quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Botafogo 3x5 Grêmio - um esquema em causa

Walter regressando mais uma vez, infelizmente.

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

O início do jogo foi incaracterístico de ambas as partes e a primeira jogada que poderia levar foi aos 6’ quando Barboza fez falta quase em cima da grande área. O Grêmio preferiu não bater diretamente e optou por jogada ensaiada, que acabou batendo na barreira.

Aos 12’ o Botafogo sofreu a primeira contrariedade com Santi Rodríguez sendo substituído por lesão e cinco minutos após, aos 17’, Barboza enfiou uma bola longa em profundidade, Arthur Cabral recebeu, livrou-se do zagueiro e à entrada da área disparou para o fundo das redes. Botafogo 1x0.

O gol animou o Botafogo, melhorando o seu desempenho. Aos 19’ uma bola lançada para a área adversária poderia redundar na ampliação do placar, mas não houve boa conclusão; aos 21’, em contra-ataque puxado por Montoro, Artur progrediu mas chutou por cima do travessão; aos 23’Vitinho recebeu a bola na grande área, descaído para a direita, e desperdiçou uma grande oportunidade com remate novamente por cima do travessão.

E quando Botafogo parecia ter o jogo na mão, eis que Mateo Ponte falhou incrivelmente um corte, a bola foi à mão e sobrou de presente para Carlos Vinícius empatar a partida aos 25’.

Apesar do perigo já várias vezes mencionado pelo Mundo Botafogo no que respeita a uma zaga excessivamente subida e exposta a contra-ataques em profundidade, a equipe parecia controlar as operações e aos 35’, em jogada muito bem trabalhada, Artur enfiou a bola para Montoro pelo meio, este endossou-a para Danilo em deslocação e já dentro da grande desfez o empate. Botafogo 2x1.

O Botafogo permaneceu seguro, o Grêmio meio perdido e a partida manteve-se de feição ao Botafogo até ao intervalo.

O segundo tempo é mais um jogo para esquecer por relembrar maus momentos da equipe em 2023. As 5’ a bola fi cruzada para a grande área, Neto não saiu à bola, o zagueiro não acompanhou e Carlos Vinícius bisou implacavelmente para novamente empatar a partida.

Logo depois Alex Telles disputa uma bola no ar cm braço excessivamente elevado, a bola bate na mão e o árbitro assinala pênalti, convertido aos 11’ novamente por Carlos Vinícius, dando uma reviravolta no placar. Botafogo 2x3.

Se não bastasse entrada tão desastrosa, eis que o Grêmio aproveitou-se da zaga do Botafogo muito subida, Amuzu foi lançado em profundidade, centrou para a área, Neto não saiu à bola e as 59’ Tetê ampliou: 2x4.

Em suma, tomamos 3 gols em 9 minutos.

Aos 62’ Barrera quase diminuía o placar com um potente remate que embateu na base do poste e o Botafogo acabou aí. Em busca de diminuir o resultado a equipe ainda abriu mais espaços para penetração do Grêmio, que ainda ampliou aos 79’ na cobrança de falta: Newton falhou o corte de bola, Neto espalmou para a frente e Edenilson ampliou.

Aos 86’ Danilo ainda bisou e diminuiu o placar, mas a nossa sorte já estava selada.

A goleada sobre o Cruzeiro parece, à nova luz de resultados, ter sido um acaso que comprova a desconexão total em que o nosso adversário se encontrava, sobretudo no segundo tempo.

Notas finais:

[1] Continuo adverso à linha de três zagueiros porque não temos jogadores adaptados para tirar partido do esquema.

[2] Como tenho dito em diversos momentos, a zaga continua muito subida e expõe-se a contra-ataques velozes em profundidade que os zagueiros não conseguem acompanhar.

[3] Mencionei noutras ocasiões, e na própria biografia publicada no Mundo Botafogo (ver http://mundobotafogo.blogspot.com/2025/08/neto-o-goleiro-reserva.html), que Neto foi goleiro reserva em quase toda a sua carreira profissional e não seria o goleiro que o Botafogo precisava – e ontem confirmou-se mais uma vez que os seus reflexos e movimentos são lentos.

[4] Se Martín Anselmi for um treinador inteligente perceberá que a toma de cinco gols exige uma revisão profunda do modo de jogar. E se John Textor for inteligente e compreender que fracassou em toda a linha gerindo cinco clubes a mesmo tempo, perceberá que só lhe resta aplicar recursos adequados para que o Botafogo seja competitivo e Textor possa seguir prestigiado no mundo do futebol.

FICHA TÉCNICA

Botafogo 3x5 Grêmio

» Gols: Arthur Cabral, aos 17’, e Danilo, aos 35’ e 86’ (Botafogo); Carlos Vinícius, aos 25’, 50’ e 56’, Tetê, aos 59, e Edenilson, aos 79 (Grêmio)

» Competição: Campeonato Brasileiro

» Data: 04.02.2026

» Local: Arena do Grêmio, em Porto Alegre (RS)

» Público: 18.340 pagantes; 18.573 espectadores

» Renda: R$ 1.384.147,41

» Árbitro: Felipe Fernandes de Lima (MG); Assistentes: Felipe Alan Costa de Oliveira (MG) e Celso Luiz da Silva (MG); Var: Thiago Duarte Peixoto (SP)

» Disciplina: cartão amarelo – Alexander Barboza, Martín Anselmi, Mateo Ponte e Allan (Botafogo)

» Botafogo: Neto; Mateo Ponte (Matheus Martins), Newton e Alexander Barboza; Vitinho, Allan (Marquinhos), Danilo e Alex Telles; Santi Rodríguez (Artur, depois Nathan Fernandes), Arthur Cabral e Álvaro Montoro (Jordan Barrera). Técnico: Martín Anselmi.

» Grêmio: Weverton; João Pedro, Balbuena, Wagner Leonardo e Marlon; Noriega, Arthur (Dodi) e Monsalve (Willian); Tetê (Edenilson), Carlos Vinícius (André Henrique) e Pavón (Amuzu). Técnico: Luís Castro.

3 comentários:

Sergio disse...

Cinco gols com falhas da defesa é algo para se pensar muito, mas uma coisa é óbvia: Mateo Ponte e Newton não podem jogar na zaga, e o Neto precisa aprender a sair do gol. Com esse elenco cheio de lacunas, ou o Textor resolve o grande problema que criou para o Botafogo, ou então será um ano penoso.
Quem diria que em menos de 2 anos o John Textor conseguiu estragar aquilo que vinha construindo ao longo dos 3 primeiros anos. Realmente há coisas que só acontecem ao Botafogo. O frase maldita carregada de verdade. Abs e SB!

Ruy Moura disse...

A defesa falha porque o Anselmi - eu já disse isto noutras ocasiões - ainda não tem atletas recrutados para esse esquema de 3 zagueiros e os treinos não foram suficientes, sobretudo porque são jogadores improvisados ou com dificuldades de ajuste ao esquema.

Eu não gosto do esquema, mas duvido que o Anselmi o ajuste. O último caso que conheço foi o fracasso de Ruben Amorim no Manchester United com esse esquema. No Sporting teve sucesso porque lhe foi dada carta branca e esteve lá 5 anos, mas no MU os resultados tinham que ser mais rápidos, os jogadores não conseguiram absorver, o Ruben disse que não aceitaria pressões para mudar o esquema e foi demitido.

O Anselmi também vai seguir com a sua convicção, mas creio que só terá melhor sorte se baixar mais as linhas, porque não tem zagueiros capazes de acompanhar os atacantes mais velozes em lances em busca da profundidade, e se JT lhe der jogadores apropriados. Em todo o caso terá problemas com jovens zagueiros vindos da base, habituados a outro esquema. No Porto todas as equipes da base ao profissional, desde o tempo do Luís Castro, jogavam em 4x3x3 e o clube só contratava para o 4x3x3. O Anselmi foi contratado e durou seis meses com o seu esquema...

Espero que seja capaz de formatar bem a sua sorte no Glorioso, caso contrário...

E esperemos que o Textor entenda que o Botafogo é a sua última oportunidade de mostrar que ainda pode ser bem sucedido no futebol - porque as outras já se foram (Crystal Palace, Lyon e Molenbeek).

Nota final: como o Botafogo é preto e branco, também vai do 8 ao 80 e gosta de oscilar entre céu e o inferno. Parece-me que temos que nos habituar... Será?...

Abraços Gloriosos.

Ruy Moura disse...

Só mais uma nota, Sergio: o Ruben Amorim saiu do MU, o novo treinador mudou diversos hábitos e modo de jogar e nos três jogos que realizou venceu Manchester City, Arsenal e Fulham categoricamente, enquanto o Ruben não conseguia sequer ganhar dois jogos seguidos.
Abraço.

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Crédito: https://mundobotafogo.blogspot.com/2011/07/trofeu-teresa-herrera.html por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo Vindo de campeão...