terça-feira, 21 de abril de 2026

Zico, a ‘FlaPress’ e a ‘FogoPress’

Imagem: Mundo Botafogo.

por RUY MOURA | Editor o Mundo Botafogo

Tenho imensa consideração por Arthur Antunes Coimbra, o conhecidíssimo futebolista Zico, por duas razões essenciais: (a) por ter sido um futebolista de elevada craveira, embora sem dimensão internacional; (b) e pelo seu caráter e comportamentos enquanto cidadão.

Todavia, um/a flamenguista é sempre um/a flamenguista que foge à verdade, ou a torneia, quando se trata de debater o escandaloso favorecimento do Clube de Regatas Flamengo, seja por dirigentes confederativos ou federativos, seja por arbitragens amigas, seja por simpaticíssimas decisões judiciais, seja pela mídia em geral, parte dela denominada popularmente por ‘FlaPress’ – e bem denominada.

Relembremos a frase mais emblemática de Zico referindo-se ao Botafogo de Futebol e Regatas:

– “Eu tinha ódio do Botafogo. Eles ganhavam todas.” – e acrescenta que “nunca vi o Flamengo ganhar do Botafogo como torcedor”.

Agora Zico vem com um novo artifício que de certo modo branqueia, ou no mínimo justifica, o injustificável:

– “Hoje falam que tem FlaPress, mas na época era Botafogo Press. Os grandes jornalistas eram todos botafoguenses. O Botafogo era isso aí.” – disse Zico em entrevista recente a Podpah.

O Botafogo era isso aí?!?!

Zico faz bem em reconhecer que quase todos os ‘grandes jornalistas’ eram botafoguenses. Relembro, por exemplo, um Onze possível de grandes jornalistas botafoguenses: Armando Nogueira, Canor Simões Coelho, Geraldo Romualdo, Ivan Lessa, Léo Batista, Maneco Müller, Oldemário Touguinhó, Paulo Mendes Campos, Roberto Porto, Salim Simão e Sandro Moreyra.

Confira o Clube dos Gloriosos Jornalistas em https://mundobotafogo.blogspot.com/2025/09/clube-dos-gloriosos-jornalistas.html

E permitam-me os leitores acrescentar um nome, talvez mesmo o mais exuberante nome do jornalismo desportivo e da dramaturgia naquela época: Nelson Rodrigues, quiçá o mais brilhante torcedor do Fluminense, e que, contudo, escreveu inúmeras crônicas elogiando atletas e clubes do Rio de Janeiro.

No entanto, não havia FogoPress nem FluPress, porque a atual designação de FlaPress não se baseia em ‘grande jornalistas’ – que a torcida do Flamengo nunca teve –, mas sim em maus jornalistas, sem qualidade nem ética profissional, que inventam, omitem, mentem e também ofendem sem nenhum pudor os clubes adversários.

O suposto FogoPress de Zico baseia-se em que os ‘grandes jornalistas’ eram predominantemente botafoguenses, mas não consta das históricas crônicas da época textos ordinários, mesquinhos e desprezíveis como os textos e as oralidades que atualmente, e desde há dezenas de anos, se assiste principalmente em televisão e nas redes sociais.

Os jornalistas da época mencionada por Zico eram, como o próprio confirma, ‘grandes jornalistas’ – e por serem grandes não usavam da mesquinhez que a ‘pequena’ FlaPress usa.

Ora, por os jornalistas da época serem sobretudo botafoguenses e ‘grandes’, não implica, em momento algum, favorecimento ilícito do Botafogo, designadamente através de menosprezo e desestabilização dos adversários por via da sua posição na imprensa – porque justamente os grandes jornalistas são-nos pela sua qualidade e ética profissional.

Consequentemente não havia favoritismo ao Botafogo pela mídia nos termos do favoritismo ao Flamengo na atualidade, o qual se baseia em baixos níveis de qualidade e ética profissional.

Na verdade, pode-se apontar diversos títulos conquistados pelo Flamengo com base em benefícios da arbitragem e com o beneplácito da FlaPress nas últimas décadas, mas não se consegue apontar um único título do Botafogo conquistado na década de 1960 por vantagem de árbitros simpaticíssimos ao Botafogo, nem ‘grandes jornalistas’ encobriam e protegiam o Botafogo publicamente ou evidenciavam atitudes desprezíveis pelo Flamengo – no máximo ironizavam situações caricatas do rubro-negro, como a final do campeonato estadual de 1966, em que Almir Pernambuquinho iniciou uma enorme pancadaria em campo contra o Bangu, a fim de o árbitro terminar o jogo – e terminou – cujo placar já acusava 3x0 e tudo indiciava que iria à meia dúzia.

A vantagem do Botafogo na década de 1960 não era do tipo FlaPress, que branqueia e valida comportamentos eticamente inaceitáveis, mas sim o que Zico menciona claramente na entrevista:

– “Os anos sessenta são do Botafogo. O Botafogo era, em 61, 62, Garrincha, Didi, Amarildo, Nilton Santos.” – e mais adiante acrescenta: – “Aí, em 67, 68 vieram Jairzinho, Paulo Cézar, Gérson, Leônidas e tal. E foram bicampeões também.”

Finalmente Zico menciona que a mudança de patamar do Flamengo a partir de 1971 relaciona-se com o desmembramento da equipe do Botafogo em 1972:

– “Trouxe o Zagallo, a comissão técnica do Botafogo, que eram os vencedores, e os jogadores. Seis jogadores do Botafogo. E foi campeão em 72. Então, quer dizer, o Botafogo começou a cair e o Flamengo se levantou.”

O que Zico não menciona é que o Botafogo desagradou ao regime político da época quando em 1968 a Polícia Militar invadiu General Severiano perseguindo manifestantes e o presidente Althemar Dutra de Castilho considerou inadmissível que a PM tivesse entrado em General Severiano sem autorização do Clube, violando todas as regras.

Desde aí – com o respaldo do poder político – o Botafogo começou sendo cercado, e em 1971 viu-se isso mesmo na reta final do campeonato estadual. O Botafogo tinha 5 pontos de vantagem (7, segundo os critérios atuais) e a arbitragem começou a ‘operar’, incluindo durante a final com o gol ilegal do Fluminense que lhe valeu o título.

O Botafogo não era isso aí, meu caro Zico… o Botafogo era, por mérito próprio, um Clube que se destacava a nível nacional e internacional e os ‘grandes jornalistas’, cuja ampla maioria torcia pelo Botafogo, eram gente de qualidade e ética profissional e jamais podem ser comparados ao caráter e aos comportamentos dos jornalistas denominados por ‘FlaPress’.

A título de curiosidade indica-se aos leitores 40 jornalistas botafoguenses da atualidade: https://www.youtube.com/watch?v=nA25jMPVqCo&t=33s

Fonte que menciona a entrevista de Zico ao Podpah: https://odia.ig.com.br/esporte/2026/04/amp/7238032-zico-relembra-passado-e-analisa-peso-da-midia-no-rio-era-botafogo-press.html

Futebol arte versus Futebol científico

Crédito: Jornal do Brasil, 03.02.1970.

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

A União Soviética anunciava, na década de 1960, a chegada do seu futebol ‘científico’ que iria dominar o mundo. O Botafogo enfrentou e venceu a URSS em Caracas e sagrou-se campeão do torneio, em vésperas da Copa do Mundo de 1970. O Botafogo formou com Cao; Moreira, Moisés, Leônidas e Valtencir; Nei Conceição e Carlos Roberto; Zequinha, Roberto Miranda, Humberto Rêdes e Paulo Cézar. Roberto Miranda marcou o gol da vitória, aos 44’. Quatro meses depois desse jogo foi o Brasil que se sagrou tricampeão do mundo com três atacantes do Glorioso. 

segunda-feira, 20 de abril de 2026

JOIAS DO BAIRRO - e que Bairro!

  
A base de futebol do Botafogo rebatizada. Fonte: X / Botafogo de Futebol e Regatas.

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

Gostei francamente da base do Botafogo ser rebatizada como ‘Joias do Bairro’, não por relação a (incultos) torcedores adversários dizerem, em estilo de zoação pueril, que o Botafogo é um Bairro, mas sim porque evidencia, uma vez mais, a subtileza do comportamentos botafoguenses, mostrando como o Botafogo do Bairro do mesmo nome se esmera no tratamento das suas Joias futebolísticas das bases.

Nunca fiquei incomodado com isso.

Em primeiro lugar porque todos os clubes do mundo habitam em um bairro. Veja-se, por exemplo, onde habitam os classicamente considerados como os 12 maiores clubes brasileiros:

No Estado do Rio de Janeiro: Botafogo – Bairro de Botafogo; Flamengo – Bairro do Flamengo; Fluminense – Bairro das Laranjeiras; Vasco da Gama – Bairro Vasco da Gama.

No Estado de São Paulo: Corinthians – Bairro de Tatuapé; Palmeiras – Bairro da Água Branca; Santos – Bairro de Vila Belmiro; São Paulo – Bairro do Morumbi.

No Estado de Minas Gerais: Atlético Mineiro – Bairro Califórnia; Cruzeiro – Bairro Barro Preto.

No Estado do Rio Grande do Sul: Grêmio – Bairro Humaitá; Internacional – Bairro Praia de Belas.

Então – pergunta-se – porque raio de razão se lembraram de nos quererem zoar – além da infantilidade própria desse tipo de zoação – como ‘Botafogo é um Bairro’. É tão simples: porque de todos os bairros de todos os clubes brasileiros, o de Botafogo é o mais reconhecido pela sua beleza, cultura e atmosfera vibrante dentre todos os bairros de todos os clubes brasileiros e várias vezes eleito como um dos mais ‘cool’ do mundo.

E essa é a segunda razão, e a principal, por não me incomodar – muito pelo contrário! – em colocarem na boca do mundo o Bairro do nosso Clube – porque o bairro merece mesmo essa popularidade por toda a sua fulgurosa história.

Peço encarecidamente que não se zanguem os demais torcedores com esta minha soberba, sejam torcedores do Botafogo que habitam outros Bairros de encantar, sejam torcedores adversários, mas o Bairro de Botafogo é mesmo o Bairro mais especial que conheço dentre todos os países que já visitei.

É subjetivo, eu sei, porque nele habita o meu amado Clube, mas a minha subjetividade é resultado da enorme emoção que sinto quando visito Botafogo e calcorreio as suas históricas ruas à beira da linda enseada da espantosa Baía de Guanabara.

Faço votos para que o Bairro de Botafogo permaneça bem vivo e intenso como até aos dias de hoje!

Quando o futebol era arte pura sem força bruta...

 

Zico, a ‘FlaPress’ e a ‘FogoPress’

Imagem: Mundo Botafogo. por RUY MOURA | Editor o Mundo Botafogo Tenho imensa consideração por Arthur Antunes Coimbra, o conhecidíssimo f...