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terça-feira, 28 de abril de 2026

Paulo Azeredo versus Carlito Rocha, a razão e a emoção nos destinos alvinegros (II)

Fonte: Reprodução | Montagem MB.

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

Carlito Rocha teve uma participação desportiva intensa em toda a sua vida, principalmente no futebol, mas também no remo e no polo aquático.

Nascido em 11 de novembro de 1894, no mesmo ano da fundação do Club de Regatas Botafogo, Carlito Rocha chegou ao Botafogo Football Club em 1913 [segundo as fichas técnicas do livro de Alceu Mendes de Oliveira Castro], jogando no Segundo Quadro, e ascendeu à equipe principal em 1914.

Estreou na equipe principal aos 20 anos de idade, no dia 22 de novembro de 2014, na vitória por 3x2 sobre o Rio-Cricket, tendo o Botafogo formado com Baby, Carlito e Dutra; Oswaldo, Lulú e Pino; Juca, Aluizio, Fontenelle, Dorinho e Menezes.

Consta que Carlito Rocha jogou pelo Botafogo FC como atacante e zagueiro, ocasionalmente também como goleiro.

À época era normal que alguns atletas jogassem tanto no Primeiro Quadro como no Segundo Quadro. Foi nessas circunstâncias que Carlito Rocha se sagrou campeão do Segundo Quadro em 1915, embora também jogasse no Primeiro Quadro.

Ademais, Carlito Rocha era um aficionado dos desportos aquáticos, sendo simultaneamente atleta do Club de Regatas Guanabara, no qual foi bicampeão brasileiro de single-skiff em 1916 e 1917. No mesmo ano de 1917 também foi campeão carioca invicto de polo aquático pelo CR Guanabara.

No dia 7 de setembro de 1918 Carlito Rocha viveu o momento mais dramático da sua carreira de atleta. Totalmente devotado ao Botafogo insistiu em ir a jogo numa partida contra o América FC, com pneumonia e febre alta, ficando em estado de coma após o jogo e salvando-se por um triz após um longo período de convalescença.

Nas décadas de 1920 e 1930 permaneceu ligado ao Botafogo nos bastidores, integrando comissões técnicas (que à época tinham cariz coletivo), assumindo cargos dirigentes e até mesmo arbitrando jogos de futebol com uma ética tal que nunca favoreceu o Botafogo em jogos do Glorioso cuja arbitragem dirigiu.

Em 1934, a par de Paulo Azeredo, presidente do Clube, teve papel importante na luta entre o amadorismo e o profissionalismo e participou na montagem da Seleção Brasileira da CBD para a Copa do Mundo, em Itália.

Em 1935 assumiu a liderança da equipe principal no cargo de treinador e sagrou-se campeão carioca, completando o tetra-campeonato carioca de 1932-33-34-35, cujo presidente à época era Paulo Azeredo.

Oposto ao faro político-diplomático e à predominância da racionalidade, Carlito Rocha agia fundamentalmente segundo valores patriarcais e emocionais em diversos momentos da história do Glorioso, como quando forçou a demissão do grande Leônidas da Silva em 1936, figura de topo da equipe botafoguense e do futebol nacional, porque o craque revelou, em uma entrevista, que desde criança era torcedor do Clube de Regatas do Flamengo – e seguiu a sua vida brilhando no Flamengo (1936-1941) e no São Paulo (1942-1950).

Em 1942 teve um papel importante no ambiente político e institucional que conduziu à fusão entre o Botafogo Football Club e o Club de Regatas Botafogo, embora Augusto Frederico Schmidt, presidente do clube de remo, tenha sido alegadamente o cérebro da fusão, renovando-se a anuência do ‘Almirante’, Antônio Mendes de Oliveira Castro, revelada já em 1931.

No ano seguinte, em 1943, Carlito Rocha foi eleito presidente da Federação Metropolitana de Remo do Rio de Janeiro, tendo organizado a primeira regata noturna do mundo nesse ano, contando com cerca de 400 remadores.

De 1948 a 1951 foi presidente do Botafogo de Futebol e Regatas, lançando-se definitivamente para a ribalta com a conquista do campeonato carioca, 13 anos depois dele próprio ter vencido a última conquista em 1935, como técnico, e sobretudo em virtude de todas as suas superstições que, na perspectiva de Carlito Rocha, foram a razão da conquista que teve, como símbolo maior das suas crendices, a ‘descoberta’ do cachorro Biriba que viria a ser a mascote e amuleto do Botafogo FR.

Daí em diante o criador da mística e da superstição botafoguense passou a ser sobretudo um símbolo do Clube, agindo na década de 1970 como opositor à ideia de vender a sede de General Severiano, cujo ato prenunciava perda de identidade do mais antigo Clube multiesportivo brasileiro, tendo até ao fim da sua vida lutado para que o Casarão fosse tombado como patrimônio do estado do Rio de Janeiro, cidade onde faleceu em 12 de março de 1981.

A comparação entre as obras de Paulo Azeredo e de Carlito Rocha apresenta poucos pontos em comum, embora sejam os dois maiores ‘craques’ dirigentes a influenciar a vida e o perfil do Clube.

Por que razão, então, apesar de Paulo Azeredo ter sido a alavanca maior do Botafogo para a concentração de uma fenomenal elite de craques em inúmeras modalidades desportivas, de múltiplos títulos multiesportivos, de enorme patrimônio acrescentado e de projeção mundial inédita, Carlito Rocha firmou-se como a figura dirigente mais celebrada pelas hostes botafoguenses?

Carlito Rocha era portador de um perfil complexo e singular: profundamente religioso, carismático, folclórico e de convicções inabaláveis. Respeitado dentro do Clube pelo seu carisma e devoção, no exterior era conhecido por homem de fé e de frases tonitruantes.

Carlito realçava a cada momento a sua religiosidade, carregando santinhos nos bolsos, distribuindo imagens aos jogadores antes das partidas e instava-os a beijar tais objetos de modo a ‘abençoar’ a equipe. Por fim conseguiu construir uma capelinha à entrada de General Severiano e cotidianamente interpretava sinais divinos e transformava esses ‘presságios’ em rituais.

Amarrar cortinas na sede para ‘amarrar’ o adversário, definir horários e rotinas rígidas, impor pequenos gestos repetitivos antes das partidas, eram elementos fundamentais que misturavam fé, psicologia e liderança.

O cachorro Biriba foi o clímax dessa mistura e virou talismã da equipe e do Clube a partir do dia em que invadiu o campo para ‘comemorar’ o 10º gol do Botafogo contra o Madureira, o que para Carlito foi um sinal premonitório que tornou a equipe invencível até ao final do campeonato carioca, o qual conquistou em 1948 sobre o poderoso Vasco da Gama, apelidado de ‘Expresso da Vitória’.

O episódio e a conquista do campeonato consolidaram o Biriba como mascote histórico e fortaleceu a narrativa mística de Carlito Rocha. Biriba não tornou a ‘ganhar’ campeonatos, mas a aura religiosa e mística de Carlito robusteceu-se – e o cachorro virou, provavelmente para sempre, a mascote do Glorioso.

Em 1957, na campanha histórica do Botafogo, que culminou na vitória sobre o Fluminense por 6x2 na final do campeonato estadual, o título afinal não se deveu ao papel de Paulo Azeredo e outros dirigentes e profissionais, mas… a uma fala de Carlito Rocha com Deus!

Qual teria sido a contribuição carlitiana para o título? – questionou Nelson Rodrigues,  tricolor derrotado dessa final, e ele próprio respondeu: “Carlito ligou o jogo ao sobrenatural, pôs Deus ao lado do Botafogo e, mais do que isso, pôs Deus contra o Fluminense”.

Mais do que meramente ‘folclórico’, Carlito Rocha influenciou definitivamente a cultura botafoguense, desde a capelinha na sede à mascote Biriba, criando uma narrativa que atravessou gerações.

Essa fama encontrou a sua consagração quando publicamente assegurou que havia “conversado com Deus” e que o título de campeão seria do Botafogo, consagrando uma união indissociável entre a superstição pagã e a religiosidade extrema que Carlito institucionalizou na identidade do Clube.

Paulo Antônio Azeredo levou o Botafogo aos títulos, ao patrimônio físico, à projeção no mundo, mas Carlos Martins da Rocha, por entre santinhos, sinais, mascote, capelinha e toda uma série de superstições, institucionalizou uma narrativa cultural que se tornou patrimônio cultural dos torcedores botafoguenses e na qual se reconhecem a si mesmos como a torcida mais supersticiosa do planeta, por obra e graça de Carlito Rocha.

Fontes: [1] Blogue Mundo Botafogo (publicações sobre Paulo Azeredo, Carlito Rocha, sortilégios e superstições). [2] Boletins Oficiais do Botafogo de Futebol e Regatas. [3] Castro, Alceu Mendes de Oliveira (1951).O Futebol no Botafogo (1904-1950). Rio de Janeiro: Gráfica Milone. [4] www.otempo.com.br.

sexta-feira, 24 de abril de 2026

Paulo Azeredo versus Carlito Rocha, a razão e a emoção nos destinos alvinegros (I)

Reprodução | Montagem MB.

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

O Botafogo Football Club e o Botafogo de Futebol e Regatas tiveram grandes dirigentes, desde as presidências iniciais de Joaquim Antônio de Souza Ribeiro (presidente entre 1905-1907, 1909-1910 e 1915-1916), que faturou os dois primeiros títulos estaduais (1907, 1910) e desempenhou um papel decisivo para que o nosso Clube não desaparecesse quando estivemos reduzidos a 12 sócios, até às presidências renovadoras de Paulo Antônio Azeredo (presidente em 1923-1924, 1926-1936 e 1954-1963), que colecionou títulos estaduais na equipe de futebol Principal (1930, 1932, 1933, 1934, 1935, 1957, 1961, 1962), nos Juvenis (1935, 1961, 1962), nos Infantis (1932, 1957), nos Aspirantes (1958, 1959) e nos Terceiros Quadros (1928, 1931), inaugurou duas sedes e foi o mais longevo de todos os presidentes (21 anos), além de inúmeros títulos sul-americanos, brasileiros e estaduais em múltiplas modalidades desportivas.

Paulo Azeredo, nascido em 1895, teve ainda como característica muito particular ter sido o primeiro ´gandula’ do Botafogo Football Club, quando ainda existiam as palmeiras do Largo dos Leões como baliza, e só não foi fundador do Botafogo porque tinha menos de 10 anos de idade. Mais tarde, Flávio Ramos referiu-se a Paulo Azeredo como “menino também, desmontando do seu ‘poney’ e encostando-se a uma palmeira, para torcer, como nosso primeiro gandula” (Castro, 1951: 14-15).

O gandula, ainda de calções, acabou por se tornar atleta e foi campeão estadual da categoria infantil em 1910, pelo Primeiro Quadro, marcando dois gols, tornou-se veterano em 1916, benemérito em 1925 e grande benemérito em 1939.

Em 1923 Paulo Azeredo ascendeu à presidência do Botafogo. Desde 1912 o Botafogo buscava uma garantia de campo para expandir o seu patrimônio, visando aumentar a arquibancada e construir a sede social. Foi precisamente o presidente Azeredo que iniciou a campanha, influenciando o pai, Senador Antônio Azeredo, a interceder pelo Botafogo, e no dia 2 de janeiro de 1925, o Presidente da República, Arthur Bernardes, sancionou o decreto do Congresso Nacional que autorizava o aforamento do imóvel ao Botafogo.

No ano seguinte regressou à presidência do Glorioso, muito prestigiado pelo seu entusiasmo e empreendedorismo, e levou uma alma nova ao Clube, renovando a administração e revolucionando o futebol botafoguense. Alceu Castro refere-se assim ao presidente: – “Foi eleito presidente o vulto inconfundível de Paulo Azeredo, que assim iniciou a sua magnífica administração […] que daria ao Botafogo as maiores glórias esportivas, morais e materiais” (Castro, 1951: 265).

Efetivamente Azeredo percebeu quão era fundamental regressar aos títulos e montou uma nova comissão técnica euro-brasileira composta pelo médico Victor Guisar, pelo técnico inglês Charles Williams e por um superintendente, o húngaro Nicolas Ladanyi. O superintendente tinha tão grande prestígio que Williams demitiu-se para lhe dar o lugar, passando Nilo Braga a auxiliar do húngaro.

O resultado foi o Botafogo tornar-se tetracampeão carioca e conquistar 5 títulos em seis anos, cujas campanhas averbaram globalmente 75 vitórias, 22 empates e 16 derrotas (76% de aproveitamento, segundo os critérios de pontuação da época), 320 gols a favor e 176 contra, e o artilheiro Carvalho Leite assinalou 79 gols. O Clube ainda conquistou o título nacional de 1931, lançado embrionariamente como campeonato brasileiro (título que deveria ter sido homologado pela CBF), mas sem continuidade.

O Botafogo começou a ganhar novamente após longos 18 anos e Paulo Azeredo teve um papel essencial na crise entre o amadorismo e o profissionalismo e apoiou a Confederação Brasileira de Desportos (CBD) na montagem da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo de 1934, em Itália, que incluiu 9 jogadores titulares do Botafogo.

Na presidência de Paulo Azeredo foi construída a sede em 1928 e foi aberto, em 1931, o caminho para a fusão do Botafogo do futebol com o Botafogo das regatas. Quer os botafoguenses de terra, quer os botafoguenses de mar, desejavam a fusão, e foi Paulo Azeredo, juntamente com Viveiros de Castro, que incumbiu Alceu Mendes de Oliveira Castro de sondar o seu primo, Antônio Mendes de Oliveira Castro, apelidado de ‘Almirante’, maior figura do Club de Regatas Botafogo e legendário campeão brasileiro de remo, em 1902, sobre a fusão dos dois clubes – que só não ocorreu à época porque, apesar da decisão favorável do Almirante, a influência dos tricolores no CR Botafogo ainda era muito grande.

No entanto, embora tenha solicitado a sua dispensa da presidência em 1936, por razões profissionais, Paulo Azeredo esteve presente na fusão e a sua influência era enorme. A ele se deve a atual designação do nosso Clube: a designação que foi proposta, por via de ‘antiguidade, era de ‘Botafogo de Regatas e Futebol’, o que gramaticalmente não soava bem, e foi Paulo Azeredo que acabou por inverter as modalidades e fazer valer o ‘Futebol e Regatas’.

O ‘homem providencial’ saiu da presidência deixando títulos e uma sede nova para o Clube. Durante os 13 anos seguintes não foram conquistados mais campeonatos cariocas, o que só aconteceu novamente em 1948.

Entretanto regressou à presidência, novamente em tempo de crise, para conduzir o Botafogo entre 1954 a 1963, tornou a imprimir o seu dinamismo e capacidade empreendedora, formando um novo plantel repleto de futuros campeões que, após 9 anos sem títulos cariocas, se viriam a sagrar campeões estaduais em 1957, 1961 e 1962, e campeões interestaduais do Rio-São Paulo em 1962 – e mundiais pela Seleção Brasileira em 1958 e 1962 com linhas atacantes predominantemente tituladas por botafoguenses.

No ano de 1962 o Botafogo alcançou a magna relevância de potência nacional multiesportiva conquistando 80 campeonatos e 40 vice-campeonatos coletivos, nacionais e estaduais, em múltiplas modalidades, que ocorreram na sequência de mais uma inovação de enorme craveira – a criação das Olimpíadas Botafoguenses iniciadas em 1957 e realizadas anualmente até à saída de Paulo Azeredo da presidência.

Nesse fabuloso ano de 1962 – também o ‘Ano de Mané’ – o Botafogo conquistou o título simbólico de ‘Campeão de Terra, Mar e Ar’ e de ‘Campeão da Cabeça aos Pés’, vencendo no aeromodelismo, futebol, remo, voleibol e xadrez.

O presidente Azeredo solicitou outra vez a sua dispensa da presidência, desta vez por razões de saúde, em 1963, deixando novamente o Botafogo com muitos títulos no futebol e em inúmeras modalidades desportivas, assim como uma segunda sede, o Mourisco-Pasteur, em finais da década de 1950 e início da década de 1960. Foi ele o presidente dos anos gloriosos do Botafogo, tanto na ‘Era Amadora’ como na ‘Era Profissional’ – anos que projetaram o Botafogo Football Club e o Botafogo de Futebol e Regatas em todo o Brasil, em todo o continente sul-americano e em todo o Mundo.

Dotado de um raciocínio soberbo, a sua condução desportiva era pautada pela racionalidade, pela assertividade dos seus argumentos e pela capacidade de realização; era um homem do mundo, gestor de negócios e com faro político/diplomático notável, seja em momentos de grande relevância, seja em momentos de menor relevância. Por exemplo, em uma reunião com os grandes clubes do Rio de Janeiro envolveu também o América e o Bangu. Após a reunião um dos diretores mencionou o caso desses dois clubes não serem ‘grandes’, mas ‘médios’, e o presidente Azeredo respondeu que não ganhava nada com essa distinção e tal ‘promoção’ os traria para o seu lado.

Foi esse o homem que comandou a ‘barcaça’ durante 21 anos intercalados: profissionalmente racional, socialmente politizado e sagazmente assertivo, zelando desse modo pelos interesses e pelas glórias do Botafogo.

Um verdadeiro símbolo da vontade de vencer!

De permeio com as duas figuras presidenciais mencionadas (presidentes Souza Ribeiro e Paulo Azeredo) surgiu um rapaz que atravessaria toda a vida do Botafogo durante quase 7 décadas (1913-1981) como atleta, técnico, dirigente e presidente: Carlos Martins da Rocha, o ‘Carlito Rocha’, personagem multifuncional e destacado dirigente do Glorioso.

O impacto da sua vida e obra desportivas será publicada na II Parte desta publicação.

Fontes: [1] Blogue Mundo Botafogo (publicações sobre Paulo Azeredo, Carlito Rocha, sortilégios e superstições). [2] Boletins Oficiais do Botafogo de Futebol e Regatas. [3] Castro, Alceu Mendes de Oliveira (1951).O Futebol no Botafogo (1904-1950). Rio de Janeiro: Gráfica Milone. [4] www.otempo.com.br.

sexta-feira, 28 de novembro de 2025

‘Maninho’: candidatura e biografia – as muitas e tantas histórias botafoguenses

Emmanuel Sodré Viveiros de Castro, o ‘Maninho’. Crédito: Boletim Informativo do Botafogo, nº 241, capa.

Nota preliminar: Emmanuel Sodré Viveiros de Castro (n. 13 de janeiro de 1920 e f. 7 de dezembro de 2005), carinhosamente tratado por ‘Maninho’, foi advogado, campeão de futebol e presidente do Botafogo de Futebol e Regatas nos anos de 1983 e 1984. Homem de boa vontade assumiu o risco de presidir ao Clube quando a nau estava corroída por muitos rombos no casco. Maninho esforçou-se muito para levar a nau a bom porto, mas acabou por não conseguir, tantos eram os obstáculos. Antes disso esboçara a sua candidatura ao Clube em 1981, e o texto que se apresenta responde à indagação do repórter botafoguense sobre “o que motivou, da sua parte, a aceitação da sua candidatura à presidência do Botafogo?”

Gentileza de ANGELO SERAPHINI, ex-dirigente do Glorioso.

«Emmanuel Sodré Viveiros de Castro assim respondeu à pergunta desta Revista:

– “Olha, gente, muita coisa. Em primeiro lugar, acho que foi um problema de genética. O meu avô materno, Senador Lauro Sodré, foi feito sócio honorário do Botafogo porque muito ajudou o nosso Clube na posse e utilização do campo original, no Largo dos Leões. Depois ajudou, decisivamente, a obtenção do terreno de General Severiano, ainda quando eu nem havia nascido. O meu pai, Comandante Eurico Parga Viveiros de Castro, oficial de marinha, foi um dos fundadores do Botafogo, e seu atleta de futebol amador, na década de 1910. Foi Vice-Presidente e Diretor do Clube em mais de uma oportunidade. O desembargador Emmanuel de Almeida Sodré, meu tio, irmã da minha mãe, um dos dois fundadores vivos do Botafogo, foi campeão em 1910.

Equipe campeã carioca de Infantis de 1932: agachados, a partir da esquerda, Williams, Dário, Zé Américo, Careca, Fernandes, Ormindo (irmão de Maninho), Augusto, Jairo, Melado, Darcy, José Neder e, na ponta, Maninho. Em pé, a partir da esquerda, vê-se a equipe principal que nesse mesmo dia também se sagrou campeã carioca, composta por Vitor, Carvalho Leite, Canalli, Martim, Rogério, Álvaro, Paulo Goulart, Rodrigue, Almir, Ariel, Nilo, Afonso e Celso. Crédito: Boletim Informativo do Botafogo, nº 241, p. 12.

“O Almirante Benjamin Sodré, o celebrado Mimi Sodré, outro irmão da minha mãe, foi atleta renomado, à época (1910/1915), tendo sido Presidente do Botafogo. Minha mãe, Orminda Sodré Viveiros de Castro foi, na sua santa vida de mãe, esposa, avó e bisavó exemplar, uma botafoguense apaixonada. De certa feita telefonou para o Nilton Santos, “dedurando” um atleta profissional que, em um programa de rádio, às 2 horas da madrugada, havia falado mal do Clube. “Dica” que levou o inteligente (também fora do campo) Nilton Santos a replicar: “Mas D. Orminda, eu não sabia que a Sra. era ouvinte do programa “bandeira 2”. Porém, vamos providenciar.”

E prosseguiu o nosso “Maninho”:

– “A minha mãe, pouco antes de morrer, telefonou para o Presidente Charle Borer, informando-o de que, na Bahia, existia um excelente atleta, chamado Perivaldo. Foi sepultada envolta na bandeira do Botafogo. O meu irmão Ormindo, o Padre Viveiros, jesuíta, ex-Reitor do Colégio Santo Inácio e da PUC, e ainda professor na mesma Universidade, foi meu companheiro no time infantil de 1932, campeão invicto da categoria, na antiga AMEA.”

“O meu amigo João Saldanha está aí para atestar que o Ormindo foi um precursor do Pelé – “cobra” dos “cobras”, à época, com 14 anos de idade, quando se retirou para cursar o Seminário dos Jesuítas – que fazia o Nilo Murtinho Braga e o Martim Silveira irem assistir todos os jogos do infantil de 32, só para ver o Ormindo jogar. É isso aí.”

Equipe campeã carioca de Juvenis de 1935: a partir da esquerda, em pé, Joãozinho, Lourival e Careca, Napolitano e Vivi; no meio, Roberto, Maninho e Valadão; sentados, Carlinhos, Milton e Melado. Crédito: Boletim Informativo do Botafogo, nº 241, p. 14.

E continuou inda Emmanuel Sodré Viveiro de Castro, na sua resposta:

 – “Em segundo lugar, ou em “segundo primo loco”, como dizia o Mendonça Falcão, estou atendendo a um chamamento, não só da voz do sangue – e quem usaria desatender a uma convocação dessa ordem? – mas também estou respondendo a encantos, e cantos, de um antigo, insistente “namoro”. Eu resistindo – os interesses da minha família (mulher e filhos), e mais os clientes, docemente constrangidos, “votando” contra – mas os amigos botafoguenses (minha família também, pois não?) insistindo e insistindo, me convocando. Então, realmente, não resisti. Tenho 6 (seis) filhos, já plantei muitas árvores e já escrevi tanto e tanto, no campo da minha atividade profissional, que já “escrevi” até vários livros. Então, pensei comigo mesmo: já não está na hora – por pura paixão, pela paixão pura, esta a verdadeira mola da vida – já não está na hora de assumir os riscos e responsabilidade de uma sadia… “maluquice”?”

E concluiu “Maninho” a nossa indagação:

– “Porque, estou sabendo, presidir um clube de futebol, no Brasil, nos dias de hoje, mesmo que esse Clube tenha o amorável nome BOTAFOGO, mais do que um ato de coragem, não é um ato de audácia? Parece que é. Mas, estamos aí. EU VOU NESSA. E comigo venham, de alma aberta, todos os botafoguenses de coração, verdadeiramente, preto e branco!”.»

Equipe bicampeã carioca de Amadores de 1941-1942: a partira da esquerda, Maninho, René, Augustinho Williensens, Cid, Paulinho Tovar, Mato Grosso, Zé Américo, Hélio, Rui, Dunga e Hilário. Crédito: Boletim Informativo do Botafogo, nº 241, p. 15.

BIOGRAFIA ABREVIADA DE ‘MANINHO’

Campeão infantil em 1932. Campeão juvenil em 1935. Bicampeão amador em 1942-1943. Bicampeão universitário brasileiro pela Seleção Carioca em 1941-1942.

Diretor Jurídico de 1948 a 1954, representando o Clube em quase todas as federações e Tribunais Desportivos (de futebol, remo, basquetebol, voleibol, etc.). Secretário-Geral da CBD (atual CBF) em 1954-1955. Juiz do Superior Tribunal de Justiça Desportiva da CBD de 1970 a 1978, tendo integrado o Tribunal Disciplinar da FIFA. Membro do Conselho Nacional de Desportos em 1981 com mandato de 4 anos, nomeado pelo Presidente da República.

Candidato à Presidência do Botafogo pela situação, perdeu as eleições para Juca Mello Machado (1981-1982), mas nas eleições seguintes tornou-se presidente do Botafogo de Futebol e Regatas (1983-1984).

Sócio Emérito, Benemérito e Grande Benemérito do Botafogo. Sócio Benemérito da Confederação Brasileira de Desportos. Sócio Benemérito da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro.

Profissional Liberal especializado em Direito do Trabalho, tendo integrado por duas vezes Conselho Seccional da Ordem do Advogados do Brasil e num dos mandatos foi Presidente da Comissão de Ética e Disciplina da OAB-RJ.

Fonte: Boletim Informativo do Botafogo, n.º 241, capa e pp. 1, 2, 3, 12, 14 e 15.

quinta-feira, 13 de novembro de 2025

Paulo Azeredo: excelência de gestão, expansão do clube e regresso de Didi

por REVISTA DO ESPORTE | 1960 (respeitando a ortografia da época)

«Em seu escritório da Rua do Carmo, o presidente Paulo Azeredo foi logo falando à Revista do Esporte:

– O Botafogo desfruta de ótima situação financeira por ter adotado uma política certa para o atual regime do futebol profissional. Explico: valorizou o seu plantel onde só há craque na acepção da palavra, pois um grande time sempre obtém grandes rendas. Depois disso, o Botafogo só se exibe em outros Estados por 400 mil cruzeiros (cada jôgo), livres. Se o nosso faturamento não é maior no Rio deve-se ao ridículo preço das entrada, pois não se concebe que um jôgo de futebol do melhor nível possa custar sòmente (arquibancada) 34 cruzeiros, quando se paga num cinema 60 cruzeiros e o dobro num teatro para assistir, às vezes, espetáculos mais inferiores. Acho que nem no país maus sub-desenvolvido os ingressos para jogos de futebol são assim tão irrisório como aqui na terra dos campeões mundiais.

Sempre empolgado quando fala do seu Botafogo o Dr. Paulo Azeredo prosseguiu:

– É um orgulho e um prazer ver o Botafogo em ascenção em todos os setores. Temos dez mil sócios (ó no Rio), que proporcionam excelente arrecadação mensal. O balanço do ano passado deu a clube o apreciável lucro (líquido) de 190.500.000 de cruzeiros. Isso diz tudo, não?

Atendeu a um amigo ao telefone e quando voltou revelou os planos de expansão do clube:

– O Botafogo está ampliando seu patrimônio e pretendo fazê-lo cada vez mais. O ginásio do Mourisco, por exemplo, ficará pronto, segundo os engenheiros, em janeiro do próximo ano. Onde é a quadra (provisória) atual faremos outro ginásio que será mais completo, com capacidade para oito mil pessoas e com sáunas, duchas, sala de massagens, garage de barcos, motores pequenos, restaurante e píer. Outra idéia nossa é a de mudar o estádio de General Severiano para outro lugar que prefiro não revelar, a fim de não atrapalhar as planificações. Onde é o atual campo, faremos, então, quadras de tênis, piscina, quadras, de basquete, de volei, etc. para os nossos associados. Tudo isto fará parte da ampliação do nosso Botafogo, que será cada vez maior para glória e honra dos seus milhares de associados e torcedores em todo êste imenso Brasil.

– Porque o Botafogo contratou um superintendente, Dr. Paulo?

– Porque terá nova organização administrativa que dentro em breve será uma das melhores do país. E foi pensando nisso que contratamos o experimentado desportista Adolfo Schermam para ser nosso superintendente. Êle receberá todo o apoio do clube e terá excelentes colaboradores, entre os quais o Sr. Válter Santos, que organizou, recentemente, o Campeonato Mundial de Pentaplo Militar, d qual o Brasil foi campeão. Isso também faz parte do plano de expansão do clube que mais cresce no Rio. Aliás, voltando à situação financeira, posso dizer sem mêdo de errar que a tesouraria d Botafogo tem mais movimento do que muita casa comercial importante aqui no Rio.

E chegamos a um dos temas que mais interessam à torcida. Referimo-nos à volta de Didi. Presidente botafoguense contou:

– A Constantemente recebia cartas de Didi. Numa delas êle disse, com amargura: “Estou arrependido de ter vindo para o Real Madrid”. Com a sua volta ao Botafogo, creio que todos ficaram felizes: o dirigente, a torcida e o jogador.

Pedimos ao presidente alvi-negro sua opinião sôbre o Real Madrid. Êle foi duro na reposta:

– Há exagêro quando se fala no Real. Deve ser, realmente, um clube organizado e quanto aos valores que possui são de primeira linha, incontestàvelmente. Mas o Botafogo não o imita, pis tem personalidade e um programa traçado. E também é bom frisar que o Botafogo não contrata ninguém da imprensa para fazer propaganda de seu time… Na minha opinião, o Real, se criar coragem para jogar no Brasil, perderá facilmente para qualquer clube grande do Rio e de São Paulo.

Sôbre as temporadas do alvi-negro no exterior, revelou:

– Acho difícil fazermos as excursões de clube para clube. Não podemos evitar os empresários. Nesse ponto, aliás, não temos queixas a fazer: os Srs. José da Gama e Sílvio Maresca sempre agiram com muita correção com o Botafogo.

Finalizando, o Dr. Paulo Azeredo declarou que Paulo Amaral está prestigiado como sempre acontece aos treinadores, pois o clube não costuma mudar de técnico por causa de duas derrotas consecutivas… e que o Botafogo está pagando tributo às contusões de Garrincha e Quarentinha que “reputo os melhores homens da nossa linha da frente” e que foram emprestados à CBD para aquela excursão à RAU contra minha vontade. Por isso, o time do Botafogo ainda não conseguiu mostrar o que é, neste campeonato”.»

Nota do Mundo Botafogo: Paulo Azeredo foi o mais brilhante dirigente do Glorioso. Conquistou 8 dos 12 campeonatos cariocas vencidos pelo Botafogo até à sua aposentadoria em 1963. No seu reinado construíram-se duas sedes; três formidáveis equipes de futebol – a do tetracampeonato 1932-33-34-35, a de 1957-1962 com cinco campeões do mundo em 1958-62 e a geração do tetracampeonato juvenil de 1961-62-63-64 com várias revelações de futebolistas que se sagrariam tricampeões do mundo em 1970; desenvolveu um clube multieportivo com títulos continentais e brasileiros no atletismo, basquetebol, natação, pólo aquático e voleibol, entre muitas outras modalidades olímpicas; estabeleceu um recorde de 80 campeonatos e 40 vice-campeonatos em 1962, o ano do inédito título de campeões de “Terra, Mar e Ar”; deixou-nos um Clube financeiramente sólido e de reputação mundial. Um verdadeiro legado de visão, estratégia e competência!

segunda-feira, 29 de setembro de 2025

Mourinho, Guardiola e o gandula-presidente Paulo Azeredo

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

José Mourinho julga que sabe tudo sobre futebol, mas escapam-lhe alguns… ‘pormenores’. A propósito de um gandula que Mourinho cumprimentou após um gol do Benfica, disse o seguinte no passado dia 26 de setembro de 2025:

“O miúdo [garoto] estava ali. Não sei se é da academia ou não. Mesmo que não seja são miúdos que vivem o clube. Faço isto muitas vezes com eles. Eles estão a sofrer e ao mesmo tempo a sonhar. O caso mais bonito que houve foi o Pep Guardiola, que era apanha-bolas [gandula] no Barcelona e passou a ser um grande jogador e treinador. São miúdos que vêm para ajudar e têm os seus sonhos. Querem uma prenda dos jogadores ou um high-five dos treinadores.”

Pois é, acontece que houve, no longínquo ano de 1904, um gandula que esteve nos jogos de fundação de um clube do Rio de Janeiro e depois tornou-se campeão juvenil, jogou na equipe principal, foi benemérito, grande benemérito e presidente que revolucionou o Botafogo Football Club nas décadas de 1920-30 e 1950-60.

Foi assim que o Mundo Botafogo iniciou uma publicação sobre Paulo Antônio Azeredo:

“Paulo Antônio Azeredo foi um dos grandes presidentes que revolucionou a gestão do Botafogo Football Club. Paulo Azeredo foi presidente pela primeira vez em 1923, depois entre 1926-36 (solicitando dispensa em 1935 e dando lugar a Rivadávia Corrêa Meyer) e, finalmente, após a fusão, entre 1954-63.

Azeredo foi o primeiro ‘gandula’ do Botafogo, quando ainda existiam as palmeiras do Largo dos Leões como baliza, porque não tinha idade para jogar. Flávio Ramos, entrevistado anos mais tarde, refere-se a Paulo Azeredo como “menino também, desmontando de seu ‘poney’ e encostando-se a uma palmeira, para torcer, como nosso primeiro ‘gandula’” (Castro, 1951: 14-15). Mas o ‘gandula’ foi campeão infantil em 1910, tornou-se veterano em 1916, benemérito em 1925 e grande benemérito em 1939.”

Publicação em https://mundobotafogo.blogspot.com/2008/01/paulo-antnio-azeredo-gandula-na-fundao.html

Pois é, Mourinho, o Botafogo foi sempre pioneiro e, neste caso, muitas décadas antes de Guardiola – com o seu notabilíssimo Paulo Antônio Azeredo, o gandula-presidente. É um caso incomparavelmente mais bonito!

quarta-feira, 17 de setembro de 2025

Uma Mensagem de paixão e visão raiz

Maracanã, Taça Guanabara, 2006.

«O jogo entre Botafogo e América havia acabado há poucos minutos. Estava no gramado cumprimentando os jogadores pela conquista da Taça Guanabara quando me percebi no círculo central e, ao olhar para cima, me deparei com uma enorme torcida alvinegra nas cadeiras e arquibancadas do Maracanã.

Voltei no tempo, vi aquele Botafogo da minha infância, da adolescência. Naquele momento percebi que mais importante do que a conquista dentro do campo era a força que vinha daquela multidão, composta por pessoas inteiramente distintas, unidas por um único vínculo: o Botafogo.

Ali, emocionado, testemunha de uma cena que não via há tempos, pensei o quanto essa torcida é forte e tive a certeza de que é através dela que podemos transformar o Botafogo da noite para o dia.

Além de torcer e comemorar os alvinegros podem de fato ajudar a reconstruir o clube e nos fazer acreditar que o sonho de ver o Botafogo como uma grande potência esportiva é plenamente viável.

Se você é alvinegro, seja mais do que nunca. O Botafogo precisa de você.»


Revista Botafogo no Coração – Março/Abril 2006 – Ano II – Número 4. 

Nota do Mundo Botafogo: Mensagem do presidente do Botafogo de Futebol e Regatas no dia em que o Botafogo venceu a Taça Guanabara sobre o América e deu um passo decisivo para se tornar Campeão Carioca de 2006 após ter conhecido a despromoção da elite do futebol brasileiro e reerguer-se novamente.

Sugestão do Mundo Botafogo: Que John Textor, acionista maioritário da SAF Botafogo reflita sobre a paixão de um presidente pelo seu Clube, interpretando uma legião de milhões de torcedores que foram, são e serão a razão da existência do Glorioso.

quarta-feira, 9 de julho de 2025

John Textor, a figura-chave: variações em análise

Crédito: Jorge Rodrigues.

[Nota preliminar: o Mundo Botafogo publica hoje a reflexão prometida aos leitores após a participação do nosso Clube no Mundial, aproveitando o momento de efetivação de um novo treinador]

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

John Textor, acionista maioritário do Botafogo, assumiu a liderança do futebol do Clube desde o início do ano civil de 2022 quando o Glorioso acabara de se sagrar campeão da Série B e regressara à Série A do Campeonato Brasileiro.

Era a redenção do Botafogo pela 6ª vez na sua história futebolística (década de 1930, década de 1950, década de 1990 e regresso à Série A nos anos 2004, 2016 e 2022).

Porém, embora tendo conquistado o campeonato brasileiro da Série B em 2021 (tal como em 2015), o regresso da equipe à elite do futebol brasileiro foi acompanhado de nuvens cor de chumbo porque, uma vez mais, as desastrosas diretorias do século XXI levaram o Botafogo à rutura financeira e quiçá, à bancarrota, não fosse a operação que decorria paralelamente para a transformação do futebol botafoguense em Sociedade Anônima do Futebol, entrando assim para o grupo Eagle Football, comandado por John Textor.

Então, os dias de granizo que se adivinhavam no horizonte transformaram-se, sobretudo, em dias de uma primavera que ostentava a luz da esperança, a luz de uma redenção que prometia um radioso futuro sem fim.

Textor assumiu realmente as rédeas da SAF Botafogo e 2022 foi um ano tranquilo em que todos os objetivos definidos no início do ano por John Textor foram alcançados.

No entanto, em 2023, John Textor anulou completamente a pré-temporada depois da FERJ rejeitar a disputa do campeonato estadual por atletas da base, embora pudesse ter feito ainda uma parte dessa preparação inicial, mas ainda assim, sem pré-temporada, contra todas as normas de preparação de uma equipe para o ano, o treinador consegue acertar a equipe e chegar à liderança do Brasileirão.

Parecia que tudo iria caminhar melhor, até porque John Textor prometera bons reforços na janela, mas falhou rotundamente contratando atletas ineptos. Na verdade, o líder da Eagle Football tinha a cabeça em Lyon e descurou a gestão do Botafogo, focando-se principalmente nos problemas da equipe francesa.

O desastre foi rápido com a saída de Castro e a contratação de Bruno Lage, que se mostrou inábil na gestão da comunicação com o plantel e com a mídia, e não percebeu a realidade com a qual se deparou, rapidamente se mostrou equivocada, por culpa própria e por pressão do Departamento de Futebol que não se ligou ao treinador.

Era necessário novamente outro treinador, mas como Textor andava mais preocupado com o Lyon e o Crystal Palace, aceitou as preferências do Departamento de Futebol para promover Lúcio Flávio, que obviamente falhou, e o seu sucessor, também escolhido pelo Departamento de Futebol, Tiago Nunes, foi outro falhanço – tendo Textor assumido mais tarde parte das culpas.

E começaram cedo as saídas do plantel dos atletas que mais se destacaram. No futebol feminino a fenomenal Giovanna Waksman foi levada para os E.U. América com destino futuro à equipe feminina do Lyon e Lucas Perri e Adryelson transferidos para o Lyon.

O ano começou como terminou e John Textor reconheceu com clareza que falhou rotundamente a gestão do Botafogo-2023, decidindo então demitir Tiago Nunes e apostar, tardiamente, noutro desconhecido, Artur Jorge, que tinha apenas como currículo muitos anos de gestão das bases do Braga, tal como Castro havia gerido as bases do Porto por muitos anos e Bruno Lage as bases do Benfica. Em suma, treinador com grande currículo nos profissionais Textor não contratava.

Todavia, deu certo, sobretudo pela ousadia e dinamismo de Artur Jorge, mas também por boas contratações de Textor na janela de janeiro para se redimir da sua péssima gestão de 2023, embora na janela de transferências de julho não se aproveitasse praticamente nenhuma das contratações, que rapidamente foram sendo escoadas para o exterior em 2024 e 2025. Ainda assim, Textor proveu o Botafogo dos meios que fizeram sucesso na conquista do Brasileirão e da Libertadores.

Em dezembro J. Textor e A. Jorge eram uma espécie de Deuses para os botafoguenses, mas simultaneamente Textor era uma espécie de Diabo para os torcedores do Lyon, que se sentiam abandonados pelo ‘dono’.

E os problemas da Eagle Football, fora o sucesso desportivo do Botafogo, foram se acumulando em resultado das derivas de John Textor. No Brasil, John Textor envolveu-se em polêmicas que mais tarde percebeu que não tinha base de apoio suficiente para vencer e acabou mudando de estratégia; no Crystal Palace os acionistas maioritários não seguiam os planos de Textor e a sua influência era nula; no Lyon a crise financeira instalou-se e as críticas subiram de tom; quanto à equipe belga Textor decidiu recentemente mudar a sua designação e revoltou os torcedores. Quanto à equipe americana, tem permanecido fora dos nossos holofotes e pouco se sabe dela.

E neste pano de fundo em que Textor se mexia, ora para um lado, ora para outro lado, os seus clubes navegavam ao sabor do vento, ou melhor, ao sabor das prioridades de Textor, que não conseguia chegar a todos, beneficiando uns em prejuízo de outros e sem alcançar uma gestão equilibrada no quadro da Eagle Football, seja de estabilidade desportiva seja de estabilidade financeira.

Em 2025, face ao desastre financeiro do Lyon e à sua possibilidade de despromoção, Textor virou-se totalmente para o clube francês, embora no final de 2024 tenha prometido um ano ainda mais glorioso para o Botafogo. Porém, o Lyon não deixou…

Quando um clube chega ao auge como o Botafogo chegou em 2025, é fundamental que se mantenha a pegada dinâmica e vitoriosa, mas a gestão de Textor fez deste novo ano o pior da sua gestão, perdendo quase inutilmente o 1º semestre.

Em primeiro lugar deixou escapar Artur Jorge, com culpas deste, é certo, que correu atrás do cheiro dos petrodólares, mas também de Textor que não fez o mínimo esforço para o manter, e depois liquidou o ataque botafoguense: saíram Luiz Henrique (contra sua vontade, segundo as suas declarações), Thiago Almada e Júnior Santos, sobrando apenas Igor Jesus no que respeita aos atletas mais avançados.

Sem treinador, andou três meses para contratar um, depois de serem anunciadas conversas com treinadores como Rafael Benítez ou Roberto Mancini. Foi uma festa para a mídia: de nome em nome todos recusaram, até mesmo um tal de Vasco Matos, totalmente desconhecido e treinador do muito mediano clube Santa Clara, do arquipélago dos Açores.

O Lyon continuava sendo a preocupação de Textor. E a contratação de um treinador de nomeada permaneceu sem sucesso, ao mesmo tempo que, enredado nos problemas criados no Lyon, descartava a disputa de competições que considerava menores, como a Recopa Sul-americana, a Supercopa do Brasil e o Campeonato Estadual, as duas primeiras perdidas ingloriamente e no Estadual o Clube registrou a pior classificação de sempre.

E depois de – supostamente – muito procurar pelo mundo inteiro, acabou contratando um treinador residente no Rio de Janeiro: Renato Paiva, livre no mercado, sobre o qual o Mundo Botafogo publicou o perfil realçando os altos e baixos da sua curta carreira como profissional, já que foi mais um treinador contratado com base em anos de gestão das bases do Benfica. Na verdade, foi uma contratação de recurso.

Aos trancos e barrancos, com uma equipe sem pré-temporada e muito desequilibrada de individualidades, e praticamente sem banco, bem como 'escandalosas' contratações inexpressivas até agora (p. ex.: atacantes como Mastriani, Rwan Cruz e Elias Manoel, estando estes dois últimos já em negociação de saída), Paiva foi-se salvando aqui e ali, mas sem conseguir consolidar-se – o que seria ‘milagre’ se o tivesse conseguido nas circunstâncias atuais.

De Textor esperava-se o prometido: grandes contratações para o Botafogo poder brilhar no Mundial de Clubes. Porém, foram contratações sem qualquer efeito, porque se tratava de jogadores que não jogavam regularmente há bastante tempo, bem como não poderiam, assim, ajustar-se adequadamente à equipe em apenas 15 dias – a não ser que fossem realmente grandes contratações para atuações a níveis individuais elevados.

A equipe que jogou no mundial foi praticamente a mesma que vinha do passado, sem reforços efetivos e sem os atacantes Luiz Henrique, Thiago Almada e Júnior Santos, ficando apenas Igor Jesus muito isolado no ataque e também de saída para Inglaterra. Foi graças ao esforço do técnico e dos jogadores que fizemos um Mundial com repercussão, apesar da falta de recursos  suficientes no plantel. Textor até beijou publicamente Paiva aquando da vitória do Botafogo sobre o campeão europeu, mas dez dias depois demitiu-o. Supostamente porque Paiva não lhe permitia escalar a equipe, designadamente não dando montra a Santí Rodrigues para o valorizar em possível transferência ou escalando Cuiabano no ataque – por falta de opções de um ataque que foi quase totalmente vendido –, já que Textor o queria como lateral no Mundial para o valorizar em nova venda, quiçá no futuro imediato junto ao pacote Igor Jesus e Jair Cunha, indicados para rumar ao Nottingham Forest.

Simultaneamente o Lyon via-se a braços com a possibilidade de ser despromovido por incumprimento financeiro, Textor decidiu vender a sua parte acionista no Crystal Palace e rapidamente as ações mudaram de mãos. Porém, nem assim o Lyon se salvou da condenação oficial de despromoção (ainda sujeita a recurso).

Por outro lado, Textor envolvera-se em ataques públicos ao presidente do PSG e à Federação Francesa de Futebol, tendo saído mal dessa compita, e decidiu afastar-se do Lyon descentralizando a gestão, com a torcida em polvorosa acusando Textor de ‘destruir’ financeiramente o Lyon – e principalmente figuras históricas do clube, que chegaram a avisar que Textor também acabaria por levar o Botafogo a situações complicadas, o que todos esperamos que jamais aconteça.

Descartado do Crystal Palace, afastado do Lyon, distante do clube belga cujo nome trocou, Textor garantiu à TV Globo que “vou passar muito mais tempo a pensar na Eagle Football e focar-me novamente no Botafogo” – reconhecendo publicamente que se desfocara do Glorioso e negligenciara a gestão estratégica da Eagle Football.

Esperamos, fervorosamente, que essa promessa seja integralmente cumprida!

Davide Ancelloti na chegada ao Rio de Janeiro, e que traga com ele os deuses do futebol.

Porém, a procura de novo técnico seguiu os trâmites costumeiros, com todo mundo descartando treinar o Botafogo. Textor tirou então um 'coelho' da cartola: já que não conseguiu contratar um nome de peso, contrata o filho de um nome de peso – Carlo Ancelotti –, que nunca foi treinador principal, o que pode constituir um sério problema, embora como auxiliar técnico tenha estado em comissões técnicas vencedoras em grandes clubes europeus.

Na verdade, a aura de modernidade e inovação que alguns atribuem a Ancelloti por ter trabalhado com o pai em grandes clubes europeus assemelha-se à contratação do “discípulo de Pep Guardiola”, Domènec Torrent, assistente técnico nos maiores clubes do mundo, que iria “inovar e revolucionar o futebol brasileiro” e colocar o Flamengo num patamar mundial – demitido poucos meses depois e ainda hoje sem nenhum título significativo.

Davide Ancelotti, filho de Carlo Ancelotti, é mais um tiro no escuro, que talvez acerte no alvo, ou talvez, para nosso desespero, passe novamente ao lado.

É o 7º treinador na Era SAF (média de 6 meses por treinador) e nenhum de renome, o que é preocupante, especialmente sendo o Botafogo campeão Brasileiro e Sul-americano – e nem assim se conseguiu atrair um treinador de destaque no mundo do futebol. No entanto também já houve treinadores que – como Davide Ancelotti – passaram anos ‘agarrados’ a um treinador de nível mundial e aprenderam o suficiente para obterem resultados bem sucedidos e inovar desde o início da carreira, como foi o caso de José Mourinho, assistente de Bobby Robson no início da carreira, e desde a sua estreia como treinador figurou durante muitos anos no top mundial.

E que seja futebol vertical e ousado como Ancelotti anunciou, apoiado criativamente pelo setor intermédio e suportado por uma defesa inexpugnável – como é da minha preferência, e provavelmente da maioria dos botafguenses.

À margem desta análise, devo dizer que há muito tempo que sou fã de Carlo Ancelotti, que considero o melhor treinador do mundo, e se o filho tiver sucesso ficarei duplamente feliz – pelo Botafogo e pelos Ancelotti. Em caso de sucesso o 'coelho' tirado da cartola por John Textor pode transformar-se numa jogada de mestre tendo em consideração que se os Ancelotti tiverem sucesso o acionista maioritário do Botafogo marca pontos no plano institucional.

Porém, para o sucesso de Ancelotti ainda em 2025 urge que se façam dispensas no plantel e sejam contratados reforços a valer e não apenas gente encostada aos seus clubes de origem, porque o plantel continua muito desequilibrado e neste momento o nosso trio de atacantes, vitorioso na Libertadores, foi vendido (tal como o reserva Júnior Santos); urge que o desenvolvimento das categorias de base seja alvo de grande incremento a partir dos bons resultados obtidos neste ano, recuperando a tradição de 'clube formador'; urge que o Botafogo estabeleça relações institucionais sérias e exigentes com as instituições desportivas e outros parceiros e que os seus dirigentes, principalmente John Textor, tenham postura realmente de dirigentes e não de torcedores, porque para torcer estamos cá nós, que somos muito bons nisso; urge que as contas do Clube sejam transparentes, algo que continua sob nevoeiro e é crucial para garantir a estabilidade financeira do Clube e a confiança da torcida.

De ‘provedor’ do nosso Clube – mercê de saneamento financeiro das dívidas do passado, melhoria de infraestruturas e bons resultados desportivos – a ‘carrasco’ neste ano corrente – falhando todos os seus atos de gestão – John Textor precisa refletir seriamente sobre como tem gerido a Eagle Football e em particular os seus clubes, porque claramente tem havido ziguezagues que tanto têm beneficiado como têm prejudicado financeiramente e desportivamente os clubes da Holding.

No nosso caso John Textor focou-se no Botafogo em 2022 e 2024 e desfocou-se em 2023 e 2025, alternando o seu foco e indiciando que não consegue gerir com regularidade todos os clubes em três continentes e culturas, tornando-se necessário repensar a gestão global da Holding de modo a descentralizar responsabilidades e estabelecer objetivos e metas aos dirigentes locais para que o nosso Clube (e os outros) não esteja à mercê de dependências do que se passa nos demais clubes da Holding.

A deriva tem que terminar de vez para consolidarmos o nosso Clube desportivamente. Do lado financeiro a transparência é fundamental para não entrarmos em insolvências como no passado, porque se um dia Textor resolve vender o Clube, e creio que todos torcemos para que não o faça, a bem da estabilidade para a conquista de títulos, quem fica somos nós – seja com o Clube no verde, seja no vermelho.

É justamente por isso que é necessário clarividência para exercermos tanto o nosso agrado como o nosso desagrado face a cada situação concreta de gestão do Clube, porque chame-se ele SAF Botafogo, Botafogo de Futebol e Regatas ou outra designação futura qualquer, ele está acima de qualquer figura individual dentro ou fora de campo e será sempre o mesmo e único Botafogo que pulsa no nosso coração e enche as nossas almas de alegria.

Ao contrário da triste frase proferida recentemente pelo mais alto dignitário do Botafogo FR (“Botafoguense que critica John Textor bom sujeito não é”), Botafoguense que critica John Textor – ou quaisquer outros dirigentes, membros de comissões técnicas ou jogadores – com fundamento e construtivamente, em defesa do Glorioso Clube da Estrela Solitária, bom sujeito é!

sexta-feira, 27 de dezembro de 2024

Companhia Botafogo vs SAF Botafogo – pioneirismo de Bebeto de Freitas

Bebeto de Freitas. Fonte: O Dia | Reprodução.

por LEONARDO BESSA | Repórter de O Dia.

«O profissionalismo tomou conta do Botafogo mostrando resultado com o título da Libertadores e a força da equipe na reta final de 2024 para conquistar o tri do Brasileirão. Tal mudança no Glorioso realiza o sonho de uma figura muito importante na história do clube, que sorri lá de cima vendo as coisas darem certo: o ex-presidente Bebeto de Freitas, que morreu em 13 de março de 2018.

Bebeto presidiu o Botafogo de 2003 a 2005, foi reeleito para o triênio de 2006 a 2008 e sempre bateu na tecla de um clube profissional para voltar ao protagonismo em meio ao caos financeiro da época, recém-rebaixado para a Série B, no início do século. Administrando dívidas enormes, conseguiu montar elencos competitivos e devolveu parte do orgulho ao torcedor.

A SAF de John Textor é uma vitória para o legado de Bebeto de Freitas em General Severiano. Ricardo "Rico" de Freitas, de 43 anos, filho do ex-mandatário alvinegro, que herdou do pai não só a paixão pelo Botafogo como também a pelo vôlei – como técnico, foi medalhista de prata nos Jogos Rio 2016 no vôlei de praia treinando Bárbara e Ágatha –, comentou sobre a nova era do Glorioso.

“A atual SAF é hoje o que o papai idealizava quando criou a Companhia Botafogo. Ver o profissionalismo finalmente tendo espaço no clube seria a sua maior vitória, pois ele lutou durante seis anos por isso. Durcesio (Mello), agora presidente, era o nome que ele sempre insistiu para ser candidato, e todo o profissionalismo que existe hoje no clube foi pensado e iniciado por ele. É uma imensa alegria ter uma pessoa tão incrível como o Durcesio como presidente do clube hoje, que sempre entendeu, diferente de outros amadores e irresponsáveis, que o profissionalismo é fundamental. Acredito que o sucesso da SAF de hoje é a colheita de um plantio feito por ele anos atrás".»

Fonte: https://odia.ig.com.br/esporte/botafogo/2024/12/6963805-bebeto-de-freitas-e-o-profissionalismo-saf-do-botafogo-realiza-sonho-do-ex-presidente.html

sexta-feira, 15 de novembro de 2024

Lara di Mello, a designer dos mosaicos mágicos

Instagram @dimellolara

Texto sintetizado a partir de GABRIELA SANTOS | www.band.uol.com.br 

Lara di Mello, 29 anos, neta de um mágico, nasceu numa família de botafoguenses, tendo sido a sua mãe e sua avó que, a partir de Niterói, a levavam para assistir aos jogos do Glorioso no Rio de Janeiro e lhe incutiram a cultura de estádio.

Crédito: Vitor Silva | Botafogo.

Designer por profissão, Lara di Mello começou apoiando o ‘Movimento Ninguém Ama Com a Gente’ em alguns bandeirões levados para a arquibancada, emergindo daí a oportunidade de criar mosaicos com a ajuda de um arquiteto.

Crédito: Vitor Silva | Botafogo.

Quando o arquiteto teve que se afastar do empreendimento Lara avançou para mosaicos mais inovadores, ousados e complexos no futebol, tornando-se a designer responsável pelos mosaicos históricos do Botafogo.

Crédito: Vitor Silva | Botafogo.

No seu Instagram [@dimellolara], Lara reagiu desse modo à matéria publicada por Gabriela Santos:

– Quando conversei com a @gabsluuc sobre os mosaicos feitos pela torcida do Botafogo, não esperava que além da matéria principal, fosse ainda ser gerado esse conteúdo tão legal. Muito obrigada por essa oportunidade! Sou muito grata por esse reconhecimento, e por poder de alguma forma contribuir com meu clube. Nossa missão é sempre exaltar o Botafogo, e nosso trabalho coletivo será recompensado!

Fonte: www.band.uol.com.br/esportes/conheca-lara-di-mello-designer-responsavel-pelos-mosaicos-historicos-do-botafogo-202408301810

Treinadores e contextos (IV): de Marinho Rodrigues, auxiliar de Saldanha, ao auge da linhagem técnica com Mário Zagallo

Marinho Rodrigues. Fonte: Divulgação. por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo Após a demissão de João Saldanha, a linhagem técnica dos ...