quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Aeromodelismo: campeão de terra, mar e ar


O aeromodelismo só recentemente foi reconhecido como desporto, mas desde 1936 que existiam lojas a vender material de aeromodelismo e a 19 de Julho de 1942 realizou-se o I Campeonato Paulista de Aeromodelismo, no Campo de Marte.

Em 1970 surgiu o clube ‘Aerobu’, de voo livre, e, em 1975, Eolo Carlini, o primeiro brasileiro a participar de um Campeonato Mundial de motor FAI, classificou-se em fly-off entre os melhores do mundo. Em 1987 o aeromodelismo foi reconhecido como desporto no Brasil e em 1996 a delegação brasileira de aeromodelismo 'Voo Circular Controlado' obteve o 6º lugar no Campeonato Mundial da Suécia.

Entretanto, Luiz Eduardo Mei conseguiu o recorde brasileiro e sul-americano em 'Velocidade', voando a 294 km/h.

Ocasionalmente o Botafogo dispôs de aeromodelismo entre as suas práticas deportivas e conseguiu obter o título de campeão estadual em 1962, no ano em que obteve, entre todas as suas modalidades desportivas, um feito inédito de nível mundial ao conquistar 120 títulos!

Apesar de ter sido o único título da modalidade, segundo a inexistência de outras informações públicas sobre a matéria, o Botafogo teve direito, nesse ano, ao epíteto de campeão da cabeça aos pés (xadrez, futebol…) e de campeão de terra, mar e ar (basquetebol, remo, aeromodelismo…).

A designação de ‘campeão de terra, mar e ar’ foi atribuída pelo Comitê Olímpico Internacional em virtude de o Botafogo ter sido a entidade poliesportiva que conquistou títulos simultaneamente naqueles três elementos planetários e em todas as categorias desportivas em que participou nesse ano.

Fontes principais
Acervo e pesquisa de Rui Moura
http://www.amamodelismo.com.br
http://www.diarioweb.com.br

Mensagem de 28 a 31 de Janeiro de 2008

PARABÉNS AOS JOGADORES INFANTIS DE FUTEBOL DO BOTAFOGO QUE CONQUISTARAM A COPA GAZETINHA NACIONAL!

Saudação aos infantis do Botafogo de Futebol e Regatas que conquistaram a Copa Gazetinha 2008 e fizeram a 'volta olímpica' no 'Engenhão' após o jogo Botafogo x Mesquita, aos quais se juntaram os campeões pré-mirins que venceram a Copa Light 2007 e os campeões mirins, infantis e juniores que venceram a Copa Roberto Dinamite 2007.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Botafogo resolve desafio em vinte minutos

Não assisti ao desafio pela televisão porque o Premium FC só apresentará o jogo em diferido no próximo Domingo, após transmitir ao vivo, no Sábado, o jogo Botafogo x Vasco da Gama. Por outro lado, tive muitas intermitências no relato da Rádio Globo. Nestas condições, limitar-me-ei a apresentar apenas a ficha técnica e alguns apontamentos a partir dos gols que pude visionar na Internet.

Aparentemente o Botafogo ganhou facilmente o jogo: 3x0 aos 22 minutos e 4x0 na primeira parte. No segundo tempo foi esperar que o relógio do árbitro parasse, naturalmente. Jorge Henrique pareceu-me mais uma vez em evidência servindo muito bem os companheiros para gol, Zé Carlos confirmou poder vir a ser um ‘craque’ a cobrar faltas e mesmo a aparecer bem posicionado para marcar, Wellington Paulista estava nas jogadas, Alessandro continua com o seu trevo de quatro folhas dos últimos jogos, marcando um gol com bastante sorte, tal como, aliás, o primeiro gol assinalado por Wellington Paulista, cuja bola entrou na baliza após bater nas costas do goleiro e, finalmente, Abedi estreou-se também na marcação de gol.

Apesar da facilidade da goleada, diria que dois dos nossos gols foram bafejados pela sorte, o que por não ser comum não é muito desejável. Por outro lado, ambos os gols do Mesquita são claramente falhas defensivas uma vez mais. No primeiro gol do adversário Leandro Neto passou entre dois jogadores do Botafogo, um deles o supostamente seguríssimo Ferrero. Sucede que no jogo contra o Americano, logo aos 2 minutos, um jogador passou, na cabeça da área, por entre dois botafoguenses, e um deles era Ferrero, salvando Castillo com uma boa defesa. Desta vez foi semelhante, apenas com a jogada mais descaída para o lado esquerdo do ataque do Mesquita e terminou mesmo em gol.

Entretanto, o segundo gol do Mesquita é claramente falha do goleiro Castillo, que chega mal à bola e a deixa na área com um ‘tapinha’, permitindo o rebote – este sim, indefensável. Isto suscita-me a necessidade de tornar a sublinhar, apesar da vitória, que o Botafogo ainda não se livrou do que considero serem os dois maiores problemas da equipa do ano passado: o goleiro (já é o segundo gol por falha sua) e a defesa que deixa um jogador do Mesquita e outro do Americano passar entre dois atletas botafoguenses!

Sábado contra o Vasco da Gama talvez se possa avaliar melhor o funcionamento desta equipa, apesar dos cruzmaltinos não estarem muito bem no campeonato. Aliás, desejo que o teste mais sério ocorra apenas nas semifinais contra os reais candidatos ao título.

Em todo o caso, deve-se realçar que o Botafogo não ganhava os quatro primeiros jogos do campeonato desde 1997, quando conquistou invicto, e só com vitórias, a Taça Guanabara. Porque não outra vez?...

Finalmente, destaque para a 'volta olímpica' dos pequenos campeões da Copa Gazetinha Nacional 2008 (infantis), da Copa Light 2007 (pré-mirim) e da Copa Roberto Dinamite 2007 (mirim, infantil e júnior). A categoria dos 'graúdos' espera-vos para grandes façanhas!

FICHA TÉCNICA
Botafogo 6x2 Mesquita
Gols: Wellington Paulista 16' 1°T, Zé Carlos 19' 1°T, Lúcio Flávio 22' 1°T, Zé Carlos 36' 1°T, Alessandro 12' 2°T, Abedi 47' 2°T (Botafogo); Leandro Netto 6' 2°T, Édson 18' 2°T (Mesquita)
Competição: Campeonato Carioca
Estádio Olímpico João Havelange, o ‘Engenhão’, 30 de Janeiro de 2008
Arbitragem: Leonardo Garcia Cavaleiro; Ediney Guerreiro Mascarenhas e Eduardo de Souza Couto (RJ)
Cartões Amarelos: Diguinho, Fábio, Ferrero e Triguinho (Botafogo); Alessandro Lopes, Dé e Márcio Orelha (Mesquita)
Cartões Vermelhos: Alessandro Lopes (Mesquita)
Botafogo: Castillo, Alessandro, Renato Silva, Ferrero e Triguinho (Eduardo); Diguinho (Abedi), Túlio, Lúcio Flávio e Zé Carlos; Jorge Henrique e Wellington Paulista (Fabio). Técnico: Alexi Stival, o ‘Cuca’.
Mesquita: Borges; Édson, Juan, Alessandro Lopes e Felipinho; Léo, Índio, Bruno Suzano (Vágner Eugênio) e André Melo (Dé); Leandro Netto e Márcio Orelha (Fábio Costa). Técnico: Mário Marques.

Augusto Frederico Schmidt, o artífice da fusão botafoguense


Augusto Frederico Schmidt, o ‘gordinho sinistro’, nasceu a 18 de Abril de 1906 no seio de uma família abastada do Rio de Janeiro e faleceu a 8 de Fevereiro de 1965, na mesma cidade. Foi Schmidt o idealizador da fusão entre o Botafogo Football Club e o Club de Regatas Botafogo, do qual era presidente (1941-42).

Na sequência da morte fulminante de Armando Albano em plena quadra do Mourisco foi Schmidt que encetou a fusão, embora depois apenas viesse a ser vice-presidente do Botafogo de Futebol e Regatas [ver artigos: A fusão dos Botafogos e o poeta da estrela solitária; Fusão dramática entre a ‘Estrela Solitária’ e o ‘Glorioso’].

Extraordinário ‘lobista’ na política, Schmidt teceu a teia da fusão dos Botafogos, duas paixões clubistas que Schmidt deixa adivinhar no seu poema ‘Estrela Solitária’. Gravado para sempre nas ‘letras brasileiras’ e na vida do Botafogo, Schmidt gravou também a sua arte na política ao tornar-se íntimo de Juscelino Kubitschek, outro botafoguense.

Schmidt estudou no colégio Champs Soleil, na Suiça, regressou ao Rio em 1916 após a morte do pai e continuou os seus estudos no Colégio São José, passando depois por diversas escolas. Após a morte da mãe abandonou os estudos e dedicou-se ao comércio, radicando-se em São Paulo e ligando-se a Mário e Oswald de Andrade. Em 1928 publicou o seu primeiro livro: ‘Canto do Brasileiro Augusto Frederico Schmidt’. Em seguida criou uma editora e tornou-se um grande divulgador do ‘modernismo’.

Schmidt foi uma das maiores figuras intelectuais da sua época fazendo, nos seus poemas, incursões aos temas da morte, da ausência, da perda e do amor. Publicou diversos livros de poemas, entre os quais ‘O galo branco’, ‘Prelúdio à revolução’, ‘Estrela Solitária’, ‘Navio Perdido’, ‘Pássaro Cego’, ‘Aurora Lívida’, ‘Babilônia’, mas também publicou livros importantes como editor – por exemplo, ‘Casa grande e senzala’ (de Gilberto Freire) e ‘Caetés’ (de Graciliano Ramos).

Schmidt foi igualmente um espírito criativo e empreendedor, tendo fundado a cadeia de supermercados Disco, no Rio de Janeiro, e a Panair, enriquecendo pelo seu talento. Porém, também foi político, diplomata e ghost-writer preferido de Juscelino Kubitschek, criando o lema de campanha ’50 anos em 5’.

O poeta político escreveu inúmeros discursos para Juscelino e muitas das suas ideias concretizaram-se, tais como a criação da Operação Pan-Americana (OPA), que inspirou o surgimento do Banco Interamericano de Desenvolvimento. Ainda foi delegado do Brasil na Organização das Nações Unidas (ONU) e embaixador na Comunidade Económica Europeia, hoje designada por União Europeia.

Schmidt servia Juscelino para ‘driblar a crise’ e foi provavelmente o maior ‘lobista’ que o país conheceu. Em 1960, Schmidt teve uma destacada influência como presidente do Conselho dos 21, na Conferência de Bogotá. Mais tarde, Schmidt também foi um dos artífices do movimento militar de Março de 1964 contra o ascendente comunista, mas, após a vitória, Schmidt passou a defender os estudantes e os operários presos e combateu os novos planos da ditadura para o país, acusando-os de falta de grandeza para um país necessitado de progresso.

Em homenagem a este extraordinário intelectual, político e botafoguense, fica aqui um belíssimo excerto de ‘Canto do estrangeiro’:

“Quero morrer de noite –
As janelas abertas,
Os olhos a fitar a noite infinda.

Quero morrer de noite.
Irei me separando aos poucos,
Me desligando devagar.
A luz das velas envolverá meu rosto lívido.

Quero morrer de noite
As janelas abertas.
Tuas mãos chegarão aos meus lábios
Um pouco de água.
E os meus olhos beberão a luz triste dos teus olhos.
Os que virão, os que ainda não conheço,
Estarão em silêncio,
Os olhos postos em mim.

Quero morrer de noite
As janelas abertas,
Os olhos a fitar a noite infinda.

Aos poucos me verei pequenino de novo, muito pequenino.
O berço se embalará na sombra de uma sala
E na noite, medrosa, uma velha coserá um enorme boneco.
Uma luz vermelha iluminará um grande dormitório
E passos ressoarão quebrando o silêncio.
Depois na tarde fria um chapéu rolará numa estrada...

Quero morrer de noite –
As janelas abertas.
Minha alma sairá para longe de tudo, para bem longe de tudo.

E quando todos souberem que já não estou mais
E que nunca mais volverei
Haverá um segundo, nos que estão
E nos que virão, de compreensão absoluta.”

Fontes
http://br.geocities.com/jerusalem_13/augustofrederico.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/Augusto_Frederico_Schmidt
http://www.astormentas.com/din/poemas.asp?autor=Augusto+Frederico+Schmidt
http://www.revista.agulha.nom.br/afs2.html
http://www.speculum.art.br/module.php?a_id=319

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