terça-feira, 1 de setembro de 2026

O Depoimento de Mendonça – uma paixão imensa

Crédito: Revista Placar, 1980.

"Não sou jogador do Botafogo, sou torcedor do Botafogo."  Mendonça.

por MENDONÇA | Entrevista de MARCELO REZENDE | Revista Placar, 1980

«Em 75, quando Zagalo me fez titular, isto aqui era uma merda. Foi quando me dei conta da concorrência desleal que impera no profissionalismo. No juvenil todos são amigos, um ajuda ao outro. Nos profissionais, cada um se vira sozinho. Meu pai mesmo diz: ‘Cuida de você e deixa a vida dos outros’.

Já como titular, começando a cair no gosto da torcida, sofri um golpe profundo: a mudança do Botafogo de General Severiano, que eu amava tanto, para Marechal Hermes. Eu adoro o Botafogo. Aprendi a gostar daqui porque nasci aqui dentro. Conheço todos os funcionários, nunca tive nenhum problema e sempre fui respeitado pelos dirigentes. Por isso, só deixo o clube por muito dinheiro.

Como dizia, saímos de General Severiano e foi como se roubassem um pedaço da minha vida, justamente da minha infância. Naquele momento, enterraram meus piqueniques debaixo da arquibancada, meu sonho de herói. Sepultaram, friamente, a tradição, o carisma, o respeito que meu clube impunha. Confesso que chorei. Creio que eu, a quem todos apontam como um dos bons jogadores, vou ser conhecido daqui a alguns anos como “esse craque de Marechal”. E eu queria ser de General.

Ser grande estrela tem um lado bom e outro rum. O bom é ser solicitado para autógrafos, tirar fotos com torcedores, chegar aos lugares e ser tratado com carinho, ser reconhecido na rua, ouvir o estádio gritar seu nome. Em compensação, no erro você é o único culpado. Na última partida com o Fluminense pela Taça Guanabara, eu estava errando todos os passes. A vaia invadia minha cabeça, os companheiros diziam: ‘Finge que não escuta, Mendonça’. Não escutar como? Eu não escuto os aplausos, porra? Então, vou ouvir também as vaias. Elas são pra mm, sou eu que tenho de ouvi-las!

A bola só saía errada, me traía. Até que, aos 45 minutos do segundo tempo, empate com um gol de cabeça: 1 a 1. Não comemorei. Saí correndo em direção à torcida e xinguei, fiz gestos obscenos. Eu queria até tirar o calção, só não tirei porque a televisão estava lá e não pegava bem.

No vestiário, entrei chorando, atirei a camisa com violência ao chão, pisei em cima e comecei a gritar: ‘Não jogo mais nessa merda desse clube! Não jogo mais pra essa torcida!’ Sou caladão, um jeito meu indolente, mas por dentro estou sempre em convulsão.

Horas depois, entendi: era a reação natural de uma torcida que não vence desde 68. Só esquecem que eu também estou nessa – 12 anos sem título. Pensa que não sofro? Sofro mais que a maioria dos torcedores e conselheiros que se dizem botafoguenses. Porque eu, mesmo profissionalmente, sou Botafogo sem interesse – porque amo.

Um clube não pode estar tanto tempo sem ganhar. Ser jogador do Botafogo, hoje, é se sentir achatado, espremido, pesado pelos outros. Uma inferioridade crônica.

Os jogadores têm a sua culpa. Você já chegou aqui antes do treino e sabe como é, tem gente rindo, brincando, a maior descontração. Um mergulha em cima do outro, os apelidos correm soltos. Eu, jogador e torcedor, fico espantado: como pode haver tanto riso, tanta satisfação, tanta alegria entre nós jogadores, se não conseguimos ganhar nada? Isto aqui deveria ser mais sério, um ambiente em que as pessoas fossem seguras, consciente, mas sem essas brincadeiras que na verdade não são de descontração e sim de fuga. Cadê a nossa vergonha na cara? E o sujeito que paga, que é fanático? Quando chega aqui, na certa deve pensar: ‘Não ganham nada e ainda ficam rindo como tarados mentais’.

Já conversei com alguns, disse no vestiário: ‘Quer dizer que todo mundo aqui está cheio de apartamentos, nadando em dinheiro? O silêncio foi total. Você pensa que adiantou alguma coisa? Recentemente falei: ‘Vocês já pensaram na conta bancária dos jogadores do Flamengo?’ Claro, o Flamengo tem de ser o exemplo pra tudo. Lá está o bom exemplo – jogadores dedicados, aplicados.

Eu mesmo organizei alguns churrascos, tentei reunir todos os jogadores numa grande família – só assim chegaríamos a algum lugar. Não deu resultado, ninguém se importou. Não será um presidente ou outro cartola que devolverá o título ao Bota, mas s jogadores.

O que ninguém entende é isso: você dorme ídolo, acorda joão-ninguém. Dorme ídolo, acorda um mortal qualquer. Esta é a profissão mais ilusória do mundo, que te dá alguns poucos momentos de dinheiro e satisfação. Tenho em casa o exemplo do meu pai, inutilizado para o futebol no melhor momento de sua carreira. Ele me ensina todas as malandragens, mas ninguém enxerga isso.

Já sou um homem. Ganhei algum dinheiro (salário atual de 100 mil cruzeiros), comprei um bom apartamento (em Jacarepaguá, com 250 m2 de construção), tenho carro, minha família. Dentro de mim, entretanto, carrego uma frustração, talvez a única que tenho hoje: jamais ter sido campeão.

Como se disse, só saio daqui por muito, muitíssimo dinheiro ou depois de conquistar um título. Aí me sentirei mais homem, aí sim não estarei traindo meu sonho de menino.»

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Botafogo 0x3 Flamengo – a vocação do erro…

Crédito: Vitor Silva | Botafogo.

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

Recentemente recordei aqui a antiga, singela e realista frase de Augusto Frederico Schmidt: “O Botafogo tem a vocação do erro.”

Foi intencional. Anunciava o encerramento de uma Era efêmera que marcara um novo Tempo de Botafogo. Que se foi com a mesma rapidez que chegou. Porque John Textor encarnou a famosa frase de Augusto Frederico Schmidt e executou-a tão ‘perfeitamente’ que a vitoriosa SAF tornou-se objetivamente nuvem que voa e em sonho desfeito como a neve, erro de vocação que gerou um novo e mais recente erro: o regresso do Botafogo Social a influenciar decisivamente o futebol, apesar de ser minoritário, enquanto o investidor se anula nas decisões, e o retorno aos tempos das administrações amadoras que nos valeram três descidas de divisão chegou a passos largos.

E o que isso tem a ver com o jogo de ontem?... Tudo! – direi eu.

1 – Franclim Carvalho não deveria ter sido demitido antes de se encontrar uma solução forte, experiente e vitoriosa para o comando técnico, já que o seu historial não era negativo e a goleada sofrida na Sula fora circunstancial, agravada por o departamento de futebol ter enviado o elenco apenas na véspera do jogo e o técnico estar mal informado sobre os efeitos das condições climáticas da região, errando assim a escalação.

2 – Rodrigo Bellão tem feito um grande trabalho nas bases do Botafogo e possui condições para ser promovido a coordenador geral das bases – jamais a técnico principal atualmente. Bellão tem basicamente experiência de gerir jovens e ainda não está preparado para gerir um tempo de crise na equipe principal. Além disso, Bellão não tinha historial anterior relevante como interino, já que trazia do passado botafoguense como interino 3 vitórias e 2 derrotas, sendo as derrotas para o Sampaio Corrêa pelo Carioca e uma goleada de 4x1 imposta pelo Athletico-PR, ao que se junta agora 1 vitória e 2 derrotas, tomando 6 gols nos últimos dois jogos e não conseguindo montar a defesa adequadamente. Efetivamente, errou a estratégia inicial, como ele próprio mencionou, errou o alinhamento da defesa excessivamente alta e precisa de mais tempo de preparação para eventualmente assumir a equipe principal do Glorioso no futuro. A decisão equivocada de o manter como hipótese de técnico principal já, pode valer-lhe ser ‘queimado’ na sua carreira – o que seria lamentável pelo homem que é e pelo profissional que pode vir a ser no futuro.

3 – Danilo não deveria ter estado sequer em campo. Quando um atleta de alto nível está contrariado num clube é difícil mantê-lo assegurando uma boa performance. O Botafogo rejeitou 28 milhões de euros por Danilo, arriscando o que está acontecendo agora com o seu desempenho, enquanto com esse valor poderia ter adquirido dois atacantes para reforçar a linha da frente e ainda sobrava dinheiro – evidenciando que nem o departamento de futebol nem o novo investidor percebem realmente dos meandros do futebol. Danilo deveria ter saído há semanas para bem de todos – porque agora o mal é de todos.

4 – A contratação de Warleson e Gabriel Barbosa foram, em minha opinião, temerárias, porque no historial de ambos constam defeitos significativos. Tanto Gabriel Barbosa como Warleson já falharam mais do que uma vez em tão pouco tempo, e Gabriel Barbosa tomou ontem mais dois gols entre as pernas. Um goleiro é a peça principal de uma equipe, muito mais importante do que um atacante, porque se este pode falhar e emendar o erro na jogada seguinte marcando gol, o goleiro não pode anular os gols que tomou por culpa própria.

5 – O departamento de futebol já deveria ter iniciado uma reformulação radical, porque tem sido totalmente omisso em matérias importantes, assim como deveria ter sido evitada a nomeação de dirigentes ex-Boavista, porque quer se queira, quer não, independentemente da qualidade dos nomeados, a proximidade da decisão a um passado recente é sinal de um regresso que os botafoguenses não querem.

Já agora cito outros eventuais equívocos – e neste caso refiro-me apenas a rumores de redes sociais e que podem não ser verdadeiros –, tais como considerar a possibilidade de contratar o técnico Ney Franco, cujo historial não o recomenda, e que a hipótese de contratar Renato ‘Churrasco’ Gaúcho é uma afronta ao Glorioso e certamente será apenas rumor. Tanto quanto sei, há técnicos em toda a América do Sul credenciados e atualmente livres no mercado com capacidade para comandar o Botafogo.

Em suma, o Botafogo de ontem já poderia ter sido outro, mais reforçado e capaz de enfrentar o Flamengo olhos nos olhos, algo que não aconteceu.

Nos primeiros minutos parecia que a equipe estava bem, e até marcou um gol que foi anulado. Aliás, sobre essa anulação, quero deixar a minha perspectiva: a bola bateu na mão de apoio de Arthur Cabral quando a própria mão já estava caindo e, sendo assim, o gol não é passível de anulação. Por outro lado houve uma jogada em que ficaram sérias dúvidas no que respeita a uma grande penalidade sobre Vitinho que deveria ter sido alvo de revisão, bem como o ‘carrinho’ sobre Edenilson. Porém, claro, sabemos quem era o VAR nomeado, não é?... E a propósito de VAR, a CBF mostrou bem como despreza o Botafogo ao nomear tal senhor para os nossos jogos, evidenciando que o Botafogo de Futebol e Regatas – seja o dito Social, seja a SAF – é novamente entidade de voz nula na CBF.

Logo após o gol anulado o Flamengo inaugurou o marcador e o Botafogo amedrontou-se, encolheu-se, deixou o jogo para o Flamengo e Bellão sem saber o que fazer com a estratégia que montou. O rubro-negro poderia muito bem ter selado a vitória na primeira parte, mas não está nos seus melhores momentos e o Botafogo poderia ter aproveitado isso se os erros de gestão não tivessem sido cometidos anteriormente.

Na segunda parte a equipe melhorou, mas quando o melhor jogador em campo é Arthur Cabral, o que se pode dizer da equipe?...

O Botafogo foi buscar o empate, lançou-se ao ataque, mas não criou verdadeiramente grandes oportunidades, e simultaneamente desorganizou a defesa, permitindo ao Flamengo fazer o que queria na parte final do desafio – atacar velozmente contando com a lentidão da linha de defesa, marcar mais dois gols e sacramentar com uma vitória excessiva face ao que fora feito em campo.

Vitória justa por demérito nosso.

Vida que segue… temerariamente…

FICHA TÉCNICA

Botafogo 0x3 Flamengo

» Gols: Samuel Lino, aos 12’ e 85’, e Carrascal, aos 89’

» Competição: Campeonato Brasileiro

» Data: 30.08.2026

» Local: Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro (RJ)

» Público: 61.934 pagantes; 65.970 espectadores

» Receita: R$ 5.770.680,00

» Árbitro: Alex Gomes Stefano (RJ); Assistentes: Rodrigo Figueiredo Henrique Correa (RJ) e Luiz Claudio Regazone (RJ); VAR: Daniel Nobre Bins (RS)

» Disciplina: cartão amarelo – Marçal e Justino

» Botafogo: Gabriel Batista; Ferraresi, Justino e Marçal; Vitinho (Lucas Villalba), Huguinho, Edenílson (Cristian Medina), Danilo, Álvaro Montoro (Danilo Pereira) e Alex Telles (Lucas Monzón); Arthur Cabral (Júnior Santos). Técnico: Rodrigo Bellão.

» Flamengo: Rossi; Emerson Royal, Léo Ortiz, Léo Pereira e Ayrton Lucas; Pulgar, Jorginho e Arrascaeta (Carrascal); Luiz Araújo (Lucas Paquetá), Pedro (Everton Cebolinha) e Samuel Lino. Técnico: Leonardo Jardim.

domingo, 30 de agosto de 2026

Retrospecto Botafogo x Flamengo (Era SAF)

Crédito: Blog do Milton Neves.

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

SÍNTESE

Na ‘Era SAF’ o Botafogo defrontou o Flamengo em 15 partidas, registrando 4 vitórias, 1 empate e 10 derrotas e um placar agregado desfavorável por 14-23.

[Nota marginal: Há a considerar que toda e qualquer estatística do Flamengo relativamente ao retrospecto com o Botafogo, quiçá em relação a outros clubes, mas sobretudo com o Botafogo, padece de inverdades por forte adulteração de resultados a favor dos da Gávea, por obra e graça dos ‘donos do apito’ comandados por dirigentes-vilões do futebol brasileiro inimigos da verdade desportiva. Mesmo prejudicado há longas décadas, o Botafogo ainda mantinha escassa vantagem sobre  Flamengo até 2000, mas neste século os apitadores perderam descaradamente toda a vergonha e nem mesmo o equipamento VAR escapa à deturpação humana.]

1º JOGO

Botafogo 1x0 Flamengo

» Gols: Mimi, aos 26’

» Competição: Campeonato Carioca

» Data: 13.05.1913

» Local: Estádio de General Severiano (inauguração), no Rio de Janeiro (RJ)

» Botafogo: Álvaro Werneck; Pino, Edgard Dutra, Edgard Pullen e Juca Couto; Rolando de Lamare, Mimi Sodré e Abelardo de Lamare; Villaça, Lauro Sodré e Facchine.

» Flamengo: Cazuza; Píndaro de Carvalho e Nery; Lawrence Andrews, Amarante e Gallo; Figueira, Baiano, Del Nero, Alberto Borgerth e Raul.

ÚLTIMO JOGO

Botafogo 0x3 Flamengo

» Gols: Samuel Lino 12’/1ºT (0-1), Léo Pereira 46’/1ºT (0-2) e Pedro 3’/2ºT (0-3)

» Competição: Campeonato Brasileiro

» Data: 14.03.2026

» Local: Estádio Olímpico Nilton Santos, no Rio de Janeiro (RJ)

» Público: 14.789 pagantes; 16.176 espectadores

» Renda: R$ 628.290,00

» Árbitro: Anderson Daronco (RS); Assistentes: Rafael da Silva Alves (RS) e Brígida Cirilo Ferreira (AL); Var: Rodrigo D’Alonso Ferreira (/SC)

 » Disciplina – cartão amarelo – Alexander Barboza, Allan, Arthur Cabral e Martín Anselmi – técnico (Botafogo) e Pulgar e Jorginho (Flamengo); cartão vermelho – Alexander Barboza (Botafogo)

» Botafogo: Raul; Vitinho, Bastos, Alexander Barboza e Alex Telles; Allan (Newton), Cristian Medina e Danilo (Edenílson); Jordan Barrera (Mateo Ponte), Matheus Martins (Ferraresi) e Arthur Cabral (Júnior Santos). Técnico: Martín Anselmi.

» Flamengo: Rossi; Varela, Léo Ortiz, Léo Pereira (Vitão) e Alex Sandro (Ayrton Lucas); Pulgar (Evertton Araújo), Jorginho (Luiz Araújo) e Lucas Paquetá; Carrascal (Plata), Samuel Lino e Pedro. Técnico: Leonardo Jardim.

PLACAR MAIS ELÁSTICO NO CLÁSSICO DE TODOS OS TEMPOS (1913-2024)

Botafogo 9x2 Flamengo

» Gols: Nilo, aos 11’, 27’, 35’ e 45’, Ariza, aos 8’ e 18’, Joãozinho, aos 10’ e 65’, e Neco, aos 13’ (Botafogo); Moderato, aos 28’, e Frederico, aos 55’ (Flamengo)

» Competição: Campeonato Carioca

» Data: 29.05.1927

» Local: Rua Paysandu, no Rio de Janeiro (RJ)

» Botafogo: Neiva, Couto e Octacílio; Pamplona (Jeronymo), Almo e Rogério; Ariza, Neco, Nilo, Joãozinho e Claudionor.

» Flamengo: Egberto, Hermínio e Hélcio; Benevenuto, Frederico e Flávio Costa; Chrystolino, Pastor, Fragoso, Angenor e Moderato.

PLACAR MAIS ELÁSTICO NO CLÁSSICO DA ‘ERA SAF’

Botafogo 4x1 Flamengo

» Gols: Mateo Ponte, aos 2’, Igor Jesus, aos 53’, e  Matheus Martins,  aos 83' e 90+3’ (Botafogo); Bruno Henrique, aos 23' (Flamengo)

» Competição: Campeonato Brasileiro

» Data: 18.08.2024

» Local: Estádio Olímpico Nilton Santos, no Rio de Janeiro (RJ)

» Público: 25.888 espectadores

» Renda: R$ 1.909.690,00

» Árbitro: Bruno Arleu de Araújo (RJ); Assistentes: Rodrigo Figueiredo Henrique Correa (RJ) e Thiago Henrique Neto Correa Farinha (RJ); VAR: Rodrigo Guarizo Ferreira Do Amaral (SP)

» Disciplina: Cuiabano, Mateo Ponte e Alexander Barboza (Botafogo) e Ayrton Lucas e Carlinhos (Flamengo)

» Botafogo: John; Mateo Ponte (Tchê Tchê), Bastos, Alexander Barboza e Cuiabano; Gregore, Marlon Freitas (Allan), Luiz Henrique (Carlos Alberto), Savarino e Almada (Matheus Martins); Igor Jesus (Tiquinho Soares). Técnico: Artur Jorge.

» Flamengo: Rossi, Wesley, Fabrício Bruno (Léo Pereira), David Luiz e Ayrton Lucas (Varela); Allan (Lorran), Léo Ortiz, Gerson (Everton Araújo) e Arrascaeta (Victor Hugo); Bruno Henrique e Carlinhos. Técnico: Tite.

JOGOS DA ‘ERA SAF’

23.02.2022 – Botafogo 1x3 Flamengo – Campeonato Carioca – Nilton Santos – Gols: Léo Pereira (contra).

08.05.2022 – Botafogo 1x0 Flamengo – Campeonato Brasileiro – Mané Garrincha – Gols: Erison.

28.08.2022 – Botafogo 0x1 Flamengo – Campeonato Brasileiro – Nilton Santos.

25.02.2023 – Botafogo 0x1 Flamengo – Campeonato Carioca – Mané Garrincha.

30.04.2023 – Botafogo 3x2 Flamengo – Campeonato Brasileiro – Maracanã – Gols: Tiquinho Soares (2) e Danilo Barbosa.

02.09.2023 – Botafogo 1x2 Flamengo – Campeonato Brasileiro – Nilton Santos – Gols: Victor Sá.

07.02.2024 – Botafogo 0x1 Flamengo – Campeonato Caroca – Maracanã.

28.04.2024 – Botafogo 2x0 Flamengo – Campeonato Brasileiro – Maracanã – Gols: Luiz Henrique e Savarino.

18.08.2024 – Botafogo 4x1 Flamengo – Campeonato Brasileiro – Nilton Santos – Gols: Matheus Martins (2), Mateo Ponte e Igor Jesus.

02.02.2025 – Botafogo 1x3 Flamengo – Supercopa do Brasil – Mangueirão – Gols: Patrick de Paula.

12.02.2025 – Botafogo 0x1 Flamengo – Campeonato Carioca – Maracanã.

18.05.2025 – Botafogo 0x0 Flamengo – Campeonato Brasileiro – Maracanã.

15.10.2025 – Botafogo 0x3 Flamengo – Campeonato Brasileiro – Nilton Santos.

15.02.2026 – Botafogo 1x2 Flamengo – Campeonato Carioca – Nilton Santos – Gols: Alexander Barboza.

14.03.2026 – Botafogo 0x3 Flamengo – Campeonato Brasileiro – Nilton Santos.

sábado, 29 de agosto de 2026

O bicho era certo, sim

Manga simboliza uma época de plena hegemonia alvinegra sobre o Flamengo. Crédito: O Globo | 16.03.2008. Foto melhorada por IA.

[Nota preliminar: Na época da entrevista que se segue, Manga vivia em Miami com a esposa Cecília, onde trabalhava à frente de uma empresa que instalava pisos de madeira. Antes ensinara futebol em escolinhas da cidade, sobretudo para a colônia hispânica.]

Entrevista por ROGÉRIO DAFLON | O Globo – Esportes

O GLOBO: Era um prazer especial derrotar o Flamengo?

MANGA: Era uma grande alegria. O Flamengo já tinha a maior torcida, e a lotação do Maracanã era de 150 mil pessoas, os ingressos sempre terminavam rapidamente. A torcida do Botafogo ficava em menor número. Apesar disso, ganhávamos a maioria dos jogos. O time do Flamengo, com Dida, Henrique, Jordan, era muito badalado, mas o Botafogo… Imagina um time com Garrincha, Nilton Santos, Zagallo, Amarildo, Quarentinha, Didi, Jadir, Paulistinha. O Botafogo tem de voltar a investir. Os dirigentes têm de contratar grandes jogadores. Sei que o time tem um goleiro uruguaio (Castillo), que me elogiou. Pelo menos ele sabe da grandeza do clube.

·         O senhor dizia que, quando jogava contra o Flamengo, era semana de fazer a feira porque o bicho estava garantido…

MANGA: Dizia. O bicho era certo, sim. Com aquele time era fácil dizer isso. Mas com o maior respeito, não queria ofender ninguém… Naquela época, a torcida que saía frustrada do Maracanã era a do Flamengo. Foi assim nos Campeonatos Cariocas de 1961 e 1962.

·         O senhor acabou fazendo parte dos grandes momentos do Botafogo, pois foi campeão também em 1967 e 1968 (nesse ano, em que deixou o clube, participou de nove dos 18 jogos do Carioca).

MANGA: Se em 61 e 62 a equipe tinha craques como Garrincha e Didi, entre outros, em 67 e 68, havia Jairzinho, Gérson, Roberto, um verdadeiro timaço. Naquele tempo, eu não falava mais que o bicho estava garantido contra o Flamengo, mas assim mesmo o Botafogo vencia quase sempre o time rubro-negro.

·         E quanto ao episódio em que João Saldanha atirou no senhor, acusando-o de fazer corpo mole na final contra o Bangu, em 1967, no Campeonato Carioca?

MANGA: Fiquei muito chateado, porque sempre atuei em campo com a maior seriedade, e o Botafogo venceu aquela decisão por 2 a 1. Quando vi o Saldanha armado no Mourisco, atirando em mim, resolvi correr. Daquela forma, não havia como enfrentá-lo. Um mês depois fizemos as pazes e ficou tudo bem.

·         O senhor acompanha as notícias sobre o Campeonato Carioca?

MANGA: Não muito, mas sei que é diferente. Na década de 60, os grandes jogadores não iam para o exterior. Era como se o Kaká estivesse jogando no Brasil. No Carioca, times com Bangu, Olaria e São Cristóvão davam muito mais trabalho do que hoje em dia, ainda mais quando jogavam em seus estádios. Agora, soube que os times pequenos só jogam nos campos dos times grandes.

·         O senhor brilhou em outros times. Tem uma recordação marcante?

MANGA: Fui campeão mundial Interclubes pelo Nacional do Uruguai (1971), mas um time que me marcou também foi o Internacional de Porto Alegre. Joguei com excepcionais jogadores, como Figueroa, Falcão, Batista, e fui bicampeão brasileiro (1975 e 1976). Em 75, na final contra o Cruzeiro, tive atuação importante contendo os tiros de Nelinho.

·         Mas torce pelo Botafogo?

MANGA: Em 1959, o João Saldanha foi ao Recife, onde eu jogava pelo Sport, e me levou para o Botafogo, quando eu tinha 21 anos. Lá joguei dez anos, participando de conquistas históricas. Serei Botafogo até morrer.

Fonte: O Globo – Esportes, 16.03.2008.

O Depoimento de Mendonça – uma paixão imensa

Crédito: Revista Placar, 1980. "Não sou jogador do Botafogo, sou torcedor do Botafogo."  –  Mendonça. por MENDONÇA | Entrevista ...