Blogue Minha
Lauda
Algo que há tempos me encafifa é o que teria levado
meu sobrinho de 11 anos, uma criança do interior paulista, a torcer para um
time carioca – no caso, o Botafogo.
Já ouvi o pequeno Yan falar em nomes de jogadores
gringos do clube, como Loco Abreu e Seedorf. Presenciei, mais de uma vez, sua
felicidade ao ganhar de presente uma camisa do alvinegro de alguém recém-chegado
de viagem. E enfim, pude observá-lo orgulhoso vestindo a estrela solitária no
peito.
Só isso, e tudo isso, foi o suficiente para decidir
investigar a origem dessa preferência nada comum.
- Olha o que sua irmã me pergunta. Por que eu torço
pro Botafogo?, disse ele ao seu pai, depois do questionamento da tia.
Pensei na hora que o pequeno me zombava, mas não
liguei, e fui em frente em busca de uma explicação lógica.
Foi aí que Yan começou a falar, e então descobri que
além dele colecionar canecas, copos, canetas, e o que mais houver com o emblema
do clube carioca, sua escolha está muito mais ligada a um gênio que fez
história no Botafogo, morto há 30 anos, aos 49, do que a craques da atualidade.
- Ah, tia, o vô me contou a história do Garrincha, e
eu gostei. Ele foi um dos melhores jogadores do Brasil. Ele era melhor que o
Pelé, o vô falava. E ele bebia demais também.
Assim como o craque carioca, seu Gilberto, meu pai e
avô do pequeno Yan, não está mais nessa terra. Descubro agora que sua
influência sobre os netos foi tanta a ponto de deixar entre nós um pequeno
botafoguense paulista, cativado pela trajetória do ídolo alvinegro contada pela
sua boca.
Em homenagem a seu Gilberto e ao craque das pernas
tortas deixo aqui um trecho de uma crônica esportiva de 1958, de Nelson
Rodrigues, para agora explicar um pouco desse gênio do nosso futebol:
“Garrincha não pensa. Tudo nele se resolve pelo instinto, pelo jato puro e
irresistível do instinto. E, por isso mesmo, chega sempre antes, sempre na
frente, porque jamais o raciocínio do adversário terá a velocidade genial do
seu instinto”.
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