sexta-feira, 19 de abril de 2024

Botafogo 1x0 Atlético Goianiense - finalmente, ganhar

Crédito: Vitor Silva / Botafogo

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

Três pontos são sempre algo para saudar, assim como mais um aprendizado da comissão técnica para começar um caminho que parece bem difícil.

Temos vindo a criticar a opção excessivamente atacante de AJ, descurando a defesa, em especial porque nem zagueiros nem laterais correspondem às nossas necessidades.

No entanto, neste jogo, o sistema defensivo tornou-se mais compacto com recomposição mais coletiva e linhas mais próximas.

Tendo a defesa melhorado, esperar-se-ia que gente como Júnior Santos, Tiquinho Soares, Luiz Henrique, Jeffinho, pudessem então fazer valer a sua sanha criativa e atacante.

Mas não.

Procurou-se criar mais jogadas pelas pontas, mas chegar à baliza era difícil, e jogar em cima do erro do adversário não foi posto em prática. Ainda assim, houve perdidas. Aos 8’ Luiz Henrique dentro da área rematou à figura do goleiro, depois Tchê Tchê chutou próximo à meia-lua, mas sobre o travessão.

Até que aos 31’, Júnior Santos lançou Luiz Henrique na ala direita e este endossou um excelente passe para o miolo da grande área onde apareceu Mateo Ponte para colocar o Glorioso na vanguarda do placar.

O gol animou as nossas hostes, mas os desperdícios, particularmente de Jeffinho, sucederam-se como em jogos anteriores.

Aos 35’, quase dentro da pequena área, Luiz Henrique cruzou para ninguém, em vez de rematar diretamente à baliza.

Aos 41’ Jeffinho desperdiçou outra grande chance rematando rente ao poste esquerdo.

Chances do Atlético na 1ª parte: zero.

Crédito: Vitor Silva / Botafogo

Na 2ª parte o Atlético começou ligeiramente melhor e quase empatou num cruzamento aos 8’, com confusão em interceção simultânea de Lucas Halter e Gatito, resultando numa cabeçada atacante que Mateo Ponte conseguiu salvar com Gatito batido.

Porém, foi sol de pouca dura e o Botafogo teve logo em seguida duas boas oportunidades para matar o jogo. Aos 9’ Tiquinho Soares enfiou a bola para Júnior Santos que disparou para a baliza, mas em vez de chutar para ampliar preferiu dar passe a Jeffinho, que não esperava por isso e chegou atrasado à bola com a baliza escancarada. Aos 11’ Júnior Santos tabelou com Luiz Henrique e rematou, mas também sem sucesso.

O tempo foi passando e o Botafogo sem marcar, oferecendo contra-ataques ao Atlético, e nos últimos 10 minutos o jogo mudou a favor do adversário. E o sofrimento da equipe e dos seus torcedores regressou: o Atlético teve nada menos que quatro ótimas oportunidades para marcar: duas delas salvas por Gatito, em excelentes defesas in-extremis; e outras duas salvas por Lucas Halter.

Em suma, o Botafogo não conseguiu ainda equilibrar suficientemente os setores entre si, o ataque é muito desafinado no momento do remate e os passes errados são excessivos. A confiança dos jogadores não é grande e isso ficou patente nos últimos minutos de jogo quando o Atlético dominou a partida e infligiu grande sufoco à nossa equipe.

A comissão técnica quer impor um jogo de propositura, mas isso leva tempo e talvez devesse apostar em jogos mais serenos e cautelosos de modo a cansar o adversário e encontrar brechas na defesa contrária para contra-atacar velozmente.

Talvez AJ venha a perceber que neste momento, com o campeonato em pleno, mais a Copa do Brasil e a Copa Libertadores, necessita de ajustes rápidos, alternativas de presente e insuflar esquemas mais atacantes de modo mais paulatino, porém consistente, como é o seu estilo de montar equipes. Mas que se cuide, porque em dois anos no Braga já tomou grandes goleadas e ainda não enfrentamos nenhum adversário verdadeiramente difícil.

Finalmente, desenha-se que há alguns bons atletas, ainda por orientar melhor técnica, tática e fisicamente, mas há vários deles que John Textor podia levar consigo para o Molenbeeck – ou para o Lyon, mas que não os enviasse de regresso…

E esperar a janela de transferências de meio do ano pode ser bem tarde para vários objetivos a alcançar.

FICHA TÉCNICA

Botafogo 1x0 Atlético Goianiense

» Gols: Mateo Ponte, aos 31

» Competição: Campeonato Brasileiro

» Data: 18.04.2024

» Local: Estádio Olímpico Nilton Santos, no Rio de Janeiro (RJ)

» Público: 7.801 pagantes; 8.508 espectadores

» Renda: R$ 337.950,00

» Árbitro: Luiz Flávio de Oliveira (SP); Assistentes: Neuza Inês Back (SP) e Daniel Paulo Ziolli (SP); VAR: José Cláudio Rocha Filho (SP)

» Disciplina: cartão amarelo – Lucas Halter, Tiquinho Soares e Patrick de Paula (Botafogo); Pedro Henrique, Luiz Felipe, Bruno Tubarão e Rhaldney (Atlético)

» Botafogo: Gatito Fernández; Mateo Ponte, Lucas Halter, Bastos e Hugo; Luiz Henrique (Savarino), Gregore (Danilo Barbosa), Tchê Tchê e Jeffinho (Óscar Romero); Júnior Santos (Patrick de Paula) e Matheus Nascimento (Tiquinho Soares). Técnico: Artur Jorge.

» Atlético Goianiense: Ronaldo; Bruno Tubarão, Luiz Felipe, Pedro Henrique e Guilherme Romão; Rhaldney (Yony González), Gabriel Baralhas e Shaylon; Alejo Cruz (Vagner Love), Emiliano Rodríguez (Derek) e Luiz Fernando (Max). Técnico: Emílio Faro.

7 comentários:

jornal da grande natal disse...

Uma vitória para dar incentivo ao elenco (não tem como ser de outro jeito).

Ruy Moura disse...

É um incentivo, sim, Vanilson, mas se tivessemos feito 2x0 ou 3x0 (e podia ter sido) não haveria sufoco no final e a confiança aumentaria bastante. Apesar disso, torcemos para que tenha sido um reiniciar de confiança.
Abraços Gloriosos.

Sergio disse...

Não vi o jogo mas vi os melhores momentos e resenhas sobre o jogo, além de claro ler seu comentário, sempre muito preciso. A impressão que tenho é que o Botafogo ainda precisa de tempo para entender a questão tática, mas sobretudo ter um melhor condicionamento físico e melhorar as finalizações. Se finalizasse melhor e tomasse a decisão certa no arremate ao gol, muito provavelmente o time não tomaria o sufoco que tomou em parte do segundo tempo. É bem verdade que as mexidas não surtiram efeito, pois os que entraram não foram bem. Na coletiva o Artur Jorge ressaltou a importância os 3 pontos e deixou claro que ainda há muito trabalho a ser feito. Tomara que consiga melhorar o desempenho tático da equipe e que alguns jogadores consigam melhorar o desempenho individual, mas sem dúvida a vitória ontem foi muito importante.
Se nos olharmos com calma os resultados dessas duas rodadas veremos que nenhum time está jogando um futebol que encha os olhos, haja visto que o nosso adversário ontem só perdeu o primeiro jogo com um pênalti estranho no final, jogando com um a menos e um acréscimo de 11 minutos, então precisamos ter paciência com o time do Botafogo, muito embora paciência é algo que nós torcedores estamos tendo há décadas. Abs e SB!

Ruy Moura disse...

Se o AJ não conseguir segue o caminho dos outros, e nós continuamos sem um treinador duradouro. E sem treinador duradouro nenhuma equipe consegue praticar um futebol verdadeiramente consistente. E o futebol brasileiro é campeão nisso. Até tivemos um treinador que não chegou a comandar nenhum jogo...

Por isso eu teria apostado num treinador em patamar mais elevado - experiente e que tenha tido algumas conquistas. Não sei se o AJ está preparado para subir de patamar. O que sei é que no caso do futebol europeu somente os treinadores que perduram um tempo considetrável nos clubes é que conseguem consistência nas suas equipes, mesmo não tendo os melhores plantéis.

O treinador do Sporting Clube de Portugal está há 4 anos no clube, nos últimos 16 jogos empatou 1 e ganhou 15, tem 7 pontos de vantagem e o melhor ataque com 19 gols de vantagem para o segundo classificado, marcou mais de cem gols nesta temporada e registra a 2ª melhor defesa. Isso só foi conseguido com trabalho árduo, sistemático, focado jogo a jogo, com ligação às bases revelando ótimos jogadores e com um scouting que alavancou o valor da equipe.



Futebol hoje não se ganha apenas em campo, porque as variáveis são todas minuciosamente trabalhadas fora de campo quando se tem por objetivo um plantel de elevado nível a funcionar 'mecanicamente' em campo.

Quanto a paciência já estou pensando em naturalizar-me chinês para incorporar o dito popular "paciência de chinês". Porque à medida que os anos passam, se não aumentarmos o nível de paciência, o lema da torcida jamais se render esgota-se e a fortaleza desmorona-se. Com paciência de chinês talvez cheguemos ao objetivo maior, porque as equipes sul-americanas jogam um futebol que estaria ao nosso alcance se a gestão do nosso futebol deixasse para trás a vocação do erro.

Abraços Gloriosos.

Sergio disse...

Infelizmente o futebol brasileiro não dá tempo de trabalho aos treinadores, só vivemos de resultados imediatos, e no caso do Botafogo há uma necessidade urgente de um título, mas nada se constrói de forma duradoura sem um trabalho consistente. Abs e SB!
Eu vi alguns jogos do Sporting e fiquei bastante surpreso com o futebol que o time tem apresentado, e pensei comigo, esse treinador do Sporting podia vir para o Botafogo., mas aí o meu amigo Ruy não iria gostar, rsrsrsrs! Abs e SB!

Ruy Moura disse...

Gostaria, sim! O meu Clube de coração sempre foi o Botafogo, desde os 9 anos, mas gosto muito do Sporting. Tenho a sorte da minha famíla brasileira ser botafoguense e a portuguesa sportinguista. São muito parecidos em diversos casos históricos. Até têm um Joel Carli, o zagueiro Sebastián Coates, que entraram respetivamente no Boatafogo e no Sporting em 2016. Nasceram ambos em outubro, ambos foram os grande 'xerifes' da zaga.

Cerca de metade da equipe vem das bases. Grande trabalho do treinador, porém, parece que o Ruben Amorim no final da temporada está indigitado para treinar o Liverpool, após a saíde de Klopp.

Abraços Gloriosos.

Ruy Moura disse...

Adenda: Se o Amorim viesse para o Botafogo [é impossível] seríamos campeões brasileiros num espaço de dois anos. E brilharíamos na Libertadores. Ele é intenso, assertivo, excelente cmunicador e tecnicamente brilhante, entrou no Sporting em 2020 quando ainda tinha feito apenas 46 jogos com treinador, foi campeão nacional nessa temporada, ganhou duas Taças da Liga e uma Supercopa, e nas últimas duas temporadas andou a construir a espetacular equipe deste ano. Provavelmente será de novo campeão nacional e está na final da Taça de Portugal. Se ganhar as duas competições somaria seis conquistas pelo Sporting em 4 anos. Talvez seja melhor treinador do Sprting nos últimos 70 anos. Chegou ao SCP com 35 anos e provavelmente vai para o Liverpool aos 39 anos de idade. Um mundo pela frente! Merece!

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