sexta-feira, 27 de março de 2026

Arrebatadora e tumultuada década de 1990: do catrastófico Brasileirão à improvável Copa Conmebol (II)

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

Em 1992 o Botafogo chegou à final do Brasileirão com um timaço favorito para conquistar o título após uma campanha sensacional. Porém, num jogo absolutamente estranho, a equipe tomou três gols do Flamengo em nove minutos e perdeu o jogo.

Renato Gaúcho fizera uma aposta com Gaúcho, jogador do Flamengo, que quem perdesse teria que servir churrasco ao outro. Renato Gaúcho cumpriu a aposta dando churrasquinho na boca do atacante Gaúcho, que envergava roupa rubro-negra. Uma foto do dito churrasco foi vazada para a mídia.

O grande jornalista Roberto Porto, botafoguense de quatro costados, após abrir O Globo e ver a chocante foto narrou assim o assunto:

Almocei às garfadas, peguei o carro e rumei para o Mourisco. O ambiente era o pior possível. Centenas de torcedores, os nervos à flor da pele, queriam linchar Renato Gaúcho ou, no mínimo, incendiar seu carro. […] Esperei o momento certo, furei o bloqueio e me vi cara a cara com Emil. […] Para minha surpresa – pois não imaginava a confiança e a amizade que ele depositava em mim – Emil Pinheiro mandou sair todo mundo de sua sala e, rigorosamente a sós, me perguntou:

– Porto, você acha que o Ernesto Paulo pode escalar o Renato domingo, quando temos no mínimo que vencer por 3 a 0? […]

Sem chance, Emil. A torcida aí fora está querendo fazer churrasco do Renato. Aquela foto foi uma agressão ao Botafogo.

Emil ainda tentou argumentar, […] mas não mudei de ideia:

Renato não pode mais vestir ‘A Gloriosa’ alvinegra. Nunca, em tempo algum, um jogador fez o que ele fez…

A muito custo, Emil cedeu a meus argumentos. E na hora, mandou por telefone um recado a Ernesto Paulo:

– Renato está banido do Botafogo!!!

O Botafogo empatou o 2º jogo em 2x2 e o Flamengo sagrou-se campeão. Mais tarde, quando Túlio Maravilha – prosseguiu Roberto Porto – “caiu no canto da sereia de jogar no Corinthians, um dirigente famoso do clube me perguntou:

O que você acha de trazermos o Renato Gaúcho de volta?

Respondi friamente:

– Se ele voltar, quem some do Botafogo sou eu, que tenho vergonha na cara…

Fonte das citações: https://www.futebolbarretos.com.br/principal.php?xidalt=2394&xvar=ver_noticia

Conquista da Conmebol | Reprodução.

No ano seguinte à catástrofe de 1992, um grande título deu um novo alento ao Botafogo, que entretanto continuava sem a sua sede colonial, vendida à Companhia Vale do Rio Doce.

O Clube não chegara a uma final oficial de natureza internacional desde os seus tempos áureos até à década de 1990, muito porque as suas diretorias pós-1963 fizeram a equipe rumar em sucessivas excursões pelo mundo (atuamos em mais de cem cidades até hoje), em busca de dólares que desapareciam com a mesma velocidade com que surgiam.

Porém, surpreendentemente, com uma equipe considerada apenas mediana, chegou finalmente a uma final no dia 30 de setembro de 1993, disputando o troféu da Copa Sul-americana Conmebol com o poderoso Peñarol (então 5 vezes campeão da Libertadores e 4 vezes vice-campeão).

A equipe alvinegra, apesar de bons resultados, vencia mais na garra do que na técnica e mostrava-se altamente competitiva, constituindo para o Peñarol uma ‘prenda de grego’, bem organizada por Carlos Alberto Torres e comandada pelo improvável artilheiro Sinval.

Embora o ‘estrelado’ Pablo Bengoechea tenha inaugurado o marcador aos 34’, o certo é que a garra alvinegra virou o jogo com dois gols aos 52’ e 72’, vitória que parecia certa à chegada dos 90’ de jogo. No entanto, foi nesse fatídico minuto que um ‘balde de água fria’ mergulhou os nossos jogadores numa inesperada incredulidade e reduziu o Maracanã ao silêncio – o Peñarol empatou aos 90’.

A decisão por pênaltis costumava ser desfavorável aos brasileiros, e tudo parecia perdido quando Sinval, o artilheiro da competição, perdeu a 1ª penalidade. Porém, William Bacana defendeu também a 1ª do Peñarol, o Botafogo marcou em três penalidades sucessivas e o Peñarol entregou-nos o troféu rematando à trave na quarta oportunidade – Botafogo campeão, 1º clube carioca a levantar um título internacional no Maracanã!

BOTAFOGO 2x2 PEÑAROL [pênaltis: 3x1]

» Gols: Eliel, aos 52’, e Sinval, aos 72’ (Botafogo); Bengoechea, aos 34’, e Otero, aos 90’ (Peñarol); Decisão por pênaltis: Suélio, Perivaldo e André Santos (Botafogo) e Da Silva (Peñarol)

» Estádio do Maracanã; 30.09.1993; 45.000 espectadores

» Botafogo: William Bacana, Perivaldo, André Santos, Cláudio Henrique e Clei (Eliomar); Nélson, Suélio e Eliel; Aléssio (Marcos Paulo), Sinval e Marcelo Costa. Técnico: Carlos Alberto Torres.

Fontes principais:

https://mundobotafogo.blogspot.com/2008/07/campeo-de-futebol-da-copa-conmebol-1993.html

https://www.facebook.com/watch/?v=1714968188752680

https://www.futebolbarretos.com.br/principal.php?xidalt=2394&xvar=ver_noticia

quinta-feira, 26 de março de 2026

Arrebatadora e tumultuada década de 1990: da redenção à quase-tragédia (I)

Crédito: Montagem do Mundo Botafogo.

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

O ano de 1989 foi o da redenção do Botafogo após 21 anos de jejum sem títulos de campeão estadual, interestadual ou nacional. O Botafogo sagrou-se finalmente campeão carioca, com a particularidade de vencer a final por 1x0 contra o eterno rival Flamengo, gol de Maurício a cruzamento de Mazzolinha, fazendo a emoção perpassar por toda a cidade do Rio de Janeiro e até mesmo do Brasil, através dos seus milhões de torcedores que choraram copiosamente de alegria e se abraçaram como se todos fossem irmãos verdadeiros.

Leia aqui o título de 1989: http://mundobotafogo.blogspot.com/2011/04/botafogo-campeao-estadual-invicto-de.html

E se 1989 terminou em delirante exaltação da Torcida Gloriosa, a década seguinte começou da melhor maneira para o futebol botafoguense: em 1990, com gol de Carlos Alberto Dias, o Botafogo venceu o Vasco da Gama na decisão e sagrou-se bicampeão carioca, reeditando os bis de 1961-62 e 1967-68.

A cena simultaneamente folclórica e bastante ridícula foi o Vasco da Gama querer interpretar o regulamento à sua maneira e considerar que havia sido campeão, efetuando uma volta olímpica pelo estádio. Todos – de um lado e de outro – sabiam que o campeão era o Botafogo, menos Eurico Miranda, respaldado pela cavernosa Federação de Futebol do Rio de Janeiro, que inventou uma interpretação diferente de todos os demais e queria uma prorrogação.

Obviamente o Botafogo foi campeão, mas só recebeu a taça dois meses mais tarde. Entretanto, enquanto o Vasco fazia a volta olímpica com uma caravela improvisada de um torcedor, o Botafogo comemorou o título com a Taça Rádio Nova Friburgo ofertada ao vencedor do encontro.

Leia aqui sobre esse evento: http://mundobotafogo.blogspot.com/2020/06/1990-botafogo-campeao-vs-hilaria-volta.html

Em 1991, já na parte final do campeonato Brasileiro, jogava-se o clássico Fluminense x Botafogo. O Fluminense tinha o mando de campo, mas o Maracanã estava impossibilitado e São Januário não fora liberado.

Então, o Fluminense teve a tosca ideia de solicitar à CBF e à Federação de Futebol do Rio de Janeiro a hipótese de jogar nas Laranjeiras, estádio que não tinha as mínimas condições de segurança para um clássico em que jogavam dois clubes que eram rivais desde os primórdios do campeonato carioca, em 1906.

Thiago Gomide, jornalista de O Dia, resumiu:

O improvável aconteceu: aceitaram a sandice, mesmo sabendo de todos os riscos inerentes.

Crédito: Globoplay.globo.com

A estrutura de segurança do estádio e a logística de apoio à venda de ingressos inexistiram. Filas de quilómetros em torno do estádio no empurra-empurra, enquanto os cambistas faziam a festa e em meia hora foram vendidos todos os ingressos.

No dia do jogo as dificuldades de entrada no estádio eram gigantescas, a torcida do Fluminense provocou os botafoguenses desde o início do jogo, fazendo o que, erroneamente, supunha ser a sua parte para ajudar o Fluminense a chegar às semifinais do Brasileirão em caso de vitória.

O intervalo chegou com 0x0 no placar e as provocações entre as torcidas resultaram na torcida botafoguense derrubar o frágil alambrado e todo o mundo – alvinegros e tricolores – invadir o campo numa homérica cena de pancadaria em que os mais atingidos foram os botafoguenses – dentro e fora do estádio, já que o ônibus alvinegro foi atacado e os vidros partidos.

Homens, mulheres e crianças corriam fugindo do descalabro; outros corriam para bater, chutar e espancar os adversários. A polícia e os seus pastores alemães tentavam acalmar as hostes, em vão. A pancadaria continuou, o jogo não foi reatado após o intervalo e ficou para decisão no tribunal.

Para coroar o ‘feito’ da CBF, o juiz nomeado foi o dantesco José Roberto Wright, o tal que expulsou cinco atleticanos (MG) durante um jogo da Copa Libertadores, em 1981, favorecendo escandalosamente o Flamengo por interrupção do jogo, que assim classificou o rubro-negro – talvez o maior ‘assalto’ do apito na história do futebol brasileiro. E, claro que, após a pancadaria nas Laranjeiras, escreveu na súmula que a culpa foi toda da torcida botafoguense.

O Fluminense acabou ganhando o jogo na ‘secretaria’ pelo placar estipulado em 1x0. Todavia, as manobras tricolores com vista a ganharem a partida alcançaram apenas um fim inglório: o Fluminense foi derrotado pelo Bragantino nas semifinais e ficou em 4º lugar na classificação final.

Em um vídeo publicado no portal Globoesporte, em 2013, reproduzindo os acontecimentos, o narrador questionou o essencial do tumulto campal:

De quem é a culpa? Dos torcedores do Botafogo que derrubaram o alambrado? Dos tricolores que provocaram a torcida adversária? Todos têm sua parcela. Mas a maior, sem dúvida, cabe à insensibilidade dos dirigentes que comandam o futebol brasileiro. Foram eles que por não saberem organizar o calendário marcaram o clássico da tradição de Fluminense e Botafogo para um estádio que sabidamente não oferece a menor condição de segurança. São eles que estão levando o futebol brasileiro, orgulho de toda uma nação, para o buraco negro da violência e da selvageria. Agora o que menos importa é quem vai ganhar o jogo. Um jogo em que ninguém ganhou; todos perderam.

Fontes principais:

https://globoplay.globo.com/v/3014749/

http://mundobotafogo.blogspot.com/2020/06/1990-botafogo-campeao-vs-hilaria-volta.html

http://mundobotafogo.blogspot.com/2011/04/botafogo-campeao-estadual-invicto-de.html

https://odia.ig.com.br/colunas/coisas-do-rio/2019/10/5807378-o-fluminense-ja-venceu-o-botafogo-no-tribunal-e-foi-pra-semifinal-do-brasileirao-de-1991.html

Botafogo da Paraíba, 31º título estadual

Crédito: Instagram do ‘Belo’, @botafogopb

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

O Botafogo Futebol Clube, do estado da Paraíba, recordista estadual, conquistou pela 31ª vez o Campeonato Estadual da Paraíba de 2026 (discute-se, ainda, um 32º título que lhe devia pertencer oficialmente), após vencer, a 15 de março, o Sousa por 2x1, de virada, no jogo de ida, fora de casa (gols de Felipe Azevedo, aos 64’, e Dudu Hatamoto, aos 86’, para o Botafogo, e de Marcel Duarte, aos 36’, para o Sousa), e empatado, a 21 de março, por 0x0 no jogo de volta, em casa.

Eis a campanha do ‘Belo’:

1ª FASE

Botafogo 1x1 Esporte de Patos (c)

Botafogo 1x0 Confiança (f)

Botafogo 1x1 Sousa (c)

Botafogo 4x0 Pombal (c)

Botafogo 1x4 Campinense (f)

Botafogo 0x0 Nacional de Patos (f)

Botafogo 2x0 Treze (c)

Botafogo 2x0 Atlético (f)

Botafogo 1x1 Serra Branca (c)

Classificação: 1º Botafogo, 16 pts; 2º Campinense, 15; 3º Sousa, 15; 4º Serra Branca, 14.

SEMIFINAIS

Botafogo 0x1 Serra Branca (f)

Botafogo 3x1 Serra Branca (c)

FINAIS

Botafogo 2x1 Sousa (f)

Botafogo 0x0 Sousa (c)

SÍNTESE: 13 jogos; 6 vitórias, 5 empates e 2 derrotas; saldo de gols favorável por 18-10.

quarta-feira, 25 de março de 2026

Mercado de contratações: Caio Roque, aposta de risco

Crédito: Vitor Silva | Botafogo.

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

Caio Alves Roque Gomes nasceu no dia 9 de janeiro de 2002, em Salvador, estado da Bahia, atua como lateral-esquerdo, é preferencialmente esquerdino, mede 1,83m de altura e pesa 71kg.

Iniciou a carreira nas categorias de base do Clube de Regata do Flamengo (2015-2020), aos 13 anos de idade, renovando o seu contrato por 4 anos em março de 2020, com uma cláusula de rescisão de 70 milhões de euros.

Nesse período de formação disputou 32 partidas pela equipe sub-17 e marcou 3 gols, conquistando o Campeonato Brasileiro da categoria e revelando um bom potencial.

Em 2019 realizou um jogo pela Seleção Brasileira Sub-18.

No entanto nunca ascendeu à categoria principal do Flamengo porque a 14 de agosto de 2020, tido como uma joia das categorias de base, foi vendido ao City Football Group por cerca de 1,5 M€ (50% dos seus direitos económicos).

Então, foi cedido ao clube belga Lommel SK (2020-2023) com um contrato de cinco anos, iniciando-se na equipa de juniores e estreando como profissional no dia 24 de abril de 2021, aos 19 anos, na derrota em casa por 3x1 frente ao RFC Seraing, gol de Laurent Lemoine, entrando Caio Roque aos 81’ em substituição de Kevin Kis.

Visão geral dos atributos. Crédito: www.sofascore.com.

O atleta tornou-se posteriormente titular do Lommel e marcou o seu primeiro golo pelo clube no dia 15 de setembro de 2021, na vitória fora de casa por 4x2 sobre o Diegem Sport, pela Taça da Bélgica, gols de Caio Roque, Kis, Vandersmissen e Saito.

Porém, em dezembro de 2022, sofreu uma lesão no joelho e a 8 de agosto de 2023, ainda lesionado, o atleta regressou ao Brasil, após 37 jogos e 3 gols pelo Lommel, ingressando no EC Bahia, clube pertencente ao City Football Group, tendo sido considerado apto para jogar apenas em janeiro de 2024, disputando o Campeonato Baiano pela equipa de reservas.

No dia 9 de maio de 2024 Caio Roque foi emprestado ao Londrina EC, da Série C, até ao final do ano, realizando apenas 6 jogos. No regresso, em janeiro de 2025, tornou a integrar a equipa de reservas do Bahia, mas em 24 de março de 2025, após um total de apenas 10 jogos entre 2023-2025, foi transferido para o Volta Redonda, da Série B, também por empréstimo.

No Volta Redonda FC (2025) também atuou apenas em 9 jogos e realizou 1 assistência; no dia 2 de janeiro de 2026, a Associação Portuguesa de Desportos anunciou a contratação de Caio Roque por um ano.

Movimentação de Caio Roque e valor de mercado. Fonte: www.transfermarkt.pt.

Na Portuguesa o atleta não chegou como titular, mas após uma lesão de Gustavo Salomão, Caio Roque substituiu-o, teve bom desempenho e ganhou a titularidade. A Portuguesa chegou às quartas-de-final do campeonato paulista, mas no dia 16 de março de 2026, após 9 jogos e 2 assistências, foi emprestado à SAF Botafogo, até final de dezembro.

O jornalista Júlio Silva acompanhou o atleta na Portuguesa e considera que Caio Roque tem um estilo de jogar muito próximo de Cuiabano. No clube paulista o estilo ofensivo permitiu-lhe avançar muito no terreno porque era coberto na defensiva por um lateral-direito recuado, interagindo com Maceió, ponta-esquerda com quem fazia dobradinha.

No conjunto da carreira, entre 2020-2026, atuou apenas em 71 jogos, marcou 2 gols e fez 4 assistências, o que não parece um grande cartão-de-visita. Diz-se que é veloz e faz bons cruzamentos, mas em matéria de assegurar a parte defensiva não será a peça mais indicada, bem como os seus atributos são bastante medianos e possui baixo valor de mercado.

Seguramente, venha a ser um bom elemento ou não, é sobretudo mais uma incógnita acrescentada ao elenco de 2026.

Fontes: en.wikipedia.org; ge.globo.com; pt.besoccer.com; www.sofascore.com; www.transfermarkt.pt; www.zerozero.pt

Arrebatadora e tumultuada década de 1990: do catrastófico Brasileirão à improvável Copa Conmebol (II)

Fonte: https://www.facebook.com/watch/?v=1714968188752680 por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo Em 1992 o Botafogo chegou à final do ...