por RUY MOURA |
Editor do Mundo Botafogo
O Botafogo venceu com uma tranquilidade que
não se via há muito tempo. É certo que a Chapecoense é a penúltima classificada
do Brasileirão, mas… quanta vezes já perdemos para clubes que habitam o Z4?
Fiz diversas críticas a Franclim Carvalho nos
seus dois primeiros jogos, e ainda chamadas de atenção no último. Não obstante
ainda ser cedo para avaliar as suas capacidades, é justo reconhecer que, observando-se
com atenção, a equipe melhorou de jogo para jogo em matéria de escalação, de substituições,
de entrosamento e até mesmo de afinação nos remates.
Do ponto de vista tático Franclim manteve o
4-3-3, mas a ligação entre os setores melhorou consideravelmente e a ‘maldita’
ideia da posse de bola a qualquer preço desapareceu, optando-se – com seria
fácil de observar pelas capacidades do plantel – no contra-ataque e no passe
longo, o qual ainda é preciso melhorar bastante.
Talvez a aposta em Neto – contra as minhas
expectativas – faça sentido, porque havendo três arqueiros ruins, o treinador
de goleiros terá pensado que mais vale aquele que tem mais experiência; na defesa
Franclim percebeu que Bastos não recuperou as suas capacidades anteriores e que
Ferraresi é um zagueiro polivalente e que busca a sua redenção na carreira; no
meio campo e no ataque a equipe foi claramente encorpada, porque no futebol da atualidade,
e sem ‘craques’ no elenco que saibam realmente driblar (o que mais se aproxima
disso é Danilo), o corpo a corpo é decisivo – e Edenilson, Matheus Martins,
Arthur Cabral e Júnior Santos, por exemplo, são suficientemente fortes para o
efeito.
Por outro lado, nota-se claramente uma subida
de forma de Edenilson, Matheus Martins e Arthur Cabral, esperando-se que Júnior
antes ainda possa melhorar para o seu nível antigo.
Percebe-se que estes atletas têm sido treinados
posicionalmente – com melhorias significativas de Matheus Martins e Arthur
Cabral – e também a rematar de meia distância, assim como se começa a perceber
a existência de jogadas ensaiadas.
É claro que é preciso melhorar muito em todos
os aspectos, entre os quais a qualidade do último passe e o tempo exato das deslocações
para o sucesso do remate final, mas o caminho parece estar se abrindo, porque
Franclim Carvalho vai evidenciando capacidade de discernimento na compreensão
daquilo que a equipe pode e não pode fazer.
Quanto ao jogo propriamente dito, a Chapecoense
apostou num gol muito cedo para depois jogar em contra-ataque, mas a sua blitz durou pouco tempo, tendo Neto
respondido bem a remates dos adversários. O Botafogo manteve-se tranquilo, sem
pressas desnecessárias, e na primeira oportunidade marcou: Alex Telles cobrou
escanteio rasteiro aos 10’ e Edenilson, na marca do pênalti, em posição
ensaiada (como Artur Jorge já fizera em 2024), rematou com categoria para abrir
o placar. Botafogo 1x0.
A bola foi rolando e, aos 14’, Telles tocou
para Matheus Martins na ala esquerda, trabalhou bem a bola, tocou para Danilo e
desmarcou-se para a grande área, recebeu a devolução de Danilo e rematou
cruzado fazendo a bola entrar no buraco da agulha entre o poste e o goleiro, por
onde menos se esperava. Botafogo 2x0.
A Chapecoense sentiu-se cilindrada e procurou
reagir, mas esbarrava na serenidade do Glorioso a proteger a bola, e aos 20’, Alex
Telles cruzou para a área, a bola sobrou para Vitinho à direita e na linha de
fundo o lateral-direito cruzou à medida da cabeça de Edenilson, que tornou a
marcar. Botafogo 3x0.
Eficácia total sem precisar da inútil posse
de bola sem objetividade: 3 remates, 3 gols e posse de bola em torno dos 50%...
Aos 24’ Júnior Santos poderia ter ampliado,
mas foi mal, rematando frouxo e à figura do guardião adversário.
E desde aí o jogo acalmou, embora se tivesse mantido
movimentado, até que a defesa do Botafogo se acalmou demais, afrouxou a
marcação e Marcinho – o melhor jogador da Chapecoense no jogo – assinou um belo
remate fora da grande área e Neto não pôde fazer mais do que ir buscar a bola
ao fundo das redes. Botafogo 3x1.
Na segunda parte o jogo começou mais lento, o
Botafogo resolveu pressionar a partir dos 60’ até aos 65’, em busca do gol de
segurança, mas fê-lo com menos poder de fogo e o jogo acabou por se tornar meio
pastoso a partir daí.
A Chapecoense já não tinha força para mais e
aos 80’ Joaquín Correa, que substituíra Júnior Santos, endossou a bola a
Matheus Martins na ala esquerda, que ajeitou a bola e rematou num bonito gol em
arco para o esférico estufar as redes ao segundo poste.
Deve-se mencionar que a subida de forma de
Arthur Cabral e Matheus Martins é surpreendente e indicia trabalho específico
de treino, assim como Edenilson, na minha opinião o homem do jogo, tende a
superar o que considerei ser uma incógnita aquando da sua contratação devido aos
seus últimos desempenhos antes de ingressar no Glorioso.
A biografia de Edenilson está disponível em https://mundobotafogo.blogspot.com/2026/02/mercado-de-contratacoes-edenilson.html
Com esta vitória o Botafogo anulou o
desequilíbrio de resultado no Brasileirão, registrando agora 5 vitórias, 1
empate e 5 derrotas, 22 gols a favor e outros 22 contra, com a particularidade
de, neste momento da rodada, ser a equipe com mais gols marcados e mais gols
sofridos.
Subimos ao 7º lugar, à condição, dependendo
dos demais resultados que concluirão a 12ª jornada, mas com um jogo ainda em atraso.
Uma nota para a arbitragem: os torcedores não
sentiram a arbitragem, exatamente como deveria ocorrer em todos os jogos, a
qual não necessitou de distribuir amarelos abundantes como fazem os árbitros
exibicionistas, prescindindo de qualquer cartão mostrado. Um exemplo!
Finalmente realçar que em um momento muito
tenso fora de campo, os jogadores pareceram blindados à flapress e à restante
mídia inóspita. O caminho faz-se caminhando, em segurança, com celeridade, mas
sem pressa…
FICHA TÉCNICA
Botafogo 4x1 Chapecoense
» Gols: Edenilson, aos 10’ e 20’, Matheus
Martins, aos 14’ e 80’ (Botafogo); Marcinho, ao 45+2’ (Chapecoense)
» Competição: Campeonato Brasileiro
» Data: 18.04.2026
» Local: Arena Condá, em Chapecó (SC)
» Público: 10.184 espectadores
» Renda: R$ 447.500,00
» Árbitro: Matheus Delgado Candançan (SP);
Assistentes: Daniel Luís Marques (P) e Miguel Cataneo Ribeiro da Costa (SP);
VAR: Daniel Nobre Bins (RS)
» Disciplina: sem advertências
» Botafogo: Neto; Vitinho, Ferraresi,
Alexander Barboza e Alex Telles; Edenilson (Barrera), Cristian Medina (Allan) e
Danilo; Júnior Santos (Joaquín Correa), Arthur Cabral (Kadir) e Matheus Martins.
Técnico: Franclim Carvalho.
» Chapecoense: Rafael Santos; Everton (Marcos
Vinícius), Bruno Leonardo, Eduardo Doma e Buno Pacheco; David (Vinícius
Balieiro), João Vitor (Jean Carlos) e Higor Mentão; Marcinho, Ítalo (Kevin
Ramírez) e Bolasie (Garcez). Técnico: Fábio Matias.

Sem comentários:
Enviar um comentário