por RUY MOURA |
Editor do Mundo Botafogo
Em 1992 o
Botafogo chegou à final do Brasileirão com um timaço favorito para conquistar o
título após uma campanha sensacional. Porém, num jogo absolutamente estranho, a
equipe tomou três gols do Flamengo em nove minutos e perdeu o jogo.
Renato Gaúcho
fizera uma aposta com Gaúcho, jogador do Flamengo, que quem perdesse teria que
servir churrasco ao outro. Renato Gaúcho cumpriu a aposta dando churrasquinho
na boca do atacante Gaúcho, que envergava roupa rubro-negra. Uma foto do dito
churrasco foi vazada para a mídia.
O grande
jornalista Roberto Porto, botafoguense de quatro costados, após abrir O Globo e
ver a chocante foto narrou assim o assunto:
“Almocei às garfadas, peguei o carro e rumei
para o Mourisco. O ambiente era o pior possível. Centenas de torcedores, os
nervos à flor da pele, queriam linchar Renato Gaúcho ou, no mínimo, incendiar
seu carro. […] Esperei o momento
certo, furei o bloqueio e me vi cara a cara com Emil. […] Para minha surpresa – pois não imaginava a
confiança e a amizade que ele depositava em mim – Emil Pinheiro mandou sair
todo mundo de sua sala e, rigorosamente a sós, me perguntou:
–
Porto, você acha que o Ernesto Paulo pode escalar o Renato domingo, quando
temos no mínimo que vencer por 3 a 0? […]
– Sem chance, Emil. A torcida aí fora está
querendo fazer churrasco do Renato. Aquela foto foi uma agressão ao Botafogo.
Emil
ainda tentou argumentar, […] mas não mudei de ideia:
– Renato não pode mais vestir ‘A Gloriosa’
alvinegra. Nunca, em tempo algum, um jogador fez o que ele fez…
A
muito custo, Emil cedeu a meus argumentos. E na hora, mandou por telefone um
recado a Ernesto Paulo:
–
Renato está banido do Botafogo!!!”
O Botafogo
empatou o 2º jogo em 2x2 e o Flamengo sagrou-se campeão. Mais tarde, quando
Túlio Maravilha – prosseguiu Roberto Porto – “caiu no canto da sereia de jogar no Corinthians, um dirigente famoso do
clube me perguntou:
– O que você acha de trazermos o Renato Gaúcho
de volta?
Respondi
friamente:
–
Se ele voltar, quem some do Botafogo sou eu, que tenho vergonha na cara…”
Fonte das citações: https://www.futebolbarretos.com.br/principal.php?xidalt=2394&xvar=ver_noticia
No ano seguinte à
catástrofe de 1992, um grande título deu um novo alento ao Botafogo, que
entretanto continuava sem a sua sede colonial, vendida à Companhia Vale do Rio
Doce.
O Clube
não chegara a uma final oficial de natureza internacional desde os seus tempos
áureos até à década de 1990, muito porque as suas diretorias pós-1963 fizeram a
equipe rumar em sucessivas excursões pelo mundo (atuamos em mais de cem cidades
até hoje), em busca de dólares que desapareciam com a mesma velocidade com que surgiam.
Porém,
surpreendentemente, com uma equipe considerada apenas mediana, chegou
finalmente a uma final no dia 30 de setembro de 1993, disputando o troféu da
Copa Sul-americana Conmebol com o poderoso Peñarol (então 5 vezes campeão da Libertadores
e 4 vezes vice-campeão).
A equipe
alvinegra, apesar de bons resultados, vencia mais na garra do que na técnica e
mostrava-se altamente competitiva, constituindo para o Peñarol uma ‘prenda de
grego’, bem organizada por Carlos Alberto Torres e comandada pelo improvável
artilheiro Sinval.
Embora o
‘estrelado’ Pablo Bengoechea tenha inaugurado o marcador aos 34’, o certo é que
a garra alvinegra virou o jogo com dois gols aos 52’ e 72’, vitória que parecia
certa à chegada dos 90’ de jogo. No entanto, foi nesse fatídico minuto que um
‘balde de água fria’ mergulhou os nossos jogadores numa inesperada
incredulidade e reduziu o Maracanã ao silêncio – o Peñarol empatou aos 90’.
A decisão
por pênaltis costumava ser desfavorável aos brasileiros, e tudo parecia perdido
quando Sinval, o artilheiro da competição, perdeu a 1ª penalidade. Porém, William
Bacana defendeu também a 1ª do Peñarol, o Botafogo marcou em três penalidades
sucessivas e o Peñarol entregou-nos o troféu rematando à trave na quarta
oportunidade – Botafogo campeão, 1º clube carioca a levantar um título
internacional no Maracanã!
BOTAFOGO 2x2 PEÑAROL [pênaltis: 3x1]
» Gols: Eliel, aos 52’, e Sinval, aos 72’ (Botafogo); Bengoechea, aos 34’,
e Otero, aos 90’ (Peñarol); Decisão por pênaltis: Suélio, Perivaldo e André
Santos (Botafogo) e Da Silva (Peñarol)
» Estádio do Maracanã; 30.09.1993; 45.000 espectadores
» Botafogo: William Bacana, Perivaldo, André Santos, Cláudio Henrique
e Clei (Eliomar); Nélson, Suélio e Eliel; Aléssio (Marcos Paulo), Sinval e
Marcelo Costa. Técnico: Carlos Alberto Torres.
Fontes principais:
https://mundobotafogo.blogspot.com/2008/07/campeo-de-futebol-da-copa-conmebol-1993.html
https://www.facebook.com/watch/?v=1714968188752680
https://www.futebolbarretos.com.br/principal.php?xidalt=2394&xvar=ver_noticia






