por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo
O Botafogo, com muitos desfalques como é costume, iniciou
muito mal a partida, com o Corinthians marcando alto, pressionando no ataque e
assegurando muita posse de bola. O resultado é que o 3º goleiro do Botafogo, ainda
muito verde nestas andanças profissionais, pensava que o jogo era de time de botão,
lançou a bola para o botão mais próximo, todo mundo esperando que o botão
adversário não se mexesse, mas mexeu, porque a pressão sobre cada um dos
defesas era suficientemente forte para não se distraírem um segundo sequer, nem
permitirem um milímetro de espaço, e então o botão que não era fixo lançou outro
botão e o Corinthians fez 1x0 aos 6’ de jogo.
Inaceitável o ‘passe’ de Léo Linck numa partida em que a
pressão sobre as nossas peças era permanente há seis minutos, desde o início do
jogo.
E o resultado foi o Botafogo assumir a sua capacidade de sofrimento
perante a enorme posse de bola corinthiana. Só aos 17’ é que o Botafogo ensaiou
um contra-ataque com Artur, que acabou não gerando resultados devido a uma má
decisão. Apesar do maior domínio do adversário o Botafogo defendeu-se bem.
Aos 21´ Savarino levou a bola à trave, mas havia
impedimento, e somente aos 33’, através da cobrança de falta, é que o Corinthians
tornou a ameaçar realmente, com a bola em bate rebate na pequena área e por fim
afastada.
Apenas aos 38’ o Botafogo poderia ter eventualmente
marcado com uma cabeçada de Joaquín Corrêa, emendando um pontapé de escanteio.
Porém, a bola saiu muito pelo alto.
E foi tudo o que aconteceu de relevante na 1ª parte, isto
é, quase nada do Botafogo e pouca eficácia do Corinthians, quer em remates de meia
distância, quer em penetração perigosa na nossa área.
O 2º tempo foi diferente. Ancelotti parece ter começado a
perceber melhor o decorrer dos jogos. Na última partida já demonstrara ter
ajustado melhor a equipe a partir do intervalo, e contra o Corinthians reagiu
logo a intervalo, substituindo Newton e Joaquín Corrêa por Alan e Jordan
Barrera – resultou.
O Botafogo assumiu a partida criando finalmente verdadeiro
perigo e aos 60’ Barrera lutou contra um adversário, a bola sobrou para Montoro
que lançou um notável passe cruzado para Cuiabano, entrando pela ala esquerda
em velocidade até à grande área e fuzilando as redes de Hugo Souza. Estava
feito o empate: 1x1.
As 66’, mantendo a pressão, Artur cobrou escanteio pelo
lado esquerdo, a bola sobrou para Montoro fora da grande área, serviu Alan que
corria pelo lado direito, centrou e Jordan Barrera, em meia bicicleta, fez a
virada com um golaço. Botafogo 2x1.
Aos 70’, jogando bom futebol, o Botafogo teve a chance de
ampliar: Barrera centrou e o ‘eterno’ anti-goleador Arthur Cabral cabeceou frontalmente
para fora.
Aos 72’ o Corinthians reagiu e o empate esteve à vista, redimindo-se
Arthur Cabral salvando em cima da linha de meta. Todavia, logo aos 76’, Santi
Rodríguez lançou Arthur Cabral que novamente desperdiçou a ampliação do
marcador.
Aos 81', com dificuldades de controlar o ataque corinthiano,
o Botafogo foi enrolado, Matheusinho lançou Vitinho pelo lado direito,
incrivelmente Cuiabano e Marlon Freitas deixaram-se driblar, Vitinho centrou e
Gustavo Henrique empatou: 2x2.
Daí para a frente nada de relevante aconteceu, a não ser
no fecho da partida quando Artur cobrou uma falta, a bola sobrou novamente para
Barrera que executou outra bicicleta que saiu rente ao poste – seria um 3x2 monumental!
O empate pode-se considerar justo, mas tivemos boas
oportunidades de ganhar.
A esperança de classificação direta à fase de grupos da
Libertadores continua em aberto, tendo em conta que, apesar dos desfalques, estamos
invictos há 8 jogos (4V e 4E) e que o Cruzeiro – próximo adversário – fez menos
pontos nos últimos 5 jogos do que o Botafogo, embora jogue em casa contra o
nosso Clube. Porém, é perfeitamente possível um empate e uma vitória nas duas
últimas rodadas, o que certamente nos garantiria o 5º lugar na classificação
geral.
O problema maior nem se tem evidenciado no esquema
ofensivo sequer é o ataque, com 15 gols nos últimos 8 jogos (e 8 gols nas últimas
3 partidas), mas sim um sistema defensivo frágil com algumas falhas individuais
clamorosas (6 gols nos últimos 3 jogos).
Porém, olhar em frente com convicção e concentração total
é o único caminho!
FICHA TÉCNICA
Botafogo 2x2 Corinthians
» Gols: Cuiabano, aos 60’, e
Jordan Barrera, 66’ (Botafogo); Raniele, aos 6’, e Gustavo Henrique, aos 81’ (Corinthians)
» Competição: Campeonato Brasileiro
» Data: 30.11.2025
» Local: Neo Química Arena, em
São Paulo (SP)
» Público: 37.599 pagantes; 37.959 espectadores
» Renda: R$ 2.694.558,50
» Árbitro: Jonathan Benkenstein Pinheiro (RS); Assistentes: Rafael
da Silva Alves (RS) e Michael Stanislau (RS); VAR: Marco Aurélio Augusto Fazekas Ferreira (MG)
» Botafogo: Léo Linck; Mateo Ponte, Marçal, David Ricardo e Cuiabano; Newton (Allan),
Marlon Freitas e Savarino (Álvaro Montoro, depois Santi Rodríguez); Artur,
Kadir (Arthur Cabral) e Joaquín Correa (Jordan Barrera). Técnico: Davide
Ancelotti.
» Corinthians: Hugo Souza; Matheuzinho, João Pedro Tchoca, Gustavo Henrique e Matheus Bidu
(Angilieri); Raniele, Breno Bidon (Maycon), Carrillo (André) e Rodrigo Garro
(Vitinho); Dieguinho (Gui Negão) e Yuri Alberto. Técnico: Dorival Júnior.

2 comentários:
Ok!
Sim, parece que o Davide está adquirindo mais consistência e segurança, pela experiência. É talentoso, basta ver que o time dele muitas vezes joga como nos melhores momentos de Luís Castro ou Artur Jorge.
Problema, parece tem sido sustentar o desempenho, manter a performance ao longo da partida. Por, exemplo no jogo mesmo, como em praticamente todos os outros, o momento do segundo gol deles foi numa pressão do Corinthians em que o Botafogo não conseguia jogar e o outro time envolve e, pode-se dizer que domina.
Isso tem se repetido.
À parte as considerações da experiência que vai sendo adquirida, parece que, não sei por que, a preparação física também parece estar com problemas.
E afetando, dá a impressão, tanto o desempenho em campo, principalmente em alguns momentos do jogo, como afastamento elevado de atletas por lesões.
Sem querer demonizar, mas acho que tem que se entender este processo de preparação física. O que está acontecendo?
Rui Moura, você sabe alguma coisa sobre esta preparação física e sobre o Preparador Físico?
Saudações!
Viva, Alexis. Totalmente de acordo com o seu comentário.
No que respeita ao Davide eu tinha vindo a evitar falar dele para não passar o meu pessimismo aos leitores, porque antes criticava-o bastante. Entendi, todavia, que nos dois últimos jogos já parece mais claro que ele realmente pode ter talento, como, aliás, foi dito por um dos seus mestres - e por isso senti necessidade de começar a corrigir a minha avaliação. Tomara que estejamos certos nessa matéria!
Ademais a equipe tem realmente bons desempenhos em grande parte dos jogos, se desconsiderarmos os 'apagões' ou entradas iniciais com pouca peugada. Parece-me ainda faltar alguma confiança, mas sobretudo vejo erros defensivos elementares que nos custam pontos, e isso o técnico tem que conseguir emendar. No entanto, face a tantos desfalques por suspensões e sobretudo por lesões, o que implica muitas mudanças de peças e naturalmente engrenagem menos oleada, aceita-se que não estejamos jogando a pleno vapor o tempo todo.
Finalmente, quanto à preparação física, o Clube mudou de preparador físico. Inicialmente vi algumas melhorias, mas nos últimos jogos a preparação física parece menos boa. No entanto, admito que seja por estarmos em final de temporada. Em todo o caso, 4 vitórias e 4 empates sucessivos é obra em final de competição, especialmente tendo em conta que nos últimos cinco jogos ninguém marcou mais pontos do que o Botafogo.
Abraços Gloriosos.
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