x1 Bragantino

» Gols: Alex Telles, aos 7’ (pen.), e Alexander Barboza, aos 70’ (Botafogo); Lucas Barbosa, aos 14’ (Bragantino)

» Competição: Campeonato Brasileiro

» Data: 21.03.2026

» Local: Estádio Cícero de Souza Marques, em São Paulo (SP)

» Árbitro: Lucas Casagrande (PR); Assistentes: Victor Hugo Imazu dos Santos (PR) e Andrey Luiz de Freitas (PR); VAR: Daniel Nobre Bins (RS)

» Disciplina: cartão amarelo – Santi Rodríguez, Matheus Martins e Edenílson (Botafogo) e Juninho Capixaba e Alix Vinícius (Bragantino)

» Botafogo: Raul; Mateo Ponte, Ferraresi (Justino), Alexander Barboza e Alex Telles (Vitinho); Danilo, Santi Rodríguez (Allan), Álvaro Montoro e Matheus Martins (Edenílson); Joaquín Correa e Júnior Santos (Lucas Villalba). Técnico: Martín Anselmi.

» Bragantino: Cleiton; Andrés Hurtado, Alix Vinícius, Gustavo Marques e Juninho Capixaba; Gabriel (Davi Gomes), Matheus Fernandes (Nacho Sosa) e Rodriguinho (Gustavinho); Lucas Barbosa, Eduardo Sasha (Pitta) e Henry Mosquera (José Herrera). Técnico: Vagner Mancini.

MAIOR GOLEADA DE TODOS OS CONFRONTOS (1990-2026)

Botafogo 5x0 Bragantino

» Gols: Túlio ‘Maravilha’, aos 26’, 45’, 64, e 66’,e Wilson Gottardo, aos 36’

» Competição: Campeonato Brasileiro

» Data: 28.09.1996

» Local: Estádio Caio Martins, em Niterói (RJ)

» Disciplina: cartão vermelho – Moisés e França (Botafogo) e Rubens Júnior e Ronaldo Alfredo (Bragantino)

» Botafogo: Wagner; Wilson Goiano, Wilson Gottardo, Gonçalves e Jefferson; Moisés França, Clayton (Otacílio) e Marcelo Alves (Jairo Lenzi); Mauricinho e Túlio ‘Maravilha’. Técnico: Jair Pereira.

» Bragantino: Eduardo; Viana, Rocha, Biro-Biro e Rubens Júnior; Alex Oliveira (Ronaldo Alfredo), Kelly, Cannigia e Maurinho; Edilson (Gilson Barata) e Alexandre. Técnico: Antônio Pardal.

OS JOGOS

18.11.1990 – Botafogo 1x2 Bragantino – Campeonato Brasileiro (C)

– Gols: Juninho.

11.03.1991 – Botafogo 0x3 Bragantino – Campeonato Brasileiro (F)

– Sem gols.

24.05.1992 – Botafogo 0x2 Bragantino – Campeonato Brasileiro (C)

– Sem gols.

21.06.1992 – Botafogo 1x1 Bragantino – Campeonato Brasileiro (F)

– Gols: Renato Gaúcho.

27.06.1992 – Botafogo 0x1 Bragantino – Campeonato Brasileiro (C)

– Sem gols.

13.08.1993 – Botafogo 3x1 Bragantino – Copa Conmebol, atual Sul-americana (C)

– Gols: Sinval (2) e Marcelo Costa.

20.08.1993 – Botafogo 3x2 Bragantino – Copa Conmebol, atual Sul-americana (F)

– Gols: Sinval (2) e André Duarte.

06.09.1993 – Botafogo 0x0 Bragantino – Campeonato Brasileiro (F)

– Sem gols.

28.10.1993 – Botafogo 1x1 Bragantino – Campeonato Brasileiro (C)

– Gols: Marcelo Costa.

30.08.1995 – Botafogo 0x1 Bragantino – Campeonato Brasileiro (F)

– Sem gols.

29.09.1996 – Botafogo 5x0 Bragantino – Campeonato Brasileiro (C)

– Gols: Túlio Maravilha (4) e Wilson Gottardo.

15.10.1997 – Botafogo 3x1 Bragantino – Campeonato Brasileiro (F)

– Gols: França, Sinval e Dimba.

26.08.1998 – Botafogo 2x2 Bragantino – Campeonato Brasileiro (F)

– Gols: Bebeto (2).

10.07.2015 – Botafogo 0x1 Bragantino – Campeonato Brasileiro – série B (F)

– Sem gols.

17.10.2015 – Botafogo 4x0 Bragantino – Campeonato Brasileiro – série B (C)

– Gols: Navarro (2), William Aarão e Neílton.

13.07.2016 – Botafogo 2x2 Bragantino – Copa do Brasil (F)

– Gols: Diérson e Gervásio Núñez.

27.07.2016 – Botafogo 1x0 Bragantino – Copa do Brasil (C)

– Gols: Vinícius Tanque.

16.11.2020 – Botafogo 1x2 Bragantino – Campeonato Brasileiro (F)

– Gols: Matheus Babi.

12.08.2020 – Botafogo 1x1 Bragantino – Campeonato Brasileiro (C)

– Gols: Matheus Babi.

04.07.2022 – Botafogo 1x0 Bragantino – Campeonato Brasileiro (F)

– Gols: Vinícius Lopes.

26.10.2022 – Botafogo 2x1 Bragantino – Campeonato Brasileiro (C)

– Gols: Gabriel Pires e Tchê Tchê.

15.07.2023 – Botafogo 2x0 Bragantino – Campeonato Brasileiro (C)

– Gols: Eduardo e Di Plácido.

12.11.2023 – Botafogo 2x2 Bragantino – Campeonato Brasileiro (F)

– Gols: Vitor Sá e Eduardo.

06.03.2024 – Botafogo 2x1 Bragantino – Copa Libertadores da América (C)

– Gols: Júnior Santos (2).

13.03.2024 – Botafogo 1x1 Bragantino – Copa Libertadores da América (F)

– Gols: Júnior Santos.

26.06.2024 – Botafogo 2x1 Bragantino – Campeonato Brasileiro (C)

– Gols: Eduardo (2).

26.10.2024 – Botafogo 1x0 Bragantino – Campeonato Brasileiro (F)

– Gols: Gregore.

12.04.2025 – Botafogo 0x1 Bragantino – Campeonato Brasileiro (F).

– Sem gols.

29.07.2025 – Botafogo 2x0 Bragantino – Copa do Brasil (C)

– Gols: Álvaro Montoro e Alexander Barboza.

06.08.2025 – Botafogo 1x0 Bragantino – Copa do Brasil (F)

– Gols: Savarino.

30.08.2025 – Botafogo 4x1 Bragantino – Campeonato Brasileiro (C)

– Gols: Danilo, Newton, Savarino e Álvaro Montoro.

21.03.2026 – Botafogo 2x1 Bragantino – Campeonato Brasileiro (F) – Gols:

– Gols: Alex Telles e Alexander Barboza.

Pódio 7, mês de agosto

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

As preferências dos leitores no mês de agosto foram muito variadas. As três publicações relacionadas ao futebol variaram entre a figura de Tolito, a comemoração dos 122 anos de BFC e a conquista do OPG pelo Sub-20.

As demais publicações referem-se ao remo, futsal, voleibol e à chegada do blogue a 10 milhões de visitantes.

Eis o Top 7:

01. Tolito: da ‘esquina do Botafogo’ às torcidas organizadas e aos sambas-enredo, eis uma vida repleta e criativa – II Parte

https://mundobotafogo.blogspot.com/2026/08/tolito-da-esquina-do-botafogo-as_01353183738.html

por Ruy Moura

02. 122 anos de futebol botafoguense: o nascimento, os sublimes detalhes e o baú do tataravô

https://mundobotafogo.blogspot.com/2026/08/122-anos-de-futebol-botafoguense-o.html

por Ruy Moura

03. Botafogo conquista 6 medalhas de Ouro na 5ª regata e mantém liderança

https://mundobotafogo.blogspot.com/2026/08/botafogo-conquista-6-medalhas-de-ouro.html

por Ruy Moura

04. Botafogo campeão da Supercopa América de Futsal

https://mundobotafogo.blogspot.com/2026/08/botafogo-campeao-da-supercopa-america.html

por Ruy Moura

05. Botafogo campeão 100% da Copa Minas Vôlei Master

https://mundobotafogo.blogspot.com/2026/08/botafogo-campeao-100-da-copa-minas.html

por Ruy Moura

06. Botafogo campeão invicto do Torneio OPG - resenha e campanha

https://mundobotafogo.blogspot.com/2026/08/botafogo-campeao-invicto-do-torneio-opg.html

por Ruy Moura

07. Mundo Botafogo: 10 milhões de visitas

https://mundobotafogo.blogspot.com/2026/08/mundo-botafogo-10-mihoes-de-visitas.html

por IA

sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Pelo Botafogo se vive, pelo Botafogo se morre - narrativa de Salim Simão

O Botafogo acima de tudo na vida de Heleno. Domínio Público | Wikipédia. Foto melhorada por IA.

[Nota preliminar: o texto reflete rigorosamente a escrita do jornalista botafoguense Salim Simão.]

por SALIM SIMÃO | Jornalista botafoguense, assistente do Editor do JB | Jornal do Brasil, 28.11.1979

«Um dia, com o prestígio que me conferia a chefia do Gabinete da Casa Civil de Negrão de Lima, procurou-me um jovem, cineasta iniciante, que almejava realizar um filme sobre a vida de Heleno de Freitas. Exibiu-me o roteiro, pediu-me subsídios, inclusive verba, e como se tratava de Heleno e do Botafogo não consultei normas e regulamentos e municiei o rapaz.

Aconselhei-o a procurar João Saldanha, que iniciara Heleno no Botafogo – os dois moraram juntos – e quem primeiro diagnosticara a tragédia que iria roer o herói, também ouvisse Carlos Niemeyer, Paulo Crespo, o saudoso Carlos Peixoto, Mariozinho de Oliveira, Sacha, o maître Luiz, Eduardo Trindade, (falecido), Carlito Rocha, Sandro Moreyra, Paulo Azerêdo, Ermelino Matarazzo – enfim um punhado de figuras que haviam privado com o genial garoto de General Severiano e de São João Nepomuceno, onde dorme o sono final há precisamente 20 anos.

O diretor da película a fez de tudo; entrevistou, dirigiu, filmou, viajou a Buenos Aires e Bogotá, foi a Minas, esgotou a pesquisa e sua arte incipiente – e meses após, gasto o dinheiro e extenuado, trouxe as latas contendo os filmes narrando o drama, a vida, a glória, a paixão, a loucura e a morte do genial atleta, (permitam-me que repita pela segunda vez a expressão genial em relação a Heleno).

A primeira cena do filme apresentava o ídolo De Freitas sendo carregado pela multidão em Bueno Aires, Gardel aplaudido em delírio (tradução: fama de Heleno igualava-se à de Gardel) e imediatamente o contraste violento: um homem desfeito, um monte humano de chumbo, gordíssimo, a barba densa do relaxamento – esse homem chutando uma bola para o enfermeiro de avental branco defender postado entre duas pedras como imaginárias balizas; o improvisado goleiro deixa a bola por ele passar propositadamente e o homem gordíssimo soltou um urro de glória. Era o gol festejado por Heleno na lucidez da demência tal como outrora na lucidez do atleta então insuperável. Confesso que meus lhos ficaram úmidos.

Perdi o gosto pelo filme, tão cruel e real ao descerrar o pano nas três cenas de apresentação quanto amargo e doce ao mesmo tempo em seu todo.

Heleno sempre elegante e socialmente apreciado. Fonte: https://terceirotempo.uol.com.br. Foto melhorada por IA.

Ontem, na casa de João Saldanha e Maria Sílvia, um grupo de veteranos botafoguenses recordava que, em novembro de 1959, na semana que corre, morria Heleno de Freitas, há 20 anos, repito, o alvinegro fanático, o admirável jogador, o rapaz delicado, falando em voz mansa, o machão ardoroso provocando tremendos sururus em campo, seus maus modos e críticas contra adversários, o carbonário ao microfone das estações de rádio (não havia televisão para eternizar toda a arquitetura fantástica de Heleno de Freita), o autor de frases plenas de misticismo e respeito (“queira Deus que a boa estrela nunca me abandone”) ou, então, eivadas de cólera e já de fundo lunático – mas nem por isso menos verdadeiras – ao responsabilizar Flávio Costa pelo desastre de 1950 em famosa entrevista a Sandro Moreyra (“o Brasil perdeu a Copa do Mundo perante os uruguaios e, sobretudo, perante Obdulio Varela, por incapacidade de Flávio Costa que transformou a Seleção Brasileira num punhado de frouxos, castrados, aparvalhados e medrosos”). Ninguém, até hoje, deu parecer tão sincero e real.

Como hoje não correm, tão infelizmente para nós alvinegros, bons ventos sobre o Botafogo, traído e abalado na sua estrutura por administrações anteriores altamente incompetentes, foi-nos doce e necessário recordar o romance da vida de Heleno de Freitas. Porque era tão romântico quanto romântico o nosso Botafogo.

Havia, dentre os interlocutores, quem vira na Colômbia a estátua do belo atleta, quem como quase todos acompanhara a vida do magistral centroavante, que fizera esquecer Leônidas (o Diamante Negro, e por isso Heleno foi apelidado de o Diamante Branco) e que morreu jamais admitindo que chegara ao fim. “Meu lugar ainda está vago e só eu posso salvar o Botafogo”, pronunciava com voz viril na casa de saúde, em Barbacena.

O Botafogo foi a obsessão de Heleno de Freitas. Empertigado, rigorosamente bem penteado, chamava a atenção tanto nos bailes e no velho “Vogue” como no campo, envergando camisa de seda no inverno. No Botafogo, substituiu Carvalho Leite e na Seleção Leônidas. Formou com Zizinho à direita e Ademir à esquerda o então mais temível trio atacante do mundo. Enxotado por Flávio Costa, deixou de ser campeão do mundo e por uma dessas amargas ironias do destino também não foi campeão pelo Botafogo.

A fabulosa frente de ataque da Seleção Brasileira de futebol em 1945: Tesourinha, Zizinho, Heleno de Freitas, Jair da Rosa Pinto e Ademir Menezes. Fonte: Instagram paulodebarroscarvalho. Foto melhorada por IA.

Valente e generoso foi Heleno de Freitas e o mais perfeito goleador de cabeça que o mundo já viu! Visto no campo era a antítese de quem o observasse no aconchego social. “O jogo tem que ser resolvido no primeiro tempo”, dizia Heleno em relação ao futebol e à vida. Esse primeiro tempo ele o viveu intensamente, jogou dinheiro a mancheias pela janela, rodava com o carro mais ambicionado (Cadillac branco, coupé de ville, conversível), tinha fome de gols, odiava – santo ódio! – o Fluminense, que se vangloriava indevidamente de tê-lo iniciado no futebol: (“por que esses cretinos repetem isso – berrava Heleno furioso – quando já cansei de dizer que comecei no Botafogo, que o meu clube sempre foi o Botafogo?”).

A guerra entre Heleno e a torcida tricolor não teve tréguas. Todo o Estado tricolor uníssono: “Gilda”! “Gilda”! Outras vezes era saudado com “Helena”! “Helena”!, Heleno de Freitas outras vezes mostrava a camisa, fazia gestos e vingava nos gols a afronta por ele jamais perdoada. Era-lhe comum fazer três, quatro gols, mas jogava como um desesperado. Sozinho, deu uma goleada no Flamengo, logo no primeiro tempo, marcando três tentos [Nota do MB: Salim Simão equivocou-se; Heleno marcou apenas dois gols, aos 20’ e 70’] e levando o time rubro-negro a abandonar o campo… Isso ocorreu em 1944. Parece que foi horas atrás.

Nada existe de mais triste na carreira do craquíssimo do que a sua saída de General Severiano. Na Casa de Saúde, recordava em prantos o episódio de sua partida para a Argentina, o que precipitou mais tarde sua fulminante doença. Ídolo cá e lá, atlético, doutor em Direito, jovem, elegante, uma coroa de louro sobre a cabeça, Botafogo acima de tudo, só João Saldanha descobriu na ocasião e recorda os primeiros sintomas após o contrato milionário com o Boca Juniors. Alguém na roda esclarece que os argentinos lhe deram um trambique: comprometeram-se a pagar-lhe 400 mil antigos, converteram-nos em pesos e uma súbita desvalorização levou a fortuna. De qualquer modo, o dinheiro lhe escorria por entre os dedos como água… O locutor Luiz Mendes, meu amigo tão doce quanto calvo, é o único dos locutores vivos dentre os representantes de numerosas estações de rádio do Rio e S. Paulo que foram transmitir o primeiro jogo de Heleno no Boca.

No famoso chororô flamenguista do ‘Jogo do Senta’, Heleno de Freitas abriu o placar e marcou dois gols. Crédito: Diário da Noite. Foto melhorada por IA.

De Freitas estava nos anúncios, nas emissoras, no cinema. João Saldanha conta que no Plaza do Passeo Colon havia um gigantesco painel de Heleno. Desde o bairro elegante de San Martin até à Calle Corrientes, nos bairros, boêmios e aristocráticos, só Gardel ombreava com o De Freitas – goleou nesse primeiro empate e foi sabotado depois por todos os gringos, como chamava seus companheiros em campo. Atuava sempre contra dois times. “Já era doença”, esclarece tardiamente João Saldanha.

Os milhões vieram a Heleno ainda na Colômbia, “estou exausto de paredros e cartolas”, “sou um aventureiro”. Ali era conhecido como o “Homem de Bronze” e ganhou estátua na praça pública. Será que lá está ainda?

O papo foi longe. De mim, apenas narrei os encontros com Heleno nos vestiários e nos carnavais. Trabalhava eu dia e noite e mal conhecia a orla do Atlântico, onde todos os cafajestes (era clube com esse nome e até que bom) se reuniam, inclusive o nosso herói. Depois, vi-o sem dinheiro (que humilhação para qualquer ser humano não ter dinheiro!) aspirando éter no terraço do Botafogo, contando bravatas (“matei um touro na Espanha com um murro!” “Meu murro é igual ao do velho Dempsey nos seus áureos tempos!”), evocando o passado com minúcias que comoviam a todos. A constante era a glória de ser sócio e amante do Botafogo. Nem uma palavra de censura sobre o passado, pelos contratos iniciais, pelo trato com as diretorias. Entrava em campo, treinava, treinava, treinava e, depois, o veneno volátil e a pílula adormecedora, a morte lenta, mas a lucidez perfeita.

Em verdade, concordamos todo na casa de João Saldanha – já era de madrugada –, Heleno de Freitas tem merecidamente o seu caixão coberto com uma bandeira alvinegra e seu retrato na galeria dos que honraram a Estrela Solitária. Foi filho dileto do Botafogo, vinte anos após morrer é lembrado como se tivesse viajado ontem, foi o último centroavante clássico do futebol brasileiro.

Só jogou o primeiro tempo de sua vida, mas como ninguém se empenhou. Pelo Botafogo viveu e morreu. Assim nós nos sentíamos também – vivendo e morrendo pela Estrela Solitária – no terno papo na casa do João. Heleno era um todo de cada um de nós. E eu orei para que Deus, ame o Botafogo eternamente e para que também nós assim o amemos. Amém. E mais uma vez, adeus Heleno de Freitas.»

Fonte do texto: Jornal do Brasil, 28.11.1979.

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Thâmela e Vic incríveis campeãs pré-olímpicas sul-americanas

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

Thâmela Coradello e Victoria Lopes, representando o Brasil e o SESC/Botafogo Praia, sagraram-se campeãs do Torneio Sul-americano de Vôlei de Praia, organizado pela Confederación Sudamericana de Voleibol, que se realizou no Busto de Tamandaré, em João Pessoa, entre os dias 3 e 6 de setembro de 2026.

A dupla realizou uma campanha simplesmente sensacional, vencendo os seis jogos e os 12 sets, obtendo 258 pontos contra 169 das adversárias e uma média de resultado por cada set de 21,5-14.

A conquista classifica a dupla Thâmela Coradello e Victoria Lopes diretamente para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028.

Eis a soberba campanha das atletas da equipe SESC/Botafogo Praia:

GRUPO A

Thâmela & Vic 2x0 Edith Gonzáles & Alexandra Mendoza (Peru)

» Parciais: 21-13; 21-12

» Data: 03.09.2026

Thâmela & Vic 2x0 Karen Santander & Antonella Mori (Chile)

» Parciais: 21-09; 21-14

» Data: 04.09.2026

Thâmela & Vic 2x0 Valeria Moreno & Darlin Rodríguez (Venezuela)

» Parciais: 21-13; 21-16

» Data: 04.09.2026

O ponto indefensável que valeu o título em set final arrasador. Crédito: Confederación Sudamericana de Voleibol. Captura de tela, 06.09.2026.

QUARTAS DE FINAL

Thâmela & Vic 2x0 Lisbeth Allcca & Claudia Gaona (Peru)

» Parciais: 22-20; 21-14

» Data: 05.09.2026

SEMIFINAIS

Thâmela & Vic 2x0 Fiorella Núñez & Denisse Álvarez (Paraguai)

» Parciais: 21-19; 21-11

» Data: 06.09.2026

FINAL

Thâmela & Vic 2x0 Michelle Valiente & Giuliana Corrales (Paraguai)

» Parciais: 26-24; 21-07

» Data: 06.09.2026

Fonte: Youtube Confederación Sudamericana de Voleibol

Retrospecto Botafogo x Bragantino (1990-2026)

Créditos: Elson Souto (Botafogo) e Reprodução / Internet (Bragantino) por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo SÍNTESE DE TODOS OS JOGOS...