por RUY MOURA |
Editor do Mundo Botafogo
O destaque:
Igor Jesus, um ‘herói’ improvável, infiltrado
na zaga francesa para derrotar o Paris Saint-Germain por 1x0 no Campeonato
Mundial de Clubes.
O desastre:
A gestão errática da cúpula da SAF Botafogo,
desmantelando a equipe campeã sul-americana (John, Jair, Thiago Almada, Luiz
Henrique, Gregore, Igor Jesus, Júnior Santos, etc. etc. etc.) e substituindo-a
por reforços como Rwan Cruz, Mastriani ou Arthur Cabral; foco quase total no Lyon,
divórcio quase pleno no que respeita ao planejamento para o ano, ações incompreensíveis
na contratação e na demissão de treinadores e opacidade no que respeita às
ações de natureza financeira, evidenciando a necessidade de, em 2026, se reforçar
a equipe, estabilizar uma comissão técnica de média/longa duração, manutenção
da perspectiva de melhoria de infraestruturas e consolidação financeira da SAF.
O
ineditismo:
Não obstante um ano sem planejamento e falha
sistemática das competições em que o futebol do Botafogo estava envolvido, ainda
assim conseguiu-se, pela 1ª vez, a terceira classificação consecutiva para a
Copa Libertadores, o que suscita a questão: e se tivéssemos uma gestão assertiva
e não errática, até onde teríamos chegado?
O desinvestimento ‘olímpico’:
O Botafogo FR desinvestiu novamente nas
demais modalidades desportivas, seguindo as peugadas de diretorias anteriores (desorçamentação
do remo, supressão do voleibol e do basquetebol, da natação e do polo aquático,
inutilização da piscina do Mourisco…); na atual diretoria o remo foi ainda mais
desorçamentado e algumas modalidades perderam os seus atletas principais de nível
sul-americano e mundial, investindo-se sobretudo nas escolas e no basquetebol para
a competição NBB, mas nesta a baixo custo, o que nos coloca meramente como coadjuvantes,
colecionando derrotas sucessivas.
O futebol de base:
O futebol de base cresceu muito, tal como o
acionista maioritário pretendia inicialmente, de modo a gerar boas revelações
para a equipe principal e posteriormente para o mercado internacional; a nova
perspectiva de se vencerem competições de base é muito importante, ao contrário
de outros diretores anteriores que consideravam que as bases são meramente para
revelar craques individualmente, como se os novos craques não devessem ganhar
mentalidade coletiva consistente e vencedora desde as bases para insuflar novos
ventos de ambição na equipe principal – um modelo certo que merece ser seguido
em 2026, sobretudo desde os sub-12.
O paradoxo:
O basquetebol de 2025 trouxe-nos, nada mais, nada
menos, do que diversas conquistas a nível das equipes de base, desde os sub-15
aos sub-22, e nas categorias master conquistamos 5 títulos estaduais em 6
possíveis; em contrapartida, o basquete adulto na competição NBB ocupou o 19º lugar
na Fase de Classificação no conjunto de 20 equipes, obtendo 3 escassas vitórias
e 16 derrotas, agregando o maior saldo negativo dos 20 clubes (-240 pontos).
A surpresa:
A provocada (?) demissão de Ancelotti quando o
treinador parecia estar construindo um modelo de jogo mais consistente,
sobretudo de ataque vertical com muitos gols marcados nos últimos jogos, apesar
da inexistência de homens de área capazes e, por isso, também com muitos gols
sofridos nas últimas partidas; o modelo carecia de uma maior capacidade de proteção
à zaga e maior entrosamento entre os defensores, que devido a diversas contusões
foram sempre mudando as ‘parcerias’ e naturalmente dificultando o mecanicismo
defensivo automático essencial em qualquer grande equipe – desejando-se que a
nova aposta em Martín Anselmi seja, finalmente, a carta certa, isto é, um coringa
de elevada craveira técnica que saiba corrigir em cada momento o baralho do plantel
2026 com os trunfos certos.
***
Tendo em consideração a nossa sucinta análise
crítica do que foi positivo e do que foi negativo, o Mundo Botafogo espera que
os protagonistas do Botafogo FR e da SAF Botafogo possam lidar melhor com as insuficiências
reveladas em 2025 e aportem novas competências estratégicas, táticas e operacionais
para a gestão global em 2026.
OUSAR CRIAR! OUSAR
LUTAR! OUSAR VENCER!

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