segunda-feira, 20 de abril de 2026

JOIAS DO BAIRRO - e que Bairro!

  
A base de futebol do Botafogo rebatizada. Fonte: X / Botafogo de Futebol e Regatas.

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

Gostei francamente da base do Botafogo ser rebatizada como ‘Joias do Bairro’, não por relação a (incultos) torcedores adversários dizerem, em estilo de zoação pueril, que o Botafogo é um Bairro, mas sim porque evidencia, uma vez mais, a subtileza do comportamentos botafoguenses, mostrando como o Botafogo do Bairro do mesmo nome se esmera no tratamento das suas Joias futebolísticas das bases.

Nunca fiquei incomodado com isso.

Em primeiro lugar porque todos os clubes do mundo habitam em um bairro. Veja-se, por exemplo, onde habitam os classicamente considerados como os 12 maiores clubes brasileiros:

No Estado do Rio de Janeiro: Botafogo – Bairro de Botafogo; Flamengo – Bairro do Flamengo; Fluminense – Bairro das Laranjeiras; Vasco da Gama – Bairro Vasco da Gama.

No Estado de São Paulo: Corinthians – Bairro de Tatuapé; Palmeiras – Bairro da Água Branca; Santos – Bairro de Vila Belmiro; São Paulo – Bairro do Morumbi.

No Estado de Minas Gerais: Atlético Mineiro – Bairro Califórnia; Cruzeiro – Bairro Barro Preto.

No Estado do Rio Grande do Sul: Grêmio – Bairro Humaitá; Internacional – Bairro Praia de Belas.

Então – pergunta-se – porque raio de razão se lembraram de nos quererem zoar – além da infantilidade própria desse tipo de zoação – como ‘Botafogo é um Bairro’. É tão simples: porque de todos os bairros de todos os clubes brasileiros, o de Botafogo é o mais reconhecido pela sua beleza, cultura e atmosfera vibrante dentre todos os bairros de todos os clubes brasileiros e várias vezes eleito como um dos mais ‘cool’ do mundo.

E essa é a segunda razão, e a principal, por não me incomodar – muito pelo contrário! – em colocarem na boca do mundo o Bairro do nosso Clube – porque o bairro merece mesmo essa popularidade por toda a sua fulgurosa história.

Peço encarecidamente que não se zanguem os demais torcedores com esta minha soberba, sejam torcedores do Botafogo que habitam outros Bairros de encantar, sejam torcedores adversários, mas o Bairro de Botafogo é mesmo o Bairro mais especial que conheço dentre todos os países que já visitei.

É subjetivo, eu sei, porque nele habita o meu amado Clube, mas a minha subjetividade é resultado da enorme emoção que sinto quando visito Botafogo e calcorreio as suas históricas ruas à beira da linda enseada da espantosa Baía de Guanabara.

Faço votos para que o Bairro de Botafogo permaneça bem vivo e intenso como até aos dias de hoje!

Quando o futebol era arte pura sem força bruta...

 

domingo, 19 de abril de 2026

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Botafogo 4x1 Chapecoense – finalmente, sem susto…

Crédito: Vitor Silva | Botafogo.

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

O Botafogo venceu com uma tranquilidade que não se via há muito tempo. É certo que a Chapecoense é a penúltima classificada do Brasileirão, mas… quanta vezes já perdemos para clubes que habitam o Z4?

Fiz diversas críticas a Franclim Carvalho nos seus dois primeiros jogos, e ainda chamadas de atenção no último. Não obstante ainda ser cedo para avaliar as suas capacidades, é justo reconhecer que, observando-se com atenção, a equipe melhorou de jogo para jogo em matéria de escalação, de substituições, de entrosamento e até mesmo de afinação nos remates.

Do ponto de vista tático Franclim manteve o 4-3-3, mas a ligação entre os setores melhorou consideravelmente e a ‘maldita’ ideia da posse de bola a qualquer preço desapareceu, optando-se – com seria fácil de observar pelas capacidades do plantel – no contra-ataque e no passe longo, o qual ainda é preciso melhorar bastante.

Talvez a aposta em Neto – contra as minhas expectativas – faça sentido, porque havendo três arqueiros ruins, o treinador de goleiros terá pensado que mais vale aquele que tem mais experiência; na defesa Franclim percebeu que Bastos não recuperou as suas capacidades anteriores e que Ferraresi é um zagueiro polivalente e que busca a sua redenção na carreira; no meio campo e no ataque a equipe foi claramente encorpada, porque no futebol da atualidade, e sem ‘craques’ no elenco que saibam realmente driblar (o que mais se aproxima disso é Danilo), o corpo a corpo é decisivo – e Edenilson, Matheus Martins, Arthur Cabral e Júnior Santos, por exemplo, são suficientemente fortes para o efeito.

Por outro lado, nota-se claramente uma subida de forma de Edenilson, Matheus Martins e Arthur Cabral, esperando-se que Júnior antes ainda possa melhorar para o seu nível antigo.

Percebe-se que estes atletas têm sido treinados posicionalmente – com melhorias significativas de Matheus Martins e Arthur Cabral – e também a rematar de meia distância, assim como se começa a perceber a existência de jogadas ensaiadas.

É claro que é preciso melhorar muito em todos os aspectos, entre os quais a qualidade do último passe e o tempo exato das deslocações para o sucesso do remate final, mas o caminho parece estar se abrindo, porque Franclim Carvalho vai evidenciando capacidade de discernimento na compreensão daquilo que a equipe pode e não pode fazer.

Quanto ao jogo propriamente dito, a Chapecoense apostou num gol muito cedo para depois jogar em contra-ataque, mas a sua blitz durou pouco tempo, tendo Neto respondido bem a remates dos adversários. O Botafogo manteve-se tranquilo, sem pressas desnecessárias, e na primeira oportunidade marcou: Alex Telles cobrou escanteio rasteiro aos 10’ e Edenilson, na marca do pênalti, em posição ensaiada (como Artur Jorge já fizera em 2024), rematou com categoria para abrir o placar. Botafogo 1x0.

A bola foi rolando e, aos 14’, Telles tocou para Matheus Martins na ala esquerda, trabalhou bem a bola, tocou para Danilo e desmarcou-se para a grande área, recebeu a devolução de Danilo e rematou cruzado fazendo a bola entrar no buraco da agulha entre o poste e o goleiro, por onde menos se esperava. Botafogo 2x0.

A Chapecoense sentiu-se cilindrada e procurou reagir, mas esbarrava na serenidade do Glorioso a proteger a bola, e aos 20’, Alex Telles cruzou para a área, a bola sobrou para Vitinho à direita e na linha de fundo o lateral-direito cruzou à medida da cabeça de Edenilson, que tornou a marcar. Botafogo 3x0.

Eficácia total sem precisar da inútil posse de bola sem objetividade: 3 remates, 3 gols e posse de bola em torno dos 50%...

Aos 24’ Júnior Santos poderia ter ampliado, mas foi mal, rematando frouxo e à figura do guardião adversário.

E desde aí o jogo acalmou, embora se tivesse mantido movimentado, até que a defesa do Botafogo se acalmou demais, afrouxou a marcação e Marcinho – o melhor jogador da Chapecoense no jogo – assinou um belo remate fora da grande área e Neto não pôde fazer mais do que ir buscar a bola ao fundo das redes. Botafogo 3x1.

Na segunda parte o jogo começou mais lento, o Botafogo resolveu pressionar a partir dos 60’ até aos 65’, em busca do gol de segurança, mas fê-lo com menos poder de fogo e o jogo acabou por se tornar meio pastoso a partir daí.

A Chapecoense já não tinha força para mais e aos 80’ Joaquín Correa, que substituíra Júnior Santos, endossou a bola a Matheus Martins na ala esquerda, que ajeitou a bola e rematou num bonito gol em arco para o esférico estufar as redes ao segundo poste.

Deve-se mencionar que a subida de forma de Arthur Cabral e Matheus Martins é surpreendente e indicia trabalho específico de treino, assim como Edenilson, na minha opinião o homem do jogo, tende a superar o que considerei ser uma incógnita aquando da sua contratação devido aos seus últimos desempenhos antes de ingressar no Glorioso.

A biografia de Edenilson está disponível em https://mundobotafogo.blogspot.com/2026/02/mercado-de-contratacoes-edenilson.html

Com esta vitória o Botafogo anulou o desequilíbrio de resultado no Brasileirão, registrando agora 5 vitórias, 1 empate e 5 derrotas, 22 gols a favor e outros 22 contra, com a particularidade de, neste momento da rodada, ser a equipe com mais gols marcados e mais gols sofridos.

Subimos ao 7º lugar, à condição, dependendo dos demais resultados que concluirão a 12ª jornada, mas com um jogo ainda em atraso.

Uma nota para a arbitragem: os torcedores não sentiram a arbitragem, exatamente como deveria ocorrer em todos os jogos, a qual não necessitou de distribuir amarelos abundantes como fazem os árbitros exibicionistas, prescindindo de qualquer cartão mostrado. Um exemplo!

Finalmente realçar que em um momento muito tenso fora de campo, os jogadores pareceram blindados à flapress e à restante mídia inóspita. O caminho faz-se caminhando, em segurança, com celeridade, mas sem pressa…

FICHA TÉCNICA

Botafogo 4x1 Chapecoense

» Gols: Edenilson, aos 10’ e 20’, Matheus Martins, aos 14’ e 80’ (Botafogo); Marcinho, ao 45+2’ (Chapecoense)

» Competição: Campeonato Brasileiro

» Data: 18.04.2026

» Local: Arena Condá, em Chapecó (SC)

» Público: 10.184 espectadores

» Renda: R$ 447.500,00

» Árbitro: Matheus Delgado Candançan (SP); Assistentes: Daniel Luís Marques (P) e Miguel Cataneo Ribeiro da Costa (SP); VAR: Daniel Nobre Bins (RS)

» Disciplina: sem advertências

» Botafogo: Neto; Vitinho, Ferraresi, Alexander Barboza e Alex Telles; Edenilson (Barrera), Cristian Medina (Allan) e Danilo; Júnior Santos (Joaquín Correa), Arthur Cabral (Kadir) e Matheus Martins. Técnico: Franclim Carvalho.

» Chapecoense: Rafael Santos; Everton (Marcos Vinícius), Bruno Leonardo, Eduardo Doma e Buno Pacheco; David (Vinícius Balieiro), João Vitor (Jean Carlos) e Higor Mentão; Marcinho, Ítalo (Kevin Ramírez) e Bolasie (Garcez). Técnico: Fábio Matias. 

JOIAS DO BAIRRO - e que Bairro!

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