quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Botafogo 1x2 Vasco da Gama

Crédito: Arthur Barreto | Botafogo.

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

O que se viu no Nilton Santos foi uma total coincidência entre o Botafogo pré-data Fifa e o Botafogo pós-data Fifa, isto é, o Botafogo permanece sem identidade coletiva, sem ideias, lento e ineficaz.

Conhecendo-se as características de Tite seria de esperar, no mínimo, um sistema defensivo forte, mas nem isso sucedeu, pelo contrário, o Vasco da Gama encontrou caminhos fáceis para explorar, jogou à vontade desde os primeiros minutos e o Botafogo remeteu-se praticamente à defesa, parecendo jogar contra um grande adversário e fora de casa.

O Botafogo não controlou os espaços e aos 28’ Vitinho foi batido, os mecanismos defensivos de cobertura contra falhas individuais não apareceram e em contra-ataque o Vasco da Gama inaugurou o marcador, como já se podia prever ante uma defesa permeável.

Durante quase todo jogo o Botafogo defrontou-se com o problema de que quando há pressão exercida sobre o adversário, os espaços nas costas de quem faz pressão devem ser devidamente protegidos por precaução contra falhas individuais.

O meio-campo vascaíno foi consistente, articulou-se bem e as combinações criadas permitiam continuidade atacante com ligação a zonas ofensivas onde o Vasco aparecia com capacidade de finalização.

Ao contrário, o Botafogo assentou o seu esquema essencialmente em Ziyech, visando explorar a sua capacidade técnica e visão de jogo, mas não encontrou parcerias na criação de linhas de passe que permitissem levar perigo real à defesa adversária, tanto mais que nem Danilo nem Medina conseguiam a profundidade e desequilíbrios no ataque para permitir que Matheus Martins e Arthur Cabral finalizassem – e como habitualmente, nenhum deles foi capaz, por si mesmo, de criar qualquer espécie de perigo.

Aliás, o ataque foi tão improdutivo que o rematador de serviço era Vitinho, porque a dupla de atacantes não ocupava espaços estratégicos para receber a bola e rematar à baliza.

Foi, enfim, um primeiro tempo sem identidade de jogo por parte do Botafogo, jogando frouxo na defesa, pouco eficiente na contenção de jogo do adversário e fraca ligação entre os setores, ao contrário do Vasco que conseguiu jogar coletivamente e até poderia ter ampliado o placar se não fosse o desempenho de Gabriel Batista.

Após o intervalo o Botafogo ainda ensaiou uma reação, mas o Vasco manteve a sua postura e ampliou logo aos 50’: Huguinho errou na frente, Cristian Medina perdeu na corrida com Colidio, que serviu David e este tocou a bola com categoria para o fundo das redes. E logo depois o Vasco poderia ter decidido completamente o jogo com um 3x0 se não fosse novamente Gabriel Batista a evitar o pior.

Com o meio-campo improdutivo por mau posicionamento, falta de ligação a Ziyech e incapacidade de urdir jogadas coletivas, foi Alex Telles que aos 60’ cobrou uma falta que entrou no ângulo da baliza de Léo Jardim para diminuir o placar.

O Botafogo tentou acelerar, o Vasco recuou um pouco, mas acabou marcando um terceiro gol anulado – e depois Tiquinho Soares empatou, mas o gol também foi anulado, e pouco mais se passou no segundo tempo.

No entanto, o saldo global em matéria de criação de oportunidades, remates à baliza e escanteios foi amplamente favorável ao Vasco, que, diga-se, é uma equipe apenas mediana, o que significa que a nossa encontra-se num estado sofrível.  

Enfim, não se vislumbra identidade coletiva nesta equipe, Tite já acumula duas derrotas sem mostrar nada de novo e ainda agravou a situação com uma expulsão emocional de comemoração no gol de Tiquinho Soares, prontamente anulado, invadindo o campo e sendo expulso.

Em suma, tendo valores individuais que deviam colocar a equipe pelo menos a meio da tabela, deparamos com a decadência a todo o vapor do futebol botafoguense e a questão jurídica da SAF permanece incerta…

Tite deve concentrar-se, sobretudo, a poucas rodadas do final do campeonato, em assegurar a manutenção na Série A, implementando um sistema defensivo compacto com capacidade de saída de bola, estruturando o meio campo tirando partido das habilidades de Ziyech e com Danilo mais ofensivo, estabelecendo processos atacantes que reduzam a mera dependência individual e tendo sempre em conta a simplificação e a mecanização de processos.

FICHA TÉCNICA

Botafogo 1x2 Vasco da Gama

» Gols: Alex Telles, aos 60’ (Botafogo); Lescano, aos 28’, e David, aos 50’ (Vasco da Gama)

» Competição: Campeonato Brasileiro

» Data: 08.10.2026

» Local: Estádio Olímpico Nilton Santos, no Rio de Janeiro (RJ)

» Público: 22.071 pagantes; 23.596 espectadores

» Receita: R$ 807.180,00

» Árbitro: Bruno Arleu de Araújo (RJ); Assistentes: Thiago Henrique Neto Correa Farinha (RJ) e Thayse Marques Fonseca (RJ); VAR: Rodrigo Guarizo Ferreira do Amaral (SP)

» Disciplina: cartão amarelo – Ferraresi (Botafogo); cartão vermelho – Tite, técnico (Botafogo)

» Botafogo: Gabriel Batista; Vitinho (Mateo Ponte), Ferraresi, Arthur Chaves e Alex Telles; Huguinho, Cristian Medina (Júnior Santos) e Danilo; Ziyech (Kadir), Arthur Cabral (Tiquinho Soares) e Matheus Martins (Kauan Toledo). Técnico: Tite.

» Vasco da Gama: Léo Jardim; Paulo Henrique (Pumita Rodríguez), Saldivia, Robert Renan e Cuiabano; Sosa, Thiago Mendes e Lescano (Tchê Tchê); Hinestroza (Adson), Colidio (Nuno Moreira) e Bruno Duarte (David). Técnico: Pedro Emanuel.

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