domingo, 26 de outubro de 2014

De: Nilton Santos. Para: Jefferson.

por Mauro Beting
Blog do Mauro Beting – Lancenet!

Jefferson,

não sei se você acredita.

Mas eu juro. Sou eu.

Nilton Santos.

Eles me chamavam de Enciclopédia. Apelido que o Waldir Amaral popularizou, lá por 1957.

(Sorte minha que eu apareci pro futebol antes do Garrincha e do Pelé. Você vai dizer que é falsa modéstia. Não é falsa. É apenas modéstia.)

Eu era assim desde a Ilha do Governador. Pergunte aos meus amigos botafoguenses. O Sandro Moreyra inventava e exagerava umas historinhas, é verdade – ou algumas mentirinhas… O Maneco Muller também dourava a pílula e a bola.

Mas eles sabem que sempre fui simples. Na minha. Tanto é que quase fui parar nas Laranjeiras. Quer dizer, fui pra lá. Mas quando vi aquele sede toda iluminada, os vitrais, toda aquela pompa, os sócios lá dentro dos salões, aquela gente chique, grã-fina, e ainda vi da rua os craques do Fluminense passeando pela sede, confesso que achei que ali não era meu lugar.

É verdade. Fiquei com minha chuteira debaixo do braço, peguei uma condução de volta pra Ilha do Governador e, naquele momento, desisti do meu sonho de ser profissional do futebol. O Maneco contava muito bem essa história, e está aqui, do meu lado, mandando um abração. Ele e o Sandro, que diz que você é um digno sucessor do Manga.

E eu concordo, Jefferson.

Naquela noite em que eu não fui treinar nas Laranjeiras, meu jeito tímido e meu espírito amador me deixaram longe do futebol. Mas eu, como nosso time, tenho estrela. E ela, graças a Deus, foi brilhar comigo em General Severiano.

O nosso Botafogo.

A nossa camisa. Aliás, só para lembrar pra muita gente, eu só joguei pelo Botafogo e com a camisa do Brasil [Nota do Mundo Botafogo: na verdade, três camisas – Selefogo, Seleção Carioca e Seleção do Brasil]. E nunca beijei o escudo nem de uma e nem de outra. Não precisei. Ninguém precisa.

Basta honrar essa camisa. Basta dar tudo por ela. Basta jogar futebol.

Basta fazer tudo que não tem sido feito no Botafogo.

Não pelos seus companheiros, Jefferson. Alguns, de fato, não têm bola para jogar no meu time. No máximo, jogariam lá no time do Flexeiras. E olhe lá. Mas como cobrar deles se eles não são pagos?

Já os dirigentes do nosso Botafogo…

Além dos aviões, meus maiores adversários sempre foram os árbitros. Todos eles. Mas, hoje em dia, e nas últimas administrações, acho que os cartolas do nosso clube foram piores que os juízes.

Acredite.

E o pior é que parece inacreditável o que fizeram e o que estão fazendo com o nosso Botafogo.

Saudade do Carlito Rocha e do Biriba, nosso cachorrinho campeão em 1948. Hoje só parecem ter restado outros animais no clube. O seu Carlito que dava gemada pra nós depois dos treinos. Hoje, os caras dão uma ova pros jogadores! O Carlito tinha uma fábrica de tecido e ficou pobre de tanto dinheiro que deu pro Botafogo. Quantos dirigentes ficaram sem grana como ele? E quantos saíram do futebol com muito mais do que tinham?

É…

Como pode não pagar? Como pode exigir de quem não recebe?

Já ganhamos um Brasileirão com quase cinco meses de atraso. Mas não pode isso.
Aliás, eu também sou um pouco responsável por esse estado lastimável de coisas. Eu assinava contratos em branco com o clube. Falava que eles poderiam pagar o que quisessem para mim que estaria bom. E estava mesmo ótimo. Me pagavam pra jogar futebol no clube onde eu me sentia em casa!

Mas veja só o que foram fazendo comigo e com nossos companheiros, com nossos torcedores…

Dá pra dizer também com nosso país. Afinal, não pagamos para ninguém. Justo um clube com um crédito imortal no nosso futebol. Como pode?

Como deve…

E como devemos à nossa rica glória. E como estamos devendo Botafogo aos botafoguenses.

Não podemos mais ficar assim. Tenho conversado com a turma aqui de cima. Tem muito botafoguense nos céus. Muita gente boa. Mas sinto que a nossa galera vai ser menor a cada dia por aqui. Vai ter muito mais botafoguense indo pra outro lugar. Para o fogo eterno onde estão nos mandado mais uma vez.

Jefferson, você é o número um da Seleção. Merecidamente. Todo grande time começa com um grande goleiro. Uma pessoa honrada como você. Persista! Defenda a gente mais um pouco dos adversários externos e, principalmente, dos internos. Justamente os piores.

Sei que a culpa de tudo que não tem em General Severiano não é só da turma que está lá agora. Quem passou também arrasou a terra e os cofres. Derrubou o clube como quase derrubaram o Engenhão! Sei que todo o futebol brasileiro tá uma draga. Uma droga mesmo. Meus parceiros Djalma Santos e Julinho Botelho estão desesperados com a Portuguesa. Não a da minha Ilha do Governador, mas a do Canindé.

O que fizeram com ela?

O que estão fazendo com a gente?

Sei que você é profissional, Jefferson. Sei que você tem contas a pagar. Diferente do nosso clube, você paga suas contas. Mas eu te peço, por favor: seja cada vez mais amador e ame cada vez mais o Botafogo. Pelo menos alguém tem de amar esse clube lá dentro. E jogar por ele. Não o jogar na vala comum. Na várzea na pior acepção.

Eu sei que fiz errado em dar um cheque em branco aos cartolas antigamente. Hoje não se pode dar nem bom dia. Mas eu imploro: continue nos defendendo. Dê crédito a quem só tem débito.

Dizem que da nossa vida aí embaixo não se leva nada. Mas eu te digo, amigo: eu também estou aqui entre tantos Santos não porque eu sou Nilton, mas porque eu sou Botafogo.

Amor e dedicação não se cobram. Damos. Por isso estou aqui. Por isso consigo passar esta mensagem. Os que não têm, os que não tiveram, esses vão pro lugar onde estão nos mandando.

Só pra terminar, mais uma historinha que aconteceu comigo: quando parei de jogar, em 1964, muita gente teve a ideia de fazer um jogo de despedida com a renda inteira da partida sendo doada para mim. O que pensaram os dirigentes do clube na época: “vai parecer que a gente não pagou direitinho a ele durante a carreira…” E foi o que aconteceu. Eles não deram a renda para mim.

Como você pode ver, Jefferson, o problema do nosso clube não é só da turma que está aí agora. Vem de longe…

Enfim, o pessoal do Botafogo tá mandando aquela força aqui de cima.

Deus mesmo diz que está mexendo uns pauzinhos.

E Ele jura por Ele mesmo que ainda acredita no Jobson.

Mas que Ele não tem o que fazer com as postagens do Sheik no Instagram.

Saudações.

Nilton.

sábado, 25 de outubro de 2014

Botafogo 2x1 Clube Ridículo do Flamengo


FICHA TÉCNICA
Botafogo x Flamengo
» Gols: Rogério, aos 33‘ e Wallyson, aos 66’ (Botafogo); Eduardo da Silva, aos 29’ (Flamengo)
» Competição: Campeonato Brasileiro
» Data: 25.10.2014
» Local: Arena Amazônia, em Manaus
» Público: pagantes, 39.561; presentes, 42.391
» Renda: R$ 4.118.040,00
» Árbitro: Ricardo Marques Ribeiro; Assistentes: Fábio Pereira e Emerson Augusto de Carvalho
» Disciplina: cartão amarelo: André Bahia (Botafogo); Léo (Flamengo)
» Tática: 4x4x2 (Botafogo); 4x5x1 (Flamengo)
» Botafogo: Jefferson; Régis Souza, Rodrigo Souto, André Bahia e Júnior César; Andreazzi (Dankler), Gabriel, Bolatti e Carlos Alberto (Luiz Ramírez); Rogério (Jobson) e Wallyson. Técnico: Vagner Mancini.
» Flamengo: Paulo Victor; Léo, Marcelo, Samir e Anderson Pico; Amaral, Muralha, Luiz Antônio (Elton), Lucas Mugni (Igor Sartori) e Gabriel; Nixon (Eduardo da Silva). Técnico: Vanderlei Luxemburgo.

Real Madrid 3x1 Barcelona


Os espertalhões da bola, profundos conhecedores do futebol, profetas infalíveis, inteligências supremas, de que é um excelente exemplo o ‘camarada’ acima, só falharam em duas coisas:

Público no início do clássico Real x Barcelona, um dos maiores clássicos do mundo visto por 400 milhões de telespectadores (captura de tela em 25.10.2014)

(1) Messi ‘esqueceu-se’ de se apresentar no Santiago Bernabéu – segundo as más-línguas – coisa que, aliás, ocorre cada vez com mais frequência: atuações de cor cinza e cada vez mais vômitos…

Imagem: o luso-brasileiro Pepe comemorando a virada (foto Reuters)
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(2) Neymar, além do gol, continua o seu insuportável cai-cai nos relvados europeus. Fábio Capello, comentarista italiano, não perdoou a um craque como Neymar o comentário azedo sobre o seu crônico cai-cai, dizendo que “não suporto que um jogador do seu nível se jogue no chão toda vez que é tocado. É uma atitude muito feia”. Neymar tem que perceber que um craque, um verdadeiro craque, e ele poderá vir a sê-lo, nunca se atira para o chão. Aprenda com Lionel Messi e Cristiano Ronaldo (e muitos outros craques), que mesmo tocados em falta progridem se puderem, não se atiram ao chão e nunca comemoram gols com dancinhas, dedos na boca e outras coisas idiotas. Na verdade comemoram à moda dos ‘futebolistas de classe superior’.

Alvinegro põe Botafogo no nome do filho e recorre a TV preto e branco

[Ou… coisas que só acontecem ao Botafogo]

SporTV.com – Manaus

O amor a um clube de futebol supera distâncias e, muitas vezes, o senso comum1. Esse é o caso de Miqueias Ferreira Lima, 56 anos, torcedor apaixonado pelo Botafogo e morador de Manaus. A paixão pelo time carioca é tanta que, além de ter vários adereços referentes ao Glorioso em sua casa, o fanático colocou o time no nome do próprio filho. Além disso, ainda recorreu a uma televisão em preto e branco para ajudar o filho a seguir seus passos na devoção à Estrela Solitária

- Nasceu filho homem, eu parti para o cartório, eles aceitaram, então, ficou (Bruno Quirino Botafogo Lima). Pensei em fazer uma homenagem ao Botafogo. A mãe chorou uns dois dias. O problema era quando jogava com nosso maior adversário e eles faziam gol. Aí eu diminuía o volume para o meu filho não ouvir. E eu tinha uma TV preto e branco, que eu colocava para ele não ver as cores vermelho e preto. Ele via sempre Botafogo na TV, em preto e branco - revelou Miqueias Lima.

Ele e Bruno Botafogo, de 23 anos, irão sábado conhecer a Arena Amazônia e ver, pela primeira vez, o time do coração ao vivo e a cores. Apesar dos "truques" do pai para que seguisse sua paixão pelo alvinegro carioca, Bruno diz que não precisava de tantos esforços, pois, poucos anos após nascer, o Glorioso foi campeão brasileiro. 
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- Eu nasci em 1991 e, logo em 1995, já vi o Botafogo sendo campeão brasileiro. E agora vou conhecer a Arena Amazônia, ver de perto o meu time e, com certeza, vai ser ainda melhor com a vitória - contou Bruno.
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No sábado, Miqueias Lima não sabe quanto será o resultado da partida contra o Flamengo. No entanto, o botafoguense tem certeza que sua casa, mesmo longe do Rio de Janeiro, continuará sendo um reduto alvinegro, onde nada faz alusão à cor vermelha.

- A única coisa vermelha que tem aqui em casa está escondida, que é o sangue. Ele só aparece quando eu me corto ou quando vou doar sangue. É para evitar coisa ruim mesmo, pode o pneu furar, então, é melhor não falar esse nome (Flamengo) - disse Miqueias Lima.

Sábado, às 21h (horário de Brasília), Botafogo e Flamengo medem forças na Arena Amazônia. O Glorioso, com 30 pontos e na 19ª posição, precisa desesperadamente da vitória para sair da zona de rebaixamento. Os rubro-negros têm 40 pontos e estão na 11ª colocação no Campeonato Brasileiro.

1 E, certamente, o bom senso…

Botafogo 1x0 Cienciano – lições a aprender

Crédito: Elaborado por IA. por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo Os botafoguenses estão habituados ao carrossel que faz o percurso cé...