quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Halisson Cobreloa, campeão da Copa do Brasil de Sectorballl

Campeão Halisson Cobreloa, de camisa preta; Vice-campeão Robson Marfa, de camisa branca. Fonte: Instagram @cobreloahalisson.

por RUY MOURA, Editor do Mundo Botafogo | Texto adaptado de ROBSON MARFA, Confederação Brasileira de Futebol de Mesa (CBFM)

Halisson Cobreloa, atleta do Botafogo, sagrou-se campeão da III Copa do Brasil de Sectorball, organização da Confederação Brasileira de Futebol de Mesa (CBFM), que decorreu no Departamento de Futebol de Mesa do Sport Club Corinthians Paulista, no dia 17 de janeiro de 2026.

O evento teve a participação de grandes botonistas representando clubes tradicionais dos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Santa Catarina, entre os quais se contavam o atual campeão brasileiro Carlos Peres (C.A. Marechal Guilherme / SC) e o bicampeão da Copa do Brasil, Robson Marfa (Botafogo F.R. / RJ).

O confronto do título, disputado entre Halisson Cobreloa e Robson Marfa, foi eletrizante e o novo campeão manifestou-se assim na sua página de Instagram:

Jogar a lado do meu primo é uma honra. Desta vez sagrar-me campeão. Botafogo sempre no topo. É tempo de Botafogo.”

O Top 8 da Classificação Final ficou assim ordenado:

Campeão: HALISSON COBRELOA (Botafogo F.R.)

Vice-campeão: ROBSON MARFA (Botafogo F.R.)

3º Felipe Maciel (Tourigno / SP)

4º Carlos Peres (CAMAG / SC)

5º Claudio Savi (Floripa / SSC)

6º Checceto (Floripa / SC)

7º Humberto Alencar (Corinthians / SP)

8º João Benitez (Corinthians / SP)

Fonte: Confederação Brasileira de Futebol de Mesa (CBFM).

É hora de regressarmos aos estádios!

 

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Um beijo no seu coração

por LÚCIA SENNA | Escritora e Cantora | Cronista do Mundo Botafogo

Descobri, há tempos, que o meu coração não bate – ele toca. É um verdadeiro rádio comunitário que funciona sem patrocínio, com programação caótica, vinhetas improvisadas e uma apresentadora dramática: eu mesma.

Sou dessas que escuta uma música romântica e já começa a chorar antes mesmo do refrão. Basta ouvir um “eu sei que vou te amar” pra me transformar numa heroína de novela mexicana, enxugando os olhos com o guardanapo e suspirando como se o amor estivesse atrasado no trânsito.

De manhã, ele começa suave, com uma MPB otimista do tipo “hoje vai dar tudo certo”. Mas basta eu abrir o aplicativo do banco e ver o saldo, pra trilha sonora mudar automaticamente para um tango sofrido, daqueles que já vêm com cheiro de lágrima e café requentado.

E foi numa dessas fases de “quero colocar drama na vida” que resolvi fazer aulas de tango na Lapa. Ah, o tango... meu coração, confesso, tem alma portenha. A escola funcionava numa casa tão antiga que as escadas gemiam, como se tivessem artrite. O chão rangia em compasso 2x4, e as janelas se abriam sozinhas, como num filme de Almodóvar com orçamento baixo.

Foi aí que conheci ele – o inesquecível, o inclassificável, o irresistivelmente desajeitado galã de subúrbio: Don Carlito Bandoneón.

Ah, Don Carlito... um homem que parecia ter nascido de sapato de verniz. Magro, elegante, com um bigodinho que fazia curvas como o compasso de uma milonga. Usava sempre perfume forte o bastante pra ser sentido em outra encarnação. E dançava com uma seriedade quase religiosa,  como se o destino da humanidade dependesse da firmeza do seu quadril.   

“Querida”, dizia ele, ajeitando o paletó, “no tango não se dança, se confessa pecados com os pés.”

E lá ia eu, toda compenetrada, tentando seguir seus passos e disfarçar o medo de virar penitente. O problema é que Don Carlito tinha o pé leve – leve pra dançar e pra pisar no dos outros. Cada aula era uma mistura de sensualidade e ortopedia. E quando eu reclamava, ele me fitava com olhos de telenovela e dizia:

“Foi o destino, querida... o destino me fez pisar em você. E como brigar com o destino, não é mesmo?” Ou ainda:

“No tango, querida, não se dança; se sofre com elegância.” E foi assim que, aos poucos, fui descobrindo que o sofrimento não era apenas metafórico.

Depois da aula, ele se sentava na varanda, tirava um lenço do bolso e secava o suor como quem limpava lembranças. Dizia ter dançado em Buenos Aires, Paris e até em Bonsucesso – sempre com o mesmo coração partido e a mesmíssima calça justa.

Mas o tango é só uma das estações do meu coração. Porque esse rádio toca de tudo – brega, samba, bolero, funk e até aquele sertanejo que a gente canta chorando, fingindo que é ironia. Sim, confesso: sou brega. Ouço Reginaldo Rossi e já fico derretida.

“Um beijo no seu coração”, que frase linda! Brega? Com toda certeza. Mas quem precisa de licença poética quando se tem um refrão desses? O brega é honesto, é emocional sem medo, é o coração falando alto – e desafinado.

E quando tocam Lupicínio Rodrigues, então...

Ah, Lupicínio! Aquele homem sabia sofrer com categoria, como ninguém. Outro dia, coloquei “Nervos de Aço” pra tocar, e no primeiro verso:

“Há pessoas com nervos de aço, sem sangue nas veias e sem coração”, já senti o colapso emocional se aproximando. Que exagero, maravilhoso! Eu ali, deitada no tapete da sala, pensando: “É isso, Lupi, eu também sou dessas, mas com trilha sonora em estéreo!”

E quando chega na parte: “Eu não sei se o que trago no peito, é ciúme, despeito, amizade ou horror... Eu só sei que quando a vejo, me dá um desejo de morte ou de dor...”, me entrego de vez e viro figurante da minha própria fossa.

Descobri que o zumbido no ouvido, tem diagnóstico simples: excesso de trilha sonora interna, uma overdose de ritmos, lembranças, dramas e paixões. O DJ que mora no meu peito é completamente descontrolado. Mistura tango com funk, samba com bolero e ainda bota um Lupicínio no meio só pra ver se eu aguento.

Mas, sinceramente, eu gosto disso. Gosto dessa bagunça sonora que me faz rir, chorar, rebolar e tudo ao mesmo tempo. Porque, no fundo, ter um coração barulhento é a maior prova de que ele ainda está bem vivo.

E se um dia, você me vir andando pelas ruas, sorrindo pro nada, pode apostar: é o Don Carlito Bandoneón que voltou a me chamar pra dançar – lá de dentro da memória, com o bigodinho torto, o olhar de novela e aquele sotaque inconfundível. 

E como boa radialista do amor, deixo o recado final, com voz de apresentadora brega da madrugada:

“Um beijo no seu coração, ouvinte querido”.

Nota do Mundo Botafogo: todas as crônicas da autora podem ser lidas na etiqueta/rubrica com a seguinte denominação: letras lúciasenna.

Já tem calendário 2026, caro/a leitor/a?

Fonte: Facebook ‘Pela Paixão ao Botafogo’.

Halisson Cobreloa, campeão da Copa do Brasil de Sectorballl

Campeão Halisson Cobreloa, de camisa preta;  Vice-campeão Robson Marfa, de camisa branca. Fonte: Instagram @cobreloahalisson. por RUY MOUR...