Quando
me perguntam para que clube vou torcer se o Botafogo acabar, eu me calo para
não ter de admitir que há muito não torço pelo alvinegro carioca. Se acompanhar
as suas agruras pelo noticiário e pegar, uma vez por outra, um vídeo-teipe é
torcer, então eu ainda torço pelo Botafogo. Acontece que eu sou do tempo em que
torcer significava ir aos estádios com assiduidade, não importava onde ficasse,
e, sobrando tempo, freqüentar os aprontos das sextas-feiras em General
Severiano. […] Às vezes
quando me perguntam para que clube vou torcer se o Botafogo acabar, eu
respondo: nenhum. Clube não é casamento para ser desfeito a qualquer hora, é
noivado eterno que a gente sacramenta antes de aprender a assoviar e a passar
cerol direito na linha da pipa – ou, atualizando a imagem, antes de encarar
todos os videojogos. – Sérgio
Augusto, autor do livro ‘Botafogo – entre o céu e o inferno’ (2004), em
artigo publicado na Placar Magazine de 9 de Março de 1984, em plena crise do
Botafogo.
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