por RUY MOURA | Editor
do Mundo Botafogo
O Botafogo perdeu o 4º clássico
seguido, confirmando-se alguns dos temores que têm sido mencionados pelo Mundo
Botafogo.
Anselmi venceu algumas partidas
inicialmente contra clubes modestos e também contra o Cruzeiro que tem
apresentado desempenhos muito sofríveis desde que é comandado por Tite. Desde
aí a equipe tem sido um desastre acumulando quatro derrotas seguidas.
Desde a contratação de Anselmi que
nos temos vindo a referir, em diversas análises, que os esquemas de 3x4x3 e
3x5x2 preferidos do treinador não se ajustam à equipe na medida em que não tem
jogadores para o efeito.
Aliás, já na biografia apresentada
pelo Mundo Botafogo aquando da chegada de Anselmi, esse assunto foi devidamente
mencionado. O treinador foi demitido do FC Porto após cinco meses de insucesso
e nós referimos na biografia que os jogadores do Porto “consideravam o seu esquema inadequado e desconfortável, que gerou
desequilíbrios defensivos e pouca consistência ofensiva, e a direção entendeu
ser um esquema inócuo para um clube da dimensão do FC Porto” (https://mundobotafogo.blogspot.com/2025/12/martin-anselmi-comentarista-desportivo.html).
É certo que nós sempre referimos não
gostar pessoalmente desse esquema de jogo, e por isso somos suspeitos a esse
respeito desde a chegada de Anselmi, mas até poderia funcionar se houvesse
jogadores para o efeito. Não há. Recentemente Ruben Amorim foi demitido do
Manchester United porque o seu esquema de 3x4x3, um ano depois da sua posse, ainda
não funcionava bem para os seus jogadores. O sucessor mudou o esquema e
subitamente, com os mesmos jogadores, o United emplacou cinco vitórias
consecutivas, incluindo clássicos, com a simples mudança de esquema.
Por outro lado, não temos tido
reforços capazes e alguns dos últimos reforços já deixavam a desejar. O caso
mais flagrante é o de Neto, que na sua longa vida profissional foi na maioria
das vezes goleiro-reserva (https://mundobotafogo.blogspot.com/2025/08/neto-o-goleiro-reserva.html) e já falhou em vários
gols adversários nos poucos jogos em que atuou. Em suma, não temos goleiro,
função tão fundamental como a dos atacantes que marcam gols – muitos títulos
são ganhos ou perdidos em função do desempenho dos goleiros.
Ythallo é outro atleta que
referenciamos na bibliografia como sendo dispensado sucessivamente pelos clubes
por onde passou. Resta-nos perceber se outros atletas anteriormente contratados,
e que já podem atuar após cancelamento do transferban, conseguem enquadrar-se
melhor no esquema de Anselmi – ou então o treinador perceber que o esquema para
o seu plantel é outro que não o esquema de três zagueiros.
Também não há certeza, face a
contratações tão duvidosas, que as eventuais novas contratações obedeçam a
critérios de esquemas de jogo como o 3x4x3 ou o 3x5x2. Não basta John Textor
dizer, após a resolução do transferban, que agora é “atacar, atacar e atacar”.
Quando se ataca demais defende-se de menos e não temos craques no elenco que
possam superar com muitos gols as carências defensivas.
Os diversos setores da equipe não
conseguem interligar-se, evidenciando falta de estabilidade e equilíbrio, além
de atualmente a equipe cometer graves erros cruciais ao longo das partidas.
O jogo contra o Fluminense revelou todos
os nossos problemas ainda com maior nitidez. Durante o primeiro tempo do
clássico o Fluminense apresentou um jogo muito truncado e o Botafogo não soube
desembaraçar-se do adversário, pelo contrário, reproduziu o próprio Fluminense.
A partir dos 24’ a lesão de Allan fez o Botafogo perder o meio-campo até ao fim
do jogo porque Barrera não sabe jogar a volante.
A equipe tricolor teve mais posse de
bola, mas a eficácia foi a mesma de parte a parte num 1º tempo paupérrimo de
futebol. Não houve remates à baliza, não houve oportunidades de gol. Na
verdade, somente aos 45+4’ é que Canobbio, lançado a partir de uma bola em
profundidade, acertou o poste da baliza botafoguense.
A 2ª parte abriu tal como fechou a
1ª: bola em profundidade, a zaga do Botafogo falhou e John Kennedy, cara a cara
com o goleiro, tentou gol por cobertura e a bola saiu por cima. Aos 51’, em
cobrança de falta por Alex Telles, o Botafogo rematou à baliza pela primeira
vez em todo o jogo, mas foi tão fácil para a defesa do goleiro que nem precisou
de se mexer para defender.
Mais perigoso na 2ª parte, o
Fluminense atacou em velocidade aos 54’, saiu remate, Neto defendeu para dentro
da área, novo remate, Neto espalmou para a frente e depois Acosta surgiu para
encobrir o goleiro na pequena área e ainda conseguir empurrar para as redes com
a cabeça. Mais um gol na conta de Neto.
Seis minutos depois, aos 60’, Canobbio
foi expulso por cotovelada em Montoro. Abria-se a chance de o Botafogo jogar
mais e melhor, mas nada disso aconteceu. O Fluminense, ciente da inferioridade
numérica, manteve-se no ataque, geriu o jogo e incrivelmente foi o Botafogo
que, se já vinha mal organizado, se desorganizou de vez.
Fora um chute de Artur em posição
frontal à figura do goleiro aos 66’, somente aos 90’ houve a possibilidade de
empate quando Danilo cobrou uma falta, a bola foi ligeiramente desviada pela
barreira e bateu no poste da baliza do Fluminense – exatamente no mesmo sítio em que
Canobbio carimbou o poste na 1ª arte do jogo.
Parecendo estar com 9 contra 11, o
Botafogo descontrolou-se, evidenciando que não tem domínio do seu esquema de
jogo e também não consegue ajustar as peças e os setores em casos de vantagem
numérica.
No conjunto da partida, as
insuficiências do Botafogo foram elementares: não se consegue chegar ao ataque
(Arthur Cabral está isolado e recebe poucas bolas, e quando recebe, perde na
dividida, deixa passar a bola porque está mal posicionado ou simplesmente
cabeceia mal e remata mal); não se trocam passes em sequência e
consequentemente não há domínio de bola e não se consegue a sua posse; não se recuperam
bolas, sendo a 2º bola quase sempre do Fluminense; não se marca com rigor e
falha-se em jogadas cruciais, especialmente pelo lado esquerdo porque nem
Telles nem Montoro sabem fazer marcação; não se contra-ataca capazmente, tendo-se
realizado uma única jogada bem trabalhada coletivamente em todo o jogo, que
terminou com um remate fraco de Artur à figura de Fábio.
Em suma, neste momento não temos
técnico, não temos goleiro, não temos uma dupla de zaga que se entenda e seja
eficaz; o meio-campo não consegue jogar articuladamente; o ataque praticamente
inexiste, deixado a cargo de Arthur Cabral que é péssimo e de Artur que às
vezes tem relâmpagos de luz e na maioria dos casos desaparece em campo.
Falta avaliar o desempenho de Textor
e do departamento de futebol com as contratações efetuadas (Riquelme, Lucas
Villalba e Ythallo, sendo que a biografia de Ythallo, também publicada no Mundo
Botafogo, por enquanto não abona em seu favor) e com as contratações que estão
prometidas.
E, claro, como Anselmi vai organizar
o sistema de jogo do Botafogo face à sua completa ineficiência em quatro
derrotas sucessivas, que o colocam em 2026 como clube modesto no panorama
nacional e candidato a coisa nenhuma se tudo se mantiver como está.
FICHA TÉCNICA
Botafogo 0x1 Fluminense
» Gols: Acosta, aos 54’
» Competição: Campeonato Brasileiro
» Data: 12.02.2026
» Local: Estádio do Maracanã, no Rio
de Janeiro (RJ)
» Público: 27.748 pagantes; 30.397
espectadores
» Renda: R$ 1.396.716,50
» Árbitro: Rafael Rodrigo Klein (RS); Assistentes:
Maira Mastella Moreira (RS) e Michael Stanislau (RS); Var: Daniel Nobre Bins (RS)
» Disciplina: cartão amarelo – Ythallo, Álvaro Montoro e Newton
(Botafogo) e Samuel Xavier, Canobbio, Luis Zubeldía, Lucho Acosta, Guga,
Freytes (Fluminense); cartão amarelo – Canobbio (Fluminense)
» Botafogo: Neto; Ythallo (Nathan Fernandes),
Newton e Alexander Barboza; Vitinho (Lucas Villalba), Allan (Jordan Barrera),
Danilo e Alex Telles (Matheus Martins); Artur (Kadir), Arthur Cabral e Álvaro
Montoro. Técnico: Martín Anselmi.
» Fluminense: Fábio; Samuel Xavier (Guilherme
Arana), Jemmes, Freytes e Renê; Bernal, Martinelli e Lucho Acosta (Guga); Serna
(Ganso), John Kennedy (Hércules) e Canobbio. Técnico: Luis Zubeldía.

Sem comentários:
Enviar um comentário