[Título original: Garrincha e o Botafogo: a história do craque
que virou símbolo do futebol-arte]
por GABREL PORTA | Excerto da Gazeta do
Paraná
«Poucos nomes se
confundem tanto com a identidade de um clube quanto Garrincha com o Botafogo.
Dono de um estilo irreverente, dribles imprevisíveis e alegria espontânea, o
ponta-direita construiu no time alvinegro o capítulo mais marcante de sua
carreira e se consolidou como um dos maiores ídolos da história do futebol
nacional.
Entre as décadas de 1950 e 1960, Garrincha
foi o principal rosto da fase mais gloriosa do Botafogo. Em um período repleto
de esquadrões históricos, o clube reuniu jogadores que formariam a base da
Seleção Brasileira bicampeã do mundo. Nenhum, porém, simbolizou tanto esse
momento quanto o camisa 7.
Sua importância vai além de estatísticas.
Garrincha redefiniu o papel do ponta-direita, desequilibrando partidas
praticamente sozinho e transformando jogos comuns em verdadeiros espetáculos.
Com ele em campo, o Botafogo enfrentou de igual para igual, e frequentemente
superou grandes forças do futebol brasileiro, como o Santos de Pelé e os
principais clubes do eixo Rio-São Paulo.
Mesmo após o encerramento da carreira, a
imagem de Garrincha segue intimamente ligada ao clube. Ele não foi apenas um
grande jogador do Botafogo. Foi o atleta que projetou o Alvinegro como
referência mundial do futebol.
[…]
Garrincha atuava como ponta-direita clássico,
mas com características únicas. Dribles curtos, aceleração explosiva,
cruzamento precisos e uma capacidade rara de decidir partidas sozinho marcaram
o seu estilo. Suas penas tortas, longe de serem limitação, tornaram-se vantagem
técnica.
No Botafogo, formou com Didi uma das duplas
mais emblemáticas da história do futebol, liderando um time que encantou
torcedores no Brasil e no exterior. Foi também peça fundamental da Seleção
Brasileira campeã mundial em 1958 e 1962, sendo protagonista absoluto no título
do Chile.
Ainda assim, foi no Botafogo que sua
genialidade encontrou palco ideal. Garrincha permanece como símbolo máximo do
futebol-arte. No Alvinegro, não foi apenas um craque. Foi a personificação da
alegria, da irreverência e da capacidade de transformar o futebol em espetáculo
eterno.»

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