quarta-feira, 8 de abril de 2026

A voz de Sara

Crédito: www.freepik.com

por LÚCIA SENNA | Escritora e cantora | Colunista do Mundo Botafogo

Sempre tive medo de doença. Gosto tanto da vida, que qualquer sinal suspeito no corpo me parece logo um aviso dramático de que minha permanência no planeta está por um fio. Mas houve uma época em que a coisa saiu completamente do controle.

Depois de uma pequena cirurgia para retirar um cisto no ovário, desmaiei durante o café da manhã. Acordei na casa da vizinha, com mamãe em estado de pânico – suspeito, aliás, que ela também tivesse certo talento para a hipocondria.

A partir daquele dia, meu organismo se transformou numa verdadeira fábrica de tragédias médicas.

Dor nas costas? Fratura exposta. Dormência nas pernas? Doença raríssima que certamente levaria à amputação do dedão do pé. Cisco no olho? Cegueira iminente. Resfriado? Pneumonia dupla. Verruga na mão? Tumor maligno. Dor de cabeça? Aneurisma.

Resultado: mãos suadas, coração disparado e a contínua sensação de morte imediata. Diagnóstico final: síndrome do pânico.

Foi então que uma prima me ofereceu o telefone de uma psicóloga chamada Sara.

Liguei. E, naquele instante, fiquei encantada. A voz de Sara era uma coisa extraordinária. Aveludada, firme, cheia de curvas, de ritmos... uma voz que parecia caminhar de salto alto. Imediatamente imaginei uma mulher elegante, bonita, segura – dessas que quando passam, todos percebem.

Marquei a consulta. Na hora combinada, cheguei à pequena sala de espera de um consultório dividido por três psicólogas. Ambiente simpático, discreto, aconchegante.

Às dez em ponto, a porta de um dos consultórios se abriu.

 – Lúcia?

Levantei... e levei um choque. Aquela senhora não tinha absolutamente nada a ver com a voz que havia conhecido pelo telefone. NADA!

Sara era enorme. Muito obesa. E, digamos com carinho, bastante distante da figura elegante que minha imaginação havia criado. Mas a voz... ah, a voz continuava a mesma. Sexy. Sedutora. Musical.

Entrei.

Sara acomodou-se numa poltrona gigantesca, cercada de almofadas, como se fosse um trono. Ao lado, havia uma mesinha com garrafas d’água – exclusivamente pra ela – e uma generosa coleção de guloseimas: jujubas, amendoins, paçocas, chicletes.

Sentei numa cadeira bem menos confortável. Comecei, então, a desfiar o meu rosário de medos. Expliquei cada sintoma, cada doença raríssima que tinha certeza de estar desenvolvendo dia após dia.

Sara ouvia... mastigando. De boca cheia, dizia apenas:

– Conta mais. - e eu contava...

– Mais. - e eu continuava...

Entre uma jujuba e uma paçoca, Sara me incentivava:

– Mais detalhes.

Uma hora depois, o despertador tocava. Tempo encerrado. Assim foram muitas semanas. Eu chegava com novas doenças imaginárias. Sara chegava com novas guloseimas.

Até que um dia, durante uma sessão, aconteceu o impensável. No meio da minha frase mais dramática – aquela em que relatava uma crise existencial que mereceria, no mínimo, um franzir de sobrancelhas profissional – percebi um silêncio estranho. Olhei melhor.

Sara dormia.

Não, não era um cochilo discreto. Era um sono convicto, profundo, daqueles que fazem a cabeça pender levemente para o lado e a boca se abrir num pequeno abandono terapêutico. Fiquei alguns segundos paralisada, entre a indignação e a vergonha. Mas a indignação venceu.

 – Sara?... – arrisquei, num tom que misturava delicadeza e revolta.

Ela despertou num pulo curto, olhos arregalados, um leve vestígio de baba ameaçando comprometer a autoridade científica da cena.

– Eu não estava dormindo! – declarou imediatamente, ajeitando-se na poltrona com dignidade apressada.

– Eu estava em alfa.

Fez uma pequena pausa, como quem revela um conceito sofisticadíssimo da neurociência:

– É um estado em que o inconsciente fica mais ativo.

Fiquei olhando pra ela alguns segundos. Confesso que, naquele momento, tive a forte impressão de que o inconsciente dela estava ativo... em outra dimensão. Observei que, na mesinha, não havia nem paçocas nem jujubas nem amendoins. Provavelmente, a secretária tinha esquecido de abastecer o estoque terapêutico. E Sara, faminta como ela só, acabou por adormecer. Afinal, sono também alimenta.

Mas o verdadeiro final dessa história viria pouco tempo depois.

Certo dia, Sara resolveu ocupar toda a sessão me contando um drama pessoal: a empregada havia entrado com uma ação contra ela. O motivo? Sara não pagava direitos trabalhistas – décimo terceiro, férias e outras formalidades que a lei exige.

Enquanto ouvia aquilo, um detalhe me deixou gelada. Eu trabalhava no INSS. E o processo havia caído justamente na unidade onde trabalhava.

Foi, então, que Sara, com sua linda voz aveludada e sedutora, me fez um pedido:

– Será que você poderia sumir com esse processo?

FIQUEI HORRORIZADA!!!!

Levantei daquela cadeira pouco confortável e saí da sala com a sensação de que estava assistindo a algo verdadeiramente preocupante.

Nunca mais voltei. Mas devo confessar uma coisa: talvez Sara tenha mesmo me ajudado. Depois de ouvir uma psicóloga mastigando jujubas, dormindo no meio da consulta e pedindo fraude no INSS... qualquer fratura exposta passou a parecer um problema bem menor.

Nota do Mundo Botafogo: todas as crônicas da autora podem ser lidas na etiqueta/rubrica com a seguinte denominação: letras lúciasenna [42 dessas crônicas foram posteriormente publicadas, mas a edição está esgotada].

terça-feira, 7 de abril de 2026

Arrebatadora e tumultuada década de 1990 (V): de recordista do Rio-São Paulo à inesperada e frustrante Copa perdida

Arte. Iram Santos.

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

No dia 28 de fevereiro de 1998 o Botafogo entrou em campo para decidir com o São Paulo o campeão do Torneio Rio-São Paulo e venceu o jogo de ida no Morumbi por 3x2, de virada, em mais um desempenho sensacional ainda com alguns dos campeões de 1995. Zé Carlos e Dodô marcaram para os paulistas aos 38’ e 50’, respectivamente, mas o Botafogo liquidou a fatura com três gols de Zé Carlos, Sérgio Manoel e Jorge Luís, aos 64’, 75’ e 86’ respectivamente.

No dia 4 de março, no Maracanã, perante mais de 56 mil espectadores, bastava o empate para o Botafogo ser campeão. Jefferson tornou o nosso favoritismo maior quando aos 11’ inaugurou o marcador. Porém, foi a vez do São Paulo se encher de brio e fez a virada ainda na primeira parte do jogo, marcando por Adriano e Dodô, aos 37’ e 43’, respectivamente.

O jogo endureceu com 9 cartões amarelos mostrados e durante 33 minutos o Botafogo batalhou até que conseguiu chegar ao empate aos 76’, por Zé Carlos, vindo do banco em substituição de França e conquistando novamente o título da competição pela quarta vez (1962, 1964, 1966, 1998), consagrando o único tetra-campeonato de clubes cariocas no Torneio Rio-São Paulo.

O Botafogo alinhou com Wagner; Wilson Goiano, Jorge Luís, Gonçalves e Jefferson; Pingo, França (Zé Carlos), Djair e Sérgio Manoel (Alemão); Bebeto e Túlio. Técnico: Gilson Nunes.

Campanha completa em https://mundobotafogo.blogspot.com/2008/08/viagem-luanda-lisboa.html

Ainda em 1998, numa perspectiva das “coisas que só acontecem ao Botafogo”, eis que num famoso jogo entre o Botafogo e o Atlético Mineiro, pelo Campeonato Brasileiro, o nosso Clube foi para o intervalo vencendo por 2x0, mas na 2ª parte o Atlético diminuiu o placar e depois, em apenas 17 minutos, os alvinegros de Minas marcaram quatro gols de rajada e passaram a golear o Botafogo por 5x2 aos 80’ de jogo.

O presidente José Luiz Rolim, encolerizado, recolheu-se ao vestiário e deu uma enorme bronca aos jogadores quando chegaram junto dele. Porém, subitamente, comemoraram todos juntos. A história é contada em https://mundobotafogo.blogspot.com/2025/12/uma-historia-de-5x5-no-placar.html

No ano seguinte, em 1999, o Botafogo disputou a Copa do Brasil e tinha todas as condições de conquistar a inédita taça para a Sala de Troféus do Clube, defrontando o Juventude.

Botafogo x Juventude, perante 100.000 alvinegros.

No jogo de ida, em Caxias do Sul, o Botafogo foi derrotado por 2x1 e teve dois gols indevidamente anulados. Quando no jogo de volta, em 28 de junho, perante 100.000 espectadores alvinegros – público que se mantém até hoje como o maior em disputas pela Copa do Brasil – o Botafogo deu entrada no Maracanã, bastava vencer por 1x0 para fazer explodir aquela centena de milhar de almas alvinegras.

Diante da retranca do Juventude, atuando previsivelmente, com um técnico pouco ousado e uma arbitragem ‘manhosa’, o Botafogo caiu com um empate por 0x0 sem conseguir por uma única vez balançar as redes adversárias.

Zé Carlos sintetizou esse dia em que a torcida botafoguense, provavelmente, conheceu o mais amargo gosto do falhanço inesperado:

– “Lembro que, quando a gente estava chegando ao Maracanã, fiquei impressionado, porque nunca tinha visto tanta gente na minha vida. Foi um momento especial para mim, mas frustrante no fim.”

Talvez se deva mencionar que a Torcida Gloriosa somente se vingou verdadeiramente da sua trágica frustração de 1999 apenas um quarto de século depois quando superou todas as alegrias possíveis durante a invasão de quarenta mil botafoguenses no estádio Mâs Monumental – no dia 30 de novembro de 2024!

Todavia, o Mais Tradicional ainda teria que percorrer uma longa caminhada desde a década de 1990 até à década de 2020, por entre algumas esperanças e três descidas aos infernos da Série B do Campeonato Brasileiro de futebol, antes de subir aos céus concretizando o maior sonho da sua torcida: ser CAMPEÃO CONTINENTAL!

Fontes:

https://maisqueumjogo.com.br/

https://imortaisdofutebol.com/jogos-eternos-atletico-mg-5x5-botafogo-1998/

https://mundobotafogo.blogspot.com/2008/08/viagem-luanda-lisboa.html

https://mundobotafogo.blogspot.com/2025/12/uma-historia-de-5x5-no-placar.html

segunda-feira, 6 de abril de 2026

Botafogo vice-campeão da Dallas Cup

Fonte: X/Botafogo.

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

O Botafogo ficou como vice-campeão da Dallas Cup, categoria U19 Super Goup, que decorreu na cidade de Dallas (E. U. da América), entre os dias 29 de março e 5 de abril de 2026, empatando na final por 2x2 e perdendo na disputa por grandes penalidades.

A equipe fez boas exibições e destacaram-se alguns atletas, mas na final, após a vantagem por 2x0, a equipe cedeu o empate com dois gols nos últimos minutos e perdeu por grandes penalidades.

FASE DE GRUPOS

Botafogo 3x1 Aston Villa FC (Inglaterra)

» Gols: Vitinho, aos 4’, Marcelo Maurício, aos 34’, e Juninho, as 38’

» Competição: Dallas Cup – U19 Super Group

» Data: 29.03.2026

» Local: Cotton Bowl – Stadium Field, em Dallas (EU América)

» Botafogo titular: Matheus Lima; Gabriel Felipe, Herick, Danillo e Gustavo Xisto; Marcelo Maurício, Ivan Molina e Juninho; Vitinho, Davi Nery e Samuel Alves. Reservas: João Vitor, Lira, Pedro Martins, Luís Matias, Martin Caetano e Luan Gabriel. Técnico: Augusto Weege.

Jogo em https://www.youtube.com/watch?v=ZKyU43kcecA&t=2649s

Botafogo 3x3 Houston Dynamo FC (EU América)

» Gols: Juninho, aos 4’, Gol contra, ao 23’, e Samuel Alves, aos 90+8’

» Competição: Dallas Cup – U19 Super Group

» Data: 30.03.2026

» Local: Toyota Soccer Center, em Dallas (EU América)

» Botafogo titular: João Vitor; Gabriel Felipe, Herick, Danillo e Gustavo Xisto; Marcelo Maurício, Ivan Molina e Juninho; Vitinho, Davi Nery e Samuel Alves. Reservas: Matheus Lima, Lira, Pedro Martins, Luís Matias, Martin Caetano e Luan Gabriel. Técnico: Augusto Weege.

Jogo em https://www.youtube.com/watch?v=jKRl2dxtNns&t=8288s

Botafogo 3x1 Real Salt Lake (EU América)

» Gols: Samuel Alves, aos 14’ e 87’, Xisto, 39’

» Competição: Dallas Cup – U19 Super Group

» Data: 01.04.2025

» Local: Toyota Soccer Center, em Dallas (EU América)

» Botafogo titular: Matheus Lima; Gabriel Felipe, Danillo, Lira e Herick; Gustavo Xisto, Marcelo Maurício e Pedro Martins; Vitinho, Juninho e Samuel Alves. Reservas: João Vitor, Luís Matias, Martin Caetano e Luan Gabriel. Técnico: Augusto Weege.

Jogo em https://www.youtube.com/watch?v=eqcAH_Gtb3Y

SEMIFINAL

Botafogo 2x0 St. Louis City SC (EU América)

» Gols: Samuel Alves, aos 35’, e Marcelo Maurício, aos 67’

» Competição: Dallas Cup – U19 Super Group

» Data: 03.04.2026

» Local: Toyota Soccer Center – Stadium, em Dallas (EU América)

» Botafogo titular e substitutos: Matheus Lima; Lira, Herick (Martin Caetano), Danillo e Gustavo Xisto; Marcelo Maurício, Pedro Martins e Ivan Molina; Juninho, Vitinho (Davi Nery) e Samuel Alves (L. Matias). Não jogaram: João Vitor, Luan Gabriel e Gabriel Felipe. Técnico: Augusto Weege.

Jogo em https://www.youtube.com/watch?v=Gfkou9vvuWg

FINAL

Botafogo 2(5)x2(6) Philadelphia Union (EU América)

» Gols: Samuel Alves, aos 10’, e Ivan Molina, ao 46’

» Competição: Dallas Cup – U19 Super Group

» Data: 05.04.2026

» Local: Toyota Soccer Center – Stadium, em Dallas (EU América)

» Botafogo: Matheus Lima; Gabriel Felipe, Herick, Danillo e Gustavo Xisto; Lira, Marcelo Maurício e Pedro Martins; Ivan Molina (Vitinho), Samuel Alves (Luan Gabriel) e Juninho (Davi Nery). Técnico: Augusto Weege.

Jogo em https://www.youtube.com/watch?v=cay01zfwQ9E

Fontes: Foganet.com; https://system.gotsport.com/org_event/events/45488/schedules?team=3883449

domingo, 5 de abril de 2026

Botafogo 2x1 Vasco da Gama – a ressurreição futebolística ou… o time da virada

Crédito: Jorge Rodrigues | AGIF.

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

Exatamente três meses foi o tempo perdido com o ‘inventor’ do desposicionamento de todos os jogadores do meio para a frente e do estapafúrdio sistema de três centrais a que nenhum atleta se habituou. Seria preciso muita inteligência para perceber o clamoroso equívoco?

Rodrigo Bellão comprovou, através da evidência, que um técnico esclarecido não precisa de ‘muita inteligência’, mas sobretudo o discernimento, face ao que é claro, manifesto e incontestável, de rever a organização, a filosofia e a dinâmica de uma equipe que durante três meses não passou de 42,6% e não venceu um único clássico carioca, sendo uma boa parte dessa percentagem baseada em vitórias contra equipes modestas como Portuguesa, Volta Redonda e Bangu.

Dois jogos bastaram a Bellão para perceber que o plantel atual, sem capacidade para “atacar, atacar, atacar” (sic, Textor), teria que montar uma muralha defensiva e transições rápidas para surpreender o adversário em contra-ataques velozes.

Resultou que, após três jogos (sendo a vitória contra o Mirassol já um indício de que Bellão estava tentando mudar a equipe para uma organização ‘normal’), os infrutíferos Arthur Cabral e Matheus Martins tenham desencantado com gols de outro mundo, que Villalba mostrasse o ar da sua graça e que até Raul tenha sido seguro e autor de duas defesas difíceis.

Em suma, o Botafogo percebeu que precisa saber jogar sem bola, possuir uma defesa segura e não a pior do campeonato, e atacar em transições velozes e rematar de fora da grande área – efetivamente, com menos posse de bola, o Botafogo rematou 16 vezes à baliza, tal como o Vasco, mas conseguiu o dobro dos remates enquadrados na baliza adversária.

Sobre as decorrências do jogo, o Vasco tomou a dianteira atacante e dominou a posse de bola durante os primeiros vinte minutos. As nossas saídas de bola eram perdidas no contra-ataque, mas a equipe no seu todo estava se esforçando para seguir um posicionamento diferente daquele a que os jogadores foram obrigados durante três meses em posições desconfortáveis.

Eis que aos 22’ o Botafogo contra-atacou velozmente por Arthur Cabral, que enviou um passe açucarado para Júnior Santos, que sem adversários e frente à baliza arrancou um remate incrivelmente frouxo à figura do goleiro – embora eu admita que a flagrante perda se deveu à irregularidade da relva.

O Vasco continuou a porfiar no tal tik-tak de posse de bola totalmente ineficaz e que pessoalmente me desagrada, mas o Botafogo engrenou uma série de contra-ataques em transições rápidas e aos 36’, na sequência de um escanteio cobrado por Alex Telles, Barboza cabeceou rente à baliza.

Aos 41’ novo contra-ataque do Botafogo, Matheus Martins isolou-se, foi derrubado por Saldivia, último homem da defesa, e o árbitro assinalou a falta com um… cartão amarelo! Percebo a interpretação de que Matheus Martins estava descaído para o lado esquerdo e não no enfiamento da baliza, mas creio que o derrube foi demasiado acintoso e mereceria cartão vermelho naquele que se pode considerar o único erro significativo da arbitragem durante a partida – e talvez até, face ao resultado final, tenha sido benéfico para a equipe não embarcar em ataques descoordenados na ânsia de inaugurar o marcador jogando contra 10.

Ao 45’, um grande passe de Danilo para Matheus Martins obrigou Léo Jardim a executar, provavelmente, a maior defesa da noite. Chegados ao intervalo o zero a zero permaneceu com o Vasco a dominar a posse de bola e o Botafogo a criar as melhores oportunidades de gol.

Ao intervalo Bellão mandou Caio Roque entrar no lugar de Alex Telles, com problemas musculares, e o jovem atleta saiu-se bastante bem na sua exibição.

No segundo tempo o Vasco acelerou, aumentando a velocidade na saída de bola da defesa e começou criando maior perigo. Aos 53’ o Vasco teve uma boa chance de inaugurar o marcador, mas o remate foi fraco para a defesa de Raul. Porém, aos 55’, Raul foi chamado a uma intervenção difícil e evitou o gol, e no rebote Tchê Tchê fez-nos o favor de rematar para fora com a baliza escancarada, mas o Vasco perigava anunciando gol…

E eis que aos 61’, numa jogada em que Vitinho foi lento e não acompanhou o lance, o Vasco inaugurou o marcador. A torcida do Vasco, que já entrara na zoação ao Botafogo (absurdo, num ‘clássico da amizade’), ficou meio alucinada e em êxtase – a vitória estava no papo e ia ser fácil.

Pois… mas não era Anselmi quem estava no banco, e sim Rodrigo Bellão.

E então o Botafogo reagiu inesperadamente. Lucas Villalba entrara há um minuto e aos 65’, a cruzamento de Caio Roque da ala esquerda, Villalba inventou uma cabeçada fenomenal, em arco, que entrou no ângulo oposto da baliza e decretou o empate – e apenas quatro minutos depois de os vascaínos alucinarem com o primeiro gol, Caio Roque e Villalba estamparam a apreensão no rosto da torcida adversária.

Aos 68’ entraram Montoro e Kadir e aos 71’ Danilo perdeu uma enorme oportunidade para a virada. Mas… como algumas pessoas gostam de dizer, estava “escrito nas estrelas” que era o dia de Arthur Cabral, Villalba, Matheus Martins e… Rodrigo Bellão.

E assim, aos 79’, numa iluminação rara, Matheus Martins dominou a bola pelo lado esquerdo, avançou e subitamente, ainda fora da grande área, rematou em arco para o ângulo oposto e faz a virada num golaço de ‘craque’. Botafogo 2x1.

E daí até ao fim do jogo o Botafogo controlou, o Vasco não saiu do seu inútil joguinho improdutivo (apenas uma cabeça rente ao poste), não conseguia entrar na área e… perdeu o Clássico de virada em casa!

Resumo da ‘coisa’: Rodrigo Bellão ‘comeu’ o arrogante Renato Gaúcho!

Biografia de Rodrigo Bellão: https://mundobotafogo.blogspot.com/2025/05/rodrigo-bellao-veni-vidi-vici-dallas-cup.html

FICHA TÉCNICA

Botafogo 2x1 Vasco da Gama

» Gols: Lucas Villalba, aos 65’, e Matheus Martins, aos 79’ (Botafogo); David, aos 61’ (Vasco da Gama)

» Competição: Campeonato Brasileiro

» Data: 04.04.2026

» Local: Estádio São Januário, no Rio de Janeiro (RJ)

» Árbitro: Wagner do Nascimento Magalhães (RJ); Assistentes: Bruno Boschilia (PR) e Luiz Claudio Regazone (RJ); VAR: Rodrigo D’Alonso Ferreira (SC)

» Disciplina: cartão amarelo – Júnior Santos e Ferraresi (Botafogo) Saldivia (Vasco da Gama);

» Botafogo: Raul; Vitinho, Ferraresi, Alexander Barboza e Alex Telles (Caio Roque); Allan (Newton), Edenílson (Álvaro Montoro) e Danilo; Matheus Martins, Júnior Santos (Lucas Villalba) e Arthur Cabral (Kadir). Técnico: Rodrigo Bellão.

» Vasco da Gama: Léo Jardim; Pumita Rodríguez, Saldivia, Robert Renan e Cuiabano; Barros, Thiago Mendes e Tchê Tchê (Hinestroza); Rojas (Nuno Moreira), Andrés Gómez e David (Spinelli). Técnico: Renato Gaúcho.

A voz de Sara

Crédito: www.freepik.com por LÚCIA SENNA | Escritora e cantora | Colunista do Mundo Botafogo Sempre tive medo de doença. Gosto tanto da ...