quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Botafogo 1x0 Volta Redonda – uma estreia positiva, mas...

Crédito: Vitor Silva / Botafogo.

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

Começo por exprimir o meu susto quando ainda não estavam decorridos três minutos de jogo e o Volta Redonda já criara três oportunidades contra uma defesa de três zagueiros totalmente desarticulada, como se nenhum treino tivesse ocorrido.

Ao 45” Ygor Catatau falhou o remate frente a frente a Léo Linck por atraso de um passo; aos 1’45” novo contra-ataque de dois contra um e o Volta Redonda marcou, tendo nós a sorte de haver um impedimento milimétrico (por meia chuteira); aos 2’45” uma nova perda cara a cara de Ygor Catatau com o nosso goleiro, o qual defendeu o remate inicial e no rebote, com a baliza à mercê, Marquinhos chutou para fora.

Como não sou adepto do sistema 3-4-3, cada vez mais usado, mas com vários insucessos pelo mundo afora, sobretudo porque exige um perfil específico de jogadores e Anselmi obviamente não os escolheu e trabalha com a matéria-prima existente, fiquei seriamente preocupado, porque se o Volta Redonda tivesse convertido legalmente uma das oportunidades criadas, provavelmente o restante jogo seria um calvário para os nossos interesses.

Porém, não foi assim!

A equipe acalmou-se, procurou reter mais a bola, a zaga alta que permitiu aquelas três infiltrações conseguiu ajustar-se ao esquema tático com o meio-campo mais ligado na proteção e a posse de bola passou claramente para o Botafogo que, entre os 15’ e os 20’ aproximou-se dos 70%.

Não obstante o Botafogo ocupar o meio-campo do Voltaço e anular totalmente a saída de bola do adversário, não conseguia efetuar incursões na grande área e consequentemente não criava oportunidades de gol.

Ainda assim, aos 19’, Mateo Ponte tabelou com Danilo, entrou na área e cara a cara com o goleiro permitiu que ele espalmasse para escanteio. Aos 23’ Arthur rematou de fora da área e o goleiro tocou com a ponta dos dedos para escanteio.

Depois disso o jogo manteve a sua toada: defesa do Botafogo sem trabalho, rapazes da cidade do aço sem conseguir sair para o ataque, domínio do meio-campo pelo Glorioso e posse de bola, mas dificuldade na criação de oportunidades.

Aos 32’ Artur recebeu a bola, ajeitou à entrada da área e endossou para Arthur Cabral que rematou cruzado sem sentido algum; aos 38’ Alex Telles cruzou, Alexander Barboza cabeceou para Arthur Cabral também cabecear em seguida para as mãos do goleiro; aos 40’ Arthur Cabral recebeu à entrada da área, tentou mais um chute cruzado e novamente a bola foi para fora. Permitam-me, estimados leitores, manifestar o meu pensamento sobre Arthur Cabral após meses de exibição como titular: quase nunca está onde deve, e quando está fica muito a dever…

E assim se chegou ao intervalo sem que o Botafogo desse números ao placar condizentes com a posse de bola e algumas oportunidades desperdiçadas, sobretudo por Arthur Cabral.

A 2ª parte manteve-se semelhante à 1ª parte: o Volta Redonda sem assustar, com saída de bola quase sempre anulada, e o Botafogo movimentando-se bem, mas dominando sem eficácia ofensiva. Anselmi percebeu que tinha que agir e ao 61’ substituiu Allan por Santi Rodríguez e Artur por Jordan Barrera.

Olhando para a escalação antes do jogo questionei-me por que razão Santi Rodríguez não era titular…

O ataque tornou-se mais móvel com Santi Rodríguez, enquanto Montoro, atuando um pouco mais avançado e com liberdade de ação, movimentava-se livremente e foi dos seus valiosos pés que saiu o gol da vitória: aos 65’ a equipe atacou pelo corredor esquerdo e após troca de passes bem sucedidos, bastaram quatro minutos para Santi Rodríguez assistir Montoro, que avançou para a meia-lua da grande área, evitou a marcação de Dener, ajeitou o remate e atirou para o fundo das redes no canto mais difícil da baliza. Botafogo 1x0.

Aos 70’ Alexander Barboza rematou e a bola rasou a trave e, finalmente, aos 71’, Matheus Martins entrou em substituição de Arthur Cabral e Nathan Fernandes em substituição de Alex Telles.

Após os 75’ o Botafogo apostou claramente em controlar totalmente o jogo para defender o magro resultado, não melhorando por isso a sua exibição, até por razão de quebra física ocorrida.

Aos 73’ o Voltaço quase marcava gol contra, mas Felipe Avelino salvou; aos 85’ Mateo Ponte vacilou em não deixar a bola ir para fora e o empate esteve à vista contra todas as expectativas em um jogo quase totalmente controlado a partir dos dez / quinze minutos iniciais; o adversário insistiu e aos 86’, em ataque perigoso, a bola não entrou porque se desviou no mesmo Mateo Ponte; já nos acréscimos, aos 90+4’, Matheus Martins lançou Jordan Barrera na cara do gol, que em vez de rematar para selar a vitória decidiu-se pelo passe horizontal e a defesa salvou.

Fim de jogo que permite retirar algumas ilações sobre a evolução futura.

Martín Anselmi conseguiu colocar em campo uma equipe montada num 3-4-2 que foi capaz de se defender razoavelmente bem após a desorientação inicial, atendendo à sua ainda inexperiência num tal sistema, e de imprimir dinamismo através de posse de bole e, simultaneamente, um ataque muito móvel que, à medida do tempo, poderá constituir um quebra-cabeças para os adversários.

Todavia, um sistema de 3-4-3 exige uma capacidade física maior e, quiçá, um banco de reservas que atualmente não está à altura das necessidades, caso contrário o 3-4-3 se torna um sistema frágil e permeável à tomada de gols.

Por outro lado, Anselmi trabalha em cima de um plantel que continua a ser desmontado praticamente na sua totalidade, restando dos campeões sul-americanos apenas dois titulares, e quanto aos reforços continuamos no vazio devido ao transferban da FIFA e também, provavelmente, a alguma inércia no que respeita a contratações por via da incerteza criada com o transferban.

A estreia da equipe principal do Botafogo na temporada, ao contrário de anos anteriores, foi positiva e mostrou que Anselmi tem ideias concretas, mas a sua evolução vai depender muito de a SAF Botafogo compreender que o núcleo central de um Clube é vencer e conquistar títulos, não o de ser uma Central de Negócios em detrimento do desporto, mas apenas, e só, complementar ao desporto, no caso, ao futebol do Botafogo.

O lucro não pode ser feito à custa de ‘corações partidos’, mas de corações apaixonados que vibram com o Botafogo competitivo e conquistador.

FICHA TÉCNICA

Botafogo 1x0 Volta Redonda

» Gols: Álvaro Montoro, aos 65’

» Competição: Campeonato Estadual

» Data: 21.01.2026

» Local: Estádio Olímpico Nilton Santos, no Rio de Janeiro (RJ)

» Público: 5.308 pagantes; 5.910 espectadores

» Renda: R$ 101.220,00

» Árbitro: Bruno Mota Correia (RJ); Assistentes: Wallace Muller Barros Santos (RJ) e Gabriel Bernardo Duarte (RJ); VAR: Alexandre Vargas Tavares de Jesus (RJ)

» Disciplina: cartão amarelo – Alexander Barboza, Álvaro Montoro e Mateo Ponte (Botafogo) e Dener, PK e MV (Volta Redonda)

» Botafogo: Léo Linck; Mateo Ponte, Newton (Marçal) e Alexander Barboza; Vitinho, Allan (Santi Rodríguez), Danilo e Alex Telles (Nathan Fernandes); Artur (Jordan Barrera), Arthur Cabral (Matheus Martins) e Álvaro Montoro. Técnico: Martín Anselmi.

» Volta Redonda: Felipe Avelino; Wellington Silva (Alan), Rafael Augusto, Bruno Barra e Lucas Adell; Dener (Valença), Wagninho (Kauã Souza) e PK (Blanco); Marquinhos (Juninho), Ygor Catatau e MV. Técnico: Rodrigo Santana.

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