por RUY MOURA
Editor do Mundo Botafogo
Três bolas nas traves
no 1º tempo poderiam ter decidido o jogo se a sorte tivesse ajudado. Mas…
parece que o Botafogo esgotou a inspiração e os gols contra a Cabofriense e
secou durante o jogo, atuando com sonolência, tanta sonolência que eu próprio
adormeci…
Digamos que esta
atuação foi tão ‘normal’ quanto muitas das anteriores comandadas por diferentes
técnicos, o que se me afigura, mais uma vez, que os técnicos brasileiros estão desinspirados
e gastos. Em vez de uma estratégia ambiciosa e bem montada de ataque, optou-se
mais pelo seguro, já que um empate deveria ser mais do que suficiente para a
classificação, supondo-se que o Boavista seria derrotado no estádio ao lado do
hospital de campanha da pandemia.
O Botafogo esteve
‘preso’ o tempo todo e praticamente só o goleiro e a defesa saíram
razoavelmente incólumes da partida. O meio campo não funcionou: Honda retraído,
Bruno Nazário desinspirado, Luiz Fernando menos mau; o ataque ressentiu-se da
falta de criação, Luís Henrique ficou ‘preso’ na marcação, não teve apoio do
lateral também muito ‘preso’, e sendo um criativo deveria ter autorização para
percorrer zonas mais amplas, e Pedro Raul, sendo um 9, depende da criação e
também da sorte que manifestamente não teve.
Sem laterais
verdadeiramente ofensivos nem meio campo criativo, o ataque claudicou e as
investidas fulgurantes de Luís Henrique ficaram para outra ocasião, assim como
a criação de melhores oportunidades para Pedro Raul.
A Portuguesa estava
numa posição bem diferente da Cabofriense na tabela classificativa e
apresentou-se fisicamente melhor preparada do que a equipe do Botafogo. Poderia
ter valido substituições capazes de mudar o perfil do jogo, mas…
Mas… Paulo Autuori desiludiu.
Quando foi contratado considerei um erro: deveria ter sido contratado para o
cargo de dirigente e não de treinador, e ainda hoje penso que pode dar um bom
dirigente no Clube devido ao seu impoluto perfil pessoal, mas não um treinador
atualizado, criativo, ambicioso. Não se viu nenhuma ousadia, nenhuma ambição,
nenhuma intervenção realmente relevante do treinador.
A sua conversa
pós-jogo evidencia o mesmo tipo de argumentos dos seus antecessores: ficou
“satisfeito” e viu “coisas interessantes com estruturas diferentes” que
permitirão “variações táticas”.
Por mim fiquei muito
insatisfeito, não vi nem coisas interessantes nem estruturas diferentes capazes
de promover variações táticas. O que vejo é a necessidade absoluta de se criar
um modelo de jogo e aprofundá-lo para mecanização da equipe – assegurando um
ano certamente sem conquistas, mas também sem sobressaltos a caminho de um 2021
mais consistente e à ‘Botafogo Glorioso’.
Talvez a
concretização da Botafogo S.A. permita, finalmente, não apenas melhores
jogadores, mas também um treinador moderno, de preferência sul-americano, que
evidencie potencial, ousadia, garra e ambição.
FICHA TÉCNICA
Botafogo 0x0 Portuguesa
» Gols: -
» Competição: Campeonato
Carioca
» Data: 01.07.2020
» Local: Estádio Luso-Brasileiro,
no Rio de Janeiro (RJ)
» Público e Renda:
portões fechados
» Árbitro: Rafael
Martins de Sá (RJ); Assistentes: Silbert Faria Sisquim (RJ) e Thiago Rosa de
Oliveira Esposito (RJ)
» Disciplina: cartão
amarelo – Fernando, Bruno Nazário, Marcelo Benevenuto, Keisuke Honda e
Guilherme Santos (Botafogo); Marcão, Dilsinho e Mauro Gabriel (Portuguesa)
» Botafogo: Diego
Cavalieri; Fernando (Barrandeguy), Marcelo Benevenuto, Kanu, Guilherme Santos;
Caio Alexandre, Keisuke Honda (Alex Santana); Luiz Fernando (Ênio), Bruno
Nazário (Gabriel Cortez), Luís Henrique; Pedro Raul. Técnico: Paulo Autuori.
» Portuguesa: Milton
Raphael; Luís Gustavo, Dilsinho, Marcão, Mauro Gabriel; Diego Guerra, Henrique
(Matheusinho), Romarinho (Pimenta); André Silva (Maicon Adriano, Chay. Técnico:
Rogério Corrêa.