segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Ano bissexto intrometido...

Imagem da Google

Torcedora Gloriosa

Competir ou revelar?!...

A Comissão Técnica do Sub-20 foi dispensada por Manoel Renha com a alegação de que as equipes de base não são para competir, mas para promover revelações. Entendo a ideia. Não é nova, e Renha já tinha dito isso mesmo anteriormente.

Donde, sabendo-se isso, não vou discutir a justeza da medida de demissão de uma Comissão liderando invictamente o campeonato da categoria. Porém, tendo em consideração que Arlindo, Dedé, Dimas, Jairzinho, Mura, Othon, Roberto Miranda, Zé Carlos e outros tantos craques – que foram titulares da equipe principal nos anos subsequentes e alguns deles campeões do mundo em 1970 – fizeram parte da equipe de juniores tetracampeã carioca de 1961/62/63/64, peço a algum dos leitores que me explique:

– Qual é a incompatibilidade entre vencer jogos, liderar um campeonato e revelar valores individuais para a equipe principal?

Parece-me que Renha está confundindo a equipe B que não tem, tal como sucede com os maiores clubes dos países europeus que disputam a 2ª divisão com as suas equipes B e não são declarados campeões mesmo que fiquem à frente do campeonato, com as equipes de bases que efetivamente tem. Não competir desde as bases (equipe B não é ‘base’) não incute ambição, não prepara mentalmente, não cria espírito ganhador na rapaziada. Ou estarei realmente enganado?

FLAtulências (119): Voz de Zico

“Dos cinco candidatos que estiveram lá, todos eles tiveram cargo na FIFA, em alguma entidade. Eu sou o “patinho feio”. Então não interessa para quem está votando, ter alguém de fora. Com isso, prevalece o futebol europeu, que hoje está por cima. Que a América do Sul tome cuidado. Brasil e Argentina, que têm muitos títulos mundiais, estejam atentos, porque hoje quem manda no futebol é a Europa.” – Zico [na foto, perdendo sozinho um pênalti e uma Copa], ironizando a eleição de Infantino para presidente da FIFA, sempre cheio de ‘dor de cotovelo’ achando-se aquilo que não é. Ninguém o conhece no atual mundo do futebol, e quem o conhece lembra-se bem da sua passagem pela UDINESE e do pênalti desperdiçado na Copa que perdeu sozinho. Restou-lhe ir jogar no Japão… E no Brasil lembramo-nos bem do seu desempenho durante o consulado de Patrícia Amorim e de nem a CBF o ter apoiado para candidato à FIFA. Nem lá, nem cá, nem em lugar algum o querem. É mesmo complexo de cathartiforme flamenguista que se acha o máximo fazendo o mínimo. Imagino a bagunça em vermelho e preto que seria essa personagem a dirigir (?!?!?!) a FIFA. Até o Blatter ficaria corado de vergonha…

Errata enviada pelo amigo Celso Ricardo: Zico perdeu QUATRO COPAS!!!

General Severiano brilha, mas chove em Botafogo!

Em Botafogo também chove em torrentes. A borrasca começou por volta das 16 horas de hoje, inundando o bairro de Botafogo, zona sul do Rio de Janeiro.

FERNANDO MOURA PEIXOTO (ABI 0952-C), feito ‘repórter da hora’, estava em Botafogo e bateu essas fotos.

Fernando estava posicionado – ou ‘ilhado’ –, como me referiu, entre a rua Real Grandeza e a rua Voluntários da Pátria.


Eram 17 horas, quando bateu as fotos. Que podiam ser melhores, mas… a máquina não é à prova d'água e evitou certos atrevimentos…

domingo, 28 de fevereiro de 2016

Botafogo 1x1 Vasco da Gama

Tendo em consideração que não estava nada em jogo, gostei do ‘Clássico da Amizade’ no seu conjunto e das duas equipes em particular.

Um primeiro tempo animado, bem jogado e com oportunidades de gol para ambos os lados. Na segunda parte as equipes passaram a cadenciar mais o jogo e um minuto antes do gol do Vasco, e até ao fim da partida, tive dificuldade em assistir ao jogo seguido porque estou em Cabo Verde e as interrupções de imagem passaram a ser frequentes.

Ainda assim vi algumas boas jogadas na segunda parte e novas oportunidades de gol em jogadas construídas de trás para a frente. Foi um bom ensaio, sem forçar demais, porque seria desnecessário efetuar esforços exagerados.

A equipe está acertando muito mais nestes dois últimos jogos do que nos cinco jogos anteriorers, que foram quase sempre maus.

Se o progresso continuar teremos uma equipe que se vai consolidando, mas o ataque não pode ficar entregue a Ribamar e a Luís Henrique. Urge um nº 9 com experiência e faro de gol, porque os dois ‘meninos’ são pouco experientes e as opções de jogadas morrem algumas vezes ‘infantilmente’ nos seus pés.

Seguimos invictos em 7 partidas e após dois clássicos. E por conta de um chute de Emerson que se eu mal vi a trajetória como poderia o goleiro vascaíno vislumbrar tal bomba atômica?...

FICHA TÉCNICA
Botafogo 1x1 Vasco da Gama
» Gols: Emerson Santos, aos 87’ (Botafogo); Riascos, aos 60’ (Vasco da Gama)
» Competição: Campeonato Carioca
» Data: 28.02.2016
» Local: Estádio de São Januário, no Rio de Janeiro
» Público: 7.921 pagantes
» Renda: R$ 291.570,00
» Árbitro: Maurício Machado Coelho Júnior; Assistentes: Wagner de Almeida Santos e Daniel Parro
» Disciplina: cartão amarelo – Luís Ricardo e Bruno Silva (Botafogo); Rodrigo, Marcelo Mattos e Andrezinho (Vasco da Gama)
» Botafogo: Jefferson; Luís Ricardo, Joel Carli, Emerson Santos e Diogo Barbosa; Aírton, Bruno Silva, Rodrigo Lindoso (Lizio), Gegê (Salgueiro); Ribamar e Luís Henrique (Neilton). Técnico: Ricardo Gomes.
» Vasco da Gama: Martín Silva; Madson, Rodrigo, Luan e Júlio César; Marcelo Mattos (Bruno Gallo), Júlio dos Santos (Eder Luís), Nenê, Andrezinho e Jorge Henrique; Riascos (Thalles). Técnico: Jorginho.

Botafogo no ar

Série: qualidade de vida... (55)

Botafogo de Constança campeão Rocassalense

O Esporte Clube Botafogo de Constança, estado do Rio Grande do Sul, sagrou-se vencedor da 2ª Copa Via Esporte do Campeonato Municipal de Campo em Roca Sales, no campo do Grêmio Esportivo Copalto do bairro Dois Lajeados, em Roca Sales, no dia 31 de maio de 2015, ao vencer o GE Copalto por 2x1 na finalíssima e 6x5 nos pênaltis.

Eis a campanha nas semifinais e finais:

SEMIFINAIS

EC Botafogo 0x0 EC Concórdia
» 12.04.2015
» Local: Campo de Constança

EC Botafogo 2x1 EC Concórdia
» 19.04.2015
» Local: Campo do Glicose

FINAIS

EC Botafogo 1x2 GE Copalto
» Data: 10.05.2015
» Local: Campo de Constância

EC Botafogo 2(6)x1(5) GE Copalto
» Data: 31.05.2015
» Local: Campo do Grêmio Esportivo Copalto

Pesquisa de Rui Moura (editor do blogue Mundo Botafogo)

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Voz do Papa Francisco

A inteligência, a sensibilidade e a espiritualidade irromperam finalmente no Vaticano e o Papa desmonta os dogmas ultrapassados de milhões de católicos em todo o mundo, protagonizando uma enorme lufada de ar fresco nas paredes bolorentas do Vaticano. A espiritualidade (que não tem que ser ‘religiosa’) tem finalmente reconhecimento no mundo do catolicismo. Este papa é o maior acontecimento da Igreja Católica Apostólica Romana em centenas de anos! Que viva por muitos anos com a sua fenomenal inteligência emocional capaz de atualizar a ideia de Deus!

Botafogo absoluto em 2016

Quem imaginaria que a equipe de futebol do Botafogo faria em 2016 a melhor sequência inicial do século XXI? Eu? Os jogadores? A Comissão Técnica? Os dirigentes? Os torcedores? A comunicação social? – Nem um de nós apostaria 6 vitórias em 6 jogos, mas o futebol continua sendo uma boa caixa de surpresas. E se não fossem as arbitragens facciosas as surpresas enriqueceriam ainda mais o futebol. (Imagem: Globoesporte.com)

Série: qualidade de vida... (53)

Um grande Botafogo desde sempre

Grande excursão ao Recife; 1919.01.24

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Tai Leareno

Copacabana, 1918

Biquíni septuagenário – a história do biquíni

por FERNANDO MOURA PEIXOTO(ABI 0952-C)
[Deferência Especial para o Mundo Botafogo]

“Dos cinco sentidos de Eros, olhar talvez seja o mais inofensivo, já que pode ser exercido a distância, ao contrário do tato, do olfato, do paladar e da audição, que pedem intimidade. Mas, nem por isso, há de ser menos picante”.– ARMANDO NOGUEIRA (1927-2010)

O Dicionário Etimológico Nova Fronteira da Língua Portuguesa, de Antônio Geraldo da Cunha, de 1982, 1ª Edição, assim define o biquíni: “substantivo masculino, ‘maiô de duas peças, de dimensões bastante reduzidas’, vocábulo formado no século 20. Do francês bikini, derivado do topônimo Bikini, na Oceania”.

O mineiro Alceu Penna (1915-1980), desenhista, ilustrador e estilista, discorreu sobre o assunto em uma revista O CRUZEIRO, na década de 1950: “No início do século 20, as mulheres começaram a frequentar as praias... E os trajes de banho cobriam o mais possível as formas das senhoras... Depois o conforto foi dando suas ordens e os maiôs encurtando... As pernas foram ficando inteiramente descobertas e surgiram os decotes nos ombros, colo e costas... Mas o encurtamento prosseguiu e veio o duas peças e depois o toque ousado com o biquíni. Parece que este modelo foi tirado do Teatro de Revista. Agora, perguntamos: o que faltará às mulheres que desejarem se exibir? A sua radiografia?”

COMO SURGIU O BIQUÍNI

Uma verdadeira revolução feminina aconteceu com o surgimento do biquíni, que, na visão irônica e irreverente do humorista Leon Eliachar (1922-1987), “é um pedaço de pano cercado de mulher por todos os lados” ou “um pedacinho de pano cercado de olhos por todos os lados”. E o libertário traje de banho que literalmente detonou os costumes, a cultura e a moral vigente por entre os tempos, em 2016 está completando 70 anos de existência.

O nome ‘biquíni’ tomara-se emprestado do local de dois explosivos testes nucleares subaquáticos de bombas atômicas – como parte da ‘Operação Crossroads’ –, realizados pela Marinha norte-americana no início de julho de 1946, no atol de Bikini, no arquipélago Marshall (36 ilhas em torno de uma lagoa), situado no Oceano Pacífico Sul, na região da Micronésia, oeste da Oceania.

De fato, seu inventor, o engenheiro mecânico francês Louis Reárd (1887-1984) – um desempregado que cuidava do ateliê da mãe, em Paris – aproveitou-se de uma ideia do figurinista Jacques Heim (1899-1967), que criara um pequeno maiô de duas peças denominado ‘átomo’ (‘atome’, no idioma de Racine e Voltaire), e confeccionou um tipo ainda “menor que o menor maiô do mundo”, escandalizando a sociedade da época, já que o corpo e sua nudez eram um tabu na cultura europeia, escondidos durante séculos. Dizem que a briga pela paternidade da diminuta indumentária rende até hoje.

O LANÇAMENTO DO BIQUÍNI

Fabricado em tecido de algodão com estamparias de manchetes de jornais, o biquíni de Louis Réard desvelava a região umbilical – uma “simbologia da vida” – e era tão pequeno e cavado (principalmente na parte de trás) que não houve manequim parisiense que aceitasse desfilar com ele. A solução encontrada foi apelar para Micheline Bernardini (1927-), uma gracinha de 19 anos, dançarina do Casino de Paris, que se apresentava nua em espetáculos musicais noturnos.

Em 5 de julho de 1946, na piscina pública Molitor – e depois às margens do Rio Sena –, tendo na mão a caixinha em que se comercializava a calcinha do biquíni, ela posou com o modelito ousado e despudorado de Réard, desbancando o recente lançamento do compatriota – e rival – Heim. A audácia de Micheline trouxe-lhe notoriedade e fama passageiras. Mais de 50 mil cartas postadas por súbitos fãs não foram o suficiente para que a bela francesinha tentasse uma carreira no cinema.

UM SUCESSO MUNDIAL

Arrojado e polêmico, vetado logo em alguns países e censurado também pela Igreja – o Papa Pio XII (1876-1958), que tolerou o nazismo de Adolf Hitler (1889-1945), chamou-o de “pecaminoso” e exortou as católicas a não utilizá-lo – o biquíni revelava quase tudo, para o delírio do público masculino – e feminino também; já existiam as ‘versáteis’ ou ‘relativas’ desde tempos imemoriais. E Louis Réard elaborou ainda uma estratégica propaganda de vendas, com o ‘slogan’: “Se não puder ser passado através de um anel de casamento, não é o autêntico biquíni”. Despindo muito mais do que vestindo, a novidade percorreu mundo afora, quebrando tabus, ditando modismos, influenciando ainda a roupa íntima feminina. E porque não dizer, preparando o terreno para a emancipação sexual das mulheres e o advento da pílula anticoncepcional.

Seguiu-se mais de um decênio. A música pop da inquieta juventude e a telona mágica da Sétima Arte contribuíram para a popularização do biquíni, que foi recheado pela sensualidade de atrizes como Bettie Page, Brigitte Bardot, Sophia Loren, Gina Lollobrigida, Mylène Demongeot, Pascale Petit, Marisa Allasio e Rossana Podestà. E depois, Ursula Andress e Raquel Welch, dentre tantas.

PIONEIRISMO NO BRASIL

Na América do Sul, a primazia de usar o biquíni na orla marítima coube à brasileira Elvira Olivieri Cozzolino ‘Pagã’ (1920-2003), 29 anos, vedete, atriz, cantora e compositora paulista nascida na interiorana Itararé – cidade famosa pela batalha que nunca aconteceu, no Movimento Revolucionário de 1930, entre soldados revoltosos e forças federais –e radicada no Rio de Janeiro.

Mito erótico nacional de então, ela rasgou e adaptou o modelo de duas peças que utilizava no teatro rebolado. E, no início de 1950, na praia de Copacabana, com um biquíni branco, desnudou o escultural corpo bronzeado, que era pontilhado por oxigenada penugem loura.

Poucas se atreveram a imitá-la. Quando isto acontecia, eram também vedetes, artistas ou modelos, como a alemã Miriam Etz (1914-2010), Irene Hozco (s/d), Norma Tamar (1925-), Carmem Verônica (1933-) e a morenaça gaúcha Eloína Ferraz (1937-) – a pioneira em fazer seguro do próprio corpo (dois milhões de cruzeiros em 1956, na Sul América) e a vestir calça ‘saint-tropez’ (que alongava o desenho do torso, com cintura bem abaixo do umbigo) no Brasil. Ou raras e simples praianas, como a exuberante francesa Catherine Dessau (s/d) – a primeira mulher a pilotar uma motoneta Vespa no Rio de Janeiro – e a esquálida e displicente ‘Brigitte do Arpoador’ – assídua frequentadora do bar Mau Cheiro. E ainda a jovem colunável Carmen Mayrink Veiga (1929-), que portava um biquíni francês com caracteres de jornal, feito especialmente para ela.

Somente plenamente consentido na praia a partir de 1957, o biquíni pegaria mesmo no Brasil durante os anos 1960 – servindo a contestações sociais e políticas –, em pleno regime de exceção, no rigor e na vergonha de uma ditadura militar instaurada em abril de 1964. Anteriormente, em 1961, quando ainda se respirava um pouco de democracia no país, o presidente populista Jânio Quadros (1917-1992), em meteórica e desastrosa passagem por Brasília, a nova capital federal, proibiu a realização de desfiles de misses e modelos em biquíni – em suas próprias palavras, “atendendo a um abaixo-assinado de milhares de damas de São Paulo”.

Em 1972, na crônica ‘Umbigo’, nosso expoente bárdico Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) – que não era bobo nem nada, muito pelo contrário, um erotômano de carteirinha – discreteou brilhantemente sobre o lance da barriguinha de fora:

"Umbigos andam por aí desafiando tua capacidade de curtir o novo dentro do eterno. Se na praia eles não são percebidos, porque se inserem no quadro global, na rua, no coletivo, na loja, no escritório, são uma presença nova, uma graça diferente acrescentada ao espetáculo feminino, um dom sem destino certo, que é a bonificação de um ano em que tantos perderam na bolsa, mas acabaram lucrando na vista...” 

A TANGA EM IPANEMA

“No meu tempo enfiava-se o bumbum dentro do biquíni. Hoje se enfia o biquíni dentro do bumbum.” – CARMEM VERÔNICA (1933-)

Vinte e seis anos depois de Louis Réard, na década de 1970 – ainda imperando a ditadura no Brasil – a modelo Rose di Primo (1955-), de 17 aninhos (nascida em São Paulo, mas carioca da gema no seu modo de ser e de pensar), grande aficionada por frescobol e considerada o maior símbolo sexual nacional da época, reinventaria o biquíni em Ipanema. Na base da improvisação – o jeitinho brasileiro –, meio sem querer, ela cortou aqui e acolá, e criou a ‘tanga’ em forma de ‘V’, uma estreitíssima faixa de pano situada inferiormente à cintura. Exportada para Saint-Tropez, na França, a tanga conquistou o planeta, frequentando as capas das grandes revistas internacionais. “Estamos a caminho do nada”, sentenciou um jornal de São Paulo.

Impedidas de praticar o ‘topless’ por uma proscrição estatuída e repressão policial, as ipanemenses lançaram então uma verdadeira tanga – dois exíguos quadriláteros de tecido atados ao corpo por fitas e cordões, na altura dos quadris. Complementados com cintos, aros, cordinhas, bordados e imaginativas amarrações, sucederam-se variedades – o biquíni de crochê, o ‘enroladinho’, o ‘cortininha’, o ‘E.T.’ (“entra todo” no bumbum da gatinha), o ‘cavadão’, o ‘asa-delta’ e o ‘fio-dental’ – tudo muito “cercado de olhos por todos os lados”. Plenos de sensualidade, os verões cariocas nunca mais foram os mesmos – ainda bem.

Nos anos 1980 – a intervenção militarista agonizava no país –, vencendo a hipocrisia e o falso puritanismo, audazes brasileiras puderam finalmente mostrar os seios nas praias, arregimentando uma legião de curiosos – adeptos do mixoscopismo, a palavra em português que designa o voyeurismo. Timidamente o ‘topless’ foi chegando, mas ainda controverso e mal visto, mesmo no final do século 20 – lembrando o que o poetinha da paixão Vinicius de Moraes (1913-1980) – outro voyeur de plantão –, em ‘Baladadas Meninas de Bicicleta’, já previra em 1946:

 “Vós cuja ardente virtude / Preservais muito amiúde / Com um selim de bicicleta / Vós que levais tantas raças / Nos corpos firmes e crus: / Meninas, soltai as alças /  Bicicletai seios nus!”.

E, em áreas – poucas – reservadas aos amantes do naturismo, veio o ‘bottomless’, o nada antecipado pela imprensa paulista nos anos 1970.

AS NOVAS CRIAÇÕES E O FUTURO

Em 1995, na Europa, o alemão Karl Lagerfeld (1933-), designer e fotógrafo, desenvolveu o reduzido ‘eye patch’ – propício às magras e longilíneas ‘top models’ – que descobre as curvas da mulher nos mínimos detalhes. E criou o caríssimo biquíni Coco Chanel, que motivou um singular assalto no Brasil, em outubro de 2000.  A vítima, a atriz Bernadeth Lyzio (1963-), caminhava tranquilamente pelas areias da praia de São Conrado, bairro nobre carioca, quando dois homens e uma mulher levaram à força o sofisticado biquíni Chanel que ela usava, deixando-a seminua, apenas com uma canga transparente. O caso repercutiu bastante na mídia, pelo inusitado roubo e por Bernadeth Lyzio ser viúva do dramaturgo Dias Gomes (1922-1999).

Grandes estilistas, designers e produtores de moda vão continuar arquitetando fabulosas inovações para as vestes femininas das musas praianas e divas das passarelas internacionais neste terceiro milênio. Ou, talvez, promover um longo retorno aos moldes tradicionalistas e comportados do passado. Quem sabe, aperfeiçoar um modelito ‘genômico’, um traje de banho leve, voluptuoso e diáfano, elaborado cientificamente de acordo com o sequenciamento genético de sua usuária. Haverá ainda mais alguma coisa a se ocultar depois do biquíni?

Sim, a usurpação solerte deste meu trabalho por uma aluna de Graduação em Moda da Universidade Anhembi Morumbi, que atende pelo nome de Camila Preitas. Ela me procurou em 2002, orientada por Diana Galvão, subeditora de ‘Moda Brasil’ – outra espertinha –, para uma entrevista sobre a minha história do biquíni, amplamente publicada na chamada ‘pequena imprensa’ em sua versão primitiva, simplificada. A incipiente Camila pretendia escrever – ora vejam só – a respeito do mesmo assunto. Como recusei, utilizou sem autorização o meu texto, de forma inapropriada, e o publicou mundo afora, como se tivesse me ouvido. Estou em tudo quanto é sítio de vendas de moda praia e lingerie, com erros grosseiros em afirmações esdrúxulas que jamais pronunciei. Restou ao menos um consolo: sempre bem acompanhado de fotos de belíssimas modelos em sumários biquínis.

“O plágio está na base de todas as literaturas, salvo da primeira, que, aliás, é desconhecida.” – JEAN GIRAUDOUX (1862-1944)

O autor: jornalista colaborador desde 1982, com ingresso na Associação Brasileira de Imprensa, ABI, em 1992, FERNANDO MOURA PEIXOTO nasceu no Rio de Janeiro em julho de 1946, mesmo mês da criação do biquíni em Paris – e não descansou enquanto não conheceu a fundo a novidade nas praias cariocas.

Escreveu, entre outros: “Frescobol, Um Esporte Como Outro Qualquer”, “A Verdadeira História do Futevôlei”, “Altamiro Braga, o Introdutor do Vôlei na Praia”, “Um Século de Raquete na Praia”, “A Praia Vista Por um Vendedor Ambulante”, “A Visita do Rei Alberto ao Brasil em 1920”, “Breve Relato Histórico do Carnaval Carioca” e “Marilyn Monroe, Mito Maior”.

De 1993 a 2005 integrou 22 antologias literárias da Litteris Editora. Faz humor com o pseudônimo de J. PRAIANO (1977), e começou a fotografar em 2011.

Blogues que já postaram artigos seus: Mundo Botafogo, Minas de Mim, Conexão Penedo, Sipeal Penedo, De Ópera e Concertos, Música de Fronteira, Nós da Poesia, Imersão Latina, Cidades do Meu Brasil, Observatório da Imprensa e Museu da Pessoa, entre outros.

Botafogo 2x0 Fluminense

Hexavencedor é o Glorioso!

Um time surpreendentemente organizado, com uma mudança tática agressiva, fazendo a melhor marcação dos seis jogos que realizou, sabendo gerir o resultado e manter o Fluminense sob pressão, o Botafogo só não ganhou por mais porque os contra-ataques funcionaram mal nos pés de Luís Henrique no 1º tempo, que é um finalizador de área, mas não um condutor de contra-ataques. Aliás, insisto que Luís Henrique e Ribamar têm que ser bem acompanhados porque são muitos jovens, falta-lhes experiência e têm que ser potenciados pela comissão técnica.

Ricardo Gomes soube superar completamente o seu colega do Fluminense, inovando com Bruno Silva bem aberto à direita, fazendo um bom jogo que dificultou em muito a vida de um adversário desarticulado que viveu (ou morreu…) de jogadas isoladas e sem qualquer sentido coletivo. O Fluminense jogou perdido em campo.

Deve-se realçar que jogadores sentiram que para vencer só na base do coletivismo seria possível e que a humildade era uma arma fundamental contra os anunciados ‘craques’ fluminenses que, afinal, não se viram em campo.

Embora mostrando ainda alguma lentidão, a nossa defesa foi muito mais eficiente na rapidez do desarme. O meio campo jogou mais junto e tapou mais as clareiras dos jogos anteriores, o goleiro mostrou-se sempre muito atento, mesmo quando as bolas levavam o selo de saída das quatro linhas do campo. E deve-se realçar que os últimos cinco gols saíram dos pés (e da cabeça) de revelações do futebol da base.

O treinador conseguiu que os atletas fizessem aquilo que o futebolista brasileiro gosta pouco: disciplina tática! O que prova que a disciplina tática pode superiorizar-se a um amontoado de 'craques' que vivem de voluntarismos ineficientes e ineficazes.

A estreia de Salgueiro evidenciou que a forma ainda não é das melhores. Precisa jogar para ganhar ritmo.

Foi o primeiro jogo em que o Botafogo mostrou forte personalidade e seria um bom momento para consolidar esta equipe no sentido do seu progresso enquanto coletivo de futebol.

A vitória foi convincente no primeiro clássico do ano.

PS: Eu não queria o Fred nem a custo zero…

FICHA TÉCNICA
Botafogo 2x0 Fluminense
» Gols: gegê, aos 6’ e Ribamar, aos 23’
» Competição: Campeonato Carioca
» Data: 24.02.2016
» Local: Estádio Kleber Andrade, em Cariacica
» Árbitro: Grazianni Maciel Rocha
» Disciplina: Bruno Silva e Ribamar (Botafogo); Pierre (Fluminense)
» Botafogo: Jefferson; Luís Ricardo, Joel Carli, Emerson Santos e Diogo Barbosa; Aírton, Bruno Silva, Rodrigo Lindoso, Gegê e Ribamar; Luís Henrique. Técnico: Ricardo Gomes.
» Fluminense: Diego Cavalieri; Wellington Silva, Renato Chaves, Henrique e Pierre; Douglas Augusto (Gérson), Diego Souza, Cícero, Gustavo Scarpa e Osvaldo (Felipe Amorim); Fred. Técnico: Eduardo Batista

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

C.R. Botafogo, campeão de Pólo Aquático em 1942

Fonte: Facebook Regatas Bfr (de Johnny di Botafogo)

Sporting Olympics

Sporting Clube de Portugal, a maior potência desportiva lusitana, criou o departamento ‘Sporting Olympics’ que reúne 38 atletas que obtiveram os mínimos olímpicos das suas modalidades, 10 dos quais já estão convocados para as Olimpíadas no Rio de Janeiro.

Imagem: Jornal Record.

Do além, assina Heleno

* por HELENO DE FREITAS
31.01.2016

[Nota preliminar do Mundo Botafogo: Trata-se de crônicas escritas pelo meu amigo Paulo Marcelo Sampaio, publicadas no seu blogue Arquibabotafogo, em nome de grandes figuras do Glorioso.]

Tudo lembrava o ano em que vivi por lá. São Januário, com o busto do grande navegador, o vice-almirante; com os azulejos antigos nos banheiros; com o escudo talhado no cimento perto das tribunas; tudo parecia um retrato art-decô. Quem tem a paciência de ler essas linhas deve estar me achando um saudosista. Não, caros, não há a menor chance disso. Mas hoje vivi um dia diferente.

Conheço o estádio do vasco desde os tempos em jogava pelos segundos quadros do Botafogo. Naquela época meu sonho era tabelar com Carvalho Leite. Mas ocupávamos o mesmo espaço. Só virei titular quando ele resolver se dedicar definitivamente à medicina. Tive, no entanto, a honra de substituí-lo na estréia do campeonato de 1940, contra o são cristóvão, Fiz dois gols. Isso é passado. Às favas com ele.

O que eu não esperava num sábado de sol, aqui de cima, era ver o que vi. Um torcedor vestia uma camisa diferente. No lugar do escudo, apenas uma estrela branca, costurada com fios dourados. No lado oposto, uma assinatura que não descobri de quem era. Quando o rapaz, meio manco, se dirigia às sociais, vi meu nome costurado. Sorri. Como ser lembrado mais de 56 anos depois que vim pra cá?

Eu falava de São Januário e não consigo esquecer do quiprocó com o Flávio Costa, aquele fracassado. Mesmo campeão, não fui feliz por lá. Reconheço até meus destemperos, mas aquilo ali mais parecia um quartel. Eu me recordava há pouco a estréia no campeonato de 40 e já estava eu ligado noutra estréia, a de ontem, contra o bangu, naquele campo de guerra que tanto pisei. Porque, pra mim, futebol era guerra.

A vida, ou melhor, a além-vida, nos traz uma certa maturidade. Se como jogador, me irritava até com colegas de time, hoje, como torcedor, me aborreço com as exigências pela perfeição. As vaias ao menino Gegê me contrariaram. Porque se o torcedor não vai pra ajudar, é melhor ficar em casa. Uma outra imagem me deixou intrigado. Um rapaz, de seus quarenta e poucos anos, assistia a partida das sociais, com óculos parecidos com os meus. Sopraram pra mim que é nosso dirigente. Mas por que o chamavam por um diminutivo de um cartola vascaíno? Como nos meus tempos os dirigentes por essas bandas daí eram Ciro Aranha e Antonio Rodrigues Tavares, não entendi a brincadeira.

Mas isso pouco importa. O que importa é que vencemos, com uma tarde boa de Jacaré, o meia recém-chegado do Sarmiento. Confesso que estava com um pouco de má vontade com o argentino. É que tudo que me lembra aquelas bandas orientais não me traz boas lembranças. Me sentia como Rubem Braga, feliz ao encontrar noivos na calle Florida. ‘minha longa tarefa é outra, é não ser infeliz e me proteger e guardar, ser forte dentro de mim, forte, quieto, sereno.’

É com essa serenidade, incomum quando estava entre vocês, que procuro conviver, ao lado de velhos amigos como Neném Prancha, Geraldo Romualdo da Silva, Armando Nogueira, João Saldanha e alguns outros, que conheço há menos tempo como Maurício Torres, Roberto Porto e Ivan Lessa. Essa é a minha turma. Porque isso aqui é Botafogo, porra!

* Eu, Heleno de Freitas, mineiro de São João Nepomuceno, fui o jogador que mais amou o Botafogo.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Voz de Umberto Eco

"As redes sociais dão o direito de falar a uma legião de idiotas que antes só falavam em um bar depois de uma taça de vinho, sem prejudicar a humanidade. Então, eram rapidamente silenciados, mas, agora, têm o mesmo direito de falar que um prêmio Nobel. É a invasão dos imbecis." – Umberto Eco (1932-2016), ao jornal ‘La Stampa’.

Artefatos (124)

Olavo Bilac e... as Estrelas!

Olavo Bilac, primeiro grande Botafoguense renomado, que batizou a baleeira ‘Salamina’, em 28.04.1901, empunhando a flâmula alvinegra e sentenciando “Eu te batizo Salamina para o mar e para a glória”, era um exímio entendedor de… Estrelas!

VIA LÁCTEA
por Olavo Bilac

“Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto…

E conversamos toda noite, enquanto
A Via Láctea, como um palio aberto,
Cintila. E, ao vir o sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: “Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizes, quando não estão contigo?”

E eu vos direi: “Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas.”

Botafogo de Três Lagoas venceu o Torneio Início Varzeano

O Botafogo sagrou-se campeão do Torneio Início do Campeonato Varzeano de Futebol, de Três Lagoas, no estado de Mato Grosso do Sul, no dia 12 de Fevereiro de 2016, no Campo de Futebol Recanto do Galo, ao bater o Água Clara na decisão.

A disputa, que contou com 40 equipes e um público de 900 espectadores, foi objeto de 39 partidas relâmpago de 10 minutos cada no ‘mata-mata’ e a final ocorreu entre o Botafogo e o Água Clara, cujo resultado no tempo regulamentar terminou em 0x0. O Botafogo venceu no desempate por virtude de ter sido exibido ao Água Clara um cartão amarelo durante a partida final.

O Torneio Início, promovido pela Secretaria Municipal de Esportes, Juventude e Lazer (Sejuvel) da prefeitura de Três Lagoas, teve o objetivo de ‘ranquear’ os clubes e os finalistas foram premiados do seguinte modo: ao Botafogo foram atribuídos 2 pontos de vantagem para o campeonato, mais premiação e troféu; ao Água Clara foi atribuído 1 ponto de vantagem, mais premiação e troféu.

Pesquisa de Rui Moura (editor do blogue Mundo Botafogo)

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