sexta-feira, 17 de julho de 2026

Botafogo 2x1 Santos: a noite das Joias do Bairro

Léo Linck, o melhor em campo. Crédito: Vitor Silva | Botafogo.

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

O Botafogo iniciou a partida com muita energia e vontade, mas jogando em correria excessiva, prejudicando os passes certos e perdendo a bola sucessiva vezes no ataque. Todavia, a equipe fazia imediatamente pressão sobre os jogadores santistas e recuperava a bola rapidamente, retornando ao ataque em velocidade e repetindo as perdas de bola, em boa parte porque a equipe integrava atletas muitos jovens, cuja energia e vontade é muito grande, mas ainda sem a capacidade de envolver o adversário numa teia tática.

Ainda assim, a energia e o voluntarismo foram dando alguns frutos: aos 15’ Huguinho rematou para Brazão espalmar e aos 18’ Kauan Toledo perdeu um gol cara a cara com Brazão após um lançamento longo.

No entanto, aos 23’, Matheus Martins, que não esteve bem, perdeu a bola e permitiu que Miguelito rematasse com selo de gol, mas Léo Linck realizou a primeira grande defesa da noite e o poste direito da baliza completou devolvendo a bola. Aos 26’ Kauan Toledo deu a resposta, mas o remate saiu prensado.

O Botafogo perdera a iniciativa inicial e o Santos equilibrou a partida por alguns minutos, mas a partir dos 30’ a nossa equipe tornou a pressionar mais alto e recuperou o domínio de jogo. Então, o Santos começou errando mais e aos 40’ Kauan Toledo recuperou uma bola bem perto da grande área, tocou para Lucas Emanuel penetrar e num toque de muita classe a joia inaugurou o marcador em sua estreia na equipe principal, aos 17 anos. Botafogo 1x0.

A fechar a primeira parte o Santos teve uma grande oportunidade de empatar aos 45’, num grande remate que Léo Linck respondeu com uma grande defesa e segurou o placar.

Na segunda parte as duas equipes entraram com muita vontade no ataque. Aos 50’ Léo Linck fez uma boa defesa, embora dando rebote que Thaciano desperdiçou, e aos 52’ foi a vez de Cristian Medina efetuar um grande remate para uma grande defesa de Brazão.

Ambas as equipe estavam bem no ataque, mas o Santos era mais presente e tornou a levar perigo aos 55’, e um minuto depois, na sequência de um escanteio, Léo Linck afastou a bola, mas caiu na pequena área em resultado de um choque com Gabriel Justino, tendo então Barreal rematado em direção à baliza desguarnecida e empatado a partida.

Lucas Emanuel, estreia à craque. Crédito: Vitor Silva | Botafogo.

Ao 62’, em falha da defesa santista, Cristian Medina ficou cara a cara com o goleiro e absurdamente rematou para fora. Jogando com menos cérebro e na base de acelerações a estilo das peladas – muita correria e pouca eficiência – tanto o Botafogo com o Santos esmoreceram no ataque e o Botafogo tornou-se mais lento.

Aos 77’ entraram Edenilson e Kadir no lugar de Lucas Emanuel e Kauan Toledo, já cansados, e a equipe reanimou-se. Apesar de uma bola na trave de Léo Linck aos 78’, em desvio infeliz de Justino, um minuto depois Lucas Villalba fez uma recuperação de bola e cara a cara com Brazão permitiu ao goleiro uma grande defesa.

A noite parecia ser dos dois goleiros. Parecia… porque afinal foi apenas de Léo Linck, o melhor jogador em campo.

O Botafogo tornou a atacar com determinação de ganhar, fez o Santos recuar, mas não o suficiente, porque ao 87’, na cobrança de escanteio, Léo Linck fez duas defesas absolutamente magistrais de reflexo em remates cara a cara na pequena área, evitando a derrota.

Aos 90+4’, quando tudo parecia caminhar para um empate sensaborão para o Botafogo em casa, Kadir recebeu a bola, disputou-a com o zagueiro, Brazão saiu até à intermediária da sua equipe para defender, a bola ricocheteou, sobrou para Kadir que avançou disparado para a baliza acossado pelo zagueiro, suportou o ombro a ombro e rematou para a vitória. Botafogo 2x1.

Foi uma vitória muito importante para animar o dia a dia dos atletas e da comissão técnica, no meio de uma crise dirigente profunda e de lutas ‘fratricidas’ pelo poder.

Léo Linck foi o grande nome da noite com defesas extraordinárias, mostrando claramente que dos goleiros do Botafogo ele ainda deveria ter sido o escolhido, em vez de barrado por Neto, o goleiro-reserva em quase toda a sua carreira que não dava garantia nenhuma a ninguém – a não ser à abstrusa mente de quem o indicou.

Outras notas especiais vão para as 4 joias do Botafogo que completaram uma equipe profundamente desfalcada, evidenciando que temos gente de base capaz no Sub-17 e no Sub-20 ainda para esta temporada, e uma saudação especial para o estreante Lucas Emanuel que carimbou um gol à craque.

Kadir, símbolo da resiliência. Crédito: Vitor Silva | Botafogo.

Franclim Carvalho e Kadir também merecem notas relevantes: o técnico porque soube mesclar uma equipe semidestruída por fatores que lhe são alheios e efetuar boas substituições; Kadir porque foi o símbolo de uma equipe que mesmo na reta final da partida nunca desistiu de ganhar e mostrou porque é que estava ali.

Porém, deve-se registrar que foi um jogo em que a sorte nos bateu à porta, com duas ou três bolas santistas na trave e outros tantos desperdícios em situação de gol, assim como dois gols marcados por falhas do sistema defensivo santista, embora neles se deva também realçar que as falhas do adversário foram virtude da pressão dos atletas do Botafogo que, em todo o jogo, mostraram foco, energia, vontade e competitividade.

FICHA TÉCNICA

Botafogo 2x1 Santos

» Gols: Lucas Emanuel, aos 40’, e Kadir, aos 90+4’ (Botafogo); Barreal, aos 56’ (Santos)

» Competição: Campeonato Brasileiro

» Data: 16.07.2026

» Local: Estádio Olímpico Nilton Santos, no Rio de Janeiro

» Público: 13.632 pagantes; 15.585 espectadores

» Renda: R$ 457.870,00

» Árbitro: Rodrigo José Pereira de Lima (PE); Assistentes: Renan Aguiar da Costa (CE) e Karla Renata Cavalcanti de Santana (PE); VAR: Gilberto Rodrigues Castro Junior (PE)

» Disciplina: cartão amarelo – Huguinho, Matheus Martins, Ferraresi e Kadir (Botafogo) e Thaciano e Barreal (Santos)

Botafogo: Léo Linck; Vitinho (Mateo Ponte), Ferraresi, Justino e Alex Telles (Marçal); Huguinho, Cristian Medina e Kauan Toledo (Kadir); Lucas Villalba, Lucas Emanuel (Edenílson) e Matheus Martins (Santi Rodríguez). Técnico: Franclim Carvalho.

Santos: Gabriel Brazão; Igor Vinicius (Gabriel Menino), Lucas Veríssimo, Luan Peres e Escobar; Willian Arão, Gustavo Henrique (Christian Oliva) e Rollheiser (Gabriel Bontempo); Miguelito (Nadson), Thaciano (Rony) e Barreal. Técnico: Cuca.

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