quarta-feira, 28 de outubro de 2026

Retrospecto Botafogo FR x Clube do Remo (1927-2026) – jogos, artilharias e estatísticas

Créditos: Elson Souto.

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

SÍNTESE DE TODOS OS JOGOS (1927-2026): 22 jogos, 13 vitórias, 3 empates e 6 derrotas; saldo de gols favorável em 42-24.

1º JOGO:

Botafogo 5x1 Clube do Remo

» Gols: Ariza (2), Neco, Alkindar e Claudionor (Botafogo); Sant’Anna (Clube do Remo)

» Competição: Amistoso

» Data: 27.11.1927

» Local: Campo do Clube do Remo, em Belém (PA)

» Árbitro: Cláudio Lima

» Botafogo: Neiva; Alemão e Octacílio; Alberto Corrêa, Aguiar e Rogério; Ariza, Neco, Alkindar, Aché e Claudionor.

» Clube do Remo: Francelísio; Propércio e Evandro Almeida; Lindolpho, Vivi e Pamplona; Formiga, Secundino, Cordeiro, Marinheiro e Sant’Anna.

ÚLTIMO JOGO:

» Gols: Ferraresi, aos 12’ (Botafogo); Alef Manga, aos 69’ e Jajá, aos 90+2’ (Clube do Remo)

» Competição: Campeonato Brasileiro

» Data: 02.05.2026

» Local: Estádio Olímpico Nilton Santos, no Rio de Janeiro (RJ)

» Público: 18.780 pagantes; 22.116 espectadores

» Renda: R$ 692.020,00

» Árbitro: Rodrigo José Pereira de Lima (PE); Assistentes: Luanderson Lima dos Santos (BA) e Francisco Chaves Bezerra Júnior (PE); VAR: Rodolpho Toski Marques (PR)

» Disciplina: cartão amarelo – Vitinho e Danilo (Botafogo) e Tchamba e Picco (Clube do Remo)

» Botafogo: Neto; Vitinho, Bastos, Ferraresi e Alex Telles (Marçal); Cristian Medina (Allan, depois Joaquín Correa), Danilo e Álvaro Montoro (Júnior Santos); Matheus Martins, Kadir (Edenílson) e Arthur Cabral. Técnico: Franclim Carvalho.

» Clube do Remo: Marcelo Rangel; Marcelinho (Matheus Alexandre), Marllon, Tchamba e Mayk (David Braga); Zé Welison (Leonel Picco), Patrick, Zé Ricardo (Jaderson) e Yago Pikachu; Jajá e Alef Manga (Poveda). Técnico: Léo Condé.

OS JOGOS:

27.11.1927 – Botafogo 5x1 Remo – Amistoso (f)

– Gols: Ariza (2), Neco, Alkindar e Claudionor

15.12.1927 – Botafogo 2x1 Remo – Amistoso (f)

– Gols: Claudionor e Nilo

14.02.1954 – Botafogo 1x1 Remo – Amistoso (f)

– Gols: Vinícius

17.02.1954 – Botafogo 3x0 Remo – Amistoso (f)

– Gols: Vinícius, Garrincha e Dino da Costa

18.02.1959 – Botafogo 2x1 Remo – Amistoso (f)

– Gols: Garrincha e Socó (contra)

17.05.1962 – Botafogo 2x1 Remo – Amistoso (f)

– Gols: Amoroso e Neyvaldo

24.06.1964 – Botafogo 2x0 Remo – Amistoso (f)

– Gols: Gérson e Bira

05.05.1966 – Botafogo 2x1 Remo – Torneio Pará-Guanabara (f)

– Gols: Élton e Sicupira

24.09.1972 – Botafogo 1x1 Remo – Campeonato Brasileiro (f)

– Gols: Ferretti

10.06.1973 – Botafogo 1x0 Remo – Amistoso (f)

– Gols: Ferretti

10.03.1974 – Botafogo 2x2 Remo – Campeonato Brasileiro (f)

– Gols: Nei Conceição e Puruca

10.11.1976 – Botafogo 0x2 Remo – Torneio Ney Braga (f)

– Sem gols

21.11.1976 – Botafogo 0x1 Remo – Torneio Ney Braga (f)

– Sem gols

24.02.1980 – Botafogo 3x1 Remo – Campeonato Brasileiro (f)

– Gols: Mendonça, Marcelo e Gil

04.04.2001 – Botafogo 1x2 Remo – Copa do Brasil (f)

– Gols: Alexandre Gaúcho

11.04.2001 – Botafogo 1x2 Remo – Copa do Brasil (f)

– Gols: Váldson

28.06.2003 – Botafogo 3x1 Remo – Campeonato Brasileiro – Série B (c)

– Gols: Almir, Edivaldo Márcio Gomes

11.10.2003 – Botafogo 2x3 Remo – Campeonato Brasileiro – Série B (f)

– Gols: Sandro e Camacho

18.10.2003 – Botafogo 4x1 Remo – Campeonato Brasileiro – Série B (c)

– Gols: Almir (2), Leandrão e Valdo

13.06.2021 – Botafogo 3x0 Remo – Campeonato Brasileiro – Série B (c)

– Gols: Chay, Rafael Navarro e Pedro Castro

04.09.2021 – Botafogo 1x0 Remo – Campeonato Brasileiro – Série B (f)

– Gols: Warley

02.05.2026 – Botafogo 1x2 Remo – Campeonato Brasileiro (c)

– Gols: Ferraresi

terça-feira, 27 de outubro de 2026

Levou no peito e… marcou!

por EDUARDO GALEANO, Escritor uruguaio | Tradução livre do Mundo Botafogo

«Foi em 1947. Botafogo versus Flamengo, no Rio de Janeiro. Heleno de Freitas, atacante do Botafogo, fez um gol com o peito.

Heleno estava de costas para a baliza. A bola veio por cima. Ele parou-a com o peito e girou rapidamente, sem deixá-la cair. Com o corpo arqueado e a bola ainda apoiada no peito, enfrentou a situação. Entre as redes e ele havia uma multidão.

Havia mais gente na área do Flamengo do que em todo o Brasil. Se a bola tocasse o gramado, estaria tudo perdido. Então, Heleno começou a caminhar, com o corpo curvado para trás e a bola no peito atravessou tranquilamente as linhas inimigas.

Ninguém conseguia tirá-la dele sem cometer falta, e ele estava na zona de remate. Quando chegou à boca da baliza, Heleno endireitou o corpo. A bola deslizou até aos seus pés.

E ele marcou.»

Robson Marfa – 11º título em 2026

Crédito: FEFUMERJ.

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo | com base em ROBSON MARFA | Vice-presidente 1 Toque | FEFUMERJ

Robson Marfa soma e segue com o seu 11º título em 2026, conquistando o Campeonato Estadual Adulto 1 Toque Liso, organizado pela Federação de Futebol de Mesa do Estado do Rio de Janeiro (FEFUMERJ), que decorreu nas instalações da Associação Atlética Portuguesa, no dia 24 de outubro de 2026, vencendo Davi Becker do Olaria na final.

Eis o pódio:

1º Robson Marfa (Botafogo FR)

2º Davi Becker (Olaria AC)

3º Horácio Júnior (AA Portuguesa)

4º Jonas Vicente (Olaria AC)

Confira os 10 títulos anteriores de Robson Marfa em 2026: http://mundobotafogo.blogspot.com/2026/10/robson-marfa-soma-e-segue-decimo-titulo.html

Fonte: Federação de Futebol de Mesa do Estado do Rio de Janeiro.

segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Treinadores e contextos (VIII): Carlos Alberto Torres do título continental ao penúltimo lugar no Brasileirão

Carlos Alberto Torres, jogador e treinador. Crédito: Domínio Público.

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

Num ano verdadeiramente excepcional e contrastante o Botafogo termina o Campeonato Brasileiro em 31º lugar entre 32 clubes e conquista a Copa Conmebol, a segunda mais importante do futebol Sul-americano.

Na competição continental Carlos Alberto Torres, o ‘Capita’, conseguiu a transformação de um grupo que ele próprio considerou fraco num grupo altamente competitivo: eliminou Bragantino, Caracas, o favorito Atlético Mineiro nas semifinais e superou o Peñarol na final.

Havia muitos jogadores jovens que consideravam ‘Capita’ uma figura quase mitológica, mas ele quebrou deliberadamente uma convenção do futebol brasileiro: – “Não sou professor. Chamem-me Carlos Alberto.” E com essa simples frase, psicologicamente importante, eliminou a distância formal e aproximou-se imediatamente do grupo.

O prestígio do treinador foi fundamental num contexto de salários que chegaram a quatro meses de atraso; a alimentação, aquém do necessário, resumia-se a feijão, arroz e ovo a almoço a jantar; dificuldades de financiamento de concentrações e viagens; às vezes faltavam até bolas; os jogadores pensaram seriamente em parar de treinar e iniciar uma greve geral; ao mesmo tempo desse precário panorama a equipe tinha consciências das suas limitações e simultaneamente sentia-se fortemente mobilizada pelo prestígio, personalidade e proximidade do técnico, chegando ao ponto de ex-atletas afirmarem, mais tarde, que “corriam por ele” numa aventura coletiva.

Nessa inverosímil campanha não faltou sequer a profecia: o Botafogo perdeu o jogo de ida contra o Atlético Mineiro por 3x1, no Mineirão, mas Carlos Alberto Torres não desarmou e no final da partida abraçou Sinval e afirmou que o gol botafoguense no Mineirão seria o da classificação do Botafogo, o que constituía uma profecia de vitória por 3x0 sobre o Atlético no Rio de Janeiro – e esse foi exatamente o resultado do jogo de volta que levou o Botafogo à final contra o Peñarol, perante um Caio Martins repleto de botafoguenses e que constituiu um dos momentos mais emocionantes para os jogadores, que esperavam um estádio meio vazio.

A viagem para Montevidéu foi uma epopeia: a Conmebol antecipou a partida em 24 horas, o Botafogo teve que jogar no Brasil, recuperar em menos de 48 horas e viajar no próprio dia do jogo. À chegada a comitiva encontrou um ambiente hostil, sucessivos rojões junto a hotel, gritaria e confusão.

Entretanto Torres comandou um treino antes da final baseado em finalizações, o qual correu tão mal que o treinador cancelou o treino após dez minutos e mandou-os embora, para espanto de todos, evidenciando inteligência psicológica por pensar que seria melhor não treinar a treinar mal e destruir a confiança já conquistada pelos jogadores.

O momento da comemoração do título no Maracanã. Crédito: Divulgação.

Quando a equipe chegou ao estádio, o vestiário estava todo pintado de fresco com forte cheiro a tintas, bem com explosões de artefactos e gás irritante. O técnico desprezou as ocorrências mencionando que os uruguaios ainda estavam na ‘Idade da Pedra’ ao ainda suporem que isso influenciaria o resultado.

Para cúmulo o esquema do treinador era ‘suicida’, segundo os jogadores, porque a disposição em 4x4x2 era ofensiva, com Marcelo Carioca, Eliel e Sinval muito adiantados, sugerindo uma abordagem nada conservadora para uma equipe que atravessava diversas limitações e se esperava que jogasse na retranca.

Durante o jogo William Bacana ainda perdeu um dente devido a uma entrada dura de atacante uruguaio, continuou jogando e foi crucial para o Botafogo conseguir empatar por 1x1, e depois do jogo os atletas tiveram que evitar a saída pelo túnel para evitar agressões, saltaram de uma altura de dois metros e ficaram fechados no vestiário enquanto aguardavam uma saída em segurança.

Porém, novas peripécias estavam para acontecer no jogo de volta no Maracanã.

O Botafogo perdia por 1x0 ao intervalo, mas na segunda parte, numa cobrança de falta ensaiada, Sinval e Eliel simularam discussão sobre quem iria bater, Eliel bateu diretamente e empatou a partida. Depois Sinval virou o resultado para 2x1, e quando os botafoguenses já comemoravam o título, Marcelo Otero tona a empatar a partida aos 90’, que seguiu para pênaltis.

Sinval, artilheiro da competição, falhou o primeiro pênalti, antevendo-se a ‘tragédia’, mas William Bacana compensou a falha através de duas defesas. O Botafogo ganhou a disputa por 3x1 e foi campeão.

Campanha completa aqui: https://mundobotafogo.blogspot.com/2008/07/campeo-de-futebol-da-copa-conmebol-1993.html

Carlos Alberto Torres tinha sido expulso durante a final e nos momentos finais assistiu à decisão por pênaltis da boca do túnel. Quando o Botafogo se sagrou campeão os jornalistas correram para a boca do túnel ao encontro do treinador, cuja primeira declaração foi: – “O título é dos garotos!”

Porém, se não houver drama, algo inédito ou improbabilidade, não é conquista à Botafogo – e desta vez ganhou a improbabilidade. Os jogadores receberam o troféu no Maracanã, o Clube conquistou a primeira competição internacional oficial, mas o prêmio monetário da vitória, que sairia de um porcentual de receita da bilheteria, perdeu-se quando a polícia, incapaz de conter a multidão, mandou abrir os portões e de 70.000 espectadores apenas 26.000 pagaram bilhete e… posteriormente ninguém soube indicar com segurança para onde fora parar a taça e mais tarde acabou sendo feita uma réplica!

A Taça da Conmebol, 1993. Crédito: Divulgação.

Em suma, o ano de 1993 foi especialmente moldado à Botafogo:

» treinador contratado sem dinheiro para lhe pagarem, financiou a própria remuneração através de dois amistosos nas Caraíbas;

» profetizou que o gol de Sinval no jogo de ida das semifinais daria a classificação mediante vitória de 3x0 no jogo de volta, o que realmente aconteceu apesar de nem a concentração o Botafogo tenha conseguido assegurar financeiramente;

» a equipe viajou no próprio dia do jogo de ida das finais para Montevidéu porque a Conmebol antecipou a partida em 24 horas;

» no hotel soaram rojões e hostilidades patrocinadas pelos uruguaios;

» antes do jogo o Capita terminou um treino que durou apenas dez minutos porque nada saia certo aos jogadores, evitando assim minar a confiança que tinham;

» no vestiário havia gás irritante e as paredes estavam pintadas de fresco emitindo um cheiro intenso;

» após o empate os jogadores tiveram que fugir das agressões dos torcedores uruguaios, trancando-se no vestiário;

» Capita levou à final uma equipe sem ‘estrelas’, ganhou na disputa por pênaltis após desperdício na primeira cobrança;

» e por fim perdeu-se a receita de bilheteria e a própria taça.

Fim das originalidades desse Botafogo de 1993?... Nem por isso…

Quatro semanas após o Botafogo ser campeão internacional os torcedores entraram em campo para ensinar os atletas a marcar gols!

A 30 de setembro foram campeões, a 28 de outubro a equipe aproximava-se de 804 minutos sem marcar um único gol no Brasileirão. Então os torcedores invadiram o campo e começaram, eles próprios, chutando à baliza numa espécie de aula prática com aprendizagem bem sucedida: aos 84’ Eliomar cruzou a bola e Marcelo Carioca marcou, interrompendo quase 9 jogos sem a equipe marcar gols.

Carlos Alberto Torres deixou o Botafogo no dia 3 de dezembro de 1993, após conquistar o título continental e classificar-se no 31ª e penúltimo lugar no Brasileirão, para comandar o rival Fluminense.

É muito Botafogo!!!

Fontes principais da série: br.bolavip.com; brasil.elpais.com; jbemfolhas.com.br; jornalggn.com.br; mundobotafogo.blogspot.com; museudapessoa.org; operamundi.uol.com.br; pesquisaescolar.fundaj.gov.br; pt.wikipedia.org; www.uol.com.br; https://sopanomel.blogspot.com; terceirotempo.uol.com.br; tnonline.uol.com.br; www.campeoesdofutebol.com.br; www.correiobraziliense.com.br; www.jb.com.br; www.museudapelada.com; www1.folha.uol.com.br

Retrospecto Botafogo FR x Clube do Remo (1927-2026) – jogos, artilharias e estatísticas

Créditos: Elson Souto. por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo SÍNTESE DE TODOS OS JOGOS (1927-2026): 22 jogos, 13 vitórias, 3 empates ...