sexta-feira, 10 de abril de 2026

Botafogo 1x1 Caracas – uma orgia de lentidão e esterilidade

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

Foi difícil para mim assistir à destruição da equipe durante três meses, e depois das claras melhorias promovidas por Rodrigo Bellão, é difícil comentar a estreia de Franclim Carvalho.

Ao longo da partida fui anotando alguns dos meus pensamentos, como se segue.

Pré-jogo: escalação equivocada; agora que Arthur Cabral finalmente começou a jogar futebol é preterido por Júnior Santos em fase ruim?

Aos 5’. Perdas elementares de bola devido a lentidão e muito fraco domínio de bola.

Aos 13’. Muitos passes errados e uma posse de bola inútil de 69%.

Aos 17’. O Caracas iguala-se, ou pior, ao jogo ruim do Botafogo.

Aos 20’. Isto é um futebol de trapalhões.

Aos 23’. Bastos toma um cartão amarelo – quase sujeito a vermelho – numa entrada sobre o adversário que mais parece de um inexperiente juvenil do que de um jogador experiente e que já jogou bom futebol.

Aos 25’. Perigo zero para as duas balizas.

Aos 30’. Arte futebolística zero. ‘Botafogo Way’?!

Aos 40’. Futebol vertical e transições rápidas igual a zero.

Aos 42’. E pimba! 0x1 é castigo merecido.

Ao intervalo:

“The Botafogo Way”?...

Vem o Renato Paiva, diz que joga à “The Botafogo Way”; vem o Martín Anselmi, diz que joga à “The Botafogo Way”; vem o Franclim Carvalho, diz que joga à “The Botafogo Way”. São mentirosos, queriam agradar ou não sabiam o que diziam?...

Tragam de volta o Rodrigo Bellão do jogo contra o Vasco!

Equipe mal escalada, Arthur Cabral de fora… lentidão… perdas elementares de bola… erros posicionais… incapacidade de variações…

Rebate de consciência de FC e finalmente Cabral vai a jogo. Mas… em substituição de Matheus Martins em vez de Júnior Santos?!

Aos 50’. Empate de Cabral, claro!

Aos 60’. Tudo com dantes, Botafogo nas mesmas panaceias de pseudo-soluções generalistas sem nenhum resultado prático. Nenhum golpe de asa tático, que tristeza de jogo…

Aos 65’. Montoro já não é o mesmo após Anselmi ter arruinado o seu futebol, Santi não cria coisa alguma, Danilo em noite de anormal imprecisão.

Aos 70’. Finalmente um remate capaz de Danilo a obrigar o goleiro deles a espalmar.

Aos 72’. Novamente Cabral quase a virar o resultado com potente remate ao travessão.

Aos 73’. Mas a cerimônia para rematar continua…

Aos 75’. O que o Botafogo tem de passes errados é notável!

Aos 77’. A incapacidade de penetração por dentro é impressionante!

Aos 79’. Começou a ‘cera’, com o goleiro… E Júnior Santos saiu como entrou: produção zero. Uma pena…

Aos 81’. Em vez do ‘Botafogo Way’ saiu-me um ‘Botafogo Wrong Way’. Ou, em bom português, um ‘Botafogo Manso’…

Aos 86’. 70% de posse de bola inútil, 3 remates enquadrados na baliza durante todo o jogo.

Aos 90’. Falta gana e arte.

Aos 91’. Barboza, como sempre, tinha que tomar cartão amarelo.

Aos 92’. Nem pressão final sabem fazer. Pobre espetáculo jogando contra o 11º classificado do 'poderoso' campeonato venezuelano com 2 vitórias em 10 jogos…

Aos 95’. Barrera, que também nada fez, perde enorme possibilidade da virada e remata à figura do goleiro. Mas também o Caracas não merecia perder pela gana que colocou no jogo.

Fim de jogo: nunca vaiei o meu Clube, mas aceito que a vaia final tenha sido muito justa; justa para a equipe e justa para a nova invenção de Textor no comando técnico do Botafogo. Um dia destes podemos mudar do Niltão para o Caio Martins porque a torcida resistente caberá toda lá.

Como diria Cadu (da Botafogo TV), “fim de papo, fim de festa” em noite sem festividades de uma ‘vitória imperdível’ que acabou em empate.

FICHA TÉCNICA

Botafogo 1x1 Caracas

» Gols: Arthur Cabral, aos 50’ (Botafogo); Wilfred Correa, aos 42’ (Caracas)

» Competição: Copa Sul-Americana

» Data: 09.04.2026

» Local: Estádio Olímpico Nilton Santos, no Rio de Janeiro (RJ)

» Público: 10.241 pagantes; 11.931 espectadores

» Renda: R$ 248.107,00

» Árbitro:  Kevin Ortega (Peru); Assistentes: Michael Orué (Peru) e José Castillo (Peru); VAR: Joel Alarcón (Peru)

» Disciplina: cartão amarelo – Bastos, Jordan Barrera e Alexander Barboza (Botafogo)

» Botafogo: Raul; Vitinho (Mateo Ponte), Bastos, Alexander Barboza e Caio Roque (Jhoan Hernández); Allan, Danilo e Álvaro Montoro; Santi Rodríguez (Jordan Barrera), Júnior Santos (Kadir) e Matheus Martins (Arthur Cabral).Técnico: Franclim Carvalho

» Caracas: Benítez; Enrique Ferreira, Jesús Quintero, Luis Mago e Yéndis; Larotonda, Wilfred Correa (La Mantía), Lezama (Chris Martínez) e Covea (Uribe); Ángel Figueroa (Reinoso) e Sebástian González (Adrián Fernández). Técnico: Fernando Aristeguieta.

quinta-feira, 9 de abril de 2026

Retrospecto Botafogo x Caracas

Fonte: Wikipédia.

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

O Botafogo enfrentou o Caracas Fútbol Club pela Copa Conmebol de 1993, conquistada pelo Botafogo, obtendo duas vitórias e um saldo de gols de 4x0.

O nosso adversário foi fundado em 1967, tendo conquistado 12 Campeonatos da Venezuela, 6 Copas da Venezuela e ainda 1 Campeonato da Venezuela da 2ª Divisão.

Atualmente, à 10ª rodada do Campeonato da Venezuela, o Caracas FC apresenta 2 vitórias, 5 empates e 3 derrotas, 11 gols marcados e 12 gols sofridos, ocupando o 11º lugar entre 14 clubes.

Eis as Fichas Técnicas dos confrontos entre os dois clubes:

Botafogo 1x0 Caracas (Venezuela)

» Gols: Sinval, aos 54’

» Competição: Copa Sul-americana Conmebol / Quartas-de-final

» Data: 26.08.1993

» Local: Estádio Brígido Iriarte, em Caracas (Venezuela)

» Árbitro: Medardo Martínez

» Disciplina: Expulsão de Marcos Paulo (Botafogo)

» Botafogo: Carlão; Perivaldo, André Santos, Rogério Pinheiro e André Duarte; Nélson (China), Suélio e Rogerinho; Marcos Paulo, Rocha (Eliomar) e Sinval. Técnico: Carlos Alberto Torres.

» Caracas: Baena; Paezpumar, Maldonado, Morovic e Cavallo; Musah (Echenuassi), Mendoza (Carrero) e Gerson Diaz; Miranda, Salisu e Gallardo. Técnico: Pedro Febles.

Botafogo 3x0 Caracas (Venezuela)

» Gols: Rogerinho, aos 10’ e 24’, e Aléssio, aos 34’

» Competição: Copa Sul-americana Conmebol / Quartas-de-final

» Data: 02.09.1993

» Local: Estádio Caio Martins, em Niterói (RJ)

» Árbitro: Daniel Bello

» Disciplina: Expulsão de Gabriel Miranda (Caracas)

» Botafogo: Carlão; Perivaldo, André Santos, Rogério Pinheiro e André Duarte (Luciano); Fabiano, Suélio e Rogerinho; Aléssio (Clei), Sinval e Eliel. Técnico: Carlos Alberto Torres.

» Caracas: Barreto; Paezpumar, Maldonado, Morovic e Cavallo; Echenuassi, Gerson Diaz e Gabriel Miranda; Gallardo (Salisu), Vogler (Luis Mendoza) e Carrero. Técnico: Pedro Febles.

Campanha completa da Copa Conmebol de 1993 em https://mundobotafogo.blogspot.com/2008/07/campeo-de-futebol-da-copa-conmebol-1993.html

Top dos 20 melhores jogadores – opções em confronto

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

A opção da lista da imagem pode-se confrontar com a seguinte lista descritiva (ambas encontradas na internet):

01 Nilton Santos

02 Garrincha

03 Didi

04 Jairzinho

05 Heleno de Freitas

06 Gérson

07 Manga

08 Amarildo

09 Quarentinha

10 PC Caju

11 Mendonça

12 Carvalho Leite

13 Nilo

14 Paulo Valentim

15 Marinho Chagas

16 Mimi Sodré

17 Dinorah de Assis

18 Sebastião Leônidas

19 Zagallo

20 Patesko

O TOP 5 das duas listas possuem as mesmas classificações e ambas apresentam mais 10 concordâncias em lugares diferentes, mas há diferenças significativas. Os jogadores grafados em negrito constam das duas listas, mas há 5 diferenças bastantes curiosas.

A lista descritiva tende a selecionar atletas mais antigos, nomeadamente Nilo, Paulo Valentim, Mimi Sodré, Dinorah de Assis e Patesko; a lista da imagem substitui esses jogadores por Túlio, Jefferson, Wagner, Maurício e Loco Abreu.

Curiosidades: a lista descritiva ignora duas grandes figuras de títulos brasileiros, concretamente Túlio 'Maravilha' (ausência rara na lista dos 20 maiores) e Luís Henrique (este também ignorado na lista da imagem) e um grande craque de renome internacional e multicampeão não surge em nenhuma das duas listas – Clarence Seedorf.

Desconheço os autores das duas listas, mas de repente as listas sugerem que o autor da lista da imagem pertence a uma geração bastante mais nova, indicando 5 atletas de sucesso mais recente, enquanto a geração do autor da lista descritiva, recuando aos primórdios dos primeiros tempos, prefere referências antigas como Mimi Sodré, Dinorah de Assis, Nilo e Patesko.

Será essa a razão das diferenças principais entre as duas curiosas listas ou existirão outros critérios subjacentes a tais opções?...

quarta-feira, 8 de abril de 2026

A voz de Sara

Crédito: www.freepik.com

por LÚCIA SENNA | Escritora e cantora | Colunista do Mundo Botafogo

Sempre tive medo de doença. Gosto tanto da vida, que qualquer sinal suspeito no corpo me parece logo um aviso dramático de que minha permanência no planeta está por um fio. Mas houve uma época em que a coisa saiu completamente do controle.

Depois de uma pequena cirurgia para retirar um cisto no ovário, desmaiei durante o café da manhã. Acordei na casa da vizinha, com mamãe em estado de pânico – suspeito, aliás, que ela também tivesse certo talento para a hipocondria.

A partir daquele dia, meu organismo se transformou numa verdadeira fábrica de tragédias médicas.

Dor nas costas? Fratura exposta. Dormência nas pernas? Doença raríssima que certamente levaria à amputação do dedão do pé. Cisco no olho? Cegueira iminente. Resfriado? Pneumonia dupla. Verruga na mão? Tumor maligno. Dor de cabeça? Aneurisma.

Resultado: mãos suadas, coração disparado e a contínua sensação de morte imediata. Diagnóstico final: síndrome do pânico.

Foi então que uma prima me ofereceu o telefone de uma psicóloga chamada Sara.

Liguei. E, naquele instante, fiquei encantada. A voz de Sara era uma coisa extraordinária. Aveludada, firme, cheia de curvas, de ritmos... uma voz que parecia caminhar de salto alto. Imediatamente imaginei uma mulher elegante, bonita, segura – dessas que quando passam, todos percebem.

Marquei a consulta. Na hora combinada, cheguei à pequena sala de espera de um consultório dividido por três psicólogas. Ambiente simpático, discreto, aconchegante.

Às dez em ponto, a porta de um dos consultórios se abriu.

 – Lúcia?

Levantei... e levei um choque. Aquela senhora não tinha absolutamente nada a ver com a voz que havia conhecido pelo telefone. NADA!

Sara era enorme. Muito obesa. E, digamos com carinho, bastante distante da figura elegante que minha imaginação havia criado. Mas a voz... ah, a voz continuava a mesma. Sexy. Sedutora. Musical.

Entrei.

Sara acomodou-se numa poltrona gigantesca, cercada de almofadas, como se fosse um trono. Ao lado, havia uma mesinha com garrafas d’água – exclusivamente pra ela – e uma generosa coleção de guloseimas: jujubas, amendoins, paçocas, chicletes.

Sentei numa cadeira bem menos confortável. Comecei, então, a desfiar o meu rosário de medos. Expliquei cada sintoma, cada doença raríssima que tinha certeza de estar desenvolvendo dia após dia.

Sara ouvia... mastigando. De boca cheia, dizia apenas:

– Conta mais. - e eu contava...

– Mais. - e eu continuava...

Entre uma jujuba e uma paçoca, Sara me incentivava:

– Mais detalhes.

Uma hora depois, o despertador tocava. Tempo encerrado. Assim foram muitas semanas. Eu chegava com novas doenças imaginárias. Sara chegava com novas guloseimas.

Até que um dia, durante uma sessão, aconteceu o impensável. No meio da minha frase mais dramática – aquela em que relatava uma crise existencial que mereceria, no mínimo, um franzir de sobrancelhas profissional – percebi um silêncio estranho. Olhei melhor.

Sara dormia.

Não, não era um cochilo discreto. Era um sono convicto, profundo, daqueles que fazem a cabeça pender levemente para o lado e a boca se abrir num pequeno abandono terapêutico. Fiquei alguns segundos paralisada, entre a indignação e a vergonha. Mas a indignação venceu.

 – Sara?... – arrisquei, num tom que misturava delicadeza e revolta.

Ela despertou num pulo curto, olhos arregalados, um leve vestígio de baba ameaçando comprometer a autoridade científica da cena.

– Eu não estava dormindo! – declarou imediatamente, ajeitando-se na poltrona com dignidade apressada.

– Eu estava em alfa.

Fez uma pequena pausa, como quem revela um conceito sofisticadíssimo da neurociência:

– É um estado em que o inconsciente fica mais ativo.

Fiquei olhando pra ela alguns segundos. Confesso que, naquele momento, tive a forte impressão de que o inconsciente dela estava ativo... em outra dimensão. Observei que, na mesinha, não havia nem paçocas nem jujubas nem amendoins. Provavelmente, a secretária tinha esquecido de abastecer o estoque terapêutico. E Sara, faminta como ela só, acabou por adormecer. Afinal, sono também alimenta.

Mas o verdadeiro final dessa história viria pouco tempo depois.

Certo dia, Sara resolveu ocupar toda a sessão me contando um drama pessoal: a empregada havia entrado com uma ação contra ela. O motivo? Sara não pagava direitos trabalhistas – décimo terceiro, férias e outras formalidades que a lei exige.

Enquanto ouvia aquilo, um detalhe me deixou gelada. Eu trabalhava no INSS. E o processo havia caído justamente na unidade onde trabalhava.

Foi, então, que Sara, com sua linda voz aveludada e sedutora, me fez um pedido:

– Será que você poderia sumir com esse processo?

FIQUEI HORRORIZADA!!!!

Levantei daquela cadeira pouco confortável e saí da sala com a sensação de que estava assistindo a algo verdadeiramente preocupante.

Nunca mais voltei. Mas devo confessar uma coisa: talvez Sara tenha mesmo me ajudado. Depois de ouvir uma psicóloga mastigando jujubas, dormindo no meio da consulta e pedindo fraude no INSS... qualquer fratura exposta passou a parecer um problema bem menor.

Nota do Mundo Botafogo: todas as crônicas da autora podem ser lidas na etiqueta/rubrica com a seguinte denominação: letras lúciasenna [42 dessas crônicas foram posteriormente publicadas, mas a edição está esgotada].

Botafogo 1x1 Caracas – uma orgia de lentidão e esterilidade

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo Foi difícil para mim assistir à destruição da equipe durante três meses, e depois das claras me...