quarta-feira, 4 de março de 2026

Botafogo 1x1 Barcelona (Equador) - era para ganhar, era...

Crédito: Vitor Silva | Botafogo

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

Uma análise global ao jogo mostra que o Botafogo é tecnicamente superior ao adversário e quando deixa de lado o joguinho lento e irritante de troca de passes entre zagueiro e goleiro, cujo resultado esperado de chamar o adversário à frente não resulta, então consegue ser mais perigoso.

O Botafogo não é mais perigoso em virtude de um esquema tático altamente eficaz desenhado pelo seu técnico, mas porque consegue, aqui e ali, desempenhos individuais que suprem a deficiência tática. Aliás, a montagem da equipe permanece incorreta e subtrai melhores desempenhos individuais no contexto do jogo coletivo.

Efetivamente, jogar com três zagueiros, sendo o terceiro, Mateo Ponte, improvisado, compromete o sistema defensivo e perde-se um lateral com alguma capacidade atacante. Acresce que o meio-campo não blinda a zaga porque na verdade são apenas dois atletas a fazer a função de meio-campo, porque Alex Telles e Vitinho são mandados para o ataque e depois têm dificuldade na recomposição rápida. Quanto ao ataque, na verdade não existe um verdadeiro ataque quando a função de centroavante está entregue a Matheus Martins ou a Arthur Cabral – ambos muito inoperantes.

Em suma, o Botafogo não está desequilibrado apenas porque tem falta de algumas peças melhores (como reconhece Textor); está desequilibrado porque dentro das peças de que dispõe também monta mal o sistema tático e operacional.

Dentro do que tem, e até que Anselmi tenha as peças necessárias para o 3x4x3, o esquema do Botafogo com os atletas atuais seria bem mais produtivo se enveredasse por um clássico 4x4x2 ou por variações do tipo 4x2x3x1, reforçando o sistema defensivo, melhorando a criatividade e tirando partido da qualidade individual de atletas como Danilo, Álvaro Montoro, Villalba ou Santi Rodríguez.

Até mesmo Matheus Martins, a quem falta lampejos de técnica, poderia ser bem mais eficaz porque corre, briga e dá algum trabalho, ao contrário de Arthur Cabral que não corre, briga mal, não tem qualidade de remate e que quando entra em campo carrega nuvens de chumbo para o ataque.

Neste jogo, as ocorrências pontuais que merecem relevo começaram logo aos 7’, quando o Barcelona pediu pênalti de Barboza. A repetição do lance não suprimiu a dúvida, mas mesmo admitindo que não foi pênalti, a verdade é que Barboza arrisca demasiadas vezes dentro da área – e se o árbitro marcasse falta e o pênalti fosse convertido o Botafogo estaria enrolado em maus lençóis.

E um minuto depois, em contra-ataque rapidíssimo, explorando o nosso frágil sistema defensivo, o Barcelona desperdiçou um gol claríssimo – e embora tivesse sido marcado impedimento posteriormente a ameaça ficou no ar.

Ao 18’ foi a vez de Matheus Martins evidenciar a falta de qualidade técnica para se livrar dos adversários e, no caso, a falta de criatividade para superar o goleiro cara a cara rematando à figura.

O Botafogo manteve-se retraído trocando passes no seu meio campo e o Barcelona foi-se acercando mais da grande área, esperando ganhar segundas bolas e marcar um gol – e assim aconteceu, com a ‘preciosa’ ajuda de um goleiro, agora titular, que é um verdadeiro perigo a defender a baliza do Glorioso.

Aos 22’ Léo Linck lançou mal a bola para Alex Telles, o adversário tomou-a rapidamente, centrou para Héctor Villalba cabecear ao travessão e no regresso da bola o mesmo atleta mandou o esférico para o fundo das redes. Barcelona 1x0.

Léo é ‘Linck’, mas falta-lhe o link para defender a baliza…

O jogo continuou na mesma toada por parte do Botafogo: tudo muito lento e denunciado e desarmes fáceis dos nossos atacantes – em especial do pseudo-atacante Matheus Martins quando recebia a bola.

Pelo lado do Barcelona nem o gol melhorou o seu desempenho, que mostrava receio do Botafogo e jogava sobretudo em contra-ataque, mas com mais perigo do que nós, que rematávamos constantemente fora do alvo.

Além de Matheus Martins nem os nossos melhores atletas eram certeiros: aos 40’ Danilo falhou um gol claro à boca da baliza; aos 41’ Montoro girou mal sobre si mesmo dentro da grande área e rematou para o alto.

Em suma, nenhuma jogada tecnicamente acima da mediania, quer do Botafogo, quer do Barcelona.

No segundo tempo o Botafogo entrou melhor, jogando mais de pé em pé em vez do chutão para a frente, e a velocidade melhorou. Surpreendentemente o Barcelona eclipsou-se, defendendo o 1x0 e deixando de pressionar, demonstrando uma equipe muito frágil cujo gás se gastou depressa – e não estavam na altitude de Potosí.

Nessas circunstâncias o Botafogo chegou-se mais à frente e aos 65’ Barrera persistiu até à linha de fundo em busca de um lançamento de Vitinho, conseguiu centrar no limite da linha, o zagueiro furou, assim como ‘providencialmente’ também um atleta do Botafogo furou o remate, e a bola sobrou para Matheus Martins que só precisou de rematar para o fundo das redes a dois metros da linha da meta. Jogo empatado em 1x1.

O árbitro apitou para o período de hidratação, mas à posteriori parecia ter apitado para o fim da partida, porque de parte a parte as equipes pareciam satisfeitas com o empate. O Barcelona porque já não tinha pernas para atacar; o Botafogo porque na pequenez da estratégia montada, considerou por bem que um empate era suficiente para se classificar no jogo da segunda mão. Tomara que sim…

E quando aos 76’ Anselmi decidiu mandar Arthur Cabral a campo, então o jogo encerrou de vez – porque se Matheus Martins não atrapalha muito as defesas adversárias, Arthur Cabral até beneficia o bom desempenho dos adversários.

Até ao final registrou-se apenas uma oportunidade do Barcelona aos 85’ em resultado da substituições que fez. Mas foi uma chance fugaz num segundo tempo em que o Botafogo foi melhor até empatar.

No Nilton Santos o fraco Barcelona vai jogar muito fechado, explorando o contra-ataque para ganhar o jogo ou ir a pênaltis. O Botafogo tem tudo para ganhar se for inteligente, caso contrário Anselmi fica em sérios apuros e nós totalmente desapontados com um acerto da equipe que nunca mais chega.

Embora, diga-se, não devamos esperar um ‘grande’ semestre face à absurda decisão da SAF em priorizar determinadas posições e não cobrir as duas posições mais decisivas para o placar – a posição de goleiro e a posição de centroavante, sendo difícil ganhar quando um deixa as bolas entrarem por erros grosseiros e outro não estufa as redes adversárias por evidente falta de faro de gol.

PS: A contratação de Júnior Santos - embora eu seja fã dele - é uma nova incógnita, porque vem de diversas lesões e não atua desde setembro, o que significa que para se colocar em forma levará tempo.

FICHA TÉCNICA

Botafogo 1x1 Barcelona

» Gols: Matheus Martins, aos 65’ (Botafogo); Héctor Villalba, aos 22’ (Barcelona)

» Competição: Copa Libertadores da América

» Data: 03.03.2026

» Local: Monumental Banco Pichincha, em Guayaquil, Equador

» Árbitro: Wilmar Roldán (Colômbia); Assistente: John Alexander León (Colômbia) e Sebastián Vela (Colômbia); Var: David Rodríguez (Colômbia)

» Disciplina: cartão amarelo – Álvaro Montoro (Botafogo) e  Jhonny Quiñónez e Joao Rojas (Barcelona)

» Botafogo: Léo Linck; Mateo Ponte (Lucas Villalba), Bastos e Alexander Barboza; Vitinho, Newton, Danilo e Alex Telles; Jordan Barrera (Joaquín Correa), Matheus Martins (Arthur Cabral) e Álvaro Montoro. Técnico: Martín Anselmi.

» Barcelona: Contreras; Carabalí, Javier Báez, Rangel e Vallecilla; Jhonny Quiñónez, Céliz (Montaño) e Joao Rojas (Wila); Tomás Martínez (Jonnathan Mina), Benedetto (Sergio Núñez) e Héctor Villalba (Jandry Gómez). Técnico: César Farías.

Sem comentários:

Botafogo 1x1 Barcelona (Equador) - era para ganhar, era...

Crédito: Vitor Silva | Botafogo por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo Uma análise global ao jogo mostra que o Botafogo é tecnicamente...