por RUY MOURA |
Editor o Mundo Botafogo
Tenho imensa consideração por Arthur Antunes
Coimbra, o conhecidíssimo futebolista Zico, por duas razões essenciais: (a) por
ter sido um futebolista de elevada craveira, embora sem dimensão internacional;
(b) e pelo seu caráter e comportamentos enquanto cidadão.
Todavia, um/a flamenguista é sempre um/a
flamenguista que foge à verdade, ou a torneia, quando se trata de debater o
escandaloso favorecimento do Clube de Regatas Flamengo, seja por dirigentes
confederativos ou federativos, seja por arbitragens amigas, seja por simpaticíssimas decisões judiciais,
seja pela mídia em geral, parte dela denominada popularmente por ‘FlaPress’ – e
bem denominada.
Relembremos a frase mais emblemática de Zico
referindo-se ao Botafogo de Futebol e Regatas:
– “Eu
tinha ódio do Botafogo. Eles ganhavam todas.” – e acrescenta que “nunca vi o Flamengo ganhar do Botafogo como
torcedor”.
Agora Zico vem com um novo artifício que de
certo modo branqueia, ou no mínimo justifica, o injustificável:
– “Hoje
falam que tem FlaPress, mas na época era Botafogo Press. Os grandes jornalistas
eram todos botafoguenses. O Botafogo era isso aí.” – disse Zico em
entrevista recente a Podpah.
O Botafogo era isso aí?!?!
Zico faz bem em reconhecer que quase todos os
‘grandes jornalistas’ eram botafoguenses. Relembro, por exemplo, um Onze
possível de grandes jornalistas botafoguenses: Armando Nogueira, Canor Simões
Coelho, Geraldo Romualdo, Ivan Lessa, Léo Batista, Maneco Müller, Oldemário
Touguinhó, Paulo Mendes Campos, Roberto Porto, Salim Simão e Sandro Moreyra.
Confira o Clube dos
Gloriosos Jornalistas em https://mundobotafogo.blogspot.com/2025/09/clube-dos-gloriosos-jornalistas.html
E permitam-me os leitores acrescentar um
nome, talvez mesmo o mais exuberante nome do jornalismo desportivo e da
dramaturgia naquela época: Nelson Rodrigues, quiçá o mais brilhante torcedor do
Fluminense, e que, contudo, escreveu inúmeras crônicas elogiando atletas e
clubes do Rio de Janeiro.
No entanto, não havia FogoPress nem FluPress,
porque a atual designação de FlaPress não se baseia em ‘grande jornalistas’ – que
a torcida do Flamengo nunca teve –, mas sim em maus jornalistas, sem qualidade
nem ética profissional, que inventam, omitem, mentem e também ofendem sem
nenhum pudor os clubes adversários.
O suposto FogoPress de Zico baseia-se em que
os ‘grandes jornalistas’ eram predominantemente botafoguenses, mas não consta
das históricas crônicas da época textos ordinários, mesquinhos e desprezíveis
como os textos e as oralidades que atualmente, e desde há dezenas de anos, se
assiste principalmente em televisão e nas redes sociais.
Os jornalistas da época mencionada por Zico
eram, como o próprio confirma, ‘grandes jornalistas’ – e por serem grandes não
usavam da mesquinhez que a ‘pequena’ FlaPress usa.
Ora, por os jornalistas da época serem
sobretudo botafoguenses e ‘grandes’, não implica, em momento algum,
favorecimento ilícito do Botafogo, designadamente através de menosprezo e
desestabilização dos adversários por via da sua posição na imprensa – porque
justamente os grandes jornalistas são-nos pela sua qualidade e ética
profissional.
Consequentemente não havia favoritismo ao
Botafogo pela mídia nos termos do favoritismo ao Flamengo na atualidade, o qual
se baseia em baixos níveis de qualidade e ética profissional.
Na verdade, pode-se apontar diversos títulos
conquistados pelo Flamengo com base em benefícios da arbitragem e com o
beneplácito da FlaPress nas últimas décadas, mas não se consegue apontar um
único título do Botafogo conquistado na década de 1960 por vantagem de árbitros
simpaticíssimos ao Botafogo, nem ‘grandes jornalistas’ encobriam e protegiam o
Botafogo publicamente ou evidenciavam atitudes desprezíveis pelo Flamengo – no
máximo ironizavam situações caricatas do rubro-negro, como a final do
campeonato estadual de 1966, em que Almir Pernambuquinho iniciou uma enorme
pancadaria em campo contra o Bangu, a fim de o árbitro terminar o jogo – e
terminou – cujo placar já acusava 3x0 e tudo indiciava que iria à meia dúzia.
A vantagem do Botafogo na década de 1960 não
era do tipo FlaPress, que branqueia e valida comportamentos eticamente
inaceitáveis, mas sim o que Zico menciona claramente na entrevista:
– “Os
anos sessenta são do Botafogo. O Botafogo era, em 61, 62, Garrincha, Didi,
Amarildo, Nilton Santos.” – e mais adiante acrescenta: – “Aí, em 67, 68 vieram Jairzinho, Paulo Cézar,
Gérson, Leônidas e tal. E foram
bicampeões também.”
Finalmente Zico menciona que a mudança de
patamar do Flamengo a partir de 1971 relaciona-se com o desmembramento da
equipe do Botafogo em 1972:
– “Trouxe
o Zagallo, a comissão técnica do Botafogo, que eram os vencedores, e os
jogadores. Seis jogadores do Botafogo. E foi campeão em 72. Então, quer dizer,
o Botafogo começou a cair e o Flamengo se levantou.”
O que Zico não menciona é que o Botafogo
desagradou ao regime político da época quando em 1968 a Polícia Militar invadiu General
Severiano perseguindo manifestantes e o presidente Althemar
Dutra de Castilho considerou inadmissível que a PM tivesse entrado em General
Severiano sem autorização do Clube, violando todas as regras.
Desde aí – com o respaldo do poder político –
o Botafogo começou sendo cercado, e em 1971 viu-se isso mesmo na reta final do
campeonato estadual. O Botafogo tinha 5 pontos de vantagem (7, segundo os
critérios atuais) e a arbitragem começou a ‘operar’, incluindo durante a final com o
gol ilegal do Fluminense que lhe valeu o título.
O Botafogo não era isso aí, meu caro Zico… o Botafogo era,
por mérito próprio, um Clube que se destacava a nível nacional e internacional
e os ‘grandes jornalistas’, cuja ampla maioria torcia pelo Botafogo, eram gente de
qualidade e ética profissional e jamais podem ser comparados ao caráter e aos comportamentos
dos jornalistas denominados por ‘FlaPress’.
A título de curiosidade indica-se aos leitores 40
jornalistas botafoguenses da atualidade: https://www.youtube.com/watch?v=nA25jMPVqCo&t=33s
Fonte que menciona a entrevista de Zico ao Podpah: https://odia.ig.com.br/esporte/2026/04/amp/7238032-zico-relembra-passado-e-analisa-peso-da-midia-no-rio-era-botafogo-press.html



