por
RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo
A Copa do Mundo de
1982, realizada em Espanha entre 13 de junho e 11 de julho, foi também a primeira fase final com 24
seleções, em vez de 16, e terminou com a vitória da Itália, que derrotou a
Alemanha Ocidental por 3x1 na final, no Estádio Santiago Bernabéu, em Madrid.
A Itália teve um
início pouco convincente, empatando os três jogos com Polónia, Peru e Camarões
e classificando-se apenas pelo saldo de gols. Porém, a equipe de Enzo Bearzot
cresceu ao longo da competição e a partir da segunda fase, eliminou a Argentina
de Maradona, depois venceu o Brasil num dos jogos mais célebres da história dos
Mundiais, afastou a Polónia nas semifinais e superou a Alemanha Ocidental na
final, destacando-se a grande figura de Paolo Rossi, que de discreto passou a artilheiro
da Copa, com seis golos, e consagrou-se o melhor atleta da competição.
O Brasil de Telê Santana foi das seleções mais admiradas que nunca ganharam um Mundial, dispondo de jogadores como Zico, Sócrates, Falcão, Éder, Júnior e Cerezo e jogando um futebol ofensivo, técnico e muito fluido.
Na primeira fase o
Brasil impressionou, derrotando a União Soviética, a Escócia e a Nova Zelândia;
na segunda fase venceu a Argentina por 3x1, mas depois baqueou frente à Itália,
perdendo por 3x2 com hat-trick de
Paolo Rossi.
Paolo Rossi quase não
se destacou na fase inicial, mas foi absolutamente decisivo marcando 6 gols nas
fases cruciais da competição: fez 3 gols ao Brasil, 2 gols à Polônia nas
semifinais e 1 gol à Alemanha Ocidental na final, assumindo-se como figura
central da Copa e símbolo da capacidade italiana de resistir, sofrer e vencer.
Em matéria de
controvérsia destacou-se jogo Alemanha
Ocidental x Áustria. A Argélia surpreendera a Alemanha Ocidental vencendo por 2x1,
mas no último jogo entre alemães e austríacos, ambas as equipes se qualificavam
se os alemães vencessem apenas por um ou dois gols.
A Alemanha marcou cedo, o jogo entrou em versão lenta e terminou em 1x0, eliminando a Argélia, ficando o episódio conhecido como a ‘vergonha de Gijón’, onde se disputou a partida, e teve como consequência que as Copas seguintes tivessem os últimos jogos de cada grupo disputados à mesma hora.
A Argélia ficou apenas
com a honra de ter afirmado mundialmente o futebol africano fora do eixo
europeu e sul-americano.
A semifinal entre
França e Alemanha Ocidental, em Sevilha, foi um dos grandes jogos da história
dos Mundiais. Terminou 3x3 após prolongamento e foi decidido nos pênaltis, com
vitória alemã por 5x4.
O momento mais
recordado foi o choque violento entre o goleiro alemão Harald Schumacher e o
francês Patrick Battiston. Battiston ficou inconsciente e perdeu dentes, mas o
árbitro não assinalou falta e o episódio foi dos mais polêmicos da história da
competição.
A França, com Michel
Platini, Alain Giresse, Jean Tigana e Luis Fernández, chegou a estar vencendo
por 3x1 no prolongamento, mas a Alemanha Ocidental recuperou para 3x3 e venceu
nos pênaltis.
Nesse ano Diego Maradona já era uma estrela, mas este não foi o seu Mundial de consagração, e a Argentina, campeã em título, não conseguiu repetir o sucesso de 1978.
Na segunda fase os
argentinos perderam com a Itália e depois com o Brasil. No jogo contra o
Brasil, Maradona foi expulso após uma entrada sobre João Batista e aumentou a
sua frustração na prova – mas o México esperava por ele em 1986.
Verificaram-se outros
episódios marcantes, entre os quais a Hungria ter estabelecido a maior goleada
da história dos Mundiais até hoje, vencendo El Salvador por absurdos 10x1!
Por seu lado, a
Irlanda do Norte surpreendeu ao vencer a Espanha por 1x0, sobretudo porque os
irlandeses jogaram parte do segundo tempo com dez jogadores.
A Seleção de Camarões
foi eliminada sem perder qualquer jogo, registrando três empates na fase de
grupos e colocando-se dignamente ao lado da Argélia como Seleção africana
competitiva.
Na final, a Itália confirmou a sua transformação ao longo da prova. No 1º tempo Antonio Cabrini falhou um pênalti, mas os italianos dominaram a segunda parte. Paolo Rossi abriu o placar, Marco Tardelli fez o segundo gol e Alessandro Altobelli marcou o terceiro. Paul Breitner reduziu para a Alemanha Ocidental, mas a vitória italiana já estava consolidada.
A imagem mais icônica
da final foi o festejo de Marco Tardelli depois de marcar o segundo golo da
Itália, lançando-se numa corrida emocionada que se tornou uma das celebrações
mais famosas da história do futebol.
Com a conquista do 3º
título mundial a Itália igualou o Brasil em número de títulos e o capitão e goleiro
Dino Zoff, com 40 anos de idade, tornou-se o jogador mais velho a vencer uma
Copa do Mundo.
Em resumo, a Copa do
Mundo de 1982 ficou na história por várias razões: a vitória improvável de uma
Itália inicialmente discreta; a queda estrondosa do Brasil de Zico, Sócrates e
Falcão; a afirmação de Paolo Rossi como figura principal da competição; a
injustiça sentida pela Argélia; a polémica de Gijón; a violência não sancionada
sobre Battiston; e uma final em que a Itália mostrou eficácia, maturidade
competitiva e força emocional.
FICHA TÉCNICA DA FINAL
Itália 3x1 Alemanha
Ocidental
» Gols: Paolo Rossi,
aos 57’, Marco Tardelli, aos 69’, e Alessandro Altobelli, aos 81’ (Itália);
Paul Breitner, aos 83’ (Alemanha Ocidental)
» Data: 11 de julho de
1982
» Local: Estádio
Santiago Bernabéu, em Madrid (Espanha)
» Público: ~90.000
espectadores
» Árbitro: Arnaldo
Cézar Coleho (Brasil)
» Disciplina: cartão
amarelo – Bruno Cnti e Gabriele Oriali (Itália) e Wolfgang Dremmler, Uli
Stielike e Pierre Littbarski
» Itália: Dino Zoff;
Claudio Gentile, Gaetano Scirea, Giuseppe Bergomi, Fulvio Collovati, Antonio
Cabrini, Marco Tardelli, Gabriele Oriali, Bruno Conti, Francesco Graziani
Alessandro Altobelli e depois Franco Caui) e Paolo Rossi. Técnico: Enzo
Bearzot.
» Alemanha Ocidental: Harald
Schumacher, Manfred Kaltz, Karl-Heinz Förster, Uli Stielike, Bernd Förster,
Hans-Peter Briegel, Paul Breitner, Wolfgang Dremmler, Horst Hrubesch), Pierre
Littbarski, Karl-Heinz Rummenigge Hansi Müller e Klaus Fischer. Técnico: Jupp
Derwall.
Fontes: cincinnatisoccertalk.com; en.wikipedia.org; imortaisdofutebol.com, maisfutebol.iol.pt; www.britannica.com; www.fifa.com; www.ogol.com.br.













