por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo
No conjunto da partida o Botafogo jogou bem, mas ainda não
é tempo de ‘lançar foguetes’. Há dados que favoreceram a goleada: marcador
inaugurado cedo; hiato entre o empate e o 2x1 com facilidades concedidas pelo adversário;
remates felizes de fora da área e, sobretudo, um meio-campo que, finalmente,
encontrou um trio capaz de efetuar marcação e simultaneamente criar, algo que
não acontecia há algum tempo.
Aos 6’ ocorreu o primeiro momento do jogo: na sequência de
um ataque botafoguense Santi Rodríguez recuperou uma bola, lançou rapidamente
para Danilo que progrediu entre dois adversários como se estivesse a dançar e
subitamente disparou um tiraço de fora da grande área para inaugurar o
marcador. Botafogo: 1x0.
Porém, apesar do gol prematura o Botafogo não pressionou
o adversário no sentido de aproveitar a ocasião e ganhar ascendente sobre o
adversário, rolando a bola sem grandes pretensões. Pelo contrário, foram os
paulistas que ameaçaram aos 14’ e eis senão quando, no minuto seguinte, o Bragantino
cobrou lateral longa para a entrada da área do Botafogo, toda a defesa
alvinegra ficou parada, literalmente pregada ao chão, e John John recebeu a
bola totalmente livre já à entrada da área, teve tempo de ajeitar a pelota e
disparou inapelavelmente para bater Neto. 1x1.
Então o Botafogo empertigou-se começando a carregar sobre
o Bragantino?... Nada isso. É com se tivesse metido em banho-maria e durante 16
minutos houve um verdadeiro hiato de jogo cá e lá sem quaisquer consequências. Somente
aos 31’ é que Danilo puxou um ataque pela esquerda, foi à linha de fundo e
centrou certeiro para Arthur cabecear ao lado com a baliza à sua mercê.
Porém, dois minutos depois, aos 33’, Danilo recuperou uma
bola, endossou Santi Rodriguez, a bola bateu na marcação, Danilo tocou lateralmente
à entrada da área, Newton ajeitou a bola e disparou para o fundo da baliza.
Botafogo 2x1.
O Botafogo acordara, o meio campo funcionou: aos 40’
Arthur perdeu clamorosamente o 3º gol rematando, sozinho, de cabeça, para fora;
as 41’ foi a vez de Vitinho, após lançamento longo espetacular, dominar a bola
com o peito quase na linha de fundo, mas em vez de rolar para trás para os atacantes
bem colocados, chutou claramente sem ângulo e a bola foi-se perder no outro
lado da linha de fundo. Vitinho estava muito entusiasmado em mostrar ao
selecionador brasileiro que assistia ao jogo em como devia ser escolhido a titular
no próximo jogo do Brasil.
Aos 45+2’ o Botafogo remediou as diversas oportunidades
perdidas: Santi Rodríguez recuperou uma bola com um drible extraordinário,
mudou o flanco de jogo com um lançamento longo para Jeffinho, que serviu
Savarino ainda fora da grande área e o craque botafoguense disparou um daqueles
seus tiros em dia de boa performance para ampliar o marcador: Botafogo 3x1.
O 2º tempo foi tranquilo e ambas as equipes atuaram em
contenção, o Bragantino, fora a jogada do gol nunca criou verdadeiramente
perigo ao Botafogo, nem marcou com muito rigor.
De tempo a tempos o Botafogo ameaçava: Jeffinho aos 58’
obrigou Cleiton a uma grande defesa; aos 65’ Arthur perdeu nova oportunidade de
gol; aos 90’ Montoro isolou-se ma falhou no toque final chutando contra a marcação;
aos 90+2’ Montoro redimiu-se, recebeu uma assistência à entrada da pequena área
e já no chão rematou para o fundo da baliza estabelecendo a goleada. Botafogo
4x1.
Aos 90+4’ ainda Montoro poderia ter ampliado, mas a bola
embateu caprichosamente no pote da baliza.
Globalmente torno a sublinhar o grande papel desempenhado
por Newton, Danilo, Savarino e Santi Rodríguez, que juntos conseguiram fazer
funcionar a marcação e a criação, travando os ataques do Bragantino, fornecendo
assistências perfeitas e marcando três gols incríveis de fora da grande área,
evidenciando que talvez esteja encontrado, finalmente, um meio-campo capaz de
fazer marcação, criar jogadas e marcar gols.
FICHA TÉCNICA
Botafogo 4x1 Bragantino
» Gols: Danilo,
aos 6’, Newton, aos 33’, Savarino, aos 45+2’, e Álvaro Montoro, aos 90+2’ (Botafogo);
Jhon Jhon, aos 15’ (Bragantino)
» Data: 30/8/2025
– 18h30
» Local: Estádio Olímpico Nilton Santos, no Rio de Janeiro (RJ)
» Público: 11.037 pagantes; 13.165 espectadores
» Renda: R$ 711.675,00
» Árbitro: Lucas Casagrande (PR); Assistentes: Victor Hugo Imazu dos Santos (PR) e
Maira Mastella Moreira (RS); VAR: Diego
Pombo Lopez (BA)
» Disciplina: cartão amarelo – Lucas Barbosa e Nathan
Mendes (Bragantino)
» Botafogo: Neto; Vitinho (Mateo Ponte), Kaio Fernando,
David Ricardo e Marçal; Newton (Marlon Freitas), Danilo e Savarino (Joaquín
Correa); Santi Rodríguez (Artur), Arthur Cabral e Jeffinho (Álvaro Montoro).
Técnico: Davide Ancelotti.
» Bragantino: Cleiton; Nathan Mendes, Gustavo Marques,
Guzmán Rodríguez e Vanderlan; Fabinho (Praxedes), Eric Ramires (Gabriel) e Jhon
Jhon; Nacho Laquintana (Henry Mosquera), Lucas Barbosa (Davi Gomes) e Sasha
(Fernando). Técnico: Fernando Seabra.
4 comentários:
Até agora os resultados vinham numa gangorra de perde e ganha ou ganha ou perde em todas as competições. Vamos ver se agora engrena para a Copa do Brasil e classificação em alguma competição internacional via Série A.
Boa partida do Botafogo, time se movimentando bem, ocupando espaços e com boa marcação. O único senão foi o com que o time tomou, uma falta de atenção absurda.
Meio campo funcionou bem, o Danilo é muito bom jogador, e o Santi Rodrigues começa a mostrar o futebol que fez com que fosse contratado.
Parece que os jogadores estão se adaptando e com isso o treinador terá mais opções não só para a escalação inicial mas para modificações importantes durante as partidas. Abs e SB!
Todos desejamos que sim, José Vanilson, que a equipe engrene e possamos ter um ano mais tranquilo. Se ganharmos a Copa do Brasil vamos direto para a Copa Libertadores de 2026, o que significa que teremos duas oportunidades para lá chegar em 2026. Os objetivos deste ano foram racionalmente bem definidos por Ancelotti: conquistar a Copa do Brasil e chegar no grupo do G4 no fim do Brasileirão.
Abraços Gloriosos.
Sergio, em minha opinião o Santi Rodríguez já vinha subindo jogo após jogo, mas este jogo talvez seja aquele que lhe dará a moral necessária para acelerar as melhores performances que espero ainda estejam para vir. Tem potencial para isso.
O Danilo é bom, claro, só precisa de ter mais confiança. Não percebo nem Textor nem o scouting: contratam Santi Rdríguez e Danilo e entretanto dão-nos presentes de gregos como Rwan e Mastriani. O Rwan custou 8 milhões de euros. Pode?!
Muito importante: que Ancelotti abra os olhos definitivamente e perceba, entre outros ajustes que tem que saber fazer, que há jogadores que entram em épocas pífias e têm que ser barrados, como, por exemplo, o capitão da equipe, que na sua função erra todos os chutes a gol, não sabe marcar e o seu jogo é excessivamente lateralizado, sem criar verdadeiramente. No jogo de ontem a ausência de Marlon Freitas a titular foi... um reforço que a equipe ganhou!
Outro problema: Neto. Neto é baixo e perdemos muito com a saída de John. Pode ser que Neto se venha a revelar notável, mas por enquanto ainda não tenho opinião sustentada porque ele tem sido basicamente goleiro-reserva noutras equipes e é baixo como o Castillo.
Abraço Glorisos.
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