quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Treinadores e contextos (V): de 38 contratações de treinadores em 18 anos à chegada de Valdir Espinosa

Crédito: Marco Antônio Cavalcanti | revista Placar.

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

Após 1972 o declínio da competitividade desportiva iniciou uma marcha imparável de acompanhamento da crise financeira.

Foram anos aterrorizantes que persistiam em acabar com o Botafogo, enquanto a torcida era uma fortaleza que jamais se renderia e mantinha acesa a sua paixão pelo Glorioso tal como dantes, nos tempos dourados do futebol e das demais atividades desportivas, que de tão diversas e importantes permitiram ao Botafogo inaugurar as ‘Olimpíadas Botafoguenses’, plenas de inovação, que duraram sete anos (1957 a 1963), tendo o seu epílogo no ano em que o Presidente Paulo Antônio Azeredo (1954-1963) cessou definitivamente funções como o maior presidente da história do Glorioso até à data.

Foram anos muito difíceis, de certo modo trágicos, com a perda do maior símbolo material do Glorioso – o Palacete de General Severiano e tudo aquilo que representava, e continua a representar, quebrando várias linhas de continuidade do desporto botafoguenses.

Carlito Rocha, dirigente-símbolo do espírito botafoguense e último grande lutador contra a negociata entre o Botafogo e a Companhia Vale do Rio Doce: – “O Botafogo não pode sair daqui, o Botafogo é o maior clube do Brasil, é uma instituição nacional. O Botafogo não pode sair daqui, esse chão é nosso, é a vida do Clube.”

O octogenário presidente – uma espécie de pai-espiritual que viveu intensamente o Botafogo por sete décadas –, perdeu a sua última batalha desportiva e provavelmente apressou, sob uma tristeza profunda, o acontecimento da sua partida.

21 anos…

Após 1968 e de Mário Zagallo como treinador, sucederam-se Paulinho de Almeida (1971), Paraguaio (1971), Tim (1972), Sebastião Leônidas (1972-73), Paraguaio (1973-74), Paulistinha (1974), Mário Zagallo (1974-75), Telê Santana (1975-76), Paulo Amaral (1976), Sebastião Leônidas (1976-77), Zezé Moreira (1977), Paulistinha (1977), Danilo Alves (1977), Mário Zagallo (1977-78), Danilo Alves (1978), Joel Martins (1979), Jorge Vieira (1979), Paulo Amaral (1979-80), Othon Valentim (1980), Paulo Emílio (1980), Paulinho de Almeida (1980-81), Jorge Vieira (1981-82), Ernesto Guedes (1982), Zé Mário (1982-83), Sebastião Leônidas (1983), Didi (1983-84), Humberto Rêdes (1984), Jair Pereira (1984), Orlando Fantoni (1984), Jorge Vieira (1985), Abel Braga (1985), Carbone (1985-86), Mário Zagallo (1986), Joel Martins (1986-87), Jair Pereira (1987), Zé Carlos (1987-88), Pinheiro (1988) e Jair Pereira (1988).

De 1971 a 1988 foram 38 entradas à média de 2,1 treinadores anualmente, muitas repetições dos mesmos treinadores afetos ao Botafogo, sucessivas interrupções precoces, somente Mário Zagallo (1974-75, 518 dias) e Zé Mário (1982-83, 369 dias) conseguiram sobreviver mais do que 365 dias na função de treinador.

Nenhum logrou conquistar um título carioca – a linhagem de conquistadores iniciada por Charles Williams e Nicolas Ladanyi em 1929 foi interrompida em Mário Zagallo desde a sua saída em 1970.

70 anos depois de Williams e Ladanyi chegarem ao Botafogo, e quebrada a linhagem técnica, eis que é contratado um treinador sem relação de espécie alguma com o Glorioso: o gaúcho Valdir Atahualpa Ramires Espinosa.

Espinosa jogou no sul e no nordeste, e como jogador e treinador apenas havia passado por um grande clube brasileiro: o Grêmio, mas conquistara a Copa Libertadores da América (1983), a Copa Intercontinental (1983) e o Campeonato Gaúcho (1986) como treinador, entre os 36 e os 39 anos de idade.

Vinha também de duas experiências recentes e bem sucedidas no estrangeiro: o saudita Al-Hilal e o paraguaio Cerro Porteño, tendo conquistado um campeonato nacional em cada um desses países.


Os resultados que obteve como jovem treinador convenceram Emil Pinheiro, figura forte e dirigente do futebol botafoguense, a contratá-lo, tendo ido a Porto Alegre propositadamente para levar Espinosa para o Botafogo.

Pelas suas características profissionais e pessoais, provavelmente Espinosa foi o treinador ideal para conduzir o Botafogo à reconquista do futebol carioca, devolvendo-lhe a glória de vencer.

Valdir Espinosa enfrentou uma equipe de muita ‘malandragem’, especialmente de Josimar, Maurício e Renato Gaúcho, os quais procuravam recorrentemente driblar as regras da concentração, e para tornear o problema mostrou-se um treinador muito maleável e compreensivo, mas que em seguida cobrava desempenho dos jogadores.

Espinosa convivia inteligentemente com as brincadeiras e fugas dos jogadores. Em certa ocasião os jogadores encobriram Josimar, que tinha saído da concentração para uma festa, mas entretanto Espinosa deu pela sua falta e os jogadores inventaram desculpas rápidas para ganhar tempo de modo a Josimar entrar pelas traseiras do prédio.

Espinosa conhecia perfeitamente o perfil folgazão de Josimar e em lugar de o punir, fingia que era enganado de modo a manter o ambiente leve, cobrando depois o rendimento em campo através de conversas privadas regadas a churrasco.

Outra tática que o próprio Espinosa contou mais tarde reportava aos momentos em que tentavam esconder dele que iam beber cerveja u fazer feitas. Então, percebendo que era enganado, Espinosa inverteu o jogo e passou ele próprio a organizar e liberar o churrasco e a cerveja para o elenco um dia após as partidas. A única regra consistia nas esposas ficarem numa mesa e os jogadores noutra, só podendo falar de futebol.

Espinosa era considerado um predestinado para a psicologia. Na véspera da segunda partida decisiva para se encontrar o campeão carioca de 1989, 21 anos depois do último título botafoguense na competição, Valdir Espinosa ‘sonhou’ que Maurício marcaria o gol do título, e foi o próprio Maurício e companheiros que, mais tarde, contaram esse ‘histórico sonho’.

Ao intervalo Maurício estava febril, chorava e pediu para ser substituído. Sucede que as superstições acompanharam toda a campanha de 1989, porque Espinosa também foi contagiado pela tradição botafoguense nessa matéria. Então, Espinosa recusou a saída do jogador e disse-lhe que tinha sonhado que Maurício faria o gol do título, mandou-o lavar o rosto e regressar ao campo.

Maurício regressou e aos 12’ do 2º tempo, ou se o leitor quiser, aos 57’ de jogo (5+7 = 12), a cruzamento de Mazolinha, Maurício marcou o gol da vitória e do título de campeão carioca de 1989, encerrando o jejum o botafoguense.

Campanha completa aqui: https://mundobotafogo.blogspot.com/2011/04/botafogo-campeao-estadual-invicto-de.html

Foi a consagração das superstições, tanto do ‘sonho’ de Espinosa como do lado da aritmética: o jogo realizou-se no dia 21 de junho; após 21 anos sem o título; o gol saiu aos 12’ do segundo tempo (invertido é 21), ou se o leito quiser, aos 57’ de jogo (5+7=12, invertido também é 21); e o placar do Maracanã registrava 21 graus centígrados.

O mais fantástico do lado do ‘sonho’ do treinador-psicólogo é que, após o jogo, Maurício foi à fala com o treinador mostrando-se satisfeito sobre o ‘sonho’. Então, para seu espanto, Espinosa confessou que não tinha sonhado coisa nenhuma – estava tão nervoso que nem sequer tinha dormido.

O resultado da deliberada invenção de Espinosa é que a doença aconteceu e o sonho era falso, mas o título foi verdadeiro.

Fontes principais da série: br.bolavip.com; brasil.elpais.com; jbemfolhas.com.br; jornalggn.com.br; mundobotafogo.blogspot.com; museudapessoa.org; operamundi.uol.com.br; pesquisaescolar.fundaj.gov.br; pt.wikipedia.org; www.uol.com.br; https://sopanomel.blogspot.com; terceirotempo.uol.com.br; tnonline.uol.com.br; www.campeoesdofutebol.com.br; www.correiobraziliense.com.br; www.jb.com.br; www.museudapelada.com; www1.folha.uol.com.br

quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Botafogo campeão carioca de futebol feminino sub-20 - súmulas

As Campeãs. Crédito: Instagram @botafogofeminino.

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

O Botafogo conquistou o Campeonato Estadual de Futebol Sub-20 Feminino, competição organizada pela Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro, vencendo o Fluminense por 2x1 em jogo de volta da decisão, no Estádio Olímpico Nilton Santos – anexo, no dia 12 de outubro de 2026.

O Botafogo disputou 7 partidas e venceu-as todas, marcando 38 gols (média de 5,4 por jogo) e sofrendo apenas 4 gols (média de 0,6 por jogo).

Artilheiras: Beatrys (8), Letícia (6), Lorena (4), Coutinho (3), Yasmin Menezes (3), Alícia (2), Lorraine (2), Tailane (2), Ana Laura, Emanuelle, Maranhão, Maria Camila, Mariana Piccolo, Nayara, Thaynara e Manu Vitória (contra).

Eis a campanha invicta:

1ª FASE

Botafogo 22x0 União Central

» Gols: Letícia, aos 3’, 24’, 36’, 43’ e 45’, Beatrys, aos 6’, 40’ e 54’, Coutinho, aos 12’ e 44’, Lorena, aos 16’ e 68’, Alícia, aos 67’ e 84’, Lorraine, aos 4’, Ana Laura, aos 26’, Yasmin Menezes, aos 31’, Manu Vitória, aos 25’ (c), Maria Camila, aos 73’, Maranhão, aos 78’, Mariana Piccolo, aos 82’, e Emanuelle, aos 86’

» Competição: Campeonato Estadual Sub-20

» Data: 15.08.2026

» Local: Estádio Olímpico Nilton Santos – Anexo, no Rio de Janeiro (RJ)

» Árbitro: Ivana da Silva Soares; Assistentes: Fabiana Nóbrega Pitta e Karolaynne da Conceição Garcia; 4º Árbitro: Lucas Alves Pinto

» Disciplina: sem advertências

» Botafogo: Anna Júlia; Camila (Emanuelle), Coutinho (Maria Camila), Lorena e Rafaelly; Letícia (Yasmim Rodrigues), Lorraine e Luh (Mariana Piccolo); Beatrys (Maranhão), Yasmin Menezes (Alícia) e Ana Laura. Técnico: Alexandre Alves.

» União Central: Laura; Giovanna, Bonilha, Ingrid (Lorenna) e Ana Carolina (Kemilly); Ana Clara (Lilia), Sabrina e Jhuly (Kauany); Manu Vitória (Anny), Gabrielly e Julya. Técnico: Alexandre Coelho.

Alegria infinda. Crédito: Arthur Barreto | Instagram @botafogofeminino.

Botafogo 4x1 Vasco da Gama

» Gols: Thaynara, aos 42’, Yasmin Menezes, aos 44’, Beatrys, aos 45+1’, e Coutinho, aos 89’ (Botafogo); Maria Clara, aos 57’ (Vasco da Gama)

» Competição: Campeonato Estadual Sub-20

» Data: 20.08.2026

» Local: Estádio Nivaldo Pereira, em Nova Iguaçu (RJ)

» Árbitro: Ivana da Silva Soares; Assistentes: Beatriz Geraldini de Sousa e Laís Dalla Bernardina Coelho; 4º Árbitro: Herbert Gonçalves Cristiano

» Disciplina: cartão amarelo – Lorraine, Coutinho, Camila e Emanuelle (Botafogo) e Yasmin e Ana Barreto (Vasco da Gama)

» Botafogo: Sarah; Nayara (Rafaelly), Coutinho, Thaynara (Camila) e Lorena; Tailane (Ana Laura, e depois Emanuelle), Lorraine e Luh; Beatrys (Letícia), Yasmin Menezes e Yasmim Rodrigues (Maranhão). Técnico: Alexandre Alves.

» Vasco da Gama: Isabella; Cheyenn, Yasmin, Bettyna e Maria Clara; Gabriela, Sophia e Maria Clara; Kailanne, Avril e Yasmin. Técnico: Matheus Ramos.

Botafogo 3x2 Flamengo

» Gols: Lorraine, aos 29’, Tailane, aos 73’, e Beatrys, aos 77’ (Botafogo); Adriany, aos 35’, e Cecília, aos 85’ (Flamengo)

» Competição: Campeonato Estadual Sub-20

» Data: 29.08.2026

» Local: Estádio Olímpico Nilton Santos – Anexo, no Rio de Janeiro (RJ)

» Árbitro: Sabrina da Silva Gomes Elino; Assistentes: Nayra da Cunha Nunes e Bárbara Corlett dos Santos; 4º Árbitro: Elton Azevedo Júnior

» Disciplina: cartão amarelo – Rafaelly, Camila e Roberto da Silva – fisioterapeuta (Botafogo) e Cecília, Yasmin e Filipe Torres – técnico (Flamengo)

» Botafogo: Sarah; Nayara, Rafaelly, Camila e Lorena; Emanuelle (Yasmim Rodrigues), Lorraine e Luh (Maranhão); Beatrys, Tailane e Yasmin Menezes (Maria Camila). Técnico: Alexandre Alves.

» Flamengo: Kauane; Mirella, Cecília, Laura e Isabela; Nicoli (Alice), Eduarda e Maria Fernanda (Ana); Yasmin (Beatriz), Adriany e Leane. Técnico: Filipe Torres.

Artilheira do campeonato. Crédito: Instagram @botafogofeminino.

Botafogo 3x0 Heips

» Gols: Beatrys, aos 41’ e 58’, e Letícia, aos 27’

» Competição: Campeonato Estadual Sub-20

» Data: 04.09.2026

» Local: Estádio Olímpico Nilton Santos – Anexo, no Rio de Janeiro (RJ)

» Árbitro: Ivana da Silva Soares; Assistentes: Jéssica Mariely Laurentino Brasil Guimarães e Ana Beatriz Victor de Souza; 4º Árbitro: Luiz Fernando Serrão dos Santos

» Disciplina: cartão amarelo – Maria Camila (Botafogo) e Vitória, Ketelen, Ana e Isabelle (Heips); cartão vermelho – Emanuelle (Botafogo) e Laura (Heips)

» Botafogo: Anna Júlia; Rafaelly (Emanuelle), Coutinho, Maria Camila e Lorena (Maranhão); Letícia, Lorraine e Luh (Mariana Piccolo); Beatrys (Ana Laura), Yasmim Rodrigues, e Yasmin Menezes (Mariana). Técnico: Alexandre Alves.

» Heips: Jane; Anna Beatriz (Isabelle), Yasmin, Manuelly e Ketelen (Ana Yara); Rafaella, Lorrayne e Raissa; Isabela (Laura), Ana (Jade) e Vitória. Técnico: Uibson dos Santos.

Botafogo 3x0 Fluminense

» Gols: Beatrys, aos 14’, Yasmin Menezes, aos 41’, e Lorena, aos 65’

» Competição: Campeonato Estadual Sub-20

» Data: 12.09.2026

» Local: CFAN / Av. Brasil, no Rio de Janeiro (RJ)

» Árbitro: Luiz Phelipe Canindé Costa; Assistentes: Naiara Mendes Tavares e Juliana Martins Gomes; 4º Árbitro: Douglas de Oliveira Martins

» Disciplina: cartão amarelo – Maranhão, Lorraine e Maria Camila (Botafogo) e Maria Luiza, Milena, Luciana e Bárbara Silva – técnica (Fluminense)

» Botafogo: Sarah; Nayara (Letícia), Rafaelly, Coutinho (Mariana) e Lorena; Lorraine (Maria Camila), Tailane (Mariana Piccolo) e Maranhão (Camila); Beatrys, Yasmim Rodrigues (Ana Laura) e Yasmin Menezes. Técnico: Leonardo Goulart.

» Fluminense: Angelina; Carol (Larissa), Maria Luiza (Amanda), Kailany e Luciana (Grazi); Duda, Sofie Maria (Adrielly) e Maíra (Milena); Tainara, Jamile e Sophia. Técnica: Bárbara Silva.

3 craques, 3 estrelas. Crédito: Arthur Barreto | Instagram @botafogofeminino.

FINAIS

Botafogo 1x0 Fluminense

» Gols: Tailane, aos 63’

» Competição: Campeonato Estadual Sub-20

» Data: 01.10.2026

» Local: Estádio Marcelo Vieira, em Xerém (RJ)

» Árbitro: Sabrina da Silva Gomes Elino; Assistentes: Fabiana Nóbrega Pitta e Beatriz Geraldini de Sousa; 4ª Árbitra: Ivana da Silva Soares

» Disciplina: cartão amarelo –

» Botafogo: Sarah; Rafaelly (Camila), Coutinho (Maranhão), Lorena e Thay; Nayara, Lorraine e Tailane; Yasmim Rodrigues, Yasmin Menezes (Mariana Nascimento) e Beatrys (Ana Laura). Técnico: Alexandre Alves.

» Fluminense: Janielly; Larissa, Stefane, Maria Luiza e Luciana (Laís); Duda (Kailany), Adrielly e Maria Luísa; Tainara (Isa), Kaline e Jamile (Sofie Maria). Técnico: Bárbara Silva.

Botafogo 2x1 Fluminense

» Gols: Nayara, aos 45+1’, e Lorena, aos 90’ (Botafogo); Sté, aos 64’ (pen.) (Fluminense)

» Competição: Campeonato Estadual Sub-20

» Data: 12.10.2026

» Local: Estádio Olímpico Nilton Santos – Anexo, no Rio de Janeiro (RJ)

» Árbitro: Jenifer Alves de Freitas; Assistentes: Gabrielle da Silva Felizardo e Karolaynne da Conceição Martins Garcia; 4ª Árbitra: Natália Campos Miranda

» Disciplina: cartão amarelo – Camila, Lorraine, Yasmim Rodrigues e Léo Goulart – Auxiliar Técnico (Botafogo) e Sté, Duda e Kaline (Fluminense)

» Botafogo: Sarah; Camila, Coutinho (Rafaelly), Lorena e Thay; Nayara (Manu), Lorraine e Tailane (Letícia); Yasmim Rodrigues (Andressa), Yasmin Menezes (Maria Camila) e Luiza (Mariana Nascimento). Técnico: Alexandre Alves.

» Fluminense: Janielly; Larissa, Stefane, Kailany (Maria Luiza) e Luciana; Duda (Maíra), Milena e Adrielly (Maria Luísa); Tainara, Kaline e Sophia (Jamile). Técnica: Bárbara Silva.

Fonte (fichas técnicas): Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro.

2026: Taça de Campeão Carioca de Futebol Feminino sub-20

Crédito: Arthur Barreto | Instagram @botafogofeminino.

terça-feira, 13 de outubro de 2026

Botafogo 1x1 Coritiba - resultado curto

Crédito: Vitor Silva | Botafogo

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

No momento atual – que é de transição – de chegada recente de Tite ao comando do Botafogo é muito difícil efetuar avaliações de progresso ou estagnação da equipe e que sejam estruturais, especialmente em relação ao jogo contra o Coritiba, um adversário claramente mais fraco e que, contudo, não conseguimos vencer.

Certo é que, de um modo geral, não se vislumbram aspectos verdadeiramente relevantes numa equipe que permanece com os seus antigos problemas, tanto coletivos em matéria de referência identitária, quer individuais em matéria de regularidade de cada atleta.

Na defesa, o homem mais regular tem sido o goleiro; Ferraresi tem mantido alguma regularidade, embora cometa alguns erros; Alex Telles e Marçal têm oscilado muito, evidenciando algumas dificuldades defensivas.

No meio campo passa-se algo semelhante com Cristian Medina, Danilo e Montoro, sendo que aparentemente os dois últimos rendem mais ou menos consoante as posições que lhes são atribuídas.

A frente de ataque não existe: Júnior Santos, Matheus Martins e especialmente Arthur Cabral têm sido absolutamente ineficientes e ineficazes, já que além de terem dificuldade em urdir jogadas bem trabalhadas, também não marcam gols – função essencial dos atacantes.

Quanto ao coletivismo, que é de difícil estabilização devido às mudanças constantes de treinador, não existe um modelo de jogo estabilizado e os atletas evidenciam claramente que aqui e ali não sabem exatamente o que devem fazer.

O empate contra uma equipe frágil como a do Coritiba, atravessando um momento mau, mostrou que a nossa equipe apresenta uma extrema dificuldade no controlo simultâneo da posse de bola, aproveitamento dos espaços e travagem das transições adversárias, neste último caso sobretudo porque a equipe não sabe jogar sem bola – algo crucial no futebol atual.

Acresce que o empate registrado, por via da inconsistente organização coletiva, é fruto sobretudo da incapacidade de urdir jogadas com boa qualidade para o último passe, e quando isso ocorre falham clamorosamente os atacantes, com especial destaque para Arthur Cabral, que não sabe controlar a bola, não sabe driblar e não sabe posicionar-se, acabando por perder a jogada, escorregar ou fazer faltas na ânsia de dominar a bola.

Em suma, há fraca organização coletiva, inconsistência defensiva e interligação de meio campo para se alcançar-se domínio territorial com criação de reais oportunidades de perigo para a baliza dos adversários.

Repare-se que contra o Coritiba o Botafogo teve mais posse de bola (57%) e mais remates, mas de 18 remates do Botafogo apenas 5 foram enquadrados com a baliza e somente 1 teve sucesso.

Por seu lado, o Coritiba soube criar situações de perigo, especialmente na segunda parte, explorando dificuldades do Botafogo na proteção à sua área e alguns erros na saída de bola.

É certo que o Coritiba marcou cedo e que o Botafogo reagiu mentalmente bem ao gol sofrido, marcando dois gols através de Danilo, um dos quais anulado por mais uma infantilidade de Arthur Cabral fazendo uma falta de ataque. No entanto, apesar dessa reação e de algum esforço em busca da virada, o jogo não deixou de se morno com a nossa equipe revelando dificuldades em gerar movimentos coordenados, criar desequilíbrios e finalizar com eficácia.

Em matéria de eficácia finalizadora creio que todos nós já percebemos que os atacantes têm sido quase totalmente inábeis no chute final, o meio campo tem que ser muito mais trabalhado pela comissão técnica, especialmente tornando mais regulares as exibições de Ziyech, Montoro e Medina, bem com reposicionar Danilo de modo a que consiga chegar à área porque do que temos visto é o melhor rematador da equipe.

Em conclusão, a equipe esteve apenas um pouco melhor do que nos dois últimos jogos já com Tite, mas essa eventual melhoria deu-se – é preciso dizê-lo – contra uma equipe em fase descendente e que não conseguimos vencê-la, apesar das nossas peças individuais serem muito superiores, mas sofrendo de inúmeras dificuldades em todos os setores em virtude da inexistência de uma identidade que em três jogos de Tite ainda não vimos progressos claros, além de aspectos meramente pontuais.

O espectro da série B ainda não desapareceu. Temos em seguida que defrontar três equipes atualmente em zona de desclassificação (Chapecoense, Internacional e Remo), o que, parecendo ser uma vantagem, pode ser uma desvantagem pela necessidade absoluta dessas equipe pontuarem.

Certo é que estamos a oito rodadas do fim e Tite tem que dar uma volta muito significativa de modo a que a equipe passe de uma mera soma de jogadores tecnicamente interessantes para um conjunto articulado, equilibrado, competitivo e consistente nos 90 minutos de cada jogo, para não permanecermos constantemente com o coração nas mãos face a resultados intranquilizadores para o nosso futuro.

FICHA TÉCNICA

Botafogo 1x1 Coritiba

» Gols: Danilo, aos 34’ (Botafogo); Marçal (contra), aos 21’

» Competição: Campeonato Brasileiro

» Data: 12.10.2026

» Local: Estádio Couto Pereira, em Coritiba (PR)

» Público: 26.439 espectadores

» Receita: R$ 969.062,00

» Árbitro: Matheus Delgado Candançan (SP); Assistentes: Thiaggo Americano Labes (SC) e Daniel Paulo Ziolli (SP); VAR: Gilberto Rodrigues Castro Júnior (PE)

» Disciplina: cartão amarelo –

» Botafogo: Gabriel Batista; Vitinho, Ferraresi, Marçal e Alex Telles; Allan (Domingos Andrade), Cristian Medina (Álvaro Montoro) e Danilo; Ziyech (Júnior Santos), Arthur Cabral (Tiquinho Soares) e Matheus Martins (Paulinho). Técnico: Matheus Bachi.

» Coritiba: Pedro Morisco; Bustos (Tinga), Tiago Cóser, Jacy e Felipe Jonatan (Rodrigo Gelado); Thiago Santos (Nicolás Fonseca), Sebastián Gómez e Josué (Renato Marques); Lavega (Breno Lopes), Pedro Rocha e Paulo Roberto. Técnico: Fernando Seabra.

Treinadores e contextos (V): de 38 contratações de treinadores em 18 anos à chegada de Valdir Espinosa

Crédito: Marco Antônio Cavalcanti | revista Placar. por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo Após 1972 o declínio da competitividade des...