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sábado, 25 de outubro de 2025

Vozes de João Saldanha

In LUDOPEDIO.ORG.BF

– Quatro homens, um ao lado do outro é a linha burra de quatro zagueiros. Só dá certo em parada militar, no futebol é brejo certo.

– Campo de futebol não é loteamento. Ninguém pode ter posição fixa.

– No futebol atual o preparo físico precisa ser apurado, pois do contrário o time joga como quem dorme com cobertor curto no inverno.

– É mais fácil falar das cabines ou das tribunas do que de dentro do campo. – Futebol não é ópio do povo. No Brasil é arte e paixão popular.

– Em 469 anos de história, matamos menos gente do que vocês em dez minutos de campo de concentração (numa emissora alemã, em resposta a uma pergunta de quantos índios foram mortos no Brasil desde o descobrimento).

João Saldanha, por Zuca Sardan.

– E como é que a Scotland Yard ficou famosa? Prendendo bons caráteres? (na BBC, respondendo à insinuação de que os árbitros latino-americanos não eram honestos).

– Meu velho, comunismo puro, a meu ver, só daqui a três mil anos.

– O Brasil é um país sem leis, é de quem chegar primeiro. Foi assim, desde o descobrimento.

– No Brasil, eu luto por um capitalismo desenvolvido, pois é um avanço.

– Hoje o Garrincha morreria de tanta pancada em campo.

– Nunca gritei gol, nem levei bandeira. Assisto aos jogos frio, frio.

– Quando alguém acerta na loteria três visitas são certas: a do corretor de ações, a do vendedor de enceradeira e a do padre da paróquia.

– Na verdade, o futebol é uma grande Zona do Agrião.

segunda-feira, 15 de março de 2021

Entrevista a João Saldanha: como se tornou botafoguense

Crédito: Boletim Oficial do Botafogo.

Acervo de ANGELO ANTONIO SERAPHINI

Boletim Oficial do Botafogo, nº 140, de 1958

ASSIM SOU

– João Alves Saldanha é o meu nome completo. Sou gaúcho, de Porto Alegre, nascido a 3 de julho de 1917. Estou, portanto, com 41 anos de idade, mas dos quais apenas um terço passei em meu Estado. Já por questões políticas, já por minha conta própria, tendência e gôsto, realizei inúmeras viagens, podendo, inclusive, dizer que conheço 32 países diferentes, pois já estive desde a Argentina até à China. Posso, também, dizer que poucos conhecem tão bem o Brasil como eu. E não preciso dizer o quanto o exporte me atrai e empolga. Tanto que já o pratiquei em várias modalidades. Aliás há um detalhe curioso. Eu jogava basquete. E como o Botafogo não disputava êsse esporte, fui com meus companheiros, jogar no Flamengo. E aconteceu que fomos campeões. Como Garrincha respondeu a um jornalista, também ainda não senti maior decepção em esporte. Nem mesmo em 50, pois estava preparado para aquilo. Como grande alegria tive, naturalmente, os 6x2 com que vencemos o campeonato de 57 e, como maior emoção, a vitória brasileira sôbre os tchecos, no campeonato do mundo de 38.

COMO SE TORNOU BOTAFOGUENSE

– Que foi que lhe levou, aqui no Rio, a se tornar botafoguense?

– Aqui, no Rio? – indaga por sua vez João e, sorrindo divertido, responde:

– Aqui, no Rio, nada. Já vim botafoguense. Já o era desde o Rio Grande. Talvez porque, na época, o Botafogo, com Martim Silveira, Otacílio e outros, era considerado o clube dos gaúchos. E, assim, eu já recortava as fotografias que a “Revista da Semana” e a “Careta” publicavam dos times e jogadores do Botafogo.

– Tanto – acentua João- que tendo chegado ao Rio, já no dia 3 de fevereiro dava o meu primeiro treino em General Severiano, que era como então se designava o campo do Botafogo. Passei a jogar no infantil e daí por diante não parei mais, até 39, quando sofri grave lesão no músculo da coxa direita.

– Sofreu essa lesão jogando futebol?

– Sim. Mas não foi o futebol o maior responsável. A verdadeira culpa esteve nas precárias condições físicas em que me encontrava. Eu estava em São Paulo integrando a delegação carioca participante do I Campeonato Brasileiro Universitário e, como não havia gente para tudo fui disputar diversos esportes, como futebol, basquete, volley e, até, atletismo, correndo 800metros. O resultado foi que sem condições para êsse excesso, acabei sofrendo rutura total do músculo.

COMEÇA O APRENDIZADO TÉCNICO

– Por isso – continua João Saldanha – e, também, porque comecei a viajar, parei de praticar o esporte em carater oficial. Continuava a acompanhá-lo com a mesma atenção e interêsse. Tanto mais quanto, com a ida de Kuerschener para o Botafogo e como, além do húngaro, só sabia se expressar em inglês ou francês, comecei a servir-lhe de intérprete, função que me ofereceu o excelente ofício de intérprete. E esta função se tornou verdadeiramente sedutora porque ofereceu-me oportunidade de colher grandes ensinamentos do extraordinário técnico. Posso assim dizer que aí começou o meu aprendizado técnico. E com o melhor professor.

– Em 44, Ademar Bebiano me chamou para ser seu diretor de futebol. E isto me deu ensejo a que tivesse contato com Bengala, o técnico mais simples, mas mais vivo e objetivo que já vi. Depois com Ondino Vieira e assim continuei sempre aprendendo e assimilando, buscando melhorar. Permaneci nessas funções até 47, quando por motivo de saúde e, também, porque voltei às viagens, interrompi minhas atividades, para só retornar em 56, novamente, para atender ao chamado de Ademar Bebiano, a fim de substituir Nelson Cintra. De diretor a técnico, o passo foi pequeno. Não tendo sido possível se estabelecer acôrdo com Geninho, assumi a direção do quadro. E dêsse instante para cá, julgo não ser preciso dizer nada. Todo mundo já sabe o que houve,

sábado, 26 de setembro de 2020

João Saldanha: sinopse do enredo da Botafogo Samba Clube para 2021

 

por MARCELO ADNET & RICARDO HESSEZ

“Meus amigos”, que falta faz a voz de João Saldanha! Os mais jovens provavelmente não conhecem suas fabulosas histórias, mas deveriam. O fato é que a lenda engoliu o fato e se tornou história.

“Entre o fato e a lenda, imprima-se a lenda”

João nasceu envolto em fábula, no revolucionário 1917. Dizem que foi em Porto Alegre, mas ele garante que foi no Alegrete, embora sua certidão seja do Uruguai. Cresceu cercado por facas, ponchos, espingardas, bombachas e chimarrão. Seu pai era um líder Maragato, lenço vermelho no pescoço e sangue de guerreiros. Mesmo em uma família de algumas posses, aprendeu que seguir seus ideais custava a luta de uma vida inteira. Quando criança, cruzava a fronteira trazendo armas do Uruguai para o Rio Grande e dormia sob a cama da mãe, prevenindo represálias dos Chimangos. Acostumou-se ao exílio: a família foge para o Uruguai e volta nos rastros abertos pela Coluna Prestes – do amigo Luis Carlos, que moraria com os nove filhos junto à família de João em seu apê, décadas mais tarde.

Os Saldanha se assentam em Curitiba, de onde seguem em romaria política: com a Revolução de 30, a família se muda para o Rio de Janeiro. Esse encontro de dois Rios em revolução forjariam a identidade de João.

A Estátua do Cristo Redentor chega ao Rio de Janeiro em 1931. Junto com ela, o jovem que se encontra em bares e cafés; na boêmia com vedetes, em batalhas de confete; praias, carnaval e futebol. João entrou de penetra em bailes com Heleno de Freitas, com quem dividiria uma garçoniére cujo acesso se dava por uma funerária. Viu o tetra-campeonato do Botafogo, sua grande paixão, e passou a integrar o time de praia do lendário Neném Prancha. Diz-se que muitas das famosas frases atribuídas a Neném, eram, na verdade, de João. Vai saber:

“Goleiro bom tem que dormir com a bola…”

“Pênalti é tão importante que deveria ser batido pelo presidente”

“Se macumba ganhasse jogo, o campeonato baiano terminava empatado”

Flanava entre as Turmas dos Cafajestes e da Bossa Nova, de Vinícius – João atuou em um filme do Poetinha – e de seu primo Tom, que “falavam difícil”. Se identificava com Neném e o pessoal da praia mais popular, a Turma da Miguel Lemos.

Filiado ao PCB, ao participar da Reunião Contra a Bomba Atômica, considerada subversiva pela polícia, não se conteve quando autoridades interromperam o evento. João arremessou uma cadeira no chefe da polícia e tomou um tiro que perfurou seu pulmão. Ainda ensanguentado organizou a fuga com elegância: “mulheres primeiro, por favor”. Detido e levado ao hospital, escapa espetacularmente e passa a ser foragido.

Muda-se para a Vila Formosa, em São Paulo, onde milita pela causa “O Petróleo é Nosso” e é preso e torturado pelo DOPS e depois jogado do Alto do Sumaré.

Mas João não descansa, nem usa seu lugar de privilégio para se acovardar ou acomodar. Logo se envolve no conflito agrário de Porecatu, no Norte do Paraná. Enfrentou polícia, jagunços, fazendeiros e a milícia Mata Pau ao lado dos camponeses posseiros. Entre emboscadas e tiroteios, o misterioso homem agiu sob identidade secreta e arriscou sua vida para fazer aquela Reforma Agrária que assentou cerca de 1600 famílias nas cidades vizinhas.

Ricardo Hessez e Marcelo Adnet

F2 João ainda participou da Passeata das Panelas Vazias que, para o desespero dos patrões, evoluiu para a Greve dos 300 Mil. Sob o codinome “Souza da Vila Formosa”, cativou o Sindicato das Tecelãs e trouxe junto os Carpinteiros, Gráficos, Metalúrgicos e Vidreiros com quem organizava piquetes e reivindicava aumento salarial e melhores condições de trabalho. Segurou a greve sob sabres e socos da cavalaria paulista.

Anistiado, volta ao Rio de Janeiro e comanda o Botafogo em 1957, sagrando-se Campeão Carioca. O técnico que abriu alas para Garrincha desfilar é carregado nos ombros da torcida que invadiu o gramado do Maracanã. Sem ganhar salário e tirando do bolso para pagar Garrincha, era o líder que tomava uma com os jogadores no bar, escrevia seus esquemas táticos em maços de cigarro e militava pela liberdade: “se concentração ganhasse jogo, o time da penitenciária seria campeão”.

Logo depois se tornaria “o comentarista que o Brasil consagrou” e criou expressões como “a vaca foi para o brejo”, “zona do agrião”, ir pro vinagre”, no bagaço”, “cabeça de bagre”, “mostrar o mapa da mina” e “entregar o tesouro ao bandido”. Sua voz ecoava pelo velho Maracanã, amplificada pelos radinhos de pilha. João comentava olhando nos olhos dos geraldinos, gesticulando e falando a língua do povo.

Pois eis que chega a ditadura e João antevê um “longo e tenebroso inverno”.

Em tempos de repressão e censura, “João Sem Medo, que fazia os abutres calarem as bocas de ódio”, como Nelson Rodrigues definia, fazia as televisões saírem do ar. Assim foi ao vivo na Alemanha ao dizer que “bárbaros são vocês” e ao partir pra cima de Castor de Andrade em uma mesa redonda. Enquanto o AI-5 aprofundava a ditadura, João aceitava o convite para ser técnico da Seleção. Queriam calar um opositor? Aproveitar sua popularidade? Depois da melhor campanha do Brasil em eliminatórias, as arquibancadas do Maracanã explodiram: “Saldanha! Tricampeão!”. O técnico que abriu os caminhos para a conquista do Tri, comandando os “feras do João” era o maior ídolo do país atrás de Pelé.

Acontece que Médici assumiu a presidência e João o definiu como “o maior assassino da história do Brasil”, além de denunciar tortura e desaparecimentos nos maiores jornais do mundo. Para piorar, Médici queria Dario na seleção e João disparou: “organize seu Ministério que eu organizo meu time”. Tornou-se um problema de Estado e criou-se uma intervenção para tirar o “comuna” da Seleção. Saiu com bom humor: quando Havelange sentenciou: “está dissolvida a Comissão Técnica”, sem levar desaforo para casa, João respondeu: “não sou sorvete para ser dissolvido”. Acreditava no brasileiro e creditou a vitória a nosso talento, “que não copia ninguém e fez da arte dos seus sua força maior”.

Ainda viu seu Botafogo ser campeão de 89 e sua última Copa na Itália, onde recebeu seu derradeiro parabéns dos emocionados colegas da imprensa. Morreu em Roma, no campo de batalha.

Seus milhões de fãs e amigos juraram: “João, o Rio vai gritar sempre para defender você”

Como a morte não é um fim absoluto, renovamos esta prece e invocamos a voz de indignação que jamais deve se calar. Que João nos inspire a escolher as lutas certas: “eu não brigo para ganhar, eu brigo porque tenho razão”.

Em um tempo em que se renovam o medo, o temor, a injustiça e as desigualdades, a Botafogo Samba Clube move as engrenagens do espaço e do tempo através da memória para sintonizar a poderosa voz de João nos dias de hoje. “Não acendam um fósforo perto do João”, dizia Nelson Rodrigues. Desculpe, Nelson, mas vamos riscar e botar fogo na paixão que arde no peito do brasileiro. A paixão pela justiça, pela igualdade. João era assim: um apaixonado pela verdade caminhando em nuvens – ou seriam tempos? – de ilusão. Embalados pelo samba, pela coragem e a insubmissão, festejemos a luta de João com uma pergunta: o que ele diria se estivesse aqui hoje, armado com um microfone?

A Voz de João hoje é a nossa voz! Viva João Saldanha!

Fonte: https://www.carnavalesco.com.br/conheca-a-sinopse-do-enredo-da-botafogo-samba-clube-para-2021/

quarta-feira, 28 de agosto de 2019

O treinador João Saldanha na ditadura

Crédito da imagem: revista Placar – abril de 2000

por PEDRO J. BONDACZUK

“Sempre que me lembro da Seleção Brasileira de 1970, ou que alguém, ou algum jornal ou canal de televisão a menciona e que, para muitos, foi a melhor que o Brasil formou em todos os tempos – no que discordo, pois considero, pela ordem, que as de 1958 e 1950 lhe foram superiores – vem logo à memória o nome de um sujeito controvertido, sumamente injustiçado pela posteridade, mas que merece nosso respeito e reverência: João Saldanha. Foi ele que incutiu nos nossos jogadores uma filosofia vencedora e montou a estrutura que acabaria bem-sucedida no México, sob outro comando (o de Zagallo) e não mais o seu. Era, sobretudo, homem ousado (muitos classificavam-no de atrevido), de firmes convicções e personalidade forte. Tanto que ficou conhecido nos círculos jornalísticos – dos que não se renderam à ditadura militar, pois a maior parte aderiu, e alguns com entusiasmo ímpar, ao que classificavam de “revolução redentora” – como João Sem Medo.

Sua coragem era tanta, que às vezes raiava à temeridade. Mas o futebol brasileiro, humilhado em gramados ingleses, precisava, naquele momento, de um líder desse porte. E ele foi a pessoa certa no momento adequado. Pena que poucos reconheçam. […]

Em 1969, João Saldanha foi convidado pela então CBD para comandar a Seleção Brasileira, desmoralizada e combatida, sem nenhuma credibilidade após o fiasco de 1966. João Sem Medo não era de fugir de desafios. E não fugiu desse. […]

João Saldanha, antes de tudo, investiu na recuperação do moral dos nossos atletas que, desde 1950, tinham fama de “pipocarem” diante de adversários mais viris. Exigiu-lhes garra, muita garra, sem medo de cara feia, pois técnica eles tinham para dar e vender. […]

João Saldanha disse que os atletas que convocasse, e que viesse a escalar, teriam que ser, antes de tudo, valentes. Pretendia formar uma equipe de “onze feras”. Afirmava que seus selecionados não poderiam se inibir diante da truculência dos que pretendessem nos vencer na base da pancada. Ou seja, defendia que a Seleção fosse técnica diante de adversários técnicos, mas forte e viril com os que recorressem somente à força. Foi então que surgiram as tais ‘Feras do Saldanha’. […]

Ficou famosa uma briga de Saldanha com o técnico Dorival Knipel, conhecido como Yustrich, então treinador do Flamengo. Era um sujeito truculento que (dizem) chegava até a bater em jogadores que não seguissem à risca suas instruções. Nosso João Sem Medo, contudo, não “afinou” diante do tal valentão. Encarou-o, de revólver na mão, e a coisa só não foi mais longe por causa da providencial intervenção da turma do “deixa disso”. E ademais, inexperiente ou não, bom ou mau, o fato é que Saldanha, com um time base que era mescla do Santos e do Botafogo, as duas melhores agremiações do País na época, classificou o Brasil para a Copa do México e jogando bem. Foi o caso do bonito e do eficiente. […]

Por isso, quando exaltarem o reconhecidamente bom trabalho de 1970, não se esqueçam de quem pegou uma Seleção desmoralizada, esfacelada, ferida e desmotivada e a entregou a Zagallo rejuvenescida, aguerrida e com espírito de campeã”.

Leia a publicação completa em https://jornalggn.com.br/artigos/o-treinador-joao-saldanha-na-ditadura/

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Troféu João Saldanha: 14 edições

O Troféu João Saldanha é um prêmio criado desde 2004 pelo jornal Lance! e atribuído à melhor equipe do segundo turno do Campeonato Brasileiro, sendo equivalente ao Troféu Osmar Santos para o vencedor do primeiro turno.

O prêmio homenageia João Alves Jobim Saldanha (1917-1990), jornalista, escritor, militante político e treinador do Botafogo e da Seleção Brasileira. Eis os vencedores das 14 edições:

2004: Santos
2005: Internacional
2006: São Paulo
2007: São Paulo
2008: São Paulo
2009: Cruzeiro
2010: Grêmio
2011: Fluminense
2012: São Paulo
2013: Cruzeiro
2014: Corinthians
2015: Corinthians
2016: Palmeiras
2017: Chapecoense

Síntese: São Paulo (4), Cruzeiro (2), Corinthians (2), Santos (1), Internacional (1), Grêmio (1), Fluminense (1), Palmeiras (1) e Chapecoense (1).

quarta-feira, 28 de junho de 2017

O dia em que João Saldanha foi tema de vestibular

A prova de Língua Portuguesa no vestibular 2009 da Universidade Federal do Rio Grande do Sul falava de João Saldanha.

As perguntas de 20 a 25 se referiam a uma crônica do João, analisado pelo professor Sírio Possenti, no livro "A cor da língua e outras croniquinhas de linguista", editado pelo ALB/Mercado de Letras, em 2001.

Quem se habilita a responder?

Sírio Possenti é professor titular (Análise do Discurso) no Departamento de Linguística do Instituto de Estudos da Linguagem (Unicamp), licenciado em Filosofia, e tem mestrado e doutorado em Linguística.

Dica do querido amigo Luiz Roberto Santos, botafoguense de carteirinha e firma reconhecida em cartório, marido de Dona Irene.

Fonte: Facebook.

sábado, 3 de junho de 2017

Um encontro com João

por CESAR OLIVEIRA
editor de LivrosdeFutebol.com

João Saldanha é meu ídolo no futebol fora dos gramados. A admiração vem dos tempos do extinto Estádio do Maracanã, quando ia ver jogos do Botafogo com meu velho pai.

Numa das vezes, andando sob aquela marquise extraordinária - que a incúria e a roubalheira nos levaram, junto com o maravilhoso estádio - ouvi Jorge Curi chamar João para o comentário do intervalo. O "meus amigos..." explodiu em dezenas de milhares de radinhos de pilha, repercutindo a opinião abalizada do realmente técnico.

João foi também responsável por me fazer Botafoguense, quando levou o Botafogo, em 1957, à vitória no campeonato carioca, complementando no gramado um trabalho de reorganização do clube que ele começara nos bastidores, como diretor do Clube. 

Apesar de culto e viajado, João falava a língua do povão, o que ficou mais do que comprovado na maneira simples e direta com que topou treinar a Seleção Brasileira e classificá-la à Copa do Mundo de 1970.

Personalidade forte e decidida, não aceitava desaforo, defendia a ética, o bem, o futebol brasileiro, o jogador de futebol. Agora, vou poder retribuir a ele as alegrias da juventude, a admiração pela maneira simples e fácil de se comunicar, as opiniões visionárias que me impressionaram. Sempre uma aula de jornalismo isento e brasilidade, João nunca deixava barato uma maledicência ou um erro.

Para homenageá-lo no seu centenário de nascimento, com autorização dos seus quatro filhos, herdeiros do seu legado, a LivrosdeFutebol lançará, dia 3 de julho, o livro (e e-book) "As 100 melhores crônicas comentadas de João Saldanha". Vamos realizar a "Semana João Saldanha", promovendo também debates sobre ele, quem sabe (dependendo de disponibilidade) realizar uma roda de samba no sábado, dia 8, na Livraria Folha Seca. E, em agosto, realizar debate e lançamento no Museu do Futebol, em São Paulo, dentro da reunião ordinária do Memofut - Grupo de Literatura e Memória do Futebol.

Amanhã, entra no ar a fanpage do projeto "João Saldanha: cem anos, sem medo", um trabalho da Vértice Marketing, do parceiro 
Marcelo Guimarães Mac. Teremos o apoio da Approach Comunicação e do Museu da Pelada, do Sergio Pugliese. Eduardo Cantidiano colaborou na área comercial. O Trem do Corcovado e a BKR Sistemas foram parceiros da primeira hora.

Ao longo do mês, vamos passando maiores informações dos apoios e eventos que forem sendo consolidados. Estamos abertos a novas adesões, de pessoas físicas e jurídicas que desejem nos apoiar, nessa reverência do grande João Alves Jobim Saldanha.

terça-feira, 17 de novembro de 2015

João Saldanha e as superstições

por JOSÉ FIGUEIREDO
jornal O Globo (notícia original em 1962.10.31)

As camisas também participam ativamente da extensa lista das superstições do Botafogo. Sobre isso, vale registrar o curioso diálogo entre o comentarista João Saldanha e o diretor Renato Estelita, sábado último, após Botafogo x Bangu.

O ex-preparador alvinegro criticava o uso das camisas compridas em dias e noites de calor e indagava de Estelita se havia alguma razão para ”aquela bobagem”. E o diretor, com a maior tranquilidade, respondeu:

- Há, sim, João. A mesma pela qual você sempre usava uma única calça, um mesmo sapato, mesma camisa e até a mesma meia, durante as partidas do campeonato de 57…

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Os subterrâneos do futebol

Palavra de João Saldanha em 1963. Tudo exatamente – e um pouco pior – em 2015. O futebol brasileiro, que viveu em exclusividade do seu extraordinário celeiro de excelentes atletas, que hoje escasseiam em virtude dos erros crassos de décadas sem juízo, precisa de dirigentes sérios e treinadores competentes: uns não são sérios, outros não são competentes. E os melhores atletas correm atrás do sonho do futebol europeu, que reúne todos os craques do mundo.

Ouçamos o mais esclarecido, crítico e polêmico jornalista brasileiro desportivo de sempre:

Dois ou três dias depois da chegada de 3 meses pela América Latina tínhamos que jogar em São Paulo. Se a outra viagem durara mais de 30 horas (fora as escalas) esta seria de uma hora apenas. O torneio [Rio-São Paulo] seria disputado a toque de caixa, em um mês e meio. Em seguida começariam os preparativos para a Copa do Mundo [de 1958].

Nosso time iria ficar desfalcado. Havia, portanto, um problema sério a ser enfrentado. O calendário estava feito e as datas indicavam que não teríamos nem um treino nos próximos meses. Os jogos seriam de 2 em 2 dias ou no máximo 3 em 3, numa ou noutra cidade.

Nossa equipe seria dividida em 2 partes: a dos convocados para a seleção e a outra que logo depois do torneio sairia pelo Brasil catando caraminguás que garantissem a folha de pagamento. Pelo menos parte dela.

E o pior é que os convocados para a seleção voltariam na semana em que começava o campeonato carioca. Nenhum treino poderia ser dado nos 4 meses que antecederiam o campeonato. Só no Brasil existe isso. Mais, em parte alguma do mundo.

Somos, sem dúvida alguma, o país mais atrasado em matéria de organização esportiva que existe na face da Terra. A primeira conclusão séria a que um treinador pode chegar em relação ao futebol brasileiro é de que uma coisa que não existe no Brasil é treinamento em futebol. E como não existe, nós não iríamos treinar até que começasse o campeonato. Nem nós nem os outros times.

Quanto charlatanismo existe no futebol brasileiro. Excluindo os jogadores, de talento excepcional, o resto é de chorar. O núcleo dirigente do futebol brasileiro formado na época do amadorismo, época empírica do futebol, não abandonou seus métodos e ideias. É sobre tais métodos que a mais popular das artes é dirigida no Brasil.”

Texto de João Saldanha, publicado em 1963 no livro ‘Os Subterrâneos do Futebol’, organizado por João Máximo.

sábado, 28 de março de 2015

Fragmentos ‘futebol no botafogo 1966-1970’: atribulações de João Saldanha no Botafogo [07]


por CARLOS FERREIRA VILARINHO
especialmente para o Mundo Botafogo
sócio-proprietário e historiador do Botafogo de Futebol e Regatas

O Botafogo competia em atletismo, basquete, futebol, futebol de praia, natação, pólo aquático, remo e voleibol. Em 5 das 8 modalidades esportivas, anualmente era conferida a Taça Eficiência. Em 1966, o Botafogo conquistou 4 Taças: atletismo (tricampeão), basquete, natação e voleibol (tricampeão). Só faltou a de futebol, pelas razões conhecidas. No voleibol, os juvenis brilharam no Torneio Início: campeão masculino e feminino. No masculino, os infantis ganharam tanto o Torneio Início quanto o campeonato. No feminino adulto, o título carioca só fugiu no último jogo da melhor de três. No remo, o Glorioso conquistou o tricampeonato de estreantes. Todas estas glórias – que demonstravam a enorme vitalidade do Botafogo - não tinham o menor significado para sumidades como Armando e Saldanha.

Na eleição de segunda-feira (12/12/1966), votaram 941 sócios, um recorde de comparecimento. Cinquenta nomes constavam das duas chapas. A Diretoria obteve pouco mais de 41% dos votos, a oposição, perto de 59%. Ney Palmeiro leu o resultado e deu posse imediata aos eleitos. Majoritária no corpo permanente, a oposição controlaria o novo Conselho Deliberativo e, por tabela, o Conselho Fiscal. A eleição do futuro presidente (biênio 1968-1969) estava decidida. Felizmente, o antigo Conselho Deliberativo já havia votado e aprovado o orçamento de 1967 na última sexta-feira.

Palmeiro, pronto para o combate, disse ao Correio da Manhã que o Botafogo só tinha a lucrar: “Assim, haverá um debate cordial de ideias com um propósito único de bem servir ao Botafogo”. No fundo, ele sabia que não haveria nem debate, nem cordialidade.

Passagem autorizada pelo autor, extraída de: VILARINHO, C. F. O Futebol do Botafogo 1966-70. Rio de Janeiro: Edição do Autor, no prelo.

[O primeiro volume, O Futebol do Botafogo 1951-1960, pode ser adquirido nas melhores livrarias do Rio de Janeiro e a partir do sítio www.ofuteboldobotafogo.com]

segunda-feira, 23 de março de 2015

Fragmentos ‘futebol no botafogo 1966-1970’: atribulações de João Saldanha no Botafogo [5]


por CARLOS VILARINHO
especialmente para o Mundo Botafogo
sócio-proprietário e historiador do Botafogo de Futebol e Regatas

Faltavam 5 dias para as eleições do Conselho. A propósito do 24º aniversário da fusão de 1942, Saldanha deu o seguinte toque: “Amanhã [8/12/1966], o Botafogo marca mais um aniversário da fusão do FUTEBOL com o REGATAS. Pena que, a propósito, um associado alvinegro, ao ler o boletim do clube, escreveu para o Jornal dos Sports reclamando que a publicação fala em tudo, menos em FUTEBOL E REGATAS. Realmente, a concentração que o Botafogo de hoje faz no vôlei, atletismo, basquete e outros esportes conduz fatalmente a estes esquecimentos. Lógico que isto é muito perigoso. Toda a vez que o Botafogo ficou enfraquecido em futebol, os outros esportes foram para o buraco e ainda mais: o corpo social contribuinte deu no pé. Em 1932, o Botafogo tinha quase dez mil sócios e um timaço. Em 1933, com um timinho, chegou a ficar com menos de duzentos sócios quites. Nos anos subsequentes, a coisa foi mais ou menos parecida. Quem quiser, consulte os arquivos do clube”.

Em primeiro lugar, Saldanha deveria ter explicado ao leitor o que aconteceu em 1933 para transformar o “timaço” num “timinho”. Traído por Flamengo, São Cristóvão e Vasco, que foram se juntar ao Fluminense e associados (América e Bangu), o Botafogo ficou sozinho com os clubes pequenos, mas avisou que “jogaria enquanto houvesse adversários”.

O Glorioso pagou um alto preço pela fibra. Martim Silveira e Paulinho Goulart, por terem defendido um time universitário num amistoso contra profissionais, na Argentina, foram punidos pela CBD com a perda do registro de amador. Repudiando o Fluminense, Martim se profissionalizou e assinou com o Boca Juniors. Paulinho abandonou o futebol, enojado com a situação em que foi envolvido. Benedicto e Álvaro foram para o Fluminense. Almir, para o Vasco. Em fins de julho, Canali se transferiu para o Torino. O Botafogo lhe ofereceu um banquete de despedida. Em 5/11/1933, o Botafogo sagrou-se bicampeão carioca.

Em março de 1934, Martim Silveira e Canali romperam o contrato com o América e retornaram ao Botafogo, cujo solitário apoio permitiu que o Brasil disputasse a Copa do Mundo. Em 2/12/1934, o Botafogo sagrou-se tricampeão.

Na mesma época, o Vasco, Bangu, São Cristóvão, Carioca e Madureira abandonaram a Liga pirata. A FMD (Federação Metropolitana de Desportos) sucedeu a AMEA (Associação Metropolitana de Esportes Atléticos). Em 26/01/1936, o Botafogo sagrou-se tetracampeão carioca (1932-1935).

Com a pacificação (29/07/1937), surgiu a LFRJ (Liga de Futebol do Rio de Janeiro), regida pelo sistema misto, o mesmo da FMD, defendido pelo Botafogo desde o início. Os anos 1933-1934 foram de luta e sofrimento para o Botafogo, mas só os fracos (e os dissidentes) pularam fora do barco.

Poucos leitores da Última Hora conheciam certas passagens da biografia esportiva de Saldanha. Em dezembro de 1937, na qualidade de sócio do Guanabara, ele foi eleito pelo Conselho Deliberativo para o posto de diretor de voleibol. Em agosto de 1938, ele defendeu (na reserva) o Botafogo FC no campeonato de basquete. O Botafogo foi vice-campeão. Em maio de 1939, trocou outra vez de camisa, transferindo-se para o Olympico Club (campeão de 1938). Deu azar, pois o título ficou com o Botafogo FC.

Passagem autorizada pelo autor, extraída de: VILARINHO, C. F. O Futebol do Botafogo 1966-70. Rio de Janeiro: Edição do Autor, no prelo.

[O primeiro volume, O Futebol do Botafogo 1951-1960, pode ser adquirido nas melhores livrarias do Rio de Janeiro e a partir do sítio www.ofuteboldobotafogo.com]

sexta-feira, 20 de março de 2015

Fragmentos ‘futebol no botafogo 1966-1970’: atribulações de João Saldanha no Botafogo [4]


por CARLOS VILARINHO
especialmente para o Mundo Botafogo
sócio-proprietário e historiador do Botafogo de Futebol e Regatas

A situação do Botafogo no campeonato assanhou a oposição. Na quarta-feira (23/11/1966), Saldanha fez o seu balanço do ano: “O Botafogo foi vítima de sua atual pobreza financeira. Em vez de poder preparar-se para a disputa, foi obrigado a sair em busca do ouro”.

Ele devia dizer que a raiz de tal “pobreza” estava na cessão de cinco titulares à CBD. O Botafogo tinha mesmo que correr, porém, disputou apenas dois amistosos durante o campeonato. Gérson se contundiu num deles (Racing), mas só desfalcou o time num jogo (Flamengo).

Saldanha insistiu no projeto messiânico de eliminar do Clube os esportes olímpicos, pilares de uma unidade que ele jamais aceitou: “Na luta inglória por campeonatos inexpressivos de um falso esporte amador, na insistência de uma política de só arranjar jogadores vindos do juvenil, o Botafogo está a pique de voltar àquela triste época dos Gato, Casnoks e outros pernas de pau”.

No ano de 1966, que clube brasileiro contratou um craque de seleção? Apenas o Botafogo (Garrincha não conta). E não foi um só, foram dois: Leônidas e Parada. A penúria dos clubes era tal – reflexo da situação criada pelo regime militar – que praticamente todos estavam promovendo os juvenis.

Saldanha concluiu: “Os homens do Botafogo já sabem, por experiência própria, que pouco adianta ganhar dez ou onze títulos amadores e demorar muito a ganhar um campeonato de primeira divisão. O Botafogo que tome muito cuidado. Está trilhando terreno muito perigoso”.

Saldanha deixou o Botafogo (janeiro de 1960) exatamente porque não encontrou apoio para sua tese de exclusividade do futebol. Ele não tolerava que os atletas das modalidades olímpicas recebessem salário. Por isso, sempre colocava a palavra amador entre aspas. Mas o Flamengo fazia isso no remo. O Vasco fazia a mesma coisa no basquete. O Fluminense, no pólo aquático, também pagava salário. AABB, CIB e Guanabara, idem. Na verdade, a catequese ocultava uma finalidade política: em 12 de dezembro, haveria eleições para o Conselho Deliberativo, que elegeria o presidente do Clube em dezembro de 1967.

Quem sustentava realmente os esportes olímpicos eram as Forças Armadas (cada vez menos) e os clubes de futebol. Os esportes olímpicos poderiam facilmente cair no gosto popular, como no Japão, na Europa e nos EUA, mas aqui lhes faltava o necessário apoio dos governos (União e Estados) e por tabela, do CND, da CBD e do COB.

O quadro era assustador. Basta dizer que três tradicionais clubes de remo agonizavam: Santa Luiza (1896), Boqueirão do Passeio (1897) e Internacional (1900). E mais. Em fevereiro de 1967, o CND e as federações cariocas de voleibol, tênis e tênis de mesa serão despejados por falta de dinheiro para pagar o aluguel das salas que ocupavam no Edifício Martinelli, na Avenida Rio Branco, 108. O Clube Municipal cedeu uma sala para a Federação de Arco e Flexa. A Federação de Halterofilismo abrigou-se no Botafogo, embaixo das Sociais.

O Botafogo cumpria, com crescente sacrifício, a sua obrigação de ajudar na formação da juventude (artigo 2º do decreto-lei nº 3.130, de 21/03/1941). Mas nem tudo era possível. Sem apoio, o Botafogo se retirou da modalidade de levantamento de peso, na qual fora campeão por 11 anos consecutivos (1953-1963).

Saldanha alimentava então o sonho de reduzir o Botafogo ao time de futebol, tendo como apêndice um clube social (modesto), recreativo. Era o próprio anti-Botafogo.

Passagem autorizada pelo autor, extraída de: VILARINHO, C. F. O Futebol do Botafogo 1966-70. Rio de Janeiro: Edição do Autor, no prelo.

[O primeiro volume, O Futebol do Botafogo 1951-1960, pode ser adquirido nas melhores livrarias do Rio de Janeiro e a partir do sítio www.ofuteboldobotafogo.com]

quarta-feira, 18 de março de 2015

Fragmentos ‘futebol no botafogo 1961-1965’: atribulações de João Saldanha no Botafogo [3]


por CARLOS VILARINHO
especialmente para o Mundo Botafogo
sócio-proprietário e historiador do Botafogo de Futebol e Regatas

Na terça-feira da outra semana (15/06/1965), em Wenceslau Braz, Luiz Aranha e Miguel Couto Filho (reeleitos em 1963) foram reconduzidos (até 1967) para os cargos de presidente e vice-presidente do Conselho Deliberativo. Outras importantes decisões foram tomadas nesta noite. Por unanimidade, aprovaram-se as contas da Diretoria, referentes ao ano de 1964. O Conselho também votou o programa de expansão imobiliária (lançado em dezembro de 1959), cujo primeiro passo seria a mudança do campo de futebol, permitindo que, em General Severiano, fosse construído um centro social, recreativo e desportivo, visando à conquista de novos sócios, afastando qualquer ameaça de crise financeira. Para cumprir tarefa de tamanho vulto, a Diretoria seria assessorada por uma Comissão de Obras e uma Comissão de Finanças, compostas por representantes dos três poderes. Representando o Conselho, foram eleitos Paulo Azeredo e Sergio Darcy (Obras); Marcos Tamoio e Luiz Figueira (Finanças).

Acolhendo proposta do então benemérito Adherbal de Souza Bastos, o Conselho, também por unanimidade, votou a criação da Caixa de Amparo aos Desportos Amadoristas. A medida era justa e urgente, haja vista as dificuldades financeiras enfrentadas (com brilho) pelos atletas amadores, alvo de implacável campanha de descrédito movida por João Saldanha, ausente contumaz (como nesta oportunidade) das reuniões do Conselho. Em 25 de setembro, por carta, Palmeiro dará ao “benemérito” uma demolidora resposta (publicada no Boletim – primeira quinzena de outubro).

Passagem autorizada pelo autor, extraída de: VILARINHO, C. F. O Futebol do Botafogo 1961-65. Rio de Janeiro: Edição do Autor, no prelo.

[O primeiro volume, O Futebol do Botafogo 1951-1960, pode ser adquirido nas melhores livrarias do Rio de Janeiro e a partir do sítio www.ofuteboldobotafogo.com]

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