terça-feira, 2 de março de 2021

Botafogo 3x0 Pérolas Negras: liderança do estadual feminino

Gaby Louvain comemorando o 1º gol. Crédito: Vitor Silva / Botafogo.

por RUY MOURA

Editor do Mundo Botafogo

Mal a boa tinha rolado e Gaby Louvain fez uma roubada de bola à entrada da área, progrediu acossada por uma atleta adversária e, quase na pequena área, rematou forte ao lado direito da goleira, inaugurando o marcador aos 2’.

Durante o restante primeiro tempo o Botafogo dominou a partida mas não foi eficaz nos remates, ficando pelo marcado.

Na segunda parte o Botafogo entrou forte com vontade de resolver rapidamente a partida e assim fez. Aos 49’, descaída para o lado direito do ataque, Chaiane recebe um passe de Kélen à entrada da área e lança a bola para o miolo da área aparecendo Brenda de repente, que se isola e desloca a goleira para estabelecer o 2x0.

Chaiane cobra escanteio curto, depois a bola é lançada por Kamilla sobre um molho de jogadoras dentro da área, uma zagueira afasta-a, na recarga a bola é chutada por Gaby Louvain à figura da goleira, que larga a bola para a frente, surgindo Vivian na corrida e selando a sorte da partida: 3x0.

Daí em diante a equipe ainda teve três oportunidades claras e uma bola na trave, mas o placar não se alterou. O Botafogo assumiu a liderança com 3 pontos de vantagem sobre o Fluminense e o Flamengo, sendo que o rubro-negro registra menos um jogo.

Vivian assnalando o 3º gol. Crédito: Vitor Silva / Botafogo.

Botafogo 3x0 Pérolas Negras

» Gols: Gaby Louvain, aos 2’, Brenda, aos 49’, e Vivian, aos 54’

» Competição: Campeonato Estadual

» Data: 28.02.2021

» Local: Estádio Nilton Santos

» Árbitro: Rian Quintes Bonifácio Costa; Assistentes: Gabriel Geraldini de Sousa e Gustavo Hamilton de Oliveira; 4º Árbitro: Kennedy Graciano de Albuquerque

» Disciplina: cartão amarelo – Mylena (Botafogo) e 10, 22 e 02

» Botafogo: Rubi; Mylena (Mayara), Amanda, Káren e Chaiane (Laura); Chris (Driely), Brenda (Karol Lins), Gaby Louvain (Verônica) e Vivian; Kélen e Kamilla (Juliana). Técnico: Gláucio Carvalho.

» Pérolas Negras: Flor; Juliana (Ticolé), Maiane, Luana Mayara (Fernanda) e Lo Azevedo (Gabi); Simone, Di Sena, Dani Barão e Gigi; Cigana (Iasmin) e Thais. Técnico: Anderson Santos da Silva.

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segunda-feira, 1 de março de 2021

Do avô, Manoel Francisco

por GABRIEL FERREIRA BORGES

Tribuna de Minas, 09.02.2021

Caro Daniel,

O seu pai nunca se interessou pelo Botafogo, tampouco pelo futebol. Normalmente, saiba, o amor pelo clube vem primeiro. Pelo futebol, apenas depois. Não é que o desinteresse do seu pai pelo Botafogo tenha me furtado noites de sono. Nunca levei a cabo a tradição de acostumar o próprio filho às cores do clube desde criança de colo, embora confesse que o caminho até o Maracanã sozinho me frustrasse. Porém, como a cada ano conto um a menos de vida, reservo-me o direito da tentativa derradeira de constituir um herdeiro, já que não sei se conseguirei vê-lo, meu neto.

Quando tinha 17 anos, enchi a boca para cantar parabéns ao Flamengo junto a outras 40 mil pessoas. Era aniversário do rival e, como presente, lhe demos uma goleada por 6 a 0. Embora eu já tenha alguns anos de vida, ainda não consegui decidir se foi este o melhor dia da minha vida ou aquele em que encontrei a sua avó em General Severiano. Durante nove anos, cantávamos parabéns ao Flamengo durante todos os jogos em que nos enfrentávamos. Paramos apenas quando nos devolveram a goleada, mas os juros já eram altos.

Já com 34, vi Maurício nos tirar de uma fila de 1989 contra o mesmo Flamengo. Até quis dar ao seu pai o nome de Emil, mas a sua avó, já grávida e rubro-negra, não deixou. Dizia que não se dava o nome de Emil a uma criança, mas até hoje jogo no bicho por Seu Emil. Espero que seu pai não fique chateado por explicá-lo agora quem era Emil Pinheiro – ao menos não sou Bangu. É que não tive a oportunidade de comemorar muitos títulos. Não é para isso que se é Botafogo. Ganhar é apenas uma circunstância, não um ritual.

Cresci com as histórias de rádio que meu pai me assoprava na beira da cama sobre Heleno de Freitas, Quarentinha, Zagallo e Manga. Contei ao seu pai sobre Nilton Santos, Didi, Mané Garrincha, Gerson e Jairzinho. E quem me deu a última catarse foram Sergio Manoel, Donizete e Túlio. Nesta época, o seu pai, já criança, até colocava a única camisa que lhe dei de presente, mas não dava muita confiança para a televisão – a sua avó o achava muito novo para me acompanhar ao Maracanã. Acho que vestia alvinegro apenas para me agradar.

Vi um holandês, um japonês e um marfinense jogarem por nós, mas assisti também a três rebaixamentos. O último que testemunhei, e provavelmente testemunharei, nos foi de uma ironia miserável, porque, à frente do adversário, estava o filho de Jairzinho. Você vai aprender cedo, meu neto, que há coisas que, por alguma ordem metafísica, só acontecem com o Botafogo. Não se é Botafogo pela normalidade, mas pelo êxtase de um raro arrebatamento misericordioso. Perdoe o seu avô pela melancolia, mas, quando crescido, você entenderá que as mazelas de ser Botafogo são parecidas com as mazelas da vida.

Com carinho,

Manoel Francisco

Voz de Einstein: sobre Visão

“A natureza nos mostra apenas o rabo do leão. Mas não tenho dúvidas em minha mente que o leão está junto com o rabo, mesmo se ele não se revelar de início”. – Albert Einstein, em Smithsonian, fevereiro de 1979, eleito pela revista Time a ‘Pessoa do Século XX’.

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