[Nota preliminar –
Após a série de resenhas publicadas sobre a década de 1990, o Mundo Botafogo
inicia uma nova série de resenhas desde o início do século XXI, esmiuçando os
momentos altos e baixos de um Clube Glorioso em permanente ressurreição e que,
como sublinha a sua torcida, é uma fortaleza que jamais se renderá.]
por RUY MOURA |
Editor do Mundo Botafogo
A presidência de José Luiz Rolim (1997-1999),
que conquistara a Taça Guanabara, a Taça Rio e o Campeonato Estadual, em 1997,
e o 4º título do Torneio Rio-São Paulo, em 1998, poderia ter sido coroada com a
cereja no cimo do bolo conquistando a Copa do Brasil, em 1999, mas terminou
amargamente com a perda do título, com o Botafogo à beira da sua primeira
descida de divisão e o prenúncio da quase-tragédia anunciada da gestão e das
finanças do Botafogo.
Em 2000 Mauro Ney Machado Monteiro Palmeiro
foi eleito presidente do Glorioso (2000-2002) e uma nova e mais profunda crise
desabou em cima do Clube, tanto no futebol como em outras modalidades, que se
saldou por um desastre financeiro e desportivo estrondoso que nos levou à beira
da falência técnica e financeira.
No futebol, 2000 foi o ano de alerta. O
Botafogo disputou a Copa João Havelange no módulo principal porque tinha
escapado do descenso anterior no contexto do Caso Sandro Hiroshi, em 1999, e o
início da década foi marcado por campanhas pífias no campeonato brasileiro e de
proximidade à zona de rebaixamento, perdendo-se competitividade no cenário
nacional.
Entretanto, na vertente financeira e
estrutural, o ano 2000 foi a sequência da deterioração iniciada em fins de 1999,
operando com fortes limitações administrativas e sem a solidez de fases
anteriores, e determinando a impossibilidade de uma base estável e moderna que
pudesse sustentar o futebol e as demais modalidades desportivas.
Não obstante nos abeirarmos de uma profunda
crise, o Botafogo disputou o Torneio Rio-São Paulo em 2001 e conseguiu chegar à
final, iludindo os torcedores de que poderia reagir desportivamente.
A caminhada iniciou-se com a fase de grupos
na qual o Botafogo empatou 3x3 com o Corinthians, perdeu por 3x0 para o Santos,
empatou 1x1 com o São Paulo e venceu o Palmeiras por 3x1.
Nas semifinais empatou por 2x2 com o Santos, em casa, e classificou-se para as finais vencendo por 1x0 em Vila Belmiro. Nas finais contra o São Paulo perdeu por 4x1 em casa e por 2x1 fora.
No basquete também houve um momento
desportivo que indiciava capacidade competitiva, porquanto o Botafogo realizou
uma grande campanha no campeonato brasileiro de 2001, eliminando o Fluminense
nas quartas-de-final e caindo apenas nas semifinais diante do COC/Ribeirão
Preto.
Porém, o Clube não traçou uma estratégia de recuperação
e não resolveu nenhum dos grandes problemas de fundo, pelo contrário. A crise
financeira e administrativa latente anunciava-se e a gestão era pressionada por
soluções que não foi capaz de criar e implementar.
E em 2002 o desastre anunciado
concretizou-se. O futebol do Botafogo foi decapitado pela saída de jogadores
antes do início do campeonato brasileiro porque financeiramente esse ano
representou o colapso do Clube, repleto de dívidas para com jogadores e
empresários, salários em atraso, sem patrocinador, sem local adequado para
treinar e atletas pedindo para não atuarem mais pelo Clube.
A equipe de futebol do Botafogo foi treinada
a maior parte do tempo por Ivo Wortmann, depois teve Carlos Alberto Torres nos
jogos finais, mas acabou rebaixada à Série B, após ser derrotada pelo São Paulo
por 1x0 no estádio Caio Martins, consumando a primeira queda do Glorioso à
divisão secundária do futebol nacional.
No dia 17 de novembro de 2002, no estádio
Caio Martins, justamente no dia de aniversário (tristonho nessa data
específica) do editor do Mundo Botafogo, Dill marcou aos 54’ o gol que nos
enviou para a Série B à 29ª rodada. Comandado por Carlos Alberto Torres, o Botafogo
alinhou com Carlos Germano; Márcio Gomes (Rodrigão), Gilmar, Sandro Barbosa e
Rodrigo Fernandes; Carlos Alberto, Almir, Lúcio Bala e Esquerdinha (Camacho);
Daniel Mendes (Geraldo Madureira), e Ademilson.
Também no basquete as consequências foram devastadoras, porque apesar das campanhas competitivas o departamento profissional de basquete foi encerrado em 2002.
A gestão de Mauro Ney Palmeiro ficou, pois,
marcada pela decadência do futebol relegado para segundo plano, pela extinção
do basquete e pela pré-falência financeira e patrimonial.
Em suma…
…desportivamente o Botafogo deixou
simplesmente de competir em todas as frentes, alienando o enorme prestígio de
mais de uma centena de anos;
…financeiramente o triênio foi marcado por
dívidas, salários em atraso, falta de patrocinador e uma gestão de absoluta
incompetência;
…estruturalmente o problema central residia
na precariedade da estrutura, na medida em que o Clube não dispunha de um estádio
e de um centro de operações à altura da sua história, da sua torcida e das exigências
competitivas, porquanto o Caio Martins consistia apenas numa solução
transitória.
Foi este Clube, que não tinha dinheiro sequer
para comprar bolas de futebol ou papel higiênico, que Mauro Ney Palmeiro deixou
após três anos de permanente delapidação desportiva, financeira e estrutural.
A dinastia oligárquica do Clube estava
esgotada pela falta de profissionalismo e modernidade, e das suas fileiras não
havia quem mostrasse capacidades e competências para regenerar o Clube.
Urgia alguém fora dessa oligarquia, com novas
ideias, com visão e competência para arrancar o Botafogo de novo das correntes
do inferno em que fora lançado.
Esse alguém tinha nome sonante: Paulo Roberto
de Freitas, carinhosamente tratado por ‘Bebeto de Freitas’, que venceu as
eleições para o triênio 2003-2005 com a incumbência gigantesca de sanar
financeiramente e administrativamente o Clube e devolver-lhe competitividade no
futebol e nas modalidades desportivas de que tanto nos orgulhámos sempre como secular Clube
Multiesportivo.
Fontes principais: https://ge.globo.com; https://extra.globo.com; www.mundobotafogo.blogspot.com; www.transfermarket.com.br



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