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segunda-feira, 23 de março de 2015

Fragmentos ‘futebol no botafogo 1966-1970’: atribulações de João Saldanha no Botafogo [5]


por CARLOS VILARINHO
especialmente para o Mundo Botafogo
sócio-proprietário e historiador do Botafogo de Futebol e Regatas

Faltavam 5 dias para as eleições do Conselho. A propósito do 24º aniversário da fusão de 1942, Saldanha deu o seguinte toque: “Amanhã [8/12/1966], o Botafogo marca mais um aniversário da fusão do FUTEBOL com o REGATAS. Pena que, a propósito, um associado alvinegro, ao ler o boletim do clube, escreveu para o Jornal dos Sports reclamando que a publicação fala em tudo, menos em FUTEBOL E REGATAS. Realmente, a concentração que o Botafogo de hoje faz no vôlei, atletismo, basquete e outros esportes conduz fatalmente a estes esquecimentos. Lógico que isto é muito perigoso. Toda a vez que o Botafogo ficou enfraquecido em futebol, os outros esportes foram para o buraco e ainda mais: o corpo social contribuinte deu no pé. Em 1932, o Botafogo tinha quase dez mil sócios e um timaço. Em 1933, com um timinho, chegou a ficar com menos de duzentos sócios quites. Nos anos subsequentes, a coisa foi mais ou menos parecida. Quem quiser, consulte os arquivos do clube”.

Em primeiro lugar, Saldanha deveria ter explicado ao leitor o que aconteceu em 1933 para transformar o “timaço” num “timinho”. Traído por Flamengo, São Cristóvão e Vasco, que foram se juntar ao Fluminense e associados (América e Bangu), o Botafogo ficou sozinho com os clubes pequenos, mas avisou que “jogaria enquanto houvesse adversários”.

O Glorioso pagou um alto preço pela fibra. Martim Silveira e Paulinho Goulart, por terem defendido um time universitário num amistoso contra profissionais, na Argentina, foram punidos pela CBD com a perda do registro de amador. Repudiando o Fluminense, Martim se profissionalizou e assinou com o Boca Juniors. Paulinho abandonou o futebol, enojado com a situação em que foi envolvido. Benedicto e Álvaro foram para o Fluminense. Almir, para o Vasco. Em fins de julho, Canali se transferiu para o Torino. O Botafogo lhe ofereceu um banquete de despedida. Em 5/11/1933, o Botafogo sagrou-se bicampeão carioca.

Em março de 1934, Martim Silveira e Canali romperam o contrato com o América e retornaram ao Botafogo, cujo solitário apoio permitiu que o Brasil disputasse a Copa do Mundo. Em 2/12/1934, o Botafogo sagrou-se tricampeão.

Na mesma época, o Vasco, Bangu, São Cristóvão, Carioca e Madureira abandonaram a Liga pirata. A FMD (Federação Metropolitana de Desportos) sucedeu a AMEA (Associação Metropolitana de Esportes Atléticos). Em 26/01/1936, o Botafogo sagrou-se tetracampeão carioca (1932-1935).

Com a pacificação (29/07/1937), surgiu a LFRJ (Liga de Futebol do Rio de Janeiro), regida pelo sistema misto, o mesmo da FMD, defendido pelo Botafogo desde o início. Os anos 1933-1934 foram de luta e sofrimento para o Botafogo, mas só os fracos (e os dissidentes) pularam fora do barco.

Poucos leitores da Última Hora conheciam certas passagens da biografia esportiva de Saldanha. Em dezembro de 1937, na qualidade de sócio do Guanabara, ele foi eleito pelo Conselho Deliberativo para o posto de diretor de voleibol. Em agosto de 1938, ele defendeu (na reserva) o Botafogo FC no campeonato de basquete. O Botafogo foi vice-campeão. Em maio de 1939, trocou outra vez de camisa, transferindo-se para o Olympico Club (campeão de 1938). Deu azar, pois o título ficou com o Botafogo FC.

Passagem autorizada pelo autor, extraída de: VILARINHO, C. F. O Futebol do Botafogo 1966-70. Rio de Janeiro: Edição do Autor, no prelo.

[O primeiro volume, O Futebol do Botafogo 1951-1960, pode ser adquirido nas melhores livrarias do Rio de Janeiro e a partir do sítio www.ofuteboldobotafogo.com]

sexta-feira, 20 de março de 2015

Fragmentos ‘futebol no botafogo 1966-1970’: atribulações de João Saldanha no Botafogo [4]


por CARLOS VILARINHO
especialmente para o Mundo Botafogo
sócio-proprietário e historiador do Botafogo de Futebol e Regatas

A situação do Botafogo no campeonato assanhou a oposição. Na quarta-feira (23/11/1966), Saldanha fez o seu balanço do ano: “O Botafogo foi vítima de sua atual pobreza financeira. Em vez de poder preparar-se para a disputa, foi obrigado a sair em busca do ouro”.

Ele devia dizer que a raiz de tal “pobreza” estava na cessão de cinco titulares à CBD. O Botafogo tinha mesmo que correr, porém, disputou apenas dois amistosos durante o campeonato. Gérson se contundiu num deles (Racing), mas só desfalcou o time num jogo (Flamengo).

Saldanha insistiu no projeto messiânico de eliminar do Clube os esportes olímpicos, pilares de uma unidade que ele jamais aceitou: “Na luta inglória por campeonatos inexpressivos de um falso esporte amador, na insistência de uma política de só arranjar jogadores vindos do juvenil, o Botafogo está a pique de voltar àquela triste época dos Gato, Casnoks e outros pernas de pau”.

No ano de 1966, que clube brasileiro contratou um craque de seleção? Apenas o Botafogo (Garrincha não conta). E não foi um só, foram dois: Leônidas e Parada. A penúria dos clubes era tal – reflexo da situação criada pelo regime militar – que praticamente todos estavam promovendo os juvenis.

Saldanha concluiu: “Os homens do Botafogo já sabem, por experiência própria, que pouco adianta ganhar dez ou onze títulos amadores e demorar muito a ganhar um campeonato de primeira divisão. O Botafogo que tome muito cuidado. Está trilhando terreno muito perigoso”.

Saldanha deixou o Botafogo (janeiro de 1960) exatamente porque não encontrou apoio para sua tese de exclusividade do futebol. Ele não tolerava que os atletas das modalidades olímpicas recebessem salário. Por isso, sempre colocava a palavra amador entre aspas. Mas o Flamengo fazia isso no remo. O Vasco fazia a mesma coisa no basquete. O Fluminense, no pólo aquático, também pagava salário. AABB, CIB e Guanabara, idem. Na verdade, a catequese ocultava uma finalidade política: em 12 de dezembro, haveria eleições para o Conselho Deliberativo, que elegeria o presidente do Clube em dezembro de 1967.

Quem sustentava realmente os esportes olímpicos eram as Forças Armadas (cada vez menos) e os clubes de futebol. Os esportes olímpicos poderiam facilmente cair no gosto popular, como no Japão, na Europa e nos EUA, mas aqui lhes faltava o necessário apoio dos governos (União e Estados) e por tabela, do CND, da CBD e do COB.

O quadro era assustador. Basta dizer que três tradicionais clubes de remo agonizavam: Santa Luiza (1896), Boqueirão do Passeio (1897) e Internacional (1900). E mais. Em fevereiro de 1967, o CND e as federações cariocas de voleibol, tênis e tênis de mesa serão despejados por falta de dinheiro para pagar o aluguel das salas que ocupavam no Edifício Martinelli, na Avenida Rio Branco, 108. O Clube Municipal cedeu uma sala para a Federação de Arco e Flexa. A Federação de Halterofilismo abrigou-se no Botafogo, embaixo das Sociais.

O Botafogo cumpria, com crescente sacrifício, a sua obrigação de ajudar na formação da juventude (artigo 2º do decreto-lei nº 3.130, de 21/03/1941). Mas nem tudo era possível. Sem apoio, o Botafogo se retirou da modalidade de levantamento de peso, na qual fora campeão por 11 anos consecutivos (1953-1963).

Saldanha alimentava então o sonho de reduzir o Botafogo ao time de futebol, tendo como apêndice um clube social (modesto), recreativo. Era o próprio anti-Botafogo.

Passagem autorizada pelo autor, extraída de: VILARINHO, C. F. O Futebol do Botafogo 1966-70. Rio de Janeiro: Edição do Autor, no prelo.

[O primeiro volume, O Futebol do Botafogo 1951-1960, pode ser adquirido nas melhores livrarias do Rio de Janeiro e a partir do sítio www.ofuteboldobotafogo.com]

quarta-feira, 18 de março de 2015

Fragmentos ‘futebol no botafogo 1961-1965’: atribulações de João Saldanha no Botafogo [3]


por CARLOS VILARINHO
especialmente para o Mundo Botafogo
sócio-proprietário e historiador do Botafogo de Futebol e Regatas

Na terça-feira da outra semana (15/06/1965), em Wenceslau Braz, Luiz Aranha e Miguel Couto Filho (reeleitos em 1963) foram reconduzidos (até 1967) para os cargos de presidente e vice-presidente do Conselho Deliberativo. Outras importantes decisões foram tomadas nesta noite. Por unanimidade, aprovaram-se as contas da Diretoria, referentes ao ano de 1964. O Conselho também votou o programa de expansão imobiliária (lançado em dezembro de 1959), cujo primeiro passo seria a mudança do campo de futebol, permitindo que, em General Severiano, fosse construído um centro social, recreativo e desportivo, visando à conquista de novos sócios, afastando qualquer ameaça de crise financeira. Para cumprir tarefa de tamanho vulto, a Diretoria seria assessorada por uma Comissão de Obras e uma Comissão de Finanças, compostas por representantes dos três poderes. Representando o Conselho, foram eleitos Paulo Azeredo e Sergio Darcy (Obras); Marcos Tamoio e Luiz Figueira (Finanças).

Acolhendo proposta do então benemérito Adherbal de Souza Bastos, o Conselho, também por unanimidade, votou a criação da Caixa de Amparo aos Desportos Amadoristas. A medida era justa e urgente, haja vista as dificuldades financeiras enfrentadas (com brilho) pelos atletas amadores, alvo de implacável campanha de descrédito movida por João Saldanha, ausente contumaz (como nesta oportunidade) das reuniões do Conselho. Em 25 de setembro, por carta, Palmeiro dará ao “benemérito” uma demolidora resposta (publicada no Boletim – primeira quinzena de outubro).

Passagem autorizada pelo autor, extraída de: VILARINHO, C. F. O Futebol do Botafogo 1961-65. Rio de Janeiro: Edição do Autor, no prelo.

[O primeiro volume, O Futebol do Botafogo 1951-1960, pode ser adquirido nas melhores livrarias do Rio de Janeiro e a partir do sítio www.ofuteboldobotafogo.com]

sábado, 14 de março de 2015

Fragmentos ‘futebol no botafogo 1951-1960’: atribulações de João Saldanha no Botafogo [1]

por CARLOS VILARINHO
especialmente para o Mundo Botafogo
sócio-proprietário e historiador do Botafogo de Futebol e Regatas

Na segunda-feira (20/12/1959), ouvido pela Última Hora, Paulo Azeredo expôs seus planos para os próximos dois anos: “Afora a complementação das obras do Mourisco, é meu pensamento construir nos terrenos do nosso campo de futebol uma praça completa para a prática de esportes amadoristas. Não há mais razão para que terreno tão valorizado fique à mercê de umas poucas partidas de futebol, como sucedeu este ano, quando, nas duas únicas partidas que lá jogamos, houve uma renda de pouco mais de 100 mil e outra de 47 mil cruzeiros. No mais, o nosso campo foi ocupado por terceiros e o gramado, como sabe, em vista disso, está sempre em estado precário”.

O projeto era ambicioso: “Pelos últimos cálculos, todo o terreno ocupado pelo futebol, compreendendo campo propriamente dito e arquibancadas, vai a 700 milhões de cruzeiros. Agora, calculem: um patrimônio desse vulto está sendo muito mal empregado. É um absurdo, não acham? Com o nosso plano, os sócios, que, no momento, são em número superior ao do Fluminense, disporão de quadras de tênis, volibol, basquetebol e piscinas recreativas”.

O Botafogo já estava procurando um novo terreno: “Poderá ser na Avenida Brasil, ou onde encontrarmos algo que nos sirva, inclusive, que possa ser arrendado ao Clube. Mais cedo do que muita gente espera, abandonaremos o nosso tradicional campo. A execução do projeto estará a cargo de um grupo dos mais renomados da engenharia nacional”.

Com estas diretrizes, o futebol profissional seria novamente comandado por Brandão Filho e João Citro, calejados e botafoguenses até a raiz dos cabelos.

Na terça-feira, ouvido pelo Correio da Manhã, João Saldanha pôs em dúvida sua permanência: “Fiz uma espécie de planejamento, impondo algumas condições e estou aguardando por esses dias uma resposta da Diretoria”.

O recado, áspero, tinha endereço certo: “O mal do nosso futebol é que ele é administrado por homens que o detestam. Corra os olhos pelos principais dirigentes de nossos clubes e entidades e veja se não estou com a razão. A grande maioria apenas suporta o futebol. Eu gosto e muito do futebol e quero que o Botafogo tenha a dirigir o seu Departamento Profissional homens que gostem tanto como eu. Quando não se gosta daquilo que se faz, não é possível produzir a contento”.

A forma era genérica, mas o julgamento, severo, era dirigido ao Botafogo, sem nenhuma dúvida: “O nosso futebol, que é tecnicamente o melhor do mundo, continua administrativamente como há vinte e trinta anos atrás”.

Aparentemente, Saldanha não lera ou não dera importância ao depoimento de Paulo Azeredo à Última Hora: “Como já lhe disse, gosto do futebol. Quero fazer mais pela profissão e principalmente pelo Botafogo, mas já estou cansado de trabalhar sem objetivo, apenas por trabalhar”.

Sorte do Botafogo, que havia um Saldanha para tirá-lo do atraso: “Estou certo que os nossos dirigentes vão acabar se convencendo de que o futebol precisa e deve ser encarado cada vez com mais seriedade. Se conseguir convencer meus amigos dessa necessidade, então não terei dúvidas em redobrar meus esforços e continuar”.

Passagem autorizada pelo autor, extraída de: VILARINHO, C. F. (2013). O Futebol do Botafogo 1951-60. Rio de Janeiro: Edição do Autor, p. 314.

[O livro pode ser adquirido nas melhores livrarias do Rio de Janeiro e a partir do sítio www.ofuteboldobotafogo.com]

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Fragmentos ‘futebol do botafogo 1951-60’: o politizado Garrincha [35]

por CARLOS VILARINHO
especialmente para o Mundo Botafogo
sócio-proprietário e historiador do Botafogo de Futebol e Regatas

Na eleição para o governo da Guanabara, ocorreu uma tragédia. Lacerda (UDN-PDC-PR) obteve ínfima vantagem (2,3%) sobre Sérgio Magalhães (PTB-PSB, que lançara o repto ao eleitorado: “Se você é reacinário e entreguista, vote em Lacerda!” produto da conjura pessedista (JK e Amaral Peixoto), Mendes de Moraes (4º lugar) retirou preciosos votos da chapa nacional-democrática, dando a vitória às forças que jamais haviam vencido uma eleição no Brasil.

Genivaldo e Garrincha votaram na chapa Lott-Goulart. Garrincha era filiado ao PTB (diretório de Pau Grande) há muitos anos. Na última semana de Abril, ele havia declarado seu voto ao órgão nacionalista O Semanário: “Vem aí o 3 de outubro e essa gente que ainda faz alarde da nossa incapacidade não perde por esperar. Vamos escalar Lott, ponteiro mais calmo e mais certeiro do que eu, para atirar pelotaço em entreguista na cancha de Brasília”.

[O livro pode ser adquirido nas melhores livrarias do Rio de Janeiro e a partir do sítio www.ofuteboldobotafogo.com]

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Fragmentos ‘futebol do botafogo 1951-60’: a partida de Heleno de Freitas [34]

por CARLOS VILARINHO
especialmente para o Mundo Botafogo
sócio-proprietário e historiador do Botafogo de Futebol e Regatas

Heleno morreu na madrugada de domingo. O corpo do maior ídolo do Botafogo no período 1941-1948 saiu de Barbacena para ser enterrado em sua terra natal, São João Nepomuceno. Porém, desabou um temporal no final da tarde e o carro que o transportava atolou na estrada. Somente na segunda-feira, foi realizada a cerimônia, sob grande comoção. Brandão Filho e Canôr Simões Coelho representariam o Botafogo, mas se atrasaram. A prefeitura decretou luto por três dias, o comércio fechou e as escolas suspenderam as aulas. O querido De Freitas finalmente descansou. […]

Alberto Laurence (Última Hora) julgou: “Heleno de Freitas foi o maior centroavante que encontramos em quase meio século de frequência aos estádios de futebol do mundo inteiro. O maior, pelo menos, na nossa concepção pessoal da maravilhosa e dificílima posição de comandante de ataque. O maior porque sintetizava perfeitamente, a nosso ver, a combinação ideal do centerforward europeu clássico, desbravador de defesas, e do jogador brasileiro, de habilidade extraordinária. O maior, porque era, de uma só vez, um batalhador terrível e um cerebral, juntando a inteligência do jogo e a inspiração genial ao espírito de luta e à vontade de vencer, possuindo malabarismo e eficiência, chutando com os dois pés e cabeceando magnificamente.”

Vargas Netto (Jornal dos Sports) recordou: “Como ele sabia parar uma bola no peitio, de costas para o arco adversário, girando com ela, para deixá-la cair já em plena arremetida!!”

[O livro pode ser adquirido nas melhores livrarias do Rio de Janeiro e a partir do sítio www.ofuteboldobotafogo.com]

Excerto autorizado pelo autor. In: VILARINHO, C. F. (2013). O Futebol do Botafogo 1951-60. Rio de Janeiro: Edição do Autor, pp. 275-276.

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Fragmentos ‘futebol do botafogo 1951-60’: Garrincha inegociável [33]

por CARLOS VILARINHO
especialmente para o Mundo Botafogo
sócio-proprietário e historiador do Botafogo de Futebol e Regatas

Saldanha avisou que se aparecesse alguém “com conversa de levar Garrincha” levaria uma “boa surra”. Octávio […] na saída, informou á imprensa que o Botafogo solicitará providências ao CND, porque considerará um caso típico de aliciamento e de um aliciamento internacional”.

Horas depois, Paulo Azeredo firmou uma posição:

“Estamos em pleno campeonato e com toda a atenção voltada exclusivamente para o campeonato. Ora, não é justo que, de fora, venham coisas que contribuam para desviar essa ordem das coisas. (…) Com Garrincha não há coisa alguma. O Botafogo jamais concordará em receber alguém, venha de onde vier, para perguntar apenas pelo preço do seu passe. Tratando-se de um jogador inegociável, nem que disponha da maior fortuna do mundo, naturalmente que não haverá o que discutir, a não ser que alguém esteja com vontade de provocar. E para quem provoca há o remedi adequado. O Botafogo não quer saber desse assunto e o que peço é que deixem o Botafogo viver em paz e cumprir a sua verdadeira finalidade no campeonato”.

[O livro pode ser adquirido nas melhores livrarias do Rio de Janeiro e a partir do sítio www.ofuteboldobotafogo.com]

Excerto autorizado pelo autor. In: VILARINHO, C. F. (2013). O Futebol do Botafogo 1951-60. Rio de Janeiro: Edição do Autor, pp. 266.

domingo, 28 de dezembro de 2014

Fragmentos ‘futebol do botafogo 1951-60’: a chegada de Manga [32]


por CARLOS VILARINHO
especialmente para o Mundo Botafogo
sócio-proprietário e historiador do Botafogo de Futebol e Regatas

Na terça-feira, Saldanha embarcou para Recife com a tarefa de contratar Manga (21 anos de idade, 1,93m de altura), o melhor goleiro do Nordeste. Desde menino, Hailton Corrêa Arruda era alucinado por mangas e fazia diabruras para apanhá-las. Por isso, ganhou o apelido.

Manga começou no juvenil do Sport em 1952. Em 1954, campeão sem tomar um único gol, jogando todas as 16 partidas. Em 1955, estreou nos profissionais, sagrando-se vice-campeão. Treinou dois meses no Vasco em troca de um salário de 6 mil e uma dentadura, mas terminou voltando. Em 1956, foi campeão de aspirantes. Em 1958, levantou o título de profissionais. O Sport já recusara 3 milhões (Palmeiras e Santos). Saldanha ofereceu 2,5 milhões e retornou no outro dia. Na sexta-feira, o negócio foi fechado por 3,5 milhões, mais a renda de um jogo, em Recife.

Manga chegou na noite da outra terça-feira. Assinou na quinta-feira, dia 9 de Julho.

[O livro pode ser adquirido nas melhores livrarias do Rio de Janeiro e a partir do sítio www.ofuteboldobotafogo.com]

Excerto autorizado pelo autor. In: VILARINHO, C. F. (2013). O Futebol do Botafogo 1951-60. Rio de Janeiro: Edição do Autor, p. 265.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Fragmentos ‘futebol do botafogo 1951-60’: alvinegros ‘Harlem Globetrotters do Futebol’ [31]

por CARLOS VILARINHO
especialmente para o Mundo Botafogo
sócio-proprietário e historiador do Botafogo de Futebol e Regatas

No sábado, o Botafogo voltou a Bruxelas, onde esmagou o Anderlecht (campeão belga). Aos 7, em jogada pessoal, Paulinho abre o placar: 1x0. Recebendo de Didi, Quarentinha faz 2x0 (aos 14). Cercado por três atacantes, Lippens tenta atrasar para Week e faz contra (aos 21): 3x0. Dada a nova saída, Quarentinha recebe de Didi e amplia: 4x0. No segundo tempo, aos 30 Quarentinha conclui outra jogada de Didi: 5x0. Após o jogo, dirigentes e jogadores (Di Stéfano, Puskás e Rial) insistiram para que Didi fechasse logo com o Real Madrid. […]

Na terça-feira, já farto de bola, o Botafogo desembarcou na estação ferroviária de Milão para enfrentar o Milan (de Liedholm e Mazzola), na outra noite. Aos 20, Ernani e Cetale esperam um pelo outro, Danova toma a bola e abre o placar: 0x1. Aos 25, numa cobrança de falta (de 30 metros), Didi empata: 1x1. Mas aos 30, Danova dribla Cetale e queima Ernani: 1x2. No tempo final, aos 30, Chicão serve a Paulinho, que dribla Maldini e dispara um tiro fraco, mas certeiro: 2x2.

A Agência France Press ficou tão impressionada que chamou os alvinegros de “Harlem Globetrotters do Futebol”. […]

Nesta tarde, o Atlético de Madrid (reforçado com Puskás) pagou por tudo e por todos. Didi, numa folha seca (aos 19), e Zagalo (aos 23) abrem 2x0. O Botafogo se descuida e sofre dois gols. Aos 25, servido por Hollaus, Vavá diminui: 2x1. Recebendo de Puskás, Hollaus (aos 30) empata: 2x2. Aos 33, Quarentinha escapa na carreira e reconquista a vantagem: 3x2. Quarentinha faz grande jogada e amplia (aos 43): 4x2. Na etapa final, Puskás reduz (aos 3), mas Zagalo torna a ampliar (aos 5): 5x3. Puskás (aos 7) reduz para 5x4. Garrincha (aos 36 desbrava a defesa e chuta na trave. No rebote, Didi só empurra: 6x4. Foi uma façanha do Botafogo, superando com classe e raça o estado físico lastimável do time.

 [O livro pode ser adquirido nas melhores livrarias do Rio de Janeiro e a partir do sítio www.ofuteboldobotafogo.com]

Excerto autorizado pelo autor. In: VILARINHO, C. F. (2013). O Futebol do Botafogo 1951-60. Rio de Janeiro: Edição do Autor, pp. 262 a 264.

domingo, 21 de dezembro de 2014

Fragmentos ‘futebol do botafogo 1951-60’: a melhor equipe sul-americana [30]

por CARLOS VILARINHO
especialmente para o Mundo Botafogo
sócio-proprietário e historiador do Botafogo de Futebol e Regatas

[Nota preliminar: em 1959 o Botafogo fez uma longa excursão pela Europa, acabando saturado de tanto jogar, mas uma vez mais o nosso rasto de Glória foi iluminado por um facho de luz ante equipas poderosas. Alguns excertos em seguida.]

Na sexta-feira, em Umea, a 400 km do Círculo Polar Ártico, o Botafogo vingou-se no Gimonas (reforçado com sete jogadores de fora). […] Didi desempata de meia bicicleta: 2x1. […] Aos 34, Garrincha recebe na ponta esquerda, dribla os seis marcadores que encontra pela frente e manda um tijolo quente: 3x1. […]

Na terça-feira, no Estádio Nya Ullevy, o Botafogo goleou a renovada seleção sueca, com quatro titulares de 1958. […] Paulinho (aos 14 e 20) abre 2x0. Aos 35 Didi sela a vitória (de pênalti): 3x0. Tudo no primeiro tempo.

Na terça-feira, dia 2 de Junho, o Botafogo desembarcou em Viena para enfrentar a Áustria, na outra noite. No selecionado os veteranos de 1958: Schmied, Hanappi, Koller e Horak. Skerlan faz defesas impossíveis. Paulinho, Didi e Quarentinha perdem chances de ouro. Aos 31, Friedrich Seipelt, “não vê” um pênalti claro em Garrincha. Os 60 mil austríacos vaiam o garfador! Aos 35, Garrincha dribla quatro marcadores, o goleiro e empata: 1x1. Gol de placa! […] Quarentinha enfia a cabeça (aos 27): 2x2. No dia seguinte, Karl Decker (técnico da Áustria) declarou: “O Botafogo foi a melhor equipe sul-americana que já pisou os gramados de Viena”.

 [O livro pode ser adquirido nas melhores livrarias do Rio de Janeiro e a partir do sítio www.ofuteboldobotafogo.com]

Excerto autorizado pelo autor. In: VILARINHO, C. F. (2013). O Futebol do Botafogo 1951-60. Rio de Janeiro: Edição do Autor, pp. 261-262.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Fragmentos ‘futebol do botafogo 1951-60’: quando o Botafogo encarava de frente! [29]

por CARLOS VILARINHO
especialmente para o Mundo Botafogo
sócio-proprietário e historiador do Botafogo de Futebol e Regatas

Na noite anterior, 26 [de janeiro de 1959], com a abstenção do Botafogo, Passo foi reeleito para o biénio 1959-60 [da federação Metropolitana de Futebol]. Então, estourou a bomba. Em novembro, a FMF colocara à venda ingressos para o jogo de 22 de fevereiro (DFxSP) em prol da construção de uma sede própria. De pronto, o Botafogo havia dito que não cederia ninguém. Na segunda-feira, Octávio reiterou a negativa. No dia seguinte, Estellita pôs uma pá de cal no assunto: “A FIFA, entidade que congrega as federações de todo o mundo, tem apenas três salas como sede. (…)

De resto, mesmo se não houvesse esta razão importante, outra haveria de prevalecer e impedir a nossa colaboração: a incompatibilidade entre o meu Clube e o presidente da Federação. (…)

A atitude do Sr. Antônio do Passo naquela questão foi condenável. Ele próprio, mais tarde, haveria de reconhecer isso. Mas nós, do Botafogo, não poderíamos perdoar quem, por ambições políticas e com o único fim de conseguir votos para uma reeleição, serviu de pau mandado, foi um boneco manejado por terceiros [Vasco] interessados em atingir o Botafogo. (…)

O Sr. Antônio do Passo se arrependeu do que fez. Mas o Botafogo, um dos fundadores, e sustentáculo da Federação, não pode esquecer que foi punido injustamente e de forma tão baixa por essa Federação É por isso que não colaboramos com a atual Situação da Entidade”.

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Excerto autorizado pelo autor. In: VILARINHO, C. F. (2013). O Futebol do Botafogo 1951-60. Rio de Janeiro: Edição do Autor, p. 254.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Fragmentos ‘futebol do botafogo 1951-60’: é Flamengo, é ladrão, não é homem! [28]

por CARLOS VILARINHO
especialmente para o Mundo Botafogo
sócio-proprietário e historiador do Botafogo de Futebol e Regatas

Aos 23, um lance decidiu o jogo [do campeonato carioca de 1958]. Joubert cede um lateral e permanece no solo. Wilson Lopes de Souza o atende. Desatento, Nilton Santos quer bater logo, mas Brun neves se aproxima e toma a bola de suas mãos, rispidamente. Nilton Santos se espanta: “Vamos! Está parecendo até que você é Flamengo”. O indivíduo provoca: “Venha apanhar a bola se você é homem”. Nilton Santos responde à altura. Brun neves se queixa ao juiz e este exclui Nilton Santos. Enfurecido, Amaury dá uma peitada no juizinho, que se recolhe. Nilton Santos enlouquece: Você é Flamengo! Você é ladrão! Você não é homem!”. O bandeirinha responde: “Sou mais homem que você”. Nilton Santos parte na direção do canalha: “Vou mostrar que não é.” Os companheiros o impedem. Saiu faísca. […]

No vestiário, Nilton Santos desabafou: “Eu não gosto de homens que correm e ainda vamos nos encontrar para ver quem é mais homem; ele, que correu, ou eu”.

Nota do Mundo Botafogo: A imagem de ‘bonzinho que Nilton Santos mostrava no crepúsculo vespertino da sua vida não tinha nenhuma correspondência com a fogosidade da sua juventude e a prontidão que sempre teve para um confronto, especialmente quando se tratava de árbitros de futebol. Nesse tempo, quem andava no futebol não tinha frescura nem covardia, isto é, nenhuma semelhança com o biltre Maurício Assumpção.

 [O livro pode ser adquirido nas melhores livrarias do Rio de Janeiro e a partir do sítio www.ofuteboldobotafogo.com]

Excerto autorizado pelo autor. In: VILARINHO, C. F. (2013). O Futebol do Botafogo 1951-60. Rio de Janeiro: Edição do Autor, p. 242-243.

sábado, 1 de novembro de 2014

Fragmentos ‘futebol do botafogo 1951-60’: o show de Garrincha e o ódio do Flamengo [27]

por CARLOS VILARINHO
especialmente para o Mundo Botafogo
sócio-proprietário e historiador do Botafogo de Futebol e Regatas

O tijolo quente passa zunindo, no meio do gol, entre o goleiro e a barreira: 3x0 [sobre o Flamengo, em 1958]. A partir daí o Botafogo deu as cartas, ensaiou um olé. […]

Na quinta-feira, em sua coluna (O Dia), o rubro-negro José Maria Scassa escreveu: “Garrincha andou zombando demais d o adversário e do juiz também. Não por maldade. Garrincha não tem maldade. O fez movido pelo seu espírito infantil e estimulado pelas risadas do público. Garrincha ignora o quanto é condenável a humilhação, provocada pelos seus dribles, suas quedas espetaculares, suas zombarias num espetáculo que é de futebol e não de circo. (…) O nosso objetivo é advertir o jovem ponteiro botafoguense, a quem muito admiramos pelas suas virtudes natas de e pela sua maneira simples de tratar os seus semelhantes. Todavia, o histerismo das plateias tem lhe feito mal. Garrincha, domingo, abusou, não só pelas fintas como pelos truques de se atirar ao chão para impressionar os árbitros. É preciso que alguém lhe diga da importância de um jogo no Maracanã a fim de que não o transforme numa pelada em Pau Grande de onde, invariavelmente, ele é o dono da bola.”

No dia seguinte, Estellita repeliu o claro incitamento de Scassa a todos os zagueiros da cidade para baixarem o sarrafo em Mané: “Esses mesmos que agora acusam Garrincha de, com seus dribles desconcertantes, pretender desmoralizar o adversário, há muito pouco, o endeusavam quando ele, com os mesmos dribles, abria caminho para a seleção brasileira conquistar a Copa do Mundo. Expulso porquê? Porque driblou, Jordan, Santa, Bolero e por aí afora? Ao que me consta o drible é um recurso de jogo, perfeitamente integrado nas regras. Driblar não é falta, é recurso. Falta é impedir o drible com calços e pontapés.”

[O livro pode ser adquirido nas melhores livrarias do Rio de Janeiro e a partir do sítio www.ofuteboldobotafogo.com]

Excerto autorizado pelo autor. In: VILARINHO, C. F. (2013). O Futebol do Botafogo 1951-60. Rio de Janeiro: Edição do Autor, p. 238-239.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Fragmentos ‘futebol do botafogo 1951-60’: e assim jogava o América contra nós desde 1911 [26]

por CARLOS VILARINHO
especialmente para o Mundo Botafogo
sócio-proprietário e historiador do Botafogo de Futebol e Regatas

À noite, o Botafogo enfrentou o América (do técnico Yustrich). Aos 9, […] Garrincha finta-o espetacularmente e manda à boca da meta. Rebate a zaga mas o rebote é de Pampolini: 1x0. Um pelotaço. […] Aos 29, […] Garrincha bate com folha seca na gaveta: 2x1. […] Quarentinha atira um torpedo e amplia com a colaboração de Pompéia: 3x1.

Na fase final, aos 8, Jorge reduz: 3x2. Falha de Ernani. Aos 19, Romeiro converte o pênalti em Leônidas: 3x3. Não houve a penalidade. Leônidas enfiou o dedo no olho de Ernani e depois se esparramou no chão. […]

Garrincha espera a saída de Pompéia, dribla-o e chuta para fora! No vestiário Mané se culpou: “Não é possível que eu tenha falhado. Perdi um gol feito. Foi de matar aquele lance. Era a nossa vitória”.

O problema é que o América (por ordem de Yustrich) transformou a partida numa batalha. Mané foi caçado como um animal por Antonio Carlos e Hélio. Caca protestou:”Tive ímpetos de perder a calma. Nunca vi tanta violência junta, sem que houvesse energia do árbitro. Positivamente, todos partem contra o Botafogo com intuito de massacrar nosso time. […] Eu sabia que esse ano teríamos só inimigos [1958]. Seremos caçados em campo, como foram caçados, hoje, Rossi e Edson [por Romário e Canário]. Não é possível se querer jogar na bola quando os adversários largam o pau”.

Para piorar, Malcher citou Paulo Amaral por ofendê.lo ao receber ordem de abandonar um alvinegro abatido no solo.

[O livro pode ser adquirido nas melhores livrarias do Rio de Janeiro e a partir do sítio www.ofuteboldobotafogo.com]

Excerto autorizado pelo autor. In: VILARINHO, C. F. (2013). O Futebol do Botafogo 1951-60. Rio de Janeiro: Edição do Autor, p. 232-233.

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Fragmentos ‘futebol do botafogo 1951-60’: e assim 'jogava' o flamengo [25]

por CARLOS VILARINHO
especialmente para o Mundo Botafogo
sócio-proprietário e historiador do Botafogo de Futebol e Regatas

Na noite de sábado [contra o flamengo], debaixo de chuva, o Botafogo entrou desfalcado de Thomé, Paulinho e Quarentinha. Didi foi obrigado a jogar novamente adiantado, formando dupla com Rossi. A guerra esquentou. Durante toda a semana, Zagalo [que entretanto se transferira do flamengo para o Botafogo] recebeu ameaças telefônicas. Já no vestiário, foi alertado por Saldanha para tomar precauções, pois seria caçado em campo. Não era conversa. Na sexta-feira, Hilton Santos [presidente do flamengo] disse com todas as letras: “Não há sombra de dúvida. Chegou, afinal, o dia da resposta do flamengo ao Botafogo.” No sábado, Henrique assim se referiu a Domício: “Nosso duelo dentro da área vai ser para homem.”

Rola a pelota. Aos 9, Babá marca para o Flamengo, mas o Botafogo não se desequilibra. […] Aos 19, Zagalo (muito bem) domina o couro, mas Jadir, pelas costas, o atinge em cheio na face interna do joelho esquerdo, causando torsão e ruptura dos ligamentos. Frederico Lopes (de Botafogo 2x3 Vasco, em 25/11/1956) acha tudo normal. Zagalo sai de maca.

Aos 21, Didi […] lança Garrincha no vazio. Mané recebe na corrida, corta Jordan e fuzila alto, cruzado: 1x1 Golaço! […] Aos 44 […], Didi recebe, dá alguns passos e serve a Garrincha na ponta esquerda. Garrincha domina e luta com Joubert até quase o fundo. Chega Moacir. Mané levanta a bola e atira forte à boca da meta. Rossi entra livre, domina e atira de pé esquerdo, numa meia virada, sem chance para Fernando (ex-Bangu): 2x1. Golaço! […]

Na fase final, valendo-se da superioridade numérica, o Flamengo empatou. […] Domício jogou praticamente todo o segundo tempo de braço enfaixado. Além disso, abriu o supercílio num choque com Joel (que também se machucou). O Flamengo baixou o sarrafo. Uma grande jogada de Garrincha, por exemplo, só foi desfeita quando Tomires o mandou com bola e tudo para a lateral. […]

Em seguida, Didi servia a Rossi e este a Nilton Santos, em desabalada carreira pela lateral, inteiramente livre. Ao invadir a área, Tomires o jogou com bola e tudo para a linha de fundo. “Córner” – apitou o garfador. […]

Na segunda-feira, Sergi Darcy telefonou para o presidente do Flamengo, Hilton Santos: “Você foi o causador direto, com a entrevista que deu na semana passada, da contusão sofrida por Zagalo no jogo de Sábado.”

[O livro pode ser adquirido nas melhores livrarias do Rio de Janeiro e a partir do sítio www.ofuteboldobotafogo.com]

Excerto autorizado pelo autor. In: VILARINHO, C. F. (2013). O Futebol do Botafogo 1951-60. Rio de Janeiro: Edição do Autor, p. 231-232.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Fragmentos ‘futebol do botafogo 1951-60’: Garrincha sempre desconcertante [24]

por CARLOS VILARINHO
especialmente para o Mundo Botafogo
sócio-proprietário e historiador do Botafogo de Futebol e Regatas

Nos jogos seguintes (18, 21 e 29) [maio de 1958], Garrincha foi escalado, marcando 3 gols, um deles, contra a Fiorentina, magistral. Foi assim.

A Fiorentina perdia por 3x0. Tentando tirar a diferença, se mandou toda para a frente. Aos 30 do segundo tempo, num contra-ataque, Dino estica para Garrincha, que finta o médio Segato e arranca área adentro, apenas com um zagueiro e o goleiro pela frente. Sarti larga as traves e salta aos seus pés, Garrincha dribla-o com um leve toque para a direita e arma o tiro fatal.

Quando Sarti saltou, Robotti, que estava do seu lado direito, recuou. Na velocidade em que vinha, de lado e mesmo com o pé direito preso ao chão, tentou aparar o chute. Neste instante, Garrincha trava o couro, cortando para a esquerda, entortando-o. Robotti tenta se voltar para ficar de frente e se desequilibra, já mal apoiado no pé esquerdo. Se o levantasse, cairia irremediavelmente. Quase tombando de costas, agarra-se à trave, com os dois pés fora de campo. Ridiculamente.

Garrincha anda até o gol, para em cima da linha e dá um bico. A bola bate alto na rede e cai nos seus braços. Com ela volta andando até ao grande círculo. Uma loucura!

[O livro pode ser adquirido nas melhores livrarias do Rio de Janeiro e a partir do sítio www.ofuteboldobotafogo.com]

Excerto autorizado pelo autor. In: VILARINHO, C. F. (2013). O Futebol do Botafogo 1951-60. Rio de Janeiro: Edição do Autor, p. 224.

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Fragmentos ‘futebol do botafogo 1951-60’: a virada histórica e o vale tudo sobre Garrincha [23]

por CARLOS VILARINHO
especialmente para o Mundo Botafogo
sócio-proprietário e historiador do Botafogo de Futebol e Regatas

Na manhã de sábado, embarque […] para a comemoração dos 50 anos do Atlético Mineiro. O Botafogo perdeu três gols certos […] e então veio o desastre, levando uma enxurrada de gols aos, 14, 34, 37 e 38 minutos: 0x4. […]

Quando acabou o primeiro tempo, Saldanha […] partiu para o vestiário chutando uma casca de laranja.

Na volta, sem nenhuma troca, o time reagiu sensacionalmente. Primeiro com Edson aos 15: 1x4. Depois com Garrincha (aos 25), Paulinho (aos 31) e Quarentinha (aos 39): 4x4 E a um minuto do fim, Quarentinha conquistou a vitória inesquecível: 5x4. […]

Na noite de quarta-feira, contra o Vasco da Gama, o extenuado Botafogo teria de decidir de cara. E de fato, deu as cartas até aos 24 minutos. […] Aos 38, Almir passa como quer por Servílio e cruza para Pinga fazer 0x3. […] Aos 19 […] Quarentinha reduz: 2x4. Esboça-se a reação. O Vasco então apela para o velho antijogo. Coronel, por exemplo, agarra Garrincha de todos os modos: pescoço, cintura, calção, pernas. Amílcar Ferreira limita-se a mandar bater a “falta”. Aos 22, Coronel entra para quebrar a perna de Paulinho, mas é escorado e leva a pior. Amílcar perde a serenidade e expulsa Paulinho, que reluta em sair. É insultado por Almir. Um torcedor sai do túnel botafoguense e desfere um soco na boca de Almir. Invasão de campo, sururu! […] A luta corporal envolve praticamente todos, com exceção de Garrincha. Almir – é claro – foi expulso. Foi-se o Rio-São Paulo.

[Tratava-se do Torneio Rio-São Paulo de 1958.]

[O livro pode ser adquirido nas melhores livrarias do Rio de Janeiro e a partir do sítio www.ofuteboldobotafogo.com]

Excerto autorizado pelo autor. In: VILARINHO, C. F. (2013). O Futebol do Botafogo 1951-60. Rio de Janeiro: Edição do Autor, p. 221-222.

Treinadores e contextos (II): do WM de Dori Kürschner ao efeito transformador de Zezé Moreira

Dori Kürschner. Fonte: https://alchetron.com . por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo Izidor ‘Dori’ Kürschner (1939-1940) trouxe para...