terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Um beijo no seu coração

por LÚCIA SENNA | Escritora e Cantora | Cronista do Mundo Botafogo

Descobri, há tempos, que o meu coração não bate – ele toca. É um verdadeiro rádio comunitário que funciona sem patrocínio, com programação caótica, vinhetas improvisadas e uma apresentadora dramática: eu mesma.

Sou dessas que escuta uma música romântica e já começa a chorar antes mesmo do refrão. Basta ouvir um “eu sei que vou te amar” pra me transformar numa heroína de novela mexicana, enxugando os olhos com o guardanapo e suspirando como se o amor estivesse atrasado no trânsito.

De manhã, ele começa suave, com uma MPB otimista do tipo “hoje vai dar tudo certo”. Mas basta eu abrir o aplicativo do banco e ver o saldo, pra trilha sonora mudar automaticamente para um tango sofrido, daqueles que já vêm com cheiro de lágrima e café requentado.

E foi numa dessas fases de “quero colocar drama na vida” que resolvi fazer aulas de tango na Lapa. Ah, o tango... meu coração, confesso, tem alma portenha. A escola funcionava numa casa tão antiga que as escadas gemiam, como se tivessem artrite. O chão rangia em compasso 2x4, e as janelas se abriam sozinhas, como num filme de Almodóvar com orçamento baixo.

Foi aí que conheci ele – o inesquecível, o inclassificável, o irresistivelmente desajeitado galã de subúrbio: Don Carlito Bandoneón.

Ah, Don Carlito... um homem que parecia ter nascido de sapato de verniz. Magro, elegante, com um bigodinho que fazia curvas como o compasso de uma milonga. Usava sempre perfume forte o bastante pra ser sentido em outra encarnação. E dançava com uma seriedade quase religiosa,  como se o destino da humanidade dependesse da firmeza do seu quadril.   

“Querida”, dizia ele, ajeitando o paletó, “no tango não se dança, se confessa pecados com os pés.”

E lá ia eu, toda compenetrada, tentando seguir seus passos e disfarçar o medo de virar penitente. O problema é que Don Carlito tinha o pé leve – leve pra dançar e pra pisar no dos outros. Cada aula era uma mistura de sensualidade e ortopedia. E quando eu reclamava, ele me fitava com olhos de telenovela e dizia:

“Foi o destino, querida... o destino me fez pisar em você. E como brigar com o destino, não é mesmo?” Ou ainda:

“No tango, querida, não se dança; se sofre com elegância.” E foi assim que, aos poucos, fui descobrindo que o sofrimento não era apenas metafórico.

Depois da aula, ele se sentava na varanda, tirava um lenço do bolso e secava o suor como quem limpava lembranças. Dizia ter dançado em Buenos Aires, Paris e até em Bonsucesso – sempre com o mesmo coração partido e a mesmíssima calça justa.

Mas o tango é só uma das estações do meu coração. Porque esse rádio toca de tudo – brega, samba, bolero, funk e até aquele sertanejo que a gente canta chorando, fingindo que é ironia. Sim, confesso: sou brega. Ouço Reginaldo Rossi e já fico derretida.

“Um beijo no seu coração”, que frase linda! Brega? Com toda certeza. Mas quem precisa de licença poética quando se tem um refrão desses? O brega é honesto, é emocional sem medo, é o coração falando alto – e desafinado.

E quando tocam Lupicínio Rodrigues, então...

Ah, Lupicínio! Aquele homem sabia sofrer com categoria, como ninguém. Outro dia, coloquei “Nervos de Aço” pra tocar, e no primeiro verso:

“Há pessoas com nervos de aço, sem sangue nas veias e sem coração”, já senti o colapso emocional se aproximando. Que exagero, maravilhoso! Eu ali, deitada no tapete da sala, pensando: “É isso, Lupi, eu também sou dessas, mas com trilha sonora em estéreo!”

E quando chega na parte: “Eu não sei se o que trago no peito, é ciúme, despeito, amizade ou horror... Eu só sei que quando a vejo, me dá um desejo de morte ou de dor...”, me entrego de vez e viro figurante da minha própria fossa.

Descobri que o zumbido no ouvido, tem diagnóstico simples: excesso de trilha sonora interna, uma overdose de ritmos, lembranças, dramas e paixões. O DJ que mora no meu peito é completamente descontrolado. Mistura tango com funk, samba com bolero e ainda bota um Lupicínio no meio só pra ver se eu aguento.

Mas, sinceramente, eu gosto disso. Gosto dessa bagunça sonora que me faz rir, chorar, rebolar e tudo ao mesmo tempo. Porque, no fundo, ter um coração barulhento é a maior prova de que ele ainda está bem vivo.

E se um dia, você me vir andando pelas ruas, sorrindo pro nada, pode apostar: é o Don Carlito Bandoneón que voltou a me chamar pra dançar – lá de dentro da memória, com o bigodinho torto, o olhar de novela e aquele sotaque inconfundível. 

E como boa radialista do amor, deixo o recado final, com voz de apresentadora brega da madrugada:

“Um beijo no seu coração, ouvinte querido”.

Nota do Mundo Botafogo: todas as crônicas da autora podem ser lidas na etiqueta/rubrica com a seguinte denominação: letras lúciasenna.

Já tem calendário 2026, caro/a leitor/a?

Fonte: Facebook ‘Pela Paixão ao Botafogo’.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Botafogo de Futebol e Regatas no álbum de figurinhas ‘Panini Fifa 365’

Crédito: Panini / Divulgação.

A Panini anunciou publicamente o lançamento do álbum de figurinhas ‘Panini Fifa 365’ como prelúdio da Copa do Mundo de 2026, que inclui o Botafogo de Futebol e Regatas, representante brasileiro e sul-americano, ao lado de outros gigantes do futebol mundial como Barcelona, Bayern München, Internazionale, Juventus, Liverpool, Manchester City, Manchester United, Milan, Paris SG ou Real Madrid.

O álbum é composto de 524 figurinhas e apresenta as seções: ‘Batalha de Lendas’ (jovens promessas versus nomes consagrados); ‘Rivais Nacionais’ (craques que se enfrentaram em ligas nacionais); ‘Defende ou Marca’ (atacantes versus goleiros); ‘Confrontos Continentais’ (estrelas dos mesmos continentes); ‘Batalha de Estilos’ (disputas de jogadores com características variadas); e ‘Elite’ (os 12 craques principais).

O Botafogo regressando ao palco do mundo desde 2024, cinco décadas depois de Garrincha, Nilton Santos, Didi, Quarentinha, Manga, Gérson, Amarildo, Zagallo, Jairzinho, Roberto Miranda e Paul César ‘Caju’.

A continuidade desse palco depende decisivamente da visão que John Textor defina para o Clube nos próximos anos.

Em artigo anterior do Mundo Botafogo que inquiriu o ChatGPT sobre missão, visão, valores e objetivos estratégico para o nosso Clube, considerando a sua história, identidade e contexto atual, a resposta sobre a visão foi a seguinte:

Ser reconhecido nacional e internacionalmente com um clube de referência em gestão, desempenho esportivo, formação de atletas e contribuição social, mantendo viva a tradição e o orgulho de ser Botafogo.”

(http://mundobotafogo.blogspot.com/2025/10/escopo-do-botafogo-segundo-o-chatgpt.html

Botafogo da Pitombeira é campeão sumeense de futebol society

Fonte: www.vitrinedocariri.com.br

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

O Botafogo da Pitombeira, município de Sumé, estado da Paraíba, conquistou o Campeonato Sumeense de Futebol Society Veteranos 40+, organizado pelo Departamento de Esportes da Prefeitura de Sumé, cuja final decorreu no campo da Escola Agrotécnica, no dia 22 de janeiro de 2026.

Na final o Botafogo empatou com o Proálcool por 0x0 no tempo regulamentar, conquistando o título na decisão por penalidades máximas. O pódio foi completado com o 3º lugar alcançado pelo Botafogo de Carro Quebrado.

Fonte: https://www.vitrinedocariri.com.br

Um beijo no seu coração

por LÚCIA SENNA | Escritora e Cantora | Cronista do Mundo Botafogo Descobri, há tempos, que o meu coração não bate – ele toca. É um verd...