quinta-feira, 7 de maio de 2026

Botafogo 2x1 Racing – classificação antecipada na sorte do jogo

Cristian Medina,  melhor em campo. Crédito: Vitor Silva | Botafogo.

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

O embate contra a equipe argentina do Racing foi muito positivo em termos de resultado final, mas menos positivo em termos de desempenho e, sobretudo, evidenciou que, ao contrário do que se começara a pensar anteriormente face aos progressos verificados com a equipe, não conseguimos ainda apresentar uma identidade consistente e duradoura.

É certo que o Botafogo dominou de modo geral a 1ª parte do encontro, mas fê-lo muito à custa de uma peleja muito nervosa, sobretudo do Racing, com a bola pingando para um lado e para o outro em sucessivas divididas.

Só por volta do quarto de hora, em jogada típica do Botafogo, é que surgiu uma oportunidade após escanteio de Alex Telles, mas as tentativas de conclusão de Newton e Barboza mostraram-se fracassadas, com o zagueiro cabeceando para fora à boca da baliza.

Porém, três minutos volvidos, e depois de má saída de bola do Racing, Cristian Medina lançou espetacularmente Júnior Santos, que entre dois zagueiros forçou a arrancada, e Di Césare, na afobação de desviar a bola da sua baliza desviou-a do goleiro que se fizera ao lance e a pelota foi morrer lentamente no fundo das redes. Botafogo 1x0.

Foi uma vantagem conseguida pela insistência de Júnior Santos, mas, sobretudo, pelo desentendimento do setor defensivo do Racing, que é frágil como, aliás, toda a equipe.

O Racing quis ripostar e aos 21’ Solari concretizou o único lance perigoso dos argentinos na 1ª parte, mas Neto desviou. A propósito de Neto, em toda a partida, como noutras anteriores, nunca soca a bola para fora da área, mas espalma sempre para a frente com a sua mãozinha de alface – e em vários lances poderiam ter saído gols do Racing se o seu ataque fosse eficiente.

Daí em diante o Botafogo desacelerou a partida, o que fez bem, apostando em surtidas rápidas no ataque, mas o perigo foi escasso. Numa falta descaída pelo lado direito, em boa posição de remate, Matheus Martins cobrou com força, mas à figura do goleiro. Em rigor, só posteriormente houve a melhor oportunidade, também após bola parada em cobrança longa de lateral para a área argentina, tendo Barboza servido Kadir de cabeça e este novamente de cabeça obrigou o goleiro a uma boa defesa no canto inferior do poste esquerda da sua baliza.

Atacando quase sempre pelo lado esquerdo, e com Matheus Martins a descair para o interior, quando na verdade funciona melhor como ponta, não se verificava variedade de jogadas nem criação suficiente – excepto alguns bons lançamentos de Cristian Medina, o único que verdadeiramente criou alguma coisa – para aproveitar os muitos espaços deixados pelo sistema tático do Racing.

As melhores tentativas do Botafogo foram de bola parada. É certo que devemos aproveitar – e treinar – bem essas oportunidades, mas tecnicamente a equipe tem imensa dificuldade em elaborar jogadas coletivas de pé em pé, ao nível do gramado.  

E assim se chegou ao intervalo sem grande qualidade técnica, com o Botafogo ‘cozinhando’ o jogo.

Após o intervalo o Racing entrou melhor e logo aos 49’, como vem sendo costume, o Botafogo entrou mole no jogo, o Racing contra-atacou e obrigou Neto a efetuar mais uma defesa, que espalmando para a frente com a sua mão de alface fez a bola bater no peito de Barboza e quase foi gol contra.

Com os jogadores claramente distraídos, sem capacidade de foco durante os 90 minutos de jogo, aos 50’ o Racing realizou um contra-ataque rápido a partir de uma bola lançada na ala esquerda, Rojas recebeu e efetuou um centro primoroso para o miolo da área, Adrián Martínez cabeceou e colocou a bola (aparentemente) fora do alcance de Neto (estaria mal posicionado, ou não?), empatando a partida.

Claro que a torcida alvinegra pensou novamente no pior, especialmente porque o Racing mostrava-se mais afoito após o gol, em busca da virada, e aos 56’ nem sequer Danilo foi capaz de concluir vitoriosamente um ótimo lançamento, novamente da autoria de Medina, rematando dentro da área, frente a frente com Cambeses, chutando à figura.

O Racing insistiu e aos 70’ Adrián Fernández rematou a meia distância e Neto espalmou de novo com muito perigo para a frente, mas a zaga aliviou.

A partida tornou-se truncada, pouco agradável, mas aos 74’, após mais uma insistência de Júnior Santos, a bola sobrou para Danilo que rematou fraco e à figura do goleiro – que deixou a bola passar calmamente debaixo do seu corpo. Botafogo novamente na frente: 2x1.

Daí em diante o Racing tentou remendar o ‘frangaço’ de Cambeses e aos 82’, dentro da pequena área, a zaga permitiu que Zaracho rematasse de bicicleta e, mais uma vez, por pura sorte, a bola foi fraca e direitinha aos braços de Neto.

Entretanto, como o trio de ataque estava desgastado, saíram Júnior Santos e Matheus Martins, enquanto Arthur Cabral entrara já antes no lugar de Kadir, sem que houvesse novidades em matéria de agressividade atacante. E a única oportunidade realmente flagrante foi de Cabral aos 85’, que uma vez mais, frente a frente com Cambeses, não conseguiu concluir. Aparentemente o atacante não vai evoluir mais.

E um minuto depois o Racing perdeu a última oportunidade de empatar com Zaracho rematando por cima do travessão.

Aos 90+3’ Cambeses foi expulso por falta in extremis sobre Villalba que procurava dominar a bola. E acabou o jogo.

O Botafogo não tem identidade definida, Franclim Carvalho ainda não definiu um Onze mais fixo após uma dezena de jogos, e a vitória só foi alcançada em dois lances de pura felicidade, e por força da insistência de Júnior Santos, que tiveram como causa um gol contra e ‘frango’ monumental de Cambeses. É muito pouco para o mata-mata da Copa Sul-americana e para os jogos do Brasileirão até ao final de maio.

FICHA TÉCNICA

Botafogo 2x1 Racing

» Gols: Di Césare, aos 18’ (contra), e Danilo, aos 74’ (Botafogo); Adrián Martínez, aos 49’ (Racing)

» Competição: Copa Sul-americana

» Data: 06.05.2026

» Local: Estádio Olímpico Nilton Santos, no Rio de Janeiro (RJ)

» Público: 11.252 pagantes; 12.644 espectadores

» Renda: R$ 294.867,00

» Árbitro: Wilmar Roldán (Colômbia); Assistentes: Alexander Guzmán (Colômbia) e Sebastián Vela (Colômbia): VAR: Leodán González (Uruguai)

» Disciplina: cartão amarelo – Kadir, Lucas Villalba e Edenílson (Botafogo) e  Adrián Fernández, Baltasar Rodríguez e Di Césare (Racing); cartão vermelho – Cambeses (Racing)

» Botafogo: Neto; Vitinho, Ferraresi, Alexander Barboza e Alex Telles (Marçal); Newton, Cristian Medina e Danilo; Júnior Santos (Lucas Villalba), Kadir (Arthur Cabral) e Matheus Martins (Edenílson). Técnico: Franclim Carvalho.

» Racing: Cambeses; Di Césare, Santiago Sosa e Basso (Tomas Pérez); Martirena, Baltasar Rodríguez (Zaracho), Forneris (Zuculini) e Gabriel Rojas; Solari (Conechny), Adrián Martínez e Adrián Fernández (Miljevic). Técnico: Gustavo Costas.

Sem comentários:

Botafogo 2x1 Racing – classificação antecipada na sorte do jogo

Cristian Medina,  melhor em campo. Crédito: Vitor Silva | Botafogo. por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo O embate contra a equipe ar...