quarta-feira, 24 de junho de 2026

Copa do Mundo de 1982: a ‘vergonha de Gijón’, o recorde de Dino Zoff e a superação de Paolo Rossi

Cartaz da Copa do Mundo de 1982. Crédito: Reprodução.

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

A Copa do Mundo de 1982, realizada em Espanha entre 13 de junho e 11 de julho,  foi também a primeira fase final com 24 seleções, em vez de 16, e terminou com a vitória da Itália, que derrotou a Alemanha Ocidental por 3x1 na final, no Estádio Santiago Bernabéu, em Madrid.

A Itália teve um início pouco convincente, empatando os três jogos com Polónia, Peru e Camarões e classificando-se apenas pelo saldo de gols. Porém, a equipe de Enzo Bearzot cresceu ao longo da competição e a partir da segunda fase, eliminou a Argentina de Maradona, depois venceu o Brasil num dos jogos mais célebres da história dos Mundiais, afastou a Polónia nas semifinais e superou a Alemanha Ocidental na final, destacando-se a grande figura de Paolo Rossi, que de discreto passou a artilheiro da Copa, com seis golos, e consagrou-se o melhor atleta da competição.

O Brasil de Telê Santana foi das seleções mais admiradas que nunca ganharam um Mundial, dispondo de jogadores como Zico, Sócrates, Falcão, Éder, Júnior e Cerezo e jogando um futebol ofensivo, técnico e muito fluido.

Botafogo de 1981. Em pé: Gaúcho, Zé Eduardo, Rocha, Serginho, Paulo Sérgio e Perivaldo. Agachados: Édson, Mendonça, Mirandinha, Marcelo e Ziza. Crédito: Ignácio Ferreira | revista Placar – 50 times do Botafogo.

Na primeira fase o Brasil impressionou, derrotando a União Soviética, a Escócia e a Nova Zelândia; na segunda fase venceu a Argentina por 3x1, mas depois baqueou frente à Itália, perdendo por 3x2 com hat-trick de Paolo Rossi.

Paolo Rossi quase não se destacou na fase inicial, mas foi absolutamente decisivo marcando 6 gols nas fases cruciais da competição: fez 3 gols ao Brasil, 2 gols à Polônia nas semifinais e 1 gol à Alemanha Ocidental na final, assumindo-se como figura central da Copa e símbolo da capacidade italiana de resistir, sofrer e vencer.

Em matéria de controvérsia destacou-se  jogo Alemanha Ocidental x Áustria. A Argélia surpreendera a Alemanha Ocidental vencendo por 2x1, mas no último jogo entre alemães e austríacos, ambas as equipes se qualificavam se os alemães vencessem apenas por um ou dois gols.

A Alemanha marcou cedo, o jogo entrou em versão lenta e terminou em 1x0, eliminando a Argélia, ficando o episódio conhecido como a ‘vergonha de Gijón’, onde se disputou a partida, e teve como consequência que as Copas seguintes tivessem os últimos jogos de cada grupo disputados à mesma hora.

Sócrates e Dino Zoff, capitães do Brasil e da Itália trocando galhardetes. Crédito: DR | FIFA.

A Argélia ficou apenas com a honra de ter afirmado mundialmente o futebol africano fora do eixo europeu e sul-americano.

A semifinal entre França e Alemanha Ocidental, em Sevilha, foi um dos grandes jogos da história dos Mundiais. Terminou 3x3 após prolongamento e foi decidido nos pênaltis, com vitória alemã por 5x4.

O momento mais recordado foi o choque violento entre o goleiro alemão Harald Schumacher e o francês Patrick Battiston. Battiston ficou inconsciente e perdeu dentes, mas o árbitro não assinalou falta e o episódio foi dos mais polêmicos da história da competição.

A França, com Michel Platini, Alain Giresse, Jean Tigana e Luis Fernández, chegou a estar vencendo por 3x1 no prolongamento, mas a Alemanha Ocidental recuperou para 3x3 e venceu nos pênaltis.

Nesse ano Diego Maradona já era uma estrela, mas este não foi o seu Mundial de consagração, e a Argentina, campeã em título, não conseguiu repetir o sucesso de 1978.

Paolo Rossi, primeiro gol da final. Crédito: Peter Robinson -  EMPICS | Getty Images.

Na segunda fase os argentinos perderam com a Itália e depois com o Brasil. No jogo contra o Brasil, Maradona foi expulso após uma entrada sobre João Batista e aumentou a sua frustração na prova – mas o México esperava por ele em 1986.

Verificaram-se outros episódios marcantes, entre os quais a Hungria ter estabelecido a maior goleada da história dos Mundiais até hoje, vencendo El Salvador por absurdos 10x1!

Por seu lado, a Irlanda do Norte surpreendeu ao vencer a Espanha por 1x0, sobretudo porque os irlandeses jogaram parte do segundo tempo com dez jogadores.

A Seleção de Camarões foi eliminada sem perder qualquer jogo, registrando três empates na fase de grupos e colocando-se dignamente ao lado da Argélia como Seleção africana competitiva.

Na final, a Itália confirmou a sua transformação ao longo da prova. No 1º tempo Antonio Cabrini falhou um pênalti, mas os italianos dominaram a segunda parte. Paolo Rossi abriu o placar, Marco Tardelli fez o segundo gol e Alessandro Altobelli marcou o terceiro. Paul Breitner reduziu para a Alemanha Ocidental, mas a vitória italiana já estava consolidada.

Dino Zoff, a maior longevidade numa Copa do Mundo à data. Fonte: Facebook.

A imagem mais icônica da final foi o festejo de Marco Tardelli depois de marcar o segundo golo da Itália, lançando-se numa corrida emocionada que se tornou uma das celebrações mais famosas da história do futebol.

Com a conquista do 3º título mundial a Itália igualou o Brasil em número de títulos e o capitão e goleiro Dino Zoff, com 40 anos de idade, tornou-se o jogador mais velho a vencer uma Copa do Mundo.

Em resumo, a Copa do Mundo de 1982 ficou na história por várias razões: a vitória improvável de uma Itália inicialmente discreta; a queda estrondosa do Brasil de Zico, Sócrates e Falcão; a afirmação de Paolo Rossi como figura principal da competição; a injustiça sentida pela Argélia; a polémica de Gijón; a violência não sancionada sobre Battiston; e uma final em que a Itália mostrou eficácia, maturidade competitiva e força emocional.

FICHA TÉCNICA DA FINAL

Itália 3x1 Alemanha Ocidental

» Gols: Paolo Rossi, aos 57’, Marco Tardelli, aos 69’, e Alessandro Altobelli, aos 81’ (Itália); Paul Breitner, aos 83’ (Alemanha Ocidental)

» Data: 11 de julho de 1982

» Local: Estádio Santiago Bernabéu, em Madrid (Espanha)

» Público: ~90.000 espectadores

» Árbitro: Arnaldo Cézar Coleho (Brasil)

» Disciplina: cartão amarelo – Bruno Cnti e Gabriele Oriali (Itália) e Wolfgang Dremmler, Uli Stielike e Pierre Littbarski

» Itália: Dino Zoff; Claudio Gentile, Gaetano Scirea, Giuseppe Bergomi, Fulvio Collovati, Antonio Cabrini, Marco Tardelli, Gabriele Oriali, Bruno Conti, Francesco Graziani Alessandro Altobelli e depois Franco Caui) e Paolo Rossi. Técnico: Enzo Bearzot.

» Alemanha Ocidental: Harald Schumacher, Manfred Kaltz, Karl-Heinz Förster, Uli Stielike, Bernd Förster, Hans-Peter Briegel, Paul Breitner, Wolfgang Dremmler, Horst Hrubesch), Pierre Littbarski, Karl-Heinz Rummenigge Hansi Müller e Klaus Fischer. Técnico: Jupp Derwall.

Fontes: cincinnatisoccertalk.com; en.wikipedia.org; imortaisdofutebol.com, maisfutebol.iol.pt; www.britannica.com; www.fifa.com; www.ogol.com.br.

terça-feira, 23 de junho de 2026

Botafogo campeão da Copa Sul-Sudeste de Remo

Fonte: Facebook Johnny Rowing.

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

O Botafogo sagrou-se campeão da Copa Sul-Sudeste de Remo, competição chancelada pela Confederação Brasileira de Remo, realizada na pista de remo do Parque Náutico Municipal de Curitiba, em Curitiba, no estado do Paraná, e tendo por anfitrião o Clube de Regatas de Curitiba, entre os dias 16 e 21 de junho de 2026.

O Botafogo sagrou-se campeão da competição, tendo conquistado também o título geral masculino e o título geral feminino, obtendo 10 medalhas de Ouro na competição.

Classificação Final dos clubes medalhados a Ouro:

1º Botafogo FR (Ouro, 10; Prata, 1,5; Bronze, 2)

2º SC Corinthians Paulista (Ouro, 2,5; Prata, 3,5; Bronze, 0,5)

3º CNR Álvares Cabral (Ouro, 2; Prata, 5; Bronze, 0)

4º CN Francisco Martinelli (Ouro, 1,5; Prata, 4,0; Bronze, 1,5)

5º CP 1 de Dezembro (Ouro, 1; Prata, 2; Bronze, 2)

Nota: as medalhas fracionadas correspondem a barcos com tripulação mista.

Medalhas de Ouro do Glorioso Botafogo da Estrela Solitária:

2X FEMININO – SUB19 – 2000m

1º Botafogo FR (Sophia Santos de Almeida e Ana Clara Farias da Silva), em 8’04”15

1X MASCULINO SUB-15 – 1000m

1º Botafogo FR (Felipe da Rocha Miranda Fernandes) em 3’56”09

2X MASCULINO PESO LEVE SÊNIOR – 2000m

1° Botafogo FR (Marcelo Barbosa de Almeida e Alexandre Hahn Nóbrega Drumond), em 7’21”28

1X MASCULINO SUB-17 – 1500m

1° Botafogo FR (William Daniel Alves dos Santos), em 6’09”41

4X MASCULINO SÊNIOR – 2000m

1° Botafogo FR (Marcelo Barbosa de Almeida, Renato Cesar Cataldo Felizardo de Azevedo, Tiago Scarpati Franco e Pedro Henrique Alves de Souza Ferreira), em 6’26”49

Fonte: Facebook Johnny Rowing.

4- MASCULINO SUB-19 – 2000m

1° Botafogo FR (Nicolas de Oliveira Ladeira, Felipe da Rocha Miranda Fernandes, João Guilherme Vianna dos Santos Soares e Willian Daniel Alves dos Santos), em 6’46”12

4- MASCULINO SÊNIOR – 2000m

1° Botafogo FR (Marcelo Barbosa de Almeida, Renato Cesar Cataldo Felizardo de Azevedo, Pedro Henrique Alves de Souza Ferreira e Alan Rocha Rodrigues), em 6’45”73

2X MASCULINO SUB-19 – 2000m

1° Botafogo FR (João Guilherme Vianna dos Santos Soares e William Daniel Alves dos Santos), em 7’07”83

2- MASCULINO SUB-17 - 1500m

1° Botafogo FR (Nicolas de Oliveira Ladeira e Felipe da Rocha Miranda Fernandes), em 6’02”83

2X FEMININO PESO LEVE SÊNIOR – 2000m

1° Botafogo FR (Antônia Emanuelle Abreu Motta e Silviane Camargo Slembarski), em 7’58”61

Medalheiro de Ouro dos Atletas:

3 Ouros cada: Felipe da Rocha Miranda Fernandes, Marcelo Barbosa de Almeida e Willian Daniel Alves dos Santos.

2 Ouros cada: João Guilherme Vianna dos Santos Soares, Nicolas de Oliveira Ladeira, Pedro Henrique Alves de Souza Ferreira e Renato Cesar Cataldo Felizardo de Azevedo.

1 Ouro cada: Alan Rocha Rodrigues, Alexandre Hahn Nóbrega Drumond, Ana Clara Farias da Silva, Antônia Emanuelle Abreu Motta, Silviane Camargo Slembarski, Sophia Santos de Almeida e Tiago Scarpati Franco.

Fonte de resultados: www.remobrasil.com

segunda-feira, 22 de junho de 2026

Entre o céu e o inferno (X): de campeões da série B a campeões brasileiros e sul-americanos (2021-2024)

Fonte: Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

Durcesio Mello foi um presidente de sorte durante o seu mandato 2021-2024 na medida em que recebeu um legado dramático e, consequentemente, as expectativas de melhoria eram baixas, pelo que seria provável melhorar a gestão do Clube, ascender novamente à Série A e assim concretizar a iminência de o futebol do Botafogo despertar o interesse de investimento externo e tornar-se uma Sociedade Anônima do Futebol (SAF).

Na sua presidência foram bem cedo extintos definitivamente departamentos de modalidades de tão grandes tradições botafoguenses no Brasil e no exterior como a natação e o polo aquático, ao mesmo que a belíssima piscina do Mourisco, importante patrimônio alvinegro inaugurado na década de 1960, que servia as duas modalidades desportivas mencionadas, vinha encerrada e quebrada de mandatos anteriores, agravando-se as suas severas condições de degradação, sem nenhuma capacidade de injeção financeira para se proceder à sua reparação – até hoje.

Porém, face ao trágico ano de 2020, os holofotes dos alvinegros estavam focados no futebol, o carro-chefe do Botafogo, muito prestigiado outrora no mundo inteiro, e as modalidades ditas ‘olímpicas’ passaram naturalmente a segundo plano, incluindo o remo que, sendo estatutário, tinha a sua permanência garantida – e com um sucesso considerável devido ao esforço dos seus protagonistas, que conseguem, ainda atualmente, lutar remada a remada contra os atletas do clube da Gávea e conseguir títulos, como recentemente no Campeonato Brasileiro Interclubes de Remo Costal.

Ao mesmo tempo que o futebol do Botafogo se concentrava no objeto principal de regresso à Série A, também os seus dignitários buscavam atrair um investidor interessado em tornar-se acionista maioritário da SAF, que iria nascer se a busca fosse bem-sucedida.

Entretanto, Marcelo Chamusca, treinador contratado a 22 de fevereiro, não teve sucesso à frente do Botafogo e não conseguiu apresentações consistentes da equipe no campeonato brasileiro, tendo sido demitido a 13 de julho, apenas 141 dias depois de ser contratado, deixando o Botafogo na 14ª posição no campeonato e dando lugar, a 20 de julho de 2021, à contratação de Enderson Moreira, treinador muito habituado a sucessos com equipes da Série B.

Foi o homem certo no sítio certo.

Treinador cascudo, Enderson Moreira assenhoreou-se da equipe, liderando-a com muita assertividade, e o Botafogo foi subindo na classificação até se tornar candidato ao título de campeão brasileiro da Série B no dia 7 de novembro de 2021, goleando o Vasco da Gama por 4x0 e assumindo, pela 1ª vez, a liderança do campeonato com um ponto à frente do Coritiba.

Fontes: Liga Sudamericana de Baloncesto (LSB) e Confederación Sudamericana de Natación (CONSANAT).

No dia 21 de novembro de 2021 o Botafogo derrotou o Brasil de Pelotas fora de casa, por 1x0, gol de Diego Gonçalves, aos 20’, e tornou-se bicampeão brasileiro da Série B (2015; 2021) por antecipação. Comandado por Enderson Moreira, o Botafogo alinhou com Diego Loureiro; Daniel Borges, Joel Carli, Kanu e Carlinhos; Oyama (Ricardinho), Barreto e Warley (Ronald); Marco Antônio (Romildo) e Diego Gonçalves (Frizzo); Rafael Navarro, (Rafael Moura).

Uma semana depois, a 28 de novembro, 34.000 botafoguenses viveram com exuberância a consagração do Botafogo no Estádio Olímpico Nilton Santos, em empate por 2x2 com o Guarani, gols de Marco Antônio, aos 69’, e Rafael Navarro, aos 89’.

O Botafogo foi campeão com 70 pontos, à frente do Coritiba com 65 pontos, registrando 20V, 10E, 8D e um saldo favorável de 25 gols (56 a favor e 31 contra).

O ano de 2022 estava à porta e John Textor preparava-se para adquirir a SAF do Botafogo, assinando um pré-contrato no dia 24 de dezembro de 2021 – espécie de prenda natalícia –, e assumindo o controle prático da SAF em março, embora em fevereiro já tivesse mandado despedir Enderson Moreira devido à sua extemporânea revindicação por investimentos fortes no plantel.

Em abril John Textor tornou-se acionista maioritário da SAF Botafogo com 90% da ações, ficando o Botafogo de Futebol e Regatas com 10%.

O resto da história permanece na nossa memória ainda com precisão. Em 2022, sob a liderança de Luís Castro, o Botafogo alcançou os resultados que definira para 2022: permanência na Série A e classificação à Copa Sul-americana, terminando o campeonato brasileiro em 11º lugar, registrando 15V, 8E, 15D e saldo de gols desfavorável (41 a favor e 43 contra).

Em 2023, contra todas as expectativas e objetivos definidos, depois de ter vencido a Taça Rio correspondente ao 5º lugar no Campeonato Estadual, Luís Castro levou o Botafogo surpreendentemente à liderança disparada do campeonato brasileiro, apesar de John Textor ter falhado a promessa de reforços muito bons em julho. Porém, Castro cedeu à tentação de uma proposta milionária da Arábia Saudita e a possibilidade de treinar o compatriota Cristiano Ronaldo.

John Textor, no seu clássico autoritarismo, que conheceríamos mais tarde, negou-se a melhorar o contrato de Castro e ele saiu mesmo. Depois disso, o interino Cláudio Caçapa aumentou a liderança disparada para 14 pontos sobre o 2º classificado mantendo exatamente a mesma estratégia e o mesmo esquema tático de Castro. Entretanto Tiquinho Soares, o artilheiro da equipe, lesionou-se, nunca mais recuperou, mas com tantos pontos de avanço o Brasileiro estaria no ‘papo’ mesmo sem o seu contributo.

Porém, não foi assim. Sucederam-se, em decisões precipitadas, os treinadores Bruno Lage, Lúcio Flávio e Tiago Nunes, mas o campeonato foi realmente perdido a partir do dia em que estando o Botafogo a vencer o Palmeiras por 3x0 ao intervalo, Tiquinho Soares, inexplicavelmente tenso, falhou uma grande penalidade e o Palmeiras acabou por virar o resultado a seu favor por 4x3; depois foi a derrota por 1x0 para o Vasco Gama; na semana seguinte repetiu-se a cena ‘palmeirense’ contra o Grêmio, perdendo o Botafogo de virada por 4x3 após estar vencendo por 3x1.

Lúcio Flávio, equivocadamente guindado a treinador, foi o principal responsável pela dupla tragédia de 4x3, e o seu sucessor já não conseguiu repor a moral da equipe, acabando o Botafogo em 5º lugar.

O ciclo Inferno-Céu-Inferno-Céu tornou-se a repetir: do inferno de 2020 ao céu da descida de divisão, novamente ao céu de 2021 e, sobretudo, de 2023 com Castro, ao inferno do mesmo ano com a perda inesperada do título nacional e… bem, depois, em 2024, o Botafogo tornou a conquistar a Taça Rio equivalente apenas ao 5º lugar do Campeonato Estadual, mas… o restante ano foi muito intenso, fantástico e único, e o nosso Clube acabou por conquistar mais do que o céu – alcançou a plenitude Universal sem fim dentro da esplêndida alma de cada botafoguense.

Fonte: Confederación Sudamericana de Fútbol (CONMEBOL).

Textor reconheceu os erros cometidos em 2023, investiu forte na equipe, e sob o comando de Artur Jorge fomos ao clímax no espaço de uma semana, conquistando incrivelmente a Copa Libertadores da América no dia 30 de novembro, após uma goleada por 5x0 sobre o Peñarol na semifinal e vitória na final sobre o Atlético Mineiro, em condições raras de atuarmos na decisão com um jogador a menos desde o início da partida, e conquistando uma semana depois o Campeonato Brasileiro de futebol, a 8 de dezembro, no dia em que se comemora a fusão do Futebol e do Remo que originou o Botafogo de Futebol e Regatas,  

Então, fiquemos fechando esta série com a síntese maravilhosa dos protagonistas nos jogos decisivos em que nos sagramos campeões brasileiros e sul-americanos.

Campeões Brasileiros a 8 de dezembro de 2024, no Estádio Olímpico Nilton Santos, vencendo o São Paulo por 2x1, gols de Savarino, aos 37’, e Gregore, aos 90+1’, sob o comando de Artur Jorge e formando com John; Mateo Ponte, Adryelson, Marçal e Alex Telles; Gregore, Marlon Freitas (Allan) e Savarino (Matheus Martins); Luiz Henrique (Rafael), Igor Jesus (Tiquinho Soares) e Thiago Almada (Tchê Tchê).

Súmulas da campanha em https://mundobotafogo.blogspot.com/2024/12/botafogo-2x1-sao-paulo-finalmente-o.html

Campeões Sul-americanos a 30 de novembro de 2024, no Estádio Mâs Monumental, em Buenos Aires, vencendo o Atlético Mineiro por 3x1, gols de Luiz Henrique, aos 35’, Alex Telles, aos 43’ (pen.), e Júnior Santos, aos 90+6’, sob o comando de Artur Jorge e formando com John; Vitinho, Alexander Barboza, Adryelson e Alex Telles (Marçal); Gregore, Marlon Freitas e Savarino (Danilo Barbosa); Luiz Henrique (Matheus Martins), Igor Jesus (Allan) e Thiago Almada (Júnior Santos).

Súmulas da campanha em https://mundobotafogo.blogspot.com/2024/12/campeoes-da-copa-libertadores-da.html

A diretoria de Durcesio Mello, que encerrou o seu mandato em 31 de dezembro de 2024, terá sido, afinal, presenteada como talismã de ‘La Gloria Eterna’.

Fontes principais: Diversas publicações do Mundo Botafogo.

domingo, 21 de junho de 2026

Copa do Mundo de 1978: consagração de Kempes, pressão da ditadura, manobras várias e goleada suspeita

Cartaz da Copa do Mundo de 1978. Crédito: Reprodução.

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

A Copa do Mundo de 1978 realizou-se na Argentina, entre 1 e 25 de junho, com 16 seleções. Foi ganha pela Argentina, que venceu os Países Baixos por 3x1 após prorrogação, conquistando o seu primeiro título mundial. Mario Kempes foi a grande figura da prova e terminou como artilheiro, com 6 gols.

O primeiro grande marco foi a vitória da Argentina em casa, num contexto de enorme pressão política e social. A equipa treinada por César Luis Menotti chegou ao título com um futebol ofensivo, tendo como figuras centrais Mario Kempes, Daniel Passarella, Ubaldo Fillol, Osvaldo Ardiles, Leopoldo Luque e Daniel Bertoni. A final, no Estádio Monumental de Buenos Aires, terminou empatada em 1x1 no tempo regulamentar, depois de Dick Nanninga igualar para os Países Baixos. Na prorrogação Kempes marcou novamente e Bertoni fechou o resultado em 3x1.

Os Países Baixos chegaram à segunda final consecutiva de uma Copa do Mundo, depois de já terem perdido em 1974 contra a Alemanha Ocidental. Em 1978 voltou a perder contra a seleção anfitriã. A equipa neerlandesa já não tinha Johan Cruyff, cuja ausência foi muito discutida durante anos; mais tarde, o próprio explicou que a decisão não se deveu apenas a razões políticas de oposição à ditadura argentina, mas também a um episódio grave de tentativa de sequestro contra a sua família em Barcelona.

A Argentina fez o seu ‘trabalho de casa’ para se beneficiar e prejudicar o conjunto brasileiro, sempre candidato ao título: enquanto os argentinos para disputarem os seus 7 jogos percorreram 618 quilômetros, os brasileiros tiveram que percorrer… 4.659 quilômetros!

Um acontecimento muito significativo para o futebol do continente africano foi a Tunísia tornar-se a primeira Seleção africana a ganhar um jogo numa Copa do Mundo, vencendo o México por 3x1 e empatando também com a Alemanha Ocidental em 0x0, perdendo apenas para a Polônia.

Gol do Brasil em vitória por 2x1 sobre a Itália. Crédito: Eurico Dantas | Agência O Globo.

A vitória da Tunísia sobre o México foi tanto mais importante quanto o país norte-americano efetuou um investimento astronômico na preparação da equipe, gastando 200 milhões de dólares com o objetivo de conseguir o melhor resultado de sempre num Mundial. Porém, o balanço foi amplamente catastrófico: três jogos, três derrotas, dois gols marcados e 12 sofridos.

Como curiosidade muito típica da parcialidade do dono do apito em jogos de futebol, vale lembrar que o Brasil x Suécia, na estreia da competição, terminou em polêmica. Com o placar empatado em 1x1, já na prorrogação houve um escanteio a favor do Brasil e, na sequência do lance, Zico fez de cabeça o 2x1. Gol invalidado pelo árbitro galês Clive Thomas alegando que apitara o fim do jogo quando a bola estava... no ar (!). O Brasil protestou, de nada valeu e o árbitro nunca mais apitou um jogo da Copa do Mundo.

Outro acontecimento decisivo foi o jogo Argentina x Peru, na segunda fase de grupos. A Argentina precisava vencer por uma diferença elevada para ultrapassar o Brasil e chegar à final. Ganhou por 6x0, resultado que lhe permitiu passar à final por diferença de gols. Este jogo tornou-se uma das maiores polêmicas da história dos Mundiais, porque a Argentina sabia antecipadamente de quantos gols precisava, uma vez que o Brasil já tinha jogado.

O Brasil, que contou com os atletas botafoguenses Rodrigues Neto (4 partidas, titular substituto de Edinho a partir do 3º jogo) e Gil (titular em 6 das 7 partidas), terminou em terceiro lugar, depois de vencer a Itália no jogo de atribuição do 3º e 4º lugares. A seleção brasileira ficou invicta na competição, o que levou alguns comentadores e protagonistas da época a considerá-la uma espécie de “campeã moral”, sobretudo devido à polémica em torno da passagem da Argentina à final.

Botafogo de 1977: da esquerda para a direita, em pé, Perivaldo, Zé Carlos, Luisinho Rangel, Rodrigues Neto, Renê e Osmar; em baixo, Gil, Mendonça, Nilson Dias, Bráulio e Paulo Cézar.

Porém, a maior marca extradesportiva do Mundial de 1978 foi o facto de ter decorrido sob a ditadura militar argentina, instaurada após o golpe de Estado de 1976. O regime usou a competição (ato típico de todas ditaduras de extrema-direita e de extrema esquerda) como instrumento de propaganda e de legitimação internacional, enquanto o país vivia repressão política, desaparecimentos forçados e graves violações dos direitos humanos. Houve movimentos internacionais de boicote, especialmente na Europa, com slogans como “Football yes, torture no”.

O jogo Argentina 6x0 Peru permanece envolto em suspeitas. Ao longo dos anos surgiram acusações, testemunhos contraditórios e teorias sobre pressões políticas, possíveis acordos entre governos ou incentivos indevidos.

Contudo, não existe consenso histórico definitivo nem prova universalmente aceite que demonstre de modo conclusivo uma combinação do resultado. O que é seguro é que o calendário favoreceu a Argentina, porque jogou depois do Brasil e sabia exatamente o resultado de que precisava.

A própria final também teve episódios tensos. Os neerlandeses acusaram os argentinos de atrasarem deliberadamente o início do jogo e de criarem pressão psicológica, nomeadamente através da contestação ao gesso/proteção usado por René van de Kerkhof no braço. Os Países Baixos recusaram comparecer à cerimônia oficial de entrega das medalhas, sinal claro do mal-estar após a final.

Houve ainda o episódio dramático de Rob Rensenbrink, que quase deu o título aos Países Baixos no último minuto do tempo regulamentar: com o jogo empatado em 1x1, o seu remate bateu na trave. Se tivesse entrado, os Países Baixos teriam provavelmente sido campeões mundiais. Na arquibancada, um espectador argentino, de 49 anos, teve um problema cardíaco no momento em que Rensenbrink acertou a trave do goleiro Ubaldo Fillol. Foi socorrido a tempo e recuperou, assistindo minutos depois ao triunfo da Argentina na prorrogação.

Gol de Kempes na final, rematando por detrás da marcação e fazendo a bola passar sob o corpo do goleiro. Gol de craque. Captura de tela (colorizada) | Reprodução.

Em resumo, a Copa do Mundo de 1978 ficou marcada por três dimensões: a consagração futebolística da Argentina, liderada por Mario Kempes; a segunda derrota consecutiva dos Países Baixos numa final; e uma forte carga política, associada à ditadura argentina e à polêmica do jogo com o Peru. Foi, por isso, um dos Mundiais mais controversos da história do futebol, a par das suspeitas sobre doping da Alemanha Ocidental na final de 1954 e do claro favorecimento da Inglaterra na final de 1966.

FICHA TÉCNICA DA FINAL

Argentina 3x1 Países Baixos

» Gols: Mario Kempes, aos 38’ e 105’, e Daniel Bertoni, aos 115’ (Argentina); Dick Nanninga, aos 82’ (Países Baixos)

» Competição: Copa do Mundo de 1978

» Data: 25 de junho de 1978

» Local: Estádio Monumental / River Plate Stadium, em Buenos Aires (Argentina)

» Público: 71.483 espectadores

» Árbitro: Sergio Gonella (Itália); Assistentes: Ramón Barreto (Uruguai) e Erich Linemayr (Áustria)

» Disciplina: cartão amarelo – Osvaldo Ardiles e Omar Larrosa (Argentina) e Ruud Krol, Wim Suurbier e Jan Poortvliet (Países Baixos)

» Argentina: Ubaldo Fillol; Jorge Olguín, Luis Galván, Daniel Passarella e Alberto Tarantini; Américo Gallego, Osvaldo Ardiles (Omar Larrosa) e Mario Kempes; Daniel Bertoni, Leopoldo Luque e Oscar Ortiz (René Houseman). Técnico: César Luis Menotti.

» Países Baixos: Jan Jongbloed; Wim Jansen (Wim Suurbier, Ernir Brandts, Ruud Krol e Jan Poortvliet; Johan Neeskens, Arie Haan e Willy van de Kerkhof; René van de Kerkhof, Johnny Rep (Dick Nanninga) e Rob Resenbrink. Técnico: Ernst Happel.

Fontes principais: en.wikipedia.org; maisfutebol.iol.pt; nationalfootballmuseum.com; sports.yahoo.com; www.britannica.com; www.fifa.com; www.historyworkshop.org.uk; www.thetimes.com

Copa do Mundo de 1982: a ‘vergonha de Gijón’, o recorde de Dino Zoff e a superação de Paolo Rossi

Cartaz da Copa do Mundo de 1982. Crédito: Reprodução. por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo A Copa do Mundo de 1982, realizada em Esp...