sábado, 28 de janeiro de 2012

A contratação de Oswaldo de Oliveira

A sondagem ‘Opinião sobre a contratação de Oswaldo de Oliveira’ decorreu durante quatro semanas e votaram 212 leitores.

Os resultados foram os seguintes:

·         Concordo muito: 120 (56%)
·         Concordo pouco: 43 (20%)
·         Não concordo nem discordo: 31 (15%)
·         Discordo pouco: 4 (2%)
·         Discordo muito: 14 (7%)

Oswaldo de Oliveira recebeu claramente o apoio dos leitores, que ‘concordaram muito’ com a contratação em 56% dos casos; no conjunto das concordâncias ‘muito’ e ‘pouco’ verificou-se que mereceu o voto de 76% dos leitores, isto é, de ¾ do total dos votantes. Cerca de 1/3 manteve-se na neutralidade (uma espécie de benefício da dúvida) e apenas 9% discordaram da contratação.

Tal como na sondagem anterior, quando Oswaldo de Oliveira foi contratado o apoio dos leitores após a 1ª semana de votação era de cerca de 50%, crescendo à medida que, sem razão aparente, o novo treinador foi ganhando credibilidade e uma parte significativa da torcida foi dando o seu apoio quase incondicional.

Eu não votei nesta sondagem, fundamentalmente porque não conheço a qualidade ‘absoluta’ do trabalho de Oswaldo de Oliveira em terras nipónicas. Apenas sei que de um ponto de vista ‘relativo’ ganhou alguns títulos no contexto de um patamar futebolístico claramente abaixo dos melhores do mundo.

E à medida que fui ouvindo o novo treinador, fui desgostando. Em primeiro lugar, como referi, desconfio muito de quem anda durante anos a treinar equipas do continente asiático, que são manifestamente frágeis e pouco competitivas; em segundo lugar, desconfio de quem afirma que Fábio Ferreira é um grande zagueiro e de quem diz que quando a equipa ganha os atletas são sempre nota 10 – entre outras vulgaridades ditas.

Porém, há quem avalie bastante bem Oswaldo de Oliveira e quem erga a bandeira de que é um ‘ganhador’ e um ‘campeão’. Foi-o no futebol brasileiro, em tempos. Sê-lo-á ainda? Desejo sinceramente que os 163 leitores concordantes com a sua contratação tenham absoluta, completa e cabal razão!

Imagem de Satiro Sodré

Todo o azar do mundo...


Realmente o nosso clube tem as maiores originalidades do Planeta – para o bem e para o mal. Por exemplo, em 2010, um torcedor com formação acima da média (grau universitário) queimou uma bandeira do Glorioso em pleno estádio, no tal campeonato em que acabamos ganhando ‘direto’ com os desempenhos notáveis de Joel Santana, de Jeferson e da dupla de ataque Louco Abreu / Herrera, com Caio a surgir do banco de reservas para resolver algumas partidas e com os inolvidáveis desempenhos catastróficos na final da Taça Rio de Bruno (atualmente preso por ter sido indiciado como implicado na morte da amante) e Adriano (acumulador de casos estranhos como uma mota comprada em nome da mãe de um traficante, a foto com uma metralhadora, o alegado espancamento da namorada e agora o caso do revólver disparado no interior de um veículo).

Se os cathartiformes acumulam os designados ‘casos policiais’ mais ‘pesados’ e civicamente indesejados, o Botafogo acumula os casos mais ‘pitorescos’ e originais do futebol brasileiro.

Efetivamente, muitos outros casos poderiam ser contados (e já o foram neste blogue): Carlito Rocha jogando futebol com pneumonia, Mimi Sodré pedindo ao árbitro para anular um gol da sua autoria porque a bola lhe bateu na mão, Flávio Ramos saindo da tribuna para esbofetear um atleta mal comportado, Tolito discutindo os jogos à segunda-feira na sua banca de jornais, o chefe Tarzã da torcida botafoguense dando lições de gestão de futebol à diretoria, Neném Prancha filosofando como ninguém sobre o futebol, as incontáveis histórias de Adhemar Bebiano, de João Saldanha, de Garrincha, etc. etc. etc.

Agora temos um novo ‘artista’: o jovem Mateus Borges, 14 anos, torcedor ferrenho do Botafogo de Futebol e Regatas. O nosso amigo Mateus teve a valentíssima ‘cara-de-pau’ de se deslocar ao Aeroporto Internacional do Galeão para receber Vagner Love, recente aquisição do futebol do Flamengo, desejando-lhe… “todo o azar do mundo”!!!

Encarando o novo reforço do adversário carioca e desejando-lhe tudo de ruim na sua nova etapa profissional, Mateus afirmou aos repórteres:

– “Vim dar uma zoada básica no Vagner Love e desejar tudo de ruim para ele. Vou no clássico e ele não vai fazer nada. Eles não vão dar sorte contra a gente, tenho certeza. Sou mais o meu Fogão.”

Amigos, por favor, respondam-me: “Há coisas que só acontecem ao Botafogo”?

[Nota do editor: noticiar o caso não significa concordar com o ocorrido, mas apenas registrar uma ocorrência insólita que deve ficar gravada neste imenso e Glorioso repertório do Mundo Botafogo]

Imagem de Alexandre Loureiro; notícia conhecida através do blogue do Rodrigo Federman e publicada originalmente em http://www.lancenet.com.br/flamengo/Alvinegro-desembarque-Love-Rio-secar_0_634736575.html#ixzz1kZcKGSf7

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Tatuagens (9)

Malandro é malandro, Mané é Mané


por Adilson Taipan

Várias vezes tentei achar o Garrincha
Fazê-lo jogar no campo das minhas linhas,
Consegui algumas peladas
E outras piruetas de efeito
Nada escultural
Que o fizesse falar como Miguel Ângelo

Se eu fosse apenas peladeiro
Jogaria de lateral ou ponta esquerda
Na vida sempre joguei por aquele ladinho
Nunca ganhei uma partidinha
Nem um simples amistoso
Perdi todas

Ali naquele cantinho utópico
Gostaria de ser adversário
Desafiá-lo
Do lado dele seria fácil
Seguiria a onda feito gado

Acredito que temos a mesma sina:
A arte de enganar.
Já ganhei aplausos pelos meus dribles arabescos
Mato a sede no rio seco
E sempre termino igual a João
Alimentado de grama, terra e cal
Com a cara e a bunda no chão

Decidi apelar,
Se precisar roubar não terei escrúpulos,
Achei uma pérola perdida no dia seguinte
A uma palestra na ABI com Ruy Castro,
Morri de inveja,
O olho engordou e a mão boba cresceu
Apontei a arma para o computador
Rendi um sujeito chamado Cesar Oliveira
Ele era rico e não sabia,
No meio de tantas preciosidades
Por esse mundão afora
O cara garimpou o Garrincha que eu procurava:
Malandro é malandro Mané é Mané!

O Poeta do Povo e do Botafogo
Derrotado, driblado, espantado, maravilhado...
Aprendeu que para senti-lo
Não é preciso epopeia
Ou se perder nas excessivas palavras do dicionário
O malandro tirou os documentos de cidadão comum
E o Mané assumiu o circo
Como o Rei do Picadeiro.

[Adilson Taipan é o Poeta do Povo e do Botafogo: 7 livros cheios de genialidade poética]

Imagem: Jornal do Brasil: fonte do poema indicada por Adilson Taipan: http://www.literaturanaarquibancada.com/2012/01/malandro-e-malandro-e-mane-e-mane.html

Treinadores e contextos (II): do WM de Dori Kürschner ao efeito transformador de Zezé Moreira

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