terça-feira, 3 de novembro de 2026

Treinadores e contextos (XI): três anos a caminho do desastre que consumiu treinadores na fogueira da crise

Fonte: Montagem do Mundo Botafogo.

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

Chegou-se ao século XXI e a uma nova diretoria confrontada com um histórico da circularidade de treinadores no Botafogo em aceleração entre janeiro de 1996 e dezembro de 1999, tipo porta giratória, onde a maioria que entrava se repetia entrando, saindo e reentrando, registrando-se várias chegadas, sem contar os interinos, designadamente dos treinadores Marinho Peres, Ricardo Barreto, Jair Pereira (5ª chegada desde históricos anteriores), Joel Santana, Sebastião Rocha, Carlos Alberto Torres (2ª chegada), Gílson Nunes, Paulo Autuori (2ª chegada), Valdir Espinosa (3ª chegada), Gílson Nunes (2ª chegada), Mauro Fernandes, Carlos Alberto Torres (3ª chegada) e Antônio Clemente, cuja média de estadia por treinador foi de 112 dias!

Porém, a nova diretoria conseguiu piorar ainda mais o que parecia improvável piorar. Sem interromper a circularidade da porta giratória, o Botafogo seguiu um caminho semelhante à Seleção Brasileira, que em 2002 teve o seu ‘canto do cisne’ até à data, cuja coincidência não admira porque o Clube sempre estivera indelevelmente ligado à Seleção Brasileira e aos seus maiores sucessos. O que espanta verdadeiramente foi o Clube não conseguir, após o seu renascimento com a chegada de Emil Pinheiro em 1986, encontrar uma diretoria profissionalizada capaz de impor um programa de recuperação que certamente seus sócios apoiariam.

Em matéria de treinador o ano começou como terminou, contratando-se novamente Joel Santana (2ª chegada) três anos após a campanha de 1997, mas o elenco era outro e o Clube em deterioração acelerada. A memória afetiva foi traída pelo novo contexto e ‘Papai Joel’ não conseguiu recriar o lugar onde foi feliz nas conquistas de 1997, embora tenha durado um pouco mais do que os últimos antecessores – 260 dias.

Então, foi a vez da reentrada de Antônio Clemente (2ª chegada) e Ricardo Barreto (2ª chegada), que no conjunto duraram apenas 75 dias numa espécie de lista informal com treinadores de emergência, não se conseguindo sedimentar uma cultura técnica e menos ainda uma linhagem técnica em aprendizagem crescente – cada treinador chegava, mexia aqui e ali com pouco critério e tudo recomeçava novamente do zero.

Então o Botafogo foi buscar Sebastião Lazaroni, dono do estatuto de ex-selecionador brasileiro em uma Copa do Mundo. O nome era ‘grande’, mas na prática o Clube não oferecia condições equivalentes ao currículo do treinador. A equipe não engrenou e a experiência de Lazaroni só por si esbarrou na falta de estruturas. Durou 135 dias.

Sebastião Lazaroni. Fonte: Divulgação.

Recorreu-se, então, novamente à porta giratória: em abril de 2001 Dé Aranha estava de regresso. No entanto, certos resultados não se compadecem dos treinadores e 68 dias depois Dé foi demitido após um acontecimento que se pode classificar de institucional e que, apesar de ser claramente fruto da instabilidade e da crise técnica e financeira, foi decisivo para o desenlace: o Vasco da Gama goleou o Botafogo por 7x0!

E para não quebrar a ‘tradição’ da circularidade, eis que Paulo Autuori regressou (3ª chegada) em julho de 2021 e pediu a demissão em outubro, apenas 40 dias depois, após o sétimo jogo seguido em vencer, comprovando que o mesmo treinador em contextos diferentes tanto pode ser parte integrante da glória como da impotência.

Quem se manteve igual foi o Botafogo, insistindo na porta giratória: Abel Braga (2ª chegada) assegurou a circularidade – chegara pela 1ª vez em 1985 – em outubro de 2001. Chegou para impor autoridade e exigir disciplina e desempenho. A imprensa anunciava “Abel assume Fogão e os incomodados que se mudem”, em claro aviso aos jogadores, mas o campeonato carioca foi decepcionante após uma derrota para o America, acentuando a pressão da torcida e minando o ambiente interno.

Todavia, Braga enfrentava um problema maior fora das quatro linhas: exigia reforços para a temporada de 2002 e a diretoria era totalmente impotente para cumprir fosse o que fosse. Em julho, após 266 dias, o treinador entregou o cargo. Tratava-se do início do descalabro final da crise independentemente da diversidade do treinador em 2002.

Não obstante a circularidade de treinadores não ter oferecido nenhum resultado positivo, a estratégia continuou, alternando-se treinadores antigos com treinadores na sua 1ª chegada e ainda de comandos ocasionais, como foram os de Zagalinho (filho de Mário Zagalo) e Dé Aranha, que comandaram equipes B substituindo a equipe principal, e ainda Leomir de Souza, interino por dois jogos.

Como treinador principal Arthur Bernardes sucedeu a Abel Braga em julho com a missão de preparar a equipe para o Brasileirão e recuperar a confiança do plantel, mas a diretoria não cumpriu nenhuma das promessas. Foi prometido, entre outros aspectos, a contratação de Romário e de Petkovic, mas a pusilanimidade da diretoria era impressionante: Romário acabou representando o Fluminense e Petkovic o Vasco.

Abel Braga. Fonte: Divulgação.

Sem tempo nem meios, Bernardes não conseguiu vencer os quatro primeiros jogos e profundamente desagradado apresentou a demissão ao fim de 44 dias, revelando as contradições e a pusilanimidade da diretoria que somente conseguiu agravar a crise.

E quem regressa?... Exatamente o predecessor de Arthur Bernardes: Abel Braga em sua 3ª chegada, numa situação absolutamente paradoxal, já que se demitira por falta de reforços e nenhum reforço havia chegado. Obviamente que Braga não conseguiu resolver coisa alguma numa crise que arrastava todos para um desenlace trágico e saiu após 29 dias, deixando o Botafogo com 11 pontos em 12 jogos e 6 jogos sem vencer.

Foi nessas circunstâncias que Ivo Wortmann chegou ao Botafogo. Pretendia-se alternativamente um futebol baseado na força, mas sem tempo útil para os jogadores se aclimatarem e assimilarem um modelo novo com os mesmos atletas. A equipe ainda alcançou algumas vitórias, mas a consistência coletiva não se mostrou suficiente, enquanto as rodadas encurtavam e a equipe não conseguia descolar da despromoção.

Quarenta e seis dias após a sua Chegada Wortmann pediu a demissão, e em desespero total a diretoria agarrou-se ao derradeiro protagonista da circularidade que caracterizava as escolhas de treinadores: Carlos Alberto Torres regressou, sacrificando-se pelo Botafogo, do qual – afirmou mais tarde um familiar – era sócio, mas tinha apenas três jogos par salvar o Clube da despromoção.

A esperança renasceu com a vitória sobre o Corinthians no Maracanã, mas a derrota para o Guarani, em Campinas, tornou tudo mais difícil, ocorrendo o desfecho final no dia 17 de novembro de 2002 com a despromoção do Botafogo para a Série B do Brasileirão, em pleno Caio Martins.

Tendo em consideração esta série dedicada aos percursos, às glórias e aos revezes da profissão de treinador, revelou-se uma imagem que, além da trágica 1ª descida de divisão do Glorioso futebol botafoguense, símbolo do futebol-arte brasileiro, evidencia bem a ingrata função de treinador de futebol: Carlos Alberto Torres, o capitão da Seleção do Brasil campeã mundial de 1970, símbolo de triunfo e grandeza, associou-se, por sacrifício e solidariedade, a um dos episódios mais dramáticos do Botafogo de Garrincha, Nilton Santos, Didi, Amarildo, Zagallo, Jairzinho, Roberto Miranda, Paulo Cézar Caju, entre outros grandes craques do eterno Glorioso da Estrela Solitária.

Fontes principais da série: br.bolavip.com; brasil.elpais.com; jbemfolhas.com.br; jornalggn.com.br; mundobotafogo.blogspot.com; museudapessoa.org; operamundi.uol.com.br; pesquisaescolar.fundaj.gov.br; pt.wikipedia.org; www.uol.com.br; https://sopanomel.blogspot.com; terceirotempo.uol.com.br; tnonline.uol.com.br; www.campeoesdofutebol.com.br; www.correiobraziliense.com.br; www.jb.com.br; www.museudapelada.com; www1.folha.uol.com.br

segunda-feira, 2 de novembro de 2026

Botafogo inédito campeão de sectorball por equipes

Fonte: FEFUMERJ.

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo, com base em CLAUDIO PINHO | Presidente da FEFUMERJ

O Botafogo conquistou o inédito título de Campeão Estadual de Equipes da regra Sectorball, competição organizada pela Federação de Futebol de Mesa do Estado do Rio de Janeiro (FEFUMERJ), que decorreu no Departamento de Futebol de Mesa do Olaria Atlético Clube, no dia 31 de outubro de 2026.

A competição teve a participação do Bangu AC, Botafogo FR, Grajaú TC, Olaria AC e CR Vasco da Gama, e o Botafogo alinhou com Halisson Carneiro, Márcio Leal e Robson Marfa – os campeões.

O campeonato decorreu no sistema de pontos corridos e foi intensamente disputado até à última rodada, sobretudo entre Botafogo e Olaria, levando a melhor o Glorioso. O undecacampeão Vasco da Gama esteve arredado dos primeiros lugares e o Bangu completou o pódio na terceira posição.

Nota de destaque para Robson Marfa que neste ano inédito e fantástico da sua carreira de botonista alcançou o 12º título de 2026, vencendo competições nacionais e estaduais, individuais e em equipe, e em diversas regras de futebol de mesa.

Fonte: Federação de Futebol de Mesa do Estado do Rio de Janeiro (FEFUMERJ).

Vinícius, Nova Iorque e o Botafogo

Elaborado por IA.

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

De Vinícius de Moraes, poeta, compositor e botafoguense, embaixador do Brasil na América durante cinco anos, já todos nós sabemos que era amigo de Mr. Buster, descrevendo-o como “um americano simpático, extrovertido e podre de rico”, em cuja casa Vinícius esteve poucos dias antes do seu regresso ao Brasil, o qual não compreendia como é que o embaixador-poeta, “tendo direito de permanecer mais um ano na Califórnia, preferia, com grande prejuízo financeiro, voltar para a Latin American”.

Vinícius explicou isso com grande propriedade num poema muito divulgado e dedicado ao seu amigo americano, que terminou assim:

“Mas me diga uma coisa, Mr. Buster

Me diga sinceramente uma coisa, Mr. Buster:

O Sr. sabe lá o que é um choro de Pixinguinha?

O Sr. sabe lá o que é ter uma jabuticabeira no quintal?

O Sr. sabe lá o que é torcer pelo Botafogo?”

Crédito: Revista do Esporte.

O que é menos sabido respeita a Nova Iorque: sem esconder o seu grande gosto pela cidade, Vinícius manifestou-se, porém, em entrevista, sobre certos domingos (mal) passados na bela cidade, em mais um rasgo de criatividade pelo seu/nosso Botafogo de Futebol e Regatas.

domingo, 1 de novembro de 2026

Treinadores e contextos (X): a circularidade de treinadores entre conquistas de 1996-98 até à perda da Copa do Brasil de 1999

Joel Santana. Crédito: Tom Dib | Lancepress.

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

Paulo Autuori saiu do Botafogo no final de 1995 em virtude de receber uma proposta muito boa para regressar a Portugal e dirigir o Benfica, do qual foi demitido após 7 meses por ter sido goleado pelo FC Porto por 5x0 na disputa da Supercopa portuguesa.

Em 1996, Marinho Peres, que também fizera carreira de treinador em Portugal, embora fosse brasileiro, assumiu a ingrata função de suceder ao treinador campeão brasileiro, fasquia praticamente impossível de igualar, mas era visto como um técnico com forte preocupação pela organização coletiva.

O início foi bom e o Botafogo conquistou invicto a Taça Cidade Maravilhosa, que se equiparava ao campeonato carioca em turno único, mas acabou substituído 102 dias depois, tendo sido René Weber como treinador a passar a pasta a Ricardo Barreto, que assumiu o Botafogo ainda na Copa Libertadores e foi eliminado.

No entanto, Barreto marcou a história alvinegra bem à maneira do Botafogo, não tanto por ter ganho a Copa Nippon Ham, o Torneio Presidente da Rússia e a Copa Rio-Brasília, mas porque conquistou o prestigiado Troféu Teresa Herrera, em Espanha, derrotando na final a Juventus nos pênaltis, após um sensacional empate por 4x4, num contraste tipicamente botafoguense: eliminado da Libertadores pelo Grêmio, em seguida vence a poderosíssima Juventus num tradicional torneio europeu.

Porém, 157 dias depois nova substituição, sendo Ronaldo Torres quem passou a pasta como interino ‘para’ o novo treinador regressado ao Botafogo, e inaugura uma série circular dos mesmos treinadores demitidos e readmitidos em curtos espaços de tempo: Jair Pereira. Por posição à sequência da antiga linhagem técnica em que uns aprendiam com os outros, inicia-se com Jair Pereira uma determinada circularidade de treinadores no Botafogo com muitos treinadores alternadamente repetidos.

Jair recebeu uma equipe menos estável do que a de 1995, mas ainda com qualidade. Jair era um treinador clássico brasileiro: autoridade, experiência e gestão de grupos. Assumiu o último trimestre de 1996, findo o qual sucedeu-lhe Joel Santana.

A primeira passagem de Joel é extraordinária, vencendo a Taça Guanabara de 1997 com 12 vitórias em 12 partidas. Na decisão contra o Vasco, diante de 80 mil pagantes no Maracanã, ganhou por 1x0 gol de Renato Sá. E depois conquistou a Taça Rio e o Cariocão.

Renato Sá faz golaço com Fábio Noronha impotente para defender. Fonte: Captura de tela, 26.03.1977.

Joel Santana possuía uma enorme capacidade de fazer o jogador acreditar em si e na vitória. De conversa simples e direta, simplificava as tarefas a executar, protegendo os jogadores e estabelecendo uma relação humana essencial na lida com futebolistas de variadas origens e comportamentos – competência decisiva na gestão de pessoas.

É desta última competência que nasceu o epíteto de ‘Papai Joel’, mas ainda no mesmo ano de 1997, após 254 dias no cargo, repetiu-se a cena ocorrida com Autuori: proposta financeira muito boa levou-o ao Corinthians. Porém, nada ganhou no clube paulista, em 1998 foi para o Flamengo e nada ganhou, apenas em 1999 conseguiu vencer o campeonato baiano.

Em 2000 regressou ao Botafogo. Ou porque não se entendia com os treinadores para o médio prazo, ou porque não conseguia preservar os seus treinadores vencedores, o Botafogo iniciou uma longa lista de vai-e-vem de treinadores.

Porém, antes disso, deve-se registrar, na história do Botafogo, José Claudinei Georgini, conhecido por ‘Valinhos’. Na fase de classificação da Taça Guanabara o Botafogo vencera todos os jogos e classificou-se antecipadamente para a decisão. Então, o Clube decidiu preservar os jogadores e lançar os reservas. Eurico Miranda reagiu porque o Vasco precisava que o Botafogo vencesse o Flamengo para se classificar à final, e um Botafogo com reservas era derrota certa e classificação do Flamengo no 2º lugar.

Como pormenor ‘pitoresco’ eis que até Antônio Lopes, treinador do Vasco, assestou baterias contra o Botafogo. Então, José Luiz Rolim, presidente do Botafogo, decidiu, em represália, pura e simplesmente demitir Júnior Lopes, filho do técnico vascaíno que trabalhava nas categorias de base do Glorioso.

Todos sabiam, pois, o resultado antecipado do jogo. Mas não. No dia 26 de março de 1977 o Botafogo fez um jogo incrível, venceu o Flamengo por 1x0 e classificou o Vasco, mas tal como colocou a equipe reserva em campo, também ‘Papai Joel’ ficou em casa, e quem comandou o Botafogo nessa improvável vitória foi o auxiliar técnico Valinhos!

Gílson Nunes. Fonte: www.zerozero.pt.

O sucessor de ‘Papai Joel’ foi Sebastião Rocha, que teve que competir tanto com os adversários como também com a memória do seu predecessor, e os torcedores em geral não perdoaram sequer os empates. Rocha partiu do Botafogo 37 dias depois.

Sucedeu-lhe neste novo ciclo de circularidade de treinadores repetidos – imagine-se quem? – Carlos Alberto Torres! Porém, nada foi como em 1993 e após maus resultados Capita durou escassos 46 dias ao comando do Botafogo, tendo sido substituído por Gílson Nunes, que encontrou uma equipe experiente.

Wagner, Gonçalves, Sérgio Manoel, Bebeto e Túlio foram a arma da experiência que Gílson soube utilizar, conquistando, em 1998, o quarto título do Torneio Rio-São Paulo.

No primeiro jogo da final no Maracanã o Botafogo adiantou-se no marcador, o São Paulo virou o resultado para 2x1 e o jogo parecia ganho pelos paulistas, mas a maturidade coletiva falou mais e o Botafogo revirou o resultado vencendo por 3x2.

A equipe estava envelhecida e não jogava na base da velocidade nem na base da transição súbita como nos dias de hoje, mas da sua experiência, do toque cadenciado e sobretudo percebendo o que o jogo pedia a cada momento.

No segundo jogo em São Paulo o Botafogo empatou por 1x1 e conquistou o título, mas nem isso foi suficiente para segurar o treinador.

O Botafogo acabou por conquistar o título após empate no segundo jogo, mas a campanha do Carioca – que ainda tinha muito prestígio – foi péssima e Gílson desentendeu-se com a diretoria de José Luiz Rolim, a qual disse que nunca mais queria o retorno do treinador. Gílson saiu ao fim de escassos 79 dias.

Fonte: Revista Oficial do Botafogo de Futebol e Regatas, n.º 252/98.

Os três últimos treinadores do Botafogo duraram um total de 162 dias, mas ao contrário do que disse a diretoria do mesmo Rolim, exatamente um ano depois Gílson Nunes estava de regresso. Porém, antes desse regresso, o seu sucessor reforçou a circularidade por o Botafogo recontratar, nada mais, nada menos, do que… Autuori!

A ilusão de que um treinador vitorioso no passado do Clube será sempre vitorioso não passa de uma antiga armadilha, principalmente porque entre o Botafogo de 1998 e o de 1995 há diferenças de contexto de plantel, de finanças e de ambiente interno.

A chegada de Autuori uniu os torcedores e trouxe paz temporária aos bastidores, já que era uma figura respeitada e consensual, mas aa equipe foi eliminada da Copa do Brasil, frustrando a esperança de se qualificar para a Libertadores, e não conseguiu ser regular, apresentando falhas defensivas e muita oscilação nos jogos fora de casa.

Em vias de candidatura à despromoção do Brasileirão, a diretoria demitiu Autuori após 183 dias e tornou a apostar na mesma armadilha: o sucessor foi… Valdir Espinosa!

Ronaldo Torres, que ao longo dos anos sempre foi figura de confiança do Clube, integrando as equipes técnicas de Jair Ventura, Lúcio Flávio, Caçapa, Fábio Matias, Bellão e atualmente Tite, fez novamente a ponte entre quem saiu e quem chegou.

O (antigo) novo treinador assumiu a equipe em setembro, livrou o Botafogo da despromoção, mas não alcançou resultados para chegar à parte de cima da tabela. A instabilidade defensiva manteve-se e Espinosa entrou em conflito com o diretor de futebol José Luiz Magalhães, recusando-se a integrar certos atletas no plantel – situação que agravou a vulnerabilidade existente pela falta de resultados desportivos.

A pretexto de uma derrota para a Friburguense no campeonato carioca, em março de 1999, a diretoria presidida por José Luiz Rolim demitiu Espinosa por telefone, na pessoa do mencionado diretor de futebol, o qual acrescentou que Espinosa nem precisava já de ir ao treino no dia seguinte, evidenciando assim o nível cívico da diretoria do Botafogo. Após os 167 escassos dias de Espinosa, Dé Aranha voltou à cena comandando dois jogos como interino, e entregou a pasta, nada mais, nada menos, do que a… Gílson Nunes, que prolongou novamente a circularidade de treinadores, contrariando a ‘promessa’ da diretoria que não queria vê-lo nunca mais no Clube!

Porém, a sucessão da circularidade de treinadores cavalgou a partir da 3ª chegada de Espinosa (09.1998 a 03.1999): o retornado Gílson Nunes durou apenas 98 dias após perder a Copa do Brasil no final para o Juventude, num Maracanã com 100.000 botafoguenses; Mauro Fernandes, sem história, durou 45 dias; o retornado Carlos Alberto Torres, boia de salvação para a diretoria e o Clube, ambos em deterioração, nem o seu prestígio valeu, durando ridículos 29 dias; e para fechar o ciclo chegou Antônio Clemente para os últimos 98 dias do ano antes da viragem do século XX para o século XXI, no qual aprofundaria a circularidade de treinadores até à derrocada final.

Fontes principais da série: br.bolavip.com; brasil.elpais.com; jbemfolhas.com.br; jornalggn.com.br; mundobotafogo.blogspot.com; museudapessoa.org; operamundi.uol.com.br; pesquisaescolar.fundaj.gov.br; pt.wikipedia.org; www.uol.com.br; https://sopanomel.blogspot.com; terceirotempo.uol.com.br; tnonline.uol.com.br; www.campeoesdofutebol.com.br; www.correiobraziliense.com.br; www.jb.com.br; www.museudapelada.com; www1.folha.uol.com.br

Treinadores e contextos (XI): três anos a caminho do desastre que consumiu treinadores na fogueira da crise

Fonte: Montagem do Mundo Botafogo. por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo Chegou-se ao século XXI e a uma nova diretoria confrontada c...