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quarta-feira, 21 de fevereiro de 2024

Sérgio Sampaio – uma alma artística incomensurável

O Grande Poeta à direita e o editor do Mundo Botafogo à esquerda, celebrando uma profunda amizade.

O meu Amigo de Alma, Sérgio Sampaio, Botafoguense apaixonado de invejável linhagem, Alma Universalíssima, poeta erudito, ou «umpoetinha» tal como se auto designava, ‘Rei do Mundo Botafogo’ durante largos anos com poemas espontâneos, inéditos e fascinantes, partiu a 13 de fevereiro de 2022 e deixou um rasto de memória e saudade até ao fim da minha vida.

AMO ESSA TUA ALMA IMORTAL!

*****

Acróstico a Augusto Frederico Schmidt

(um dos muitos botafoguenses a quem Sérgio Sampaio dedicou a sua poesia – republicação)

 

por SÉRGIO SAMPAIO

Acróstico para o Mundo Botafogo

21 de julho de 2018

 

Ampla gama de interesses teve em sua vida,

Um deles dedicado, como presidente, ao

Grã Club de Regatas Botafogo, no qual

Urdiu junção com o de Futebol! A medida

Surgir fez o BFR, apesar de não

Ter tido o Augusto Frederico à direção:

O mandante do anexado ganhou partida!

 

Falam de morte, ausência, perda, amor, seus poemas;

Representou o Brasil na ONU e na Europa;

Editou Freyre, Graciliano, integralistas;

De Juscelino amigo, envolveu-se nos seus temas

cria Operação Pan-Americana (OPA);

Realmente criativo, habilidades mistas,

Importante slogan, “cinquenta anos em cinco”

Coube exato nas intenções presidencialistas,

plano “Nova Capital” feito com afinco!

 

Simbiose rara e vária sensibilidade

Cornucópia de dedicação em qualquer ato,

Habitando num mesmo espírito intimorato:

Mestre em versos, os meus, nos seus buscam qualidade,

Intento alcançá-la, verdade pura, de fato;

Diverso mestre que na vida real também

Teve participações, lê-lo me faz mui bem!

 

Nota: Reprodução de um dos poemas de Sérgio Sampaio no Mundo Botafogo, cuja obra se encontra da Etiqueta letras sérgiosampaio, orelha direita do blogue.

segunda-feira, 27 de junho de 2022

Sérgio Sampaio, Poeta do Mundo, Amigo Eterno!

por RUY MOURA

Escrevendo por uma amizade intensa e profunda

Hoje, 27 de junho de 2022, Sérgio Sampaio, «opoetinha» que animou culturalmente o Mundo Botafogo de julho de 2016 a fevereiro de 2020, quando uma doença grave o acometeu, celebraria 77 anos. Faleceu há quatro meses e as saudades imensas não cessam de permanecer no meu coração. Um Amigo que jamais será esquecido até ao meu último sopro de vida.

Produtor de cultura e poeta do Mundo, intenso e sedutor, inteligente e mundano, sagaz e gentil, Sérgio Sampaio nasceu como natureza simultaneamente sutil e flamejante e partiu de súbito discretamente para se fundir, finalmente, naquele que nos parece um Cosmos infinito, mas não é mais do que o TUDO que Sérgio sempre foi e que ao TUDO regressou.

Sem nostalgia, mas com muita saudade de ti, a saudade que transcende o tempo e o espaço, a saudade carinhosa e alegre que me dá ânimo e inspiração, que me traz vontade de criar novamente, fazer sempre algo novo como tu fazias, e retemperar forças na rota da superação.

É assim que te tenho no coração, meu soberbo Amigo!

Recordemos hoje três acrósticos esplêndidos com os quais Sérgio Sampaio, espadachim de artes & letras, homenageou três Ilustres Poetas e Botafoguenses no Mundo Botafogo: Olavo Bilac, representando o Club de Regatas Botafogo, Vinícius de Moraes, representando o Botafogo Football Club, e Augusto Frederico Schmidt, o idealizador da fusão dos dois Clubes botafoguenses que originaram o Botafogo de Futebol e Regatas.


ACRÓSTICO A OLAVO BILAC

por SÉRGIO SAMPAIO

Acróstico para o Mundo Botafogo [09.06.2018]


Os convencionais cursos, Medicina e Direito

Largados incompletos por ele, mostram jeito

Afim co’a liberdade e co’a Língua Portuguesa,

Vate de prima cepa, o idioma no peito,

seu talento dedicado ao mundo e na mesa!


Bandeira nossa ganhou dele o seu belo Hino;

Indo à literatura pros menina e menino,

Lutou com zelo pela participação cívica!

Academia Brasileira de Letras, Lácio

Cátedra conquistando, fundou: um bem pro ensino!


ACRÓSTICO A VINÍCIUS DE MORAES

por SÉRGIO SAMPAIO

Acróstico para o Mundo Botafogo [15.06.2018]


Vórtice de honra do meu site umpoetinha,

Incluso .com.br / uma dica bem comezinha:

Na churrascaria, uísque bem na sua frente,

Implicou, disse, mas o poetinha sou eu!

Calma, respondi, serei só um diminutivo,

Imensamente, apesar disso, muito contente;

Um brinde então fizemos, tudo se resolveu,

Serenou e eu, seu fã, senti-me bem mais vivo!


De morais mais puras, mas à beira da imprudência,

Escreveu a vida, porém a viveu bem mais!


Morava em flat em Búzios, frente ao mar, pós divórcio,

O som dele, o bugre e barco meus, independência,

Reais os vários prazeres, gostosas, assaz,

As suaves relações com dia, noite e ócio...

Eu relia e rezava a “Canção do Amor Demais”,

Serenamente, vezes fazia um bom negócio!


ACRÓSTICO A AUGUSTO FREDERICO SCHMIDT

por SÉRGIO SAMPAIO

Acróstico para o Mundo Botafogo [21.06.2018]


Ampla gama de interesses teve em sua vida,

Um deles dedicado, como presidente, ao

Grã Club de Regatas Botafogo, no qual

Urdiu junção com o de Futebol! A medida

Surgir fez o BFR, apesar de não

Ter tido o Augusto Frederico a direção:

O mandante do anexado ganhou partida!


Falam de morte, ausência, perda, amor, seus poemas;

Representou o Brasil na ONU e na Europa;

Editou Freyre, Graciliano, integralistas;

De Juscelino amigo, envolveu-se nos seus temas

cria Operação Pan-Americana (OPA);

Realmente criativo, habilidades mistas,

Importante slogan, “cinquenta anos em cinco”

Coube exato nas intenções presidencialistas,

plano “Nova Capital” feito com afinco!


Simbiose rara e vária sensibilidade

Cornucópia de dedicação em qualquer ato,

Habitando num mesmo espírito intimorato:

Mestre em versos, os meus, nos seus buscam qualidade,

Intento alcançá-la, verdade pura, de fato;

Diverso mestre que na vida real também

Teve participações, lê-lo me faz mui bem!

Sérgio Sampaio, Poeta da Liberdade

por LÚCIA SENNA

Escritora e Cantora

Hoje, Sérgio Sampaio, nosso poetinha, completaria 77 anos...

Nascido sob o signo de câncer, Sérgio era forte e resistente como o caranguejo que o representava.

Sua força, no entanto, não vinha de músculos, embora os tivesse. Sérgio era um homem de alma!

Tinha a sensibilidade à flor da pele e digo, sem medo de incorrer em exagero, que qualquer um que tenha convivido com ele ficava irremediavelmente seduzido pelo seu jeito único de ser.

Sérgio fazia amigos por onde andava. Deixava as relações repletas de momentos divertidos, histórias inusitadas e, consequentemente, muitas risadas.

Se eu tivesse que defini-lo em apenas uma palavra, não hesitaria nem por um instante: seria LIBERDADE!

Sérgio, a seu modo, foi um revolucionário lutando pela liberdade, liberdade essa que teimava em sair pelos poros e que se fazia presente em toda e qualquer ocasião.

Desapegado, solto, gostava de conviver com situações imprevistas, que ele próprio criava vezes sem conta.

Dotado de rara inteligência e versatilidade, gostava de viver cada minuto de forma independente.

Ele sabia que podia confiar em seu discurso e no seu fantástico dom de usar as palavras e, através delas, atrair pessoas que, logo, logo, se transformavam em amigos abduzidos pelo seu campo magnético de sedução.

Sérgio estava sempre carregando um livro, um laptop, anotações ou papéis soltos com o último acróstico que fizera para alguém.

Sua cabeça fervilhava de ideias. Ele tinha um verdadeiro ‘tesão linguístico’.

Ah, meu amigo, que saudade tenho de ti...

Gosto de pensar que não levaste uma vida banal. Longe, muito longe disso. Ao contrário, deixaste um legado bastante significativo.

Estás sempre nos meus pensamentos. Ainda me pego rindo das tuas histórias incríveis, das tuas saudáveis loucuras, do teu fantástico senso de humor e, claro, dos acrósticos eternizados no ‘nosso’ blogue. És uma presença constante nas conversas que tenho com o Ruy.

Hoje, estamos aqui te rendendo merecidas homenagens, pequenas, é verdade, mas repletas de amor.

Até um dia…

segunda-feira, 21 de março de 2022

Sérgio Sampaio (IX) – O mito camoniano e a poesia do ‘Rei do Mundo Botafogo’

Preâmbulo do editor do Mundo Botafogo

O texto que se segue constitui uma singela e derradeira homenagem do Mundo Botafogo a Sérgio Sampaio, «umpoetinha», revendo, através de Gilberto Mendonça Teles, as linhas mestras da complexidade da sua poesia camoniana mesclada com o realismo de Machado de Assis e o modernismo de Carlos Drummond de Andrade, bem como uma clara ligação a Fernando Pessoa quando este esboça uma genealogia mítica marcada pelo ilimitado tom ufanista de Camões, devolvendo-se, deste modo, o poeta Sérgio Sampaio às suas origens eruditas – ao PANTEÃO DA POESIA.

O mito camoniano: a influência de Camões na cultura brasileira

por GILBERTO MENDONÇA TELES

Professor de Literatura Brasileira da Pontifícia Universidade Católica e da Universidade Federal do Rio de Janeiro; excerto do artigo “O mito camoniano: a influência de Camões na cultura brasileira”

"Há superabundantemente Camões em nossa poesia." A afirmação um tanto impressionista de Tasso da Silveira serviu de guia para uma pesquisa que, durante quase dez anos, fizemos na poesia brasileira, lendo os poetas antigos e os novos, os esquecidos e os mais louvados pela crítica e, o que foi também estimulante, lendo a maioria dos poetas regionais, escondidos nos seus Estados, mas, como todo escritor, engajado numa tradição literária, cujo ponto mais elevado na cultura brasileira tem sido mesmo o nome de Camões.

Outro aspecto gratificante é que de dois anos para cá estendemos a pesquisa aos escritores de ficção e já contamos hoje com um bom material que deverá ser mais tarde aproveitado noutro estudo sobre Camões. Assim, a esta altura podemos tranqüilamente afirmar que todo poeta brasileiro, do maior ao menor, pagou algum tributo de admiração a Camões. Não existe sequer uma exceção nos poetas mencionados nas nossas histórias literárias.

Quando se ouve dizer, por exemplo, que os modernistas romperam totalmente com o passado e com os clássicos, o ruim é que muita gente costuma acreditar, sem se dar conta de que os grandes poetas são sempre considerados gênios e, como no caso de Camões, escapam até às tiradas demagógicas dos que se proclamam reformadores.

Nos livros mais revolucionários de 1922, como é o caso de Paulicéia desvairada, se podem ler as marcas visíveis da epopéia camoniana.

Mesmo os poetas de vanguarda, como Affonso Ávila, Décio Pignatari e Augusto de Campos, não escaparam à magia da tradição ou da obra de Camões. E é fascinante saber que os dois maiores escritores brasileiros, Machado de Assis e Carlos Drummond de Andrade, são os que mais fizeram referências, alusões, paráfrases, enfim, reapropriações inteligentes do discurso camoniano, épico e lírico.

É, pois, inegável que a corrente camoniana não só dominou em todo o nosso período colonial como não chegou sequer a ser desativada nos períodos mais interessantes nacionalistas, como no romantismo e no modernismo. O que mudou foi o estilo do ritual camoniano: primeiro, nos tempos de formação da nossa literatura, era a simples adesão imitativa a um modelo estético, como nos séculos XVII e XVIII; a veneração como gênio veio no romantismo; no realismo foi a verificação estético-determinista; o simbolismo procurou explorar a atmosfera trágica do episódio de Inês de Castro; e deu-se afinal o reconhecimento formal com os modernistas.

Em todos os momentos da nossa história literária o pesquisador comprova o tributo de homenagem e de admiração à obra de Camões, cuja epopeia tem servido também de motivos para sátiras político-sociais. O certo é que tanto a obra como o nome de Camões se foram transformando em matéria de pura criação literária.

Verifica-se assim que o poeta da influência camoniana vai do nome do Poeta, citado no texto dos poemas, aos versos e nomes postos em epígrafe e adquirem um sentido maior de intertextualização quando lhe retomam os temas e as formas expressivas, declarando-se conscientemente sob influência de sua obra literária. Deste modo, Camões foi sempre o poeta modelo da poesia brasileira.

Fonte do excerto: TELES, Gilberto Mendonça. “O mito camoniano: a influência de Camões na cultura brasileira”. Revista de Letras, Fortaleza, v. 3/4, n. 2/1, p. 44-72, 1980/1981.

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domingo, 20 de março de 2022

Sérgio Sampaio (VIII) - SÉRGIO, por ele mesmo...

por SÉRGIO SAMPAIO

Excertos extraídos do livro Búzios em Prosa e Verso

Compilação de LÚCIA SENNA, Cronista do Mundo Botafogo

Após aposentadoria do trabalho e de um casamento bem sucedido, foi lá em Armação dos Búzios que vivi os dias mais felizes da minha vida.

Fazia poesia por encomenda em bares e restaurantes. Sentia-me realizado ao fazer acrósticos, habilidade que originou-se dos muitos romances que vivenciei, com o fito principal de não deixar que as emoções sentidas se evaporassem nos escaninhos da memória, nas curvas das perdas e separações...

Apostei nos acrósticos por possuírem a virtude de, em si, conterem o nome da musa na “vertical do tempo”.

Búzios me legou uma nova vida, uma espécie de segundo nascimento do qual já saí andando e levando o melhor estojo de primeiros socorros: os últimos enganos, o mapa das falsas ilusões...

Era um privilégio acordar e poder escolher entre praias duras ou, inhas;  entre o máximo prazer e um prazer maior ainda; entre ser feliz e ficar envergonhado de o ser, vergonha leve, apagada por cerveja, breve. Inda mais morando na Marina, o canal levando embora as mágoas incrustadas nos cascos das tartarugas ou boiando feito dejetos que é o que são.

Meu jipe à porta me liberta. Meu gato prende-me um pouco. Fico na extrema lucidez do quase louco, sempre penso em agradecer, e o faço, a Deus em rezas fortes, contumazes e vibrantes, tão diferente do que eram antes em igrejas tristes, com rebanhos apagados, mudas ovelhas, baixas as orelhas, a cruz destino, a morte paga.

Meu barco ao deque era um não preenchido cheque, me abria o mar, me deixava nu pra falar com ELE. No lugar de velas, luzes verdes e vermelhas; pode/não pode, esquerda/direita, boreste/bombordo... nesses momentos pensava estar sonhando...

Búzios, dia 29 de junho: saída da procissão marítima de São Pedro. Aquela gente simples entoando singelos cantos, do canto do meu âmago fez aflorar um imenso amor sem direção ou pouso. Os barcos enfeitados coloriam ainda mais o crepúsculo, o amarelo da cerveja nem rival. Eu que não creio, acreditei em cheio. Cheguei a ouvir o tilintar das chaves que o guardião leva guardadas dos oportunistas. Roçaram-me as Suas barbas um tanto alouradas do sol poente. Não me contive e fiz pro Santo:

Saem daqui do cais do Captain’s Bar

Adornados barcos em honra ao São

Numa fé que sobrevive, teimosa

Todos cantam, mistérios do se dar

O que nos ilumina o coração.

 

Pedro, pedra que se transforma e dosa

Essas ardências que temos na vida

Domina o céu e assim só deixa entrar

Rudes, simples, singelos, os do mar,

Os que são, e dos quais Deus não duvida!

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sábado, 19 de março de 2022

Sérgio Sampaio (VII): um dia com o Sérgio e a namorada Bete

  

por LUÍS VAZ DE CAMÕES

Quem diz que Amor é falso ou enganoso

 

Quem diz que Amor é falso ou enganoso,
Ligeiro, ingrato, vão desconhecido,
Sem falta lhe terá bem merecido

Que lhe seja cruel ou rigoroso. 

Amor é brando, é doce, e é piedoso.
Quem o contrário diz não seja crido;
Seja por cego e apaixonado tido,
E aos homens, e inda aos Deuses, odioso.

Se males faz Amor em mim se vêem;
Em mim mostrando todo o seu rigor,
Ao mundo quis mostrar quanto podia.

 

Mas todas suas iras são de Amor;
Todos os seus males são um bem,
Que eu por todo outro bem não trocaria.

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Thâmela e Victoria – sensacionais campeãs em Montreal e 3º lugar no Ranking Mundial 2026

Crédito: @volleyballworld por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo Thâmela Coradello e Victoria Lopes, representando o Sesc/Botafogo Pra...