quinta-feira, 2 de abril de 2026

Botafogo 3x2 Mirassol

Crédito:  Vitor Silva | Botafogo.

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

O Mirassol entrou bem no jogo, não deixando o Botafogo sair com bola e arriscando rematar à baliza’, obrigando Raul a uma boa defesa aos 7’, enquanto a nossa equipe se apresentou, uma vez mais, com os setores afastados entre si e pouco articulados.

Porém, futebol é sempre uma caixinha de surpresas e, quando menos se esperava, Alex Telles decidiu-se por um lançamento longo para a entrada da área do Mirassol, Edenílson escorou a bola inteligentemente de cabeça para trás e Arthur Cabral – quem diria! – acertou um forte remate em arco no ângulo da baliza de Walter e inaugurou o marcador aos 10’. Botafogo 1x0.

No entanto, o Mirassol não desarmou e retomou os seus ataques bem organizados. O Botafogo, tendo-se saído bem no 1º gol, foi tentando os lançamentos longos, mas sem efeito porque o Mirassol tapava bem a progressão dos alvinegro.

Um turista que entrasse no Niltão diria que o Mirassol era a equipe da casa, com posse de bola consistente e ataques continuados. Por seu lado, quando tinha a bola o Glorioso não sabia o que fazer dela. Na verdade, a equipe não tem um modelo de jogo, não possui automatismos, é um aglomerado de atletas sem rei nem roque – resultado de Anselmi ter desmontado a equipe com o seu sistema (?) caótico e Bellão ainda não ter conseguiu anular essa descaracterização.

Aos 20’ aconteceu o que eu já prenunciava noutras ocasiões: Raul colocava-se a jeito de tomar um gol por cobertura e foi o que o Mirassol fez com um remate de longe para empatar a partida. Na repetição da jogada percebe-se Raul distraído, mal colocado e lento quando parte para a bola. Mas os dirigentes da estrutura do Botafogo (Textor? Departamento de Futebol? Ambos?) não contrataram um goleiro nem um atacante de área – justamente aqueles que, no limite, evitam gols adversários e marcam gols a nosso favor.

Enquanto o Mirassol saía bem com a bola, sem que os nossos atacantes pressionassem o adversário, e continuou procurando o ataque, em várias ocasiões o Botafogo tinha menos defensores do que adversários pela frente e quando atacava tinha menos jogadores do que os defensores do Mirassol – evidenciando a inexistência de uma estratégia e de uma identidade coletiva

Todavia, a caixinha de surpresas tornou a funcionar: numa rara jogada de progressão com bola no pé, Santi Rodriguez lançou Cristian Medina dentro da grande área e o goleiro Walter derrubou-o. O árbitro nada assinalou e foi o VAR que o chamou para assinalar a grande penalidade. E aos 42’, como sempre, Alex Telles converteu: Botafogo 2x1.

Pergunto novamente como antes: onde é que este rapaz aprendeu a marcar penalidade com tanta precisão?...

Na 2ª parte o jogo permaneceu na mesma toada, embora o Mirassol tivesse muitas dificuldades de alcançar a eficácia desejada: o gol de empate. Então, vendo o tempo passar e a derrota permanecer, o Mirassol teve que se arriscar mais no ataque e os espaços para o Botafogo atacar aumentaram.

Exemplo disso foi a corrida de Júnior Santos atrás da bola aos 64’, ganhando em robustez e velocidade ao defensor e chegando cara a cara com Walter, mas hesitou no remate e o goleiro fez boa defesa. Porém, na jogada seguinte, aos 65’, num veloz contra-ataque de Edenílson pela ala esquerda até à linha de fundo, o meia cruzou, Barrera rematou, Walter defendeu no susto, mas a bola sobrou para Júnior Santos, que ao estilo de centro-avante tirou um defensor da jogada e rematou inapelavelmente para o fundo das redes: Botafogo 3x1.

Aos 72’, com o Mirassol porfiando no ataque, mas não criando verdadeiras oportunidades de gol, o Botafogo arrancou novo contra-ataque veloz, fez tudo bem, mas Vitinho rematou ao travessão. Aos 75’, em jogada de Montoro, o gol esteve novamente à vista, mas a zaga rechaçou.

Como não ‘matámos’ a partida, o Mirassol tanto porfiou que aos 90+2’, na cobrança de escanteio, Igor Formiga antecipou-se à zaga e diminuiu o placar para 3x2. Então, como não podia deixar de ser quando falamos de Botafogo, os últimos minutos foram de verdadeiro sufoco e o placar de 3x3 – reeditando 2025 – esteve à beira de acontecer, não fosse Justino salvar com o peito o remate do Mirassol.

E assim foi um jogo em que a sorte nos bafejou com três pontos e parece que finalmente, superando a falta de atacantes de área, Júnior Santos regressou aos seus melhores dias para rasgar as defesas contrárias.

FICHA TÉCNICA

Botafogo 3x2 Mirassol

» Gols: Arthur Cabral, aos 10’, Alex Telles, aos 42’ (pen.), e Júnior Santos, aos 65’ (Botafogo); Shaylon, aos 20’, e Igor Formiga, aos 90+2’ (Mirassol)

» Competição: Campeonato Brasileiro

» Data: 01.04.2026

» Local: Estádio Olímpico Nilton Santos, no Rio de Janeiro (RJ)

» Público: 5.472 pagantes; 6.781 espectadores

» Renda: R$ 178.360,00

» Árbitro: Wilton Pereira Sampaio (GO); Assistentes: Bruno Raphael Pires (GO) e Leone Carvalho Rocha (GO); VAR: Gilberto Rodrigues Castro Júnior (PE)

» Disciplina: Cristian Medina, Vitinho e Bastos (Botafogo) e André Luís, Negueba e Tiquinho Soares (Mirassol)

» Botafogo: Raul; Vitinho, Bastos, Justino e Alex Telles (Caio Roque); Allan, Edenílson (Ferraresi) e Cristian Medina (Álvaro Montoro); Santi Rodríguez (Jordan Barrera), Arthur Cabral (Matheus Martins) e Júnior Santos. Técnico: Rodrigo Bellão.

» Mirassol: Walter; Igor Formiga, João Victor, Willian Machado e Victor Luís; Neto Moura (Denílson), Aldo Filho (André Luís) e Shaylon (Gabriel Pires); Alesson, Negueba (Galeano) e Tiquinho Soares (Edson). Técnico: Rafael Guanaes.

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