por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo
O Mirassol entrou bem no jogo, não deixando o Botafogo
sair com bola e arriscando rematar à baliza’, obrigando Raul a uma boa defesa
aos 7’, enquanto a nossa equipe se apresentou, uma vez mais, com os setores
afastados entre si e pouco articulados.
Porém, futebol é sempre uma caixinha de surpresas e,
quando menos se esperava, Alex Telles decidiu-se por um lançamento longo para a
entrada da área do Mirassol, Edenílson escorou a bola inteligentemente de
cabeça para trás e Arthur Cabral – quem diria! – acertou um forte remate em
arco no ângulo da baliza de Walter e inaugurou o marcador aos 10’. Botafogo
1x0.
No entanto, o Mirassol não desarmou e retomou os seus
ataques bem organizados. O Botafogo, tendo-se saído bem no 1º gol, foi tentando
os lançamentos longos, mas sem efeito porque o Mirassol tapava bem a progressão
dos alvinegro.
Um turista que entrasse no Niltão diria que o Mirassol
era a equipe da casa, com posse de bola consistente e ataques continuados. Por
seu lado, quando tinha a bola o Glorioso não sabia o que fazer dela. Na
verdade, a equipe não tem um modelo de jogo, não possui automatismos, é um aglomerado
de atletas sem rei nem roque – resultado de Anselmi ter desmontado a equipe com
o seu sistema (?) caótico e Bellão ainda não ter conseguiu anular essa descaracterização.
Aos 20’ aconteceu o que eu já prenunciava noutras
ocasiões: Raul colocava-se a jeito de tomar um gol por cobertura e foi o que o
Mirassol fez com um remate de longe para empatar a partida. Na repetição da
jogada percebe-se Raul distraído, mal colocado e lento quando parte para a
bola. Mas os dirigentes da estrutura do Botafogo (Textor? Departamento de
Futebol? Ambos?) não contrataram um goleiro nem um atacante de área –
justamente aqueles que, no limite, evitam gols adversários e marcam gols a
nosso favor.
Enquanto o Mirassol saía bem com a bola, sem que os nossos
atacantes pressionassem o adversário, e continuou procurando o ataque, em
várias ocasiões o Botafogo tinha menos defensores do que adversários pela
frente e quando atacava tinha menos jogadores do que os defensores do Mirassol
– evidenciando a inexistência de uma estratégia e de uma identidade coletiva
Todavia, a caixinha de surpresas tornou a funcionar: numa
rara jogada de progressão com bola no pé, Santi Rodriguez lançou Cristian
Medina dentro da grande área e o goleiro Walter derrubou-o. O árbitro nada
assinalou e foi o VAR que o chamou para assinalar a grande penalidade. E aos
42’, como sempre, Alex Telles converteu: Botafogo 2x1.
Pergunto novamente como antes: onde é que este rapaz
aprendeu a marcar penalidade com tanta precisão?...
Na 2ª parte o jogo permaneceu na mesma toada, embora o
Mirassol tivesse muitas dificuldades de alcançar a eficácia desejada: o gol de
empate. Então, vendo o tempo passar e a derrota permanecer, o Mirassol teve que
se arriscar mais no ataque e os espaços para o Botafogo atacar aumentaram.
Exemplo disso foi a corrida de Júnior Santos atrás da
bola aos 64’, ganhando em robustez e velocidade ao defensor e chegando cara a
cara com Walter, mas hesitou no remate e o goleiro fez boa defesa. Porém, na
jogada seguinte, aos 65’, num veloz contra-ataque de Edenílson pela ala
esquerda até à linha de fundo, o meia cruzou, Barrera rematou, Walter defendeu
no susto, mas a bola sobrou para Júnior Santos, que ao estilo de centro-avante tirou
um defensor da jogada e rematou inapelavelmente para o fundo das redes:
Botafogo 3x1.
Aos 72’, com o Mirassol porfiando no ataque, mas não
criando verdadeiras oportunidades de gol, o Botafogo arrancou novo
contra-ataque veloz, fez tudo bem, mas Vitinho rematou ao travessão. Aos 75’,
em jogada de Montoro, o gol esteve novamente à vista, mas a zaga rechaçou.
Como não ‘matámos’ a partida, o Mirassol tanto porfiou
que aos 90+2’, na cobrança de escanteio, Igor Formiga antecipou-se à zaga e
diminuiu o placar para 3x2. Então, como não podia deixar de ser quando falamos
de Botafogo, os últimos minutos foram de verdadeiro sufoco e o placar de 3x3 –
reeditando 2025 – esteve à beira de acontecer, não fosse Justino salvar com o
peito o remate do Mirassol.
E assim foi um jogo em que a sorte nos bafejou com três
pontos e parece que finalmente, superando a falta de atacantes de área, Júnior
Santos regressou aos seus melhores dias para rasgar as defesas contrárias.
FICHA TÉCNICA
Botafogo 3x2 Mirassol
» Gols: Arthur Cabral, aos 10’, Alex Telles, aos 42’
(pen.), e Júnior Santos, aos 65’ (Botafogo); Shaylon, aos 20’, e Igor Formiga,
aos 90+2’ (Mirassol)
» Competição: Campeonato Brasileiro
» Data: 01.04.2026
» Local: Estádio Olímpico Nilton Santos, no Rio de
Janeiro (RJ)
» Público: 5.472 pagantes; 6.781 espectadores
» Renda: R$ 178.360,00
» Árbitro: Wilton Pereira Sampaio (GO); Assistentes:
Bruno Raphael Pires (GO) e Leone Carvalho Rocha (GO); VAR: Gilberto Rodrigues
Castro Júnior (PE)
» Disciplina: Cristian Medina, Vitinho e Bastos
(Botafogo) e André Luís, Negueba e Tiquinho Soares (Mirassol)
» Botafogo: Raul; Vitinho, Bastos, Justino e Alex Telles
(Caio Roque); Allan, Edenílson (Ferraresi) e Cristian Medina (Álvaro Montoro);
Santi Rodríguez (Jordan Barrera), Arthur Cabral (Matheus Martins) e Júnior
Santos. Técnico: Rodrigo Bellão.
» Mirassol: Walter; Igor Formiga, João Victor, Willian
Machado e Victor Luís; Neto Moura (Denílson), Aldo Filho (André Luís) e Shaylon
(Gabriel Pires); Alesson, Negueba (Galeano) e Tiquinho Soares (Edson). Técnico:
Rafael Guanaes.

2 comentários:
O estrago tático promovido pelo Martins Anselmi será muito difícil de sanar em pouco tempo, mas vamos torcer que o novo treinador consiga melhorar o time taticamente.
Um primeiro tempo com um resultado mentiroso e um segundo tempo um pouco melhor do Botafogo que pelo menos marcou melhor e teve algumas boas transições, mas repetindo o que vem ocorrendo há anos, o time perde muitos gols.
Realmente o goleiro é um problema muito sério, mas como a administração do Botafogo tem sido caótica há quase 2 anos, nem um goleiro e nem um centro avante melhores parece ter sido preocupação da direção.
Nos resta torcer para que o novo treinador, que parece ser o Franklin Carvalho, eis auxiliar do Artur Jorge consiga dar um jeito na equipe, que tem bons jogadores, mas parece que estão meio perdidos e sem confiança. E muito importante será a volta do Danilo. Infelizmente os dois últimos anos têm sido muito ruim aturar tantos problemas no Botafogo. Torcer para o Botafogo não é para os fracos. Abs e SB!
Textor, em matéria de técnico teve dois equívocos gigantescos: anuir ao desejo do departamento de futebol em tornar Lúcio Flávio comandante titular da equipe em 2023 e contratar Martín Anselmi sabendo-se que trazia consigo um histórico bem complicado como treinador.
Nós temos alguns bons valores na equipe como, por exemplo, Alex Telles, Vitinho, Kaio Fernando, Danilo, Santi Rodríguez, Montoro, Barrera, Edenílson, Villalba, Medina, etc. e alguns jovens promissores vindos da base. Talvez até outros pudessem regressar ao seu melhor futebol se o técnico os soubesse posicionar e orientar caso a caso. A questão que me parece crucial não é esse naipe de melhores jogadores, mas o naipe dos piores, como Neto, Léo Linck, Raul, Matheus Martins, Arthur Cabral, Nathan, etc., ou seja, sobretudo goleiros, atacantes e alguns defensores reservas, que pela sua fraca qualidade desequilibram a equipe. Sobretudo sinto que a equipe foi desequilibrada por Textor com vendas indiscriminadas de jogadores e Anselmi fez o resto, isto é, desorganizou e tornou paupérrimo o futebol de diversos jogadores, obrigando-os a jogar como não sabem fazer.
O que me espantava era alguns jogadores darem respaldo à continuidade de Anselmi, mas depois de eu saber o que se passava no vestiário, com privilégio de uns em detrimento de outros, entendi que os seus protegidos o quisessem respaldar.
Abraços Gloriosos.
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