por
RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo
O Botafogo assumiu o risco de
perder pontos para a Portuguesa, que vinha de bom resultado contra o Flamengo, logo
na 1ª rodada da competição carioca, atuando integralmente com a equipe júnior e
somente na 2ª parte reforçada com Mateo Ponte, Newton, Barrera e Matheus
Martins.
Ledo engano, porque o modelo de jogo
do sub-20 e o entrosamento entre os atletas estão consolidados sob a batuta de
Rodrigo Bellão, que se estreou nos profissionais do Botafogo com uma vitória
convincente.
Aos 19’ o Botafogo mostrou ao que
ia quando, após cobrança de escanteio do lado esquerdo, Justino endossou a bola
de cabeça para o meio da área e Danillo completou para o fundo das redes.
Todavia, o assistente do árbitro assinalou que a trajetória da bola teria
descrito uma curva e ultrapassara a linha de fundo. Porém, a repetição visual da
jogada em modo lento não indica que o gol devesse ser anulado.
O Botafogo voltou à carga e aos
22’ Marquinhos tentou a sua sorte de fora da área, mas Douglas Borges espalmou
para escanteio. O Botafogo mostrava um desempenho superior à Portuguesa, mas a
afobação – que já ocorrera anteriormente na Copinha – era grande na tentativa
de inaugurar o marcador, o que gerava passes errados e perdas de bola.
Por outro lado, a Portuguesa procurava
marcar em cima e as faltas sucederam-se de parte a parte, não se verificando oportunidades
flagrantes de gol, excepto aos 44’ quando, após um cruzamento, Guilherme
Silveira cabeceou em claríssimo impedimento e o gol da Portuguesa foi anulado.
No segundo tempo o Botafogo
entrou com vontade de vencer e aos 52’ Anderson Rosa cometeu uma imprudência
quando ao despachar a bola da grande área levou junto o pé de Felipe Januário.
Penalidade máxima convertida com categoria pelo jovem Caio Valle, que comemorou
intensamente, tal como Rodrigo Bellão. Botafogo 1x0.
A Portuguesa apertou o Botafogo,
mas a defesa nunca vazada na Copinha afastava todas as bolas com bastante
segurança. Bellão entendeu, então, reforçar o meio-campo e o ataque, fazendo
entrar Barrera e Matheus Martins. Surgiram, assim, alguns contra-ataques
perigosos nos quais apostávamos e que pecavam por muita individualidade, embora
Arthur Izaque tenha conseguido um bom remate de fora da área para a defesa de
Douglas Borges.
Bellão fez entrar Newton e Mateo
Ponte, mas as perdidas continuaram. Por exemplo, aos 67’, Arthur Izaque
deslumbrou-se com vários dribles e em vez de endossar a bola a Matheus Martins
sozinho à entrada da área, tornou a driblar e perdeu a bola. Na jogada seguinte
outro contra-ataque se perdeu pelo mesmo motivo.
E foi nesse tempo de ajuste dos
alvinegros que a Portuguesa cresceu, embora aos 71’ Barrera tivesse rematado de
fora da grande área e obrigasse Douglas Borges a espalmar para escanteio. Porém,
a resposta da Portuguesa foi absolutamente arrasadora: no espaço de apenas um
minuto criou três grandes oportunidades que não foram convertidas.
Efetivamente, na sequência de uma grande pressão a Portuguesa conseguiu rematar
à baliza, em três momentos distintos, surgindo então o goleiro Raul como a
grande figura, espalmando um remate de Luiz Gustavo e depois dois remates sucessivos
de Uelber, salvando espetacularmente a equipe do empate.
O Botafogo entretanto melhorou com
as substituições e passou a explorar a profundidade, mas os contra-ataques
acabaram se perdendo, ao mesmo tempo que, em situação de vencedora, a equipe procurava
gerir melhor a partida e assegurar a vantagem.
Eis senão quando, contra todas as
expectativas, a Portuguesa arrancou um contra-ataque envolvente aos 89’ e a
bola acabou por sobrar para Uelber que, debaixo do travessão e com o goleiro fora
da meta, desperdiçou o empate cabeceando por cima!
E, já agora, segundo o lema (nem sempre
verdadeiro) de que “quem não faz leva”, o Botafogo respondeu dois minutos
depois, aos 90+1’, após um ataque muito bem triangulado de Newton para Kauan
Toledo e deste para Lucas Camilo que ousou rematar com força a uma distância de
25 metros e ampliar o marcador com um golaço que selou a saborosa vitória final
do treinador e de tantos jovens que, ainda que necessitem de bastante polimento
técnico, se estrearam jogando nos profissionais do Glorioso.
Rodrigo Bellão e os atletas estão
fazendo um trabalho magnífico nas bases e calcorreando com bastante segurança os
caminhos do sucesso. Parabéns a todos!
FICHA TÉCNICA
Botafogo
x Portuguesa
» Gols: Caio Valle, aos 52’, e
Lucas Camilo, aos 90+2’
» Competição: Campeonato Carioca
» Data: 15.01.2026
» Local: Estádio Luso-Brasileiro, na Ilha do Governador
(RJ)
» Público: 2.135 pagantes; 2.481 espectadores
» Renda: R$ 66.675,00
» Árbitro: Lucas Coelho Santos (RJ); Assistentes: Rodrigo Figueiredo Henrique Corrêa (RJ)
e Naiara Mendes Tavares (RJ); VAR: Carlos
Eduardo Nunes Braga (RJ)
» Disciplina: cartão amarelo – Kadu, Justino, Bernardo Valim, Kauan Toledo e Barrera
(Botafogo) e Lucas Costa, Guilherme Santos, Henrique Rocha, João Paulo e
Anderson Rocha e Alex Nascif – técnico (Portuguesa)
» Botafogo: Raul; Kadu (Mateo Ponte), Danillo, Justino (Lucas
Camilo) e Gabriel Abdias; Marquinhos (Newton), Bernardo Valim e Caio Valle
(Barrera); Kauan Toledo, Arthur Izaque e Felipe Januário (Matheus Martins).
Técnico: Rodrigo Bellão (interino).
» Portuguesa: Douglas Borges; Sávio (Luiz Gustavo), Carlos Henrique,
Lucas Costa e Guilherme Santos; Henrique Rocha (Chay), João Paulo () e Rhuan
Silveira (Uelber); Guilherme Silveira, Bruno Mota e Léo Muchacho (Anderson Rosa).
Técnico: Alex Nascif.

Sem comentários:
Enviar um comentário