segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Botafogo 0x3 Flamengo – a vocação do erro…

Crédito: Vitor Silva | Botafogo.

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

Recentemente recordei aqui a antiga, singela e realista frase de Augusto Frederico Schmidt: “O Botafogo tem a vocação do erro.”

Foi intencional. Anunciava o encerramento de uma Era efêmera que marcara um novo Tempo de Botafogo. Que se foi com a mesma rapidez que chegou. Porque John Textor encarnou a famosa frase de Augusto Frederico Schmidt e executou-a tão ‘perfeitamente’ que a vitoriosa SAF tornou-se objetivamente nuvem que voa e em sonho desfeito como a neve, erro de vocação que gerou um novo e mais recente erro: o regresso do Botafogo Social a influenciar decisivamente o futebol, apesar de ser minoritário, enquanto o investidor se anula nas decisões, e o retorno aos tempos das administrações amadoras que nos valeram três descidas de divisão chegou a passos largos.

E o que isso tem a ver com o jogo de ontem?... Tudo! – direi eu.

1 – Franclim Carvalho não deveria ter sido demitido antes de se encontrar uma solução forte, experiente e vitoriosa para o comando técnico, já que o seu historial não era negativo e a goleada sofrida na Sula fora circunstancial, agravada por o departamento de futebol ter enviado o elenco apenas na véspera do jogo e o técnico estar mal informado sobre os efeitos das condições climáticas da região, errando assim a escalação.

2 – Rodrigo Bellão tem feito um grande trabalho nas bases do Botafogo e possui condições para ser promovido a coordenador geral das bases – jamais a técnico principal atualmente. Bellão tem basicamente experiência de gerir jovens e ainda não está preparado para gerir um tempo de crise na equipe principal. Além disso, Bellão não tinha historial anterior relevante como interino, já que trazia do passado botafoguense como interino 3 vitórias e 2 derrotas, sendo as derrotas para o Sampaio Corrêa pelo Carioca e uma goleada de 4x1 imposta pelo Athletico-PR, ao que se junta agora 1 vitória e 2 derrotas, tomando 6 gols nos últimos dois jogos e não conseguindo montar a defesa adequadamente. Efetivamente, errou a estratégia inicial, como ele próprio mencionou, errou o alinhamento da defesa excessivamente alta e precisa de mais tempo de preparação para eventualmente assumir a equipe principal do Glorioso no futuro. A decisão equivocada de o manter como hipótese de técnico principal já, pode valer-lhe ser ‘queimado’ na sua carreira – o que seria lamentável pelo homem que é e pelo profissional que pode vir a ser no futuro.

3 – Danilo não deveria ter estado sequer em campo. Quando um atleta de alto nível está contrariado num clube é difícil mantê-lo assegurando uma boa performance. O Botafogo rejeitou 28 milhões de euros por Danilo, arriscando o que está acontecendo agora com o seu desempenho, enquanto com esse valor poderia ter adquirido dois atacantes para reforçar a linha da frente e ainda sobrava dinheiro – evidenciando que nem o departamento de futebol nem o novo investidor percebem realmente dos meandros do futebol. Danilo deveria ter saído há semanas para bem de todos – porque agora o mal é de todos.

4 – A contratação de Warleson e Gabriel Barbosa foram, em minha opinião, temerárias, porque no historial de ambos constam defeitos significativos. Tanto Gabriel Barbosa como Warleson já falharam mais do que uma vez em tão pouco tempo, e Gabriel Barbosa tomou ontem mais dois gols entre as pernas. Um goleiro é a peça principal de uma equipe, muito mais importante do que um atacante, porque se este pode falhar e emendar o erro na jogada seguinte marcando gol, o goleiro não pode anular os gols que tomou por culpa própria.

5 – O departamento de futebol já deveria ter iniciado uma reformulação radical, porque tem sido totalmente omisso em matérias importantes, assim como deveria ter sido evitada a nomeação de dirigentes ex-Boavista, porque quer se queira, quer não, independentemente da qualidade dos nomeados, a proximidade da decisão a um passado recente é sinal de um regresso que os botafoguenses não querem.

Já agora cito outros eventuais equívocos – e neste caso refiro-me apenas a rumores de redes sociais e que podem não ser verdadeiros –, tais como considerar a possibilidade de contratar o técnico Ney Franco, cujo historial não o recomenda, e que a hipótese de contratar Renato ‘Churrasco’ Gaúcho é uma afronta ao Glorioso e certamente será apenas rumor. Tanto quanto sei, há técnicos em toda a América do Sul credenciados e atualmente livres no mercado com capacidade para comandar o Botafogo.

Em suma, o Botafogo de ontem já poderia ter sido outro, mais reforçado e capaz de enfrentar o Flamengo olhos nos olhos, algo que não aconteceu.

Nos primeiros minutos parecia que a equipe estava bem, e até marcou um gol que foi anulado. Aliás, sobre essa anulação, quero deixar a minha perspectiva: a bola bateu na mão de apoio de Arthur Cabral quando a própria mão já estava caindo e, sendo assim, o gol não é passível de anulação. Por outro lado houve uma jogada em que ficaram sérias dúvidas no que respeita a uma grande penalidade sobre Vitinho que deveria ter sido alvo de revisão, bem como o ‘carrinho’ sobre Edenilson. Porém, claro, sabemos quem era o VAR nomeado, não é?... E a propósito de VAR, a CBF mostrou bem como despreza o Botafogo ao nomear tal senhor para os nossos jogos, evidenciando que o Botafogo de Futebol e Regatas – seja o dito Social, seja a SAF – é novamente entidade de voz nula na CBF.

Logo após o gol anulado o Flamengo inaugurou o marcador e o Botafogo amedrontou-se, encolheu-se, deixou o jogo para o Flamengo e Bellão sem saber o que fazer com a estratégia que montou. O rubro-negro poderia muito bem ter selado a vitória na primeira parte, mas não está nos seus melhores momentos e o Botafogo poderia ter aproveitado isso se os erros de gestão não tivessem sido cometidos anteriormente.

Na segunda parte a equipe melhorou, mas quando o melhor jogador em campo é Arthur Cabral, o que se pode dizer da equipe?...

O Botafogo foi buscar o empate, lançou-se ao ataque, mas não criou verdadeiramente grandes oportunidades, e simultaneamente desorganizou a defesa, permitindo ao Flamengo fazer o que queria na parte final do desafio – atacar velozmente contando com a lentidão da linha de defesa, marcar mais dois gols e sacramentar com uma vitória excessiva face ao que fora feito em campo.

Vitória justa por demérito nosso.

Vida que segue… temerariamente…

FICHA TÉCNICA

Botafogo 0x3 Flamengo

» Gols: Samuel Lino, aos 12’ e 85’, e Carrascal, aos 89’

» Competição: Campeonato Brasileiro

» Data: 30.08.2026

» Local: Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro (RJ)

» Público: 61.934 pagantes; 65.970 espectadores

» Receita: R$ 5.770.680,00

» Árbitro: Alex Gomes Stefano (RJ); Assistentes: Rodrigo Figueiredo Henrique Correa (RJ) e Luiz Claudio Regazone (RJ); VAR: Daniel Nobre Bins (RS)

» Disciplina: cartão amarelo – Marçal e Justino

» Botafogo: Gabriel Batista; Ferraresi, Justino e Marçal; Vitinho (Lucas Villalba), Huguinho, Edenílson (Cristian Medina), Danilo, Álvaro Montoro (Danilo Pereira) e Alex Telles (Lucas Monzón); Arthur Cabral (Júnior Santos). Técnico: Rodrigo Bellão.

» Flamengo: Rossi; Emerson Royal, Léo Ortiz, Léo Pereira e Ayrton Lucas; Pulgar, Jorginho e Arrascaeta (Carrascal); Luiz Araújo (Lucas Paquetá), Pedro (Everton Cebolinha) e Samuel Lino. Técnico: Leonardo Jardim.

domingo, 30 de agosto de 2026

Retrospecto Botafogo x Flamengo (Era SAF)

Crédito: Blog do Milton Neves.

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

SÍNTESE

Na ‘Era SAF’ o Botafogo defrontou o Flamengo em 15 partidas, registrando 4 vitórias, 1 empate e 10 derrotas e um placar agregado desfavorável por 14-23.

[Nota marginal: Há a considerar que toda e qualquer estatística do Flamengo relativamente ao retrospecto com o Botafogo, quiçá em relação a outros clubes, mas sobretudo com o Botafogo, padece de inverdades por forte adulteração de resultados a favor dos da Gávea, por obra e graça dos ‘donos do apito’ comandados por dirigentes-vilões do futebol brasileiro inimigos da verdade desportiva. Mesmo prejudicado há longas décadas, o Botafogo ainda mantinha escassa vantagem sobre  Flamengo até 2000, mas neste século os apitadores perderam descaradamente toda a vergonha e nem mesmo o equipamento VAR escapa à deturpação humana.]

1º JOGO

Botafogo 1x0 Flamengo

» Gols: Mimi, aos 26’

» Competição: Campeonato Carioca

» Data: 13.05.1913

» Local: Estádio de General Severiano (inauguração), no Rio de Janeiro (RJ)

» Botafogo: Álvaro Werneck; Pino, Edgard Dutra, Edgard Pullen e Juca Couto; Rolando de Lamare, Mimi Sodré e Abelardo de Lamare; Villaça, Lauro Sodré e Facchine.

» Flamengo: Cazuza; Píndaro de Carvalho e Nery; Lawrence Andrews, Amarante e Gallo; Figueira, Baiano, Del Nero, Alberto Borgerth e Raul.

ÚLTIMO JOGO

Botafogo 0x3 Flamengo

» Gols: Samuel Lino 12’/1ºT (0-1), Léo Pereira 46’/1ºT (0-2) e Pedro 3’/2ºT (0-3)

» Competição: Campeonato Brasileiro

» Data: 14.03.2026

» Local: Estádio Olímpico Nilton Santos, no Rio de Janeiro (RJ)

» Público: 14.789 pagantes; 16.176 espectadores

» Renda: R$ 628.290,00

» Árbitro: Anderson Daronco (RS); Assistentes: Rafael da Silva Alves (RS) e Brígida Cirilo Ferreira (AL); Var: Rodrigo D’Alonso Ferreira (/SC)

 » Disciplina – cartão amarelo – Alexander Barboza, Allan, Arthur Cabral e Martín Anselmi – técnico (Botafogo) e Pulgar e Jorginho (Flamengo); cartão vermelho – Alexander Barboza (Botafogo)

» Botafogo: Raul; Vitinho, Bastos, Alexander Barboza e Alex Telles; Allan (Newton), Cristian Medina e Danilo (Edenílson); Jordan Barrera (Mateo Ponte), Matheus Martins (Ferraresi) e Arthur Cabral (Júnior Santos). Técnico: Martín Anselmi.

» Flamengo: Rossi; Varela, Léo Ortiz, Léo Pereira (Vitão) e Alex Sandro (Ayrton Lucas); Pulgar (Evertton Araújo), Jorginho (Luiz Araújo) e Lucas Paquetá; Carrascal (Plata), Samuel Lino e Pedro. Técnico: Leonardo Jardim.

PLACAR MAIS ELÁSTICO NO CLÁSSICO DE TODOS OS TEMPOS (1913-2024)

Botafogo 9x2 Flamengo

» Gols: Nilo, aos 11’, 27’, 35’ e 45’, Ariza, aos 8’ e 18’, Joãozinho, aos 10’ e 65’, e Neco, aos 13’ (Botafogo); Moderato, aos 28’, e Frederico, aos 55’ (Flamengo)

» Competição: Campeonato Carioca

» Data: 29.05.1927

» Local: Rua Paysandu, no Rio de Janeiro (RJ)

» Botafogo: Neiva, Couto e Octacílio; Pamplona (Jeronymo), Almo e Rogério; Ariza, Neco, Nilo, Joãozinho e Claudionor.

» Flamengo: Egberto, Hermínio e Hélcio; Benevenuto, Frederico e Flávio Costa; Chrystolino, Pastor, Fragoso, Angenor e Moderato.

PLACAR MAIS ELÁSTICO NO CLÁSSICO DA ‘ERA SAF’

Botafogo 4x1 Flamengo

» Gols: Mateo Ponte, aos 2’, Igor Jesus, aos 53’, e  Matheus Martins,  aos 83' e 90+3’ (Botafogo); Bruno Henrique, aos 23' (Flamengo)

» Competição: Campeonato Brasileiro

» Data: 18.08.2024

» Local: Estádio Olímpico Nilton Santos, no Rio de Janeiro (RJ)

» Público: 25.888 espectadores

» Renda: R$ 1.909.690,00

» Árbitro: Bruno Arleu de Araújo (RJ); Assistentes: Rodrigo Figueiredo Henrique Correa (RJ) e Thiago Henrique Neto Correa Farinha (RJ); VAR: Rodrigo Guarizo Ferreira Do Amaral (SP)

» Disciplina: Cuiabano, Mateo Ponte e Alexander Barboza (Botafogo) e Ayrton Lucas e Carlinhos (Flamengo)

» Botafogo: John; Mateo Ponte (Tchê Tchê), Bastos, Alexander Barboza e Cuiabano; Gregore, Marlon Freitas (Allan), Luiz Henrique (Carlos Alberto), Savarino e Almada (Matheus Martins); Igor Jesus (Tiquinho Soares). Técnico: Artur Jorge.

» Flamengo: Rossi, Wesley, Fabrício Bruno (Léo Pereira), David Luiz e Ayrton Lucas (Varela); Allan (Lorran), Léo Ortiz, Gerson (Everton Araújo) e Arrascaeta (Victor Hugo); Bruno Henrique e Carlinhos. Técnico: Tite.

JOGOS DA ‘ERA SAF’

23.02.2022 – Botafogo 1x3 Flamengo – Campeonato Carioca – Nilton Santos – Gols: Léo Pereira (contra).

08.05.2022 – Botafogo 1x0 Flamengo – Campeonato Brasileiro – Mané Garrincha – Gols: Erison.

28.08.2022 – Botafogo 0x1 Flamengo – Campeonato Brasileiro – Nilton Santos.

25.02.2023 – Botafogo 0x1 Flamengo – Campeonato Carioca – Mané Garrincha.

30.04.2023 – Botafogo 3x2 Flamengo – Campeonato Brasileiro – Maracanã – Gols: Tiquinho Soares (2) e Danilo Barbosa.

02.09.2023 – Botafogo 1x2 Flamengo – Campeonato Brasileiro – Nilton Santos – Gols: Victor Sá.

07.02.2024 – Botafogo 0x1 Flamengo – Campeonato Caroca – Maracanã.

28.04.2024 – Botafogo 2x0 Flamengo – Campeonato Brasileiro – Maracanã – Gols: Luiz Henrique e Savarino.

18.08.2024 – Botafogo 4x1 Flamengo – Campeonato Brasileiro – Nilton Santos – Gols: Matheus Martins (2), Mateo Ponte e Igor Jesus.

02.02.2025 – Botafogo 1x3 Flamengo – Supercopa do Brasil – Mangueirão – Gols: Patrick de Paula.

12.02.2025 – Botafogo 0x1 Flamengo – Campeonato Carioca – Maracanã.

18.05.2025 – Botafogo 0x0 Flamengo – Campeonato Brasileiro – Maracanã.

15.10.2025 – Botafogo 0x3 Flamengo – Campeonato Brasileiro – Nilton Santos.

15.02.2026 – Botafogo 1x2 Flamengo – Campeonato Carioca – Nilton Santos – Gols: Alexander Barboza.

14.03.2026 – Botafogo 0x3 Flamengo – Campeonato Brasileiro – Nilton Santos.

sábado, 29 de agosto de 2026

O bicho era certo, sim

Manga simboliza uma época de plena hegemonia alvinegra sobre o Flamengo. Crédito: O Globo | 16.03.2008. Foto melhorada por IA.

[Nota preliminar: Na época da entrevista que se segue, Manga vivia em Miami com a esposa Cecília, onde trabalhava à frente de uma empresa que instalava pisos de madeira. Antes ensinara futebol em escolinhas da cidade, sobretudo para a colônia hispânica.]

Entrevista por ROGÉRIO DAFLON | O Globo – Esportes

O GLOBO: Era um prazer especial derrotar o Flamengo?

MANGA: Era uma grande alegria. O Flamengo já tinha a maior torcida, e a lotação do Maracanã era de 150 mil pessoas, os ingressos sempre terminavam rapidamente. A torcida do Botafogo ficava em menor número. Apesar disso, ganhávamos a maioria dos jogos. O time do Flamengo, com Dida, Henrique, Jordan, era muito badalado, mas o Botafogo… Imagina um time com Garrincha, Nilton Santos, Zagallo, Amarildo, Quarentinha, Didi, Jadir, Paulistinha. O Botafogo tem de voltar a investir. Os dirigentes têm de contratar grandes jogadores. Sei que o time tem um goleiro uruguaio (Castillo), que me elogiou. Pelo menos ele sabe da grandeza do clube.

·         O senhor dizia que, quando jogava contra o Flamengo, era semana de fazer a feira porque o bicho estava garantido…

MANGA: Dizia. O bicho era certo, sim. Com aquele time era fácil dizer isso. Mas com o maior respeito, não queria ofender ninguém… Naquela época, a torcida que saía frustrada do Maracanã era a do Flamengo. Foi assim nos Campeonatos Cariocas de 1961 e 1962.

·         O senhor acabou fazendo parte dos grandes momentos do Botafogo, pois foi campeão também em 1967 e 1968 (nesse ano, em que deixou o clube, participou de nove dos 18 jogos do Carioca).

MANGA: Se em 61 e 62 a equipe tinha craques como Garrincha e Didi, entre outros, em 67 e 68, havia Jairzinho, Gérson, Roberto, um verdadeiro timaço. Naquele tempo, eu não falava mais que o bicho estava garantido contra o Flamengo, mas assim mesmo o Botafogo vencia quase sempre o time rubro-negro.

·         E quanto ao episódio em que João Saldanha atirou no senhor, acusando-o de fazer corpo mole na final contra o Bangu, em 1967, no Campeonato Carioca?

MANGA: Fiquei muito chateado, porque sempre atuei em campo com a maior seriedade, e o Botafogo venceu aquela decisão por 2 a 1. Quando vi o Saldanha armado no Mourisco, atirando em mim, resolvi correr. Daquela forma, não havia como enfrentá-lo. Um mês depois fizemos as pazes e ficou tudo bem.

·         O senhor acompanha as notícias sobre o Campeonato Carioca?

MANGA: Não muito, mas sei que é diferente. Na década de 60, os grandes jogadores não iam para o exterior. Era como se o Kaká estivesse jogando no Brasil. No Carioca, times com Bangu, Olaria e São Cristóvão davam muito mais trabalho do que hoje em dia, ainda mais quando jogavam em seus estádios. Agora, soube que os times pequenos só jogam nos campos dos times grandes.

·         O senhor brilhou em outros times. Tem uma recordação marcante?

MANGA: Fui campeão mundial Interclubes pelo Nacional do Uruguai (1971), mas um time que me marcou também foi o Internacional de Porto Alegre. Joguei com excepcionais jogadores, como Figueroa, Falcão, Batista, e fui bicampeão brasileiro (1975 e 1976). Em 75, na final contra o Cruzeiro, tive atuação importante contendo os tiros de Nelinho.

·         Mas torce pelo Botafogo?

MANGA: Em 1959, o João Saldanha foi ao Recife, onde eu jogava pelo Sport, e me levou para o Botafogo, quando eu tinha 21 anos. Lá joguei dez anos, participando de conquistas históricas. Serei Botafogo até morrer.

Fonte: O Globo – Esportes, 16.03.2008.

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Tolito: da ‘esquina do Botafogo’ às torcidas organizadas e aos sambas-enredo, eis uma vida repleta e criativa – II Parte

Tolito na 'Esquina do Botafogo'. Reprodução. Imagem melhorada por IA.

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

Porém, antes, em finais da década de 1950, nasceu a ‘Torcida Fogolito’, indicada por uns como sendo fundada por Tolito, mas o célebre jornaleiro tem outra versão, a qual chegou a ser comandada pelo seu filho Ivanir, na década de 1980:

Um dia, espontaneamente, surgiu a Tolito-Fogo, formada por freqüentadores do ponto. Não tive nenhuma ingerência na formação dessa torcida, mas estou com ela e não abro. Nessa pelo menos, tenho certeza que cartola não pia. Nessa não se faz o jogo político que divide o clube, que acaba com o time. Aqui só se torce pelo bem do Botafogo. […] Outra coisa: não sou torcedor defender meu time na arquibancada, em dia de jogo. Eu defendo o Botafogo, brigo por ele, o dia inteirinho. Por isso é que minha voz é rouca assim.” (Placar, 1979)

Relembrando essa época de arquibancada, pedia aos membros da Fogolito que evitassem brigas nos estádios, mas confessa que não adiantava muito:

Eu mesmo saía no tapa com qualquer um pelo Botafogo. Não é à toa que tenho 23 processos por causa de brigas de torcidas.” (O Globo, 1988)

Tolito confessa que naquele tempo a torcida botafoguense era mais esquentada e se animava com os ‘incentivos’ distribuídos pelo ‘Marinheiro’, cachaça com laranja:

Já apanhei muito, principalmente nos tempos de ‘Marinheiro’, por causa do meu time. Lembro de um pau redondo, na Rua Férrea, campo do Bangu. Ainda bem que do meu lado estavam Paulo Amaral, ‘Marinheiro e uma turma do tope deles. Foi de lascar.” (Placar, 1979)

Paralelamente ao combate pelo Botafogo e ao seu negócio de jornaleiro, Tolito foi sambista desde a década de 1930, desfilando na bateria da Mangueira e começando a compor na Unidos do Outeiro, no Engenho de Dentro.

Mais tarde passou para a Unidos da Piedade, compondo três sambas, fundou a Aprendizes da Boca do Mato, sendo seus os três primeiros sambas dessa escola, tendo então descoberto Martinho da Vila, deixando-o ser o compositor principal e regressando à Unidos da Piedade, vencendo o samba de 1959.

Transferiu-se então para a Unidos da Capela em 1961, e no ano seguinte Tolito compôs “O centenário de Rui Barbosa”, cantado nesse ano:

Foi o samba mais bonito que fiz. Depois de vencer com este samba-enredo, ganhei mais duas vezes em Lucas, até 1969, quando fui para a Portela, onde passei menos de três anos, até ingressar na Mangueira em 1972, ano em que a escola foi campeã.” (O Globo, 1988)

Depois do Unidos da Capela, Tolito foi um dos fundadores da Unidos de Lucas, por fusão da Aprendizes de Lucas e do Unidos da Capela, tendo vencido duas vezes com as suas composições, a última das quais em 1969.

No ano seguinte ingressou na Portela e em 1972 fixou-se na Estação Primeira de Mangueira, a sua escola favorita desde 1936.

À aparente contradição de um carioca de Olaria ser da Mangueira e torcer pelo Botafogo, Tolito argumentava:

Dizem que Mangueira e Flamengo são irmãs. Mangueira pode até ser irmã do Flamengo, mas é também do Botafogo, do Vasco e do Fluminense. Cartola é tricolor, Zica é rubro-negra; eu, o Tolito, sou botafoguense.” (Placar, 1979)

Na verde-rosa os seus sambas foram selecionados em diversas ocasiões: em 1972, com samba não assinado; em 1975, com “Imagem Política de Jorge Lima”; em 1976, com “No Reino da Mãe do Ouro”; em 1978, com “Avatar… e a Selva Transformou-se em Ouro”; e em 1982 compôs o último samba na Mangueira, com “Mil e Uma Noites Cariocas”.

Eu me afastei por desentendimentos com a direção. A escola queria que o autor do samba vencedor deixasse os seus direitos autorais nas mãos da diretoria, recebendo apena um valor previamente estipulado. Não concordei e saí. Muita gente não se conformava com minhas quatro vitórias, principalmente porque só estudei até o terceiro ano primário. Pessoas com mais instrução, como o Leci Brandão, por exemplo, nunca me venceram e o Hélio Turco, autor de 13 sambas cantados pela escola na avenida, também não conseguiu me derrotar.” (O Globo, 1988)

Depois de se afastar da Mangueira, em 1984 também se afastou temporariamente das arquibancadas aos 67 anos de idade, desgostoso com as diretorias do Botafogo e principalmente com a violência nos estádios.

Crítico das contratações de Emil Pinheiro, presidente do Botafogo, Tolito apontava o problema:

Ele tem dinheiro, mas não aplica bem. Gasta muito e mal.” (O Globo, 1988)

Em 1988 a esposa de Tolito faleceu e ele precisou de recuperar emocionalmente do nefasto acontecimento.

A vida não corria de feição a Tolito, mas um ano depois, Emil Pinheiro, talvez redimido por boas contratações, levou o Botafogo a sagrar-se finalmente campeão carioca em 1989, após 21 anos sem o título estadual – ainda muito valioso à época.

A longa espera de Tolito foi objeto de satisfação redobrada um ano depois com a conquista do bicampeonato em 1990, em cima do Vasco da Gama, numa final épica que contou com uma ridícula caravela de papelão com direito a volta olímpica do clube cruzmaltino, comemorando um título que acabara de perder – e cuja má interpretação do regulamento, intencional ou não, fez o ‘gigante da colina’ passar por histórica figura burlesca.

Finalmente o homem que se tornou torcedor do Botafogo no auge do Clube durante a ‘Era Amadora’, e que assistiu de perto a todas as grandes campanhas do Botafogo de Futebol e Regatas no auge do Clube na ‘Era Profissional’ nas décadas de 1950 e 1960, acompanhando o Glorioso onde ele estivesse, fosse dentro ou fora do estado onde foi fundado, celebrou o fim do jejum e o título de bicampeão carioca de 1989 e 1990.

Tolito também foi a tempo de assistir à conquista inédita da Copa Conmebol, em 1993, e do primeiro título de Campeão Brasileiro, em 1995.

O Botafogo ressurgira uma vez mais das cinzas, e em 1996, aos 79 anos de idade, Tolito faleceu de trombose, numa clínica em Seropédica, fechando o ciclo de uma vida repleta e intensamente vivida.

Fontes: Chaim, Aníbal (2018). Futebol, corações e mentes: os torcedores na perspectiva do Estado. Universidade de São Paulo, doi.org/10.11606/T.8.2018.TDE-06122018-121608; mundobotafogo.blogspot.com/2014/02/a-noite-de-tolito.html; mundobotafogo.blogspot.com/2010/10/tolito-e-agora-do-botafogo.html; O Globo, (1988); Revista Placar, 1979; www.galeriadosamba.com.br

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Tolito: da ‘esquina do Botafogo’ às torcidas organizadas e aos sambas-enredo, eis uma vida repleta e criativa – I Parte

Crédito: Imagem melhorada e modificada por IA.

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

Herlito Machado Fonseca, conhecido por ‘Seu Tolito’, ou simplesmente ‘Tolito’, nascido no dia 6 de junho de 1917, em Olaria, no Rio de Janeiro, foi um célebre jornaleiro apaixonadíssimo pelo Botafogo e membro da ala de compositores da Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira.

Tolito passou a sua infância basicamente em Ramos, morou em Botafogo, mas o local com o qual se identificou foi Engenho de Dentro, onde viveu desde 1956 e era conhecido por todos, e onde em um dia do século XXI, anos depois do seu falecimento, nasceu um Estádio Olímpico, atualmente designado por Nílton Santos e administrado pelo seu Botafogo de Futebol e Regatas.

O seu interesse pelo futebol começou com o Andarahy, ao mesmo tempo que nutria simpatia pelo Botafogo Football Club, desde 1932, aos 15 anos de idade, na sequência da cisão ocorrida no futebol carioca e o Botafogo se declarou a favor dos clubes mais modestos.

Eu era torcedor do Andarahy, o verde-e-branco, mas o profissionalismo acabou com o meu time, e fui torcer por quem o defendera na Liga: o Botafogo.” (Placar, 1979)

“Na época, o Botafogo acompanhou os times pequenos e foi tetracampeão de 1932 a 1935. Então me identifiquei com o Botafogo e passei a torcer por ele.” (O Globo, 1988)

A paixão (infiel) pela Estação Primeira de Mangueira surgiu mais tarde, cerca de 1936, quando habitava o ‘Esqueleto’, uma estrutura de cimento armado destinada a ser a Prefeitura do antigo Distrito federal, mas a obra foi embargada e as famílias mais desfavorecidas ocuparam-no, dando início a uma favela.

A família de Tolito foi, então, para o ‘Esqueleto’ e a partir dessa geografia avistava a Mangueira, conviveu com o povo do morro e acabou desfilando pela Escola de Samba. Só muito mais tarde, em 1972, é que começou a compor na Mangueira, mas acabou por ter desavenças, em especial na década de 1980; no Botafogo também brigava, mas em vez de sair, ficava.

Até que no início da década seguinte, em 1940, encontrou uma trincheira que se tornou famosa por defender diariamente o Botafogo: Tolito montou uma banca de jornal na esquina mais movimentada da cidade do Rio de Janeiro – a Avenida Rio Branco com a Rua 7 de Setembro.

Criativo, Tolito foi o primeiro jornaleiro do Rio a personalizar a sua banca, cravando no alto a bandeira do Botafogo, e de vez em quando a bandeira da Mangueira.

E foi nessa esquina, também conhecida por ‘banca do Tolito’, e até ‘esquina do Botafogo’, que Herlito Machado Fonseca se tornou uma das figuras mais célebres de sempre do futebol botafoguense e carioca, devido aos torcedores se reunirem aí ao alvorecer ou ao crepúsculo da tarde em discussão permanente, debatendo sobretudo os acontecimentos do futebol e da política – mas principalmente do futebol.

Nesta esquina, desde o dia 3 de março de 1940, quando passei a trabalhar aqui, homens de todo tipo, de todo nível social, se reúnem para discutir futebol. Aqui, nesta banca, um Carlos Lacerda dava o braço a um José Lins do Rego para defender o Flamengo. Mário Filho, fumando seu charuto, passava e se postava por perto, saboreando o Havana e a discussão.” (Placar, 1979)

Porém, a banca de Tolito ampliou a sua fama e atraiu outros torcedores. Na época da Segunda Guerra Mundial o povo brasileiro estava revoltado com a Itália de Mussolini, e como a maioria das bancas pertencia a italianos, as depredações eram constantes e o engenhoso Tolito aplicou uma estratégia que se tornou vencedora: colocou as bandeiras do Botafogo, Flamengo e Vasco da Gama na sua banca para protegê-la.

Só não coloquei a do Fluminense porque tem as cores da Itália. Daí para frente, pessoal passou a reunir-se para ali discutir futebol. Mais tarde os políticos passaram a aproveitar o movimento para discursar em frente à banca. Carlos Lacerda era um que subia no meu banquinho e ficava falando para o povão.” (O Globo, 1988)

Daí em diante outras bancas passaram a imitar a de Tolito, surgindo bandeiras do Flamengo, Fluminense e Vasco da Gama.

É o chamado espírito de imitação. Mas não adianta. O ponto é o mais importante. Esta esquina criou fama, com seus freqüentadores permanentes. Não é invenção de agora. Saldanha, rapazote, freqüentava a esquina, defendendo o seu Botafogo. Gerações de cronistas esportivos gastaram saliva em argumentação, defendendo eus artigos e crônicas.” (Placar, 1979)

Quando o Jornal do Brasil transferiu a sua sede da Avenida Rio Branco para a Avenida do Brasil, Tolito temeu pela permanência da discussão em torno da sua banca e pela saúde do seu negócio, porque a esquina era animada pelas polêmicas entre jornalistas.

Oldemário Touguinhó era dos que passavam horas discutindo. Depois, vinham outros companheiros. Tinha o Dácio de Almeida, que era uma parada. Mas o Jornal do Brasil saiu aqui do lado e a minha esquina continuou a mesma” (Placar, 1979), sobretudo graças a João Saldanha e a sua famosa ‘Bolsa de Apostas’ discutindo e argumentando para a sua coluna e seus programas diários na televisão.

Foi, aliás, a partir dessa esquina, que Tolito criou a ‘Charanga do Botafogo’, em 1944, iniciativa apoiada por Carlito Rocha, colaborando na aquisição de painéis, bandeiras e serpentinas. A Charanga representou uma transformação geral do modo como as torcidas apoiavam os seus clubes, incorporando instrumentos, bandeias, adereços e elementos carnavalescos, criando uma atmosfera de aproximação do futebol ao popular espetáculo carnavalesco.

Em suma, Tolito inventou uma nova maneira de torcer, transformando a arquibancada em espaço de música, festa, símbolos e identidade coletiva.

No entanto, Tolito dissolveu a Charanga em 1949, reagindo às frequentes brigas provocadas por gente infiltrada com objetivos não consentâneos com o simples apoio ao Botafogo.

Foi também por essa época que nasceu a primeira ‘Torcida Organizada do Botafogo’ (TOB), que atuava junto às diretorias do Clube como porta-voz dos sentimentos e paixão dos torcedores anônimos, a qual foi criada em 1945 e liderada por Salvador Peixoto, tendo como grande incentivador José Ferreira Bogagi, conhecido por ‘Marinheiro’ (ou ‘Marinheiro do Botafogo´), que atuava como braço-direito de Salvador Peixoto e ganhou popularidade nas arquibancadas devido à sua voz metálica e potente, comparada as radialistas pelos cronistas da época.

Leia aqui sobre Salvador Peixoto: https://mundobotafogo.blogspot.com/2021/10/salvador-peixoto-1-chefe-da-torcida.html

Salvador Peixoto cedeu o cargo a Tarzan, em 1957, e Russão, levado por Tolito para a TOB, sucedeu-lhe em 1974 à frente dos destinos da Gloriosa torcida botafoguense.

Leia aqui sobre Tarzan e Russão: https://mundobotafogo.blogspot.com/2009/10/tarzan-um-torcedor-extraordinario.html; https://mundobotafogo.blogspot.com/2010/09/russao-uma-lenda-viva.html

(Continua)

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Thâmela e Victoria – sensacionais campeãs em Montreal e 3º lugar no Ranking Mundial 2026

Crédito: @volleyballworld

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

Thâmela Coradello e Victoria Lopes, representando o Sesc/Botafogo Praia, sagraram-se campeãs da última etapa da categoria Elite do Circuito Mundial de Vôlei de Praia, competição organizada pela Volleyball World Beach Pro Tour, que se realizou em Montreal, no Canadá, entre os dias 20 e 23 de agosto de 2026.

As campeãs ganharam 6 jogos e perderam 1, efetuaram quatro viradas, incluindo a semifinal e a final, e na semifinal venceram a dupla Melissa Humaña-Paredes e Brandie Wilkerson, do Canadá, que haviam vencido as brasileiras anteriormente na Chave Principal.

Na final Thâmela e Victoria venceram Kristen Cruz e Taryn Brasher, dos E.U. da América, em uma partida disputada palmo a palmo nos três parciais realizados.

Com esta etapa encerrou-se o Circuito Mundial de Vôlei de Praia e a dupla Thâmela & Vic ascenderam ao 3º lugar do Ranking Mundial!

Rico de Freitas é o técnico de Thâmela e Vic, o qual é filho de Bebeto de Freitas, que reinventou o voleibol brasileiro como jogador e técnico, e foi um grande Presidente do Botafogo de Futebol e Regatas resgatando o nosso Clube da Série B e da falência para novos voos.

Rico de Freitas comemorando com Thâmela e Vic. Crédito: @sescbotafogopraia

Eis a campanha completa das campeãs:

CHAVE PRINCIPAL

Thâmela & Victoria 2x1 Monika Paulikiene & Ainé Raupelyté (Lituânia)

» Parciais: 19-21; 21-10; 15-12

» Data: 20.08.2026

Thâmela & Victoria 2x1 Ana Patrícia & Carol Horta (Brasil)

» Parciais: 21-13; 26-28; 15-09

» Data: 21.08.2026

Thâmela & Victoria 0x2 Melissa Humaña-Paredes & Brandie Wilkerson (Canadá)

» Parciais: 13-21; 18-21

» Data: 21.08.2026

FASE de 12

Thâmela & Victoria 2x1 Hailey Harward & Kylie DeBerg (E.U. da América)

» Parciais: 21-23; 21-17; 15-12

» Data: 22.08.2026

Crédito: @volleyballworld

QUARTAS DE FINAL

Thâmela & Victoria 2x1 Julia Donlin & Lexy Denaburg (E.U. da América)

» Parciais: 21-17; 13-21; 18-16

» Data: 22.08.2026

SEMIFINAIS

Thâmela & Victoria 2x1 Melissa Humaña-Paredes & Brandie Wilkerson (Canadá)

» Parciais: 19-21; 22-20; 15-07

» Data: 23.08.2026

FINAL

Thâmela & Victoria 2x1 Kristen Cruz & Taryn Brasher (E.U. da América)

» Parciais: 19-21; 21-18; 15-12

» Data: 23.08.2026

Fonte: https://en.volleyballworld.com

Pódio 7, mês de julho

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

Os leitores do Mundo Botafogo elegeram o tema ‘futebol’ em cinco casos (duas estatísticas, uma conquista, nomes próprios homenageando botafoguenses e um retrospecto – BFR x Santos), enquanto os demais dois casos são representantes da comemoração do nascimento do Club de Regatas Botafogo (publicação mais visitada) e de mais uma excelente crônica da escritora Lúcia Senna.

Eis as publicações por ordem de preferências:

01. 132 anos da Estrela Solitária à frente dos clubes de remo

https://mundobotafogo.blogspot.com/2026/07/132-anos-da-estrela-solitaria-frente.html

por Ruy Moura

02. Botafogo, gols em 5 Copas consecutivas

https://mundobotafogo.blogspot.com/2026/07/botafogo-gols-em-5-copas-consecutivas.html

Autor desconhecido

03. Botafogo bicampeão carioca Dente de Leite

https://mundobotafogo.blogspot.com/2026/07/botafogo-bicampeao-carioca-dente-de.html

por Ruy Moura

04. Top 10 de clubes com mais gols de seus jogadores na Seleção

https://mundobotafogo.blogspot.com/2026/07/top-10-de-clubes-com-mais-gols-de-seus.html

Autor desconhecido

05. Don Carlito em território inimigo

https://mundobotafogo.blogspot.com/2026/07/don-carlito-em-territorio-inimigo.html

por Lúcia Senna

06. Retrospecto Botafogo x Santos (1918-2025)

https://mundobotafogo.blogspot.com/2026/07/retrospecto-botafogo-x-santos-1918-2025.html

por Ruy Moura

07. De Garrinsha a Jairson, Jairzinho e Josimar

https://mundobotafogo.blogspot.com/2026/07/de-garrinsha-jairson-jairzinho-e-josimar.html

por Ruy Moura

terça-feira, 25 de agosto de 2026

Botafogo 2x3 Athletico – um jogo incaracterístico

Crédito: Instagram @movnacag

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

Eis um jogo incaracterístico que em condições normais não seria possível definir quem venceria, mas dois erros pueris, elementares e escandalosos ditaram praticamente a sorte do resultado.

Além, diga-se com inteira justiça, de Bellão se ter equivocado com a titularidade de Allan, claramente fora de contexto, e de Kauan Toledo, que em minha opinião não tem lugar na equipe.

Mas, enfim, vamos ao jogo.

Pode-se afirmar que o Botafogo entrou bem na partida, procurando dominar e atacar, o que foi claramente visível quando logo aos 4’ Alex Telles rematou com perigo ao lado e aos 6’, numa boa jogada coletiva, Vitinho concluiu disparando para as nuvens com a baliza à sua frente.

Aliás, abrindo parêntesis, estou para entender, até hoje, a razão pela qual Vitinho esteve indiciado para a Seleção Brasileira e ainda se fazem referências a essa futura possibilidade nas narrativas de jogos, porque Vitinho conseguiu – e não apenas neste jogo – ser uma absoluta nulidade na ala direita, errando todos os cruzamentos e chutando sempre com a vontade de quem almeja figurar no Guinness Book como autor do chute mais elevado e robusto em direção ao infinito. Nota ZERO!

Porém, os primeiros minutos prometedores transformaram-se subitamente numa autoviagem ao purgatório porque aos 10’, com a bola dominada, Cristian Medina, em vez de rolar para um companheiro, quis driblar o adversário, que o desarmou em zona proibitiva próxima da baliza, o remate subsequente foi defendido por Gabriel Batista para a frente com ‘mão de alface’ e no rebote João Cruz não perdoou.

Volvidos apenas três minutos, Kauan Toledo não aprendeu nada com o desarme que originou o 1º gol e com a bola dominada foi puerilmente desarmado por Dantas, a bola foi endossada para Viveros que, frente a frente a Gabriel Batista, enfiou a bola entre as pernas do goleiro, ampliando para 2x0 a vantagem do Athletico.

Abro outro parêntesis: a vocação que o Botafogo tem pelo erro é patente nas escolhas de goleiros, porque nem os anteriores nem os dois atuais dão garantias de segurança na baliza e de confiança da zaga no seu goleiro – e se fomos campeões brasileiros e sul-americanos deveu-se também, e muito, ao nosso goleiro de então, a primeira peça fundamental das equipes campeãs.

Após o 0x2 o Botafogo foi em busca de diminuir a diferença, embora com problemas de organização em campo: aos 15’ Danilo Pereira, por um triz, não meteu a bola na baliza adversária de cabeça; aos 25’ Edenilson finalizou ao poste, aos 38’ Ferraresi rematou à figura de Santos.

O Botafogo tentou, mas foi ineficaz, sobretudo porque desperdiçou inúmeros escanteios traduzidos em potenciais oportunidades perdidas, rematou muitas vezes mas pelo alto, fora do enquadramento da baliza.

Pelo meio era difícil penetrar face à muralha montada pelo adversário, pelas pontas os dois laterais não foram felizes: Vitinho continua com desempenhos pífios e Alex Telles não esteve nos seus melhores dias.

E assim se chegou ao intervalo, resumido em dois gols oferecidos pelo Botafogo ao Athletico, que não criou nenhuma oportunidade de perigo, fora os dois gols oriundos dos erros crassos de Cristian Medina e de Kauan Toledo, e uma bola de Edenilson ao poste de Santos.

No 2º tempo, aos 53’, embora bem marcado, Danilo Pereira rematou para Santos efetuar a sua grande defesa da noite. As 59’ houve um desvio de cabeça para a baliza, mas a bola saiu ao lado. O Botafogo continuou tentando, enquanto o Athletico se mantivesse recuado, sem nenhum ataque minimamente perigoso, e somente aos 75’ tornou a haver a possibilidade de atenuar o placar quando Álvaro Montoro rematou ao poste de Santos.

Três minutos depois, aos 78’, com o Botafogo lançado ao ataque e desorganizado na defesa, Vargas recuperou uma bola no seu meio campo, disparou em velocidade e serviu Viveros que ampliou para 3x0 a vantagem da sua equipe.

Quando tudo parecia decisivo, sustentado nos gols de oportunidade do Athletico e nos remates infrutíferos dos alvinegros, designadamente duas bolas ao poste, eis que o Botafogo, ainda continuando na busca de gols, apesar do placar implacável, que não traduzia o que se passara em campo, deparou-se com dois momentos de sorte para diminuir o placar e voltar ao jogo.

No primeiro momento, aos 84’, finalmente na sequência de um escanteio, a bola sobrou para Santi Rodríguez, que rematou fora da grande área, o esférico resvalou num zagueiro adversário, tirou Santos da jogada e a bola alinhou-se pelo alto nas redes adversárias; aos 90+2’, na sequência de novo escanteio, o mesmo Santi Rodríguez aproveita uma sobra de bola na pequena área, à saída de Santos toca de leve na bola, tirando-a do goleiro e fazendo 2x3.

E agora… bem… Bellão e a equipe têm simplesmente que roçar a perfeição, com mente forte, foco absoluto e ambição, porque seguem-se Flamengo e Palmeiras, os dois clubes mais postulantes ao título brasileiro de 2026.

FICHA TÉCNICA

Botafogo 2x3 Athletico

» Gols: Santi Rodríguez, aos 84’ e 90+2’ (Botafogo); João Cruz, aos 10’, e Viveros, aos 13’ e 78’ (Athletico)

» Competição: Campeonato Brasileiro

» Data: 24.08.2026

» Local: Estádio Olímpico Nilton Santos, no Rio de Janeiro (RJ)

» Público: 6.209 pagantes; 7.086 espectadores

» Renda: R$ 178.760,00

«Árbitro: André Luiz Skettino Policarpo Bento (MG); Assistentes: Leone Carvalho Rocha (GO) e Joverton Wesley de Souza Lima (RO); VAR: Pablo Ramon Gonçalves Pinheiro (RN)

» Disciplina: cartão amarelo – Kauan Toledo e Edenílson (Botafogo) e Dantas (Athletico)

» Botafogo: Gabriel Batista; Vitinho, Ferraresi, Justino e Alex Telles; Allan (Huguinho), Edenílson (Santi Rodríguez), Cristian Medina (Kadir) e Álvaro Montoro (Matheus Martins); Kauan Toledo (Júnior Santos) e Danilo Pereira. Técnico: Rodrigo Bellão.

» Athletico: Santos; Dantas, Arthur Dias e Aguirre; Benavídez, Luiz Gustavo (Portilla), Jadson, João Cruz (Dudu) e Mendoza; Leozinho (Vargas) e Viveros (Renan Peixoto). Técnico: Odair Hellmann.

Robson Marfa, tríplice campeão brasileiro 2026

Pódio do 43º Centro-Sul Brasileiro, Regra 1 Toque Liso. Crédito: Gabriel Barbosa. Fonte: www.instagram.com/bfrfuteboldemesa por RUY MOURA ...