José Passini – do portal
Seleçãoalvinegra.com – entrevistou Sidney Garambone, o jornalista que integra a bancada do Redação
Sportv e falou tudo o que pensa sobre o Botafogo. A pergunta de partida foi:
– “Você
não é botafoguense, mas se mostrou muito animado em falar sobre Botafogo. O que
é o Botafogo pra você?”
“O Botafogo, para mim, carrega sob sua camisa
a verdadeira alma do Rio. Uma alma que aplaude o talento, brinca com o
fracasso, é supersticiosa no tom certo e possui charme, muito charme. Todo
torcedor alvinegro é um intelectual, capaz de problematizar a derrota e a
vitória. O empate é apenas motivo para mais um chope.”
“Minha primeira memória do Botafogo é a do
Fischer correndo pela ponta direita, driblando quem estivesse pela frente e
desfilando a elegância da meia cinza. Tive na infância grandes amigos
alvinegros e, confesso, não entendia como um clube com tanta história podia
estar vivendo um jejum de títulos. Lembro bem do Marinho na lateral, Nilson
Dias, Mendonça…”
“A seca do Botafogo rivalizava um pouco com a
seca do Corinthians. Havia uma relação visceral. Só que a do Botafogo mostrava
bem uma decadência administrativa e técnica de um clube que fora hegemônico nos
anos 60 junto com o Santos. Era meio inacreditável o jejum. E aí, acho que
aumentou demais a história de “tem coisas que só acontecem ao Botafogo.”
“Chega a ser engraçado alguém levantar a
questão se o Botafogo é grande. Pelo amor de Deus. Essas pessoas acham que o
futebol começou no século 21. A arte de amar o futebol é a arte de seguir a
linha do tempo dos grandes times, das grandes seleções e dos grandes craques.
Time médio acaba. Time pequeno acaba. Time grande é eterno. O Botafogo é parte
da história do futebol brasileiro. Conhecido no país inteiro. Respeitado por
uma história de glórias. Passa por uma fase sem títulos relevantes? Ok. A vida
é ciclo. Analisar um time por um retrato temporal ou é má vontade ou
desconhecimento geral de história esportiva.”
“O Botafogo confunde-se com a história do
futebol brasileiro. Pobres os que analisam nossos clubes pelo fracasso efêmero
de certa época específica. Um time conhecido, amado e respeitado por todo o
mundo. Eu escrevi mundo e não Brasil, não acaba jamais. O Botafogo nasceu
imortal. Convido a todos estes brincalhões a darem um pulinho numa das atrações
turísticas do Rio de Janeiro. O muro em frente à sede de General Severiano. Se,
em alguns lugares do mundo, batizou-se de muro da vergonha vários deles, este é
o muro do orgulho.”
“Vou
lançar meu segundo romance em abril. Chama-se “Fausto Tropical” e é uma
releitura do clássico “Fausto”, de Göethe. E o personagem principal torce para
o Botafogo. Várias vezes eu aproveito a trama para citar alguma passagem
alvinegra e reforçar a personalidade dele.”



