por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo
O Botafogo apresentou mais uma vez uma escalação equivocada,
que parece apostar mais nos atletas individualistas, contra uma equipe
sabidamente perigosa no contra-ataque, especialmente em jogos fora de casa, que
valeu ao Botafogo um 1º tempo amplamente convidativo aos contra-ataques velozes
do Coritiba.
O Botafogo atacava através de passes sem foco na criação
de oportunidades, os atletas perdiam-se nas jogadas por dentro, sem estofo para
ganharem no corpo a corpo, e não mantinham a proximidade de linhas, permitindo
ao Coritiba retomar a bola mediante marcação forte e avançar contra uma defesa
muito vulnerável que dava aso a jogadas perigosíssimas dos homens do sul.
Desse modo o Coritiba conseguia imprimir muito movimento às
jogadas, favorecendo-se pela sua maior velocidade e surpreendendo a nossa defesa
excessivamente aberta.
Com a equipe do Coritiba muito bem montada e muito
ligada, aproveitava-se da exposição da linha defensiva botafoguense e conseguiu
ser perigosíssima aos 7’, 16’, 23’, 27’ e finalmente aos 34’ inaugurando o
marcador, após perda de bola de Danilo e ante a fragilidade de Raul em deter remates rasteiros.
O Botafogo tentou reagir, mas a desarticulação das suas
linhas não dava consistência ao ataque e foi ainda o Coritiba que poderia ter
ampliado o placarem duas ocasiões.
O 1º tempo terminou sem que o Botafogo ameaçasse
verdadeiramente a baliza adversária, tendo efetuado um único remate perigoso
por Barrera.
Ao intervalo Franclim Carvalho substituiu jogadores – tal
como fizera no jogo anterior –, fazendo entrar Edenílson e Villalba nos lugares
de Montoro e Santi Rodríguez e a equipe melhorou, atacando muito mais pelas
pontas.
Ainda antes do primeiro minuto Edenílson poderia ter
marcado, mas aos 54’, após assistência de Vitinho na ala direita, Danilo recebeu
dentro da área, girou entre dois defensores e empatou a partida.
Jogando com menos toques laterais e mais objetividade, aos
56’ Barrera perdeu uma grande oportunidade rematando pelo alto. A equipe foi
reforçada aos 65’ com a saída de Barrera – que produz assustadoramente pouco –
e a entrada de Matheus Martins.
Aos 70’, novamente pela ala esquerda, Matheus Martins
lançou Caio Roque, este cruzou da linha de fundo e Arthur Cabral, dentro da
pequena área, girou e rematou… para fora!
Finalmente, aos 76’, após grande pressão, Caio Roque, pela
esquerda, cruzou para a área, a bola passou por todo mundo e Arthur Cabral fez
a virada com um pequeno toque: Botafogo 2x1.
Quando a vitória parecia estar encaminhada, eis que
Villalba, improvisado como lateral, não dominou a bola e ainda tocou, em jeito
de passe, para Lavega, que empatou o jogo aos 79’ contra todas as expectativas.
E desde os 80’ foi a pressão do Botafogo no ataque contra
a boa postura defensiva do Coritiba, que concretamente não resultou em nenhum remate de gol.
FICHA TÉCNICA
Botafogo 2x2 Coritiba
» Gols: Danilo, aos 54’, e Arthur
Cabral, aos 76’ (Botafogo); Breno Lopes, 33’, e Lavega, aos 79’ (Coritiba)
» Competição: Campeonato Brasileiro
» Data: 12.04.2026
» Local: Estádio Olímpico Nilton Santos, no Rio de
Janeiro (RJ)
» Público: 12.149 pagantes; 14.695 espectadores
» Renda: R$ 389.600,00
» Árbitro: Davi de Oliveira Lacerda (ES); Assistentes: Douglas Pagung (ES) e Pedro Amorim de Freitas (ES); VAR: Diego Pombo Lopez (BA)
» Disciplina: cartão amarelo – Vitinho e Alexander Barboza (Botafogo);
Wallisson, Pedro Rangel, Thiago Santos e Jacy (Coritiba)
» Botafogo: Raul; Vitinho (Chris Ramos), Bastos,
Alexander Barboza e Jhoan Hernández (Caio Roque); Cristian Medina, Danilo e
Álvaro Montoro (Edenílson); Santi Rodríguez (Lucas Villalba), Arthur Cabral e Jordan
Barrera (Matheus Martins). Técnico: Franclim Carvalho.
» Coritiba: Pedro Rangel; Tinga, Maicon (Tiago Cóser),
Jacy e Bruno Melo (Felipe Jonatan); Sebastián Gómez (Thiago Santos), Vini
Paulista (Wallisson) e Josué; Lucas Ronier, Breno Lopes (Lavega) e Pedro Rocha
(Renato Marques). Técnico: Fernando Seabra.

2 comentários:
Quando tocava em orquestra, sempre comentávamos que "maestro bom é aquele que não atrapalha". No futebol eu diria a mesma coisa, apenas substituindo maestro por treinador. Inacreditável a escalação inicial no jogo ontem, insistir em Montoro, Santi, Barrera, Bastos, todos claramente em fase muito abaixo do que apresentaram ano passado foi um desatino do Franclin. Sobre Montoro, Santi Rodrigues, Barrera e até o Vitinho, depois do Anselmi parece que desaprenderam a jogar futebol. No ano passado estavam apresentando um futebol que nós enchia de esperança. O que uma gestão ruim de um treinador pode fazer com os atletas. Me recordo que em 1989, a equipe campeã carioca invicta era praticamente a mesma do ano anterior, mas em 1988 o time era muito mal orientado.
Treinador bom é aquele que não atrapalha. Além da escalação inicial e a falta de uma estratégia, continuo tentando entender a substituição do Vitinho pelo Cris Ramos, e pior, colocar o Villalba como ala. Tudo bem que o Villalba errou, mas foi uma substituição temerária e tenebrosa. Os dois gols do Coritiba nasceram de erros do Botafogo, mas o problema de finalização os do time do Botafogo continua sendo um problema, chances claras do Edenilson, que jogou bem, Cabral e Barrera.
O que esperar daqui pra frente? Que o treinador faça o simples, não invente e escale aqueles que estão em melhor condição, siga o exemplo do Bellão. O melhor jogador do time, o Danilo, não pode jogar de primeiro volante, e mesmo não sendo um primor, o Mateus Martins consegue ser útil ao time. A vida do torcedor botafoguense não é fácil, quando parecia que finalmente o clube voltaria a ser protagonista depois de duas conquistas espetaculares, o Botafogo regrediu em menos de um ano o progresso que fez em três. Que sina! Abs e SB!
Sem maestro não há orquestra; sem técnico não há equipe. Porém, maestro e técnico desafinados fica ainda muito pior a orquestra e o time.
A escalação foi um desastre, mas continuou durante o jogo com o Villalba a lateral. O Edenílson e o Matheus Martins deviam ter sido os titulares para um jogo desta natureza. Tenho a certeza que o Bellão o faria a fim de dar consistência ao meio, acrescentar força física e dar mais trabalho à defesa adversária.
Não obstante, uma equipe vai mal, fora Danilo (embora também não estado bem na posição em que foi colocado), quando os seus melhores do momento são, por exemplo, Edenílson, Matheus Martins e Arthur Cabral. Creio que uma equipe assim não vai ganhar título algum.
Com equipes deste tipo fico com imensas saudades de Jair Ventura em versão 2017.
Abraços Gloriosos.
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