quarta-feira, 12 de agosto de 2026

122 anos de futebol botafoguense: o nascimento, os sublimes detalhes e o baú do tataravô

Flávio Ramos sentado à frente e segundo a partir da esquerda. Fonte: Foto melhorada por IA com base na obra de CASTRO, Alceu Mendes de Oliveira (1951), O Futebol no Botafogo (1904-1950), Rio de Janeiro: Gráfica Milone.

[Nota preliminar: as citações refletem rigorosamente a ortografia utilizada na época, não a ortografia atual.]

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

Em 1904, uma década após a fundação do Club de Regatas, nasce o Botafogo Football Club a partir de uma simples ideia de rapazes do Largo dos Leões, no qual ficava o Colégio Alfredo Gomes. Durante a aula de matemática do 4º ano do professor General Júlio Noronha, Flávio Ramos, então com 15 anos, escreveu e, conforme relatado por Alceu Castro (1951: 13), entregou um bilhete a Emmanuel Sodré, entretanto interceptado pelo General, dizendo:

O Itamar tem um clube de futebol que joga na rua Martins Ferreira. Vamos fundar outro no Largo dos Leões? Podemos falar aos Werneck, ao Arthur César, ao Vicente, ao Jacques.”

Emmanuel não respondeu logo, mas entusiasmou-se e fora dado o primeiro passo para o nascimento do Glorioso. Flávio Ramos movimenta vários rapazes e na tarde de sexta-feira de 12 de Agosto de 1904, o clube foi fundado para a prática do futebol por um grupo de rapazes entre os 14 e os 15 anos, reunidos no “chalet do velho casarão em ruínas do Conselheiro Gonzaga, que fazia a esquina da rua Humaitá com o Largo dos Leões, bem em frente à estação de bondes, (…) cedido aos jovens desportistas por D. Chiquitota, avó de Flávio, grande amiga e verdadeiramente mãe do clube nascente” (Castro, 1951: 15).

A mensalidade foi de 2$000 e os recibos correspondiam a talões de um extinto clube de pedrestianismo, o Electro Club, que por essa razão foi o primeiro nome dado ao clube. Porém, o nome foi logo alterado para Botafogo Football Club, em 18 de Setembro de 1904, devido ao nome do bairro. A avó de Flávio, Francisca Teixeira Leite, conhecida por D. Chiquitota, sabendo do nome do clube espantou-se e disse:

Morando onde moram, o clube de vocês só pode se chamar Botafogo!”.

Decidido o nome, foi escolhido e aclamado por unanimidade o uniforme, que recaiu sobre as listas verticais pretas e brancas, após sugestão de Itamar Tavares, que estudara em Itália e torcia pela Juventus, cujas cores eram precisamente o preto e o branco – e que coincidiam com as cores do Club de Regatas Botafogo.

Francisca Teixeira de Oliveira, Dona Chiquitota. Crédito: Acervo de seu tetraneto, feita entre 1894 e 1909.

As primeiras camisas oficiais foram feitas pela firma inglesa Benetfink & Co. Ltd.; o escudo de 1904 do Botafogo Football Club foi desenhado a nanquim por um de seus fundadores, Basílio Viana Júnior; a primeira bandeira do Botafogo Football Club foi bordada por Ruth, Hilda, May, Leah e Miriam, irmãs de Edwin Hime, que em 1908 seria Presidente do Botafogo.

Os fundadores do clube foram Álvaro Cordeiro da Rocha Werneck, Arthur César de Andrade “Tutú”, Augusto Paranhos Fontenelle “Zingo”, Basílio Vianna Júnior, Carlos Bastos Neto, Emmanuel de Almeida Sodré, Eurico Parga Viveiros de Castro, Flávio da Silva Ramos, Jacques Raymundo Ferreira da Silva, Lourival Camargo da Costa, Octávio Cordeiro da Rocha Werneck e Vicente Licínio Cardoso.

Alceu Castro relata novamente os primeiros tempos daquele clube de rapazes:

O primeiro campo do BOTAFOGO foi a via pública, aquele mesmo Largo dos Leões, com suas magestosas palmeiras imperiais servindo de balisas. E foi-se o socego dos seus pobres moradores, com as janelas partidas pelas porfiadas pelejas” (Castro, 1951: 14).

A 2 de Outubro o Botafogo estreou-se perdendo por 3x0 para o Football and Athletic Club, mas as vitórias não tardariam a surgir. O Botafogo alinhou com Flávio Ramos, Victor Faria e João Leal; Basílio Vianna, Octávio Werneck e Adhemaro Delamare; Norman Hime, Itamar Tavares, Álvaro Soares, Ricardo Rêgo e Carlos Bittencourt. Segundo relato de Castro (1951:15), as recordações mais pitorescas desse desafio foram as meias cor de abóbora de Flávio e a atitude do Barão de Werneck – pai de Octávio e Álvaro – que assistiu ao jogo de guarda-sol aberto.

O jogo seguinte com o Internacional F. C. terminou com um empate de 0x0, tendo sido realizado na Rua Conde de Irajá, sob a arbitragem de Athos Duque Estrada. O Botafogo alinhou com Álvaro Werneck, Waldemar Bandeira e Júlio Werneck; Júlio Roltgren, Flávio Vieira e Oswaldo Jacintho; Ricardo Rego, Augusto Fontenelle “Zingo”, Arthur César, Mendes Campos e Mário Costa. O Internacional alinhou com Paulo Mattos, Adhemaro de Lamare e Waldemar Pereira da Cunha; Mário Figueiredo, José Figueiredo e Alfredo Guedes de Mello; Carlos Bittencourt, Leite Ribeiro, Eurico Parga Viveiros de Castro, Emmanuel de Almeida Sodré e Rolando de Lamare.

Escudo desenhado a nanquim por Basílio Viana Júnior, um dos fundadores do Clube, em fundo branco, contorno preto e monograma BFC ao centro, inspirado em um escudo suíço. Reprodução Internet.

Logo a seguir, a 21 de Maio de 1905, registou-se a primeira vitória por 1x0 sobre o Petropolitano Football Club, com gol de Flávio Ramos. Na primeira vitória do Botafogo participaram Álvaro Werneck, João Leal e Raul Barreto Maranhão; Waldemar Pereira da Cunha, Octávio Werneck e Adhemaro de Lamare; Carlos Bittencourt, Alexandre Mayo, Octávio Pereira da Silva Tupin’, Flávio Ramos e Itamar Tavares.

Entretanto, a desforra contra o Athletic aconteceu em 4 de Junho do ano seguinte e o Botafogo venceu por 2x1, com gols de Flávio Ramos e Luiz Pederneira. O jogo decorreu na Rua Conde de Irajá e o Botafogo alinhou com Álvaro Werneck, João Leal e Octávio Werneck; Adhemaro de Lamare, Pereira da Cunha e Luiz Pederneiras; Normann Hime, Eduardo Pederneiras, Flávio Ramos, Arthur César e Emmanuel Sodré. Gols: Flávio Ramos e Luiz Pederneiras. Logo após, o Botafogo esteve presente no primeiro campeonato carioca de 1906 e travou com o Fluminense o primeiro clássico do futebol brasileiro que viria a ser designado por ‘clássico vovô’, sendo goleado por 8x0 em circunstâncias absolutamente desfavoráveis.

Em partidas para o campeonato carioca, a primeira vitória do Botafogo foi contra o Bangu no encontro seguinte, vencendo por 1x0 quer no jogo de 1ºs quadros quer no de 2ºs quadros. No jogo principal, o gol do Botafogo foi assinalado por Gilbert Hime no 1º tempo e a equipa actuou assim: Álvaro, Octávio e João Leal; António Rodrigues, Raul e Bernaud; Norman, Flávio, Ataliba, Gilbert e Rolando de Lamare. No jogo de 2ºs quadros, o gol do Botafogo foi assinalado por Viveiros de Castro de penalty no 1º tempo e a equipa actuou assim: Gastão, Adhemaro e António Teixeira; Waldemar, Viveiros e Faro; Júlio, Henrique, Ricardo, A. César e Emanuel.

Entretanto, o Botafogo conquista títulos logo em 1906.

O primeiro título carioca de futebol pertenceu ao Botafogo e foi obtido nos 2ºs quadros, cujo campeonato terminou antes do campeonato dos 1ºs quadros e, por isso, o Botafogo sagrou-se o primeiro campeão carioca de futebol através da seguinte campanha: 2x5 Fluminense, 1x0 Bangu, 6x1 Rio Cricket, 1x0 Football & Athletic, 2x1 Bangu; _x_ Football & Athletic (vitória por não comparência), 3x1 Fluminense, 3x0 Rio Cricket. O Botafogo actuou com a seguinte equipa base: Fairbairn; Adhemaro e Antônio; Paulino, Ricardo e Zingo; Júlio, Henrique, Rolando de Lamare, Arthur Cesar e Emmanuel Sodré.

Exemplar da bandeira do Botafogo Football Club à direita, bordada por Ruth, Hilda, May, Leah e Miriam, irmãs de Edwin Hime, no dia da fusão do CR Botafogo e do Botafogo FC em Botafogo de Futebol e Regatas. Foto melhorada por IA com base na obra de CASTRO, Alceu Mendes de Oliveira (1951), O Futebol no Botafogo (1904-1950), Rio de Janeiro: Gráfica Milone.

Em 1906, o Botafogo também obteve o seu primeiro troféu nos 1ºs quadros. O clube foi convidado a disputar o Troféu Elihu Root, em São Paulo, cuja designação pretendia homenagear o Secretário de Estado americano de passagem pelo Brasil. Em jogo único, o Botafogo venceu a Selecção de São Paulo por 2x1, com gols de Flávio Ramos e Gilbert Hime. A equipa actuou com: Álvaro Werneck, João Leal e Barreto Maranhão; Pereira da Cunha, Octávio Werneck e Adhemaro Delamare; Carlos Bitencourt, Alexandre Mayo, Tupin, Flávio Ramos e Ithamar Tavares.

Entretanto, o primeiro título não demoraria, apesar de o Fluminense ser considerado ‘imbatível’. O título chega em 1907, mas devido a um enorme quiproquó, Botafogo e Fluminense terminaram empatados e não houve jogo decisivo por recusa do Fluminense, tendo o assunto sido resolvido na década de 1990 com a atribuição do título a ambos os clubes.

O primeiro título absolutamente inquestionável surgiu com a grande conquista do Campeonato de 1910 sobre o Fluminense, tendo o Botafogo sido designado por ‘Glorioso’ devido às sucessivas goleadas que impôs durante toda a campanha.

Até ao ano da fusão dos dois Botafogos do bairro, o Botafogo Football Club percorreria uma trajectória de glórias e conquistou oito campeonatos cariocas. Além dos campeonatos de 1907 e 1910, venceu em 1912, 1930, 1932, 1933, 1934 e 1935 (tetracampeão do Rio), e ainda conquistou o Torneio Interestadual de 1931 e o Torneio Início em 1934 e 1938.

Em 2003, um rapaz de 17 anos encontrou um baú do tataravô que continha jornais, revistas, fotos, flâmulas e mesmo uma gravata em preto e branco. Aquilo pertencera a John Moore, que com 92 anos de idade assistira pela última vez a um título do Botafogo, precisamente em 1968 quando o clube venceu o Vasco da Gama por 4x0 na decisão do campeonato carioca. Esse “velhinho” era, nem mais nem menos, ‘Mister John’, um inglês que dava aulas no Colégio onde Flávio passara o bilhete a Emmanuel e que naquela tarde de Agosto de 1904 ouvira o General Noronha contar o episódio do ‘bilhetinho’ [Casé, em Casé e Falcão, 2006: 22].

A paixão súbita de ‘Mister John’, que durou 64 longos anos, foi o prenúncio de que o clube dos rapazes atingiria a celebridade num ápice e tornar-se-ia uma potência do futebol brasileiro.

Fontes principais: AUGUSTO, Sérgio (204), Botafogo – Entre o Céu e o Inferno, Rio de Janeiro: Editora Ediouro; CASÉ, Rafael; FALCÃO, Roberto (2004), 100 Anos Gloriosos – Almanaque Centenário do Glorioso, Rio de Janeiro: Areté Editorial; CASTRO, Alceu Mendes de Oliveira (1951), O Futebol no Botafogo (1904-1950), Rio de Janeiro: Gráfica Milone; MESQUITA, Alexandre; ALMEIDA, Jefferson (2006), Clássico Vovô, Rio de Janeiro: Barra Print.

terça-feira, 11 de agosto de 2026

O torcedor

Carlinhos Oliveira. Crédito: Sebastião Barbosa.

[Nota preliminar: Poucos cronistas captaram a alma carioca como José Carlos Oliveira (n. 1934; f. 1986), o cronista mais influente do Brasil durante 23 anos. Representante invulgar da intelectualidade e da boêmia da Zona Sul do Rio, o irrequieto, mordaz e irreverente Carlinhos Oliveira, como era conhecido, encantou os leitores do Jornal do Brasil com mais de três mil crônicas. A que se segue é puramente alvinegra.]

por Carlinhos de Oliveira | Botafoguense revelado por emoção pura Arte: Fogo Papers.

«Jogam Flamengo e Botafogo, e meu coração se divide. Como qualquer brasileiro, nasci Flamengo; mas, aos 18 anos, decido romper com todos os preconceitos, e mesmo com as crenças mais sensatas que vinha acumulando. Para começar tudo de novo. Resultado: fiquei sem um céu para onde ir depois da morte, e sem um time de futebol que me fizesse experimentar simbolicamente, nos fins-de-semana, as alternativas de vitória e derrota em que se resume a aventura humana.

Uma tarde de domingo, jogavam Botafogo e Fluminense em partida final de campeonato. Toda a cidade estava no Maracanã. Andei pelas ruas desertas, indiferente à sorte do campeonato. Cheguei ao Metro Copacabana e entrei para ver um filme infantil. Lá dentro eram raros os adultos. Na saída, com o sol já se apagando, fui andando na direção do Roxy, e na minha frente ia uma família muito jovem: o marido com uns quarenta anos, a mulher grávida de seis meses.

O marido levava ao colo um menino pequeno, e a mulher conduzia pela mão dois outros meninos. Fui andando a pensar na alegria que eles teriam se dentro de três meses nascesse a primeira menina. Provavelmente iriam ter o quarto filho apenas para alegrar o homem, cujo sonho era ser pai de uma gentil criança do sexo feminino. A jovem senhora grávida era bela, de traços finos; usava sandálias sem alças e mostrava uns pés verdadeiramente sublimes.

Íamos andando assim quando topamos com um cidadão que, encostado a uma árvore, ouvia um rádio de pilha. Ao vê-lo, o homem, a mulher e as crianças ficaram paralisados. O homem e a mulher se entreolharam em silêncio e ficaram ainda algum tempo indecisos. Depois, o homem, sempre com o filho caçula no colo, aproximou-se cautelosamente do cidadão que ouvia o rádio e falou:

– “Por favor... Quanto foi o jogo?”

– “Seis a dois” – disse o outro.

– “Ah, seis a dois... Mas para quem?”

– “Para o Botafogo, naturalmente...”

– “Naturalmente!” – exclamou então o pai de família, e a jovem senhora ficou com o rosto iluminado.

Arte: Fogo Papers.

Os dois meninos que iam a pé pularam de contentamento. O pai entregou à mulher o filho de colo, beijou-a na testa, deu adeus aos outros filhos e saiu correndo na direção de um táxi que passava. Entrou no táxi e seguiu para o Túnel Novo.

Fiquei curioso para saber o que se passara. Contemplei algum tempo a jovem mulher que seguia agora o seu caminho, com dois filhos pela mão, um terceiro no colo e um quarto na barriga. Adiantei-me e lhe disse:

– “Queira desculpar, mas... Que foi que houve?”

– “O Botafogo venceu” – disse ela – “e ele foi para sede do clube comemorar”.

– “Mas” – insisti –, “se ele gosta tanto assim do Botafogo, por que diabo não foi ao Maracanã? Por que se meteu no cinema?”

– “Para evitar o enfarte!” – disse ela, com simplicidade e também com uma espécie de triunfo na voz.

– “Ah, sim... O Enfarte...”

A mulher e os filhos seguiram caminho. Entrei num bar e pedi um cafezinho. A partir daquele dia o meu time seria o Botafogo.»

Fonte: Publicado em 2008 no antigo portal ‘Movimento Carlito Rocha’.

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Botafogo conquista 6 medalhas de Ouro na 5ª regata e mantém liderança

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

O Botafogo FR conquistou 6 medalhas de Ouro na 5ª Regata do Campeonato Estadual de Remo, organizado pela Federação de Remo do Estado do Rio de Janeiro (FRERJ), que decorreu no Estádio de Remo da Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro, no dia 8 de agosto de 2026.

O Flamengo conquistou a 5ª regata ao vencer a última prova, mas o Botafogo permanece na liderança do campeonato estadual após a conclusão de 4 regatas, já que a 4ª Regata, que deveria ter sido realizada em julho, foi adiada para novembro em virtude de intempérie na Lagoa Rodrigo de Freitas.

Em seguida apresenta-se os pódios das medalhas de Ouro do Botafogo, ressalvando, contudo, que as informações são incompletas, inclusive faltando o pódio de uma das provas e outras informações relativas aos remadores.

Efetivamente a FRERJ tem prestado ultimamente um mau trabalho de divulgação das suas atividades, sendo cada vez mais difícil acompanhar as regatas ao vivo (no sábado a FRERJ falhou a transmissão da regata), assim como programação, resultados das provas e fotos, tal como era realizado antigamente com transmissão pelo Youtube e informações antes e depois das regatas no portal da FRERJ, que entretanto parece ter sido substituído por informações escassas através do Instagram.

A única transmissão da Regata foi assegurada por um torcedor vascaíno no Youtube (“Conversa entre Vascaínos”), que pese embora deva ser aplaudido pelo seu esforço em regime de voluntariado, não dispõe dos equipamentos necessários para uma transmissão sequencial, sem interrupções e cumprindo as regras básicas de informação.

Seguem-se, assim, os resultados incompletos dos pódios das medalhas de Ouro conquistadas pelo Botafogo na 5ª Regata:

SINGLE SKIFF – SUB-19 – MASCULINO

1º Botafogo FR (Isabella Silveira Fonseca Gomes)

2º CR Flamengo (Lara Postiglione Dorneles Pizzarro)

3º CR Flamengo (Ana Clara dos Santos Duarte)

DOUBLE SKIFF – SUB-15 – MASCULINO

1º Botafogo FR – A (Bento Junqueira Neves e Gabriel Nascimento dos Santos)

2º Botafogo FR – B (João Pedro Santos da Silva e Felipe da Rocha Miranda Fernandes)

3º CR Vasco da Gama – A (Ítalo Teixeira de Oliveira e Bernardo Bonfim)

SINGLE SKIFF – PESO LEVE – ABERTO – 2000M

1º Botafogo FR – C (Marcelo Barbosa de Almeida)

2º CR Flamengo – A (Evaldo Matias Becker Moraes)

3º CR Flamengo – B (Gabriel Melo de Oliveira)

FOUR SKIFF SEM – ABERTO

1º Botafogo FR (Renato Cataldo, Pedro Henrique, Gabriel Barbosa e Marcelo Barbosa)

2º CR Flamengo

3º CR Rio de Janeiro

FOUR SKIFF – MASCULINO

1º Botafogo FR – A

2º CR Flamengo – A

3º CR Sausalito (clube chileno convidado)

O Botafogo de Futebol e Regatas já conquistou 22 medalhas de Ouro nas 4 regatas realizadas.

Fonte principal: Youtube – Conversa entre Vascaínos.

domingo, 9 de agosto de 2026

Botafogo 1x1 Fluminense – dois pontos perdidos…

Crédito: Vitor Silva | Botafogo.

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

O jogo começou com sinal mais do Botafogo em matéria de domínio de bola, mas sem execução de jogadas perigosas, o que somente aconteceu aos 19’ em jogada bem urdida, mas que acabou nas mãos de Fábio.

O Fluminense respondeu os 22’ com um remate muito perigoso que rasou o ângulo da baliza de Warleson.

Nos dez minutos seguintes o Botafogo urdiu boas jogadas, mas foram invariavelmente anuladas devido a passes excessivos pelo meio ou dribles em demasia de um só jogador, os quais o adversário acabava por desarmar.

No entanto, o Fluminense não conseguia sair em construção de jogo ofensivo e as poucas vezes que chegou ao ataque fê-lo demasiado lento.

O Botafogo reanimou-se aos 33’ com uma jogada perigosa, mas à boca da meta Cristian Medina rematou com o pé errado e acabou ‘chutando’ a bola com a canela.

Aos 36’ surgiu nova oportunidade de remate dentro da área tricolor, mas Danilo bem marcado não teve o brilhantismo do seu 1º turno e chutou mal para fora.

Aos 44’ aconteceu finalmente o gol do Botafogo, mas desta vez, ao contrário de jogos anteriores, por meio de cobrança de falta espetacular de Alex Telles que encaixou a bola no ângulo superior da baliza de Fábio, inaugurando o marcador. Botafogo 1x0.

Aos 45+3’ esteve à vista o 2º gol após um cruzamento rasteiro de Álvaro Montoro para o local exato, apenas à espera de um matador que tocasse para as redes, mas… os homens de área do Botafogo são totalmente nulos na maior parte das vezes e a bola percorreu toda a grande área – muito perto da pequena área – sem conhecer o toque de uma chuteira alvinegra.

Tendo o Fluminense sido amarrado na sua defesa, esperava-se que o Botafogo entrasse a segunda parte com energia capaz de ampliar o marcador, mas sucedeu o contrário. O Fluminense dominou totalmente os primeiros minutos e o gol esteve à vista várias vezes e já se adivinhava – com o Botafogo remetido à defesa e em chutão para a frente.

Quando se podia substituir apenas 3 jogadores em toda a partida, compreendia-se que os treinadores adiassem o mais possível as substituições, mas desde que o número de substituições foi ampliado, creio que após um início de dez minutos alucinante do Fluminense tornava-se urgente que o Botafogo reforçasse a ligação entre a defesa e o meio campo.

Porém, esperou-se… Esperou-se… e aos 58’, após treze minutos de impressionante pressão do Fluminense o empate premiou o esforço tricolor e a inércia alvinegra.

Um minuto depois do empate, aos 59’, Franclim Carvalho lembrou-se, então, de proceder a duas substituições à pressa… “depois da casa arrombada, trancas à porta”…

E daí em diante o clássico caiu de ritmo, com o Fluminense aparentemente satisfeito por levar um ponto para casa. O Botafogo retomou algum protagonismo, mas os problemas de ataque permaneceram e ampliaram-se: insistência de jogadas pelo meio, passe excessivos que acabaram perdidos, lançamentos em profundidade que Arthur Cabral não conseguia recepcionar, falta de rapidez sobre a bola, enfim, nenhum gol do Botafogo em jogo corrido, apesar de muitos lances bonitos, mas ineficazes porque raramente havia futebol vertical e atacantes rápidos e hábeis para estilhaçar a defesa tricolor.

O Fluminense ainda teve uma boa oportunidade de Nonato aos 66’, que Warleson defendeu espetacularmente de cabeça, valendo-lhe atordoamento momentâneo – e conseguindo mais uma partida sem erros.

O Botafogo ainda efetuou alguma pressão a partir dos 70-75’, mas o Fluminense suportou bem essa pressão, que se traduziu sobretudo por um remate forte de Jordan Barrera que Fábio defendeu e, no último lance do jogo, em uma cabeçada talhada para gol, Arthur Cabral falhou uma vez mais. É um jogador que trabalha muito, mas lento e às vezes desajeitado, não faz o essencial para a sua posição: gols!

Pode-se afirmar que o Botafogo apresenta um futebol muitas vezes bonito, mas relativamente fácil de anular devido à insistência de jogo pelo meio, poucas chegadas à linha de fundo com cruzamentos para trás, posicionamento atrasado dos seus atacantes, enfim, futebol difícil de rasgar as defesas contrárias se não for acompanhado de lances em profundidade pelas alas, inversões rápidas de jogo, e protagonistas velozes que ganhem a frente do/s seu/s marcador/es.

O plantel parece ser razoavelmente positivo face ao contexto atual de reestruturação do futebol botafoguense, mas Franclim Carvalho tem que ser mais criativo na afinação de uma equipe que precisa de muitos arranjos funcionais para sonhar, talvez, com a classificação à Copa Libertadores 2027 e a conquista da Copa Sul-americana.

Por enquanto, mais dois pontos desperdiçado pelo Botafogo por culpa própria.

Em tempo: Geralmente não assisto a coletivas do treinador. Ontem também não, mas li há pouco o que Franclim Carvalho disse sobre Álvaro Montoro e considerei um absurdo, uma irracionalidade e inverdade do treinador. Irracionalidade, falta de pedagogia e de certo modo demagogia, porque Montoro foi o melhor atleta em campo, apesar dos seus 19 anos, e pelo menos dois dos seus passes seriam para gol e vitória no jogo, não fossem as conclusões desastrosas de - se não me engano - Villalba e Cabral. Nota zero para as declarações que li sobre Franclim Carvalho nos últimos jogos. Tem potencial para treinador (embora com grandes falhas ainda), mas quanto a comunicação em público deve frequentar um curso sobre o tema.

FICHA TÉCNICA

Botafogo 1x1 Fluminense

» Gols: Alex Telles, aos 43’ (Botafogo); Ignacio, ao 58’ (Fluminense)

» Competição: Campeonato Brasileiro

» Data: 08.08.2026

» Local: Estádio Olímpico Nilton Santos, no Rio de Janeiro (RJ)

» Público: 21.744 pagantes; 23.994 espectadores

» Renda: R$ 840.195,00

» Árbitro: Bruno Arleu de Araújo (RJ); Assistentes: Rodrigo Figueiredo Henrique Correa (RJ) e Luiz Claudio Regazone (RJ); VAR: Rodolpho Toski Marques (PR)

» Disciplina: cartão amarelo – Ferraresi, Marçal e Justino (Botafogo) Ignacio, Nonato, Samuel Xavier e Luis Zubeldía – técnico (Fluminense); cartão vermelho – Marçal (Botafogo)

» Botafogo: Warleson; Vitinho, Ferraresi, Justino e Alex Telles (Paulinho); Cristian Medina, Danilo e Álvaro Montoro (Danilo Pereira); Lucas Villalba (Jordan Barrera, depois Lucas Emanuel), Arthur Cabral e Kauan Toledo (Matheus Martins). Técnico: Franclim Carvalho.

» Fluminense: Fábio; Samuel Xavier, Ignacio, Jemmes e Renê; Otávio, Nonato (Savarino) e Paulo Henrique Ganso (Hércules); Serna (Canobbio), Castillo (Hulk) e Soteldo (Lucho Acosta). Técnico: Luis Zubeldía.

122 anos de futebol botafoguense: o nascimento, os sublimes detalhes e o baú do tataravô

Flávio Ramos sentado à frente e segundo a partir da esquerda. Fonte: Foto melhorada por IA com base na obra de CASTRO, Alceu Mendes de Olive...