sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

O futebol perdeu o encanto…

Final da Copa do Mundo de 1962 / Reprodução.

por TOSTÃO | Coluna do Tostão | A Tarde

Os anos 50, 60 e 70 foram períodos de encantamento com o futebol por causa dos grandes craques, times e da maneira lúdica e ofensiva de jogar.

Santos de Pelé, o Botafogo de Garrincha, o Real Madrid de Di Stéfano, o Benfica de Eusébio, e as seleções da Holanda de 1974 e do Brasil de 1958, 1962 e 1970 fascinaram o mundo da bola.

Após a derrota da excepcional Seleção Brasileira de 1982, repleta de craques, e com a ascensão da ciência esportiva, houve uma enorme valorização da estratégia de jogo, da disciplina tática e do pragmatismo.

Durante as décadas de 80 e 90, o futebol ficou mais defensivo, feio e chato, mesmo com muitos craques.

O escritor uruguaio Eduardo Galeano sintetizou o momento ao dizer:

“O futebol é uma triste viagem do prazer ao dever.”

O BRILHO QUE SOBREVIVEU EM MEIO AO TÉDIO

Durante a Copa de 2002, vencida pelo Brasil, jornalistas alemães afirmaram que a seleção da Alemanha era a pior da história — ainda assim, foi vice-campeã.

O Brasil, mesmo preso à velha estratégia, venceu graças ao talento de Ronaldo, Ronaldinho e Rivaldo.

Após o Mundial, cresceu o consenso de que o futebol precisava voltar a encantar.

Barcelona de Guardiola, com Xavi, Iniesta, Busquets, Ronaldinho e Messi, revolucionou o futebol mundial com um estilo bonito e eficiente, baseado em toques rápidos e coletividade.

DA HOLANDA À ESPANHA: A REINVENÇÃO DO JOGO

Guardiola se inspirou em Johan Cruyff, que havia sido técnico e jogador do Barcelona, influenciado por Rinus Michels, criador da “Laranja Mecânica” de 1974.

Espanha, seguindo esse modelo, encantou o mundo e foi campeã mundial em 2010 bicampeã europeia em 2008 e 2012.

A partir daí, a maioria das seleções europeias adotou o estilo espanhol, mantendo suas particularidades nacionais.

O BRASIL FICOU PARA TRÁS

Nos últimos anos, o futebol mundial tornou-se intenso, compacto e veloz, alternando trocas curtas de passes com transições rápidas da defesa ao ataque.

Enquanto isso, o futebol brasileiro estagnou, incapaz de acompanhar a evolução — uma das razões da perda dos últimos cinco títulos mundiais (2006 a 2022).

Há sinais de mudança, mas o atraso técnico e estrutural ainda pesa.

O técnico Leonardo Jardim, do Cruzeiro, merece elogios pelas críticas aos gramados ruins, à arbitragem deficiente e ao calendário insano — pontos também denunciados há anos por Abel Ferreira.

má formação dos árbitros e o comportamento belicoso dos jogadores tornaram o espetáculo menos nobre.

A falta de orientação técnica e disciplinar é generalizada.

O FUTURO PRECISA SER CONSTRUÍDO

Temo que, no futuro, a história conte que existiu um país chamado Brasil, o país do futebol, que teve um rei chamado Pelé, muitos craques e um estilo bonito e fascinante.

O mundo parava para ver o Brasil jogar.

Hoje, por incompetência e desorganização, o futebol brasileiro se tornou igual ou inferior aos demais.

futuro não é destino — é construção.

Fonte: https://atarde.com.br/colunistas/coluna-do-tostao/o-futebol-perdeu-o-encanto-e-precisa-reencontrar-sua-alma-1366272

Luiz Henrique, 2024

Fonte: X / @fotosdobotafogo

«Gol em final, gol em semifinal, gol em oitavas, gol em todos os clássicos, foi Rei da América, Melhor jogador do Brasileirão e protagonista das nossas memórias mais catárticas e eternas.» – in X / @fotosdobotafogo

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Botafogo minimalista em gols – 2ª rodada da Copa São Paulo Júnior

Fonte: X / Botafogo FR | Foto: Henrique Lima

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

O Botafogo apresentou-se muito diferente na 2ª rodada da Copinha, jogando com mais critério e intensidade desde os primeiros minutos, criando a primeira oportunidade logo as 3’ quando Kauan Toledo serviu Arthur Izaque, que tocou a bola para uma grande defesa de Elio Vinícius.

Arthur Izaque continuou tentando o gol, mas incrivelmente desperdiçou aos 9’ junto à trave, não se mostrando, durante a partida, à altura de substituir Kadir. Porém, o Botafogo continuou ao ataque trocando bons passes, ganhando as segundas bolas, efetuando muitos cruzamentos para a área, superiorizando-se quase sempre no jogo aéreo – talvez até excessivo jogo aéreo – e explorando sobretudo a ala esquerda através da Kauã Cruz e Kauan Toledo, mas as jogadas paravam na eficiência do goleiro ou do zagueiro PH.

Após várias investidas e com o goleiro adversário em grande noite, Caio Valle tabelou com Cauã Zapellini, que se livrou muito bem da marcação e dessa vez não deu chances a Elio Vinícius, abrindo o placar aos 21’. Botafogo 1x0.

Aos 26’ Kauã Cruz rematou fora da área e novamente o goleiro adversário se fez presente. O Botafogo continuava criando sem que o Estrela conseguisse aparecer com perigo. Pela meia hora de jogo a nossa equipe baixou o ritmo, mas, ainda assim, aos 39’, Kauan Toledo serviu Kadu que levou a bola à trave.

Aos 41’ Cauã Zapellini tentou ampliar o placar, mas cabeceou para fora, tal como Justino aos 44’. Enfim, foi um primeiro tempo totalmente botafoguense com desperdício de inúmeras oportunidades que poderiam ter dado uma vantagem folgada, em vez do placar de vantagem mínima.  

No 2º tempo, com Gabriel Felipe no lugar de Kadu, o Botafogo tornou a ir para cima do Estrela, pressionou e criou diversos ataques. Aos 55’ Kauan Toledo rematou e Elio Vinícius continuou em grande forma, defendendo espetacularmente.

Entretanto Kauã Zapellini saiu lesionado e o Botafogo diminuiu a sua qualidade criativa de ataque, bem como também sentiu menos frescura física, embora continuasse a dominar o adversário, esbarrando na defesa cerrada do Estrela.

Após a parada técnica Rodrigo Bellão procurou refrescar o meio campo e o ataque e novamente Izaque, aos 74’, desaproveitou uma falha de PH jogando com cãibras e da marca do penalty isolou uma bola que noutras circunstâncias levaria o selo de gol.

Mais ansioso do que na primeira parte da partida, o Botafogo perdeu novas oportunidades, e nem as substituições mudaram o panorama.

A equipe ganhou novamente pelo placar mínimo, tem condições de seguir para a fase seguinte em primeiro lugar, mas tem que treinar muito mais para refinar o ataque, sobretudo com bola no solo, e as finalizações.

Há alguns destaques interessantes nos dois jogos do Botafogo: por exemplo, Kauan Toledo, Cauã Zapellini, Kauã Cruz e, eventualmente, alguns jogadores da linha defensiva, mas isso só sobressairá em jogos contra equipes com melhores ataques do que o Águia de Marabá e o Estrela de Março. A nota negativa pertence claramente a Arthur Izaque, que perdeu seguramente três gols quase feitos.

Em suma, há condições de se seguir em frente e de melhorar, bem como começar a preparar alguns jogadores para, num futuro próximo, atuarem na equipe principal.

FICHA TÉCNICA

Botafogo 1x0 Estrela de Março

» Gols: Cauã Zapellini, aos 21’

» Competição: Copa São Paulo de Futebol Júnior

» Data: 07.01.2026

» Local: Estádio Joaquim de Moraes Filho, em Taubaté (SP)

Árbitro: Ronald Horns Araújo; Assistentes: Maria Eduarda Silva Pires e Viviane Pereira Lopes.

» Disciplina: cartão amarelo – Caio Valle (Botafogo) e Gabriel Carvalho (Estrela de Março)

» Botafogo: Cléber Lucas; Kadu (Gabriel Felipe), Danillo, Justino (Kauã Branco) e Kauã Cruz; Lucas Camilo (Gustavo Pereira), Cauã Zapellini (Bernardo Valim) e Caio Valle; Felipe Januário, Arthur Izaque (Matheus Fortunato) e Kauan Toledo (Matheusinho). Técnico: Rodrigo Bellão.

» Estrela de Março: Elio Vinícius; Kaique Levi (Anthony), Aleck (Gabriel Saldanha), PH e Alexsandro; Jhon Marlley (Capela), Pedro Guilherme (Nego) e Gabriel Carvalho (Marcos Paulo); Dudu (Thailon), Alisson e Raí. Técnico: Júnior Nogueira.

Mané Garrincha, 1962

Fonte: X / @fotosdobotafogo

«Campeão Mundial, Melhor da Copa, Artilheiro da Copa, maior assistente da Copa, maior driblador da Copa, maior atuação individual da história das Copas, reconhecido como justo Ballon D'Or de 1962. Mané Garrincha, do Botafogo.» – in X / @fotosdobotafogo

O futebol perdeu o encanto…

Final da Copa do Mundo de 1962 / Reprodução. por TOSTÃO | Coluna do Tostão | A Tarde Os  anos 50, 60 e 70  foram períodos de  encantamen...