quinta-feira, 2 de julho de 2020

126º aniversário do Botafogo omitido no portal oficial

por RUY MOURA
Editor do Mundo Botafogo

O Botafogo vangloria-se de ser o mais antigo clube multidesportivo do país… O Botafogo vangloria-se de o seu escudo ter uma linda Estrela Solitária… O Botafogo vangloria-se de ser o único clube campeão em três séculos… O Botafogo vangloria-se de ter sido o primeiro clube campeão brasileiro em qualquer modalidade…

Porém, foi o Club de Regatas Botafogo o responsável por nascermos em 1894 antes do Flamengo, do Vasco da Gama e do Fluminense; foi o responsável por escolher como escudo a nossa Estrela Solitária; foi o responsável por se sagrar campeão carioca de remo em 1899, que nos permite ostentar conquistas em três séculos; e foi o responsável por vencermos o primeiro de todos os campeonatos brasileiros em 1902.

E, contudo, a ingratidão desta diretoria, sucedânea de inúmeras diretorias que neste século têm deteriorado a imagem e a performance do nosso Clube, ultrapassa todos os limites impostos à ética, à memória clubista, à responsabilidade social dos dirigentes, que no dia em que o Botafogo assinala 126 de existência nem uma palavra comemorativa é dedicada a esse importantíssimo evento no Portal Oficial do Clube.

É assim que os dirigentes do Botafogo tratam desleixadamente a sua modalidade primeira e a única que, em pleno século XX de altos e baixos do Clube, conquistou 6 títulos nacionais e 6 títulos estaduais consecutivos num espaço de 10 anos de árduo e competentíssimo trabalho.

Em todo o dia de ontem, o Botafogo limitou-se a publicar no seu Portal uma notícia às 13h20m lamentando o falecimento de um benemérito e decretando luto por 3 dias – omitindo e amputando parte da nossa honrada história!

Quem em casa tem gente assim, não precisa de inimigos para se afundar…

Clubes do mundo com mais sócios

Créditos: Reprodução / Sportune.fr

Eis a classificação do Portal Sportune (números arredondados) publicada no dia 27 de junho:

01º FC Bayern München (Alemanha), 293.000
02º SL BENFICA (Portugal), 230.000
03º FC Barcelona Espanha), 223.000
04º CA Boca Juniors (Argentina), 206.000
05º CLUBE DE REGATAS VASCO DA GAMA (Brasil), 176.000
06º SPORTING CLUBE DE PORTUGAL (Portugal), 160.000
07º FC Schalke 04 (Alemanha), 155.000
08º CA River Plate (Argentina), 155.000
09º Borussia Dortmund (Alemanha), 154.000
10º Manchester United FC (Inglaterra), 150.000

São 3 clubes de língua portuguesa, 3 clubes de língua espanhola, 3 clubes de língua alemã e 1 clube de língua inglesa.

Botafogo 0x0 Portuguesa

por RUY MOURA
Editor do Mundo Botafogo

Três bolas nas traves no 1º tempo poderiam ter decidido o jogo se a sorte tivesse ajudado. Mas… parece que o Botafogo esgotou a inspiração e os gols contra a Cabofriense e secou durante o jogo, atuando com sonolência, tanta sonolência que eu próprio adormeci…

Digamos que esta atuação foi tão ‘normal’ quanto muitas das anteriores comandadas por diferentes técnicos, o que se me afigura, mais uma vez, que os técnicos brasileiros estão desinspirados e gastos. Em vez de uma estratégia ambiciosa e bem montada de ataque, optou-se mais pelo seguro, já que um empate deveria ser mais do que suficiente para a classificação, supondo-se que o Boavista seria derrotado no estádio ao lado do hospital de campanha da pandemia.

O Botafogo esteve ‘preso’ o tempo todo e praticamente só o goleiro e a defesa saíram razoavelmente incólumes da partida. O meio campo não funcionou: Honda retraído, Bruno Nazário desinspirado, Luiz Fernando menos mau; o ataque ressentiu-se da falta de criação, Luís Henrique ficou ‘preso’ na marcação, não teve apoio do lateral também muito ‘preso’, e sendo um criativo deveria ter autorização para percorrer zonas mais amplas, e Pedro Raul, sendo um 9, depende da criação e também da sorte que manifestamente não teve.

Sem laterais verdadeiramente ofensivos nem meio campo criativo, o ataque claudicou e as investidas fulgurantes de Luís Henrique ficaram para outra ocasião, assim como a criação de melhores oportunidades para Pedro Raul.

A Portuguesa estava numa posição bem diferente da Cabofriense na tabela classificativa e apresentou-se fisicamente melhor preparada do que a equipe do Botafogo. Poderia ter valido substituições capazes de mudar o perfil do jogo, mas…

Mas… Paulo Autuori desiludiu. Quando foi contratado considerei um erro: deveria ter sido contratado para o cargo de dirigente e não de treinador, e ainda hoje penso que pode dar um bom dirigente no Clube devido ao seu impoluto perfil pessoal, mas não um treinador atualizado, criativo, ambicioso. Não se viu nenhuma ousadia, nenhuma ambição, nenhuma intervenção realmente relevante do treinador.

A sua conversa pós-jogo evidencia o mesmo tipo de argumentos dos seus antecessores: ficou “satisfeito” e viu “coisas interessantes com estruturas diferentes” que permitirão “variações táticas”.

Por mim fiquei muito insatisfeito, não vi nem coisas interessantes nem estruturas diferentes capazes de promover variações táticas. O que vejo é a necessidade absoluta de se criar um modelo de jogo e aprofundá-lo para mecanização da equipe – assegurando um ano certamente sem conquistas, mas também sem sobressaltos a caminho de um 2021 mais consistente e à ‘Botafogo Glorioso’.

Talvez a concretização da Botafogo S.A. permita, finalmente, não apenas melhores jogadores, mas também um treinador moderno, de preferência sul-americano, que evidencie potencial, ousadia, garra e ambição.

FICHA TÉCNICA
Botafogo 0x0 Portuguesa
» Gols: -
» Competição: Campeonato Carioca
» Data: 01.07.2020
» Local: Estádio Luso-Brasileiro, no Rio de Janeiro (RJ)
» Público e Renda: portões fechados
» Árbitro: Rafael Martins de Sá (RJ); Assistentes: Silbert Faria Sisquim (RJ) e Thiago Rosa de Oliveira Esposito (RJ)
» Disciplina: cartão amarelo – Fernando, Bruno Nazário, Marcelo Benevenuto, Keisuke Honda e Guilherme Santos (Botafogo); Marcão, Dilsinho e Mauro Gabriel (Portuguesa) 
» Botafogo: Diego Cavalieri; Fernando (Barrandeguy), Marcelo Benevenuto, Kanu, Guilherme Santos; Caio Alexandre, Keisuke Honda (Alex Santana); Luiz Fernando (Ênio), Bruno Nazário (Gabriel Cortez), Luís Henrique; Pedro Raul. Técnico: Paulo Autuori.
» Portuguesa: Milton Raphael; Luís Gustavo, Dilsinho, Marcão, Mauro Gabriel; Diego Guerra, Henrique (Matheusinho), Romarinho (Pimenta); André Silva (Maicon Adriano, Chay. Técnico: Rogério Corrêa.

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