sexta-feira, 1 de outubro de 2010

O clássico Botafogo x Flamengo

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Uma visão possível de uma rivalidade antiga. Aceda ao meu artigo: http://blog-das-torcidas.blogspot.com/2010/10/botafogo-x-flamengo-um-classico-de.html
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Voz de Zico (3)

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“Morreu no meu coração esse Flamengo de hoje.”Zico, ex-jogador e ex-dirigente flamenguista.

De que se queixa Zico?... O Flamengo é exatamente o mesmo de há 30 anos. A única diferença é que o alvo hoje chama-se Zico. O que ele ganhou no passado deveu-se aos comportamentos de ‘tiro ao alvo’ do mesmo Flamengo de hoje. É esse o mesmo Flamengo que ele diz ter amado sempre. Ao tocarem-lhe na pele, talvez possa sentir, agora, o que aos outros foi feito pelo mesmo Flamengo quando o próprio Zico comemorava títulos injustos.
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Acredita que Fahel e Edson sejam campeões brasileiros?

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A sondagem intitulada “Acredita que Fahel e Edson sejam campeões brasileiros?” recebeu 94 votos distribuídos do seguinte modo:

» Absurdo: 19 (20%)
» Sim, são bons atletas: 13 (14%)
» Rui, você bebeu demais?: 11 (12%)
» Sim, são a ida à Lua de Assumpção: 3 (3%)
» Seria a prova que Deus inexiste: 10 (11%)
» Claro. Alessandro não foi em 2001?: 38 (40%)

Quando lancei a sondagem não pretendi que tratasse de algo mais sério do que uma brincadeira, pela simples razão de que não acredito em determinados jogadores nem numa equipa tão desequilibrada setorialmente, devido a uma retaguarda que, em minha opinião, é muito frágil, possa ser campeã de uma competição tão brutalmente desgastante como é o campeonato brasileiro de futebol.

Aliás, as expressões e as ideias que introduzi são irónicas, como, por exemplo, “são bons atletas”. Ou a interrogação meio retórica tal como “Alessandro não foi em 2001?”.

Não obstante, se juntarmos as respostas favoráveis eventualmente ‘mais sérias’ verificamos que se obtém 54% de votos entre “sim, são bons atletas” e “Claro. Alessandro não foi em 2001?”

Se for certo que os 54% de respostas são realmente verdadeiras (mas acho que há respostas de alguns flamenguistas que acham Fahel e Edson bons atletas), então pode-se concluir que há muitos amigos botafoguenses que acreditam na possibilidade de este time vir a ser campeão brasileiro.

Confesso que não acredito. Alternativamente, acredito num plano anual pormenorizado, com prioridades e metas, na organização meticulosa dos recursos necessários, na liderança forte e motivadora e na análise e medição séria dos resultados que se vão obtendo face às metas estipuladas. Acredito no profissionalismo que ainda não temos.

Como começou 1967-68

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Gérson foi, sem dúvida, um dos maiores craques botafoguenses de todos os tempos, com direito a titularidade na seleção botafoguense de todos os tempos.

O futebol de Gérson era refinado, inteligente e estratégico, mas durante cerca de duas décadas foi tão amado quanto odiado. A fama de violento começou em 1962, quando quebrou a perna do juvenil Mauro durante um treino. Quanto à fama de mau carácter, o próprio defendeu-se assim: – “Sempre defendi os interesses de companheiros menos favorecidos pela fama.”

Independentemente das críticas ao seu lado de cidadão, Gérson foi o grande comandante do Botafogo entre 1963 e 1969 e do escrete canarinho em 1970, ao lado principalmente dos botafoguenses Jairzinho e Roberto Miranda. Gérson tinha um sentido de organização perfeito, fazia chutes fortes e precisos, cobrava excelentes faltas e era capaz de colocar a bola no peito de um atacante em lançamentos de 40 metros. Líder em campo, nunca parava de falar e foi apelidado de ‘Papagaio’. Pode-se considerar, visto pelos meus próprios olhos no Maracanã, que Gérson foi um dos maiores talentos brasileiros de todos os tempos.

Mas… como é que Gérson saiu do Flamengo para o Botafogo no ano em que se sagrou campeão pelos vermelho-negros, sendo ídolo do rival e jogador do escrete canarinho?...

Flávio Costa, que era um treinador muito conceituado e de estilo militarista – pessoalmente nunca vi nenhuma inovação nas equipas de Flávio Costa –, treinava o Flamengo e tirou Gérson do Campeonato Carioca em 1963, fazendo o jogador ficar sem ambiente no clube. O craque foi conversar com o então presidente Fadel Fadel. Porém, este apoiava Flávio Costa na decisão de afastar o melhor jogador da equipa, acabando por encerrar a reunião em tom de desafio:

– “Quem depositar 150 milhões leva o seu passe!”

Nesse tempo, em 1963, não existia a Ponte Rio-Niterói e o jogador atravessava todos os dias a Baía de Guanabara de barca e andava de transporte público para ir ao treinar à ‘Cidade Maravilhosa’. Desanimado com a reunião, porque 150 milhões era muito dinheiro, Gérson seguiu o caminho para tomar o transporte para a barca na Praça XV, que o levaria de regresso a casa, em Niterói. Sucede que no caminho até ao ponto de transporte na Avenida Bartolomeu Mitre havia diversas oficinas e, em uma delas, o botafoguense Quarentinha aguardava o conserto do seu carro.

Encontraram-se, Gérson contou o sucedido, Quarentinha pegou o carro já consertado e disse a Gérson: – “Entra aí, vamos conversar com o presidente do Botafogo”.

Em General Severiano houve uma rápida conversa com Renato Estelita, que dirigia o futebol botafoguense, e, naquele mesmo dia, com o dinheiro obtido pela venda de Amarildo ao Milan, o Botafogo depositou os 150 milhões pedidos pelo presidente do Flamengo.

E a diretoria trouxe Gérson…


E o estratega brilhou por nove anos no clube da Estrela Solitária, conduzindo a fabulosa e quase imbatível equipa do Botafogo entre 1967 e 1969, período em que conquistou uma Taça Brasil, dois Campeonatos Cariocas, duas Taças Guanabara e vários torneios internacionais.

Mas esse era o tempo em que pela diretoria do Botafogo passavam nomes como Paulo Antônio Azeredo, Renato Estelita e Zeferino Xisto Toniato. Era um tempo em que o Botafogo podia apresentar a mais fantástica equipa de dirigentes brasileiros de todos os tempos. Além dos três citados, existem outros da ‘Suprema Corte Botafoguense’: Adhemar Bebiano, Alcino Faria Machado, Althemar Dutra de Castilho, Augusto Frederico Schmidt, Carlito Rocha, Emanuel Sodré Viveiros de Castro, Guilherme Arinos, Gumercindo Dantas Brunet, João Citro, Rivadávia Corrêa Meyer, Sérgio Darcy, entre outros.

Foram gerações inteiras de dirigentes inspirados por um genuíno sentimento botafoguense, que se sobrepunha aos limites usuais de abnegação, de dedicação e de entrega absoluta ao Botafogo sem olhar a interesses pessoais.

Os gloriosos atletas do Botafogo de Futebol e Regatas foram o produto do laborioso e eficaz trabalho desenvolvido por essas elites de dirigentes que souberam gerar craques atrás de craques, oriundos das equipas de base ou contratados estrategicamente a outros clubes (Didi, Gérson, etc.) pela Suprema Corte Botafoguense.

Texto e pesquisa de Rui Moura (blogue Mundo Botafogo)

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