domingo, 19 de setembro de 2010

Um botafoguense nas Arábias (VIII)

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A história da bandeira brasileira refere que foi projetada por Raimundo Teixeira Mendes e Miguel Lemos, com desenho de Décio Vilares, e inspirada na antiga Bandeira do Império (imagem acima) que foi desenhada pelo pintor francês Jean Baptiste Debret.

Li que o círculo central em azul, que representa a esfera celeste, é herança do culto português pela esfera manuelina, simbolizando as grandes viagens de exploração marítimas. As cores verde e amarelo estão associadas à casa real de Bragança, da qual fazia parte o imperador D. Pedro I, e à casa real dos Habsburg, à qual pertencia a imperatriz D. Leopoldina. O círculo interno azul corresponde a uma imagem da esfera celeste, inclinada segundo a latitude da cidade do Rio de Janeiro às 12 horas siderais (8 horas e 30 minutos) do dia 15 de novembro de 1889, dia da Proclamação da República.
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Cada estrela representa um estado da federação e todas as estrelas têm cinco pontas, mas mudam de tamanho. Elas aparecem em cinco dimensões de grandeza: primeira, segunda, terceira, quarta e quinta. Estas dimensões não correspondem diretamente às magnitudes astronômicas mas estão relacionadas com elas. Quanto maior a magnitude da estrela maior é o seu tamanho na Bandeira.
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Quanto à faixa branca, alguns afirmam que esta faixa representa a eclíptica, ou o equador celeste ou o zodíaco, mas, na verdade, a faixa branca da bandeira é apenas um lugar para a inscrição do lema "Ordem e Progresso". Ela não tem qualquer relação com definições astronômicas. O lema "Ordem e Progresso": É atribuído ao filósofo positivista francês Augusto Comte, que tinha vários seguidores no Brasil, entre eles o professor Teixeira Mendes.

Agora apresento a outra parte da história.

A Bandeira do Brasil foi adotada pelo decreto no 4 de 19 de novembro de 1889, preparado por Rui Barbosa e assinado pelo Marechal Deodoro da Fonseca.

Os responsáveis pela criação da bandeira foram indivíduos muito cultos, ligados ao apostolado, à filosofia, às ciências astronómicas e a conhecimentos muito antigos. Estiveram no cerne da atual bandeira o pintor francês Jean Baptiste Debret (devido a ter desenhado a bandeira do império), o professor Raimundo Teixeira Mendes (presidente do Apostolado Positivista do Brasil), o professor Manuel Pereira Reis (catedrático de astronomia da Escola Politécnica), o dr. Miguel Lemos e o pintor Décio Vilares.

Apenas numa publicação li uma referência ao losango, o qual representa, desde longa data, o órgão genital feminino – talvez, no caso da bandeira, por alusão à terra-mãe. Por outro lado, a faixa branca da bandeira, como se disse anteriormente, nada representa, constituindo apenas um espaço para o lema “Ordem e Progresso”.

Sucede que eu descobri um desenho muito próximo da imagem da bandeira brasileira na Síria. Vejam:


O símbolo acompanha os medalhões esculpidos nas lajes de arte funerária e representa um olho que afasta o mal. Tais medalhões fazem parte do Túmulo dos Três Irmãos, um conjunto funerário magnífico, que foi descoberto no final do século XIX, fotografado pela primeira vez em 1920 e datado de… 160 d.C.

Quer dizer que a configuração da bandeira brasileira – à exceção da faixa branca que serve apenas para o lema – existe pelo menos há… 1850 anos!

Em consequência, há a hipótese de que Debret tenha desencantado símbolos relativos a conhecimentos antigos e aplicado ao desenho da bandeira do império algo parecido com o símbolo de alerta contra o mal, introduzindo no centro o brasão imperial.

Fachada principal do Túmulo dos Três Irmãos

Pode ter sido através de Debret que os portugueses adotaram o símbolo em determinada ocasião atribuindo-lhe um sentido lusitano, designadamente no que respeita às explorações marítimas dos portugueses e às casas reais dos Braganças e dos Habsburg. Os diferentes jogos de cores na bandeira de 160 d.C. e na bandeira imperial podem dever-se exatamente às escolhas e significados dados pelos portugueses. Há a probabilidade também de a própria casa dos Habsburg ter conhecimento do símbolo e transmiti-lo à casa dos Braganças, que o utilizou com o auxílio de Debret e colocou o brasão em lugar do ‘olho que afasta o mal’.

Porém, a bandeira atual abandonou o brasão imperial e adotou, novamente, o olho mesopotâmico original. Isso terá sido obra de Mendes, Reis, Lemos ou Vilares, que conheceriam a origem da bandeira imperial e restituíram-lhe o olho.

Independentemente das andanças do símbolo, o que parece certo é que o desenho da bandeira brasileira existe provavelmente há cerca de dois mil anos e pode ser oriundo da Mesopotâmia. Ou até antes, quem sabe…

Texto e pesquisa de Rui Moura (blogue Mundo Botafogo)

2 comentários:

Ezaú disse...

Caro Rui

A bandeira do Império era muito bonita também, porém, se mantida, teríamos a cruz de malta e isto lembraria sempre o C. R. Vasco, embora a CBF insista em lembrá-la em seu escudo.

Em se tratando de escudo, ninguém supera a nossa estrela solitária.

SB

Ruy Moura disse...

Ezaú, o que me fascina nas bandeitas e nos brasões realmente não são as cruzes, mas em especial as esferas armilares. Acho-as lindíssimas.

Mas concordo que o nosso escudo é fantástico. É simples e encerra toda a ideia cósmica. Não há dúvida que os remadores do C.R. Botafogo sabiam muito mais de símbolos do que os garotos do Largo do Leão.

Abraços Gloriosos!

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