sábado, 10 de outubro de 2026

Halisson Carneiro, vencedor da Copa Brasil de Sectorball

Fonte: Confederação Brasileira de Futebol de Mesa.

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

Halisson Carneiro, atleta do Botafogo, conquistou a III Copa do Brasil, regra Sectorball, competição realizada pela Confederação Brasileira de Futebol de Mesa no Departamento de Futebol de Mesa do Sport Club Corinthians Paulista, em São Paulo, no dia 17 de janeiro de 2026.

Classificação do Pódio:

1º Halisson Carneiro (Botafogo)

2º Robson Marfa (Botafogo)

3º Felipe Maciel (Tourigno, SP)

4º Carlos Peres (CAMAG, SC)

Fonte: https://www.cbfm.com.br

SV Happy Boys – o Botafogo surinamês

Crédito: Instagram svhappyboys

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

O SV Happy Boys é um clube de futebol do Suriname, sediado em Meerzorg, em frente à capital Panamaribo, cidades separadas apenas por uma ponte.

O clube é famoso por utilizar o escudo e os uniformes inspirados no Botafogo de Futebol e Regatas como forma de homenagem ao club carioca.

O SV Happy Boys foi campeão da segunda divisão nacional (SVB Rweede Divisie) em 2019, com 15 vitórias, 3 empates e 2 derrotas, saldo de gols 65-25.

Ascendeu pela primeira vez à elite do Campeonato Surinamês (SVB Eerste Divisie) em 2020.

sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Treinadores e contextos (III): da continuidade da linhagem técnica de Kürschner e Zezé ao efeito surpresa de João Saldanha

João Saldanha. Fonte: https://www.museudatv.com.br.

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

Após a saída de Zezé Moreira no ano seguinte à conquista do campeonato carica de 1948, o Botafogo regressou à sobreposição de linhagens técnicas com quase todas as soluções já testadas anteriormente e que não resultaram em títulos: Carvalho Leite (1950-1952), Sylvio Pirillo (1952, única solução ainda não testada anteriormente), Martim Silveira (1952-1953) e Carvalho Leite (1953).

Chegou então a vez de Gentil Cardoso (1953-1955), o qual não faz parte da linhagem técnica atrás mencionada e cujo relevo não está tanto no seu trabalho, mas por ter dado o seu acordo à contratação de Garrincha, que se revelaria como o maior ídolo do Botafogo e o maior driblador do planeta Terra.

Manoel Francisco dos Santos apareceu em General Severiano em 1953 para testes e desse dia histórico resultou uma versão lendária e uma versão historicamente mais prudente sobre a sua contratação.

É muito antiga a lenda que conta a história de Nilton Santos ter sido sucessivamente driblado por Garrincha e que o ‘Enciclopédia’ teria dito a Gentil Cardoso para o contratar porque ele não quereria enfrentar Garrincha jogando por outra equipe, tal era a qualidade do candidato a jogador do Botafogo.

Porém, essa versão que narra comentários iniciais depreciativos de Gentil Cardoso a propósito das pernas de Garrincha e que este teria humilhado Nilton Santos, tornou-se mais prudente após algumas pesquisas que apontavam para um duelo mais equilibrado do que aquele que a lenda sugere.

No entanto, o essencial mantém-se: Gentil Cardoso aceitou testar um jovem de aparência física improvável, avaliou positivamente o teste de enfrentar o grande Nilton Santos e o Botafogo acabou por contratar um dos maiores jogadores da história do futebol mundial, que depois de ser reprovado em testes noutros grandes clubes cariocas, designadamente Flamengo, Fluminense e Vasco da Gama, mas também no São Cristóvão, provavelmente nunca teria iniciado a sua fabulosa carreira caso o Botafogo o tivesse rejeitado.

Biografia: https://mundobotafogo.blogspot.com/2011/09/gentil-cardoso-um-estilo-peculiar.html

Após a saída de Gentil Cardoso em 1955 o Botafogo ainda contratou Zezé Moreira (novamente) e Geninho, mas estava ‘escrito nas estrelas’ que a interrupção da linhagem técnica do Botafogo seria retomada em 1957 com a contratação de João Alves Jobim Saldanha (1957-1959), jornalista desportivo que fora futebolista e dirigente do Botafogo, além de ser militante político e apelidado de ‘João Sem Medo’ pelo célebre dramaturgo e jornalista Nélson Rodrigues.

Todavia, João Saldanha nunca treinara uma equipe de futebol em circunstância alguma, o que leva a admitir que, tendo conquistado o campeonato carioca de 1957 sem nenhuma experiência anterior no cargo, o seu sucesso se deva sobretudo à linhagem técnica que interliga o Capitão Ladanyi, Dori Kürchner, Zezé Moreira e o próprio João Saldanha, interprete de Kürchner em 1939-1940, bem como a um traço do historial botafoguense que transforma apostas temerosas em conquistas improváveis.

Porém, deve-se considerar, também, um outro lado racional que justifica a contratação em meio de uma crise com a saída de Geninho e à necessidade de se efetuar uma transição necessária e desejada por Paulo Azeredo, novamente presidente do Botafogo a partir de 1954, cuja liderança, visão e ambição havia tornado o Botafogo campeão por cinco vezes em apenas seis anos (1930-1935).

João Saldanha era diretor de futebol do Botafogo, cargo que assumira em 1944 e ao qual regressara em 1956. Foi Saldanha que convenceu Paulo Azeredo a contratar o grande craque Didi ao Fluminense.

Em meio à crise o nome de João Saldanha emergiu porque, apesar de nunca ter sido treinador, conhecia profundamente os bastidores do futebol botafoguense e havia acumulado uma volumosa bagagem de práticas, quer como jogador e dirigente, quer como intérprete de Dori Kürchner, além de um forte liderança carismática essencial a momentos de transição.

Biografia: https://mundobotafogo.blogspot.com/2011/06/joao-saldanha-o-joao-sem-medo.html

Primeiro foi solicitado provisoriamente para dirigir o Botafogo em alguns jogos e durante uma excursão, mas o resultado não se compadeceu do período regulamentado, exigindo prorrogação.

Foi então que o visionário Paulo Azeredo comprou a aposta e o João Sem Medo passou a comandar a título definitivo uma equipe composta por Garrinha, Didi, Nilton Santos, Quarentinha, Paulinho Valentim e outros grandes jogadores, três dos quais seriam consagrados no ano seguinte, em 1958, campeões do mundo pelo Brasil.

Gol de Paulinho Valentim na decisão de 1957. Fonte: www.mundo.botafogo.blogspot.com.

A restante história todos nós sabemos: o Botafogo chegou à decisão do Campeonato Carioca com o Fluminense precisando apenas de um empate e o presidente do Fluminense havia dito, durante a semana, que o tricolor já era campeão e a final era apenas uma exigência burocrática.

Pois… Porém, nessa decisão, o Botafogo era liderado no banco por um João ‘Sem Medo’, o homem que tomou decisões inéditas, tais como flexibilizar o rígido regime de concentração, preferindo responsabilizar os jogadores, e sobretudo ter compreendido que um elenco cm Garrincha, Didi, Nilton Santos, Quarentinha e Paulinho Valentim, entre outros, não necessitava de estar amarrado taticamente nem efetuar treinos exaustivos, preferindo a simplicidade e a fluidez de jogo.

No entanto, também exigia rigor sem bola, esforço coletivo na marcação e posicionamento defensivo inteligente para pressionar as peças principais dos adversários, como no jogo da decisão em que Telê Santana foi anulado, enquanto Garrincha fazia ‘misérias’, servindo Paulinho Valentim que marcou cinco gols, um dos quais de bicicleta. Garrincha marcou outro gol e o Fluminense perdeu o jogo por 6x2 tomando a maior goleada em uma decisão do Carioca na Era Moderna, que é recorde até hoje (curiosidade: o Fluminense também tomou do Botafogo uma goleada de 6x1 na decisão do Carioca de 1910, a maior da história na Era Amadora).

Título: https://mundobotafogo.blogspot.com/2011/02/botafogo-campeao-carioca-de-futebol_21.html

Neste jogo histórico que constitui uma das peças mais sensacionais de sempre do futebol carioca, Telê Santana, então jogador do Fluminense, teria pedido a Didi, quando o resultado do jogo já estava praticamente decidido, que mandasse Garrincha parar de atormentar os seus marcadores, mas Garrincha continuou e marcou um gol, num show à parte dos números clamorosos do marcador no Maracanã.

A firmeza de João Saldanha mostrava-se também na relação com a Diretoria, não se mostrando um subalterno, mas um par, que efetuava críticas internas e externas sem medo, e que quebrou preconceitos estruturais quando deu a braçadeira de capitão a Quarentinha, jogador negro e um dos maiores futebolistas do Clube, bem como exigiu, contra toda a diretoria, que não desejava aumentar o plantel com mais negros, a contratação do negro Chicão, defesa central que foi peça-chave na conquista de 1957.

Homem difícil de lidar devido às suas convicções – tanto as certas como as erradas –, João Saldanha sentia-se desgastado em 1959 perante a rotina de treinos exaustivos, calendário atribulado, concentrações obrigatórias e excesso de excursões internacionais para a obtenção de retornos financeiros, o que resultou em frequentes divergências com a diretoria do Clube e pediu a demissão.

Mais tarde, Saldanha publicou, na qualidade de escritor, os anos passados no Botafogo, na obra ‘Os subterrâneos do futebol’, narrando acontecimentos com jogadores e dirigentes, viagens, concentrações, conflitos e histórias de bastidores.

No Botafogo o improvável acontece, e por isso é um Clube recheadíssimo de histórias e de estórias, tendo no caso concreto, com João Saldanha, um registro raro de um homem que tendo sido jogador, dirigente e treinador de futebol do Clube, também se tornou escritor e jornalista excepcionalmente atento ao que se passava à sua volta.

Fontes principais da série: br.bolavip.com; brasil.elpais.com; ge.globo.com; jbemfolhas.com.br; jornalggn.com.br; mundobotafogo.blogspot.com; museudapessoa.org; operamundi.uol.com.br; pesquisaescolar.fundaj.gov.br; pt.wikipedia.org; www.uol.com.br; https://sopanomel.blogspot.com; terceirotempo.uol.com.br; https://www.botafogo.com.br; www.campeoesdofutebol.com.br; www.correiobraziliense.com.br; www.jb.com.br; www.museudapelada.com.

quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Botafogo 1x2 Vasco da Gama

Crédito: Arthur Barreto | Botafogo.

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

O que se viu no Nilton Santos foi uma total coincidência entre o Botafogo pré-data Fifa e o Botafogo pós-data Fifa, isto é, o Botafogo permanece sem identidade coletiva, sem ideias, lento e ineficaz.

Conhecendo-se as características de Tite seria de esperar, no mínimo, um sistema defensivo forte, mas nem isso sucedeu, pelo contrário, o Vasco da Gama encontrou caminhos fáceis para explorar, jogou à vontade desde os primeiros minutos e o Botafogo remeteu-se praticamente à defesa, parecendo jogar contra um grande adversário e fora de casa.

O Botafogo não controlou os espaços e aos 28’ Vitinho foi batido, os mecanismos defensivos de cobertura contra falhas individuais não apareceram e em contra-ataque o Vasco da Gama inaugurou o marcador, como já se podia prever ante uma defesa permeável.

Durante quase todo jogo o Botafogo defrontou-se com o problema de que quando há pressão exercida sobre o adversário, os espaços nas costas de quem faz pressão devem ser devidamente protegidos por precaução contra falhas individuais.

O meio-campo vascaíno foi consistente, articulou-se bem e as combinações criadas permitiam continuidade atacante com ligação a zonas ofensivas onde o Vasco aparecia com capacidade de finalização.

Ao contrário, o Botafogo assentou o seu esquema essencialmente em Ziyech, visando explorar a sua capacidade técnica e visão de jogo, mas não encontrou parcerias na criação de linhas de passe que permitissem levar perigo real à defesa adversária, tanto mais que nem Danilo nem Medina conseguiam a profundidade e desequilíbrios no ataque para permitir que Matheus Martins e Arthur Cabral finalizassem – e como habitualmente, nenhum deles foi capaz, por si mesmo, de criar qualquer espécie de perigo.

Aliás, o ataque foi tão improdutivo que o rematador de serviço era Vitinho, porque a dupla de atacantes não ocupava espaços estratégicos para receber a bola e rematar à baliza.

Foi, enfim, um primeiro tempo sem identidade de jogo por parte do Botafogo, jogando frouxo na defesa, pouco eficiente na contenção de jogo do adversário e fraca ligação entre os setores, ao contrário do Vasco que conseguiu jogar coletivamente e até poderia ter ampliado o placar se não fosse o desempenho de Gabriel Batista.

Após o intervalo o Botafogo ainda ensaiou uma reação, mas o Vasco manteve a sua postura e ampliou logo aos 50’: Huguinho errou na frente, Cristian Medina perdeu na corrida com Colidio, que serviu David e este tocou a bola com categoria para o fundo das redes. E logo depois o Vasco poderia ter decidido completamente o jogo com um 3x0 se não fosse novamente Gabriel Batista a evitar o pior.

Com o meio-campo improdutivo por mau posicionamento, falta de ligação a Ziyech e incapacidade de urdir jogadas coletivas, foi Alex Telles que aos 60’ cobrou uma falta que entrou no ângulo da baliza de Léo Jardim para diminuir o placar.

O Botafogo tentou acelerar, o Vasco recuou um pouco, mas acabou marcando um terceiro gol anulado – e depois Tiquinho Soares empatou, mas o gol também foi anulado, e pouco mais se passou no segundo tempo.

No entanto, o saldo global em matéria de criação de oportunidades, remates à baliza e escanteios foi amplamente favorável ao Vasco, que, diga-se, é uma equipe apenas mediana, o que significa que a nossa encontra-se num estado sofrível.  

Enfim, não se vislumbra identidade coletiva nesta equipe, Tite já acumula duas derrotas sem mostrar nada de novo e ainda agravou a situação com uma expulsão emocional de comemoração no gol de Tiquinho Soares, prontamente anulado, invadindo o campo e sendo expulso.

Em suma, tendo valores individuais que deviam colocar a equipe pelo menos a meio da tabela, deparamos com a decadência a todo o vapor do futebol botafoguense e a questão jurídica da SAF permanece incerta…

Tite deve concentrar-se, sobretudo, a poucas rodadas do final do campeonato, em assegurar a manutenção na Série A, implementando um sistema defensivo compacto com capacidade de saída de bola, estruturando o meio campo tirando partido das habilidades de Ziyech e com Danilo mais ofensivo, estabelecendo processos atacantes que reduzam a mera dependência individual e tendo sempre em conta a simplificação e a mecanização de processos.

FICHA TÉCNICA

Botafogo 1x2 Vasco da Gama

» Gols: Alex Telles, aos 60’ (Botafogo); Lescano, aos 28’, e David, aos 50’ (Vasco da Gama)

» Competição: Campeonato Brasileiro

» Data: 08.10.2026

» Local: Estádio Olímpico Nilton Santos, no Rio de Janeiro (RJ)

» Público: 22.071 pagantes; 23.596 espectadores

» Receita: R$ 807.180,00

» Árbitro: Bruno Arleu de Araújo (RJ); Assistentes: Thiago Henrique Neto Correa Farinha (RJ) e Thayse Marques Fonseca (RJ); VAR: Rodrigo Guarizo Ferreira do Amaral (SP)

» Disciplina: cartão amarelo – Ferraresi (Botafogo); cartão vermelho – Tite, técnico (Botafogo)

» Botafogo: Gabriel Batista; Vitinho (Mateo Ponte), Ferraresi, Arthur Chaves e Alex Telles; Huguinho, Cristian Medina (Júnior Santos) e Danilo; Ziyech (Kadir), Arthur Cabral (Tiquinho Soares) e Matheus Martins (Kauan Toledo). Técnico: Tite.

» Vasco da Gama: Léo Jardim; Paulo Henrique (Pumita Rodríguez), Saldivia, Robert Renan e Cuiabano; Sosa, Thiago Mendes e Lescano (Tchê Tchê); Hinestroza (Adson), Colidio (Nuno Moreira) e Bruno Duarte (David). Técnico: Pedro Emanuel.

Halisson Carneiro, vencedor da Copa Brasil de Sectorball

Fonte: Confederação Brasileira de Futebol de Mesa. por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo Halisson Carneiro, atleta do Botafogo, conqu...