por RUY MOURA |
Editor do Mundo Botafogo
As eleições do Botafogo para o triênio
2015-2017 e a transição para a nova Diretoria, liderada por Carlos Eduardo
Pereira, foram agitadas em face do legado de Maurício Assumpção.
As contas do ano fiscal de 2014 foram
reprovadas pelo Conselho Deliberativo e o ex-presidente, que terminara a sua
gestão totalmente isolado, foi posteriormente humilhado.
Em 2012, com a contratação de Clarence
Seedorf, Assumpção tornou-se um popstar
junto da torcida, chegando a ir às lágrimas em Macapá, durante o evento ‘Feijão
do Fogão’, ao ser recepcionado como uma ‘estrela do time’, formando-se filas tão
longas para autógrafos que se assemelhavam às filas de autógrafos para Túlio
‘Maravilha’ após a campanha do Brasileirão de 1995.
Em 2014, já depois das peripécias ocorridas
com o Engenhão, e com a gestão de Assumpção seguindo um rumo temeroso, muito
contestado pela torcida, o mandatário isolou-se, deixou de atender no seu
consultório e sequer tornou a ir aos treinamentos da equipe de futebol.
Na ótica de Marcelo Guimarães, que apoiou
Assumpção para o primeiro mandato e foi seu concorrente derrotado nas eleições
para o segundo mandato de Assumpção, “ele se descolou da realidade. Clubes têm
orçamentos e enquadram suas despesas de acordo com as receitas.” – considerou
Guimarães, que acrescentou: – “O grande erro foi abrir mão de um processo de
profissionalização que vinha dando certo no primeiro mandato.”
Dessa oposição nasceu um novo termo cunhado
por Guimarães para caracterizar a troca da profissionalização pelo regresso ao
amadorismo: a ‘Turma da Praia’, aludindo aos amigos de Assumpção no tempo em que
era diretor de futebol de praia do América.
A chapa eleita para o período de 2015-2017 era composta, entre outros cargos, pelo Presidente, Carlos Eduardo Pereira, pelo Vice-presidente Geral, Nelson Mufarrej, e pelo Vice-presidente de Finanças, Bernardo Santoro, neste caso um homem que sugerira e publicara um verdadeiro programa de recuperação do Clube, ainda no tempo de Assumpção.
No entanto, face a uma situação financeira
típica de bancarrota, a equipe financeira confrontou-se com contas bloqueadas,
dívidas trabalhistas e a necessidade de renegociar patrocínios para garantir a
sobrevivência do Clube no primeiro ano de gestão.
Todavia, pouco mais de um ano depois de tomar
posse, por entre inúmeras dificuldades financeiras, de cujo 'buraco' não se via o
fundo, Santoro demitiu-se no dia 26 de abril de 2016, alegando
“incompatibilidade de tempo por questões profissionais”…
Maurício Assumpção foi, entretanto, acusado
de irregularidades com base num parecer apresentado pelo Departamento Jurídico
com acusações de improbidade administrativa, prejuízo ao patrimônio do Clube,
favorecimento a amigos e empréstimo sem destino especificado, entre outras
acusações.
Em agosto de 2016, em decisão unânime,
Maurício Assumpção foi expulso do quadro social do Botafogo de Futebol e
Regatas, tornando-se o primeiro ex-presidente impugnado em toda a história do
Clube. Faleceu em 2023.
Em 2015, apesar da instabilidade, o futebol do
Botafogo, contra todas as expectativas, iniciou o campeonato estadual com o pé
direto, conquistando a Taça Guanabara de pontos corridos, já sob o comando de
René Simões, que substituíra o fraco Vagner Mancini.
O Botafogo conquistou o título vencendo o
Macaé na última rodada por 1x0 e beneficiando do empate por 0x0 entre Flamengo
e Nova Iguaçu. A atribuição do título foi impressionante: Botafogo e Flamengo
registraram empates por pontos, vitórias, saldo de gols e gols a favor, tendo o
título sido decidido apenas pelo resultado do confronto direto entre os dois
clubes, que o Botafogo vencera por 1x0.
No jogo que permitiu o título o Botafogo
venceu o Macaé no Estádio Olímpico Nilton Santos, por 1x0, gol de Elvis, aos
38’. A equipe formou com Renan; Luís Ricardo (Gilberto), Renan Fonseca, Alisson
e Carleto; Diego Giaretta; Willian Arão, Fernandes e Elvis; Jobson (Sassá) e
Henrique (Bill). Técnico: René Simões.
Pormenores do título em https://mundobotafogo.blogspot.com/2015/04/botafogo-conquistou-taca-guanabara-2015.html
Apontado como a 4ª força do Rio de Janeiro, o Botafogo desmentiu os favoritismos dos adversários, destacando-se com a dupla Bill e Jobson em partidas decisivas.
Nas semifinais do Estadual o Botafogo foi
vencido pelo Fluminense por 2x1 e no jogo de volta venceu o Fluminense pelo
mesmo resultado, tendo a disputa dramática ocorrido com 11 pênaltis para cada
lado. O Botafogo venceu por 9x8 com os goleiros decidindo a classificação –
Renan converteu, Diego Cavalieri desperdiçou e o Botafogo rumou para a final,
na qual perdeu ambos os jogos para o Vasco da Gama.
Entretanto, iniciou-se o Campeonato
Brasileiro – série B e houve troca de comando da equipe, com Ricardo Gomes a
substituir René Simões. Efetuando dois turnos muito regulares, o Botafogo assegurou
o regresso à série A na antepenúltima rodada e sagrou-se campeão brasileiro B
antecipadamente na penúltima rodada.
No jogo do título, realizado no Estádio Mané
Garrincha, em Brasília, o Botafogo derrotou o ABC por 2x1, gols de Roger
Carvalho, aos 8’, e Willian Arão, aos 32’. A equipe, comandada por Ricardo
Gomes, formou com Jefferson; Luís Ricardo, Renan Fonseca, Roger Carvalho e
Diego Giaretta; Rodrigo Lindoso, Willian Arão, Fernandes (Elvis) e Daniel
Carvalho (Lulinha); Neilton e Navarro (Ronaldo).
Pormenores do título em https://mundobotafogo.blogspot.com/2022/10/2015-botafogo-campeao-brasileiro-de.html
Em 2016 o Botafogo não conquistou nenhum
título de futebol na equipe principal e o seu técnico, Ricardo Gomes, após 1
ano e 21 dias ao leme do Glorioso, acabou por aceitar uma proposta para
comandar o São Paulo, em virtude de a Diretoria alvinegra não cumprir
compromissos verbais que estabelecera com o técnico.
Em boa hora, o jovem Jair Ventura, filho do
consagrado ‘Furacão’ da Copa do Mundo de 1970, foi contratado para substituir
Ricardo Gomes, não se queixando dos reforços que não chegaram e adequando o
plantel à realidade do Botafogo e ao que, na sua perspectiva, seria o
‘possível’ e o ‘realizável’.
Novamente o Botafogo superou as expectativas
e terminou num confortável 5º lugar, classificando-se para as eliminatórias da
Copa Libertadores da América. A equipe baseou-se numa defensiva muito bem
montada e em velocidade nas transições ofensivas.
A mesma estratégia foi prosseguida na Libertadores em 2017 e o Botafogo foi a sensação da mais importante competição continental, vencendo cinco ex-campeões sul-americanos que em conjunto conquistaram 13 Copas Libertadores.
Eis os resultados da campanha: 1ª
Eliminatória, Colo-Colo (2x1, 1x1); 2ª eliminatória, Olímpia (1x0, 0[3]x1[1]);
Fase de Grupos, Estudiantes (2x1, 0x1), Barcelona Guayaquil (1x1), Atlético
Nacional (2x0, 1x0); Oitavas-de-final, Nacional (Uruguai) (1x0, 2x0). Nas
Quartas-de-final o Botafogo foi eliminado pelo Grêmio (0x0, 0x1) com uma
arbitragem muito ‘marota’.
Súmulas da campanha em https://mundobotafogo.blogspot.com/2017/09/botafogo-gloriosa-campanha-na-taca.html
No Campeonato Brasileiro de 2017 o Botafogo
acercou-se da classificação para a Copa Libertadores, mas acabou por se
classificar em 10º lugar, a 2 pontos das eliminatórias de acesso à maior
competição continental, registrando 14V, 11E, 13D e saldo positivo de 3 gols
(45 a favor e 42 contra).
Nos últimos jogos Jair Ventura tentou tirar a
pressão dos seus jogadores, mas foi infeliz na sua comunicação pública e caiu
em ‘desgraça’ na torcida botafoguense. O técnico falou assim:
“A
gente fala em obrigação. Você já escalou o Monte Everest? Não podemos ter
obrigação com uma coisa que nunca aconteceu. O Botafogo nunca foi em dois anos
seguidos para a Libertadores. Nunca fui à Lua. Vamos procurar essa
classificação, mas sem pressão.”
E assim, 1 ano e 131 dias depois, Jair deixou
o cargo de treinador do Botafogo no dia 22 de dezembro de 2017.
Neste mandato do presidente Carlos Eduardo
Pereira e do vice-presidente Nelson Mufarrej iniciou-se o descarte de diversas
modalidades históricas do Botafogo, começando pelo voleibol masculino, que após
uma campanha espetacular na Série B do Campeonato Brasileiro ascendeu ao
direito de disputar a elite do voleibol nacional em 2018, mas a equipe
principal foi frustrantemente extinta.
É certo que modalidades como o Basquetebol e
o Polo Aquático conseguiram crescer e ganhar protagonismo, conquistando título
continentais, embora no polo aquático tenha sido muito a expensas dos próprios
jogadores e suas famílias, mas esse capital desportivo foi desbaratado na
diretoria.
Carlos Eduardo Pereira terminou o mandato sem
cumprir a legítima aspiração dos sócios torcedores do Botafogo de terem direito
a voto, reservado a uma minoria clássica de sócios-proprietários.
Fontes principais: ge.globo.com; mundobotafogo.blogspot.com;
oglobo.globo.com; www.lance.com.br.




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