por RUY MOURA |
Editor do Mundo Botafogo
A duração dos mandatos de gestão do Botafogo
foi sendo alterada com a mudança de estatutos, e na passagem da gestão de
Maurício Assumpção para Carlos Eduardo Pereira os mandatos passaram de dois
anos, com possibilidade de reeleição, para mandato único de três anos, de modo
a reduzir os mandatos presidenciais.
No entanto, a dupla anterior conseguiu
‘iludir’ a intenção do legislador mantendo-se nos cargos com alternância, o
ex-presidente Carlos Eduardo Pereira passou a vice-presidente da chapa da
‘situação’ e o ex-vice-presidente Nelson Mufarrej passou a presidente.
E assim Nelson Mufarrej foi eleito para
presidir os destinos do Botafogo no período 2018-2020 com Carlos Eduardo
Pereira a vice-presidente. Coisas que só acontecem no Botafogo? Provavelmente
sim…
O início do mandato começou com alguma sorte, mascarando o que viria a seguir. O regulamento do campeonato estadual mudara mais uma vez e o critério de finalistas já não foi pela conquista da Taça Guanabara e da Taça Rio, mas de um quadrangular final, que incluiu o Botafogo apesar de não ter conquistado nenhuma das taças.
Nas semifinais o Botafogo defrontou o
Flamengo e venceu por 1x0, gol de Luiz Fernando, aos 38’. Foi o jogo e o gol de
resposta à clássica zoação dos jogadores flamenguistas quando marcam gol ao
Botafogo, imitando gestualmente o ‘chororô’. Luiz Fernando fez o gol da
classificação e saiu para a comemoração apertando o nariz, clássica zoação dos
torcedores aos flamenguistas quando são eliminados e ficam apenas no
‘cheirinho’ do título.
Nas finais defrontaram-se Botafogo e Vasco da Gama no Maracanã. No dia 1 de abril de 2018, em jogo de ida, o Vasco da Gama saiu na frente vencendo por 3x2, com o gol da vitória marcado por Andrés Rios, aos 90+3’.
O jogo da volta, a 8 de janeiro de 2018, foi tenso e o Vasco da Gama segurou o 0x0, abeirando-se da conquista do campeonato estadual. Porém, o capitão Joel Carli decidiu resistir e responder ao gol de Andrés Rios aos 90+3’ no jogo de ida: o relógio cravava 90+4’ no jogo de volta quando Carli, em cabeçada de campeão, ofereceu a vitória a todos os alvinegros.
Na decisão por pênaltis, perante 64.000 espectadores, o Botafogo venceu por 4x3 e conquistou o Campeonato Estadual de 2018. Comandado por Alberto Valentim, o Botafogo formou com Gatito Fernández; Marcinho, Joel Carli, Igor Rabello e Moisés (Gilson); Matheus Fernandes, Marcelo (Kieza) e Renatinho; Valencia, Luiz Fernando (Rodrigo Pimpão) e Brenner.
Súmulas da campanha em https://mundobotafogo.blogspot.com/2018/04/botafogo-campeao-estadual-2018.html
No Campeonato Brasileiro de 2018 o Botafogo acercou-se novamente dos lugares de acesso à pré-Libertadores, mas acabou por se classificar em 9º lugar, a 3 pontos de acesso à maior competição continental, registrando 13V, 12E, 13D e saldo negativo de 8 gols (38 a favor e 46 contra).
No que respeita às demais modalidades
desportivas mais relevantes, ainda em 2018 sagrou-se hepta-campeão brasileiro de
Remo, conquistando o CBI de Barcos Curtos e o CBI de Barcos longos, além do
campeonato estadual.
No entanto, no início de 2019, em busca de
recorrer a todos os meios financeiros internos para investir no futebol, a
diretoria socorreu-se dos fundos financeiros do remo e a modalidade perdeu a
possibilidade de pagar os salários mais altos, verificando-se uma fuga de
remadores para o nosso maior rival carioca. Desde aí, o Botafogo passou a ser
vice-campeão de remo nas competições nacionais e estadual, cujos títulos têm
sido arrecadados pelo rival.
Assim, o Clube caminhou para uma tendência de menorização das suas modalidades e o futebol não escapou a uma gestão fracassada: no Campeonato Brasileiro de 2019 o Botafogo classificou-se em 15º lugar, sem acesso a nenhuma das competições continentais, registrando 13V, 4E, 21D e um saldo negativo de 14 gols (31 a favor e 45 contra).
No dia 9 de dezembro de 2019, visando
fortalecer o futebol com uma estratégia vitoriosa, foi decidido criar o Comitê Executivo
de Futebol, composto por seis membros, no qual pontificava Carlos Augusto
Montenegro, ex-presidente que influenciou profundamente eleições e decisões nos
últimos 35 anos, e que Durcesio Mello, amigo de Montenegro desde a infância, o
classificou como “o maior botafoguense da história” (sic), ignorando as
dimensões maiores de formidáveis botafoguenses como Paulo Antônio Azeredo,
Carlos Martins da Rocha (‘Carlito’), Adhemar Bebianno, Sergio Darcy e tantos
outros dirigentes de grande nobreza.
Foi esse Comitê que montou o elenco
protagonista da mais trágica participação do Botafogo no Campeonato Brasileiro
de futebol no ano de 2020. Montenegro, face mais visível desse grupo,
envolveu-se em várias polêmicas e conviveu com o profundo desagrado da torcida
botafoguense que o considerou um dos principais responsáveis pela dramática
campanha repleta de equívocos e erros de gestão desportiva.
Em outubro de 2020, em plena crise, quando já
se avistava a 3ª descida do futebol à Série B, Montenegro decidiu afastar-se
dos holofotes, sendo anunciado que o próprio e Manoel Renha sairiam do Comitê
no dia 30 de novembro, enquanto Ricardo Rotenberg, Claudio Good e Marco
Agostini (este substituíra o vice-presidente do Clube Carlos Eduardo Pereira,
no início de 2020) sairiam em 31 de dezembro, mesma data do fim da presidência
de Nelson Mufarrej, também pertencente ao Comitê – extinguindo-se esse órgão já
depois da descida oficial do futebol botafoguense para a Série B.
A desorientação do Comitê Executivo do
Futebol foi tão elevada que entre 1º de janeiro de 2020 até à despromoção para
a Série B (25.02.2021) o Botafogo contratou 6 treinadores – Alberto Valentim,
Paulo Autuori, Bruno Lazaroni, Ramón Díaz, Eduardo Barroca e Marcelo Chamusca
(neste caso para começar de raiz na Série B).
Nesse trágico Campeonato Brasileiro de 2020 o
colossal desastre do Botafogo saldou-se na classificação geral pelo 20º e
último lugar com 5V, 12E, 21D, aproveitamento de 23.7%, e um saldo negativo de
30 gols (32 a favor e 62 contra).
No dia 25 de fevereiro de 2021 o Botafogo encerrou o Brasileirão de 2020 (campeonato prorrogado para 2021 devido à pandemia COVID-19) com uma triste derrota por 2x1 frente ao Ceará, na Arena Castelão, cuja equipe, comandada por Lúcio Flávio, formou com Diego Loureiro; Kevin, Marcelo Benevenuto, Sousa e Hugo; Kayque (Wendel) e Luiz Otávio (Lecaros); Warley (Davi Araújo), Cesinha (Matheus Nascimento) e Ênio; Matheus Babi (Rafael Navarro).
As demais modalidades desportivas
acompanharam o desastre, tendo o basquete, que se sagrara Campeão da Liga
Sul-americana de Basquetebol em 2019, sido prejudicado nas suas finanças – que
eram baseadas em participações exteriores especificamente orientadas para o
basquete – e a equipe de basquete desmoronou-se.
Campanha completa do basquete em https://mundobotafogo.blogspot.com/2019/12/botafogo-e-campeao-da-liga-sul.html
O polo aquático, que era tetracampeão
Sul-americano em 2016-2017-2018-2019 não competiu em 2020 por falta de verbas
para deslocações.
Campanha completa do polo aquático em https://mundobotafogo.blogspot.com/2019/12/botafogo-tetracampeao-sul-americano-de.html
O remo sobreviveu à custa do extraordinário e
devotado técnico Paulinho, que juntamente com os remadores que ficaram, lutaram
por todos os meios para se manterem à tona e, apesar do enormes contratempos,
conseguirem segurar-se como o segundo clube mais importante do país no remo.
É bem provável que se o Remo não fosse
obrigatório por estatuto também seria desmembrado, ou extinto, como viria a
ocorrer com outras modalidades desportivas em 2021, já sob a presidência de
Durcesio Mello, o amigo de infância de Montenegro, que em 24 de novembro de
2020 venceu as eleições do Botafogo para o quadriênio 2021-2024.
Fontes principais: interativos.ge.globo.com; mundobotafogo.blogspot.com; www.fogaonet.com.









