por FERNANDO MOURA PEIXOTO (ABI
0952-C)
[Deferência especial para o Mundo
Botafogo]
[Nota do autor: Prêmio de Edição em concurso da Litteris Editora, publicado em 2004 na
antologia ALÉM DAS PALAVRAS – “mais
um registro sincero e seguro, uma radiografia fiel do que pensam e escrevem nossos
autores acerca da vida e do mundo” –, o texto, produzido em 1977, em
plena ditadura militar, fala da incomunicabilidade entre um casal de irmãos de
classe média no Rio de Janeiro, cuja mãe falecera recentemente, vitimada por um
câncer no estômago. Trata-se de uma obra ficcional que vem
corroborar o dito popular: “Família é muito bom em retrato”. Qualquer
semelhança com a realidade terá sido pura reincidência.]
“Se eu
morresse amanhã, viria ao menos / Fechar meus olhos minha triste irmã; / Minha
mãe de saudades morreria / Se eu morresse amanhã!” - ÁLVARES DE AZEVEDO (1831-1852), ‘Se eu morresse
amanhã’.
Amigos não somos,
Amigos não fomos,
Poderíamos ter sido,
Tecido amizade,
Nutrido franqueza.
Hoje roídos,
Corroídos,
Ruídos partidos
Da incerteza.
Tristeza, Tereza,
Tristereza, Cristina.
Eis que sido,
Em dois quebrado,
Esquizofrenecido,
Rompido, vencido.
Sinalizando,
Ao fim analisar,
Finalizando
Num estampido.
Texto e imagem: FERNANDO MOURA PEIXOTO

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