por RUY MOURA |
Editor do Mundo Botafogo
Estamos na 3ª fase da Copa Libertadores e esse objetivo
principal foi alcançado, mas tanto os 90 minutos em casa como os 180 minutos no
conjunto da eliminatória deixam-nos com bastante mais incertezas do que
certezas.
Em um primeiro momento – que nos surpreendeu
positivamente – o Botafogo evidenciou uma postura atacante e dominante
invejável. Sabendo-se que provavelmente o Nacional jogaria com uma marcação
alta, a nossa equipe aproveitou a situação para lançamentos longos nas costas
dos adversários, apostando no contra-ataque e na velocidade.
Foi assim que ainda antes do minuto 1, em contra-ataque
veloz, Vitinho acertou o poste esquerdo da baliza de Galindo; aos 4’ houve novo
lançamento em profundidade pela ala esquerda, Alex Telles ganhou em corrida ao
adversário, tocou ligeiramente para a frente com a cabeça e à saída do goleiro
assinou um gol espetacular, picando a bola e encobrindo o guardião boliviano.
Botafogo 1x0.
Ainda insatisfeitos com o placar empatado, aos 9’ houve
nova jogada perigosa que acabou em boa defesa do goleiro, mas um minuto após,
os 10’, Alexander Barboza emendou de cabeça uma cobrança de escanteio pelo lado
esquerdo e carimbou o travessão!
Os ataques continuaram e aos 15’ ocorreu uma nova jogada
perigosa, em que Galindo defendeu; finalmente, aos 19’, Vitinho rematou de meia
distância e a bola embateu no poste direito da baliza do Nacional – isto é, em
19 minutos o Botafogo fez um gol e carimbou toda a baliza adversária com três
remates que beijaram o travessão e os dois postes à guarda de Galindo.
Entretanto, uma paragem para substituir o equipamento de
rádio do árbitro esfriou um pouco mais o domínio botafoguense e o treinador do
Nacional também aproveitou para povoar melhor o meio-campo e travar as jogadas
em profundidade do Botafogo.
Ainda assim, aos 28’, Matheus Martins, tal como lhe é
habitual, cara a cara com o goleiro em mais um contra-ataque rápido do Botafogo,
chutou à figura de Galindo; aos 30’, em novo contra-ataque rápido, os nossos
atletas remataram três vezes sucessivas na mesma jogada, mas a bola foi
defendida pelo goleiro, depois bloqueada pela zaga e finalmente rematada para
fora.
Entretanto, Léo Linck abusava de jogar próximo do círculo
do meio-campo trocando a bola com os zagueiros, certamente com a crença, e
provavelmente também de Anselmi, que é o Manuel Neuer II, e que estávamos a
jogar uma partida de futsal em situação desesperada de derrotados nos minutos
finais, arriscando que uma perdida de bola a meio-campo e um bom remate longo
para a nossa baliza surpreendesse Léo Linck, mas felizmente não houve bolas
dessas perdidas, esperando nós que o goleiro seja corrigido para não termos
dissabores futuro com esse comportamento excessivo.
Por outro lado, em duas situações os jogadores do
Nacional poderiam ter sido expulsos, e certamente num dos casos não havia
dúvida: Orellana levantou excessivamente o pé e atingiu a cabeça de Vitinho,
constituindo clara situação de expulsão.
Após o tempo regulamentar esgotado, aos 45+4’ houve um
desvio in-extremis da zaga boliviana
para escanteio, e quando todos já esperavam o apito do árbitro, numa falta a
nosso favor cobrada por Álvaro Montoro aos 45+5’, Barboza cabeceou para o meio
da área, a zaga não conseguiu afastar capazmente a bola e Danilo aproveitou a
confusão rematando para o fundo das redes. Botafogo 2x0.
A vantagem no placar era um bom começo para a 2ª parte do
jogo, tanto mais quanto na 1ª parte tivemos 77% de posse de bola, dois gols,
três bolas a travessão e as postes, nenhum ataque perigoso do Nacional e nenhum
remate à nossa baliza. Creio que todos nós, comissão técnica, atletas,
espectadores ao vivo e espectadores de televisão, foram para o intervalo
crentes de que a 2ª parte seria um novo passeio para alcançar um placar
tranquilo de 3x0 ou 4x0.
Ledo engano!
Alex Telles ainda tentou, logo aos 46’, dar o mesmo tom
ao jogo com um remate perigoso por cima do travessão, mas ficamos por isso
mesmo até aos 60’, quando Galindo defendeu bem uma cabeçada, isto é, 14 minutos
sem nenhuma relevância, com o nervosismo crescendo nas nossas hostes face ao
placar apertado, o Nacional bem melhor organizado do que em Potosí e ainda
procurando brechas na nossa defesa na esperança do empate, e aos 66’, em remate
de Villalba de meia-distância, com Léo Linck totalmente batido, o Nacional
esteve à beira de empatar a eliminatória com a bola embatendo no travessão.
Ufa!...
Aos 72’, em corrida, Artur foi claramente desequilibrado
pelo zagueiro dentro da área, mas o árbitro e o VAR tornaram a ignorar um caso
que merecia óbvia revisão. E dos 80’ em diante foi um sobressalto para todo
nós, com o Botafogo irreconhecível, nervoso e sem gás mesmo após as
substituições – porque não tínhamos no banco reservas para os titulares da
partida, e nem sequer temos atacantes capazes, sendo caricata a substituição de
Matheus Martins por Arthur Cabral ou vice-versa, porque ambos são
quase-nulidade. E tudo leva a crer que vamos continuar não priorizando um
atacante que faça o que os nossos atacantes não sabem fazer – gols!
Em suma, aliviados – novamente aliviados… – com a
classificação à tangente e com algum dramatismo à mistura, mas temerosos do que
vem a seguir na 3ª fase da Copa Libertadores, esperançados que o Barcelona de
Guayaquil esteja ao nosso alcance e que os reforços melhorem significativamente
a equipe daí em diante.
FICHA TÉCNICA
Botafogo 2x0 Nacional Potosí
» Gols: Alex Telles, aos 4’, e Danilo, aos 45+5’
» Competição: Copa Libertadores | 2ª Fase
» Data: 25.02.2026
» Local: Estádio Olímpico Nilton Santos, no
Rio de Janeiro (RJ)
» Público: 26.331 pagantes; 28.318 espectadores
» Renda: R$ 800.618,00
» Árbitro: Piero Maza (Chile);
Assistentes: José Retamal (Chile) e Miguel
Rocha (Chile); Var: Juan Lara (Chile)
» Disciplina: cartão amarelo – Mateo Ponte e Alex Telles (Botafogo) e Orellana,
Pavia, Solis e Maxi Núñez (Nacional Potosí)
» Botafogo: Léo Linck; Mateo Ponte (Justino), Bastos e Alexander Barboza; Vitinho,
Newton, Danilo e Alex Telles; Jordan Barrera (Artur), Matheus Martins (Arthur
Cabral) e Álvaro Montoro (Correa). Técnico: Martín Anselmi.
» Nacional Potosí: Galindo; Baldomar (Peña), Restrepo, Demiquel e Hoyos;
Orellana (Torrico), Otormin (Pavia), Azogue e Solis; William Álvarez (Villalba)
e Hugo Rojas (Maxi Núñez). Técnico: Leonardo Égüez.

Sem comentários:
Enviar um comentário