MUNDO BOTAFOGO
sábado, 31 de outubro de 2026
Goleiros: os 10 Mais do Botafogo
Voz de Eduardo Mansell
“O tempo de social tem sido bem negativo.
João Paulo deixa visível a cada dia que não tem competência para gerir o
futebol. Contratou pessoas do nível do Boavista de Bacaxá para cuidar do
futebol, visivelmente os jogadores de grande porte estão desconfortáveis com
isso e o reflexo está em campo. ” – Eduardo Mansell | www.fogaonet.com.
sexta-feira, 30 de outubro de 2026
Treinadores e contextos (IX): da reconstrução com Dé, Renato e Jair à transformação do plantel com Autuori
por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo
Após a saída de Carlos Alberto
Torres, Dé Aranha assumiu a equipe de dezembro de 1993 a maio de 1994, tendo
começado a reconstruir o plantel com a chegada de novos jogadores, entre os
quais Wágner, Wilson Gottardo, Sérgio Manoel e Túlio ‘Maravilha’, que viria a
ser o novo ídolo botafoguense na conquista do Brasileirão de 1995, e logo em
janeiro de 1994 fez três gols na vitória por 6x0 sobre o America.
Porém, Dé Aranha ficou por pouco
tempo e sucedeu-lhe Renato Trindade, que tivera em clubes de menor dimensão e
era relativamente desconhecido, mas em pouco tempo adquiriu fama de estudioso,
alternando a estrutura da equipe durante os próprios jogos – utilizando três
zagueiros, mudando para dois, reforçando o meio-campo ou alterando o número de
atacantes, numa espécie de esquema de basquete com permanentes mudanças de
organização constante segundo o que o jogo pedia.
Sob o comando de Renato, Túlio
consolidou-se como artilheiro, Sérgio Manoel amadureceu, Gottardo tornou-se
líder e a equipe começou a crescer competitivamente, ganhando o Torneio
Triangular Eduardo Paes. Porém, Renato não resistiu a uma derrota para o
América no estadual e foi substituído precisamente por um treinador que disse
admirar: Jair Pereira.
Jair comandou o Botafogo no
primeiro semestre de 1995, levou a equipe à decisão (perdida) da Taça Guanabara
e também foi substituído, mas o papel desempenhado por Renato e Jair foi de
crucial importância para o estado do plantel que chegou às mãos de Paulo
Autuori – o treinador improvável.
Autuori era carioca, mas quase
toda a sua carreira foi em clubes portugueses, destacando-se no Vitória de
Guimarães, Nacional e Marítimo, construindo uma reputação de profissional
metódico, organizado e intelectualmente acima da média de treinadores – mas no
Brasil havia a convicção que era português e questionava-se o presidente
Montenegro sobre onde descobrira ‘aquele português’.
Carlos Augusto Montenegro
confessou mais tarde que tinha dúvidas sobre as suas capacidades, mas a
contratação teve em conta a questão monetária frágil do Botafogo.
Assim, Autuori chegou ao Clube
como técnico sem prestígio, salarialmente barato e para comandar uma equipe que
não era candidata ao título. Porém, o plantel já tinha sido bem trabalhado,
amadurecido e estava à beira de uma profunda mudança.
O Botafogo de 1995 foi produto de
um planejamento plurianual, montado com celeridade, criatividade e poucos
recursos financeiros e estruturais, evidenciando, talvez, o erro típico do
futebol brasileiro em ter mais do que um treinador em cada ano, não dando tempo
útil para a consolidação de métodos e técnicas de treinamento.
A diferença económica para alguns
rivais era gritante, especialmente para o Flamengo, que acalentava ser campeão brasileiro
no ano em que celebrava o seu centenário, mas foi, uma vez mais, o Botafogo que
lhe ‘roubou’ a festa sagrando-se campeão do Brasil.
A equipe foi reforçada
recorrendo-se a empréstimos e oportunidades de mercado: Gonçalves e Donizete
regressavam do futebol mexicano e não entusiasmavam; Iranildo chegou do
Madureira quase a custo zero; Beto veio do Goiás numa negociação folclórica que
envolveu uma grande quantidade de chuteiras; Leandro Ávila saiu em conflito com
o Vasco; na lateral-direita André Silva foi adaptado à posição por Autuori.
Os jogadores eram mais ou menos
desconhecidos dos torcedores e mais tarde Gottardo descreveu a equipe como uma
combinação de jogadores experientes e outros ainda pouco valorizados, escolhidos
pelo qualidade técnica e o perfil.
Porém, o ‘onze’ ganhou identidade
própria: Wágner; Wilson Goiano, Gottardo, Gonçalves e André Silva; Leandro
Ávila, Jamir, Beto e Sérgio Manoel; Donizete e Túlio.
Era uma equipe com enorme
capacidade de luta, quatro jogadores de forte marcação no meio-campo e uma
dupla atacante complementar, sendo Donizete a ‘alma da equipe’ e Túlio na
função implacável de ‘matador’ Botafogo".
Túlio desempenhava outro papel crucial: ao contrário da maioria dos atletas entendeu desde cedo que o futebol envolvia não apenas as ocorrências de gramado, mas também de expectativas, provocação, manchete, espetáculo e psicologia.
Antes de jogos importantes
prometia gols, provocava adversários, inventava números e lançava frases
destinadas a títulos de primeira página, retirando pressão dos companheiros,
inflamando torcedores, irritando adversários – sem hostilidade real.
Um jornalista que acompanhou
aquele Botafogo recordaria depois que Túlio tinha uma extraordinária noção de
como "promover" um clássico através de provocações, sem
necessariamente ultrapassar o limite para a hostilidade real. Vinte e três gols
em todo o campeonato e espetáculos verbais recorrentes transformaram-no em
personagem.
A relação com Montenegro era
explosiva. Em dado momento zangou-se, ficou em Goiânia e não se apresentou.
Montenegro ameaçou multá-lo e Túlio expôs a precaridade financeira do Clube:
“como poderia ser multado sem salário há meses?
Apesar dos confrontos entre eles,
Montenegro recusou vendê-lo ao Corinthians, tomando provavelmente a mais
importante decisão da sua presidência naquele ano.
No Botafogo de 1995 certamente
havia amizade e solidariedade, certamente, mas houve também crises reais – que
começavam inevitavelmente pelo dinheiro. Em contexto de salários e prémios
atrasados, Túlio encontrava-se numa situação diferente porque possuía um
contrato publicitário com a Pepsi que lhe garantia uma fonte de rendimento
regular, e isso gerou ressentimento.
Formaram-se dois polos: um
associado à liderança Wilson Gottardo, outro próximo de Túlio, que ajudava
financeiramente alguns companheiros em maiores dificuldades.
Em setembro o Botafogo estava em
crise, embora bem colocado na classificação e Sérgio Manoel confrontou Túlio
por não o cumprimentar, a tensão subiu e a agressão física esteve próxima entre
dois jogadores fundamentais no funcionamento ofensivo.
O conflito não estalava num
equipe derrotada, mas numa equipe que ganhava – e talvez por isso mesmo se
tornasse mais perigoso. Então, Montenegro reuniu o plantel em Cai Martins e
recriminou duramente as divisões internas, os ciúmes e as reclamações públicas.
Houve confronto verbal, a crise não se evaporou, mas algo se alterou quando os
atletas compreenderam que a sobrevivência coletiva dependia de uma espécie de
pacto pragmático: podiam cobrar a direção e discutir entre si, mas que
continuassem ganhando, isto é, ganhar era objetivo desportivo e instrumento de
reivindicação salarial, em vez de a direção responder simplesmente “não há
dinheiro’.
Foi nesse ambiente de crise e
confronto que Autuori assumiu o duplo papel comandante tanto tático como
psicológico. Montenegro definiu-o, mais tarde, como comandante tático,
"paizão" e psicólogo.
Autuori não se expressava por
temperamento explosivo típico de muitos treinadores brasileiros da época,
preferindo a racionalidade, organizando funções, definindo responsabilidades e
um modelo em que cada jogador entendia o que deveria fazer.
Donizete aproximou-se de Túlio e
passou a explorar a mobilidade entre linhas; Leandro Ávila e Jamir equilibravam
o meio-campo; Beto oferecia chegada e intensidade; Sérgio Manoel articulava
jogo, avançava pela esquerda e servia os atacantes; Gottardo e Gonçalves
formaram uma sólida dupla de zaga; André Silva adaptou-se a lateral esquerdo;
Wágner foi decisivo na baliza. Foi Autuori que introduziu consistentemente a
marcação à zona em vez de individual e ocupação racional de espaços
A equipe passou a valer mais do
que a mera soma das parte. Donizete alternava os movimentos: corria entre
linhas, surgia nas alas, recuava para buscar jogo e apoiava defensivamente. A
dupla ofensiva funcionava por características opostas: Donizete buscava os
movimentos para finalização, Túlio finalizava.
Em novembro o Atlético Mineiro
foi goleado por 5x0, com dois gols de Túlio e dois gols de Donizete – já não
era o acaso funcionando. Por ironia do futebol a adversidade não une
automaticamente: primeiro divide e só depois gera coesão, se houver liderança.
Havia: pela emoção, Montenegro; pela racionalidade e saber técnico, Autuori, o
equilibrador de uma equipe que foi ganhando mesmo em crise – ou talvez por ela!
Na semifinal, por ironia do
destino, o Botafogo enfrentou o Cruzeiro de Jair Pereira, que conhecia bem a
equipe botafoguense, porém ela fora transformada por Autuori e após dois
empates o Botafogo chegou à final contra o Santos.
Vitória por 2x1 no Rio; empate
por 1x1 em São Paulo. O Santos reclamou do árbitro no jogo de volta, mas não do
impedimento inexistente de Túlio à boca da baliza que daria mais um gol no jogo
de ida. Erros de arbitragem de parte a parte e o improvável no ano do centenário
do Flamengo aconteceu – Botafogo Campeão Brasileiro.
Campanha completa em: https://mundobotafogo.blogspot.com/2008/07/campeo-brasileiro-em-futebol-1995.html
Não houve uma linhagem técnica
relacionada entre treinadores como aconteceu n passado, mas formou-se uma
sequência técnica alinhada ao título: Dé Aranha participou no início da formação
base; Renato Trindade introduziu flexibilidade tática; Jair Pereira afinou as
referências internas da equipe; Paulo Autuori recebeu um plantel reconstruído,
incorporou novos elementos, organizou-o taticamente, geriu psicologicamente a
crise e nesse equilíbrio conduziu o Botafogo ao almejado título.
Fontes principais da série: br.bolavip.com; brasil.elpais.com; jbemfolhas.com.br; jornalggn.com.br; mundobotafogo.blogspot.com; museudapessoa.org; operamundi.uol.com.br; pesquisaescolar.fundaj.gov.br; pt.wikipedia.org; www.uol.com.br; https://sopanomel.blogspot.com; terceirotempo.uol.com.br; tnonline.uol.com.br; www.campeoesdofutebol.com.br; www.correiobraziliense.com.br; www.jb.com.br; www.museudapelada.com; www1.folha.uol.com.br
quinta-feira, 29 de outubro de 2026
Botafogo 1x2 Remo – é tempo de social…
por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo
É Tempo de Social!
É tempo de tristeza
profunda…
“Não é de hoje que o Botafogo é um
clube absolutamente sem um comando firme assertivo. Esse é um problema que já
estava presente na gestão Textor e que, a meu ver, está sendo agravado na
gestão João Paulo. Olho para o comando do futebol e vejo um diretor que sempre
demonstra ter uma postura absolutamente passiva e uma direção de clube social
que não possui qualificação para gerir o futebol de um clube do tamanho do
Botafogo.” O autor amplia as críticas a “alguns atletas indolentes,
displicentes e acomodados” e ao presidente do Social que embora tivesse que tomar
algumas decisões, não devia ter sido “nada
próximo a montar ele próprio uma comissão técnica”. [Ricardo Azambuja, www.fogaonet.com].
Atualmente os comandos do Botafogo estão literalmente descontrolados por
virtude daqueles que ocupam cargos dirigentes a diversos níveis de liderança, enquanto
ao mesmo tempo o nosso Glorioso se aproxima a traços
largos da quarta despromoção da sua história, sempre, sempre, sempre, sempre em
‘Tempo de Social’.
A derrota – mais
uma – contra um clube na zona da despromoção que não vencia há 12 partidas,
revelou novamente fragilidades defensivas, fraca criatividade ofensiva e uma alarmante
incapacidade de controlar o jogo.
O primeiro gol,
marcado por Jajá, aos 8’, nasceu de um erro de Domingos Andrade; o segundo,
apontado por Leonel Picco no início da segunda parte, tornou a mostrar problemas
de organização e de cobertura defensiva.
A ausência de Danilo e
Montoro foi sentida no meio-campo. Cristian Medina não conseguiu assumir a
organização ofensiva, enquanto Huguinho e Domingos Andrade revelaram
dificuldades para equilibrar a equipa, deixando ao Remo frequentes espaços
entre os setores.
O ataque foi previsível
e pouco eficaz, apresentando muitas dificuldades para criar oportunidades
evidentes, faltando movimentos coordenados, profundidade e ligação entre o
meio-campo e o ataque.
As substituições, apesar
da intervenção tardia de Tite, melhoraram parcialmente a agressividade
ofensiva, mas não corrigiram os problemas estruturais, e o gol de Edenílson,
aos 82’, surgiu demasiado tarde para alterar o desfecho da partida.
Há certamente
problemas de liderança assertiva e discernimento na diretoria e no departamento
de futebol, mas o balanço do novo treinador é pior do que aquilo que o autor
destas linhas já suspeitava: 6 partidas, 1 vitória (contra o lanterna por 1x0),
1 empate, 4 derrotas e 22% de aproveitamento!!!
O comando técnico é
imensamente frágil na medida em que, independentemente da qualidade individual
dos jogadores, não progrediu minimamente para implementar uma identidade
coletiva própria, porquanto a equipe não pressiona coordenadamente, apresenta
dificuldades na transição defensiva e revela pouca capacidade para construir
ataques organizados.
De nada adiantou uma incipiente
e ineficaz posse de bola de 61%, quando nos poucos 10 remates do Botafogo apenas
2 foram enquadrados com a baliza e as jogadas concatenadas foram facilmente bloqueadas
pelo penúltimo classificado do Brasileirão.
Se contra os clubes da
zona da despromoção o Botafogo não conseguiu ter globalmente sucesso, que
esperar daqui para a frente?!
Tristeza, muita
tristeza. Uma enorme vontade de lacrimejar furiosamente e o desejo de a torcida
se organizar com assertividade e discernimento e expor publicamente o alarmante descontrolo reinante no Botafogo Social e na SAF, exigindo medidas urgentíssimas contando com a torcida e não contra ela.
Infelizmente, É Tempo
de Social, enquanto a SAF hiberna…
FICHA TÉCNICA
Botafogo 1x2
Remo
» Gols: Edenílson, aos 83’ (Botafogo); Jajá, aos 8’, e Leonel Picco, aos 54’
(Remo)
» Competição: Campeonato Brasileiro
» Data: 28.10.2026
» Local: Estádio Mangueirão, em Belém (PA)
» Público: 9.760 pagantes; 13.458 espectadores
» Receita: R$ 378.700,00
» Árbitro: Lucas Paulo Torezin (PR); Assistentes: Alessandro Alvaro Rocha de Matos (BA) e Rafael Trombeta (PR); VAR: Wagner Reway (SC)
» Disciplina: cartão amarelo – Domingos Andrade e Matheus Bacchi (Botafogo)
» Botafogo: Gabriel Batista; Vitinho, Ferraresi, Marçal e Alex Telles
(Paulinho); Domingos Andrade (Edenílson), Huguinho e Cristian Medina (Tiquinho
Soares); Ziyech (Júnior Santos), Arthur Cabral e Matheus Martins (Kauan Toledo).
Técnico: Tite.
» Remo: Marcelo Rangel; Marcelinho, Marllon, Tchamba e Marlon Matheus (Mayk);
Zé Welison, Leonel Picco (Zé Ricardo), Patrick (Edson) e David Braga (Galeano);
Jajá (Eduardo Melo) e Gabriel Taliari. Técnico: Thiago Carpini.
Goleiros: os 10 Mais do Botafogo
01. JEFFERSON: 459 jogos (2003 a 2005; 2009 a 2018) 02. MANGA: 442 jogos (1959 a 1968) 03. SEBASTIÃO WÁGNER: 410 jogos (1993 a 2002) 04. OSV...
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