por RUY MOURA |
Editor do Mundo Botafogo
Em 1969 Paulo César ‘Caju’ foi eleito pelo
Jornal dos Sports e pela Skol o craque da 7ª rodada do Campeonato Estadual,
tendo sido o famoso jornalista botafoguense ‘roxo’, Salim Simão, designado pelo
então presidente do Botafogo, Althemar Dutra de Castilho, com seu representante
no evento por impedimento súbito deste.
Salim Simão, o ‘esquerdista’ amicíssimo do ‘direitista’
Nélson Rodrigues, não se fez de rogado no seu vozeirão tonitruante, com o qual
bradava a sete ventos o seu Glorioso amor, e ligou as ‘baterias’ todas:
“A
escolha de um craque nunca foi tão justa. Você é o maior jogador de futebol
brasileiro no momento. Há pouco eu falei com o nosso presidente e ele me
autorizou a dizer que você, Paulo César, é outro Pelé do nosso futebol. Sua
forma técnica, sua forma física, sua versatilidade de jogar, e jogar sempre
bem, em qualquer posição, têm que ser exaltadas por todos.”
Salim Simão falava na presença do ‘alto
comando’ do futebol alvinegro, que incluía Mário Zagallo, o qual fora parceiro
de Paulo César ‘Caju’ e nesse ano de 69 era seu treinador, e após entregar ao
nosso futebolista a medalha correspondente ao prêmio, pegou no gravador, pediu
silêncio e anunciou:
“Isso é
em sua homenagem. Você vai escutar os três gols daquela famosa decisão da Taça
Guanabara de 67, contra o América, em que o Botafogo venceu por 3 a 2, na
prorrogação, com gols seus.”
E após a homenagem, que recebeu muitos
aplausos ao jornalista e especialmente ao homenageado futebolista, Salim Simão
rematou assim:
“Já
escutei esses gols não sei quantas centenas de vezes. Ainda assim fico todo
arrepiado.”
Salim Simão era um ‘furacão’ quando se
tratava de Botafogo e as “centenas de vezes” mencionadas eram realmente
verdadeiras.
Os testemunhos de Nélson Rodrigues, o seu
grande amigo, que o retratava nos seus guiões de teatro, e de Roberto Porto, o
nosso saudoso jornalista falecido em 2014 e seu colega de redação, não nos
desmentem:
“Vez
por outra, em dias seguintes às vitórias, adentrava a editoria de esportes a
figura de Salim Simão, aos gritos. De Salim guardo a lembrança de uma fita
cassete com os gols do Botafogo na conquista de títulos” – escreveu Porto, acrescentando
que a fita cassete era ouvido vezes sem fim.
A questão é: Paulo César era realmente o Pelé
do futebol em 1969 com as suas artísticas atuações ou a ideia fazia apenas
parte dos belos e tonitruantes sonhos preto-e-branco do inconfundível jornalista
botafoguense Salim Simão?
Fontes: https://blogdorobertoporto.blogspot.com;
https://blogs.oglobo.globo.com; Jornal dos Sports, 24.04.1969.

2 comentários:
Tive a sorte e o privilégio de ver o PC Caju e aquela geração de 67/68 em ação. De fato o PC Caju foi um dos grandes craques do futebol brasileiro, jogava muita bola, mas não chegaria a tanto em relação ao Pelé. Me lembro bem do botafoguismo do Salim Simão. Nunca vou esquecer de suas palavras num programa de tv, depois do jogo que o Botafogo quebrou a invencibilidade do Flamengo em 1979, quando de forma irônica pergunta pela 'medalhas" cunhadas pelo adversário para comemorar o recorde brasileiro de jogos invictos. Mas entendo o Salim Simão, afinal todo botafoguense é antes de tudo um apaixonado pelos seus craques, e realmente o Paulo César Lima tinha um talento, uma elegância e um futebol de altíssima qualidade. Quem dera que esses "craques" brasileiros atuais jogassem no mínimo que ele jogava. Abs e SB!
Claro que era a exacerbação clubista de Salim a falar. (rsrsrs) Mas, realmente, não sendo um Pelé, nem um Garrincha, nem um Didi, era indiscutível a qualidade de PC Caju, sobretudo pela sua elegância técnica, algo muito perdido no futebol físico predominante da atualidade.
Assisti à final de 1968 em que o Vasco foi goleado. Foi uma alegria enorme. Zoei o meu pai vascaíno e ele me passou um raspanete alegando que não me zoara quando no jogo do 1º turno o Botafogo perdera para o Vasco por 2x0. Talvez por isso eu não tenha tendência para zoar pessoalmente os outros. Mas às vezes até apetece, tal como Salim zoou com as famosas e ridículas medalhas de maior invencibilidade cunhadas antecipadamente pelo Flamengo que tantos amistosos angariou para nos ultrapassar e acabou zoado em praça pública.
Abraços Gloriosos, Companheiro.
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