por RUY MOURA | Editor do Mundo
Botafogo
Começo
por exprimir o meu susto quando ainda não estavam decorridos três minutos de
jogo e o Volta Redonda já criara três oportunidades contra uma defesa de três
zagueiros totalmente desarticulada, como se nenhum treino tivesse ocorrido.
Ao
45” Ygor Catatau falhou o remate frente a frente a Léo Linck por atraso de um
passo; aos 1’45” novo contra-ataque de dois contra um e o Volta Redonda marcou,
tendo nós a sorte de haver um impedimento milimétrico (por meia chuteira); aos
2’45” uma nova perda cara a cara de Ygor Catatau com o nosso goleiro, o qual
defendeu o remate inicial e no rebote, com a baliza à mercê, Marquinhos chutou
para fora.
Como
não sou adepto do sistema 3-4-3, cada vez mais usado, mas com vários insucessos
pelo mundo afora, sobretudo porque exige um perfil específico de jogadores e
Anselmi obviamente não os escolheu e trabalha com a matéria-prima existente,
fiquei seriamente preocupado, porque se o Volta Redonda tivesse convertido
legalmente uma das oportunidades criadas, provavelmente o restante jogo seria
um calvário para os nossos interesses.
Porém,
não foi assim!
A
equipe acalmou-se, procurou reter mais a bola, a zaga alta que permitiu aquelas
três infiltrações conseguiu ajustar-se ao esquema tático com o meio-campo mais
ligado na proteção e a posse de bola passou claramente para o Botafogo que,
entre os 15’ e os 20’ aproximou-se dos 70%.
Não
obstante o Botafogo ocupar o meio-campo do Voltaço e anular totalmente a saída
de bola do adversário, não conseguia efetuar incursões na grande área e consequentemente
não criava oportunidades de gol.
Ainda
assim, aos 19’, Mateo Ponte tabelou com Danilo, entrou na área e cara a cara com
o goleiro permitiu que ele espalmasse para escanteio. Aos 23’ Arthur rematou de
fora da área e o goleiro tocou com a ponta dos dedos para escanteio.
Depois
disso o jogo manteve a sua toada: defesa do Botafogo sem trabalho, rapazes da
cidade do aço sem conseguir sair para o ataque, domínio do meio-campo pelo
Glorioso e posse de bola, mas dificuldade na criação de oportunidades.
Aos
32’ Artur recebeu a bola, ajeitou à entrada da área e endossou para Arthur
Cabral que rematou cruzado sem sentido algum; aos 38’ Alex Telles cruzou,
Alexander Barboza cabeceou para Arthur Cabral também cabecear em seguida para as
mãos do goleiro; aos 40’ Arthur Cabral recebeu à entrada da área, tentou mais
um chute cruzado e novamente a bola foi para fora. Permitam-me, estimados
leitores, manifestar o meu pensamento sobre Arthur Cabral após meses de
exibição como titular: quase nunca está onde deve, e quando está fica muito a
dever…
E
assim se chegou ao intervalo sem que o Botafogo desse números ao placar
condizentes com a posse de bola e algumas oportunidades desperdiçadas, sobretudo
por Arthur Cabral.
A
2ª parte manteve-se semelhante à 1ª parte: o Volta Redonda sem assustar, com
saída de bola quase sempre anulada, e o Botafogo movimentando-se bem, mas dominando
sem eficácia ofensiva. Anselmi percebeu que tinha que agir e ao 61’ substituiu
Allan por Santi Rodríguez e Artur por Jordan Barrera.
Olhando
para a escalação antes do jogo questionei-me por que razão Santi Rodríguez não
era titular…
O
ataque tornou-se mais móvel com Santi Rodríguez, enquanto Montoro, atuando um
pouco mais avançado e com liberdade de ação, movimentava-se livremente e foi
dos seus valiosos pés que saiu o gol da vitória: aos 65’ a equipe atacou pelo corredor
esquerdo e após troca de passes bem sucedidos, bastaram quatro minutos para Santi
Rodríguez assistir Montoro, que avançou para a meia-lua da grande área, evitou
a marcação de Dener, ajeitou o remate e atirou para o fundo das redes no canto
mais difícil da baliza. Botafogo 1x0.
Aos
70’ Alexander Barboza rematou e a bola rasou a trave e, finalmente, aos 71’, Matheus
Martins entrou em substituição de Arthur Cabral e Nathan Fernandes em
substituição de Alex Telles.
Após
os 75’ o Botafogo apostou claramente em controlar totalmente o jogo para
defender o magro resultado, não melhorando por isso a sua exibição, até por
razão de quebra física ocorrida.
Aos
73’ o Voltaço quase marcava gol contra, mas Felipe Avelino salvou; aos 85’ Mateo
Ponte vacilou em não deixar a bola ir para fora e o empate esteve à vista contra
todas as expectativas em um jogo quase totalmente controlado a partir dos dez /
quinze minutos iniciais; o adversário insistiu e aos 86’, em ataque perigoso, a
bola não entrou porque se desviou no mesmo Mateo Ponte; já nos acréscimos, aos
90+4’, Matheus Martins lançou Jordan Barrera na cara do gol, que em vez de
rematar para selar a vitória decidiu-se pelo passe horizontal e a defesa salvou.
Fim
de jogo que permite retirar algumas ilações sobre a evolução futura.
Martín
Anselmi conseguiu colocar em campo uma equipe montada num 3-4-2 que foi capaz
de se defender razoavelmente bem após a desorientação inicial, atendendo à sua
ainda inexperiência num tal sistema, e de imprimir dinamismo através de posse
de bole e, simultaneamente, um ataque muito móvel que, à medida do tempo,
poderá constituir um quebra-cabeças para os adversários.
Todavia,
um sistema de 3-4-3 exige uma capacidade física maior e, quiçá, um banco de reservas
que atualmente não está à altura das necessidades, caso contrário o 3-4-3 se torna
um sistema frágil e permeável à tomada de gols.
Por
outro lado, Anselmi trabalha em cima de um plantel que continua a ser desmontado
praticamente na sua totalidade, restando dos campeões sul-americanos apenas dois
titulares, e quanto aos reforços continuamos no vazio devido ao transferban da
FIFA e também, provavelmente, a alguma inércia no que respeita a contratações por
via da incerteza criada com o transferban.
A
estreia da equipe principal do Botafogo na temporada, ao contrário de anos
anteriores, foi positiva e mostrou que Anselmi tem ideias concretas, mas a sua
evolução vai depender muito de a SAF Botafogo compreender que o núcleo central
de um Clube é vencer e conquistar títulos, não o de ser uma Central de Negócios
em detrimento do desporto, mas apenas, e só, complementar ao desporto, no caso,
ao futebol do Botafogo.
O
lucro não pode ser feito à custa de ‘corações partidos’, mas de corações apaixonados
que vibram com o Botafogo competitivo e conquistador.
FICHA
TÉCNICA
Botafogo 1x0 Volta Redonda
»
Gols: Álvaro Montoro, aos 65’
»
Competição: Campeonato Estadual
»
Data: 21.01.2026
»
Local: Estádio Olímpico Nilton Santos, no Rio de Janeiro (RJ)
»
Público: 5.308 pagantes; 5.910 espectadores
»
Renda: R$ 101.220,00
»
Árbitro: Bruno Mota Correia (RJ); Assistentes: Wallace
Muller Barros Santos (RJ) e Gabriel Bernardo Duarte (RJ); VAR: Alexandre Vargas
Tavares de Jesus (RJ)
»
Disciplina: cartão amarelo – Alexander
Barboza, Álvaro Montoro e Mateo Ponte (Botafogo) e Dener, PK e MV (Volta Redonda)
»
Botafogo: Léo Linck; Mateo Ponte, Newton (Marçal)
e Alexander Barboza; Vitinho, Allan (Santi Rodríguez), Danilo e Alex Telles
(Nathan Fernandes); Artur (Jordan Barrera), Arthur Cabral (Matheus Martins) e
Álvaro Montoro. Técnico: Martín Anselmi.
»
Volta Redonda: Felipe
Avelino; Wellington Silva (Alan), Rafael Augusto, Bruno Barra e Lucas Adell;
Dener (Valença), Wagninho (Kauã Souza) e PK (Blanco); Marquinhos (Juninho),
Ygor Catatau e MV. Técnico: Rodrigo Santana.

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