terça-feira, 27 de outubro de 2026

Levou no peito e… marcou!

por EDUARDO GALEANO, Escritor uruguaio | Tradução livre do Mundo Botafogo

«Foi em 1947. Botafogo versus Flamengo, no Rio de Janeiro. Heleno de Freitas, atacante do Botafogo, fez um gol com o peito.

Heleno estava de costas para a baliza. A bola veio por cima. Ele parou-a com o peito e girou rapidamente, sem deixá-la cair. Com o corpo arqueado e a bola ainda apoiada no peito, enfrentou a situação. Entre as redes e ele havia uma multidão.

Havia mais gente na área do Flamengo do que em todo o Brasil. Se a bola tocasse o gramado, estaria tudo perdido. Então, Heleno começou a caminhar, com o corpo curvado para trás e a bola no peito atravessou tranquilamente as linhas inimigas.

Ninguém conseguia tirá-la dele sem cometer falta, e ele estava na zona de remate. Quando chegou à boca da baliza, Heleno endireitou o corpo. A bola deslizou até aos seus pés.

E ele marcou.»

Robson Marfa – 11º título em 2026

Crédito: FEFUMERJ.

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo | com base em ROBSON MARFA | Vice-presidente 1 Toque | FEFUMERJ

Robson Marfa soma e segue com o seu 11º título em 2026, conquistando o Campeonato Estadual Adulto 1 Toque Liso, organizado pela Federação de Futebol de Mesa do Estado do Rio de Janeiro (FEFUMERJ), que decorreu nas instalações da Associação Atlética Portuguesa, no dia 24 de outubro de 2026, vencendo Davi Becker do Olaria na final.

Eis o pódio:

1º Robson Marfa (Botafogo FR)

2º Davi Becker (Olaria AC)

3º Horácio Júnior (AA Portuguesa)

4º Jonas Vicente (Olaria AC)

Confira os 10 títulos anteriores de Robson Marfa em 2026: http://mundobotafogo.blogspot.com/2026/10/robson-marfa-soma-e-segue-decimo-titulo.html

Fonte: Federação de Futebol de Mesa do Estado do Rio de Janeiro.

segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Treinadores e contextos (VIII): Carlos Alberto Torres do título continental ao penúltimo lugar no Brasileirão

Carlos Alberto Torres, jogador e treinador. Crédito: Domínio Público.

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

Num ano verdadeiramente excepcional e contrastante o Botafogo termina o Campeonato Brasileiro em 31º lugar entre 32 clubes e conquista a Copa Conmebol, a segunda mais importante do futebol Sul-americano.

Na competição continental Carlos Alberto Torres, o ‘Capita’, conseguiu a transformação de um grupo que ele próprio considerou fraco num grupo altamente competitivo: eliminou Bragantino, Caracas, o favorito Atlético Mineiro nas semifinais e superou o Peñarol na final.

Havia muitos jogadores jovens que consideravam ‘Capita’ uma figura quase mitológica, mas ele quebrou deliberadamente uma convenção do futebol brasileiro: – “Não sou professor. Chamem-me Carlos Alberto.” E com essa simples frase, psicologicamente importante, eliminou a distância formal e aproximou-se imediatamente do grupo.

O prestígio do treinador foi fundamental num contexto de salários que chegaram a quatro meses de atraso; a alimentação, aquém do necessário, resumia-se a feijão, arroz e ovo a almoço a jantar; dificuldades de financiamento de concentrações e viagens; às vezes faltavam até bolas; os jogadores pensaram seriamente em parar de treinar e iniciar uma greve geral; ao mesmo tempo desse precário panorama a equipe tinha consciências das suas limitações e simultaneamente sentia-se fortemente mobilizada pelo prestígio, personalidade e proximidade do técnico, chegando ao ponto de ex-atletas afirmarem, mais tarde, que “corriam por ele” numa aventura coletiva.

Nessa inverosímil campanha não faltou sequer a profecia: o Botafogo perdeu o jogo de ida contra o Atlético Mineiro por 3x1, no Mineirão, mas Carlos Alberto Torres não desarmou e no final da partida abraçou Sinval e afirmou que o gol botafoguense no Mineirão seria o da classificação do Botafogo, o que constituía uma profecia de vitória por 3x0 sobre o Atlético no Rio de Janeiro – e esse foi exatamente o resultado do jogo de volta que levou o Botafogo à final contra o Peñarol, perante um Caio Martins repleto de botafoguenses e que constituiu um dos momentos mais emocionantes para os jogadores, que esperavam um estádio meio vazio.

A viagem para Montevidéu foi uma epopeia: a Conmebol antecipou a partida em 24 horas, o Botafogo teve que jogar no Brasil, recuperar em menos de 48 horas e viajar no próprio dia do jogo. À chegada a comitiva encontrou um ambiente hostil, sucessivos rojões junto a hotel, gritaria e confusão.

Entretanto Torres comandou um treino antes da final baseado em finalizações, o qual correu tão mal que o treinador cancelou o treino após dez minutos e mandou-os embora, para espanto de todos, evidenciando inteligência psicológica por pensar que seria melhor não treinar a treinar mal e destruir a confiança já conquistada pelos jogadores.

O momento da comemoração do título no Maracanã. Crédito: Divulgação.

Quando a equipe chegou ao estádio, o vestiário estava todo pintado de fresco com forte cheiro a tintas, bem com explosões de artefactos e gás irritante. O técnico desprezou as ocorrências mencionando que os uruguaios ainda estavam na ‘Idade da Pedra’ ao ainda suporem que isso influenciaria o resultado.

Para cúmulo o esquema do treinador era ‘suicida’, segundo os jogadores, porque a disposição em 4x4x2 era ofensiva, com Marcelo Carioca, Eliel e Sinval muito adiantados, sugerindo uma abordagem nada conservadora para uma equipe que atravessava diversas limitações e se esperava que jogasse na retranca.

Durante o jogo William Bacana ainda perdeu um dente devido a uma entrada dura de atacante uruguaio, continuou jogando e foi crucial para o Botafogo conseguir empatar por 1x1, e depois do jogo os atletas tiveram que evitar a saída pelo túnel para evitar agressões, saltaram de uma altura de dois metros e ficaram fechados no vestiário enquanto aguardavam uma saída em segurança.

Porém, novas peripécias estavam para acontecer no jogo de volta no Maracanã.

O Botafogo perdia por 1x0 ao intervalo, mas na segunda parte, numa cobrança de falta ensaiada, Sinval e Eliel simularam discussão sobre quem iria bater, Eliel bateu diretamente e empatou a partida. Depois Sinval virou o resultado para 2x1, e quando os botafoguenses já comemoravam o título, Marcelo Otero tona a empatar a partida aos 90’, que seguiu para pênaltis.

Sinval, artilheiro da competição, falhou o primeiro pênalti, antevendo-se a ‘tragédia’, mas William Bacana compensou a falha através de duas defesas. O Botafogo ganhou a disputa por 3x1 e foi campeão.

Campanha completa aqui: https://mundobotafogo.blogspot.com/2008/07/campeo-de-futebol-da-copa-conmebol-1993.html

Carlos Alberto Torres tinha sido expulso durante a final e nos momentos finais assistiu à decisão por pênaltis da boca do túnel. Quando o Botafogo se sagrou campeão os jornalistas correram para a boca do túnel ao encontro do treinador, cuja primeira declaração foi: – “O título é dos garotos!”

Porém, se não houver drama, algo inédito ou improbabilidade, não é conquista à Botafogo – e desta vez ganhou a improbabilidade. Os jogadores receberam o troféu no Maracanã, o Clube conquistou a primeira competição internacional oficial, mas o prêmio monetário da vitória, que sairia de um porcentual de receita da bilheteria, perdeu-se quando a polícia, incapaz de conter a multidão, mandou abrir os portões e de 70.000 espectadores apenas 26.000 pagaram bilhete e… posteriormente ninguém soube indicar com segurança para onde fora parar a taça e mais tarde acabou sendo feita uma réplica!

A Taça da Conmebol, 1993. Crédito: Divulgação.

Em suma, o ano de 1993 foi especialmente moldado à Botafogo:

» treinador contratado sem dinheiro para lhe pagarem, financiou a própria remuneração através de dois amistosos nas Caraíbas;

» profetizou que o gol de Sinval no jogo de ida das semifinais daria a classificação mediante vitória de 3x0 no jogo de volta, o que realmente aconteceu apesar de nem a concentração o Botafogo tenha conseguido assegurar financeiramente;

» a equipe viajou no próprio dia do jogo de ida das finais para Montevidéu porque a Conmebol antecipou a partida em 24 horas;

» no hotel soaram rojões e hostilidades patrocinadas pelos uruguaios;

» antes do jogo o Capita terminou um treino que durou apenas dez minutos porque nada saia certo aos jogadores, evitando assim minar a confiança que tinham;

» no vestiário havia gás irritante e as paredes estavam pintadas de fresco emitindo um cheiro intenso;

» após o empate os jogadores tiveram que fugir das agressões dos torcedores uruguaios, trancando-se no vestiário;

» Capita levou à final uma equipe sem ‘estrelas’, ganhou na disputa por pênaltis após desperdício na primeira cobrança;

» e por fim perdeu-se a receita de bilheteria e a própria taça.

Fim das originalidades desse Botafogo de 1993?... Nem por isso…

Quatro semanas após o Botafogo ser campeão internacional os torcedores entraram em campo para ensinar os atletas a marcar gols!

A 30 de setembro foram campeões, a 28 de outubro a equipe aproximava-se de 804 minutos sem marcar um único gol no Brasileirão. Então os torcedores invadiram o campo e começaram, eles próprios, chutando à baliza numa espécie de aula prática com aprendizagem bem sucedida: aos 84’ Eliomar cruzou a bola e Marcelo Carioca marcou, interrompendo quase 9 jogos sem a equipe marcar gols.

Carlos Alberto Torres deixou o Botafogo no dia 3 de dezembro de 1993, após conquistar o título continental e classificar-se no 31ª e penúltimo lugar no Brasileirão, para comandar o rival Fluminense.

É muito Botafogo!!!

Fontes principais da série: br.bolavip.com; brasil.elpais.com; jbemfolhas.com.br; jornalggn.com.br; mundobotafogo.blogspot.com; museudapessoa.org; operamundi.uol.com.br; pesquisaescolar.fundaj.gov.br; pt.wikipedia.org; www.uol.com.br; https://sopanomel.blogspot.com; terceirotempo.uol.com.br; tnonline.uol.com.br; www.campeoesdofutebol.com.br; www.correiobraziliense.com.br; www.jb.com.br; www.museudapelada.com; www1.folha.uol.com.br

domingo, 25 de outubro de 2026

Botafogo 3x0 Internacional – ligue-se o alerta

Walter, pela enésima vez. Para quando não ter que publicar esta figura novamente?

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

É Tempo de Social!

Desde 2020 não se via uma temporada como esta. Erros graves de gestão que se refletiram/refletem no plantel e no rendimento da equipe, cujos valores individuais são bastante superiores aos resultados alcançados.

Muitos de nós receamos este novo ‘Tempo de Social’ e tudo se encaminha para ser o pior ano desde 2020, o que não espanta muitos de nós.

A atitude e a eficácia estiveram do lado do Internacional, que mais uma vez o Botafogo ressuscitou exatamente como nos tempos antigos, apresentando uma fragilidade defensiva impressionante e pouca capacidade de reação – o que significa que a atitude permanece a nível meramente cadenciado e burocrático.

Foi a terceira derrota sob o comando de Tite, que tem o ‘magnífico’ aproveitamento de 26,7% em 5 jogos, numa equipe que ainda possuía alguma esperança de chegar à zona de classificação para a Libertadores e em vez disso continua flertando com o Z4.

Ademais, 3x0 é um resultado escandaloso em se tratando de um adversário do Z4, permitido por sucessivos erros de uma equipe desligada, embora a qualidade individual disponível devesse traduzir-se numa equipe mais criativa e mais combativa.

Tite continua a escavar soluções que não encontra, em vez de fazer o tradicional ‘feijão com arroz’, tornando a equipe mais pragmática e estável num campeonato demasiado avançado para experiências prolongadas.

O Internacional jogou com a urgência de quem precisava desesperadamente de vencer e o Botafogo foi incapaz de responder, aceitando a urgência dos gaúchos e deixando-nos dúvidas muito sérias sobre a organização coletiva, a intensidade competitiva e a capacidade de Tite para melhorar a equipe no curto prazo.

A defesa mostrou-se vulnerável às investidas laterais, evidenciando dificuldades de anular o arranque colorado pela ala direita e de acompanhar a chegada de Matheus Bahia ao segundo poste no primeiro gol; no segundo gol a defesa não conseguiu afastar a bola, quicando de cabeça em cabeça até sobrar para Bernabei que rematou em zona proibitiva já no miolo da grande área; no terceiro gol a nossa defesa encontrava-se totalmente desarticulada, concedendo um espaço imenso para a transição e o remate vitorioso.

De modo geral o meio-campo apresentou-se muito pouco competitivo, tendo Allan e Danilo muitas dificuldades nos duelos e na proteção à defesa, dificultando a recuperação de bola e consequentemente a construção de jogadas.

No ataque, além de aqui e ali Kauan Jesus tenha sido acionado, os movimentos atacantes mais perigosos ocorreram tardiamente, já depois do 3x0, através de Ziyech numa boa defesa de Kauan Jesus e de Marçal acertando a trave.

É certo que a chuva tornou o campo pesado e dificultou a circulação de bola, mas as equipes têm que se preparar para isso, e foi o Internacional que se adaptou melhor mediante decisões simples, atenção às segundas bolas e agressividade nos duelos.

Em suma, o Botafogo não funciona coletivamente e o conjunto dos cinco jogos de Tite permitem avançar com uma pergunta oportuna e legítima: até que ponto o péssimo rendimento do Botafogo resulta das opções táticas de Tite?

Esperemos que a equipe consiga vencer o Remo no próximo desafio, caso contrário…

FICHA TÉCNICA

Botafogo 0x3 Internacional

» Gols: Matheus Bahia, aos 31’, Juninho, aos 41’, e Bernabei, aos 66’

» Competição: Campeonato Brasileiro

» Data: 24.10.2026

» Local: Estádio Beira Rio, em Porto Alegre (RS)

» Público: 30.703 pagantes; 33.406 espectadores

» Renda: R$ 1.450.464,00

» Árbitro: Davi de Oliveira Lacerda (ES); Assistentes: Nailton Junior de Sousa Oliveira (CE) e Douglas Pagung (ES); VAR: Emerson de Almeida Ferreira (MG)

» Disciplina: carta amarelo – Álvaro Montoro e Ferraresi (Botafogo) e Bernabei (Internacional)

» Botafogo: Gabriel Batista; Vitinho, Ferraresi, Marçal e Alex Telles; Allan (Domingos Andrade), Danilo (Huguinho) e Álvaro Montoro; Cristian Medina (Júnior Santos), Tiquinho Soares (Arthur Cabral) e Matheus Martins (Ziyech). Técnico: Tite.

» Internacional: Kauan Jesus; Bruno Gomes, Maripán e Juninho; Aguirre, Ronaldo (Bruno Henrique), Thiago Maia (Paulinho) e Matheus Bahia; Alan Patrick (João Victor), Alerrandro (João Bezerra) e Bernabei (Calebe). Técnico: Eduardo Baptista.

Levou no peito e… marcou!

por EDUARDO GALEANO, Escritor uruguaio | Tradução livre do Mundo Botafogo « Foi em 1947. Botafogo versus Flamengo, no Rio de Janeiro. He...