por RUY MOURA |
Editor do Mundo Botafogo
Paulo Roberto de Freitas, o ‘Bebeto de
Freitas’, sobrinho do jornalista e treinador de futebol João Saldanha e primo
do jogador de futebol Heleno de Freitas, fez carreira desportiva como jogador e
treinador de voleibol, presidente do Botafogo de Futebol e Regatas e Gestor do
Atlético Mineiro.
Bebeto de Freitas venceu onze campeonatos
cariocas consecutivos de voleibol pelo Botafogo, representou a Seleção
Brasileira nos Jogos Olímpicos de 1972 e 1976, conquistou cinco títulos nacionais dirigindo um clube do voleibol italiano e sagrou-se campeão da Liga Mundial de
Voleibol, em 1997, e do Campeonato Mundial de Voleibol, em 1998, ambos os
títulos como treinador da Seleção Italiana.
Foi esse homem íntegro e vitorioso que os
botafoguenses elegeram para resgatar o desporto, as finanças, a estrutura e o
prestígio do Botafogo de Futebol e Regatas, feitos novamente em pedaços.
Bebeto assumiu o Clube no início de 2003 num
momento de trauma desportivo e institucional com a queda inédita do futebol
para a Série B do Brasileirão, receitas em queda livre e crise financeira,
salários atrasados e estrutura precária, tendo então arregaçado as mangas e
iniciado a reorganização emergencial do ambiente futebolístico para retorno à
Série A do campeonato brasileiro, com vista a resgatar a autoestima
botafoguense.
Desde logo Bebeto de Freitas traçou uma
estratégia e um conjunto de objetivos que transformou em medidas que pudessem
dar um mínimo de estabilidade ao Clube, de modo ao futebol regressar
rapidamente à Série A.
As principais medidas financeiras centraram-se
na renegociação de dívidas com credores e redução de passivos urgentes; adopção
de uma política de austeridade com corte de gastos e controlo rigoroso de
despesas; reformulação de contratos e busca de receitas através de patrocínios,
direitos e bilheteria; e implementação de uma gestão mais transparente para
recuperar a credibilidade do Clube no mercado.
Tais medidas permitiram sair do risco
imediato de colapso e o Clube tornou a revelar-se minimamente sustentável.
As principais medidas de reorganização
administrativa focaram-se na profissionalização da gestão, abandonando o
clássico amadorismo político; criação de rotinas administrativas mais ágeis e
modernas; maior controlo interno e prestação de contas; e redução da
interferência política no quotidiano do futebol.
Tais medidas permitiram um funcionamento
muito mais próximo do padrão empresarial e não apenas de uma associação
cristalizada na sua desorganização.
As principais medidas de base estrutural foram a consolidação do processo de concessão ao Botafogo do Estádio Olímpico João Havelange (o ‘Engenhão’), atualmente designado por Nilton Santos; planejamento para transformar o estádio em fonte central de receitas futuras; e organização das estruturas internas do Clube com melhoria das condições de trabalho.
As principais medidas de reconstrução
desportiva foram a montagem de um elenco de futebol crescentemente competitivo
enquadrado na realidade financeira; aposta em jogadores experientes e com
capacidade de liderança de grupo; e estruturação mais profissional do
departamento de futebol.
Tais medidas lograram que a equipe de futebol
fosse vice-campeã da Série B, regressasse de imediato à Série A de 2004 e
estabilizasse na elite do futebol nos anos seguintes.
Foi também fundada a pioneira Companhia
Botafogo, precursora da atual SAF Botafogo, mas o projeto não evoluiu muito em
anos posteriores devido à sua estrutura jurídica frágil, que mantinha a
Companhia como associação amarrada ao Clube, o que não propiciou o interesse de
investidores fortes, além de a legislação brasileira não definir claramente o
modelo de clube-empresa.
Em suma, com competência, seriedade e
dedicação, Bebeto de Freitas evitou o colapso financeiro, profissionalizou a
gestão, criou bases estruturais e reconstruiu a competitividade desportiva.
No dia 22 de novembro de 2003, no
quadrangular final do campeonato brasileiro da Série B, que ocorreu no estádio
Caio Martins superlotado, com estimativa de 15.000 espectadores, o Botafogo
venceu o Marília por 3x1, gols de Sandro, aos 24’, Camacho, aos 55’ (pen.) e aos 75’ (pen.) e qualificou-se antecipadamente para a promoção à Série A do
campeonato brasileiro, sagrando-se vice-campeão no final e o Palmeiras campeão. O
Glorioso, comandado por Levir Culpi, formou com Max; Rodrigo Fernandes, Sandro,
Edgar e Daniel; Túlio, Fernando, Valdo e Camacho (Renatinho); Almir (Dill) e
Leandrão (Edvaldo).
O objetivo desportivo primordial foi
conseguido, sendo destaques da campanha botafoguense o treinador Levir Culpi, o
artilheiro Leandrão, o meio-campista decisivo Almir e o líder Túlio, volante
experiente – e todos sob a batuta global de Bebeto de Freitas, o ‘redentor’.
Tendo vindo da Série B o Botafogo surpreendeu
com o 9º lugar no campeonato brasileiro de 2004, mostrando a consistência
pretendida, mas em 2005 ‘namorou’ intensamente com o Z4, lutando com Coritiba,
Paysandu e Atlético Mineiro e somente na última rodada conseguiu o ponto que
lhe faltava para segurar o 16º lugar e manter-se na Série A, empatando com a
Ponte Preta por 1x1, gol de Reinaldo, e relegando o Atlético Mineiro para a
Série B.
Bebeto de Freitas tomou um grande susto, mas
o último ano do seu 1º mandato à frente do Glorioso cumpriu – embora à tangente
– os objetivos de manutenção e lançou um sério aviso de que o futebol do
Botafogo ainda não estava consolidado, seja do ponto de vista nacional, seja
estadual, e que a urgência de competitividade teria que constituir o ponto
central do 2º mandato de Bebeto de Freitas para o triênio de 2006-2008 para o
qual o presidente em exercício foi reeleito.
Fontes principais: ge.globo.com; extra.globo.com; www.mundobotafogo.blogspot.com; www.transfermarket.com.br; www.uol.com.br


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