quinta-feira, 9 de abril de 2026

Retrospecto Botafogo x Caracas

Fonte: Wikipédia.

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

O Botafogo enfrentou o Caracas Fútbol Club pela Copa Conmebol de 1993, conquistada pelo Botafogo, obtendo duas vitórias e um saldo de gols de 4x0.

O nosso adversário foi fundado em 1967, tendo conquistado 12 Campeonatos da Venezuela, 6 Copas da Venezuela e ainda 1 Campeonato da Venezuela da 2ª Divisão.

Atualmente, à 10ª rodada do Campeonato da Venezuela, o Caracas FC apresenta 2 vitórias, 5 empates e 3 derrotas, 11 gols marcados e 12 gols sofridos, ocupando o 11º lugar entre 14 clubes.

Eis as Fichas Técnicas dos confrontos entre os dois clubes:

Botafogo 1x0 Caracas (Venezuela)

» Gols: Sinval, aos 54’

» Competição: Copa Sul-americana Conmebol / Quartas-de-final

» Data: 26.08.1993

» Local: Estádio Brígido Iriarte, em Caracas (Venezuela)

» Árbitro: Medardo Martínez

» Disciplina: Expulsão de Marcos Paulo (Botafogo)

» Botafogo: Carlão; Perivaldo, André Santos, Rogério Pinheiro e André Duarte; Nélson (China), Suélio e Rogerinho; Marcos Paulo, Rocha (Eliomar) e Sinval. Técnico: Carlos Alberto Torres.

» Caracas: Baena; Paezpumar, Maldonado, Morovic e Cavallo; Musah (Echenuassi), Mendoza (Carrero) e Gerson Diaz; Miranda, Salisu e Gallardo. Técnico: Pedro Febles.

Botafogo 3x0 Caracas (Venezuela)

» Gols: Rogerinho, aos 10’ e 24’, e Aléssio, aos 34’

» Competição: Copa Sul-americana Conmebol / Quartas-de-final

» Data: 02.09.1993

» Local: Estádio Caio Martins, em Niterói (RJ)

» Árbitro: Daniel Bello

» Disciplina: Expulsão de Gabriel Miranda (Caracas)

» Botafogo: Carlão; Perivaldo, André Santos, Rogério Pinheiro e André Duarte (Luciano); Fabiano, Suélio e Rogerinho; Aléssio (Clei), Sinval e Eliel. Técnico: Carlos Alberto Torres.

» Caracas: Barreto; Paezpumar, Maldonado, Morovic e Cavallo; Echenuassi, Gerson Diaz e Gabriel Miranda; Gallardo (Salisu), Vogler (Luis Mendoza) e Carrero. Técnico: Pedro Febles.

Campanha completa da Copa Conmebol de 1993 em https://mundobotafogo.blogspot.com/2008/07/campeo-de-futebol-da-copa-conmebol-1993.html

Top dos 20 melhores jogadores – opções em confronto

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

A opção da lista da imagem pode-se confrontar com a seguinte lista descritiva (ambas encontradas na internet):

01 Nilton Santos

02 Garrincha

03 Didi

04 Jairzinho

05 Heleno de Freitas

06 Gérson

07 Manga

08 Amarildo

09 Quarentinha

10 PC Caju

11 Mendonça

12 Carvalho Leite

13 Nilo

14 Paulo Valentim

15 Marinho Chagas

16 Mimi Sodré

17 Dinorah de Assis

18 Sebastião Leônidas

19 Zagallo

20 Patesko

O TOP 5 das duas listas possuem as mesmas classificações e ambas apresentam mais 10 concordâncias em lugares diferentes, mas há diferenças significativas. Os jogadores grafados em negrito constam das duas listas, mas há 5 diferenças bastantes curiosas.

A lista descritiva tende a selecionar atletas mais antigos, nomeadamente Nilo, Paulo Valentim, Mimi Sodré, Dinorah de Assis e Patesko; a lista da imagem substitui esses jogadores por Túlio, Jefferson, Wagner, Maurício e Loco Abreu.

Curiosidades: a lista descritiva ignora duas grandes figuras de títulos brasileiros, concretamente Túlio 'Maravilha' (ausência rara na lista dos 20 maiores) e Luís Henrique (este também ignorado na lista da imagem) e um grande craque de renome internacional e multicampeão não surge em nenhuma das duas listas – Clarence Seedorf.

Desconheço os autores das duas listas, mas de repente as listas sugerem que o autor da lista da imagem pertence a uma geração bastante mais nova, indicando 5 atletas de sucesso mais recente, enquanto a geração do autor da lista descritiva, recuando aos primórdios dos primeiros tempos, prefere referências antigas como Mimi Sodré, Dinorah de Assis, Nilo e Patesko.

Será essa a razão das diferenças principais entre as duas curiosas listas ou existirão outros critérios subjacentes a tais opções?...

quarta-feira, 8 de abril de 2026

A voz de Sara

Crédito: www.freepik.com

por LÚCIA SENNA | Escritora e cantora | Colunista do Mundo Botafogo

Sempre tive medo de doença. Gosto tanto da vida, que qualquer sinal suspeito no corpo me parece logo um aviso dramático de que minha permanência no planeta está por um fio. Mas houve uma época em que a coisa saiu completamente do controle.

Depois de uma pequena cirurgia para retirar um cisto no ovário, desmaiei durante o café da manhã. Acordei na casa da vizinha, com mamãe em estado de pânico – suspeito, aliás, que ela também tivesse certo talento para a hipocondria.

A partir daquele dia, meu organismo se transformou numa verdadeira fábrica de tragédias médicas.

Dor nas costas? Fratura exposta. Dormência nas pernas? Doença raríssima que certamente levaria à amputação do dedão do pé. Cisco no olho? Cegueira iminente. Resfriado? Pneumonia dupla. Verruga na mão? Tumor maligno. Dor de cabeça? Aneurisma.

Resultado: mãos suadas, coração disparado e a contínua sensação de morte imediata. Diagnóstico final: síndrome do pânico.

Foi então que uma prima me ofereceu o telefone de uma psicóloga chamada Sara.

Liguei. E, naquele instante, fiquei encantada. A voz de Sara era uma coisa extraordinária. Aveludada, firme, cheia de curvas, de ritmos... uma voz que parecia caminhar de salto alto. Imediatamente imaginei uma mulher elegante, bonita, segura – dessas que quando passam, todos percebem.

Marquei a consulta. Na hora combinada, cheguei à pequena sala de espera de um consultório dividido por três psicólogas. Ambiente simpático, discreto, aconchegante.

Às dez em ponto, a porta de um dos consultórios se abriu.

 – Lúcia?

Levantei... e levei um choque. Aquela senhora não tinha absolutamente nada a ver com a voz que havia conhecido pelo telefone. NADA!

Sara era enorme. Muito obesa. E, digamos com carinho, bastante distante da figura elegante que minha imaginação havia criado. Mas a voz... ah, a voz continuava a mesma. Sexy. Sedutora. Musical.

Entrei.

Sara acomodou-se numa poltrona gigantesca, cercada de almofadas, como se fosse um trono. Ao lado, havia uma mesinha com garrafas d’água – exclusivamente pra ela – e uma generosa coleção de guloseimas: jujubas, amendoins, paçocas, chicletes.

Sentei numa cadeira bem menos confortável. Comecei, então, a desfiar o meu rosário de medos. Expliquei cada sintoma, cada doença raríssima que tinha certeza de estar desenvolvendo dia após dia.

Sara ouvia... mastigando. De boca cheia, dizia apenas:

– Conta mais. - e eu contava...

– Mais. - e eu continuava...

Entre uma jujuba e uma paçoca, Sara me incentivava:

– Mais detalhes.

Uma hora depois, o despertador tocava. Tempo encerrado. Assim foram muitas semanas. Eu chegava com novas doenças imaginárias. Sara chegava com novas guloseimas.

Até que um dia, durante uma sessão, aconteceu o impensável. No meio da minha frase mais dramática – aquela em que relatava uma crise existencial que mereceria, no mínimo, um franzir de sobrancelhas profissional – percebi um silêncio estranho. Olhei melhor.

Sara dormia.

Não, não era um cochilo discreto. Era um sono convicto, profundo, daqueles que fazem a cabeça pender levemente para o lado e a boca se abrir num pequeno abandono terapêutico. Fiquei alguns segundos paralisada, entre a indignação e a vergonha. Mas a indignação venceu.

 – Sara?... – arrisquei, num tom que misturava delicadeza e revolta.

Ela despertou num pulo curto, olhos arregalados, um leve vestígio de baba ameaçando comprometer a autoridade científica da cena.

– Eu não estava dormindo! – declarou imediatamente, ajeitando-se na poltrona com dignidade apressada.

– Eu estava em alfa.

Fez uma pequena pausa, como quem revela um conceito sofisticadíssimo da neurociência:

– É um estado em que o inconsciente fica mais ativo.

Fiquei olhando pra ela alguns segundos. Confesso que, naquele momento, tive a forte impressão de que o inconsciente dela estava ativo... em outra dimensão. Observei que, na mesinha, não havia nem paçocas nem jujubas nem amendoins. Provavelmente, a secretária tinha esquecido de abastecer o estoque terapêutico. E Sara, faminta como ela só, acabou por adormecer. Afinal, sono também alimenta.

Mas o verdadeiro final dessa história viria pouco tempo depois.

Certo dia, Sara resolveu ocupar toda a sessão me contando um drama pessoal: a empregada havia entrado com uma ação contra ela. O motivo? Sara não pagava direitos trabalhistas – décimo terceiro, férias e outras formalidades que a lei exige.

Enquanto ouvia aquilo, um detalhe me deixou gelada. Eu trabalhava no INSS. E o processo havia caído justamente na unidade onde trabalhava.

Foi, então, que Sara, com sua linda voz aveludada e sedutora, me fez um pedido:

– Será que você poderia sumir com esse processo?

FIQUEI HORRORIZADA!!!!

Levantei daquela cadeira pouco confortável e saí da sala com a sensação de que estava assistindo a algo verdadeiramente preocupante.

Nunca mais voltei. Mas devo confessar uma coisa: talvez Sara tenha mesmo me ajudado. Depois de ouvir uma psicóloga mastigando jujubas, dormindo no meio da consulta e pedindo fraude no INSS... qualquer fratura exposta passou a parecer um problema bem menor.

Nota do Mundo Botafogo: todas as crônicas da autora podem ser lidas na etiqueta/rubrica com a seguinte denominação: letras lúciasenna [42 dessas crônicas foram posteriormente publicadas, mas a edição está esgotada].

terça-feira, 7 de abril de 2026

Arrebatadora e tumultuada década de 1990 (V): de recordista do Rio-São Paulo à inesperada e frustrante Copa perdida

Arte. Iram Santos.

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

No dia 28 de fevereiro de 1998 o Botafogo entrou em campo para decidir com o São Paulo o campeão do Torneio Rio-São Paulo e venceu o jogo de ida no Morumbi por 3x2, de virada, em mais um desempenho sensacional ainda com alguns dos campeões de 1995. Zé Carlos e Dodô marcaram para os paulistas aos 38’ e 50’, respectivamente, mas o Botafogo liquidou a fatura com três gols de Zé Carlos, Sérgio Manoel e Jorge Luís, aos 64’, 75’ e 86’ respectivamente.

No dia 4 de março, no Maracanã, perante mais de 56 mil espectadores, bastava o empate para o Botafogo ser campeão. Jefferson tornou o nosso favoritismo maior quando aos 11’ inaugurou o marcador. Porém, foi a vez do São Paulo se encher de brio e fez a virada ainda na primeira parte do jogo, marcando por Adriano e Dodô, aos 37’ e 43’, respectivamente.

O jogo endureceu com 9 cartões amarelos mostrados e durante 33 minutos o Botafogo batalhou até que conseguiu chegar ao empate aos 76’, por Zé Carlos, vindo do banco em substituição de França e conquistando novamente o título da competição pela quarta vez (1962, 1964, 1966, 1998), consagrando o único tetra-campeonato de clubes cariocas no Torneio Rio-São Paulo.

O Botafogo alinhou com Wagner; Wilson Goiano, Jorge Luís, Gonçalves e Jefferson; Pingo, França (Zé Carlos), Djair e Sérgio Manoel (Alemão); Bebeto e Túlio. Técnico: Gilson Nunes.

Campanha completa em https://mundobotafogo.blogspot.com/2008/08/viagem-luanda-lisboa.html

Ainda em 1998, numa perspectiva das “coisas que só acontecem ao Botafogo”, eis que num famoso jogo entre o Botafogo e o Atlético Mineiro, pelo Campeonato Brasileiro, o nosso Clube foi para o intervalo vencendo por 2x0, mas na 2ª parte o Atlético diminuiu o placar e depois, em apenas 17 minutos, os alvinegros de Minas marcaram quatro gols de rajada e passaram a golear o Botafogo por 5x2 aos 80’ de jogo.

O presidente José Luiz Rolim, encolerizado, recolheu-se ao vestiário e deu uma enorme bronca aos jogadores quando chegaram junto dele. Porém, subitamente, comemoraram todos juntos. A história é contada em https://mundobotafogo.blogspot.com/2025/12/uma-historia-de-5x5-no-placar.html

No ano seguinte, em 1999, o Botafogo disputou a Copa do Brasil e tinha todas as condições de conquistar a inédita taça para a Sala de Troféus do Clube, defrontando o Juventude.

Botafogo x Juventude, perante 100.000 alvinegros.

No jogo de ida, em Caxias do Sul, o Botafogo foi derrotado por 2x1 e teve dois gols indevidamente anulados. Quando no jogo de volta, em 28 de junho, perante 100.000 espectadores alvinegros – público que se mantém até hoje como o maior em disputas pela Copa do Brasil – o Botafogo deu entrada no Maracanã, bastava vencer por 1x0 para fazer explodir aquela centena de milhar de almas alvinegras.

Diante da retranca do Juventude, atuando previsivelmente, com um técnico pouco ousado e uma arbitragem ‘manhosa’, o Botafogo caiu com um empate por 0x0 sem conseguir por uma única vez balançar as redes adversárias.

Zé Carlos sintetizou esse dia em que a torcida botafoguense, provavelmente, conheceu o mais amargo gosto do falhanço inesperado:

– “Lembro que, quando a gente estava chegando ao Maracanã, fiquei impressionado, porque nunca tinha visto tanta gente na minha vida. Foi um momento especial para mim, mas frustrante no fim.”

Talvez se deva mencionar que a Torcida Gloriosa somente se vingou verdadeiramente da sua trágica frustração de 1999 apenas um quarto de século depois quando superou todas as alegrias possíveis durante a invasão de quarenta mil botafoguenses no estádio Mâs Monumental – no dia 30 de novembro de 2024!

Todavia, o Mais Tradicional ainda teria que percorrer uma longa caminhada desde a década de 1990 até à década de 2020, por entre algumas esperanças e três descidas aos infernos da Série B do Campeonato Brasileiro de futebol, antes de subir aos céus concretizando o maior sonho da sua torcida: ser CAMPEÃO CONTINENTAL!

Fontes:

https://maisqueumjogo.com.br/

https://imortaisdofutebol.com/jogos-eternos-atletico-mg-5x5-botafogo-1998/

https://mundobotafogo.blogspot.com/2008/08/viagem-luanda-lisboa.html

https://mundobotafogo.blogspot.com/2025/12/uma-historia-de-5x5-no-placar.html

Retrospecto Botafogo x Caracas

Fonte: Wikipédia. por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo O Botafogo enfrentou o Caracas Fútbol Club pela Copa Conmebol de 1993, conqui...