quinta-feira, 28 de maio de 2026

Botafogo 3x1 Caracas – a melhor campanha da Sul-americana

A dupla da virada. Crédito: Vitor Silva | Botafogo

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

Duas equipes em campo sem grandes objetivos e com muitos reservas, ofereceram um mau espetáculo aos espectadores na 1ª parte, como que cumprindo meramente calendário. Nem mesmo os jogadores reservas, de parte a parte, procuraram – ou não conseguiram – mostrar-se à altura de substituir os titulares.

Do lado do Botafogo a inoperância foi total, exceptuando-se apenas um passe de Joaquín Correa para um remate frontal de Jordan Barrera à baliza, desperdiçado para fora.

Do Caracas pouco mais se viu, inaugurando o marcador aos 36’ à custa de um gol contra de Chris Ramos, indefensável para Raul: 0x1, sem méritos.

E assim se chegou ao intervalo na expectativa de que, talvez, a equipe do Botafogo viesse a adotar o costumeiro comportamento de mau 1º tempo, bom 2º tempo.

Foi justamente isso que aconteceu: o Botafogo regressou totalmente alinhado a um futebol de jogadas bem urdidas e não se pode sequer justificar isso unicamente pela entrada de Cristian Medina ao intervalo, já que nem sequer foi o melhor homem do Botafogo, e o justo empate chegou antes das substituições mais significativas.

Aos 50’ Joaquín Correa rematou de fora da grande área e a bola passou rasando o travessão; aos 56’ Medina rematou perigosamente ao lado, embora pudesse ter feito melhor do que isso. O Botafogo permaneceu perigoso mandando no jogo e o Caracas meramente remetido a defender a magra vantagem que esperava preservar, não passando praticamente do seu meio campo.

Aos 61’, após cobrança de lateral, a bola foi aos pés de Joaquín Correa, que próximo à entrada da grande área deu um toque pelo alto para Chris Ramos que se deslocava e, frente a frente com o goleiro, rematou em arco e empatou a partida, redimindo-se do gol contra: 1x1.

No minuto seguinte Franclim substituiu Jordan Barrera (irreconhecível) por Matheus Martins, o Botafogo continuou perigoso, rasgando ainda mais a defesa contrária e urdindo boas jogadas. Aos 70’ o técnico dispensou Edenílson e Chris Ramos e fez entrar Caio Valle e Kauan Toledo. Na jogada seguinte, aos 71’, na ala esquerda do ataque, Toledo apareceu em boa posição no ataque, avançou, serviu Matheus Martins, que tocou para Joaquín Correa cruzar junto à linha de fundo e o próprio Toledo apareceu à boca da baliza para virar o placar: Botafogo 2x1.

Sobrava Botafogo. De tal modo que a gestão do jogo era totalmente nossa sem oposição adversária e aos 85’ Joaquín Correa podia ter fechado com chave de ouro as duas assistências que fez para gol decretando ele mesmo o seu gol, mas face a face com o goleiro desperdiçou para fora.

E aos 90’, inesperadamente, o Caracas apareceu na área, alguém rematou numa blitz dentro da grande área botafoguense e a bola foi embater no travessão – amigo de última hora que evitou o injustíssimo empate.

Porém, ainda não tinha acabado o jogo para Joaquín Correa. O Botafogo atacou pelo meio, Kauan Toledo derivou para a esquerda, executou um cruzamento rasteiro e, na corrida, Joaquín Correa não perdoou: Botafogo 3x1.

De uma assentada consolidou-se a vitória botafoguense, Kauan Toledo devolveu a Joaquín Correa o presente que este lhe dera para a viragem e simultaneamente ‘Tucu’ fez o seu melhor jogo no Botafogo – se em 15 partidas fizera duas assistências e um gol, contra o Caracas teve a mesma produção num só jogo.

Foram 45 minutos de uma noite internacional motivadora para fechar o mês de maio com vitória sobre o Bahia.

FICHA TÉCNICA

Botafogo 3x1 Caracas

» Gols: Chris Ramos, aos 61’, Kauan Toledo, ao 71’, e Joaquín Correa, aos 90+2’ (Botafogo); Chris Ramos, aos 36’ (contra) (Caracas)

» Competição: Copa Sul-Americana

» Data: 27.05.2026

» Local: Estádio Olímpico da UCV, em Caracas (Venezuela)

» Árbitro: Carlos Betancur (Colômbia);

Assistentes: Miguel Roldán (Colômbia) e Mary Blanco (Colômbia); VAR: Ricardo García (Colômbia)

» Disciplina: cartão amarelo – Vitinho, Wallace Davi e Matheus Martins (Botafogo) e Fereira e Luis Mago (Caracas)

» Botafogo: Raul; Vitinho (Kadu), Ythallo, Justino e Marçal; Wallace Davi (Cristian Medina), Santi Rodríguez e Edenílson (Caio Valle); Joaquín Correa, Chris Ramos (Kauan Toledo) e Jordan Barrera (Matheus Martins). Técnico: Franclim Carvalho.

» Caracas: Frankarlos Benítez (Vegas); Fereira, Quintero (La Mantía), Luis Mago e Yendis; Larotonda, Gudiño e Covea; Wilfred Correa (Mauricio Márquez), Adrián Fernández (Sebastián González) e Robert Hernández (Chris Martínez). Técnico: Henry Meléndez.

2 comentários:

Sergio disse...

Primeiro tempo muito ruim, o que parece ter se tornado comum nos últimos jogos do Botafogo, e o Franclim na coletiva falou sobre isso e disse que não gostou.
No segundo tempo o time melhorou, parece que no vestiário o treinador deu uma bronca e fez as mudanças necessárias para melhorar a atuação. E quem diria, o Tuco foi o protagonista da noite. Mas a entrada do Medina melhorou a performance do Santi e do time de um modo geral. Gostei da entrada do Kauan Toledo e do Kadu e do Justino. Parece que a base começa a apresentar algumas boas soluções. Que esses garotos sejam bem lapidados. Abs e SB!

Ruy Moura disse...

Pois é, Sergio, virou rotina. Se fosse caso de jogarmos mal pelo adversário jogar melhor, aceito, mas com aquele adversário é inaceitável a 1ª parte. Afinal, a equipe não era propriamente só de reservas, porque algumas daquelas peças são por vezes titulares.

Admito que tenham levado bronca do treinador. E, sim, desta vez as substituições funcionaram. Sobre os 'garotos' não tenho juízo definitivo. Têm-me enganado muito. Ver para crer no futuro, mas aceito que o Justino e o Kauan possam evoluir de promessas a realidades. Creio que também depende muito de os saberem 'lapidar'.

Abraços Gloriosos.

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