por RUY MURA | Editor do Mundo Botafogo
O jogo começou com dificuldades de criação do Botafogo,
que buscava espaços de um modo lento e pachorrento, enquanto o Boavista se
resguardava no seu meio campo na expectativa do que poderia acontecer.
Porém, não aconteceu rigorosamente nada. Aos 15’ o
Botafogo detinha 75% de posse de bola, nenhum remate, nenhum sinal de criação.
Finalmente, aos 24’, Artur ensaiou o primeiro remate, que
saiu por cima do travessão sem qualquer perigo para a baliza adversária.
Aos 30’ a sonolência tomou-me de assalto e na
arquibancada acredito que os torcedores estariam entre estupetafos e revoltados
com o que presenciavam em campo.
Aos 32’, Edenilson mostrou ao que vinha: recebeu um bom
passe que o colocou dentro da área para rematar, mas a sua lentidão e displicência
permitiram o desarme pelo zagueiro.
Pode-se dizer que a Taça Rio dá minutos aos atletas reservas
e nada mais, mas neste caso, nem isso aconteceu porque nenhum atleta se
empregou a fundo e todos pareciam desejosos de ir para cara. Os goleiros até pensaram
em botar uma rede de poste a poste das balizas, balouçarem-se languidamente com
uma cerveja na mão e servindo-se de siris com a outra. Ou tirar uma soneca num
cantinho aconchegante da arquibancada. Não fazia nenhuma diferença para o jogo.
Para desequilibrar não havia ninguém. Nem os jovens, nem
os medalhões. Arthur Cabral não tem recursos técnicos para atacante (e custou
12M€…), Artur corre, corre, mas faz pouco, Joaquín Corrêa e Edenilson não se
viram. Os quatro não entraram em campo.
O Botafogo jogou entre os seus zagueiros, e até Raul
participou da zaga-troca-a-bola, e o Boavista ficou vendo passes para o lado, passes
para trás, e nada de futebol. Foi Anselmi que mandou os atletas jogarem assim?
Isto é, não jogarem e gerirem o 0x0 sem nenhum respeito pelos torcedores presentes
no pior jogo do Botafogo a que assisti desde há muitos anos.
Na segunda parte conseguiram ser piores. O Boavista ainda
tentou uma movimentação melhor, mas também não tinha equipe para jogar futebol.
Aos 70’ o árbitro marcou pênalti para o Boavista, mas o VAR
arrumou um impedimento que confesso não ter percebido a razão. Se o pênalti tivesse
sido confirmado e o Boavista convertesse era bem merecido para a displicência de
toda a equipe e do próprio treinador que deixou a jogo permanecer a um ritmo absurdo.
Aos 79’ o Botafogo fez o primeiro remate da 2ª parte…
Em suma, o jogo terminou como começou: placar em 0x0 sem
nenhuma ocorrência de futebol entre o primeiro e o último minuto.
FICHA TÉCNICA
Botafogo 0x0 Boavista
» Gols: –
» Competição: Taça Rio
» Data: 28.02.2026
» Local: Estádio Olímpico Nilton Santos, no Rio de Janeiro
(RJ)
» Público: 2.695 pagantes; 3.696 epectadres
» Renda: R$ 54.408,00
» Árbitro: João Marcos Gonçalves Fernandes (RJ); Assistentes: Wallace Muller Barros Santos (RJ) e Marcelo Araújo Ossimo (RJ); Var: Paulo Renato Moreira da Silva Coelho (RJ)
» Disciplina: cartão amarelo – Arthur Novaes (Botafogo); Luis Henrique e Bruno Jesus
(Boavista)
» Botafogo: Raul; Kadu, Ythallo, Justino e Gabriel Abdias; Edenílson, Arthur Novaes
(Álvaro Montoro) e Caio Valle (Jordan Barrera); Artur (Lucas Villalba), Joaquín
Correa (Nathan Fernandes) e Arthur Cabral (Arthur Izaque). Técnico: Martín
Anselmi.
» Boavista: Lucas Maticoli; Igor França, Bruno Jesus, André Rodrigues e Titto; Ryan
Couto, Fernando Santana (Sandrinho) e Cesinha (Luis Henrique); Isael (Brunão),
Berê (Khawhan) e Lucas Silva (Misael Xavier). Técnico: Gilson Kleina.



