por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo
Botafogo x Palmeiras foi um jogo agradável de seguir pela
boa movimentação de ambas as partes, mas a eficácia ficou bastante a desejar.
O Botafogo entrou bem no jogo e logo aos 3’ Álvaro
Montoro acionou o gigante Carlos Miguel num bom remate, mas praticamente à
figura do arqueiro.
Entretanto, como é seu costume, o Palmeiras passou a
girar a bola com paciência procurando uma falha da defesa alvinegra, mas faltou-lhe
afinação no remate e acerto no último passe, enquanto o Botafogo procurava, sem
grande sucesso, os lançamentos longos, sobretudo através de Montoro, que teve novamente
uma boa atuação – mas o ataque não primava em aproveitar os passes mais
disruptivos do jovem atleta.
Disso foi exemplo quando, aos 27’, Danilo arrancou pela ala
esquerda, serviu Montoro no meio, que endossou uma bola espetacular para Lucas
Villalba ficar sozinho frente a frente com o goleiro palmeirense, desperdiçando
incrivelmente a melhor oportunidade de gol do Botafogo em toda a partida.
A partir da ½ hora de jogo o Palmeiras ganhou finalmente maior
ascendente através da posse de bola, mas a dificuldade de entrar na área do
Botafogo era enorme, e no seguimento da anulação da jogada alviverde o Botafogo
tentava contra-ataques rápidos e agressivos, mas também sem efeito pela prioridade
dada ao chutão para a frente, devido à dificuldade de sair da defesa com a bola
dominada.
Pressentia-se que o Botafogo estava bem melhor organizado
do que nos últimos jogos e que a paciência do Palmeiras traduzia-se em futebol sem
criatividade e consequentemente pouco eficaz.
No segundo tempo o Palmeiras entrou melhor em busca do
gol com um contra-ataque muito perigoso aos 50’ e pouco depois, aos 56’, Gabriel
Batista fez a defesa da noite travando uma forte cabeçada de Maurício, que
levava selo de gol na melhor oportunidade do Palmeiras em toda a partida.
Porém, foi um controlo pouco sistemático, pelo que, fora
esses minutos iniciais, o padrão de jogo não se alterou: o Palmeiras em posse
de bola fútil; o Botafogo procurando mais a velocidade para romper a defesa
alviverde.
Porém, o resultado mostrava-se igualmente ineficaz para
ambos os lados, apesar de o jogo ser bastante movimentado, na medida em que
ficou mais partido e com mais espaços devido à vontade de ambas as equipes em
conseguir vantagem no marcador.
Ficou, também, menos tático e esclarecido após as substituições
operadas pelos dois treinadores. O Palmeiras caiu claramente de produção após
as substituições aos 62’, enquanto o Botafogo perdeu criatividade ao substituir
os seus dois jogadores mais criativos, em especial Arthur Cabral, que deu lugar
a Kadir – e na verdade quem deveria ter sido substituído era Danilo Pereira que
realizou uma má partida.
Por outro lado, as entradas de Edenílson e Cristian
Medina, no lugar de Danilo e Montoro (cansado), aos 77’, permitiram melhorar a
marcação e manter o Palmeiras em sentido, sem chances de gol.
No entanto, por via dessas substituições, a partida começou
a ser algo entediante, com o Palmeiras mastigando muito o jogo com a bola em
sua posse e o Botafogo travando com facilidade as chegadas à sua área.
Tudo parecia encaminhar-se para o empate justo, tal como
efetivamente ocorreu. Talvez pudesse ter sido 1x1, em vez de 0x0, mas os goleiros
também estão nos seus postos para assegurar, tanto quanto possível, as redes zeradas.
Em suma, o Botafogo foi mais organizado e competitivo contra
o Palmeiras, anulando lucidamente os ataques adversários, enquanto os paulistas
já tiveram tempos de maior criatividade e assédio às balizas adversárias.
No entanto, padecemos do mesmo de há bastante tempo: os
nossos atacantes não possuem a técnica decisiva que permite resolver os
desafios a nosso favor. Nos últimos 10 jogos no Brasileirão convertemos apenas
8 gols – e nem todos marcados por atacantes e meio-campistas.
No final, dois realces: a expulsão de Alexander Barboza fez jus às sistemáticas entradas violentas de antes e de agora; Marlon Freitas fez jus ao seu futebol sistematicamente para os lados, e para trás, e aos seus remates apontados à arquibancada – nunca foi diferente disso.
Vamos caminhando. Na esperança que Gabriel de Alba seja lúcido, algo que ainda não vimos traduzido na prática.
FICHA TÉCNICA
Botafogo 0x0 Palmeiras
» Gols: –
» Competição: Campeonato Brasileiro
» Data: 06.09.2026
» Local: Estádio Olímpico Nilton Santos, no Rio de
Janeiro (RJ)
» Público: 15.503 pagantes; 16.981 espectadores
» Receita: R$ 664.790,00
» Árbitro: Rodrigo José Pereira de Lima (PE);
Assistentes: Francisco Chaves Bezerra Junior (PE) e Karla Renata Cavalcanti de Santana
(PE)
VAR: Gilberto Rodrigues
Castro Junior (PE)
» Disciplina: cartão amarelo – Arthur Cabral, Marçal e Álvaro Montoro (Botafogo) e
Alexander Barboza e Marlon Freitas (Palmeiras); Cartão vermelho – Alexander Barboza (Palmeiras)
» Botafogo: Gabriel
Batista; Vitinho (Mateo Ponte), Ferraresi, Lucas Monzón e Marçal; Lucas
Villalba (Júnior Santos), Huguinho, Danilo (Edenílson) e Álvaro Montoro
(Cristian Medina); Danilo Pereira e Arthur Cabral (Kadir). Técnico: Rodrigo
Bellão.
» Palmeiras: Carlos
Miguel; Giay (Khellven), Gustavo Gómez, Alexander Barboza e Piquerez; Marlon
Freitas, Lucas Evangelista (Vítor Roque) e Andreas Pereira (Larson); Felipe
Anderson (Emiliano Martínez), Flaco López e Mauricio (Jhon Arias). Técnico:
Abel Ferreira.

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