sexta-feira, 3 de abril de 2026

Arrebatadora e tumultuada década de 1990 (IV): da coleção de títulos à ameaça do facalhão e ao comedor de grama

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

Vindo de campeão brasileiro de 1995, o Botafogo estava com a moral elevada e conquistou títulos em torneios importantes, exibindo-se a um bom nível.

No início do ano, de 28 de janeiro a 3 de março de 1996, o Botafogo disputou o Torneio Municipal Cidade Maravilhosa, que na verdade era um campeonato carioca de turno único, mas a Federação decidiu não equiparar o título a campeonato carioca, ao contrário do que fez com o Flamengo posteriormente, que desse modo tem dois títulos oficiais de campeão carioca num só ano (1979). O Botafogo venceu América, Fluminense, Olaria, Vasco da Gama, Bangu e Madureira, empatando o último jogo com o Flamengo por 2x2, gols de Túlio e Dauri, e sagrando-se campeão invicto.

No último jogo o Botafogo alinhou com Wagner; Perivaldo, Wilson Gottardo, Gonçalves e Paulo Roberto; Jamir, Moisés (Silas), Uidemar e Dauri (Souza); Marcelo Alves (Mauricinho) e Túlio Maravilha. Técnico: Marinho Peres.

Campanha completa em https://mundobotafogo.blogspot.com/2022/06/1996-torneio-municipal-taca-cidade.html

Em agosto o Botafogo excursionou pela Europa e no dia 4 desse mês conquistou o III Torneio Presidente da Rússia, em Vladikavkaz, vencendo o Valência (Espanha) por 5x4 no desempate por grandes penalidades, após empate por 1x1 no tempo regulamentar, gol de Túlio Maravilha.

O Botafogo alinhou com Wagner; Wilson Goiano (Alemão), Wilson Gottardo, Grotto e Jefferson; Souza, Octacílio e Marcelo Alves (Marco Aurélio) e Bentinho; Túlio Maravilha e Sorato (França). Técnico: Ricardo Barreto.

A 10 de agosto o Botafogo conquistou um importantíssimo torneio em Espanha, talvez a mais emocionante conquista em torneios internacionais não oficiais, superando a poderosa Juventus e conquistando o XLVIII Troféu Teresa Herrera.

A Juventus adiantou-se no placar por quatro vezes e o Botafogo por quatro vezes empatou, 2x2 no tempo regulamentar [0x1, 1x1, 1x2, 2x2] e 4x4 no período de prorrogação [2x3, 3x3, 3x4, 4x4], gols de Túlio Maravilha (3) e França. O Botafogo venceu no pênaltis por retumbante 3x0, gols de Wilson Goiano, Wilson Gottardo e Souza.

A equipe alinhou com Wagner; Wilson Goiano, Wilson Gottardo, Grotto e Jefferson; Souza, Octacílio (Alemão), Marcelo Alves (Marco Aurélio) e Bentinho (França); Dorato (Mauricinho) e Túlio (Zé Carlos). Técnico: Ricardo Barreto.

Campanha completa em https://mundobotafogo.blogspot.com/2011/10/botafogo-campeao-internacional-em.html

Foi um ano interessante do ponto de vista futebolístico na medida em que o Botafogo tornou a granjear prestígio internacional, ma acabou num famoso escândalo de Souza, Silas e a esposa deste. Silas descobriu (ou suspeitou) que a esposa se envolvera em adultério com um seu companheiro de equipe, o volante Souza.

Após um jogo, Silas atacou Souza no vestiário e teria chegado a ameaçá-lo com um facalhão (vulgo ‘peixeira’), mas os companheiros contiveram-no a tempo de evitar uma tragédia.

A diretoria do Botafogo, para apaziguar os ânimos, decidiu devolver o atacante Silas ao seu clube de origem, o Icasa, impedindo o alastramento do caso. No jogo seguinte contra o Olaria o volante Souza alinhou com o olho direito roxo e com arranhões.

As coisas que acontecem ao Botafogo…

Em 1997 o Botafogo retomou os títulos oficiais conquistando consecutivamente a Taça Guanabara (12 jogos e 12 vitórias), vencendo o Vasco da Gama por 1x0, gol de Gonçalves aos 77’; a Taça Rio, ao empatar com o Fluminense por 0x0; e finalmente o Campeonato Carioca, derrotando o Vasco da Gama no Maracanã por 1x0, gol de Dimba aos 78’, no segundo jogo da decisão.

O Botafogo alinhou com Wagner; Wilson Goiano, Jorge Luiz, Gonçalves e Jefferson; Marcelinho Paulista, Pingo, Djair e Aílton (Marcelo Alves); Bentinho e Dimba (Róbson). Técnico: Joel Santana.

Campanhas completas em https://mundobotafogo.blogspot.com/2011/04/botafogo-campeao-estadual-de-futebol.html

O segundo jogo da decisão ficou marcado nos anais da história do futebol carioca devido ao atacante Dimba ter comido grama na comemoração do título, um gesto icônico após marcar o gol do título, simbolizando que comera até grama para ser campeão pelo Botafogo.

Muito emocionado com o gol, Dimba mostrou à torcida a sua entrega ao Clube pegando num punhado de grama e comendo-o. Posteriormente afirmou que foi um gesto espontâneo para expressar o êxtase de ver a torcida feliz e que faria qualquer coisa pelo Botafogo.

A comemoração tornou-se lendária, Dimba ganhou muitos fãs e é lembrado como um ‘herói’ da conquista e o primeiro e único jogador a comer grama no Maracanã.

As coisas que acontecem ao Botafogo…

Fontes principais:

https://globoplay.globo.com/v/4622779/

https://mundobotafogo.blogspot.com/2022/06/1996-torneio-municipal-taca-cidade.html

https://mundobotafogo.blogspot.com/2011/10/botafogo-campeao-internacional-em.html

https://mundobotafogo.blogspot.com/2011/07/trofeu-teresa-herrera.html

quinta-feira, 2 de abril de 2026

Botafogo 3x2 Mirassol

Crédito:  Vitor Silva | Botafogo.

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

O Mirassol entrou bem no jogo, não deixando o Botafogo sair com bola e arriscando rematar à baliza’, obrigando Raul a uma boa defesa aos 7’, enquanto a nossa equipe se apresentou, uma vez mais, com os setores afastados entre si e pouco articulados.

Porém, futebol é sempre uma caixinha de surpresas e, quando menos se esperava, Alex Telles decidiu-se por um lançamento longo para a entrada da área do Mirassol, Edenílson escorou a bola inteligentemente de cabeça para trás e Arthur Cabral – quem diria! – acertou um forte remate em arco no ângulo da baliza de Walter e inaugurou o marcador aos 10’. Botafogo 1x0.

No entanto, o Mirassol não desarmou e retomou os seus ataques bem organizados. O Botafogo, tendo-se saído bem no 1º gol, foi tentando os lançamentos longos, mas sem efeito porque o Mirassol tapava bem a progressão dos alvinegro.

Um turista que entrasse no Niltão diria que o Mirassol era a equipe da casa, com posse de bola consistente e ataques continuados. Por seu lado, quando tinha a bola o Glorioso não sabia o que fazer dela. Na verdade, a equipe não tem um modelo de jogo, não possui automatismos, é um aglomerado de atletas sem rei nem roque – resultado de Anselmi ter desmontado a equipe com o seu sistema (?) caótico e Bellão ainda não ter conseguiu anular essa descaracterização.

Aos 20’ aconteceu o que eu já prenunciava noutras ocasiões: Raul colocava-se a jeito de tomar um gol por cobertura e foi o que o Mirassol fez com um remate de longe para empatar a partida. Na repetição da jogada percebe-se Raul distraído, mal colocado e lento quando parte para a bola. Mas os dirigentes da estrutura do Botafogo (Textor? Departamento de Futebol? Ambos?) não contrataram um goleiro nem um atacante de área – justamente aqueles que, no limite, evitam gols adversários e marcam gols a nosso favor.

Enquanto o Mirassol saía bem com a bola, sem que os nossos atacantes pressionassem o adversário, e continuou procurando o ataque, em várias ocasiões o Botafogo tinha menos defensores do que adversários pela frente e quando atacava tinha menos jogadores do que os defensores do Mirassol – evidenciando a inexistência de uma estratégia e de uma identidade coletiva

Todavia, a caixinha de surpresas tornou a funcionar: numa rara jogada de progressão com bola no pé, Santi Rodriguez lançou Cristian Medina dentro da grande área e o goleiro Walter derrubou-o. O árbitro nada assinalou e foi o VAR que o chamou para assinalar a grande penalidade. E aos 42’, como sempre, Alex Telles converteu: Botafogo 2x1.

Pergunto novamente como antes: onde é que este rapaz aprendeu a marcar penalidade com tanta precisão?...

Na 2ª parte o jogo permaneceu na mesma toada, embora o Mirassol tivesse muitas dificuldades de alcançar a eficácia desejada: o gol de empate. Então, vendo o tempo passar e a derrota permanecer, o Mirassol teve que se arriscar mais no ataque e os espaços para o Botafogo atacar aumentaram.

Exemplo disso foi a corrida de Júnior Santos atrás da bola aos 64’, ganhando em robustez e velocidade ao defensor e chegando cara a cara com Walter, mas hesitou no remate e o goleiro fez boa defesa. Porém, na jogada seguinte, aos 65’, num veloz contra-ataque de Edenílson pela ala esquerda até à linha de fundo, o meia cruzou, Barrera rematou, Walter defendeu no susto, mas a bola sobrou para Júnior Santos, que ao estilo de centro-avante tirou um defensor da jogada e rematou inapelavelmente para o fundo das redes: Botafogo 3x1.

Aos 72’, com o Mirassol porfiando no ataque, mas não criando verdadeiras oportunidades de gol, o Botafogo arrancou novo contra-ataque veloz, fez tudo bem, mas Vitinho rematou ao travessão. Aos 75’, em jogada de Montoro, o gol esteve novamente à vista, mas a zaga rechaçou.

Como não ‘matámos’ a partida, o Mirassol tanto porfiou que aos 90+2’, na cobrança de escanteio, Igor Formiga antecipou-se à zaga e diminuiu o placar para 3x2. Então, como não podia deixar de ser quando falamos de Botafogo, os últimos minutos foram de verdadeiro sufoco e o placar de 3x3 – reeditando 2025 – esteve à beira de acontecer, não fosse Justino salvar com o peito o remate do Mirassol.

E assim foi um jogo em que a sorte nos bafejou com três pontos e parece que finalmente, superando a falta de atacantes de área, Júnior Santos regressou aos seus melhores dias para rasgar as defesas contrárias.

FICHA TÉCNICA

Botafogo 3x2 Mirassol

» Gols: Arthur Cabral, aos 10’, Alex Telles, aos 42’ (pen.), e Júnior Santos, aos 65’ (Botafogo); Shaylon, aos 20’, e Igor Formiga, aos 90+2’ (Mirassol)

» Competição: Campeonato Brasileiro

» Data: 01.04.2026

» Local: Estádio Olímpico Nilton Santos, no Rio de Janeiro (RJ)

» Público: 5.472 pagantes; 6.781 espectadores

» Renda: R$ 178.360,00

» Árbitro: Wilton Pereira Sampaio (GO); Assistentes: Bruno Raphael Pires (GO) e Leone Carvalho Rocha (GO); VAR: Gilberto Rodrigues Castro Júnior (PE)

» Disciplina: Cristian Medina, Vitinho e Bastos (Botafogo) e André Luís, Negueba e Tiquinho Soares (Mirassol)

» Botafogo: Raul; Vitinho, Bastos, Justino e Alex Telles (Caio Roque); Allan, Edenílson (Ferraresi) e Cristian Medina (Álvaro Montoro); Santi Rodríguez (Jordan Barrera), Arthur Cabral (Matheus Martins) e Júnior Santos. Técnico: Rodrigo Bellão.

» Mirassol: Walter; Igor Formiga, João Victor, Willian Machado e Victor Luís; Neto Moura (Denílson), Aldo Filho (André Luís) e Shaylon (Gabriel Pires); Alesson, Negueba (Galeano) e Tiquinho Soares (Edson). Técnico: Rafael Guanaes.

quarta-feira, 1 de abril de 2026

Retrospecto Botafogo x Mirassol

Créditos: Elson Souto e https://blogademar.blogspot.com, respectivamente.

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

O Botafogo defrontou o Mirassol apenas em duas partidas, ambas válidas pelo Campeonato Brasileiro de 2025, saldando-se os dois confrontos por dois empates, o segundo dos quais o Botafogo vencia ao intervalo por 3x0 e deixou-se enredar na teia dos paulistas na segunda parte, cedendo o empate.

JOGOS

Botafogo 0x0 Mirassol

» Gols: –

» Competição Campeonato Brasileiro

» Data: 01.11.2025

» Local: Estádio Municipal José Maria de Campos Maia, em Mirassol (SP)

» Público: 5.145 espectadores

» Renda: R$ 181.300,00

» Árbitro: Jonathan Benkenstein Pinheiro (RS); Assistentes: Bruno Raphael Pires (GO) e Michael Stanislau (RS); VAR: Daniel Nobre Bins (RS)

» Disciplina: carta amarelo – Alex Telles, Artur, Vitinho e Newton (Botafogo) e Chico da Costa (Mirassol)

» Botafogo: Léo Linck; Vitinho, Alexander Barboza, David Ricardo e Alex Telles (Cuiabano); Newton (Marquinhos), Marlon Freitas e Danilo; Artur, Chris Ramos (Arthur Cabral) e Santi Rodríguez (Jeffinho). Técnico: Davide Ancelotti.

» Mirassol: Walter; Daniel Borges, João Victor, Jemmes e Felipe Jonatan; Neto Moura (José Aldo), Danielzinho e Guilherme Marques (Shaylon); Negueba (Renato Marques), Chico da Costa (Cristian Renato) e Alesson (Carlos Eduardo). Técnico: Rafael Guanaes.

Botafogo 3x3 Mirassol

» Gols: Savarino, aos 12’, Chris Ramos, aos 30’, e Álvaro Montoro, aos 39’ (Botafogo); Chico da Costa, aos 46’, Jemmes, aos 57’, e Lucas Ramon, aos 60’ (Mirassol)

» Competição: Campeonato Brasileiro

» Data: 17.09.2025

» Local: Estádio Olímpico Nilton Santos, no Rio de Janeiro (RJ)

» Público: 5.859 pagantes; 6.724 espectadores

» Renda: R$ 381.240,00

» Árbitro: Bruno Pereira Vasconcelos (BA); Assistentes: Alessandro Álvaro Rocha de Matos (BA) e Luís Carlos de França Costa (RN); VAR: Émerson de Almeida Ferreira (MG)

» Disciplina: cartão amarelo – Danilo, Santi Rodríguez, Alexander Barboza e Matheus Martins (Botafogo); João Victor (Mirassol)

» Botafogo: Léo Linck; Vitinho, Kaio Fenando, Alexander Barboza e Alex Telles (Cuiabano); Marlon Freitas, Danilo (Newton) e Savarino (Matheus Martins); Santi Rodríguez (Mastriani), Chris Ramos e Álvaro Montoro (Jeffinho). Técnico: Davide Ancelotti.

» Mirassol: Walter; Lucas Ramon, João Victor, Jemmes e Reinaldo; Neto Moura (Yago Felipe), Danielzinho e José Aldo (Shaylon); Negueba (Carlos Eduardo), Cristian Renato (Chico da Costa) e Alesson (Edson Carioca). Técnico: Rafael Guanaes.

Botafogo Ribeirão Fut7 é destaque na modalidade

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

Na linha de apresentação de clubes designados por Botafogo’s e/ou neles inspirados, o nosso blogue noticia com regularidade algumas conquistas desses clubes, quer nacionais, quer internacionais, em todas as modalidades do futebol, sempre como notícia suplementar à publicação principal, naturalmente relacionada ao nosso próprio Clube.

Desta vez dá-se destaque ao Futebol de Sete envolvendo o Botafogo Futebol Clube de Ribeirão Preto, estado de São Paulo, constituído em SA.

O Botafogo Ribeirão Fut7 constituiu-se em março de 2024 através da parceria entre o Ribeirão Fut7, criado em 2021, e o Botafogo Futebol SA.

Nesse breve período até à atualidade a parceria tem conhecido muito sucesso, conquistando os seguintes títulos em 2024 e 2025:

– Copa América de Clubes de 2024 (5 vitórias e 1 empate, vencendo os argentinos do Armin por 7x3 na final).

– Campeonato Paulista de 2024 (11 vitórias e 1 empate, vencendo o Nacional por 4x3 nos pênaltis, após 3x3 no tempo regulamentar).

– Taça Brasil de 2025 (6 vitórias, conquistando a final sobre o Trade (PR) por 6x3).

– Recopa Paulista em 2025 (8x0 sobre o Corinthians).

Fontes: Notícias digitais.

Arrebatadora e tumultuada década de 1990 (IV): da coleção de títulos à ameaça do facalhão e ao comedor de grama

Crédito: https://mundobotafogo.blogspot.com/2011/07/trofeu-teresa-herrera.html por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo Vindo de campeão...