quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Botafogo 2x0 Nacional Potosí – classificação à tangente

Crédito: Vitor Silva | Botafogo.

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

Estamos na 3ª fase da Copa Libertadores e esse objetivo principal foi alcançado, mas tanto os 90 minutos em casa como os 180 minutos no conjunto da eliminatória deixam-nos com bastante mais incertezas do que certezas.

Em um primeiro momento – que nos surpreendeu positivamente – o Botafogo evidenciou uma postura atacante e dominante invejável. Sabendo-se que provavelmente o Nacional jogaria com uma marcação alta, a nossa equipe aproveitou a situação para lançamentos longos nas costas dos adversários, apostando no contra-ataque e na velocidade.

Foi assim que ainda antes do minuto 1, em contra-ataque veloz, Vitinho acertou o poste esquerdo da baliza de Galindo; aos 4’ houve novo lançamento em profundidade pela ala esquerda, Alex Telles ganhou em corrida ao adversário, tocou ligeiramente para a frente com a cabeça e à saída do goleiro assinou um gol espetacular, picando a bola e encobrindo o guardião boliviano. Botafogo 1x0.

Ainda insatisfeitos com o placar empatado, aos 9’ houve nova jogada perigosa que acabou em boa defesa do goleiro, mas um minuto após, os 10’, Alexander Barboza emendou de cabeça uma cobrança de escanteio pelo lado esquerdo e carimbou o travessão!

Os ataques continuaram e aos 15’ ocorreu uma nova jogada perigosa, em que Galindo defendeu; finalmente, aos 19’, Vitinho rematou de meia distância e a bola embateu no poste direito da baliza do Nacional – isto é, em 19 minutos o Botafogo fez um gol e carimbou toda a baliza adversária com três remates que beijaram o travessão e os dois postes à guarda de Galindo.

Entretanto, uma paragem para substituir o equipamento de rádio do árbitro esfriou um pouco mais o domínio botafoguense e o treinador do Nacional também aproveitou para povoar melhor o meio-campo e travar as jogadas em profundidade do Botafogo.

Ainda assim, aos 28’, Matheus Martins, tal como lhe é habitual, cara a cara com o goleiro em mais um contra-ataque rápido do Botafogo, chutou à figura de Galindo; aos 30’, em novo contra-ataque rápido, os nossos atletas remataram três vezes sucessivas na mesma jogada, mas a bola foi defendida pelo goleiro, depois bloqueada pela zaga e finalmente rematada para fora.

Entretanto, Léo Linck abusava de jogar próximo do círculo do meio-campo trocando a bola com os zagueiros, certamente com a crença, e provavelmente também de Anselmi, que é o Manuel Neuer II, e que estávamos a jogar uma partida de futsal em situação desesperada de derrotados nos minutos finais, arriscando que uma perdida de bola a meio-campo e um bom remate longo para a nossa baliza surpreendesse Léo Linck, mas felizmente não houve bolas dessas perdidas, esperando nós que o goleiro seja corrigido para não termos dissabores futuro com esse comportamento excessivo.

Por outro lado, em duas situações os jogadores do Nacional poderiam ter sido expulsos, e certamente num dos casos não havia dúvida: Orellana levantou excessivamente o pé e atingiu a cabeça de Vitinho, constituindo clara situação de expulsão.

Após o tempo regulamentar esgotado, aos 45+4’ houve um desvio in-extremis da zaga boliviana para escanteio, e quando todos já esperavam o apito do árbitro, numa falta a nosso favor cobrada por Álvaro Montoro aos 45+5’, Barboza cabeceou para o meio da área, a zaga não conseguiu afastar capazmente a bola e Danilo aproveitou a confusão rematando para o fundo das redes. Botafogo 2x0.

A vantagem no placar era um bom começo para a 2ª parte do jogo, tanto mais quanto na 1ª parte tivemos 77% de posse de bola, dois gols, três bolas a travessão e as postes, nenhum ataque perigoso do Nacional e nenhum remate à nossa baliza. Creio que todos nós, comissão técnica, atletas, espectadores ao vivo e espectadores de televisão, foram para o intervalo crentes de que a 2ª parte seria um novo passeio para alcançar um placar tranquilo de 3x0 ou 4x0.

Ledo engano!

Alex Telles ainda tentou, logo aos 46’, dar o mesmo tom ao jogo com um remate perigoso por cima do travessão, mas ficamos por isso mesmo até aos 60’, quando Galindo defendeu bem uma cabeçada, isto é, 14 minutos sem nenhuma relevância, com o nervosismo crescendo nas nossas hostes face ao placar apertado, o Nacional bem melhor organizado do que em Potosí e ainda procurando brechas na nossa defesa na esperança do empate, e aos 66’, em remate de Villalba de meia-distância, com Léo Linck totalmente batido, o Nacional esteve à beira de empatar a eliminatória com a bola embatendo no travessão. Ufa!...

Aos 72’, em corrida, Artur foi claramente desequilibrado pelo zagueiro dentro da área, mas o árbitro e o VAR tornaram a ignorar um caso que merecia óbvia revisão. E dos 80’ em diante foi um sobressalto para todo nós, com o Botafogo irreconhecível, nervoso e sem gás mesmo após as substituições – porque não tínhamos no banco reservas para os titulares da partida, e nem sequer temos atacantes capazes, sendo caricata a substituição de Matheus Martins por Arthur Cabral ou vice-versa, porque ambos são quase-nulidade. E tudo leva a crer que vamos continuar não priorizando um atacante que faça o que os nossos atacantes não sabem fazer – gols!

Em suma, aliviados – novamente aliviados… – com a classificação à tangente e com algum dramatismo à mistura, mas temerosos do que vem a seguir na 3ª fase da Copa Libertadores, esperançados que o Barcelona de Guayaquil esteja ao nosso alcance e que os reforços melhorem significativamente a equipe daí em diante.

FICHA TÉCNICA

Botafogo 2x0 Nacional Potosí

» Gols: Alex Telles, aos 4’, e Danilo, aos 45+5’

» Competição: Copa Libertadores | 2ª Fase

» Data: 25.02.2026

» Local: Estádio Olímpico Nilton Santos, no Rio de Janeiro (RJ)

» Público: 26.331 pagantes; 28.318 espectadores

» Renda: R$ 800.618,00

» Árbitro: Piero Maza (Chile); Assistentes: José Retamal (Chile) e Miguel Rocha (Chile); Var: Juan Lara (Chile)

» Disciplina: cartão amarelo – Mateo Ponte e Alex Telles (Botafogo) e Orellana, Pavia, Solis e Maxi Núñez (Nacional Potosí)

» Botafogo: Léo Linck; Mateo Ponte (Justino), Bastos e Alexander Barboza; Vitinho, Newton, Danilo e Alex Telles; Jordan Barrera (Artur), Matheus Martins (Arthur Cabral) e Álvaro Montoro (Correa). Técnico: Martín Anselmi.

» Nacional Potosí: Galindo; Baldomar (Peña), Restrepo, Demiquel e Hoyos; Orellana (Torrico), Otormin (Pavia), Azogue e Solis; William Álvarez (Villalba) e Hugo Rojas (Maxi Núñez). Técnico: Leonardo Égüez.

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