por RUY MOURA |
Editor do Mundo Botafogo
O Botafogo atuou de modo bem diferente do que
nas duas exibições anteriores, sobretudo no que respeita a colocar a bola
rolando no gramado e diversificar jogadas, tal como havíamos mencionado em
análises anteriores, conseguindo triangulações muito bem concretizadas que
levaram à goleada através de diversidade de opções de ataque.
Aliás, só não marcamos gols através de
faltas. Fizemos gols a partir de bola aérea e de bola no solo, de pênalti e de
cabeça através de cobrança de escanteio, mostrando que, afinal, temos mais
capacidade do que apenas os ‘chuveirinhos’ dos jogos anteriores.
E assim os gols foram acontecendo, sobretudo
no segundo tempo da partida. No primeiro tempo o jogo favoreceu-nos logo aos 35
segundos no primeiro ataque do Botafogo: Felipe Januário recebeu a bola pela
esquerda, cruzou para Caio Valle no miolo da área, que escorou para Arthur
Izaque abrir o placar num remate meio acrobático para o ângulo direito da
baliza do Taubaté. Botafogo 1x0.
Tal entrada não parecia ter atemorizado o Taubaté
que reagiu nos minutos seguintes em transições rápidas ao ataque, mas mostrou-se
inconclusivo nos remates diante de uma zaga botafoguense que se mostrou forte e
eficaz em manter as nossas redes invioláveis.
O Taubaté acabou por ceder à técnica e à
qualidade de jogo do Botafogo, que mostrava eficiência de jogo no ataque, mas
não conseguia a desejada eficácia para ampliar o resultado, apesar das oportunidades.
Eis senão quando, aos 38’, Gabriel Abdias foi
literalmente chutado dentro da grade área e o pênalti foi marcado. Caio Valle
foi para a cobrança e fê-lo com uma categoria extraordinária: não tomou
balanço, chutou suavemente em arco e a bola aninhou-se bem no alto do ângulo
superior direito da baliza (exatamente da mesma maneira do primeiro gol). Há
golaço de pênalti? Se há, foi golaço mesmo. Botafogo 2x0.
A primeira etapa terminou tranquila sem que o
Taubaté tivesse realizado um remate propício para a bola entrar na nossa baliza.
E no segundo tempo o Botafogo entrou novamente muito forte, encurralou o
Taubaté, que jogava em casa, e liquidou qualquer vaga esperança do adversário vencer
o Glorioso, quando logo no início da segunda parte, aos 48’, Kauan Toledo, já
rodado algumas vezes na equipe profissional, ampliou o marcador.
O Botafogo ganhou a bola a meio campo, urdiu
uma boa triangulação, Caio Valle deslocou-se para receber a bola à frente,
progrediu uns metros, tocou à direita para o bico da área, Kadu chutou
rapidamente na direção da baliza e Kauan Toledo antecipou-se à saída do goleiro
tocando para o fundo das redes. Botafogo 3x0.
Jogando com domínio absoluto do jogo e escudado
numa defesa forte, aos 56’, em um novo ataque bem urdido com a bola rolando no
gramado, Kadu lançou Caio Valle que disparou para a área, superou dois defensores,
rematou à baliza, o goleiro defendeu para a frente e a bola sobrou para Kauan
Toledo bisar facilmente. Botafogo 4x0.
Finalmente, aos 72’, Kauan Toledo (creio que
foi ele) cobrou escanteio e Samuel Alves, elevando-se espetacularmente na
pequena área, ampliou a goleada. Botafogo 5x0.
Diga-se de passagem que a exibição na segunda
parte foi de luxo e se tivesse chegado a sete ou oito a zero não seria de
espantar.
Logo no primeiro jogo contra o Águia de
Marabá a nossa análise sugeria a mudança fundamental a realizar no que respeita
a urdir jogadas com bola no solo, desde a defesa ou em tomadas de bola a meio
campo, terminando assim a ideia: “Rodrigo Bellão tem a próxima palavra.”
Bellão não conseguiu fazê-lo no segundo jogo,
mas fê-lo neste jogo, terminando a 1ª fase da Copinha com três vitórias e um
placar agregado de 7x0, mostrando que o nosso ataque não é ‘eletrizante’ (não gosto
de jogos eletrizantes porque significam falta de domínio de jogo), mas
sobretudo mais racional do que emocional e, consequentemente, verificou-se uma
forte harmonia dos setores, com base numa defesa até aqui muito sólida, meio
campo que ganha bolas e cria e ataque que, neste jogo, parece ter se encontrado
finalmente com a eficácia.
Na fase seguinte o Botafogo defronta o São José,
de São Paulo, tendo argumentos suficientes para ultrapassar a equipe joseense com
alguma folga.
FICHA TÉCNICA
Botafogo x Taubaté
» Gols: Artur Izaque, aos 35”, Caio Valle,
aos 38’ (pen.), Kauan Toledo, aos 48’ e 56’, e Samuel Alves, aos 72’
» Competição: Copa São Paulo de Futebol
Júnior
» Data: 10.01.2026
» Local: Estádio Joaquim de Moraes Filho, o
‘Joaquinzão’, em Taubaté (SP)
» Árbitro: Fernando Bartz Guedes; Assistentes: João Petrucio Marimônio de Jesus dos Santos e Elias Cedraz Santiago Carneiro; Quarto Árbitro: Alef Feliciano Pereira
» Botafogo: Rhyan Luca; Kadu, Danillo (Bruno
França), Gabriel Justino e Gabriel Abdias; Bernardo Valim (Gustavo Pereira),
Caio Valle (Matheu Fortunato) e Lucas Camilo (Kauã Branco); Kauan Toledo,
Arthur Izaque (Samuel Alves) e Filipe Januário (Matheusinho). Técnico: Rodrigo
Bellão.
» Taubaté: Lucas; Arthur, Gabriel (Luka),
Fillipy e Nivaldo (Rafael); Chico, Gustavo Nunes e Léo Moura (Ryan); João
Medrado (Lorenzo), Gabriel Ratão (Ygor) e Caio Matheus (Daniel Tank). Técnico:
Diego Paulista.

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