quinta-feira, 5 de novembro de 2026

Botafogo 1x0 Atlético Mineiro – ganhar fôlego

Crédito: Vitor Silva | Botafogo.

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

O essencial da vitória do Botafogo sobre o Atlético Mineiro, numa temporada já perdida, foi a conquista dos três pontos para nos mantermos acima da linha de água da despromoção, porque infelizmente, em apenas dois anos, deixamos o topo do futebol sul-americano e brasileiro para lutarmos por não descer à Série B.   

Isso significa que, apesar da vitória fundamental obtida, por escasso 1x0 sobre uma equipe de reservas, estamos perante fragilidades de funcionamento da equipe.

É verdade que o Botafogo foi superior na criação das melhores oportunidades (p.e. gol de Edenilson aos 18’, Tiquinho no travessão aos 28’ e Martins na trave aos 90+3’), mas não conseguiu transformar essa superioridade num controlo consistente da partida e num placar mais confortável. A equipe venceu meritoriamente, a estrutura defensiva melhorou, mas sem a eficácia atacante desejada.

Tite surpreendeu o adversário com a utilização de Justino, Ferraresi e Marçal na zaga, proporcionando maior proteção à baliza e permitindo que Vitinho tivesse liberdade para avançar pela ala direita, tendo sido essencial na excelente jogada que proporcionou o gol de Edenilson.

Huguinho mais recuado protegeu o espaço dos zagueiros e reduziu as possibilidades de progressão interior do Atlético.

O conjunto desse esquema permitiu um maior equilíbrio defensivo, evitando simultaneamente que Gabriel Batista pudesse ser colocado muitas vezes à prova, embora aos 38’ tenha realizado uma defesa que claramente evitou o empate.

Não obstante, o esquema 3-5-2, variando para 3-1-4-2, assentou muitas vezes numa organização defensiva 5-4-1, a qual funcionou vezes demais após o gol, evidenciando um esquema concetual com densidade defensiva, mas aumentando a distância entre linhas e prejudicando ataques bem urdidos.

Tiquinho muito isolado à frente obstava a ligação entre defesa e ataque e as dificuldades na posse de bola foram evidentes. Isto é, Tite resolveu, neste caso concreto, o problema defensivo, mas não conseguiu criar um modelo integrado e harmonioso entre os três setores.

A excelente articulação coletiva que precedeu o gol de Edenílson foi muito mais ocasional do que sistemática, o que mostra que Tite ainda não conseguiu potenciar as qualidades individuais de diversos jogadores em favor de um conjunto equilibrado, intenso e eficaz.

Um dos principais problemas é que Medina apresenta dificuldades em participar na construção ofensiva e Danilo Pereira também não conseguiu estabelecer uma relação consistente com Edenílson e Tiquinho, o que significa que as combinações pelo corredor central foram escassas e as melhores ações decorreram de progressões individuais, bolas paradas e transições rápidas mal aproveitadas – em suma, escassa circulação ofensiva entre linhas e poucos movimentos coordenados.

De modo geral, a organização defensiva melhorou com três zagueiros e Huguinho na proteção; o meio campo com Medina e Danilo Pereira continua estruturalmente desequilibrado, sem soluções de criação por dentro; no ataque Tiquinho sofreu com o recuo da equipe e Matheus Martins, como habitualmente, perdeu duas ou três oportunidades decisivas para ampliar o placar, apesar da sua entrada ter dado mais velocidade e profundidade ao ataque.

Por outro lado, mantém-se a tendência para proteger vantagens mínimas demasiadamente cedo e a organização ofensiva fica aprisionada nessa tendência e na dificuldade do meio campo mediar a passagem para as zonas ofensivas de remate.

Em síntese, Tite ainda não conseguiu criar uma identidade coletiva na equipe e a nossa vitória, embora muito importante, foi sobre uma equipe reserva do Atlético. Perdemos jogos fundamentais contra adversários do Z4, vencemos o lanterna por um magro 1x0 e repetimos a dose na vitória sobre o Atlético sem muitos titulares fundamentais. Donde, Tite ainda não convenceu ninguém.

Finalmente, sublinhar que não me agrada o 3-5-2, porque julgo que não temos atualmente os atletas indicados para o efeito, o que significa que a opção de Tite não é provavelmente a mais adequada para a identidade da equipe e aparenta mais ser uma solução de recurso face às recentes atuações desastradas do setor defensivo.

Para o futuro imediato: em geral, os treinadores queixam-se da falta de tempo para treinar, mas quando o têm nem por isso as melhorias são claras; Tite tem, agora, esse tempo antes do próximo jogo e esperemos que encontre uma solução mais equilibrada e eficaz, que vença o Corinthians e assegure a manutenção.

FICHA TÉCNICA

Botafogo 1x0 Atlético Mineiro

» Gols: Edenílson, as 18’

» Competição: Campeonato Brasileiro

» Data: 04.11.2026

» Local: Estádio Olímpico Nilton Santos, no Rio de Janeiro (RJ)

» Público: 20.462 pagantes; 22.008 espectadores

» Receita: R$ 438.170,00

» Árbitro: Lucas Casagrande (PR); Assistentes: Daniella Coutinho Pinto (BA) e Thiaggo Americano Labes (SC); VAR: Douglas Schwengber da Silva (RS)

» Disciplina: cartão amarelo – Cristian Medina e Marçal (Botafogo); Tomás Pérez e Kauã Pascini (Atlético)

» Botafogo: Gabriel Batista; Justino, Ferraresi e Marçal; Vitinho, Huguinho, Edenílson (Alex Telles), Cristian Medina (Domingos Andrade) e Paulinho (Kauan Toledo); Danilo Pereira (Matheus Martins) e Tiquinho Soares (Arthur Cabral). Técnico: Tite.

» Atlético Mineiro: Everson; Preciado, Léo Duarte, Vitão (Vitor Hugo) e Kauã Pascini; Tomás Pérez (Gutte), Cissé (Gabriel Veneno), Alexsander e Gustavo Scarpa; Dudu e Cauã Soares. Técnico: Eduardo Domínguez.

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