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sábado, 10 de maio de 2025

Narrativas de emoção e glória (XXV): Armando Nogueira, João Saldanha e Sandro Moreira em êxtase

por JUCA KFOURI | In www.uol.com.br

«Vivo ou não, o torcedor do Glorioso merece a noite mágica da maravilhosa goleada [sobre o Peñarol].

Armando Nogueira faria um poema, descreveria cada um dos cinco gols com palavras achadas no fundo d’alma, escolhidas meticulosamente para fazer da crônica esportiva peça que Machado de Assis assinaria.

João Saldanha disfarçaria a alegria e o orgulho com críticas severas ao primeiro tempo e ainda acharia por que reclamar de não ter sido de seis ou sete.

E Sandro Moreira poria na boca de Luiz Henrique frases dignas de Mané Garrincha ou do goleiro Manga, o Manguinha.

As três maiores estrelas da imprensa apaixonada pelo Botafogo de Futebol e Regatas estariam em êxtase

Fonte: https://www.uol.com.br/esporte/futebol/colunas/juca-kfouri/2024/10/26/a-estrela-solitaria-brilha-outra-vez.htm?cmpid=copiaecola

sexta-feira, 2 de maio de 2025

Narrativas de emoção e glória (XXIV): como o Botafogo colocou o Universo nos eixos

por HUMBERTO VALLADARES | Leitor e Amigo do Mundo Botafogo

As coisas definitivamente são difíceis para o Botafogo. A melancolia com o término do campeonato brasileiro de 2023 deixou uma única boa marca, o retorno à Libertadores da América. Mas o Universo, totalmente fora dos eixos, insistia em desafiar o renascimento do Botafogo.

E lá fomos nós lutar nas fases preliminares da Libertadores. Primeiro, disputando com o Aurora uma vaga para a fase seguinte. Empate e  goleada. Com quatro gols do Júnior Santos. Na fase seguinte, os jogos com o Red Bull Bragantino, e uma defesa sensacional de Gatito Fernandes no final da partida para aliviar e garantir pelo menos a vaga na fase de grupo da Libertadores 2024.

E iniciamos a fase de grupos com duas derrotas. E os antis afirmando que o Botafogo foi o primeiro clube brasileiro já eliminado da Libertadores. Porém, a chegada do treinador Artur Jorge serviu para motivar, ajustar e colocar o Botafogo nas oitavas de final da Libertadores, com três vitórias consecutivas e um empate. 

E veio o sorteio. E o Universo ainda fora dos eixos nos deu o Palmeiras para testar nossos corações! Vitória no primeiro jogo por 2x1, e os antis, apoiados pelo Universo, diziam que lá no Allianz o Botafogo não teria mental para resistir à pressão. O empate, depois de estar vencendo por 2x0, deu a falsa sensação de que seria fácil. Depois, o gol que seria a virada do Palmeiras, sendo anulado e uma bola que explodiu na trave no último lance em cobrança de falta, que quase nos matou de parada cardíaca, veio mais um alívio! E que o impossível seria possível.

Seguimos nesta possibilidade, e enfrentamos o São Paulo pela fase das quartas de final. Neste jogo, no estádio Nilton Santos, o Botafogo amassou o São Paulo e poderia ter saído com um placar muito tranquilo de 4 ou 5 gols. Mas perdemos todas as chances reais e a partida encerrou no 0x0. E aí os antis alugaram um aviãozinho para nos atormentar que iriam nos vencer no Morumbi! Thiago Almada fez um a zero e encaminhou a classificação. Porém, o empate no final, levou para as disputas de penalidades. E as cobranças de Thiago Almada, Matheus Martins, e a defesa do John me deixaram doido! Botafogo venceu nos pênaltis!

Botafogo nas semifinais! Mas, quem seria o nosso adversário? Peñarol ou Flamengo? Queríamos muito pegar o famigerado time da Gávea. Mas quis o Universo que o time, não o urubu, mas o uruguaio, fosse o nosso adversário. Numa partida memorável, tentando recolocar o Universo nos eixos, o massacre de 5x0, e um lamento: poderia ter sido no time vermelho e preto. 

A segunda partida seria disputada em Montevideo sob um clima pesado, pois um grupo de baderneiros uruguaios provocou uma quebra que teria muita exposição internacional. Na segunda partida das semifinais, o Botafogo com vários jogadores pendurados por cartões amarelos, decidiu poupar todo o time titular para evitar perdas insubstituíveis. Levamos o primeiro e segundo gols. E aí o senhor Universo, abusando de todos os meios, ameaçou-nos com uma eliminação. Mas Thiago Almada, em jogada sensacional, tabelou com Marlon Freitas e recebeu com o gol vazio para fazer o nosso único tento e garantir a vaga na final com o placar agregado de 6x3 em nosso favor. É a nossa primeira final de Libertadores!

Para a grande decisão eu estava muito calmo. Porém, ela se tornou fumaça aos quarenta segundos do primeiro tempo com a incrível expulsão de Gregory! Eu gritei: a final mais fácil de todas e o Gregory abriu um buraco na cabeça do jogador atleticano! Universo jogando todas as fichas para derrubar o Botafogo! Mas com a luta, boa colocação, mental forte e jogadas de ataques mortais, percebi que foi a melhor coisa que poderia ter acontecido! Pois, na minha opinião, o Atlético MG jogaria na retranca e saindo apenas em rápidos contra-ataques.

A jogada trabalhada no lado esquerdo com Almada, Marlon Freitas, Barboza e concluída por Luiz Henrique nos levantou a moral!

O mesmo Luiz Henrique que viria a sofrer um pênalti, nos deu ainda mais certeza que o Botafogo estaria encaminhando o título com muita luta. Nem mesmo o gol atleticano no início do segundo tempo tirou a minha certeza: em 30 de novembro de 2024 o Botafogo não seria derrotado! Para completar, o gol de Júnior Santos! Uma pintura! E aí, ao soar o apito final, o meu grito que deve ter sido ouvido em todo o bairro: Botafogo é campeão da Libertadores!

Agora, sim, o Botafogo havia colocado o Universo nos eixos!

quinta-feira, 24 de abril de 2025

Narrativas de emoção e glória (XXIII): a Terra Prometida, ruas de Buenos Aires celebrando o Botafogo

Crédito: Reprodução.

[Nota do Mundo Botafogo: Buenos Aires cinco meses após a nossa 'Glória Eterna']

Reportagem de JÉSSICA MALDONADO e SERGIO SANTANA

Em Buenos Aires | ge.globo.com | 23.04.2025

Crédito: Júlia Nicolau.

Crédito: Júlia Nicolau.

Crédito: Ricardo Ferrari.

Crédito: Reprodução.

Crédito: Jéssica Maldonado/ge.

Crédito: Jéssica Maldonado/ge

Crédito: Jéssica Maldonado/ge.

Endereço da reportagem completa:

https://ge.globo.com/futebol/times/botafogo/noticia/2025/04/23/a-terra-prometida-ruas-de-buenos-aires-ganham-referencias-ao-botafogo-apos-titulo-da-libertadores.ghtml

segunda-feira, 17 de março de 2025

Narrativas de emoção e glória (XXII): Vendidos!

Fonte: Blog do Rica Perrone.

por RICA PERRONE | Blog do Rica Perrone, 2024.12.09

«Teimoso é aquele que vê algo acontecer 10 vezes na frente dele e ainda discute como aquilo funciona. O que assiste por 130 anos já ultrapassa esse limite e se torna burro mesmo.

Futebol é cíclico. Sempre foi. Sempre será.

Todo ano tem alguém pra dizer que “daqui pra frente será assim”, e todo ano tem alguém pra ter que explicar que “veja bem”. Não tem “veja bem”, tem lógica.

Time grande não precisa ser refeito. Acerte 11 e um treinador e você está no topo. O impossível no futebol é comprar história, tradição, paixão, gente, poder e grandeza. Quando se tem isso você está sempre a 11 jogadores da glória. Quando não se tem você está a tudo que não se compra dela.

Ver o Botafogo campeão de novo é mais do que um simples investimento. Tivemos dezenas de investimentos enormes no Brasil e a maioria deles não deu em nada porque foi mal feito. Quando você investe de baixo pra cima e numa camisa já pesada e de torcida você tende a vencer.

A vitória do Botafogo é a mesma vitória de 1968.

Naquele momento o futebol brasileiro se moldava a um estilo, criava sua identidade e direcionava gerações até o crime de 1986, onde Telê Santana foi crucificado por preferir jogar futebol do que ganhar a qualquer custo.

Em 2024 o Botafogo novamente dá as cartas e mostra pro futebol brasileiro o caminho da nova era: SAF.

“Ah mas o time foi vendido não existe mais!”, diz o otário que em 5 anos vai ter que torcer por um time que não existe mais segundo ele mesmo.

Qual a diferença entre ser vendido e ajudado por movimentos políticos ou corruptos para se manter vivo? Eu lhe digo: a venda é honesta e clara.

Manter um clube corrupto por natureza não é um ato de resistência mas sim de burrice. O clube que hoje não buscar uma SAF é apenas uma estatal onde muita gente gasta o dinheiro dos outros rindo da sua cara.

O Botafogo não se vendeu. Vende-se aquele que precisa de 5 deputados pra conseguir o que quer. Vende-se quem precisa de esqueminha com a emissora pra vender um patrocinador. Vende-se aquele que pega empréstimos que serão pagos sabe-se lá por quem daqui sabe-se lá quantos anos.

A dívida do Botafogo tem nome, sobrenome e endereço de cobrança. E a sua? Quem vai pagar, se pagar, e quando?

Resistir a SAF não é exatamente saudosismo ou romantismo. É não entender que num país corrupto por natureza qualquer tentativa de coletivizar uma administração vai virar um cabide de empregos, esquemas e oba-oba.

O Botafogo não se vendeu. O Botafogo foi o primeiro, por necessidade é claro, a abrir as portas pro novo futebol brasileiro. E por necessidade ou não, como em 1968, lá está o Fogão pegando a caneta e dando direção ao nosso futebol.

Emblemático. Imaginem o quão triste seria ver o futebol brasileiro mudar de rumo graças a um título do Red Bull, de vermelho, sem torcida, sem identidade e sem festa segunda-feira. Tinha que ser pela mistura do dinheiro com a tradição. Tinha que ser via Botafogo.

Me orgulho de ter escrito há 13 anos: “O Botafogo será o primeiro clube a falir e vender. E será o primeiro a reerguer nosso futebol através disso”. Não era difícil a conta. O primeiro a ser vendido seria um clube em maior dificuldade financeira. E aconteceu o que eu imaginava. Inclusive em campo.

Vai haver SAF ruim. Como gestões ruins acontecem em toda parte. O ponto simples é que quando for SAF dá pra repassar. E a dívida tem dono, logo, é mais fácil ser paga do que virar um esquemão em Brasília pra sair do teu bolso.

O próximo passo é termos 8 dos 12 grandes com donos. Nesse dia eles vão se sentar a mesa e discutir como melhorar o bolo e não mais quem vai ter a maior fatia de um bolo pequeno e ruim.

E tudo isso, daqui 100 anos, será contado, de novo, via Botafogo.

Sinceramente, o título em si é menor do que o recado. O Fogão fez história e um dia vocês saberão que o campo foi só pra confirmar pros resultadistas o óbvio.

Sempre foi tempo de Botafogo

domingo, 9 de março de 2025

Narrativas de emoção e glória (XXI): Botafogo e a terra prometida

Fonte: portal revistacult.uol.com.br.

por DANIEL KUPERMANN | Psicanalista e Professor do Instituto de Psicologia da USP | Excertos do portal revistacult.uol.com.br.

«[…] Marlon Freitas, o capitão, que não pôde ir ao enterro do pai anos antes por estar concentrado em outra cidade, protagonizou em prantos uma cena comovente, gravada pelo câmera indiscreto. Ajoelhado de frente ao estreito armário do vestiário transformado em altar, dizia: “eu consegui, pai. É a terra prometida, pai”. […]

Sou da geração nascida em meados dos anos 1960. […]. Nós, botafoguenses, éramos chamados de “sofredores”. Éramos o retrato do Brasil: a magia do possível, metaforizada pelas pernas tortas do Mané, transformada em silêncio, tristeza e conformismo; décadas sem títulos assistindo à corrupção do clube de futebol mais tradicional do país, vampirizado por dirigentes de conduta nada ilibada e de ganância mais monumental que o estádio no qual o acontecimento transformador do dia 30/11/2024 se deu. A Brasília dos generais era o retrato de General Severiano. […]

Desde então, assistimos a decadência em ritmo persistente, até a criação da SAF (Sociedade Anônima de Futebol), e a compra do Botafogo pelo grupo representado pelo americano John Textor. […]

Em 30/11/2024 ocorreu a final da Copa Libertadores da América, competição mais importante do continente e, talvez, a mais relevante para uma equipe brasileira, para a qual chegamos na condição de favoritos contra o Atlético Mineiro. […] Quatro dias antes, em 26/11, ganhamos de 3x1 do Palmeiras em pleno Allianz Parque, em final antecipada do Brasileirão.

Nessa condição, mais de 50 mil botafoguenses foram a Buenos Aires assistir presencialmente ao jogo. […]

…fui assistir ao jogo no Nilton Santos mesmo, em Engenho de Dentro, no Rio de Janeiro, em telões instalados para a massa que ali compareceu. O clima era de um otimismo inebriante que, imagino, fosse frequente nos tempos em que Mané Garrincha vestia a camisa 7, e que os torcedores iam ao estádio ver um futebol bonito, e se divertir com o gingado do inesquecível craque. […]

Eis que, com 40 segundos de jogo [nota do MB: na verdade a falta foi apitada aos 29 segundos] o volante Gregore comete uma entrada afoita em uma jogada no meio de campo, […] e é expulso! […]

As cenas no telão lembravam as da tragédia de 1950 no Maracanã, quando o Brasil perdeu a final da Copa do Mundo para o Uruguai. Rostos de torcedores no Monumental chorando, com as mãos na cabeça, o olhar atônito em um misto de descrença e déjá vu. […]

Eu baixei a cabeça, coloquei as mãos sobre os olhos e pensei que tudo estava perdido. Senti um cansaço secular, levantei-me e sai da aérea das cadeiras para o corredor externo onde ficam os bares e banheiros. […] Respirei fundo, voltei e vivi os 96 minutos mais tensos e mais mágicos de minha vida como botafoguense. Mas isso também pouco importa.

O que aconteceu foi que Luiz Henrique fez um gol redentor aos 34 minutos. […] Um pouco depois o mesmo Luiz Henrique que vestia a camisa 7 de Garrincha e Jairzinho e Túlio sofreu um pênalti, que o corajoso Alex Telles, com a camisa 13, converteu […]. Presenciávamos o milagre, mas eu, evidentemente, continuava grave, preocupado, o senho franzido, desconfiado de que tudo cairia por terra no segundo tempo. […]

Apenas nos 7 minutos de acréscimo dados pelo árbitro comecei a rezar. Eu era ateu, sempre fui ateu, mas confesso publicamente que durante aqueles 7 minutos, sim, 7 da camisa de Garrincha, Jairzinho, Túlio e agora Luiz Henrique, eu rezei. Rezei em português, em hebraico, em latim, em iorubá. E o imponderável aconteceu.

Júnior Santos, o pedreiro que virou jogador de futebol tardiamente, o artilheiro da competição que ficou meses afastado por contusão, entrara em campo um pouco antes e, no último minuto, no sétimo minuto, recebeu a bola na ponta direita. […] ao invés de segurar a bola, […] Júnior Santos encarna o Mané e inventa um drible inédito, de letra cria uma passagem entre os jogadores do Atlético e avança rente à linha de fundo, livre de marcação, em direção ao gol. […]

Diz-se que os campeões da Copa Libertadores da América alcançam a “glória eterna”. Fomos campeões, glória eterna, justiça cósmica em um mundo e em um esporte nem sempre justo, o melhor time do continente ganha a final com um jogador a menos desde o primeiro minuto, experiência mística restrita aos escolhidos, terra prometida, nas palavras do cristão Marlon Freitas. […]

…não houve chororô com a expulsão de Gregore, fato inédito. A crença dos novos botafoguenses na vitória não esmoreceu, e a história não virou farsa. O pessimismo da minha época tornou-se anacrônico. […]

Ao final do jogo eu dizia aos meus filhos, com um toque de humor, que eu não merecia a terra prometida. Eu duvidei da vitória. […]

No relato bíblico, os 40 anos de deserto aos quais os judeus foram destinados tiveram o intuito de purificar o povo, admitindo à terra prometida apenas a nova geração, deixando a pusilanimidade dos escravizados e adoradores de ídolos de ouro para trás.

Mas eu tenho sorte. Sou botafoguense. Voltei a ser ateu. A vida não é uma questão de merecimento, mas de talento e acaso. Marlon tem razão. A terra prometida é nossa. Afinal, queiram ou não, é tempo de Botafogo!»

Leia o texto completo em https://revistacult.uol.com.br/home/botafogo-e-terra-prometida/

quinta-feira, 6 de março de 2025

Narrativas de emoção e glória (XX): Final da Libertadores em Buenos Aires: Botafogo, River Plate e… Didi

Oscar Corletti observa com admiração a presença de Didi entre os treinadores do River Plate. Crédito: Márcio Resende.

por MÁRCIO RESENDE | rfi.fr/br

[Nota do Mundo Botafogo sobre o título original da reportagem: Torcida Argentina na final da Taça Libertadores mostra elo histórico entre Botafogo e River Plate]

[…] Buenos Aires é alvinegra. O preto e o branco, tanto do Botafogo quanto do Atlético Mineiro, estão nas camisas e nas bandeiras dos torcedores brasileiros que vieram para esta final e que se espalham pela cidade. […]

Didi, o elo entre o Botafogo e o River Plate

O Botafogo tem ao seu lado os donos da casa, a torcida do River Plate. Porém, a razão para essa torcida emprestada a favor do Botafogo não é apenas uma espécie de vingança porque o Atlético eliminou o River da disputa.

A outra razão é histórica e atende pelo nome de Waldir Pereira, o Didi. O bicampeão mundial pela seleção brasileira é a ponte entre o Botafogo e o River Plate. Didi jogou pelo time carioca primeiro entre 1956 e 1959; depois, entre 1961 e 1962. […]

Ao lado de Garrincha, Nilton Santos, Zagallo, Gérson e Amarildo, marcou 114 gols em 313 jogos. E, como técnico, Didi foi treinador justamente […], no River Plate, entre 1970 e 1972, onde teve uma efetividade de 61,62%. Dirigiu o River em 99 partidas, obtendo 47 vitórias, 28 empates e 24 derrotas. Foram 172 gols a favor e 128 contra.

Marca na história do futebol argentino

Didi deixou uma marca na história do clube e tornou-se referência no futebol argentino. Descobriu talentos das divisões inferiores que foram a base do River Plate campeão de 1975, depois de 18 anos de jejum. Os juvenis escolhidos por Didi tornaram-se ídolos emblemáticos, como explica à RFI o pesquisador Osvaldo Gorgazzi, vice-presidente do Museu do River Plate.

“A importância histórica de Didi baseia-se no fato de ele ter chegado num momento muito difícil para o River, mas deixou as bases do futuro campeão. Isso faz com que os torcedores do River fiquem sempre gratos pela passagem de Didi na Argentina”, afirma Gogazzi. […]

Estádio do River Plate, final do Copa Libertadores da América em 2024. Crédito: Márcio Resende.

Didi não falava espanhol, mas exigia que “jogassem bonito”. Queria toques de primeira, tabelas rápidas e criativas. Acabou instalando uma filosofia de jogo e a expressão, em português, “jogo bonito”, incorporada ao léxico futebolístico argentino.

“Didi também deixou dois conceitos que ainda hoje se repetem. Belo futebol, que é justamente algo que faz parte do estilo do River. E o “Folha Seca”, uma cobrança de falta na qual a bola faz movimentos muito curiosos, que o torcedor gosta de ver porque é como se estivesse vendo uma obra de arte […] – Osvaldo Gorgazzi.

[…] os juvenis de Didi foram nomes como os meio campistas Norberto ‘Beto’ Alonso, ‘Mostaza’ Merlo e Juan José ‘JJ’ López, que, juntos com o goleador Carlos Morete, trouxeram uma década de glórias para o River Plate.

Cantiga para Didi

Oscar Corletti tinha 13 anos quando via os treinamentos daquele River de Didi. O brasileiro ensinava o chute “Folha Seca” e como bater com efeito para desviar de uma barreira feita de madeira. Foram todas inovações para a época.

Em 1971, ganhou do rival Boca Juniors, por 3 a 1. O time do River era de desconhecidos juvenis contra profissionais consagrados do Boca. O baile foi tanto que a torcida criou uma cantiga especial para Didi: “Toco para você, passa para mim. Esta é a equipe do Didi”.

“Didi soube unir muito bem o estilo de futebol elegante do River com a cultura do futebol brasileiro. - recorda Oscar Corletti. […].

Oscar vai torcer pelo Botafogo, time que viu jogar num quadrangular em Buenos Aires em 1964. O Botafogo ganhou do River por 4 a 3, mas Oscar, com 7 anos de idade, ficou encantado com os brasileiros, apesar da derrota do River.

“Eu prefiro que o Botafogo ganhe porque depois de tê-lo visto jogar em 64 no River, adorei como o Garrincha e o Gerson jogavam, e a partir daí foi como se eu simpatizasse, não só com a camisa, mas com o estilo de futebol deles”. […]

Leia o texto completo em www.rfi.fr/br/podcasts/reportagem/20241130-torcida-argentina-na-final-da-taça-libertadores-mostra-elo-histórico-entre-botafogo-e-river-plate

sábado, 22 de fevereiro de 2025

Narrativas de emoção e glória (XIX): Como os botafoguenses conquistaram a alegria

In piaui.folha.uol.com.br

O documentarista João Moreira Salles reflete sobre um ano glorioso.

«Os torcedores choravam, riam, rezavam, dançavam, cantavam, se beijavam ou, aturdidos, ficavam em silêncio. Alguns passavam mal, outros desmaiavam e voltavam a si sem acreditar no que acontecia em Buenos Aires naquele dia 30 de novembro de 2024: Botafogo, campeão da Libertadores da América.

“Todas as famílias felizes se parecem, cada família infeliz é infeliz à sua maneira”, escreveu Tolstói em Anna Karenina, para dizer que a felicidade é mais banal que a infelicidade e que a alegria é sempre igual a si própria. Talvez não seja bem assim, reflete o documentarista João Moreira Salles, que assistiu à partida na Argentina: “Naquele momento tive a certeza de que a alegria não é uma coisa só, mas muitas, talvez tantas quantos forem os botafoguenses neste mundo.”

Neste mundo e em outros. Além dos vivos, também os torcedores do Botafogo que partiram estavam no Estádio Monumental de Núñez, na disputa com o Atlético-MG. Familiares e colegas levaram seus rostos e nomes estampados em cartazes ou em camisetas: um pai, uma mãe, uma avó, um irmão, uma amiga, um filho. “Nas horas após o apito final, me senti tão abençoado que, se alguém tivesse pedido, tenho certeza de que poderia sair pelas ruas de Buenos Aires curando os enfermos e multiplicando os pães”, brinca o documentarista.

O ano de 2024 foi um tempo extraordinário para os botafoguenses: o time arrebatou não apenas a Libertadores, mas o título de Campeão Brasileiro. Até lá, foi preciso atravessar um longo deserto (seu último troféu datava de três décadas atrás), o que seus torcedores fizeram com paciência e abnegação quase bíblicas. “Achávamos que as conquistas viriam, mas não para nós. Era coisa para os outros, botafoguenses do futuro”, observa Moreira Salles.

Na piauí deste mês, o documentarista revê os principais lances de uma conquista que, contra as expectativas, se fez no tempo presente. “Nossa experiência nos estádios de 2024 nos levou a entrar em contato com algo novo, estranho e valioso. Havíamos formado uma comunidade de pessoas que, a cada partida, descobria que esperança e alegria eram mais normais do que tristeza e frustração.”

Cobertos de glória, os torcedores agora se perguntam como viver esse inesperado triunfo. Moreira Salles compara: “Num dos romances de Dickens, um personagem pergunta: ‘Quando duas multidões se confrontam aos gritos, o que se deve fazer?’ Prudente, o sr. Pickwick, que dá título ao livro, responde: ‘Grite com a maior delas.’ O botafoguense é o sujeito que prefere gritar com a menor, o que é um modo de estar no mundo e, dependendo da perspectiva, uma posição política.”»

Fonte: https://piaui.folha.uol.com.br/como-os-botafoguenses-conquistaram-a-alegria

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2025

Narrativas de emoção e glória (XVIII): Botafoguense faz Manaus-Buenos Aires-Manaus de moto

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

por JOÃO VITOR XAVIER | cnnbrasil.com.br

«Apaixonado pelo Botafogo, o torcedor Patrick Souza fez uma loucura para acompanhar a final da Copa Libertadores em Buenos Aires. […]

Ele saiu de manaus, capital do Amazonas e foi até à capital argentina em uma moto de 150 cilindradas. Foram 6.9841 quilômetros percorridos só em estradas para ver o clube do coração decidir o título inédito. […]

Patrick Souza contou [em Buenos Aires na véspera da final] um pouco de sua aventura pelo continente. “Já rodei mais de 7 mil km para chegar e com uma moto de 150 cilindradas.” […]

Patrick fez a viagem em duas etapas. A primeira, entre Manaus e o Rio de Janeiro. Depois, da capital fluminense para Buenos Aires. […]

Em sua moto, Patrick ainda levou um drone para registrar imagens históricas da torcida do Glorioso. […]

Distâncias percorridas por Patrick de Souza:

Manaus ao Rio – 4.237 km, 71 horas

Rio de Janeiro a Buenos Aires – 2.604 km, em 42 horas

Distância total para chegar à Argentina: 6,841 km

Distância total de ida e volta: 13.682 km.»

Leia o texto completo em https://www.cnnbrasil.com.br/esportes/futebol/botafogo/libertadores-botafoguense-vai-de-manaus-a-buenos-aires-de-moto-para-ver-final/

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2025

Narrativas de emoção e glória (XVII): Botafoguenses esgotam cerveja e bar fecha pela 1ª vez

‘Kraken’, em Puerto Madero. Crédito: Bruno Braz / UOL.

por BRUNO BRAZ | UOL, em Buenos Aires – Argentina

A torcida do Botafogo, literalmente, fez história em Buenos Aires. Além de invadirem a capital argentina e fazerem muita festa pelas ruas, os botafoguenses também transformaram um bar na região de Puerto Madero em point e quebraram um recorde: fizeram com que o estabelecimento não abrisse pela 1ª vez em um domingo depois de mais de 20 anos.

O que aconteceu

O "Kraken" foi o bar escolhido para que os alvinegros assistissem à partida contra o Palmeiras, […] pelo Brasileirão. A ideia e organização foram feitas pela "ArgenFogo", torcida de botafoguenses que moram em Buenos Aires, no jogo anterior à final da Libertadores.

A vitória por 3 a 1, os quatro telões e o grande espaço ao ar livre caíram no gosto dos botafoguenses. A partir dali, de forma orgânica, a torcida passou a adotar o local como ponto de encontro. […]

O próprio Botafogo percebeu que ali havia se tornado a casa dos alvinegros e se rendeu. Na véspera, fez por lá um evento chamado "Casa Fuego", que não estava previamente programado. […]

O UOL esteve por lá neste domingo (1), dia seguinte do título do Botafogo. O bar estava com suas portas fechadas e passava por uma faxina.

Canhão de enfeite no ‘Kraken’ com adesivos e expressões botafoguenses. Crédito: Bruno Braz.

A funcionária revelou que pela 1ª vez, em mais de 20 anos, o Kraken não estava aberto no domingo. […] Os botafoguenses beberam todas as cervejas do bar na comemoração.

“Não estamos abertos hoje. A torcida do Botafogo esgotou todas as cervejas. Foi uma loucura esses dias. O bar existe desde os anos 2000 e nunca teve uma movimentação tão grande. […] Foi uma loucura, mas foi lindo”. – Funcionária do Kraken ao UOL. […]

"A Marlene, gerente, me disse que era meio impressionante para eles, porque nunca havia esgotado o estoque de cerveja. Foi a primeira vez que aconteceu isso. E foram com os torcedores do Botafogo. […] Disse que nunca havia tido um movimento como esse. E ela não falou, mas óbvio que nunca faturou tanto também. Mas agradeço muito a organização do bar. […] – Luiz Gabriel Palassi, integrante da ArgenFogo, complementando:

“Eu só caí na real da história que a ArgenFogo fez, do que participamos, quando eu vi a galera indo para o Kraken sem termos avisado nada para ninguém. Foi da maneira mais orgânica do mundo e tornamos ali a casa do Botafogo em Buenos Aires. […] O local agora é histórico.” – Luiz Gabriel Palassi, integrante da ArgenFogo.

Leia o texto completo em http://www.uol.com.br/esporte/futebol/ultimas-noticias/2024/12/02/botafoguenses-esgotam-cerveja-e-bar-argentino-nao-abre-pela-1-vez-domingo.htm

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2025

Narrativas de emoção e glória (XVI): Nós, tão iguais e agora tão diferentes

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

Dentre as suas várias artes, João Moreira Salles escreve muito bem, mas consegue ser admirável quando a sua escrita tem por objeto o ‘O Glorioso’ Botafogo de Futebol e Regatas.

Desta vez, o cineasta botafoguense enveredou pela revisão do que é ser botafoguense, retomando o tema que publicara na Revista Piauí no 1º trimestre do ano passado acerca do Botafogo de 2023.

Num texto longo e sublime, Moreira Salles escreveu sobre “Nós, tão iguais e agora tão diferentes”, refletindo sobre a eventual mudança na estrutura dos botafoguenses após a conquista da Copa Libertadores da América e do Campeonato Brasileiro.

A publicação foi novamente feita na Revista Piauí, de fevereiro de 2025, edição número 221. Imperdível.

Um aperitivo para os leitores do Mundo Botafogo:

Mesmo quem, como eu, nunca leu Anna Karenina sabe como o livro começa: ‘Todas as famílias felizes se parecem, cada família infeliz é infeliz à sua maneira.’ Desde 30 de novembro de 2024, tenho pensado muito nisso. O que a frase sugere – que a felicidade é mais banal do que a infelicidade, que a alegria é sempre igual a si própria – não me parece certo. Quando, ao cair da tarde portenha daquele último dia de novembro, olhei à minha volta e vi pessoas que choravam, que riam, rezavam, dançavam, cantavam, se beijavam ou que, aturdidas, ficavam em silêncio; e mais tarde, ao saber dos que passaram mal, dos que desmaiaram e voltaram a si sem acreditar no que acontecia – Botafogo, campeão da Libertadores da América –, naquele momento tive a certeza de que a alegria não é uma coisa só, mas muitas, talvez tantas quantos forem os botafoguenses neste mundo.”

Endereço para mais leitura em fatorrrh.com.br:

https://fatorrrh.com.br/2025/02/08/joao-moreira-salles-faz-otimo-texto-sobre-botafogo-campeao-de-2024-ganhamos-o-direito-a-felicidade-a-quitacao-das-dividas-e-a-algum-atrevimento/?fbclid=IwY2xjawIUvr9leHRuA2FlbQIxMQABHW09BDwLQsvpteGJaf-vcTpz3gpmvRzh3cKOzLzuNWB5c_vP3e-6X_msEQ_aem_g6Tgi0XPJ8OvlGuvv3tKdw&sfnsn=wiwspmo

terça-feira, 4 de fevereiro de 2025

Narrativas de emoção e glória (XV): A história da família gaúcha de quatro gerações de torcedores do Botafogo

Wagner Silveira (filho), Ivan Silveira (neto), Sandro Silveira (filho), João Pedro Silveira (neto), Milena Silveira (bisneta), Dair Silveira (patriarca) e Theo Silveira (bisneto) são quatro gerações de botafoguenses que vivem no Rio Grande do Sul. Crédito: Ivan Silveira / Arquivo Pessoal.

por VALTER JUNIOR | gauchazh.clicrbs.com.br

Clube carioca conquistou dois títulos nos últimos dias e estreia no Mundial nesta quarta-feira. Torcida do patriarca começou por meio das ondas do rádio e o encantamento com Garrincha e passou até os bisnetos.

O início de conversa, por culpa do repórter, começa como uma bola atravessada na frente da área. A pergunta sai "como botafoguenses de quatro gerações moram aqui no Sul?"

Somos todos gaúchos — responde a voz do outro lado da chamada, com a simpatia de quem plana pelos céus das américas após o título da Libertadores.

A paixão surgida na década de 1950 virou herança para filhos, netos e bisnetos. A estrela solitária brilhou nos ouvidos de Dair Silveira, então um guri do Alegrete. As ondas tortas da Rádio Nacional do Rio de Janeiro o fizeram se encantar pelos dribles das pernas não menos tortas de Garrincha. […]

A única estação gaúcha que chegava até ele era a Farroupilha. […] A única voz que saia do aparelho em dia de jogo vinha do Rio de Janeiro. O ano era 1953. Diz Seu Dair que em todo Alegrete só ele e mais uma pessoa torciam para o Botafogo.

– Ouvíamos em um rádio maior do que eu. Éramos só dois, mas fazíamos tanto barulho que pareciam 100 mil — relembra o contador aposentado, de 78 anos. […]

O Botafogo deixou de ser abstração e imaginação para Dair somente em 1957. Para comemorar o centenário da cidade, um torneio de futebol foi organizado. Entre os convidados estava o Botafogo, de Garrincha. Só então, viu como o formato das pernas do camisa 7 e seus dribles desafiavam as leis da física. […]

Sandro, um de seus filhos, nasceu em solo gaúcho. Ainda bebê partiu para a capital fluminense. Ivan, filho de Sandro, neto de Dair, não teve a mesma sorte. Ainda jovem veio para o Sul.

– Vivemos uma loucura. Vivi 55 anos esperando. Me sentia culpado por ter filhos botafoguenses. […] — confessa o psicólogo Sandro, 55 anos.

O empresário Ivan, 36, não esconde que a herança virou fardo em alguns momentos. Primeiro, era um forasteiro no Rio de Janeiro. A família manteve os costumes gaúchos mesmo longe de casa. […]

Quando as raízes foram refincadas em Porto Alegre, era novamente um forasteiro. Um botafoguense em meio a gremistas e colorados. […] No Gre-Nal da turma precisava escolher um lado.

– Joguei nos dois lados. Mas me irritava muito. Queria jogar com a camisa do Botafogo. Às vezes, preferia jogar no gol porque podia jogar de preto, para não usar a camisa nem de Inter nem de Grêmio — diz orgulhoso, garantido que não veste o uniforme de nenhum dos dois clubes de Porto Alegre desde o fim da década de 1990. […]

Ivan, Sandro e João Pedro, filho mais novo de Sandro, foram ao Monumental de Nuñez para ver a final da Libertadores contra o Atlético-MG. Foi a primeira vez que João Pedro, 14 anos, assistiu ao time do coração ao vivo.

– Foi emocionante ir com meus dois filhos. Vi gente com foto de pai, tio, de gente que não está mais aqui. Uma loucura — tenta explicar Sandro.

O título inédito foi para ele o que aquele jogo de 1957, no Alegrete, representou para o seu avô. Um único sentimento separado por 67 anos. […]

No domingo (8), um segundo título. Agora, o Brasileiro. Depois da seca, a abundância. A sensação de loucura só aumentou.

Pareço estar no céu — destaca Ivan, pai de três filhos.

Um deles, Theo, 7, manterá o gene alvinegro vivo entre os Silveira. Ivan garante que o guri manda áudios enlouquecidos quando não estão juntos e o Botafogo vence. […]

É como se todos os 78 anos que os Silveira estão vinculados ao Botafogo sejam vividos em um punhado de dias.

Nota: As palavras a negrito reproduzem o texto original.

Leia o texto completo em https://gauchazh.clicrbs.com.br/esportes/noticia/2024/12/a-historia-da-familia-gaucha-que-tem-quatro-geracoes-de-torcedores-do-botafogo-cm4j41n49009r013hnr6lspq5.html

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