domingo, 18 de outubro de 2026

Botafogo 1x0 Chapecoense – três pontos essenciais

Que seja um regresso ao jeito de 2023. Crédito: Captura de tela, 17.10.2026.

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

A vitória do Botafogo sobre a Chapecoense, nesta fase do campeonato, foi crucial para o afastamento da zona de despromoção, mas ainda não permite sossegar as hostes botafoguenses no que concerne a uma identidade coletiva bem definida e eficaz.

O Botafogo foi muito superior ao adversário e mereceu vencer por uma margem mais confortável, mas revelou limitações na eficácia ofensiva, sendo incapaz de ‘matar’ o jogo, apesar das oportunidades criadas.

Efetivamente o Botafogo teve 52% de posse de bola, rematou 20 vezes à baliza – mais do dobro da Chapecoense – e acertou 11 remates enquadrados com a baliza contra nenhum da Chapecoense.

O Botafogo não monopolizou a partida. Aliás, teve mais posse de bola até metade da 1ª parte e depois cedeu domínio à Chapecoense, retomando uma maior posse de bola já no final da 1ª parte. Porém, houve uma diferença significativa ao nível da criação, porque o Botafogo criou praticamente todas as oportunidades de gol e a Chapecoense limitou-se a períodos de circulação de bola sem qualquer remate enquadrado à baliza nos 90 minutos de jogo.

É certo que o goleiro Anderson efetuou algumas grandes defesas, mas 11 remates enquadrados para apenas um gol é manifestamente pouco e evidenciou, uma vez mais, que apesar de uma linha avançada com qualidade aceitável, a equipe converteu apenas uma oportunidade e realçou novamente a dificuldade na definição para gol.

A defesa foi o setor mais eficiente, embora se tenha que considerar que o jogo foi contra a equipe última classificada, tendo Tite ensaiado a alternância da saída de bola com três elementos, garantindo melhor segurança na saída e permitindo que os laterais avancem mais no terreno.

No entanto, tal como em outras ocasiões, em vantagem no marcador, a equipe recuou as suas linhas em determinados períodos e optou por apostar nas transições e nas bolas longas, o que faz pouco sentido jogando em casa contra o último classificado, que apresentou dificuldades em segurar ataques organizados.

O sistema 4-2-3-1 aplicado por Tite travou de alguma forma a vulnerabilidade da equipe em matéria de transições adversárias, anulou as investidas do adversário e limitou a capacidade de finalização, mas resta saber se essa segurança garante melhor progressão e se é capaz de atrair os adversários de modo a criar superioridades e permitir que a bola chegue aos nossos criativos em condições favoráveis.

Aliás, é na ligação entre meio-campo e ataque que se encontram os maiores problemas a resolver. Allan fez boa cobertura defensiva, mas tem dificuldades nos momentos de decisão; Ziyech tem falta de ritmo e provavelmente de preparação física, desiludindo novamente; Danilo esteve muito recuado sabendo-se que é necessário um homem mais adiantado próximo de Tiquinho Soares, e que ele é o principal elemento ofensivo de meio-campo; Montoro perde capacidade de influência quando o Botafogo recua – e isso produziu desequilíbrios que impediram sequências de circulação envolvendo os elementos mais ofensivos da equipe. Cristian Medina e Kauan Toledo entraram razoavelmente bem, contribuíram para maior intensidade e mobilidade e podem sempre ser alternativas.

No ataque deve-se realçar o papel de Tiquinho Soares, que vindo de períodos longos de inatividade, fez muitíssimo mais do que Arthur Cabral, cujo regresso à equipe deve ser vedado. Efetivamente Tiquinho Soares sabe interpretar a trajetória da bola e ocupar os espaços certos entre os defesas, além de recuar para fora da área e participar na construção ofensiva. Além, evidentemente, de ter sido o autor do gol vitorioso.

Do ponto de vista do modelo de jogo, Tite valorizou a consistência defensiva e no domínio ofensivo a equipe criou oportunidades para uma vitória mais ampla e tranquila, mas importa destacar que a circulação de bola não equivale a controlar e ganhar um jogo, faltando claramente à nossa equipe provocar desequilíbrios, desorganizar o adversário e marcar gols.

Enfim, Tite – acreditando-se que ainda é um técnico válido para grandes equipes – tem diversos desafios pela frente, tais como melhorar a fase de construção reduzindo as perdas de bola; integrar Montoro e Ziyech coletivamente para a equipe depender menos de iniciativas individuais; manter a pressão ofensiva após marcar, mas sem comprometer a segurança defensiva; aproximar Danilo de Tiquinho Sares de modo a que mais jogadores cheguem à zona de finalização em condições de marcar.

É absolutamente necessário que a equipe mantenha uma atitude mental forte e possa vencer os dois jogos que se seguem contra equipes que se situam na zona de rebaixamento.

FICHA TÉCNICA

Botafogo 1x0 Chapecoense

» Gols: Tiquinho Soares, aos 7'

» Data: 17.10.2026

» Local: Estádio Olímpico Nilton Santos, no Rio de Janeiro

» Público: 21.020 pagantes; 23.306 espectadores

» Renda: R$ 579.140,00

» Árbitro: Raphael Claus (SP); Asssitentes: Danilo Ricardo Simon Manis (SP) e Izabele de Oliveira (SP); VAR: Thiago Duarte Peixoto (SP)

» Disciplina: cartão amarelo – Kauan Faria (Chapecoense)

» Botafogo: Gabriel Batista; Vitinho, Ferraresi, Marçal e Alex Telles; Allan (Domingos Andrade) e Danilo; Matheus Martins (Júnior Santos), Álvaro Montoro (Kauan Toledo) e Ziyech (Cristian Medina); Tiquinho Soares (Danilo Pereira). Técnico: Tite.

» Chapecoense: Andersson; Bruno Tubarão (Dudu), Kauan Faria, Eduardo Doma e Bruno Pacheco; Camilo (Franco Rossi), Fernando (Bolasie), Yago Felipe e Giovanni Augusto (Max Alves); Garcez e Túlio Eduardo (Rodrigo Êndrio). Técnico: Rafael Lacerda.

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