por RUY MOURA |
Editor do Mundo Botafogo
Em 2013 o ano foi, futebolisticamente
falando, particularmente favorável ao futebol botafoguense, sob a liderança
técnica de Seedorf em campo – e mesmo fora de campo no que respeita a
preparação física e cuidado dos atletas também nas suas vidas pessoais.
Fluente em seis idiomas, Seedorf possui
mestrado em administração de empresas, é proprietário de um restaurante em
Milão e dirige uma empresa de negócios desportivos e uma instituição de
caridade.
“Nunca vi uma personalidade tão forte. Ele
falava 10% cm jogador, 70% como técnico e 20% como diretor-geral” – comentou
Bruno Demichelis, ex-psicólogo do Milan, ao jornal The Guardian.
O Campeonato Estadual foi um verdadeiro
passeio botafoguense, que se sagrou campeão da Taça Guanabara e da Taça Rio,
sem necessidade da disputa de finais de campeonato para atribuição do título –
obtido diretamente com a conquista das duas competições.
Os números são indiscutíveis: Taça Guanabara
– 6 vitórias, 2 empates e 1 derrota,18 gols a favor e 5 contra; Taça Rio – 9
vitórias, 26 gols a favor e 3 contra; total d duas competições – 15 vitórias, 2
empates e 1 derrota, 44 gols a favor e 8 contra (média de 2,4 gols marcados por
jogo).
Na Taça Guanabara, o Botafogo bateu o
Flamengo na semifinal por 2x0, gols de Júlio César, aos 1’, e Vitinho, aos
90+3’. Na final, realizada no dia 10 de março de 2013, o Botafogo derrotou o
Vasco da Gama por 1x0, gol de Lucas aos 80’, tendo a equipe, comandada por Oswaldo
de Oliveira, formado com Jefferson; Lucas, Bolívar, Dória e Júlio César;
Marcelo Mattos (Vitinho), Gabriel, Fellype Gabriel, Seedorf e Lodeiro (André
Bahia); Rafael Marques (Bruno Mendes).
Entretanto, nesse mês de março, a Prefeitura
do Rio de Janeiro interditou o Engenhão, justificando-se com a existência de
problemas estruturais na cobertura, com risco de colapso do teto em ventos
acima de ~60-65 km/h, o que significou que o Botafogo ficou sem estádio para
jogar e perdeu receitas importantes que acarretaram prejuízos significativos.
Apesar disso, por virtude das decisões desportivas anteriores, o futebol do Botafogo melhorou ainda mais durante o ano de 2013, não obstante sido obrigado a mandar fora os jogos que realizava em casa, embora no final da temporada, como veremos mais adiante, a gravidade dos problemas financeiros teve consequências profundamente dolorosas em 2014.
Entretanto, na Taça Rio, o Botafogo derrotou
o Resende na semifinal por 5x0, gols de Dória, aos 12’, Lodeiro, aos 17’, Fellype
Gabriel, aos 25’, Rafael Marques, aos 54’, e Seedorf, aos 83’. Na final,
realizada no dia 5 de abril de 2013, o Botafogo venceu o Fluminense por 1x0,
gol de Rafael Marques, aos 40’, tendo a equipe, comandada por Oswaldo de
Oliveira, formado com Jefferson; Lucas, Bolívar, Dória e Júlio César (Lima);
Marcelo Mattos, Gabriel, Lodeiro, Seedorf (Lucas Zen) e Fellype Gabriel; Rafael
Marques (Vitinho).
Nas semifinais e finais das duas competições
estaduais o Botafogo venceu Flamengo, Fluminense, Resende e Vasco da Gama com
um total de 9 gols sem resposta, evidenciando um forte esquema defensivo,
criação no meio e veia goleadora na frente.
Campanhas completas em https://mundobotafogo.blogspot.com/2013/08/2013-botafogo-campeao-carioca-de-futebol.html
No Campeonato Brasileiro o Botafogo realizou
a melhor campanha de pontos corridos até aquela data, classificando-se em 4º
lugar e acedendo automaticamente à disputa da Copa Libertadores da América do
ano seguinte.
O Botafogo desenvolveu um futebol assertivo e
superiormente elaborado; Clarence Seedorf foi o grande líder técnico e
referência dentro de campo, superando largamente as indicações do treinador
Oswaldo de Oliveira; Rafael Marques reencontrou-se finalmente e foi o
artilheiro da equipe; Lodeiro foi criativo n meio-campo; e Jefferson, o melhor
goleiro do país à época, foi muito seguro no gol e transmitiu essa segurança
para toda a linha defensiva.
O equipe chegou a liderar o campeonato da 6ª
à 13ª rodada, jogando um futebol consistente e competitivo, no qual se
destacava a forte organização tática, a experiência (sobretudo de Seedorf) e
uma eficácia ofensiva relevante.
Seedorf criou mais oportunidades de gol do
que qualquer outro jogador no Campeonato Brasileiro de 2013, marcando 17 gols
em 59 jogos pelo clube que, segundo o próprio, foi crucial para reencontrar a
sua paixão pelo futebol.
“Jogar no Brasil também foi como voltar à
minha juventude” – disse Seedorf ao The Guardian. “Em termos de posição em que
joguei, da liberdade e criatividade que senti em campo e da simples apreciação
de jogar futebol.”
No segundo turno a equipe decaiu,
principalmente devido a possuir um elenco curto, lesões importantes e perda de
fôlego na reta final, embora tenha conseguido consolidar a sua presença no G4
apesar das dificuldades mencionadas.
No fim do Brasileirão de 2013 Seedorf
pendurou as chuteiras, reformando-se como atleta de elite do futebol mundial.
O ano de 2014, em matéria de futebol, quebrou
claramente com a saída de Seedorf, desgastado por o elenco não estar disposto a
seguir as suas regras, dentro e fora de General Severiano, que exigia
parcimônia de comportamentos no que respeita a dietas e diversões, tendo o
próprio goleiro Jefferson, símbolo do Glorioso, evidenciado publicamente a sua
discordância quanto às exigências de preparação competitiva que seguiam o
exigente padrão do futebol europeu.
Seedorf queria mudar radicalmente o Botafogo,
indo ao pormenor de sugerir mudança no hino para suprimir a expressão “perder”.
Era pormenorizado em tudo, como conta Dória:
– “Uma vez saí do quarto para pegar um biscoito
ou suco e ele me viu. ‘Porque você está indo descalço?’. Respondi: – ‘Eu vou só
tomar um suco’. Ele me deu o chinelo dele e fiquei todo sem graça. Quando
voltei ele falou: ‘Nunca mais ande descalço. Imagine se você der uma topada ou
cortar o pé porque amanhã temos jogo. E você ficar de fora por que está
descalço?’ Eu leve isso para a minha vida toda.”
No domínio das demais modalidades a diretoria
continuou incentivando-as durante o ano de 2013. Entre muitos títulos de 11
modalidades destacaram-se o Remo (medalhas internacionais, Campeonato
Brasileiro Sênior, Campeonato Brasileiro Júnior e Campeonato Estadual); o
Futebol de 7 (Campeonato Brasileiro e Campeonato Estadual); o Pólo Aquático
(Campeonato Brasileiro de Mar); a Natação (vários Campeonatos Estaduais);
Futsal (Taça Brasil e Campeonatos Estaduais de base); e ainda foram lançadas as
modalidades de Artes Marciais e Póquer com medalhas internacionais e conquistas
nacionais e estaduais.
Conquistas do Botafogo em todas as modalidades em 2013: https://mundobotafogo.blogspot.com/2013/12/conquistas-do-botafogo-em-2013.html
No entanto, o verdadeiro caso do ano,
altamente polêmico e de consequências muito nefastas, foi a interdição do
Engenhão. O estádio fechou por cerca de dois anos, realizaram-se obras de
reforço estrutural e só reabriu em 2015. Acresce que houve versões contestando
a decisão, designadamente o risco de o eventual colapso ter sido sobrestimado
ou até mesmo não ter havido perigo real de desabamento.
Uma verdadeira ‘batalha judicial’ envolveu
construtora, prefeitura, consórcio e o próprio Clube até hoje, sobretudo devido
à discussão de quem errou no projeto ou na execução e à disputa de quem deve
pagar os cerca de R$ 200 milhões.
Ademais, quando o estádio foi interditado, o
Maracanã estava passando por reforma para a Copa do Mundo FIFA 2014 e por um
processo de concessão à iniciativa privada, ou seja, havia dois ativos
estratégicos do futebol carioca que estavam no centro de decisões públicas em
simultâneo.
Donde, a hipótese: “A interdição do estádio,
em termos simples, significa que sem o Engenhão o Maracanã ficava praticamente
sem rival como grande estádio da cidade.”
É uma hipótese plausível do ponto de vista
político-económico na medida em que a interdição foi repentina e o estádio era
de uso recente (apenas 6 anos), tornando-se o Maracanã ainda mais central
naquele período e, por outro lado, o futebol do Botafogo em ascensão não era
bem visto por determinadas entidades, juntando-se o útil ao agradável com o fecho
do estádio.
Como consequências o Glorioso perdeu
importantes receitas, viu-se com dificuldade financeiras agravadas e com a necessidade
de mandar jogos em outros estádios, acabando a interdição por prejudicar fortemente
o Clube em 2013 e, sobretudo, em 2014, quer do ponto de vista desportivo, quer
do ponto de vista financeiro em virtude de a principal fonte de receitas do
Clube – bilheteria, eventos e publicidade – ter sido anulada.



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