sexta-feira, 28 de novembro de 2025

‘Maninho’: candidatura e biografia – as muitas e tantas histórias botafoguenses

Emmanuel Sodré Viveiros de Castro, o ‘Maninho’. Crédito: Boletim Informativo do Botafogo, nº 241, capa.

Nota preliminar: Emmanuel Sodré Viveiros de Castro (n. 13 de janeiro de 1920 e f. 7 de dezembro de 2005), carinhosamente tratado por ‘Maninho’, foi advogado, campeão de futebol e presidente do Botafogo de Futebol e Regatas nos anos de 1983 e 1984. Homem de boa vontade assumiu o risco de presidir ao Clube quando a nau estava corroída por muitos rombos no casco. Maninho esforçou-se muito para levar a nau a bom porto, mas acabou por não conseguir, tantos eram os obstáculos. Antes disso esboçara a sua candidatura ao Clube em 1981, e o texto que se apresenta responde à indagação do repórter botafoguense sobre “o que motivou, da sua parte, a aceitação da sua candidatura à presidência do Botafogo?”

Gentileza de ANGELO SERAPHINI, ex-dirigente do Glorioso.

«Emmanuel Sodré Viveiros de Castro assim respondeu à pergunta desta Revista:

– “Olha, gente, muita coisa. Em primeiro lugar, acho que foi um problema de genética. O meu avô materno, Senador Lauro Sodré, foi feito sócio honorário do Botafogo porque muito ajudou o nosso Clube na posse e utilização do campo original, no Largo dos Leões. Depois ajudou, decisivamente, a obtenção do terreno de General Severiano, ainda quando eu nem havia nascido. O meu pai, Comandante Eurico Parga Viveiros de Castro, oficial de marinha, foi um dos fundadores do Botafogo, e seu atleta de futebol amador, na década de 1910. Foi Vice-Presidente e Diretor do Clube em mais de uma oportunidade. O desembargador Emmanuel de Almeida Sodré, meu tio, irmã da minha mãe, um dos dois fundadores vivos do Botafogo, foi campeão em 1910.

Equipe campeã carioca de Infantis de 1932: agachados, a partir da esquerda, Williams, Dário, Zé Américo, Careca, Fernandes, Ormindo (irmão de Maninho), Augusto, Jairo, Melado, Darcy, José Neder e, na ponta, Maninho. Em pé, a partir da esquerda, vê-se a equipe principal que nesse mesmo dia também se sagrou campeã carioca, composta por Vitor, Carvalho Leite, Canalli, Martim, Rogério, Álvaro, Paulo Goulart, Rodrigue, Almir, Ariel, Nilo, Afonso e Celso. Crédito: Boletim Informativo do Botafogo, nº 241, p. 12.

“O Almirante Benjamin Sodré, o celebrado Mimi Sodré, outro irmão da minha mãe, foi atleta renomado, à época (1910/1915), tendo sido Presidente do Botafogo. Minha mãe, Orminda Sodré Viveiros de Castro foi, na sua santa vida de mãe, esposa, avó e bisavó exemplar, uma botafoguense apaixonada. De certa feita telefonou para o Nilton Santos, “dedurando” um atleta profissional que, em um programa de rádio, às 2 horas da madrugada, havia falado mal do Clube. “Dica” que levou o inteligente (também fora do campo) Nilton Santos a replicar: “Mas D. Orminda, eu não sabia que a Sra. era ouvinte do programa “bandeira 2”. Porém, vamos providenciar.”

E prosseguiu o nosso “Maninho”:

– “A minha mãe, pouco antes de morrer, telefonou para o Presidente Charle Borer, informando-o de que, na Bahia, existia um excelente atleta, chamado Perivaldo. Foi sepultada envolta na bandeira do Botafogo. O meu irmão Ormindo, o Padre Viveiros, jesuíta, ex-Reitor do Colégio Santo Inácio e da PUC, e ainda professor na mesma Universidade, foi meu companheiro no time infantil de 1932, campeão invicto da categoria, na antiga AMEA.”

“O meu amigo João Saldanha está aí para atestar que o Ormindo foi um precursor do Pelé – “cobra” dos “cobras”, à época, com 14 anos de idade, quando se retirou para cursar o Seminário dos Jesuítas – que fazia o Nilo Murtinho Braga e o Martim Silveira irem assistir todos os jogos do infantil de 32, só para ver o Ormindo jogar. É isso aí.”

Equipe campeã carioca de Juvenis de 1935: a partir da esquerda, em pé, Joãozinho, Lourival e Careca, Napolitano e Vivi; no meio, Roberto, Maninho e Valadão; sentados, Carlinhos, Milton e Melado. Crédito: Boletim Informativo do Botafogo, nº 241, p. 14.

E continuou inda Emmanuel Sodré Viveiro de Castro, na sua resposta:

 – “Em segundo lugar, ou em “segundo primo loco”, como dizia o Mendonça Falcão, estou atendendo a um chamamento, não só da voz do sangue – e quem usaria desatender a uma convocação dessa ordem? – mas também estou respondendo a encantos, e cantos, de um antigo, insistente “namoro”. Eu resistindo – os interesses da minha família (mulher e filhos), e mais os clientes, docemente constrangidos, “votando” contra – mas os amigos botafoguenses (minha família também, pois não?) insistindo e insistindo, me convocando. Então, realmente, não resisti. Tenho 6 (seis) filhos, já plantei muitas árvores e já escrevi tanto e tanto, no campo da minha atividade profissional, que já “escrevi” até vários livros. Então, pensei comigo mesmo: já não está na hora – por pura paixão, pela paixão pura, esta a verdadeira mola da vida – já não está na hora de assumir os riscos e responsabilidade de uma sadia… “maluquice”?”

E concluiu “Maninho” a nossa indagação:

– “Porque, estou sabendo, presidir um clube de futebol, no Brasil, nos dias de hoje, mesmo que esse Clube tenha o amorável nome BOTAFOGO, mais do que um ato de coragem, não é um ato de audácia? Parece que é. Mas, estamos aí. EU VOU NESSA. E comigo venham, de alma aberta, todos os botafoguenses de coração, verdadeiramente, preto e branco!”.»

Equipe bicampeã carioca de Amadores de 1941-1942: a partira da esquerda, Maninho, René, Augustinho Williensens, Cid, Paulinho Tovar, Mato Grosso, Zé Américo, Hélio, Rui, Dunga e Hilário. Crédito: Boletim Informativo do Botafogo, nº 241, p. 15.

BIOGRAFIA ABREVIADA DE ‘MANINHO’

Campeão infantil em 1932. Campeão juvenil em 1935. Bicampeão amador em 1942-1943. Bicampeão universitário brasileiro pela Seleção Carioca em 1941-1942.

Diretor Jurídico de 1948 a 1954, representando o Clube em quase todas as federações e Tribunais Desportivos (de futebol, remo, basquetebol, voleibol, etc.). Secretário-Geral da CBD (atual CBF) em 1954-1955. Juiz do Superior Tribunal de Justiça Desportiva da CBD de 1970 a 1978, tendo integrado o Tribunal Disciplinar da FIFA. Membro do Conselho Nacional de Desportos em 1981 com mandato de 4 anos, nomeado pelo Presidente da República.

Candidato à Presidência do Botafogo pela situação, perdeu as eleições para Juca Mello Machado (1981-1982), mas nas eleições seguintes tornou-se presidente do Botafogo de Futebol e Regatas (1983-1984).

Sócio Emérito, Benemérito e Grande Benemérito do Botafogo. Sócio Benemérito da Confederação Brasileira de Desportos. Sócio Benemérito da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro.

Profissional Liberal especializado em Direito do Trabalho, tendo integrado por duas vezes Conselho Seccional da Ordem do Advogados do Brasil e num dos mandatos foi Presidente da Comissão de Ética e Disciplina da OAB-RJ.

Fonte: Boletim Informativo do Botafogo, n.º 241, capa e pp. 1, 2, 3, 12, 14 e 15.

Robson Marfa campeão estadual sênior liso 2025

Crédito: FEFUMERJ.

por RUY MOURA (texto adaptado) | ROBSON MARFA (informação original), Vice-presidente 1 Toque

Robson Marfa, representando o Botafogo FR, sagrou-se Campeão Estadual Sênior Liso, competição organizada pela Federação de Futebol de Mesa do Estado do Rio de Janeiro, que decorreu nas instalações da Associação Atlética Portuguesa, no dia 15 de novembro de 2025.

Concorreram nove atletas divididos em três grupos na fase inicial. Após a classificação na fase de grupos, Robson Marfa venceu Rogério Couto, da AA Portuguesa, e na final superou Hércules Oliveira, do Olaria AC, conquistando o seu 1º título estadual da categoria.

PÓDIO DOS SEMIFINALISTAS

Campeão: Robson Marfa (Botafogo FR)

Vice-campeão: Hércules Oliveira (Olaria AC)

3º lugar: Rogério Couto (AA Portuguesa)

4º lugar: Halisson Carneiro (Botafogo FR)

Texto: Robson Marfa | Vice-presidente 1 Toque | FEFUMERJ

quinta-feira, 27 de novembro de 2025

Coletânea Biográfica - 7 Meio-campistas (n.º 8)

Didi, o ‘Senhor Futebol”, Bola de Ouro na Copa do Mundo de 1958, quiçá o melhor meio-campista de todos os tempos.

Futebolistas selecionados por RUY MOURA, SERGIO DI SABBATO & JOSÉ VANILSON JULIÃO | Editor e Colaboradores do Mundo Botafogo

Sétima publicação da série ‘Coletânea Biográfica’ – meias que atuaram pelo Botafogo de Futebol e Regatas.

Didi: o ‘Príncipe Etíope’

http://mundobotafogo.blogspot.com/2022/09/didi-o-cara-que-jogava-de-terno-no.html

https://mundobotafogo.blogspot.com/2009/08/didi-o-principe-etiope.html

Dirceu: o ‘Formiguinha’ versátil

https://mundobotafogo.blogspot.com/2017/09/dirceu-o-formiguinha-versatil.html

Dino da Costa: revelação botafoguense

http://mundobotafogo.blogspot.com/2009/07/dino-da-costa-revelacao-botafoguense_29.html

https://mundobotafogo.blogspot.com/2020/11/obrigado-dino-da-costa.html

Martim Silveira: craque dono do meio-campo

https://mundobotafogo.blogspot.com/2017/03/martim-silveira-craque-dono-do-meio.html

Mendonça: o homem do drible ‘baila comigo’

https://mundobotafogo.blogspot.com/2008/02/mendona-o-homem-do-drible-baila-comigo.html

Seedorf: uma carreira notável

https://mundobotafogo.blogspot.com/2012/07/clarence-seedorf-uma-carreira-notavel.html

Sergio Manoel: carreira longa, sucesso no Botafogo

https://mundobotafogo.blogspot.com/2018/01/sergio-manoel-carreira-longa-sucesso-no_4.html

Carta de Vinicius Assumpção e seis Conselheiros aos Alvinegros

«Caros amigos alvinegros,

O Botafogo vive um momento crítico. A disputa entre acionistas da EAGLE e da SAF Botafogo já prejudicou a atual temporada e ameaça agora comprometer o planejamento para 2026. É natural que todos nós, apaixonados pelo Clube, estejamos preocupados. No entanto, é justamente em momentos assim que responsabilidade, diálogo e serenidade devem prevalecer.

O Clube Social, detentor de 10% das ações da SAF e com assento no Conselho de Administração, poderia – e deveria – exercer sua influência por meio de conversas francas, internas e construtivas, buscando contribuir para a solução rápida desse impasse. Infelizmente, o que se viu foi a adoção de uma medida judicial sem qualquer diálogo prévio com a SAF ou mesmo com os Poderes do próprio Clube. Essa atitude não apenas prolonga o conflito, como enfraquece a relação institucional entre as partes, expondo o Botafogo a uma mídia que, em verdade, deseja ver o “Glorioso” voltar a ocupar um papel subalterno.

Os defensores da ação afirmam atuar para proteger o Acordo de Acionistas e os interesses do Botafogo. Mas é legítimo perguntar: quais interesses estão de fato buscando proteger? Na última reunião do Conselho Deliberativo, quando conselheiros cobraram informações sobre a relação com a SAF, muitos dos que agora se dizem defensores do “controle e da fiscalização” criticaram firmemente qualquer questionamento. Até outro dia, repetiam que a SAF, por deter 90% do capital, não deveria ser cobrada por quem possui apenas 10%. Agora, apresentam um discurso inverso. O que mudou de lá para cá? Que interesses foram contrariados? A quem serve esse movimento?

Desde sua criação, há três anos, a SAF promoveu investimentos evidentes em infraestrutura, profissionalização e nas equipes de futebol. O que foi construído é visível até para os mais céticos. Se há ajustes a fazer, eles devem ser debatidos internamente, com transparência e responsabilidade, nunca por meio de ações intempestivas que podem fragilizar o Botafogo.

A iniciativa da atual direção do Clube Social de recorrer à Justiça não protege o Botafogo: ela representa um movimento político de grupos que, após conduzirem o Clube a uma situação de insolvência, buscam agora retomar a influência perdida no futebol.

A torcida e os grandes botafoguenses não podem ser novamente enganados por aqueles que já destruíram nosso futebol, deixando um rastro de dívidas, crises e humilhações.

Reafirmamos nosso apoio à profissionalização do futebol do Botafogo, à SAF e ao trabalho liderado por John Textor. Isso não significa ausência de questionamentos – ao contrário, defendemos compliance, transparência e relações institucionais maduras, como demandamos na última reunião do Conselho Deliberativo. Mas entendemos que o caminho construído na gestão passada, com resultados claros, deve ser mantido e aprimorado. Ajustes são necessários, mas devem ser fruto do diálogo, nunca de ações intempestivas.

Queremos reviver dias como o 30 de novembro de 2024, quando o Botafogo voltou a mostrar ao país a grandeza que lhe é própria. E é certo que não será por meio dos mesmos que já afundaram o Clube no passado que construiremos o futuro que desejamos.

Que prevaleçam a razão, o bom senso e o compromisso genuíno com o Botafogo. Saudações Alvinegras!»

Carta assinada por: Vinicius Assumpção, ex-Vice-presidente geral do Botafogo no mandato de Durcesio Mello, e os Conselheiros Tom Meirelles, Mauro Sodré, Marcos Cortesão, Luiz Octávio Baptista Vieira, Jorge Magdaleno e Charles Domingues. (*)

(* Além dos signatários, mais 24 Conselheiros aderiram à Carta, num total de 31 membros.)

‘Maninho’: candidatura e biografia – as muitas e tantas histórias botafoguenses

Emmanuel Sodré Viveiros de Castro, o ‘Maninho’. Crédito: Boletim Informativo do Botafogo, nº 241, capa. Nota preliminar: Emmanuel Sodré Vi...